quarta-feira, junho 23rd, 2010 at 12:00pm

O último artigo redigido pelo Prof. Orlando: o estado de saúde do Mons. João Scognamiglio Clá Dias

Nota da Montfort:
O Prof. Orlando jamais publicava um texto sem antes pedir a alguns de seus amigos que o corrigissem. Este, que segue, foi o que ele enviou na tarde do dia 8 de junho, um dia antes de seu falecimento. Como era de sua vontade, publicamos este texto em respeito ao Prof.
Teria chegado realmente o livro à mesa de cardeais em Roma? Estaria Mons. Scognamiglio realmente preocupado, tendo devorado o resumo?
Texto do Prof. Orlando:
Recebemos por vários blogs e sites de vários lugares do mundo notícia, logo apagada, de que alguns dias após o lançamento de nosso livro denunciando a Gnose de PCO, da TFP, de Mons. Scoganmiglio e Arautos do Evangelho, meu ex aluno João Scognamiglio Clá Dias teve um derrame cerebral.

quarta-feira, maio 12th, 2010 at 12:00pm

Bento XVI vai a Fátima e fala do Segredo

     Nunca se discutiu tanto sobre o Terceiro Segredo de Fátima, depois que o Vaticano, em 2000, revelou a visão que os três pastores de Aljustrel tiveram em julho de 1917.
     E se tem havido tanta discussão é porque as explicações dadas então pelo Cardeal Sodano, Secretário de Estado de João Paulo II, que impediu que fosse revelado todo o segredo, na verdade não satisfizeram a ninguém. Muitos se calaram. Antonio Socci não se calou e provou que devia haver um texto, até hoje não publicado, explicando a visão que mostrava um Bispo vestido de branco – o Papa – saindo de uma cidade arruinada (Roma, arruinada doutrinária e moralmente) e subindo um Calvário onde o Papa era morto a tiros e flechadas junto com Bispos, padres e povo. E o governo de Bento XVI tem atraído ódios que se encaminham em direção a uma tragédia…
     Pretender dizer que o atentado de Agca é que foi predito, na visão publicada em 2000, é ridículo. Era uma exegese absurda que só o poder de um Secretário de Estado silenciador podia tentar impingir ao mundo, pois na visão revelada morrem o Papa, Bispos, padres e povo fiel, enquanto que, no atentado de Agca em 1981, ninguém morreu.
     No ano 2000, o Cardeal Sodano fez silenciar João Paulo II e o Cardeal Ratzinger que pretendiam contar todo o Terceiro Segredo e não apenas a visão relativa ao Segredo. O mesmo silenciador Cardeal Sodano é quem foi acusado, agora, de fazer silenciar delações de pedofilia no clero. Silencioso Cardeal Sodano que defende segredos que Nossa Senhora mandou publicar e crimes revoltantes de padres e até de um Cardeal de Viena…
     Antonio Socci em seu livro “O Quarto Segredo” provou que, além da visão revelada em 2000, devia haver ainda uma parte do Segredo de Fatima explicando a visão e que isso não fora revelado ainada pela Santa Sé. O Cardeal Bertone, sucessor de Sodano na Secretaria de Estado e na defesa do Segredo, escreveu um livro fraquíssimo tentando provar tese oposta a de
     
     Socci: Tudo já fora contado. Não existia um Quarto Segredo.
     Um fracasso.
     Agora, Bento XVI fez entrever que Socci tinha razão, e que o seu Cardeal Secretário de Estado não. Quanto silêncio e quanto sofisma na Secretaria de Estado!
     Desde que Bento XVI anunciou que iria a Fátima em Maio de 2010, os observadores mais sensatos se perguntavam o que esse Papa apedrejado pelo ódio – a pequena Jacinta viu um Papa ser apedrejado – ia fazer lá. Por que queria ele voltar a Fátima? Ele que dissera que haviam forçado sua mão em duas coisas: na condenação de Monsenhor Lefebvre e na questão de Fátima.
     O caso Lefebvre, ele o está resolvendo resolutamente. Primeiro liberando a Missa de sempre, pedida por Monsenhor Lefebvre, e declarando que ela nunca fora abrrogada; segundo, absolvendo os Bispos de Monsenhor Lefebvre, e agora entrando em diálogo com eles sobre possíveis erros do Vaticano II.
     Restava fazer o que o haviam sodanamente impedido de fazer em 2000: Contar tudo sobre Fátima.
     Teria Bento XVI decidido ir a Fátima fazer o que ele programara realizar em 2000?
     Por tudo isso, esta viagem do Papa Bento XVI era aguardada com grande expectativa por todos os que lutam contra os erros do Modernismo, que devastaram Igreja depois do Vaticano II. Não se falava à boca pequena — e não tanto pequena – que no segredo Nossa Senhora dissera para não convocar um Concílio, que não se mudasse a doutrina, que não se mudasse a Missa? E que, se fizessem essas coisas, seria praticado como que um suicídio da Igreja?
     Fizeram.
     Resultado: uma apostasia geral, especial e muito escandalosamente no clero. Por que sempre a corrupção da Fé causa a corrupção moral.
     Já em Salette, Nossa Senhora advertira contra a corrupção do clero, aludindo até a cloaca, e que quase não havia mais mãos puras para oferecer o santo sacrifício da Missa.
     Hoje…
     Hoje, os casos de pedofilia que explodem por toda a parte, mostram que Nossa Senhora de La Salette disse o que está acontecendo. Em La Salette Nossa Senhora, como em Lourdes, pedia que fosse feita penitência.
     Penitência por quê? Quem devia fazer penitência? Claro que todos. E todos, necessariamente, incluía o Clero. Óbvio.
     Em Fátima também Nossa Senhora falou em penitência. E na visão do Terceiro Segredo aparece uma anjo clamando três vezes por penitência, ao mesmo tempo em que brande uma espada de fogo…
     Teria Nossa Senhora de Fátima falado também da corrupção do clero no século XX e XXI?
     Por que os Papas tem calado o Terceiro Segredo, e por que os Secretários de Estado tem se manifestado tão negadores da existência desse Segredo? Será porque o Segredo fala da corrupção que, desgraçadamente como se está vendo, atingiu tão larga e profundamente o clero?
     Se o Segredo de Fátima tivesse dito elogios à virtude do clero será que o Cardeal Sodano teria feito tanto esforço para manter o segredo secreto? Ou ele o teria trombeteado por todos os cantos?
     Bento XVI decidiu acabar com a conspiração de silêncio sobre a pedofilia. Está pagando bem caro por sua vrtude, valentia e  fortaleza.
     Terá Bento XVI decidido acabar também com a conspiração de silêncio sobre o Terceiro Segredo de Fátima, silêncio que só dano trouxe à Igreja e ao clero?
     Bento XVI decidiu ir a Fátima.
     Ontem, ele partiu de Roma, e, ainda no avião, procurou os jornalistas que estavam a bordo—evidentemente jornalistas escolhidos a dedo—e a conversa-entrevista foi sobre o Terceiro Segredo! Não podia deixar de ser.
     E o que disse Bento XVI deu razão à tese de Antonio Socci contra a anti tese dos Cardeais Sodano e Bertone. Todos os jornais que reportaram as palavras do Papa confirmam isso: Socci tinha razão. Pois Bento XVI declarou que, embora se possa ver alguma relação entre o atentado sofrido por João Paulo II e os sofrimentos de um Papa, como se diz na Mensagem de Fátima, na realidade o Segredo fala de fatos que estariam ainda no futuro da Igreja, fatos de uma perseguição e ataques profundos e cruéis à Igreja e a um Papa. O que já está acontecendo.
     E Bento XVI disse que os piores ataques contra a Igreja não vem do exterior dela, mas de dentro dela. E ligou mesmo o Segredo e a penitência que Fátima pede aos pecados de pedofilia no clero atual.
Bento XVI poderia não ter procurado os jornalistas para lhes dizer exatamente essas considerações. Podia ter ficado em sua cabine reservada, no avião. O Papa quis falar do Segredo antes mesmo de chagar a Portugal. E chegando, em discurso cumprimentando o chefe de Estado português, o Papa lembrou que a História de Portugal é una desde o milagre de Ourique, desde o Rei Dom Afonso Henriques até o milagre de Fátima.
     Muito interessante e muito verdadeiro.
     Esses primeiros trovejamentos já no primeiro dia da viagem seriam prenúncio de algo mais grave e espetacular ainda, que Bento XVI dirá, no dia 13 de Maio, aniversário da primeira aparição de Nossa Senhora em Fátima em 1917?
     Revelará Bento XVI afinal o Terceiro Segredo de Fátima ( o Quarto Segredo na contagem inteligente de Antonio Socci)? Fará alguma consagração? Fala-se inclusive da possibilidade de anunciar o dogma da Mediação universal de Nossa Senhora?
     Ninguém sabe o que ele fará amanhã.
     Só se sabe que trovões indicam que vai chover.
     Que venha, afinal, essa chuva de graças que trará a revelação completa do que Nossa Senhora disse em 1917, para fazer bem ao mundo. E que foi um pecado imenso silenciar por quase cem anos. Deus dê força e determinação a Bento XVI, para enfrentar os lobos que uivam de ódio contra ele.
     Viva o Papa vestido de branco em Fátima.Viva o Papa que sofre um apedrejamento jamais visto igual, e que está fazendo a Santa Igreja retornar às duas colunas, como Dom Bosco previu em seu sonho profético.
     Será, então, Bento XVI o Papa de Fátima?
     Deus o queira!
São Paulo, na véspera do dia 13 de maio, aguardando as palavras do Papa.
                Orlando Fedeli

sexta-feira, agosto 14th, 2009 at 1:11am

A “aula” de Metafísica de Padre Joãozinho

Por Orlando Fedeli, Montfort.org.br

O CONCEITO DE MATÉRIA

Padre Joãzinho, sjc, 9 de Agosto de 2009
O doutor angélico, Santo Tomás de Aquino utilizou com fluência os conceitos e a metafisíca de Aristóteles, que aliás, nunca conheceu Jesus Cristo. Portanto, utilizou uma filosofia pagã. Não espanta, pois o fantástico Santo Agostinho já havia utilizado as categorias de Platão, outro grego pagão. A Igreja reconhece uma verdade filosófica mesmo quando é cultivada fora dos seus jardins. Isto é muito bonito. Porém, estes teólogos e suas raízes filosóficas exigem muito estudo para não confundir as coisas. Uma das confusões no que tange a Aristóteles é o conceito de “matéria”. Sua teoria do conhecimento se apoia no famoso hilemorfismo, ou seja, um objeto é composto de matéria e de forma. Matéria aqui não quer dizer a composição química. Isto seria um “acidente” outra categoria utilizada pelo filósofo grego. Santo Tomás utilizou tudo isso para afirmar com todas as forças a presença real da pessoa de Jesus na Eucaristia. Os caçadores de hereges que comentam neste BLOG certamente ficarão tristes quando perceberem que existe ortodoxia fora dos seus jardins. Tenho dúvidas que para alguns deles o papa Bento XVI seja ortodoxo. Lamentável!!!
ALGUMAS REPERCUSSÕES NO BLOG DE PADRE JOÃOZINHO
Prezado padre joãzinho
no livro do Pe. Fábio de Melo está escrito (literalmente) que na Eucaristia há duas substâncias. Ora, isso é mentira, na Eucaristia há uma única substância, a de Nosso Senhor.
Seria bom que os dois admitissem seus erros, e se retratassem publicamente pelo bem da doutrina católica, parem de enrolar com esse palavreado sofismótico de vcs, e reconheçam o erro de vcs, garanto que em nada vai diminuir a pretensa popularidade dos dois diante das fabetes e joãozetes de plantão. Parem tbm de desvaolirizar o argumentos dos outros com desqualifições sem valor, e mostre argumentos da sã doutrina.
Que Nossa Senhora, a medianeira de todas as graças ilumine a cegueira dos senhores.
Ah! então agora o senhor é ortodoxo tbm, em outro momento o senhor disse que quem tende a ortodoxia, tende tbm à heresia. Como o senhor muda de idéia rápido…

mauro
agosto 8th, 2009 at 19:26

Muito prezado padre Joãozinh0
Vejo que o senhor não teve coragem de postar minha mensagem.
Mas lhe dou mais uma chance. O padre fábio de melo afirma, literalmente em seu livro que na eucaristia existem duas substâncias, isso é mentira pois só existe Nosso senhor. Argumente contra isso, sem medo, ou será que os tolerantes nada toleram, nem reconhecem a verdade da santa Igreja, me dê o direito à uma resposta, poste mminha contestação.
Que Nossa Senhora lhe ilumine.
[Resposta de Padre Joãozinho:]
Ansioso você. Posta às 18h e quer resposta às 19h26. Mas por via das dúvidas está aí. Obrigado pela “chance”. Quanto às afirmações contidas nos livros, pergunte sempre ao autor. Deus o abençoe com o dom da serenidade“.
Muita paz
P. Joãozinho, scj

Cruzados de Maria
agosto 8th, 2009 at 22:49

Padre Joãozinho,Salve Maria!
Retransmito o artigo escrito por meu amigo, Renato Salles, sobre a controvérsia. Fique com Deus.
Abraço
Pe. Joaozinho defende doutrina tradicional da Igreja
Justiça seja feita: Pe. Joaozinho defende doutrina tradicional da Igreja no que diz respeito à Eucaristia
Autor: Renato Salles
Pe. Joãozinho, em seu blog, dado a repercussão que havia dado suas palavras em um recente programa realizado junto ao Pe. Fabio de Melo, tratou de esclarecer a questão sobre a Eucaristia, defendendo o que a Igreja sempre ensinou: na consagração há a transformação de toda substancia do pão e do vinho em Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo, sendo que a matéria do pão e do vinho não continuam presentes. Deus seja louvado por este esclarecimento público que permite aos católicos entenderem melhor a doutrina relacionada à Eucaristia.
Independente das acusações que são feitas ao nosso blog é importante salientar somente que em nome da Fé e da Caridade:
“Havendo perigo próximo para a fé, os prelados devem ser argüidos, até mesmo publicamente, pelos súditos. Assim, São Paulo, que era súdito de São Pedro, argüiu-o publicamente, em razão de um perigo iminente de escândalo em matéria de Fé. E, como diz a glosa de Santo Agostinho, o próprio São Pedro deu o exemplo aos que governam, a fim de que estes, afastando-se alguma vez do bom caminho, não recusassem como indigna uma correção ainda mesmo de seus súditos”. (Suma Teologica,II-II(a), q.33, a.4)
Ainda é preciso esclarecer que (pelo menos é esta a opinião do autor do presente artigo) mudar as palavras na transmissão da mensagem cristã, pronunciando-as em um sentido diferente do que a Igreja sempre ensinou, simplesmente para que o povo mais simples entenda, gera mais confusão do que entendimento.
Repassa-se aqui a explicação dada pelo Pe. Joãozinho que reafirmou a doutrina da Igreja Católica para que não haja mais dúvidas:
“Pe. Fábio e eu temos sido desrespeitosa e apressadamente condenados como “hereges” por um site pseudo-católico (pois não possui Missio Canonica para postar… não possui imprimatur nem nihil obstat). Nos acusam de defender a doutrina luterana da “consubstanciação”, que significa acreditar que o corpo e sangue de Cristo continuam pão e vinho mesmo após a consagração. Na verdade a Igreja Católica, desde o Concílio de Trento, apoiada nos argumentos de Santo Tomás de Aquino, sempre afirmou a doutrina da TRANSUBSTANCIAÇÃO. Pe. Fábio e eu repetimos esta doutrina de mil modos afirmando que na Eucaristia encontramos a SUBSTÂNCIA da pessoa de Cristo. Substância é um conceito que pode confundir os simples. Literalmente significa “sub-stare”, ou seja, o que está sob o sujeito e lhe dá a identidade. Se eu cortar um pedaço do meu dedo, ali estará parte de minha carne, mas não mais minha substância. O pão e vinho consagrados não são um pedaço do dedo de Cristo. São a pessoa dele inteira, substancial. O que nossos amigos opositores, apoiados corretamente em Tomás de Aquino, chamam de “acidente”, é o gosto a aparência do pão que permanece mesmo após a consagração. Outra palavra que o senso comum confunde é “matéria”. Nossos opositores apegaram-se a afirmações em que utilizamos o termo com significado de acidente e não de essência, portanto na acepção do senso comum, para que o povo entenda. Ninguém utilizou a epistemologia do hilemorfismo de Aristóteles. A própria Igreja toma cuidado com este uso pois o povo se confunde. Devemos empenhar todas as nossas força para demonstrar que a Eucaristia é presença real. Aliás, dizer que o irmão é presença real, parece que foi aceito. Quando falamos de “presença eucarística no irmão” o fizemos de modo analógico. A Igreja usa dessas metáforas o tempo todo. Mas quem é apressado em condenar não tem tempo para discernir gêneros literários. Para eles todos são hereges antes que provem o contrário.
Portanto, traduzindo em miúdos estamos afirmando a mesma coisa e somos ortodoxos. Mas não sei com que intenção alguém condena publicamente na Internet dois sacerdotes que têm comunhão de Igreja com seu bispo e seu superior religioso. Pode ser coisa daquele que gosta de dividir…Se for esta a motivação, não vem de Deus.” (Fonte: http://blog.cancaonova.com/pad…..enca-real/)
Que Deus abençoe o Pe. Joãozinho!
Muito prezado padre joãzinho,
Primeiro quero me desculpar pela pressa de outrora, pois realmente me enganei achando que o senhro havia omitido meu comentário.
Agora sobre sua resposta, vamos ver se eu entendi bem, o senhor concorda com as afirmações do padre Fábio, ou não, discorda, ou ainda se omite pois a sua boa relação cordial com esse padre impede-o de discordar de seus ensinamentos errados. Vale mais uma antiga amizade do que o zelo pela Verdade? No começo desse blog o senhor coloca “o Pe. Fábio e eu”, agora o senhor abandona o seu amigo sozinho. Padre, inspirado pelo santo cura de Ars, faça como sempre fizeram os bons padre e zele pela Verdade, o senhor fez questão de na frente das câmeras ser um ardoroso defensor do padre fábio, agora o senhor o abandona sozinho no barco.
Esse padre colocou para o seu grande público de todo o Brasil um ensinamento errado,com sabor de heresia, nada mais do que justo que ele se retrate tbm publicamente para todo o seu público, exija que ele se retrate por amor à Verdade. O que pedimos é apenas que nossos sacerdotes ensinem certo, sem cair em erros perniciosos ou ambiguidades com sabor de heresia. Pois na Eucaristia só existe uma substância, a de Nosso Senhor.
Que o santo cura de Ars inquiete sua consciência, e que Nossa Senhora lhe lhe faça indômito no zelo pela Verdade, pelo bem de todos católicos
.

Ana Maria Nunes
agosto 9th, 2009 at 10:10

Até acharia que vcs são ortodoxos, se eu fosse surda, muda ou até, se n tivessem sido gravados vários programas, inclusive os de auditórios e entrevistas.
De tudo o que já foi dito, tb tem outra coisa muito grave, ficar feliz quando um Católico VIRA “evangélico”(SIC) (no caso protestante e herege) e por lá vir a conhecer a beleza da Eucaristia(SIC)…..isso é ser ortodoxo? Isso é estar em comunhão com a Igreja?
S. Gregório: São os sacerdotes na Igreja, como os alicerces num templo. Quando os alicerces falham, todo o edifício desaba. Por isso na ordenação dos padres a Igreja faz por eles esta prece: Que neles resplandeça a justiça, a constância, a misericórdia, a fortaleza e as outras virtudes; que a sua vida sirva de exemplo aos outros. Devem os padres não só ser santos, mas parecê-lo, porque no dizer de Sto. Agostinho, se a boa consciência é necessária ao padre para se salvar, também lhe é igualmente necessária a boa reputação, para salvar os outros.
AccF

agosto 9th, 2009 at 10:17

Calma lá, pe. Joãozinho… temos mais heresias suas e de seu discípulo a tratar. Veja o que li em outro blog:
“Por exemplo, na carta ao Gustavo, ele [Fábio de Melo] disse que o dogma evolui. Mas São Pio X diz que não! O Santíssimo Papa Pio X condena abertamente essa teoria modernista que prega a evolução dos dogmas:
“E é para lamentar profundamente que também entre os católicos se encontrem não poucos escritos que, ultrapassando os limites demarcados pelos santos Padres e pela própria Santa Igreja, a pretexto de mais elevados conhecimentos e em nome de considerações históricas, procuram esse progresso dos dogmas, que, na realidade, não é senão a sua corruptela” (Decreto Lamentabili Sine Exitu, 1907).
“Assim pois, temos o caminho aberto à íntima evolução do dogma. Eis aí um acervo de sofismas, que subvertem e destroem toda a religião! Ousadamente afirmam os modernistas, e isto mesmo se conclui das suas doutrinas, que os dogmas não somente podem, mas positivamente devem evoluir e mudar-se” (Encíclica Pascendi Dominici Gregis, 1907).
O que me diz disso pe. Joãozinho? Como explica essa heresia do padre “Fashion”? Será que surgirão fabetes de ambos os gêneros para defender a doutrina da Igeja, com o mesmo ardor que defendem vocês padres pop?
A Montfort escreveu uma tréplica, muito boa aliás no campo teológico, que desmente o que vocês disseram sobre não se comer carne e sangue na Eucaristia. Ora, Cristo mesmo disse que:
“Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida“. (Jo 6,55)
Se só sobram os acidentes do pão e do vinho, não só a substância é mudada, mas a matéria também, donde nada mais sobra de matéria do pão e do vinho, mas temos nova matéria, nova substância: carne e sangue de Cristo.
São Tomás de Aquino explicita essa verdade:
Sto. Tomás de Aquino ensina que na Eucaristia: “pela virtude divina, que não pressupõe a matéria, mas a produz, esta matéria se converte naquela, e por conseguinte este indivíduo naquele;”.[7] Isto é, a matéria do pão converte-se na matéria de Cristo, e por conseguinte o pão converte-se em Cristo. (Suma Contra os Gentios. Livro IV. Cap. LXIII.)
O tal blog Cruzados de Maria, equivocou-se quando julgou apressadamente que este seu post esclarecia as heresias recentemente proferidas. Não esclarece! As heresias espalhadas por Fashion de Melo, com a sua cumplicadade se multiplicam mais e mais.
Vejam a tréplica da Montfort.
Vocês ainda possuem a fé católica pe. Joãozinho?
Luis Fernando

agosto 9th, 2009 at 15:01

No embalo das palavras dos Cruzados de Maria: “ainda é preciso esclarecer que (pelo menos é esta a opinião do autor do presente artigo) mudar as palavras na transmissão da mensagem cristã, pronunciando-as em um sentido diferente do que a Igreja sempre ensinou, simplesmente para que o povo mais simples entenda, gera mais confusão do que entendimento.”
Padre Joãozinho, se possível fale ao Padre Fábio para que seja mais objetivo em suas comunicações. Ao tentar explicar sobre “a evolução do dogma”, o Padre Fábio ficou se enrolando uns 2 minutos naquelas falas poéticas dele até você simplesmente dizer algo como: “não é o dogma que evolui, e sim a nossa compreensão dele”. Me pareceu que quem estava recebendo “direção espiritual” ali era o Padre Fábio de Melo. Outro assunto que foi comentado aqui: “vale mais uma antiga amizade do que o zelo pela Verdade? No começo desse blog o senhor coloca “o Pe. Fábio e eu”, agora o senhor abandona o seu amigo sozinho.” Eu ficaria muito mais feliz se um amigo me admoestasse no erro, reconheceria-lhe o zelo, não ficaria triste, muito pelo contrário.
Ademais, essas discussões são boas porque nos fazem procurar conhecer melhor o tema. Ontem mesmo li todo o artigo do Catecismo da Igreja que trata da Eucaristia.
Att!

mauro
agosto 9th, 2009 at 17:16

Muito prezado padre Joãozinho,
Realmente, concordo com a Vanessa Freire, que lindinhooooo! é esse trabalho que vcs fazem ensinando coisas duvidosas e ambiguas. Padre perceba como tanta gente confia tão cegamente no senhor, sem mesmo verificar se o que o senhor fala está coerente com os ensinamentos da sã doutrina. Eles nem argumentam, apenas confiam por um afeto desproporcional sem levar em conta a defesa da fé e da verdade. Já disse o nosso papa bento XVI que “sem Verdade não há caridade”. Padre, pelo bem dessas pessoas que tanto confiam no senhor e pelo bem do próprio Fábio de Melo, se retrate e cobre dele também um retratação pública, pois é pela tolerância por ensinamntos absurdos contra Eucarístia que se comessa a profanação nos santos altares, pois se eu não acredito que na Eucaristia só existe a substância e a matéria de Nosso Senhor o que vai faltar para mim duvidar da presença real de Cristo na Eucaristia, se os padres nos ensinam que na Eucaristia existem duas substâncias e não apenasa substância de Cristo, e que a matéria continua sendo de pão e de vinho, então a Eucaristia não é toda carne e sangue de Cristo, mas apenas em parte, partindo desse ponto faltará muito pouco para se duvidar em tudo da presença real.
Padre, aqueles que confiam em seus ensinamentos e também para aqueles que não confiam, para que esses últimos comecem a confiar e para que os primeiros comecem aprender o correto da doutrina e deixem de ser nuvens volúveis ao sabor do vento, é preciso que o senhor ensine a Verdade e combata a mentira, sem medo, sem se prender em afetos secundários.
Seria um Verdadeiro ato de caridade para com os seus fiéis, para com aqueles que inquietam o senhor por uma atitude decisiva, para com o padre Fábio, um ato de fidelidade à Santa Igreja, um ato de coragem em tempos de tanta covardia. Precisamos de padres corajosos, e incurváveis, pelo amor à Verdade e pelo bem das almas.
“Calar-vos-ei sempre? Erguei-vos, por que pareceis domir?”
In baculo cruce et in virga Vrigine.

Renato
agosto 9th, 2009 at 18:14

Engraçado que os defensores de Fábio de Melo e Pe. Joãozinho não defendem a Doutrina Católica de Nosso Senhor Jesus Cristo (será que eu escrvendo assim eu vou ofender os meus ”irmãos separados”?). Ao defenderem as heresias modernistas de ambos os sacerdotes (será que vocês ainda o são?), vocês demonstram que não ligam para a Santa igreja Católica Apostólica Romana, mas nos dois padres mencionados.
O que acontecerá se esses dois padres forem punidos pela Santa Sé? Esses defensores falaram o que? Que o Santo Papa está sendo radical demais?!

quinta-feira, agosto 13th, 2009 at 1:22am

Padre Dr. João Carlos Almeida… Com ternura…

Por Orlando Fedeli, Montfort.org.br

Increpa illos dure” (Epístola De São Paulo a Tito. I, 13).
“Repreende-os duramente”
 Dr. Pe. João Carlos Almeida, scj, deixou seu diminutivo costumeiro e se trajou de Doutor para nos criticar  “com ternura”, mas pondo em dúvida – pelo menos alguns freqüentadores de nosso site - de estarmos em comunhão com o Papa Bento XVI.
Uma ternura pouco sincera…
Afinal povo do Monfort, o que vocês pensar a respeito dos documentos atuais do Papa Bento XVI? Apesar da foto na primeira página do vosso site, tenho razões para acreditar que alguns dos vossos frequentadores não estão em comunhoa com atual Magistério (infalível) do Santo Padre.” (Os diminutos erros de digitação são do Dr Padre João. Os erros de doutrina e de esperteza intelectualmente pouco honesta são do mesmo tão terno Padre… Joãozinho).
Só uma pessoa de má fé pode fazer tal pergunta, porque temos bem clara nossa adesão ao ensinamento do Papa.
Coisa que Padre Joãozinho não faz, pois nega escandalosamente o que os Papas sempre ensinaram, defendendo heresias de modo explícito e recusando repudiá-las ou continuando a defendê-las de modo velado e com uma esdrúxula metafísica de enrubescer um ginasiano.
E ainda assim Padre Joãozinho fala em ignorância dos que o criticam. Justo ele que confunde matéria, acidente e essência. Ele que não sabe o que é metáfora e gênero literário ou analogia do ser. E julga que todo e qualquer pronunciamento do Papa é infalível… Buscando sempre interpretá-lo - é claro - em ruptura com o que a Igreja sempre ensinou. Típico da hermenêutica da ruptura condenada pelo Santo Padre Bento XVI.
Não passaremos a outras questões. Manteremos nossas acusações a esses padres moderninhos, polemizando “com ternura” e aplicando a recomendação de São Paulo: “Increpa illos dure” (Tito , I , 7).
São Paulo, 13 de agosto de 2009
          Orlando Fedeli

sábado, agosto 8th, 2009 at 12:37am

Padres moderninhos aplicam a hermenêutica da ruptura: ainda sobre Padre Fábio de Melo e Padre Joãozinho

 Por Orlando Fedeli, Montfort.org.br

Recentemente a Montfort criticou declarações heréticas de um Padre modernista, infelizmente muito conhecido por se apresentar como um galã de novela, Padre Fábio de Melo. Nas afirmações feitas num livro escrito por ele, em parceira com Gabriel Chalita, esse Padre mostra que, de fato, não acredita na presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Eucaristia e coloca dúvidas na Ressurreição de Jesus como fato histórico. Duas heresias típicas do Modernismo.

Padre Fábio de Melo, temendo perder popularidade, pois se sentiu desmascarado pela Montfort, procurou se justificar em um programa de TV, no qual ele dialoga com outro sacerdote conhecido pelo diminutivo de Padre Joãozinho. (Como esses padres de diminuto valor gostam de se colocar em diminutivo!).
Informaram-me que esse tal Padre Joãozinho teria já obtido três doutorados em Roma…
Se for verdade, que doutorais desastres!
Pois, assistindo seu diálogo com o exibido Padre Fábio de Melo, fica-se com uma péssima impressão desses doutorados romanos. Porque a “muralha” de fumaça que ele levanta para defender os erros doutrinários de seu entrevistado é tão fina, que através dela se vê a heresia tentando se ocultar sob os véus dos sofismas. O que compromete e desprestigia seus diplomas romanos.
Lamentável.
Quem quiser confirmar o que dizemos, veja o link: http://www.youtube.com/watch?v=ujp5U6ND1W4&feature=related
(No final deste artigo, transcrevemos o texto da entrevista-diálogo desses dois padres moderninhos e modernistas).
*****
     A defesa feita por esses sacerdotes daquilo que dizem é bem interessante, pois se constitui um exemplo concreto de leitura do Vaticano II na linha da hermenêutica da ruptura, uma leitura segundo o chamado “espírito do Concílio”, que Bento XVI vem repetidamente condenando por romper com a doutrina sempre ensinada pela Igreja.
     Foi no Discurso à Cúria Romana pelo Natal de 2005, que o Papa Bento XVI condenou o chamado “espírito do Concílio” com sua “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura” que rompia com doutrina que a Igreja sempre ensinou no passado.
     “Os problemas da recepção [do Vaticano II] derivaram do fato de que duas hermenêuticas contrárias se embateram e disputaram entre si. Uma causou confusão, a outra,      silenciosamente, mas de modo cada vez mais visível, produziu e produz frutos. Por um lado, existe uma interpretação que gostaria de definir “hermenêutica da descontinuidade e da      ruptura”; não raro, ela pôde valer-se da simpatia dos mass media e também de uma parte da teologia moderna. Por outro lado, há a “hermenêutica da reforma”, da renovação na      continuidade do único sujeito-Igreja, que o Senhor nos concedeu. (,,,) A hermenêutica da descontinuidade corre o risco de terminar numa ruptura entre a Igreja pré-conciliar e a   Igreja      pós-conciliar. Ela afirma que os textos do Concílio como tais ainda não seriam a verdadeira expressão do espírito do Concílio”.
     “Seriam o resultado de compromissos em que, para alcançar a unanimidade, foi necessário arrastar atrás de si e confirmar muitas coisas antigas, já inúteis. Contudo, não é nestes      compromissos que se revelaria o verdadeiro espírito do Concílio, mas, ao contrário, nos impulsos rumo ao novo, subjacentes aos textos: somente eles representariam o verdadeiro      espírito do Concílio, e partindo deles e em conformidade com eles, seria necessário progredir. Precisamente porque os textos refletiriam apenas de modo imperfeito o verdadeiro espírito      do Concílio e a sua novidade, seria preciso ir corajosamente para além dos textos, deixando espaço à novidade em que se expressaria a intenção mais profunda, embora ainda      indistinta, do Concílio. Em síntese: seria necessário seguir não os textos do Concílio, mas o seu espírito”. (Bento XVI, Discurso à Cúria Romana pelo Natal de 2005). 
Padre Joãozinho e Padre Fábio de Melo seguem a linha da hermenêutica da ruptura, porque eles lêem a letra da Sacrossanctum Concilium, n0 7 (documento do Vaticano II), expondo as várias formas da presença de Cristo, conforme o que ela insinua em sua ambigüidade. A Sacrossanctum Concilium não esclareceu que usava o termo “presença” de modo analógico.
Esses padres se aproveitam, então, dessa imprecisão do Concílio para romper com o que a Igreja sempre ensinou, quer sobre a presença real de Jesus Cristo na hóstia consagrada, quer sobre os vários graus de sua presença nos fiéis, na Sagrada Escritura, e etc.
     O caso criado por esses dois padres de péssima doutrina é bem oportuno para que se conheça como os seguidores da hermenêutica da descontinuidade e da ruptura agem para corromper a fé católica.
     Além dessa questão da presença real de Cristo na hóstia consagrada, Padre Fábio de Melo, em seus escritos e “pregações”, defende escandalosamente outras heresias, quer sobre a Ressurreição de Cristo, quer contra a imutabilidade dos dogmas e da Fé. Ele se atreveu até a dizer que é “bom”, e mesmo, “maravilhoso” perder a Fé.  Segundo ele, “a Fé é uma coisa feita para ser perdida”, (Cfr. http://www.fabiodemelo.com.br/videos/religiao.wmv)
     Coisa costumeiramente ensinada por certos padres professores do Seminário de São Paulo, que se alegram por escandalizar seus alunos com suas teses heréticas.
     O termo “presença” é analógico, isto é, tem vários sentidos diferentes com alguma relação entre si. Assim o termo “pé”, pode significar, em primeiro lugar, uma parte do corpo humano. Mas pode significar também o pé de um animal ou o pé de uma cadeira. Nesses três casos, a palavra “pé” tem algo em comum: a idéia de sustentar. Mas o pé de um animal e o pé da cadeira são “pés” em sentido analógico. Não são “pés” em sentido próprio indicativo do pé humano. Tanto que o pé de um animal propriamente é chamado de pata e nenhum pé de cadeira usa meia.
     Usar um termo analógico como se fosse unívoco, isto é, como tendo um único e mesmo sentido, pode levar a erros gravíssimos. Foi esse o erro de Parmênides com relação ao termo “ser”.
     Também o termo “Ser” é análogo e não termo unívoco. Qualquer estudante de um curso de Filosofia sério ou qualquer pessoa de conhecimentos gerais de Filosofia sabe que Parmênides defendeu o Panteísmo ao dizer que, sendo pedra ser, e sendo Deus ser, pedra então seria Deus. Para Parmênides, o ser da pedra e o ser de Deus teriam o mesmo e único sentido.
     Paralelamente, Padre Dr. Joãozinho e Professor Padre Fábio de Melo usam a palavra “presença” univocamente. Daí, Cristo estaria tão presente na hóstia quanto na Igreja, num  irmão, na comunidade, na Bíblia, e etc.
     Desse modo, Cristo estaria presente em todas as coisas. Tudo seria eucaristia. Tudo seria sacramento. Por isso, Padre Joãozinho afirma que “somos eucarísticos”.
     Análoga ou univocamente?
     Para eles, na hóstia, Cristo teria uma presença apenas ”máxima” ou “ maior”. Portanto, Cristo estaria presente de mesmo modo na Hóstia consagrada como nas demais coisas citadas.
     Para tornar ainda mais clara a explicação e caridosamente atender padres moderninhos, filósofos que nunca estudaram metafísica, damos outro exemplo. Quando dizemos que o Everest é a montanha de máxima altitude, colocamos o Everest como ser maior numa qualidade que ele tem em comum com as outras montanhas. Se a presença de Cristo na hóstia fosse apenas “máxima” ( como disse Pe Fábio de Melo) ou “maior” (como afirmou Pe Joãozinho), essa presença seria de mesma natureza que a presença de Deus em todas as coisas. E isso é tomar o termo “presença” como unívoco e não análogo.
     É o que dá, esses padres ignorarem  a metafísica tomista.
*****
     Passemos à análise das palavras desses padres na entrevista-diálogo transcrita integralmente no final deste artigo.
     Padre Fábio de Melo inicia sua auto-defesa nessa entrevista diálogo de modo hesitante,  salpicando-a de “nés”  infantis e pouco doutorais:
     “Pe. Fábio de Melo: “Inclusive padre, eu quero… a gente foi… eu particularmente fui acusado por um site conservador que você conhece bem, que é a Associação Montfort né, que eles      são muito tradicionalistas, acusaram de um determinado momento do livro que eu disse que eu não acredito na presença real de Jesus na Eucaristia. Um absurdo, pegaram uma parte      do texto né, mas não leram no contexto. Eu tava [sic] dizendo assim que ‘Gabriel, nós não podemos limitar a presença real de Jesus no corpo e no sangue’ é muito mais do que isso      que sugere, né? estou dizendo, é também presença real de Jesus… o corpo e o sangue, mas é também, e aí vou desdobrando tudo o que a Eucaristia nos sugere como uma      continuidade desse acontecimento que não termina.” (O sublinhado é nosso).
     O “Gabriel” citado nessa frase é Gabriel Chalita, co-autor em parceria com ele do citado livro herético.
     Que dupla!
     Herege pego em franca heresia em um texto, sempre procura fugir para… o “ contexto”.  …“Né”?
     Sublinhemos o termo “sugere”. Para Padre Fábio de Melo a Eucaristia sugere mais do que a presença de Cristo na hóstia consagrada…
     E Padre Fábio enfatiza mais o que a Eucaristia lhe sugere do que o que ela é: o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo.
     Sugere o quê?
     Padre Joãozinho responde a essa pergunta, e confirma o sofisma de seu comparsa, dizendo de modo insinuante, que nós é que nós somos “eucarísticos”:
     “Pe. Joãozinho: “sim o próprio Sto. Agostinho dizia isso: “Cristão receba aquilo que você é”. Ou seja: eu, você, nós somos eucarísticos…”.
 
     Nós somos eucarísticos?
     Que quer dizer isso?
     E como nós, sendo eucarísticos, continuamos, “numa continuidade desse acontecimento que não termina”, a presença de Cristo na hóstia consagrada em Corpo, Sangue, Alma e Divindade?
     Que doutrina estranha é essa que “contextualmente” procura se colocar como sendo continuadora e acima daquilo que a Igreja sempre ensinou sobre a presença de Jesus Cristo na hóstia consagrada?
     O diminutivado Padre João vai tentar “explicar” isso mais adiante…
     “Pra”… para começar, Padre Joãozinho convoca o “Povo” da Montfort a ler o Vaticano II:
     Padre Joãozinho: “Povo do Montfort! Leia o Concílio Vaticano II . Eles não querem ler o concílio Vaticano II”.
     Ora, padre, se alguém no Brasil leu e estudou o Vaticano II e procurou mostrar – desmascarar– o que esse Concilio pastoral ensinou em sua ambigüidade “diplomática” e fenomenológica, foi a Montfort. Leia, Padre João, o que a Montfort escreveu. Leia o que o Padre John Kobler, padre favorável ao Vaticano II, explica da Fenomenologia aplicada no Concílio.
O Padre Kobler afirma que muito pouca gente entende o que o Vaticano II quis dizer e que a tarefa primordial, hoje, seria explicar o que realmente o Vaticano II disse, nas dobras de suas ambigüidades…
     Ou o senhor conhece e aprova o que está semi escondido nessas dobras ambígüas dos textos conciliares?
     Padre Joãozinho procura justificar seu entendimento de “presença eucarística”,  citando o Vaticano II:
     Pe. Joãozinho: “Sacrossanctum Concilium número 7 diz “as diversas formas da presença de Jesus são: Eucaristic…. a Eucaristia em primeiro lugar, é a presença “maior” (O      destaque do termo “maior” é nosso).
     Enquanto isso, Padre Fábio de Melo vai concordando, salpicando o que dizia seu interlocutor com os seus “inteligentes” e vulgares “nés”:
     Pe. Fábio de Melo:Máxima né”.(O destaque é nosso).
     “Pe. Joãozinho: Agora, o irmão é presença eucarística, muitas vezes não se quer reconhecer… né? O irmão é presença eucarística”.
     (Parece que o “”, tal como a gripe suína, pega).
     “Pe. Fábio de Melo: A palavra.”
     “Pe. Joãozinho: A palavra, a comunidade reunida: “dois ou três eu estarei no meio deles”. Principalmente o pobre. Jesus disse, Mateus 25, “Ó Lembra, tive nu…estive doente.. eu estive na      prisão e você foi me visitar”. Quer dizer, aquela frase que Deus diz a bíblia inteirinha “Eu estarei convosco” é um sinônimo de Eucaristia, a presença de Deus”.
     Padre Joãozinho resumiu aí o que está escrito no número 7 da Constituição Sacrossanctum Concilium. Mas essa explicação é bem criticável por se aproveitar da anfibologia conciliar no sentido condenável da hermenêutica da ruptura, pois usa a palavra “presença” – um termo analógico (termo que tem sentidos parecidos mas não idênticos) — que Padre Joãozinho usa univocamente, isto é, com um só sentido (o mesmo e o único).
     Que quer dizer estar presente?
     O catecismo – que os Padres Fábio e Joãozinho deviam ler e saber – ensina que Deus está presente em toda a parte. Será que esses doutores alguma vez estudaram o catecismo?
     Duvidamos.
     Deus está presente no inferno por sua justiça. Mas não está lá presente pessoal e substancialmente.
     Cristo está presente num crucifixo por sua figura. Mas ele não está presente no crucifixo de modo eucarístico ou sacramental. Jesus não está presente num crucifixo de modo real e substancial.
     Deus está presente na Sagrada Escritura pela Verdade que Ele revelou sobre si mesmo. Mas, Ele não está presente na Sagrada Escritura de modo pessoal, real e substancial. Certos sacerdotes tratam a Sagrada Escritura como se Deus estivesse nelas eucaristicamente. Para tais Padres, Cristo se encadernou, e não se encarnou.
     Deus está presente nos seres minerais pela ordem atômica que Deus colocou nesses seres, pelo bem e verdade que há neles. Pelas leis que os regem. Mas Deus não está substancial e pessoalmente presente nos minerais.
     Deus está presente nos vegetais pela ordem celular, pela vida. Mas Deus não está presente pessoal e substancialmente nas plantas.
     Deus está presente nos animais pela ordem superior que há neles, que lhes permite sentir e mover-se instintivamente. Mas Deus não está substancial e pessoalmente presente nos animais.
     Deus está presente nos seres inteligentes — homens e anjos — por sua imagem, pois lhes deu inteligência e vontade livre. E pode estar neles também por semelhança, quando esses seres inteligentes possuem a graça santificante, a vida divina, neles. Mas Deus não está presente pessoal e substancialmente nos homens e nos anjos.
     Deus está presente por sua graça, quando dois ou mais fiéis se reúnem em seu nome. Mas Deus não está presente pessoal e substancialmente nesse grupo de fiéis.
     Mas na hóstia Consagrada, Nosso Senhor Jesus Cristo está real e substancialmente presente sob as espécies ou aparências (acidentes) de pão e de vinho.
     Se alguém quiser conhecer melhor esse problema da presença de Deus em todas as coisas, consulte a Suma Teológica de s”ao Tomás, I, Q. 8, a, 1 a 4. No artigo 3 dessa questão 8, que trata da ubiqüidade de Deus, São Tomás ensina:
     “Diz-se que está por presença em tudo que seu olhar atinge, e deste modo tudo quanto há numa casa está presente, àquele que, entretanto, não está em substância em cada uma de      suas partes” (…)Deus está em todos os seres por potência,porque tudo está submetido a seu poder. Está por presença, porque tudo está patente e nu ante seus olhos. Está por essência,      porque Deus atua em todos como causa de seu ser”(São Tomás, Suma Teológica , I, q. 8, a 3).
     O que esse padres fazem, iludidos ou fundamentando-se pela ambigüidade “diplomática” do texto da Sacrossanctum Concilium, é igualar a presença real de Cristo na eucaristia com a presença de Cristo em todas a coisas, de modo análogo e não substancial.
     Nesse ponto da entrevista, Padre Fábio de Melo pegou em seu livro, feito em parceria como “o Gabriel” e leu:
     “Essa mística nos permite uma aproximação ainda mais interessante da eucaristia, acontecimento ritual que nós católicos chamamos de “a presença real de Cristo”. O que é a      presença real? a matéria consagrada? o pão e o vinho somente?” Não estou dizendo que não é né? Estou dizendo: só isso? É só nisso que acreditamos a presença real? Não:      
     ”juntamente com as duas substâncias está o bonito e sugestivo significado da ausência.” Por que é aqui que a eucaristia coloca a sua força”.( O destaque é nosso)
     Pe. Joãozinho: É o mistério. O que você chama de ausência é mistério…”.
     Note-se bem: a mística da eucaristia, para Padre Fábio de Melo, é acontecimento ritual que nós católicos chamamos de “a presença real de Cristo”.
     Nós católicos chamamos a eucaristia de “a presença real de Cristo”.
     Chamamos não significa cremos.
     Daí, vem um trecho já criticado pelo senhor Ronaldo Mota no site Montfort:
     “O que é a presença real? a matéria consagrada? o pão e o vinho somente?” Não estou dizendo que não é né? Estou dizendo: só isso? É só nisso que acreditamos a presença      real?”.
     E a essa pergunta errada Padre Fábio de Melo dá uma resposta absurda:
     “Não: “juntamente com as duas substâncias está o bonito e sugestivo significado da ausência.” Porque é aqui que a eucaristia coloca a sua força”.
     Na Eucaristia, juntamente com as duas substâncias(pão e vinho), estaria o significado não da presença de Cristo, mas de sua “ausência”.
     Dizer que na Eucaristia há duas substâncias é herético.
     E o “bonito” da Eucaristia, a sua força viria da “ausência” de Cristo. Além de heresia, isso é um absurdo.
     Tudo isso é doutrina contrária à fé católica.
     Padre Fábio de Melo não é católico. É um exibido galã herege. Especialista em maquiagem e xampus.
     Padre Fábio de Melo vai além em sua ousadia, ao dizer:
     “Mas a presença real de Jesus sugere que está no corpo, no pão e no vinho, mas que quando eu comungo este corpo e o vinho eu me transformo nesta presença de Cristo na      história também”.
     Se Padre Fábio de Melo é hoje a presença de Cristo no mundo, fica pelo menos em parte explicado porque o mundo vai tão mal.
     E em sua presunçosa sapiência modernistóide esse Padre diz ainda:
     “Gente, o bonito da eucaristia é claro, o que se desdobra de tudo aquilo que nós acreditamos, que é o estar juntos. A última ceia é isso”.(Os destaques são nossos)
     Parece até que, quando e Padre Fábio de Melo diz que algo é bonito, ele atingiu o máximo de sua capacidade intelectual de sua adjetivação. A eucaristia seria o que se desdobra,  que acreditamos, que é “o estar juntos”.
     Lindo, né?
     Mas confuso, esquisito e muito ambiguamente errado.
     Pior: naturalismo rasteiro e heresia completas.
     Quem crê que a Eucaristia é só algo bonito perdeu o sentido mais profundo da Fé na Eucaristia. Reduziu a Eucaristia a um valor natural. Pois Padre Melo não tem Fé. Ele até acha que “a fé é uma coisa feita para ser perdida” (Cfr. http://www.fabiodemelo.com.br/videos/religiao.wmv)
     Padre Fábio de Melo expressa escandalosamente sua noção modernista de fé.
     Fé, para esse padre, é algo que precisa mudar sempre, precisa mesmo ser perdida. Citamos o que ele diz em um vídeo, no qual ele, enquanto diz heresias, vaidosamente expõe, em close, partes do rosto dele…
     “Por isso é que a natureza da religião é mover. Ela move e faz com que a gente se desinstale o tempo todo. Por isso que eu acho maravilhoso, quando as pessoas dizem:
     
     “Padre, eu acho que eu estou perdendo a fé”
      
     - “Que bom!”
 
     “Fé foi feita para ser perdida, porque o tempo todo nós precisamos de uma nova expressão de Fé.
     “E eu não posso continuar com uma fé, se eu não perco aos poucos aquela compreensão que tive. Porque fé é amadurecimento. É processo humano de crescimento, né.
     “Não posso admitir a possibilidade de ficar tendo  a mesma fé que a minha mãe me ensinou, Aquela eu já perdi há muito tempo”.
     Em resposta a uma carta que lhe foi enviada, Padre Melo escreveu:
     “O que sabemos do Cristo é processual. É assim que o Espírito Santo trabalha na vida da Igreja. A Teologia está a caminho. A grandeza da Revelação não cabe nos documentos que temos, nem tampouco na Teologia que já sistematizamos. O dogma evolui, pois é verdade santa. Tudo o que é santo, movimenta, porque é vivo” (http://exsurge.wordpress.com/2009/07/20/resposta-a-carta-aberta-pe-fabio-de-melo/)
 
     Ai está escarrapachada a heresia modernista da evolução do dogma, condenada por São Pio X, na Pascendi.
     Padre Melo perdeu a Fé, porque tem um conceito evolutivo de fé. A heresia modernista é que ensina que a Fé muda continuamente e sempre.  E a Fé católica é imutável, pois Nosso Senhor disse que passariam o céu e a terra, mas que suas palavras permanecem eternamente.
     Padre Fábio de Melo é um herege completo. Ele não é católico. E se Padre Joãozinho defende esse mesmo conceito de fé de Padre Melo, ele também é herege como ele.
     Padre Fábio de Melo é herege confesso. E com o aplauso e apoio doutoral do Padre Joãozinho.
     Depois disso, na tal entrevista citada, veio a negação de que não temos provas da Ressurreição de Jesus:
     “Padre Fábio de Melo: “Até mesmo a Ressurreição de Jesus, nós não temos provas materiais da Ressurreição de Jesus, isso é um fato. É Fé. Se nós tivéssemos a prova concreta      não precisaríamos ter Fé. Nós acreditamos na Ressurreição sobretudo por causa do testemunhos dos apóstolos. Isso também é prova de Ressurreição, mas não é essa prova      empírica, material que muitas vezes as pessoas querem ter, padre”.
     É verdade que cremos na Ressurreição pela palavra de Maria Madalena e dos Apóstolos registradas nos Evangelhos. Mas dizer que não se tem prova da ressurreição de Jesus é lançar dúvida sobre esse fato. Prova testemunhal é prova também. E o testemunho dos Evangelhos é divino.
     Padre Fábio de Melo, pelo que diz da ausência de prova empírica da ressurreição, insinua heresia tão grosseira, tão bruta, que nem é preciso responder.
     Veja-se o que disse Padre Joãozinho sobre o testemunho da Ressurreição de Jesus dado por Santa Maria Madalena:
     “Pe. Joãozinho: Só queria lembrar nesse contexto Maria Madalena, Fábio, é fantástico né? Primeiro, ela diz assim “levaram meu Senhor e não sei onde O puseram”. Eu acho que a      Maria Madalena anda dizendo isso quando vê as igrejas vazias na Europa, quando vê as congregações morrendo na Holanda, na Bélgica, né? “Levaram o meu Senhor”. Quando      vem alguns teólogos ateus, não é? defendendo uma teologia medíocre, dizem assim “Levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram”… mas depois ela diz “Eu vi o      Senhor”. Quer dizer, a experiência da fé que vê para além da ausência. É isso.”.
 
     Pe. Fábio de Melo: “Isso é muito lindo”.
 
     Dizer que a Fé é uma experiência é tese da heresia modernista condenada pela encíclica Pascendi de São Pio X.
     Em resposta à crítica de um padre, que, como nós, acusou Padre Joãozinho de ensinar doutrina contrária à da Igreja sobre a ressurreição de Cristo, o acusado respondeu confirmando que a “a experiência de fé da Igreja passou pela experiência de fé de Maria Madalena”.
     Eis a resposta de Padre Joãozinho a Padre Elílio:
     “Padre Elilio
     “Não acredito ter afirmado que “A Ressurreição foi simplesmente fruto das ’saudades’ dos discípulos ou de uma ‘intuição’ de Madalena”. Seria simplória heresia. O programa foi gravado      próximo do dia 22 de julho, festa de Santa Maria Madalena. Sem dúvida ela foi a PRIMEIRA a ver o Redentor ressuscitado (cf. Mc 16,9). Seu testemunho foi muito importante para a Igreja      dos primórdios. Conforme diz a coleta deste dia: “Ó Deus, o vosso Filho confiou a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria pascal; dai-nos, por suas preces e a seu exemplo,      anunciar também que Cristo vive…” Neste sentido podemos dizer que a experiência de fé da Igreja passou pela experiência de fé de Maria Madalena”.(Polêmicas no debate com Pe.      Fábio de Melo http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/ on agosto 4th, 2009. Os destaques são nossos).
     A Igreja, de seu lado, sempre cantou que:
     “Credendo est magis soli
     Mariae veraci,
     quam judaeorum
     turbae fallaci”.(Sequência Victimae paschali.)
     [Deve-se acreditar mais em Maria que era veraz,
     Do que nas turbas falazes dos judeus].
     Poder-se-ia cantar que, hoje, se deve crer, sem comparação, muito mais em Santa Maria Madalena, que é veraz, do que na falácia dos exibidinhos doutores de teologia modernista e de tantos professores de seminário, doutores de dúvida e de mentiras…
*****
     Para concluir queremos agradecer a Deus por ter permitido que, na própria tentativa de defender seus erros, esses padres tenham manifestado ainda mais claramente a sua heterodoxia, deixando patente serem seguidores da hermenêutica da ruptura do espírito do Concílio Vaticano II, condenada por Bento XVI.
     Deus seja louvado, porque assim ficou demonstrado que é nas ambigüidades da letra do Vaticano II que nasce a leitura do “espírito do Concílio”, condenado por Bento XVI e adotado por esses padres.
     Deus seja louvado e a Virgem Maria bem agradecida, por permitir pôr a nu os sofismas e a ignorância metafísica desses pobres doutores de dúvida, de ambigüidade e de mentira.
São Paulo, 8 de Agosto de 2009.
Orlando Fedeli
Adendo:
Entrevista herética do Pe. Fábio de Melo.
A partir do 1min32seg da gravação como postada em http://www.youtube.com/watch?v=ujp5U6ND1W4&feature=related
 (…)
Pe. Fábio de Melo: Inclusive padre, eu quero… a gente foi… eu particularmente fui acusado por um site conservador que você conhece bem, que é a Associação Montfort né, que eles são muito tradicionalistas, acusaram de um determinado momento do livro que eu disse que eu não acredito na presença real de Jesus na Eucaristia. Um absurdo, pegaram uma parte do texto né, mas não leram no contexto. Eu tava [sic] dizendo assim que ‘Gabriel, nós não podemos limitar a presença real de Jesus no corpo e no sangue’ é muito mais do que isso que sugere né? Estou dizendo, é também presença real de Jesus… o corpo e o sangue, mas é também, e aí vou desdobrando tudo o que a Eucaristia nos sugere como uma continuidade desse acontecimento que não termina.
Pe. Joãozinho: sim o próprio Sto. Agostinho dizia isso: “Cristão receba aquilo que você é”. Ou seja: eu, você, nós somos eucarísticos…
 
Pe. Fábio de Melo: Então se você teve contato com o texto, não se preocupe, as pessoas, é o que o Pe. Joãozinho estava dizendo: nem sempre as pessoas estão preparadas mesmo pra… para…
Pe. Joãozinho interrompe: É que padre… “Povo do Montfort! Leia o Concílio Vaticano II. Eles não querem ler o Concílio Vaticano II”.
 
Pe. Fábio de Melo: Eles não querem, eles não aceitam.
Pe. Joãozinho: Sacrosantum Concilium número 7 diz “as diversas formas da presença de Jesus são: Eucaristic…. a Eucaristia em primeiro lugar, é a presença maior
Pe. Fábio de Melo: Máxima né.
Pe. Joãozinho: Ele diz assim: “o ponto mais alto, a fonte de tudo”
Pe. Fábio de Melo: o ponto alto.
Pe. Joãozinho: Agora, o irmão é presença eucarística, muitas vezes não se quer reconhecer… né? O irmão é presença eucarística.
Pe. Fábio de Melo: A palavra…
Pe. Joãozinho: A palavra, a comunidade reunida: “dois ou três eu estarei no meio deles”. Principalmente o pobre. Jesus disse, Mateus 25, “Ó Lembra, tive nu… estive doente… eu estive na prisão e você foi me visitar”. Quer dizer, aquela frase que Deus diz a Bíblia inteirinha “Eu estarei convosco” é um sinônimo de Eucaristia, a presença de Deus.
Pe. Fábio de Melo: Padre, e porque depois eu digo também, leio aqui [Nesse momento o
Pe.. Fábio de Melo pega o seu livro e começa a ler um trecho]: “Essa mística nos permite uma aproximação ainda mais interessante da eucaristia, acontecimento ritual que nós católicos chamamos de “a presença real de Cristo”. O que é a presença real? A matéria consagrada? O pão e o vinho somente?” Não estou dizendo que não é né? Estou dizendo: só isso? É só nisso que acreditamos a presença real? Não: “juntamente com as duas substâncias está o bonito e sugestivo significado da ausência.” Por que é aqui que a eucaristia coloca a sua força.”
Pe. Joãozinho: É o mistério. O que você chama de ausência é mistério…
Pe. Fábio de Melo: É Jesus que diz “Fazei isto até que eu volte” não é verdade? “Celebrai esse mistério até que eu retorne”, certo? Mas a presença real de Jesus sugere que está no corpo, no pão e no vinho, mas que quando eu comungo este corpo e o vinho eu me transformo nesta presença de Cristo na história também”.
Pe. Joãozinho: Mas sabe, Fábio, tem gente que quer ser tão ortodoxo que acaba se tornando herege… É, veja por exemplo: uma pessoa me disse durante a expocatólica há algum tempo, lá no Anhembi em São Paulo, me deixou assustado isso, disse assim, que “imagina, se eu beber o sangue de Cristo, por mais que eu beba eu não estarei bebendo nenhuma bebida alcoólica, eu estou bebendo sangue.”
“Pera aí”, eu falei “você está bebendo vinho, materialmente. Substancialmente você está se alimentando do Sangue de Cristo. Sangue na Bíblia significa vida. Então se você beber dois litros de vinho consagrado de Sangue de Cristo você vai ficar alcoolizado, porque aquele vinho consagrado continua sendo alcóolico”. Então, a pessoa confundiu transubstanciação com transmaterialização. Tanto que lá naquele milagre eucarístico de Lanciano, no norte da Itália, o Corpo e o Sangue de Cristo viraram carne e sangue… É um milagre eucarístico, tá até hoje preservado lá. Só que a Igreja não preserva mais no sacrário. E ninguém poderia comungar aquilo. A Igreja tem consciência de que aquilo não é mais Eucaristia. Opa! Não é Eucaristia por quê? Porque não é mais pão e vinho. Agora é carne e sangue. Nós não somos antropófagos, a Eucaristia não é antropofagia. Não é comer carne e beber sangue.
Pe. Fábio de Melo: Eu falo isso aí também na carta.
Pe. Joãozinho: né?
Pe. Fábio de Melo: Justamente.
Pe. Joãozinho: É alimento, é sacrifício. Não é sofrimento. Muita gente diz assim, confunde sacrifício com sofrimento. “O sofrimento de Cristo me salvou”. Não foi o sofrimento de Cristo que te salvou. Foi a entrega, ou seja, o sacrifício. Sacrifício é diferente, muito diferente de um sofrimento. Aí cria o dolorismo cristão. No fundo esse pessoal é materialista.
Pe. Fábio de Melo: Porque acredita que a presença real de Jesus é material, e que nós temos ali e que aquilo esgota o significado da Eucaristia. Gente, o bonito da eucaristia é claro, o que se desdobra de tudo aquilo que nós acreditamos, que é o estar juntos. A última ceia é isso.
Pe. Joãozinho: Vamos supor que na última ceia, ao invés da última ceia, em outro momento, Jesus cortasse um pedaço do seu dedo e deixasse para os apóstolos e dissesse: “Ó, cada vez que vocês sentirem saudade de mim, olhem para um pedaço do meu dedo”. Ele não fez isso, Ele pegou pão e vinho e disse “isso é o meu corpo” e “isto é o meu sangue”. Pela fé nós acreditamos que substancialmente a Pessoa de Jesus está presente no vinho, não o dedo de Jesus.
Pe. Fábio de Melo: E mesmo porque se fosse assim, a Igreja não iria recomendar que os padres que tenham problema com alcoolismo, possam celebrar com suco de uva. Não é verdade?
Pe. Joãozinho: É verdade.
Pe. Fábio de Melo: Em situações extremas, o padre está em tratamento, ele não vai beber do sangue, do álcool.
Pe. Joãozinho: Ou se tomar algum remédio, não pode…
Pe. Fábio de Melo: Ou então tem… Eu por exemplo, na época que eu tive hepatite eu não podia, e até hoje eu tomei o hábito de não ficar tomando grandes quantidades do vinho, porque eu preciso cuidar da minha saúde. A Igreja me possibilita isso. Então se a gente fosse prender a essa materialidade da Eucaristia, nós temos muito poucos recursos para acreditar né? Até mesmo a Ressurreição de Jesus, nós não temos provas materiais da Ressurreição de Jesus, isso é um fato. É Fé. Se nós tivéssemos a prova concreta não precisaríamos ter Fé. Nós acreditamos na Ressurreição sobretudo por causa do testemunhos dos apóstolos. Isso também é prova de Ressurreição, mas não é essa prova empírica, material que muitas vezes as pessoas querem ter, padre. É muito triste quando nós vemos que, quando a gente percebe que a religião está cada vez mais materializada. Engraçado que isso é uma tendência ocidental né? Nós ocidentais temos muita necessidade de pegar, de provar. Os orientais não. Se você pega os escritos dos grandes místicos orientais você vai ver o tanto que eles são capazes de lidar com as metáforas, sem pensar que a metáfora é uma mentira, mas ao mesmo tempo sem levar a metáfora ao pé da letra. É o que ela sugere que é o ponto mais importante.
Pe. Joãozinho: É sensibilidade com relação ao mistério. Que o mundo moderno tem dificuldade…
Pe. Fábio de Melo: A palavra é essa: “sensibilidade com o mistério”, perfeito.
Pe. Joãozinho: O mundo moderno, ele é racional, ele acredita nas razões, né? mas “o coração tem razões” Blaise Pascal já disse né? “que a própria razão desconhece“.
Pe. Fábio de Melo: padre…
Pe. Joãozinho: Só queria lembrar nesse contexto Maria Madalena, Fábio, é fantástico né? Primeiro, ela diz assim “levaram meu Senhor e não sei onde O puseram”. Eu acho que a Maria Madalena anda dizendo isso quando vê as igrejas vazias na Europa, quando vê as congregações morrendo na Holanda, na Bélgica, né? “Levaram o meu Senhor”. Quando vem alguns teólogos ateus, não é? defendendo uma teologia medíocre, dizem assim “Levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram”… mas depois ela diz “Eu vi o Senhor”. Quer dizer, a experiência da fé que vê para além da ausência. É isso.
 
Pe. Fábio de Melo: Isso é muito lindo.
Pe. Joãozinho: E ela foi a primeira. É da fé, é da visão de Maria Madalena que bebeu Pedro, João, Tiago e até Tomé…
 
Pe.. Fábio de Melo: Você acha que a gente pode falar de que hoje, por exemplo, essa materialização da fé, isso é uma involução? Quando nós precisamos materializar demais, se eu não vejo a imagem que chora, se eu não vejo um milagre, eu não consigo acreditar em Deus. Isso é uma forma de involuir do ponto de vista espiritual.
Pe. Joãozinho: Involução e é fetichismo.
Pe. Fábio de Melo: Porque essa sensibilidade espiritual, isso foi muito interessante, essa “sensibilidade ao mistério” que foi a expressão que você usou. Quando você percebe que algumas pessoas simples não carecem disso para crer. A sensibilidade ao mistério é tão grande que…[vinheta do programa interrompe].

sexta-feira, maio 22nd, 2009 at 1:04am

Em uma manhã azul do México

Por Orlando Fedeli, Montfort.org.br

Estimados leitores do site Montfort, salve Maria!
        Há anos, publicamos um texto, na secção castelhana do site Montfort, homenageando um mártir mexicano, o Padre Francisco Vera. Ele foi fuzilado pelos comunistas mexicanos, guiados então pela maçonaria, por estar rezando Missa, durante a guerra civil entre os católicos do Movimento Cristero contra as hordas do Partido Revolucionário Institucional do México, que levou esse país católico ao comunismo.
        Apresentamos, hoje, a nossos leitores, a versão em português da homenagem que fizemos ao padre Francisco Vera. Mas inicialmente citamos as palavras do Presidente da República mexicana, o maçon Emílio Portes Gil.
Extrato do “discurso pronunciado pelo  presidente do México, Emilio Portes Gil, em 27 de Julho de 1929 diante dos líderes da Maçonaria após a assinatura dos Acordos que puseram fim à rebelião dos católicos cristeros”. (“Acordos” esses, feitos pelo Cardeal Gasparri, o inimigo de São Pio X… Acordos que acabaram levando à morte muitos dos chefes cristeros).
O Pres. Emílio Pontes Gil deixou claro, em seu discurso, que a perseguição ao clero e à Igreja, “que dura vinte séculos … e é eterna”, foi executada pela Maçonaria, para implantar seus princípios anti católicos.
“Veneráveis irmãos: Enquanto o clero foi rebelde às instituições e leis do governo da República, estive no dever de combatê-lo como era necessário… Agora, queridos irmãos, o clero reconheceu plenamente o Estado e declarou sem rebuços que se submete estritamente às leis…
A luta não se inicia, a luta é eterna.
A luta se iniciou há vinte séculos. Desse modo, pois, não há que espantar-se: o que devemos fazer é permanecer em nosso novo posto, não  cair no erro em que caíram os governos anteriores… que, com tolerância após tolerância, e  com contemplação após contemplação, foram conduzidos à anulação absoluta de nossa legislação. O que é preciso fazer, pois, é ficar vigilantes. Os governantes e os funcionários públicos, devem permanecer zelosos em cumprir a lei e  fazer com que ela se cumpra. E enquanto estiver eu no governo, ante a Maçonaria eu protesto que serei zeloso para que as leis do México, as leis constitucionais que garantem plenamente a consciência livre, porém que submetem aos ministros das religiões a um regime determinado; eu protesto, digo, ante a Maçonaria que enquanto eu estiver no governo, se cumprirá estritamente a legislação.
“No México, o Estado e a Maçonaria, nos últimos anos, foram uma mesma coisa: duas entidades que marcham juntas, porque os homens que nos últimos anos estiveram no poder souberam sempre solidarizar-se com os princípios revolucionários da Maçonaria”.

(Do discurso pronunciado pelo presidente do México, Emilio Portes Gil, em 27 de Julho de 1929 diante dos líderes da Maçonaria, após a assinatura dos Acordos que puseram fim ao levante cristero) 

 

 

EM UMA MANHÃ AZUL DO MÉXICO.
AO SOL.
Homenagem ao Padre Francisco Vera,
sacerdote e mártir
 
 

 

     Padre, cujo nome, até hoje, nem sequer eu sabia, e que provavelmente, na terra, bem poucos conhecem, quero prestar-te, mártir de Deus, minha pobre, porém ardente homenagem.
     Hoje, quase ninguém sabe de  teu sacrifício ocorrido, há tantos anos, numa manhã azul do México. Nem ao menos se sabe que houve um governo maçônico e comunista, no México, no século XX, governo que perseguiu a Igreja de Deus, assassinando seus sacerdotes.
     Em nossos dias, Padre Francisco Vera, quase ninguém te conhece. A História se esqueceu de ti. Depois do Concílio Vaticano II, muitos só louvam teus assassinos. Na Igreja nascida do Vaticano II, fizeram-se acordos com eles, e se os chama de “homens de boa vontade”…
     Até mesmo muitos dos católicos, mesmo os fiéis, não sabem de teu martírio. E – dor suprema – a Igreja, ao menos por suas autoridades mais conhecidas, parece quererem te esquecer, e fazer esquecido teu heroísmo e tua confissão da Fé.
     Tu és um padre de outros tempos.
     Hoje, tudo mudou.
     Hoje, não se quer que haja sacerdotes intransigentes que terminem mártires: deseja-se o “diálogo”. O diálogo ecumênico e relativista, que é capaz de fazer acordos os mais incríveis. Até com a heresia. Até com o pecado.
     Querem que os sacerdotes sejam amáveis, diplomáticos e simpáticos, e não padres “teimosos” como tu, com tua face séria e imperturbável ante a morte”. [Perdoa-me, Padre Francisco, são eles, os modernos, os modernistas, os acrobatas do diálogo, que te diriam isso, não eu. Eu, nunca! Eu nunca!]
     Para os modernistas atuais, teu comportamento foi por demais radical – dizem — e muito pouco aberto, e nada ecumênico.
Aos olhos dos prudentes deste mundo, tu foste “um fanático”.
     Sozinho tu estavas naquela manhã azul, ao sol do México – ao sol de Deus – ao dar teu silencioso testemunho, sereno, ante as armas assassinas.
     Tudo era calma e suavidade naquela cena vista por poucos na terra, porém contemplada com amor ardente pelos Anjos. Ao sol, na manhã azul do México.
     Ao sol.
     Inusitadamente, com os paramentos da Missa, ao sol, em teu silêncio, parecias dizer aos que iam te matar: “Introibo ad altare Dei”. (Entrarei até o altar de Deus).
     Sim! Jamais, Padre Francisco, pronunciastes essas palavras do princípio da Missa de maneira mais verdadeira  do que nessa manhã, na qual entraste no céu do Altísimo.
     Verdadeiramente o perfeito Introibo ad altare Dei.
     Nessa “Missa”, ao sol, na manhã azul do México, sozinho, ante os carrascos, tu mesmo eras a hóstia de teu ofertório. Não só apresentavas a oferta de ti mesmo a Deus, tu a oferecias em pagamento pelos pecados de mundo, junto com a hóstia Divina ofertada no Calvário, ao sol também, uma tarde… Há tanto tempo… Eternamente.
     Daí, a suavidade e serenidade com que olhavas os soldados que miravam tua pessoa sacerdotal.
     E eles, também, parece que, — eles também–, te olhavam docemente, com os rostos carinhosamente apoiados no fuzil.
     E miravam com lentidão, suave e calmamente, para não perder o tiro.
     Um mirava tua cabeça, para punir teu pensamento fiel a uma Igreja retrógrada, fiel a uma Igreja que não aceita o mundo moderno, nem sua “civilização” pagã. Tu, fiel à Igreja que recusa evoluir, e a aderir – cum gaudio et spes – ao mundo e a seu príncipe, tu permanecias de pé ante o mundo novo. Tu, homem do mundo antigo, filho da Igreja de sempre, filho da Roma eterna, sacerdote do Altíssimo, in aeternum secundum ordinem de Melquisedec, no paredão, para morrer por Deus.
     Na manhã azul, ao sol, cum Gaudium et Spes, dizendo um NÃO rotundo e mudo, porém clamoroso, com teu sangue, ao mundo moderno, às suas pompas miseráveis, e às suas obras tenebrosas e ímpias.
     E, em silêncio, aguardavas a ordem de fogo do oficial aos carrascos.
     E, enquanto aguardavas, eles miravam docemente, apontando-te docemente seus fuzis.
     Um outro soldado mirava a teu coração, para matar tua caridade, para que se vertesse dele o sangue de teu amor inextinguível. E à ordem de “Fogo”, ele desejava extinguir teu amor de fogo.
     E só lograva, então, alimentar o fogo com fogo.
     Eles te miravam docemente, para matar-te, enquanto tu os miravas docemente, perdoando-os, aguardando que te abrissem com os disparos, a porta do céu na manhã azul do México.
     Ao sol.
     Disse-te eu já que, hoje, os padres não se parecem contigo?
     Olhe, tenho uma outra foto, aqui, em minhas mãos.
     É a de um outro sacerdote.
     É a fotografia de um sacerdote atual, um sacerdote pós moderno. Um sacerdote como tu, porém dos novos tempos, posteriores ao Vaticano II. Um sacerdote modernista que quer voltar a ser um homem primitivo.
     Não posso publicar sua foto, que está numa revista que se diz católica.
     Porém tu a podes ver desde o céu.
     É essa  a figura de um sacerdote católico?
     Sim, é a de um sacerdote católico. Um pseudo missionário.
     Ele não tem paramentos. Nem ao menos usa camisa. Está semi nu  – “inculturado” — entre os índios aos quais ele deveria levar a religião verdadeira. Meio nu, na noite das trevas da morte
     Olhe seus olhos.
     São vazios.
     E contemplam a noite
     Parece que não têm mais alma.
     Ele quer apenas fazer fluir sua vida, à maneira selvagem, olhando a noite.
     Para ele, apagou-se o Sol de Justiça, e não há verdade. E não há mais sol. E não há mais manhã azul, nas quais se pode morrer pela verdade.
     Ao sol.
     Ele é incapaz de dizer- e menos ainda de compreender – o Introibo ad altare Dei.
     E ele não tem nada a oferecer.
     E que ofertório seria ele capaz de fazer?
     Ele seria competente apenas para a apresentação dos dons, “frutos da terra e do trabalho do homem”.
     A diferença entre ele e tu é a do natural para o sobrenatural.
     E quantos não são nem capazes de ver isso! De ver o sol. Numa manhã azul.
     Nas trevas, não há azul
     E quantos sacerdotes conservadores protegem a impiedade e os erros dos maus para poderem imitar suas ações más com palavras e ações equívocas. A “fraternidade” – o “amor”, como dizem agora, a filantropia, e não mais a caridade.  E a “obediência” de certos padres é o escudo e a escusa para eles aprovarem muitos erros…
     Que é, hoje, um sacerdote conservador?
     É aquele que fará amanhã aquilo que o modernista fez anteontem.
     Que é um sacerdote conservador?
     É aquele que diz sempre que fará amanhã – bem escondido na obscuridade, o que o sacerdote heróico faz agora.
     Ao sol.
     O que tu fizeste ontem, no México, em uma manhã azul. Ao sol.
     Dizem os sacerdotes “prudentes”: “Hoje, não posso, porque há dificuldades, e é preciso ser cauteloso. E é preciso obedecer”.
     Prudentemente, ainda que seja contra a Fé.
     “Ademais, hoje, estou muito ocupado”…
     Que é um sacerdote conservador?
     É um padre muito hábil em encontrar razões que lhe permitam adiar, ou dispensar-se, de cumprir  o dever, agora.
     Esses padres prudentes, jamais irão ao paredão.
     Porém tu, Padre Francisco, em tua fidelidade, tu foste até o paredão. Até o céu. Em uma manhã azul do México.
     Ao sol.
     Tu, Padre, cujo nome desconhecia até esta manhã, teu nome é exaltado nos céus pelos coros dos anjos e dos santos. Porque tu fizeste a vontade de Deus na terra, como a quer Deus, no céu. Sem fugas e sem esquivas. Bravamente.
     Ao sol.
     Bem aventurado és tu, Padre Francisco. Por isso te dedico uns pobres versos, que fiz, um dia, versos que desejo sejam para te homenagear
En mi alma hay una llama
que la quema por entera.
El amor es que me llama
A morir por tu bandera
¡Es mi Deus El que me llama
A morir por su bandera!
Si la Iglesia verdadera,
la mi vida me pidiera,
yo mil vidas yo las diera
por la Iglesia y su bandera.
Diez mil vidas yo las diera,
por guardar la Fe entera.
Ah gran Dios, yo bien quisiera
Que mi alma antorcha fuera,
 que otras almas encendiera,
 ´n el amor por tu bandera.
Que en mi alma siempre ardiera
El amor por tu bandera
Y la gloria derradera
Por la cual yo bien muriera,
Dar mi sangre roja e fiera
Por mi Dios y su bandera.
Con mi sangre roja e fiera
Hacer roja su bandera.
     Pudesse eu, como tu, dar também meu sangue, sem valor, e dar minha vida, com tantos pecados, por Deus, pela Igreja e por sua bandeira!
     Sim.
     É o que te peço, Padre Francisco, que me obtenhas de Deus — ainda que eu não o mereça de modo algum – morrer como tu, pela Igreja e sua bandeira.
     Em uma manhã azul.
     Ao sol.
(27 de Novembro de 2003)

quarta-feira, abril 8th, 2009 at 12:00pm

FSSPX: Carta aberta a Dom Nicola Bux

Publicado em Orlando Fedeli, REVER
A Montfort tem a alegria e o prazer de publicar a tradução da Carta que o Distrito da FSSPX na Itália enviou a Dom Nicola Bux, comentando seu recente livro sobre o problema litúrgico atual. A resposta da FSSPX é extremamente clara, colocando em plena luz os problemas da Nova Missa de Paulo VI.
Cremos que ela ajudará muito nossos leitores, especialmente os sacerdotes que nos honram com sua frequência ao site Montort e que manifestam amor pela Missa de sempre.
Por outro lado, essa troca respeitosa de argumentos entre um auxiliar direto do Papa Bento XVI e autoridades da FSSPX, parece ser, pelo menos de certo modo, o início das conversações entre o Vaticano e os teólogos de Dom Lefebvre para solucionar a crise atual da Igreja.
Possa Nossa Senhora dar a vitória, o quanto antes, à Missa de sempre.
Orlando Fedeli

 
 
FSSPX: Carta aberta a Dom Nicola Bux
 
Messainlatino.it  Quarta Feira 1 de Abril de 2009.
 
Rev.do Dom Nicola Bux,
 
Pareceu-nos ser nosso dever levar em séria consideraçião a sua última publicação A Reforma de Bento XVI. A Liturgia entre Inovação e Tradição, que aparece como a continuação do apelo que lançou no Osservatore Romano, em 18 de Novembro do ano passado, quando convidou a «confrontar-se sem nenhum preconceito» sobre a liturgia. Desde então, seus esforços foram sempre na direção de oferecer uma contribuição de verdade para sair da crise litúrgica (e doutrinal) que a a Igreja Católica está atravessando. É um apelo que não se pode  deixar passar, porque finalmente, depois de anos de redução ao silêncio de todos os que não estivessem de acordo com a vulgata litúrgica, uma voz autorizada, em sequência à do Sumo Pontífice, sai dos esquemas patrocinados parece que da corte celeste: pelo menos de Santo Anselmo e Santa Justina.
O senhor é um homem de espírito: temos certeza que saberà sorrir, sem ver nesta pontada nenhuma polêmica.
 
O primeiro grande mérito do seu livro foi o de ter chamado a atenção do grande público, renunciando ao estilo e às dimensões acadêmicas, para as dissenssões intestinas com relação à reforma litúrgica, particularmente aludindo à oposição do Cardeal Ferdinando Antonelli aos diktats de Bugnini. A liturgia, hoje, é «um campo de batalha», para usar uma sua expressão, porque ela tal foi desde o início da sua reforma. O seu segundo mérito, e não o afirmamos por uma mera captatio benevolentiae, está contido nos capítulos primeiro (A sacra e divina liturgia), segundo (De quem nos aproximamos com o com o culto divino) e sexto (Como encontrar o mistério), que costituem uma bela e profunda introdução à essência do espírito litúrgico. São estes capítulos que todo sacerdote e todo fiel deveria ler e meditar. E não podem senão alegrar as considerações sobre a essencial verticalidade da liturgia, que se deve recuperar também a partir da vexata quaestio do versus litúrgico, aquela orientação para o oriente, tanto da orientação para a cruz, para significar novamente a centralidade de Nosso Senhor Jesus Cristo e do seu Sacrifício.
Ora, o senhor o reconhece, e o seu livro é claro testemunho disso, que o Rito tridentino soube encarnar de modo excelente o autêntico espírito litúrgico; todavia uma de suas teses de fundo é que também «a reforma litúrgica em seu conjunto, inclusive as partes já efetuadas, pode ser reexaminada à luz do verdadeiro espírito da liturgia» (p. 59). O senhor deseja que se faça portanto um movimento dos extremos para o centro: «Todos quantos amam ou descobrem a precedente tradição litúrgica devem também convencer-se do valor e da santidade do novo rito, todos os demais deveriam refletir sobre o fato de que na história da liturgia há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura» (pp. 45-46).
É sobre esse ponto que quereríamos deter-nos e confrontar-nos, partindo das suas afirmações, e procurando seguir sua lógica interna, que nos levará, porém, a uma conclusão diversa da sua, reconnhecendo ao mesmo tempo que a sua conclusão seja natural para um bom católico, ao qual repugna à razão a idéia de uma ruptura no desenvolvimento da liturgia. Mas são os fatos, que o senhor mostrou, e que nós simplesmente reproporemos e enriqueceremos, são os fatos, pois, a mostrar o verdadeiro rosto do novo rito. E uma precisão prévia é obrigatória: não levaremos em conta, em nosso exame, os abusos ilegais, como as Missas rock, ou aquelas de estilo pic-nic, ou outras palhaçadas desse gênero. Não nos deteremos demais nem mesmo sobre os abusos legalizados, ou seja a Comunhão recebida em pé, na mão, o uso exclusivo da língua vulgar, etc. Sabemos bem que tudo isso não é aprovado no Novus Ordo, mas é fruto de adaptações sucessivas e de um dinamismo litúrgico que pretende ser sempre vivo e operante. Todavia, também estes elementos devem ser considerados como o fruto da reforma litúrgica, assim como foi concebida e de fato realizada por Bugnini & C. Remetemo-nos à sequência da carta para fundamentar esta última afirmação, grave sem dúvida, mas não fruto de fantasia nem de preconceito.
 
O principio guia
 
Em nossas considerações, guiamo-nos por sua brilhante explicação do têrmo reforma: «Sabe-se que não existe conteúdo sem forma; desde que  Deus se fez homem, não há verdade que não tenha uma forma que a reclame. Re-forma quer dizer melhorar a forma ou mudá-la? Não parece unívoco o sentido. Segundo os Padres da Igreja é preciso sempre renovar. Mas a reforma não pode ser entendida no sentido de uma reconstrução segundo os gostos do tempo. A reforma, segundo Michelangelo, é a do artista que livra a imagem do material pelo qual está obstuída; a imagem está já presente no mármore, e não há senão que eliminar as incrunstações que se depositaram nos séculos. Reforma é tirar o que ofusca, afim de que se torne visível a forma nobre, o rosto da Igreja e, junto com ela, também o rosto de Jesus. Adotado pela liturgia, o têrmo reforma pode ser pelo menos aceitável: aceitável se a forma corresponde ao conteúdo, não, se a forma indica um outro conteúdo» (p. 49).
Nesse trecho está tudo: reformar significa fazer de modo que a forma exprima o conteúdo do melhor modo possível, tendo firme que tal conteúdo não é a disposição dos gostos do tempo. O rosto da Igreja e de Jesus Cristo não são vendáveis no mercato dos gostos e das sensibilidades históricas. O seu princípio guia está perfeitamente na rota dada por Pio XII na maravilhosa encíclica Mediator Dei: «A hierarquia eclesiástica sempre usou de  seu direito em matéria litúrgica, dispondo e ordenando o culto divino, e enriquecendo sempre com novo esplendor e decoro a glória de  Deus e para a vantagem dos fiéis. Não duvidou, além disso, salva a substância do sacrifício eucaristico e dos sacramentos, em mudar aquilo que não retinha conforme, acrescentar o que melhor parecia contribuir para a honra de Jesus Cristo e da Trindade augusta, e à instrução e estímulo salutar do povo cristão».
Não temos nenhuma dificuldade em subscrever esse texto; nós reconhecemos à hierarquia o direito de intervir em matéria litúrgica, e tal reconhecimento foi por nós mostrado nos fatos. A de São Pio V não foi uma reforma? Também as mesmas intervenções mais recentes em matéria litúrgica, como as que o senhor mesmo recordou, até o missal de 1962, foram acolhidos por nós com filial obediência. O problema não está, portanto, na liceidade da reforma litúrgica, mas na reforma específica que se seguiu ao Concilio e se concretizou no missal de Paulo VI. Essa reforma não está na linha do principio-guia admitido seja por nós, seja pelo senhor, e portanto não pode ser comparada às outras reformas que a precederam. E quando, reclamando-se da carta do Santo Padre que acompanhou o Motu Proprio Summorum Pontificum, o senhor afirma que o missal de 1962 e o de Paulo VI são «duas teceduras consequentes, como outras vezes aconteceu nos séculos, ao desenvolvimento do único rito, de fato quem conhece a história dos livros litúrgicos sabe que na ocasião da sua reimpressão  foram emendados e enriquecidos por formulários para a Missa, bençãos ecc.» (p. 62) não podemos concordar. Não podemos estar de acordo, porque não podemos negar a realidade, a realidade que o senhor mesmo reclamou em mais de um ponto do seu livro, e que agora pretendemos percorrer.
 
«Uma reforma decisamente radical»
 
Citamos de seu livro: «Infelizmente o missal de Paulo VI não contem tudo o que há no de Pio V – se nos limitamos às edições nas línguas nacionais – ademais mudou-o em vários pontos, acrescentando novos textos» (p. 72). E um pouco além: «É verdade que o Papa Paulo VI pretendia restaurar simplesmente o rito de São Pio V, ou seja a liturgia de São Gregório, mas, infelizmente os peritos, numa primeira fase, tomaram a direção, fabricando uma outra coisa. Quando o Papa se apercebeu disso, vimos o que aconteceu; entretanto, como se costuma dizer, os bois tinham escapado do estábulo. Justamente esse disparate causou a fratura, porque revelou que nem tudo tinha caminhado na direção correta » (pp. 72-73).
Eis, precisamente o ponto. O que Paulo VI corrigiu foi, enfim, o conhecido parágrafo 7 da Institutio generalis de 1969, talvez como consequência do Breve Exame Crítico dos eminentíssimos Cardeais Ottaviani e Bacci, ou de um intervenção junto a Paulo VI do Cardeal Journet. Certamente, tratou-se de uma correção importante; mas que adianta mudar aquela definição de Missa, se se deixou inalterado o novo missal, que é a expressão daquela definição? O supra citado Breve Exame Crítico não dirigiu a própria denúncia somente àquele ponto da Institutio, mas para o Novus Ordo «seja no seu conjunto como em pontos  particulares», afirmando que se tratava de «um impressionante afastamento da teologia Católica da Santa Missa»(1). Os bois já tinham escapado, como o senhor nos lembra, e o missal de Paulo VI é o fruto dessa fuga, que não foi detida a tempo. É tempo de mostrar que a forma do novo missal não corresponde ao conteúdo católico, mas a um outro conteúdo, e, portanto, seguindo o princíipio guia que o senhor nos deu, não se tratou de uma reforma, mas de uma revolução.
Numa entrevista(2) dada a Andrea Rose, Cônego titular da cátedra de Namur (Bélgica) e consultor do Consilium ad exequendam constitutionem de sacra liturgia, cujo secretário era monsenhor Annibale Bugnini, temos a confirmação de que a mente da reforma litúrgica foi justamente Bugnini: «O que sei, é que mons. Martimort não estava muito de acordo com ele [Bugnini]. Ele o criticava todas as vezes que ele estva ausente. Dizia-me: “Esse Bugnini faz o que quer!”. Um dia, ele me disse: “Sabe, Bugnini fez um bom curso secundário “. Era esse o juízo de Martimort sobre Bugnini. No início, pensava que ele exagerava, mas depois me dei conta que tinha razão. Bugnini não tinha nenhuma profundidade de pensamento. Foi uma coisa grave designar para um tal posto, uma pessoa que era como uma biruta ao vento. Mas, o senhor percebe? O cuidado pela Liturgia deixado a um pobre homem como aquele, um superficial». E acrescentou: «Bugnini estava sempre falando com o Papa, para informá-lo. Um dia, estava-se no início, quando os problemas não eram ainda tão graves, eu estava na praça de São Pedro com o Padre Dumas. Havíamos encontrado Bugnini, que nos apontou as janelas do apartamento de Paulo VI, dizendo: “Rezem, rezem, porque nos seja  conservado esse Papa!“. E isso porque ele manobrava Paulo VI. Ia vê-lo para fazer-lhe relatos, mas lhe contava as coisas como agradavam a ele. Depois, voltava, dizendo: “O Santo Padre deseja assim, o Santo Padre deseja assado”. Mas era ele que, por baixo…».
Afirmações pesadas, certamente, mas que coincidem com as do Cardeal Antonelli, citadas pelo senhor, e que revelam principalmente o peso determinante que teve Bugnini na compilação do novo missal. Mas Bugnini não era certamente o único; o Cardeal Antonelli não faz mistério que o clima que prevalecia no Consilium era totalmente outro que tranquilizante: espírito de critica e intolerância para com a Santa Sé, racionalismo, nenhuma preocupação pela verdadeira piedade, despreparo teológico. Não é de espantar então o resultado, que tem apenas a máscara de um retorno às fontes litúrgicas, como revela ainda Dom Rose: «Alguns, no Consilium, queriam o retorno à tradição, principalmente quando lhes parecia cômodo. Francamente, que se pudessem fazer pequenas reformas, está bem, mas o que se fez foi decisamente radical».
A reforma dita de Paulo VI não tem precedentes na história litúrgica; nem mesmo a reforma de Lutero, no dizer Mons. Klaus Gamber, foi assim radical: «A nova organização da liturgia, e sobretudo as profundas modificações do rito da Missa surgidas sob o pontificado de Paulo VI, e antes do tempo tornadas obrigatórias, foram muito mais radicais que a reforma litúrgica de Lutero – pelo menos no que tange o rito exterior – e levaram menos em conta a sensibilidade popular»(3).
 
A Missa, verdadeiro e próprio sacrifício e a transustanciação
 
Dizíamos que a forma deve exprimir o conteúdo. Propomos-lhe um rápido reconhecimento da reforma litúrgica para verificar se a forma do Novus Ordo corresponde aos conteúdos fundamentais da doutrina sobre o santo Sacrifício da Missa.
«O augusto sacrifício do altar não é, portanto, uma pura e simples comemoração da Paixão e Morte de Jesus Cristo, mas é um verdadeiro e próprio sacrifício, no qual, imolando-se incruentamente, o sumo Sacerdote faz  aquilo que fez uma vez na Cruz, oferecendo ao Pai o todo de Si mesmo, Vítima agradabilíssima»(4).
 O Missal de São Pio V evoca incessantemente esse aspecto, tão fundamental, porquanto ele exprime a essência da Santa Missa. E o faz principalmente no Ofertório e no Canon.
 
1. A substituição do Ofertório
 
 O Ofertório tem precisamente a função de antecipar, não o efeito da consagração, mas o seu significado, relembrando assim ao sacerdote e aos fiéis a oferta deles mesmos, na união com a Vítima divina. Tudo isso na antiguidade era expresso apenas pela  apresentação do pão e do vinho e a santificação das oblatas. No passar dos séculos, esse significado foi traduzido numa multiplicidade de ritos. São Pio V, na tentativa de unificar e regular as cerimônias do culto público, escolheu as fórmulas que melhor exprimiam o gesto da oferta, significada no levantar da patena e do cálice.
No novo Ofertório, não ficou mais nada de tudo isso, nem mesmo o nome de Ofertório, substituído pela “Apresentação dos dons”; e efetivamente a nova formulação não tem nada que ver com a intenção ofertorial. Percebeu-o o próprio Paulo VI, mas não fez nenhuma modificação. Ele fez notar que as fórmulas «são duas belas expressões eucológicas, mas que não têm nenhuma intencionalidade oblativa, se se tiram os dois incisos [propostos pelo Papa, n.d.A.]: quem tibi offerimus , quod tibi offerimus; não são, sem elas, fórmulas do Ofertório. Por isso, parece que tais dois incisos dão valor específico de oferta ao gesto e às palavras». Mas, como nova prova da ditadura de Bugnini e do Consilium, o Papa acrescentou: «Todavia remete-se a decisião sobre sua permanência ou à sua supressão ao juízo colegial do Consilium»(5). Portanto, também Paulo VI é concorde conosco no dizer que o Ofertório do Novus Ordo simplesmente não é um Ofertório. O acréscimo das duas fórmulas sugeridas pelo Papa acabou por agravar a situação: pão e vinho são oferecidos a  Deus em lugar da única oferta a Ele agradável, a do Corpo e do Sangue do seu Filho, e o homem se declara capaz de oferecer a  Deus os frutos do próprio trabalho; a Eucaristia como sacrifício não é contemplada nas duas fórmulas de apresentação da hóstia e do vinho, que em vez reenviam a atenção imediatamente sobre a Eucaristia como sacramento («para que se torne para nós alimento de vida eterna»; «para que se torne para nós bebida de salvação»). O elemento sacrifical resulta assim, não negado, mas certamente posto na sombra, para grave dano da fé de quem celebra e de quem assiste. O Ofertório romano foi devastado com duas pseudo-motivações, que manifestam a ausência de formação teológica e de sensibilidade litúrgica por parte de muitos membros do Consilium.
É ainda Dom Andrea Rose a dizer-nos como se deram os fatos: «Os que se ocuparam da Missa foram ainda mais radicais do que nós que cuidamos do Ofício Divino. Basta ver como foi  quase eliminado o Ofertório. Dom Capelle não queria nenhum Ofertório. Fala-se como se o sacrifício fosse já realizado. Arrisca-se crer que tudo já foi feito, dizia. Não se dava conta que todas as liturgias contem uma antecipação como aquela, coloca-se-nos já na perspectiva da coisa já realizada. Pergunta: Não se trata da falta de uma perspectiva finalista? Resposta: Sìm, e então acabou-se por suprimir tudo, tudo o que era oração no Ofertório, porque, dizia-se, não se trata ainda do sacrifício. Mas, afinal, aqui estamos frente a duas posições muito racionalistas! Uma mentalidade escolaresca! Pergunta: Na sua experiência pastoral o senhor notou que os fiéis tivessem acreditado que as oblatas já tivessem sido consagradas? Vale  dizer: Constatou a concretização dos perigos sublinhados por dom Capelle? Resposta: Mas não, mas não. Jamais! E depois, basta olhar como se desenvolvem os ritos orientais. Lá é a mesma coisa. E seria interessante comparar todas essas coisas».
 
2. Do Canon às Orações Eucarísticas
 
Conseguiu-se fazer pior, no que tange as Orações eucarísticas. Junto ao Canon, reproposto na Oração eucaristica I, mas com variações significativas, que veremos mais adiante, foram postas outras anáforas (quatro, mais duas ditas de reconciliação). Todas esssas orações foram feitas numa mezinha, inclusive a segunda, que do Canon de Hipólito tem, sim, algo, mas não a inspiração. E por qual profundo motivo teológico? Para por fim «a séculos de fixismo»(6)!
 O senhor tem razão quando diz que «a liturgia é um processo vital, não o produto de erudição especialística» (p. 50). Ora, as nove Orações eucarísticas são precisamente o fruto das mãos de uma comissão que, segundo o juízo do Cardeal Antonelli, resumido pelo senhor, era caracterizado pela «incompetência de muitos, por sede de novidade, por discussões apressadas, votações caóticas, contanto que se aprovassem o mais depressa possível» (p. 50).
É sensato, segundo o senhor, dar fim ao Canon (porque de fato o Canon não é mais canon, norma) que recolhe mais de 1500 anos de tradição litúrgica, que, segundo o Concílio tridentino, é « de tal modo puro da todo erro, que não contem nada senão perfume de grandes santidade e piedade e que não deixa de elevar a Deus a mente daqueles que o oferecem»(7), porque nas reuniões do Consilium «havia quem sublinhasse as dificuldades que o atual Canon comportava para a nova época e mentalidade moderna»(8)?
Há um outro ponto a destacar: Bugnini afirmou que nas três Orações eucarísticas acrescentadas, «se evitou, o quanto possível, repetir conceitos, palavras e frases do canon  romano»(9). Mas então, que se exprime naquelas orações eucarísticas? Se o Canon recolhe e exprime a tradição litúrgica sobre o Santo Sacrifício, harmonizando maravilhosamente a impetração, o agradecimento, a súplica, a expiação, que resta nas outras Orações eucarísticas?
 
3. A abominação no lugar santo: a modificação da fórmula da consagração
 
Há um outro aspecto que interessa também à Oração eucarística e que fere diretamente a ação sacrifical da Consagração. Trata-se da modificação da forma da Consagração; também nesse caso, Bugnini agìu de sua cabeça, contrariamente à indicação do Papa, que pediu que não o mudasse o Canon, e que acrescentasse outras duas ou três anáforas, para usar em alguns tempos(10).
In primis, aquela que era chamada Consagração, no novo missal, tornou-se a narração da instituição; e o novo título nos dá, entretanto, a autêntica chave de leitura das modificações da fórmula consacratória. O acréscimo das palavras: «Tomai e comei dele todos» e «Tomai e bebei dele todos», que no Missal de São Pio V são claramente distintas da verdadeira e própria fórmula da Consagração seja pelo ponto final que as segue, como pela diferença dos caracteres tipográficos, permitem considerar a Consagração mais como memorial narrativo do que como verdadeiro e próprio sacrifício tornado presente exatamente por meio da fórmula pronunciada pelo sacerdote.
Também  o «hunc praeclarum calicem» simplesmente tornou-se «o cálice»; mas enquanto que, no primeiro caso, se sublinha a ação in persona Christi, pelo qual aquele cálice da última ceia é esse cálice, no segundo caso, esse sublinhamento é omitido, favorecendo ainda uma vez o estilo narrativo.
O senhor bem sabe como na liturgia cada palavra, usada ou não usada, cada gesto, cada silêncio têm um valor e veiculam uma idéia teológica. Bugnini & C. passaram como um furacão, pondo de cabeça para baixo uma fórmula consacratória que jamais niniguém ousara alterar. Verdadeiramente alguém a havia mudado: os protestantes; e se se vai verificar o texto deles da narração da Ceia, eles têm precisamente o mesmo texto, presente agora no novo Missal. É verdadeiramente incrível a presunção de Bugnini, quando afirma que a fórmula consacratória presente no Canon «é por si mesma gravemente incompleta do ponto de vista da teologia da Missa»(11)!
 Não menos incríveis são as motivações adotadas pela remoção do «mysterium fidei» da fórmula consacratória, antes da  aclamação da assembléia: «não é bíblica; acha-se somente no Canon romano; é de origem e significados  incertos; os próprios peritos discutem sobre o sentido preciso destas palavras. Antes, alguns as entendem no sentido diretamente perigoso, porque a traduzem: sinal para a nossa fé; interrompe a frase e torna dificil o seu sentido e a sua tradução»(12). E em vez aquele «mysterium fidei» posto imediatamente depois da Consagração do vinho, tem um valor enorme, porque afirma que é apenas acontecida a imolação, por meio da dupla Consagração, que é o mistério dos mistérios da nossa santa fé.
Há, depois, o acréscimo das aclamações da assembléia, segundo três diferentes fórmulários. À parte a inoportunidade de inserir nesse ponto uma aclamação, que interrompe a sacralidade do silêncio, ocorre notar que as duas primeiras fórmulas («Anunciamos a tua morte…», e «Toda vez que comermos…») são na verdade muito perigosas, porque deslocam a atenção dos fiéis para a «segunda vinda de Cristo, no final dos tempos, justamente no momento em que Ele está verdadeiramente, realmente e substancialmente presente sobre o altar»(13), quando se fala da «espera da tua vinda». Além do que, a fórmula «Toda vez que comemos…» é de todo inadeguada e nociva ao sentido do sacrifício apenas realizado. De fato, não sublinha que é a Consagração ad «anunciar (no sentido de tornar presente) a tua morte, Senhor», como também o «comer o pão e beber o cálice». Essa aclamação tem um sabor fortemente protestante.
 
4. Ainda modificações
 
A todas essas modificaçoes se acrescentam também a eliminação da quase totalidade dos sinais da cruz feitos pelo celebrante sobre as oblatas, sobre, e com as espécies consagradas, para indicar que as espécies que se tem diante de si são realmente a Vítima da qual se fala. As genuflexões foram reduzidas de seis para duas, e foram tiradas aquelas tão importantes que o sacerdote faz apenas terminadas as palavras da Consagração do pão e do vinho.
Não está mais presente nem mesmo a preservação dos dedos do sacerdote depois da Consagração e a sua purificação no cálice, o que enfraquece ainda mais o sentido da presença substancial de Cristo em cada fragmento eucarístico. Foram omitidas também as precisas e reverentes prescrições no caso em que a Hóstia consagrada venha a cair.
A purificação dos vasos sagrados pode ser adiada. E se poderia continuar dizendo mais ainda. É claro que a nova forma não exprime mais de modo adequado a essência sacrifical da Missa e a presença susstancial de Nosso Senhor. Não dizemos que negue estes aspectos, mas certamente não os significa mais de modo adequado, abrindo assim caminho para o que de fato aconteceu, e que é denunciado pelo senhor mesmo.
 
A glorificação de  Deus
 
E depois da essência da Missa, passemos a considerar as suas finalidadeS, a primeiraa das quais é sem dúvida a glorificação da Santíssima Trindade por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A liturgia tem principal e substancialmente uma dimensão vertical e todo o rito deve exprimir e favorecer essa orientação. No novo missal, a finalidade última da liturgia (e de toda coisa) quase desapareceu.
O Gloria Patri, na antifona ao Introito, foi omitido; o Gloria in excelsis Deo é recitado menos frequentemente; somente a Colletta termina com a fórmula trinitária («Por nosso Senhor Jesus Cristo…»), enquanto as outras orações concluem simplesmente com «Por Cristo Nosso Senhor»; a mesma conclusão foi tirada também depois das três orações que preparam para a Santa Comunião e depois do Libera nos Domine, que segue o Pater noster; a belíssima oração do Ofertório Suscipe, Sancta Trinitas, belíssimo resumo da finalidade do santo Sacrifício foi abolida; o Prefácio da Santíssima Trindade não é mais recitado todas os domingos, mas apenas no dia da solenidade da Santíssima Trindade; foi removido também o Placeat tibi, Sancta Trinitas, no fim da Missa.
 Também nesse caso estamos diante  de uma verdadeira e própria devastação que priva os sacerdotes e os fiéis daquela habitual referência à gloria da Santíssima Trindade, que é o fim da vida e de todas as coisas.
 
A propiciação e a expiação
 
«O aspecto mais evidente dessa reelaboração [das orações, n.d.A.] é a quase total supressão das expressões relativas ao pecado e ao mal (peccata nossa, imminentia pericula, mentis nostrae tenebrae), e das relativas à necessidade de redenção e perdão (puriores, mundati, reparatio nossa, purificatis mentibus)»(14). É a necessária conseqüência do princípio de Bugnini, citado mais acima, de rever aquilo que não é conforme aos tempos modernos. A idéia de sermos pecadores, profundamente devedores para com Deus, merecedores de seus castigos, radicalmente incapazes de reparar, por nós mesmos, o débito contraído por nossos pecados é muito dificilmente aceito pelo homem de sempre, e particularmente pelo moderno. E assim os cortes caem como flocos de neve!
Primeira vítima é a imploração «Deus tu conversus vivificabis nos», nas orações ao pé do altar, seguida das duas orações que o sacerdote recita quando sobe ao altar (Aufer a nobis e Oramus te, Domine), nas quais pede a  Deus que afaste dele as próprias iniquidades e perdoe os próprios pecados.
O Confiteor não é mais recitado pelo sacerdote profundamente inclinado e de pelos fiéis de joelhs, ambas expressões de humildade e de súplica. Com a abolição do Ofertório, desapareceram também as duas súplicas de aceitação da oferta imaculada «pro innumerabilibus peccatis et offensõesbus et negligentiis meis», como também a expressão «tuam deprecantes clementiam». O gesto de estender as mãos sobre a hóstia e o cálice, que indica o gesto do Sumo Sacerdote que carregava com os nossos pecados a vítima que estava para ser imolada, nas Orações eucarísticas do novo Missal, foi associada à invocação do Espírito Santo, desaparecendo assim o significado expiatório do Sacrifício de Cristo.
 Também os ritos apenas precedentes da Santa Comunhão, que ajudam o sacerdote e os fiéis a reavivar disposições interiores de contrição foram sensivelmente modificados. Para ambos, o Domine não sum dignus, além da variação do texto, foi  reduzido de três a somente um, lá onde em vez da repetição, que permite uma sempre maior conscientização da própria indignidade diante de tanto mistério.
 
A sacralidade
 
Também sob esse aspecto teríamos muito a dizer. Baste-nos, nesta carta, tirar alguns alusões ao que o senhor escreve naquele belo primeiro capítulo sobre Sacra e divina liturgia: «O sagrado, na Missa, antiga está presente e se exprime também nos sinais da cruz e nas genuflexões. No silêncio dos fiéis durante a oração eucarística, não gritada, mas pronunciada em voz submissa a querer assim significar também o gesto de submissão e de humilhação da nossa voz, diante de Deus,» (p. 23).
E depois o senhor acrescenta profundas considerações sobre a língua sagrada. O senhor sabe como tudo isso desapareceu. Se há uma reprovação geral que se pode fazer à Missa reformada é que ela quer fazer entender demais. O leitmotiv é que todos devem compreender tudo, e compreender logo. O sacerdote deve sempre falar em voz alta, os fiéis devem falar, as leituras devem ser multiplicadas, a língua deve ser entendida, etc. E há sempre menos espaço para o silêncio e o canto sacro, as duas sumas expressões da oração e da adoração. «Racionalidade na liturgia e nenhuma piedade»(15): era essa a accusação precisa que movia o Cardeal Antonelli. Nada de mais verdadeiro.
 Sobre esso aspecto haveria muitas considerações a fazer, a partir dos paramentos, os vasos sagrados, os edifícios, o canto, a lángua, as atitudes do corpo, etc.
 
O sacerdócio
 
Uma das vítimas privilegiadas da reforma litúrgica é o sacerdócio (e conseqüentemente a identidade dos mesmos sacerdotes e a fidelidade à sua vocação). As anotações precedentemente feitas sobre o deslizamento no sentido narrativo da fórmula de Consagração incidem fortemente sobre a intenção do sacerdote que as pronuncia. Também a causa das carentes indicações rubricais acerca da posição, o tom da voz, etc., o sacerdote é sempre menos conduzido a entender a celebração como actio sacrificalis operata in persona Christi.
 O seu papel de insubstituível e necessário mediador e sacrificador foi depois posto na sombra da reforma litúrgica seja pela remoção de alguns elementos, que bem sublinham a diferença essencial entre o sacerdote e a assembléia dos fiéis, seja pela excessiva e imprecisa insistência sobre o sacerdócio comum.
Pelo que se refere ao primeiro aspecto -  o único que examinaremos – veja-se o que se verificou com o ato penitencial. O Confiteor, onde não foi substituído por formulários alternativos, é recitado em comum pelo sacerdote e pelos fiéis, sem nenhuma distinção; o sacerdote, de Pater, torna-se um dos fratres. Ademais, foi omitida a fórmula de absolvição, ato exclusivamente sacerdotal, que também os protestantes tiraram da sua Missa reformada.
Também nas novas Orações eucarísticas não se afirma mais a distinção entre o sacrifício oferecido pelo sacerdote a quem se associam os fiéis («pro quibus tibi offerimus vel qui tibi offerunt»), mas genericamente se diz «a ti ofertamo», ou então na Oração eucaristica III se fala de «um povo que de um confim a outro da terra ofereça ao teu nome um sacrifício perfeito».
 A fórmula da Comunhão do sacerdote tornou-se menos específica e é unida à dos fiéis. De duas orações, passou-se a uma só; o sacerdote, depois, junto com os fiéis recita uma só vez «O Senhor, não sou digno» (por brevidade omitimos a modificação da fórmula) e portanto se comunga apenas com as  fórmulas «O Corpo [vel Sangue] de Cristo me guarde para a vida eterna», depois se administra logo a comunhão aos fiéis. De tal modo se distingue sempre menos o fato de que a comunhão do Sacerdote é necessária para o cumprimento do Sacrifício, enquanto a dos fiéis, certamente importante, não é essencial. Na nova impostação, a comunhão do sacerdote é simplesmente antes daquela dos fiéis, enquanto deveria resultar como parte estrutural e conclusiva do Sacrifício, pois que é a consumação da Vítima divina.
 
A forma da re-forma
 
À luz de todas essas e outras modificações (como a supressão da Igreja triunfante, o biblicismo do atual Lecionário, etc.) não se nos pode eximir de perguntar-se que restou da doutrina Católica sobre o Santo Sacrifício da Missa.
Fica-se ainda mais estupefatos, quando se confronta o Novus Ordo com as modificações das liturgias protestantes e jansenistas. Diante da realidade dos fatos, não podemos seguir a sua indicação pela qual «a reforma litúrgica não deve ser Missa duvidosa…» (p. 68). Ao contrário, é obrigatório para custódia do tesouro mais precioso que Nosso Senhor nos deixou, para a conservação do Sacerdócio católico, e, enfm, para a salvaguarda e incremento da fé e piedade dos fiéis, que se tenha a coragem de rever uma reforma que demonstra estar falida.
O senhor afirmou um pouco eufemisticamente: «Se não se pode dizer que a reforma litúrgica não  decolou, de certo ela voou baixo. Pois restam sombras a dissipar sobre como ela foi feita. Foi-se além das intenções do Concílio? Por isso, faça-se trégua na batalha: agora o usus antiquor da Missa voltou a modo de espelho ao lado do novo. Se algumas novas formas rituais pareceram uma concessão ao espírito do mundo, um pacato aprofundamento e uma revisão ou restituição das antigas poderá afastar todo temor» (p. 59).
 Se é verdadeiramente assim, se foi preciso fazer retornar a Missa tridentina para que a nova pudesse reencontrar a sua identidade, isto significa simplesmente que a reforma fracassou. Não foi re-forma no sentido dado pelo senhor e por nós aprovado, mas foi a instituição de uma nova forma para a Missa, uma forma que constitui «um impressionante afastamento da teologia Católica da Santa Missa»(16).
Jamais aconteceu na história da liturgia que um Missal reformado tivesse que ser restaurado com base no precedente, para poder recuperar o autêntico espírito litúrgico.
 Nós celebramos com o Missal do 1962, e se bem que tenhamos em suma estima as edições precedentes, não precisamos referir-nos a essas como a um «espelho ao lado do novo», porque o Missal do 1962 conservou o mesmo espírito – e também a letra – dos precedentes.
Com tudo isso não queremos afirmar que seja herege quem celebra segundo o novo rito; mas o que é claro é que ele favorece um espírito e uma piedade que não são autenticamente católicas. Pouco a pouco, nele se absorve uma mentalidade que não é mais Católica. E se pode ser possível que quem celebra a Missa segundo o Novus Ordo ou a assiste consiga conservar um espírito católico, é porém realístico admitir que isso acontece não graças àquela Missa, mas apesar dela.  Noutros têrmos, se também a fé Católica pode ser mantida no íntimo, o rito litúrgico não é mais a expressão externa dele. É um tanto como quando se entra nas novas igrejas de péssima arquitetura: teoricamente nelas se pode rezar, mas é bom fechar os olhos… Não há nada nessas igrejas que ajude a alma a elevar a mente a recolher-se, o coração a aquecer-se com o fogo sobrenatural.
 Por esse motivo, não podemos estar de accordo com o senhor quando afirma que «quem celebra segundo o uso antigo deve evitar de deslegitimar o outro uso, e vice versa.  Portanto, não é admitido uma recusa de celebrar o novo rito por partido tomado, não seria sinal de comunhão recusar-se, por exemplo, concelebrar com um Bispo que quisesse fazê-lo segundo o novo missal…» (p. 64).
Não possumus!
Na verdade é impossível conjugar essa reforma com a tradição; e sublinhamos ainda o demonstrativo, porque não é o desenvolvimento histórico que negamos, não é a sabedoria do et-et católico naquela maravilhosa síntese entre «renovação e tradição, inovação e continuidade, atenção à história e consciência do Eterno…» (p. 10), colocado à luz por Vittorio Messori no Prefácio. Não é isso.
Não é talvez verdadeiro que o Patrono da nossa Fraternidade, isto é, São Pio X, tenha sido um dos maiores reformadores (também na âmbito litúrgico) da história da Igreja?
O que nós não podemos aceitar é que esse et-et seja dado hegelianamente, como síntese de contraditórios, numa identidade entre o real e o racional.
 «Salvare os fenomeni»! Era isso, segundo a profunda leitura de Taylor(17),  o imperativo da filosofia de Hegel: salvar racionalmente a história e os seus momentos, afirmando idealisticamente que cada um desses momentos é uma etapa de um estágio posterior. E assim Hegel perde a essência das coisas, perde o critério de verdade ou de falsidade.
«Salvar a reforma» parece ser o mote daquele novo movimento litúrgico que o senhor auspicia no último capítulo. Mas não se tinha dito para confrontar-se sobre liturgia «sem nenhum preconceito»?
 
Rev.do Dom Bux, tiremos as conclusões desta longa carta, antes de tudo como um convite à esperança. Para o senhor e para nós. Não é impossível sair desta situação, e talvez sobre isso o senhor estará de acordo conosco: Nosso Senhor não abandona jamais quem busca a  Sua glória e o bem das almas. Mas talvez Ele não estará na nossa mesma linha de onda, quando lhe confessamos que estamos certos que o retorno ao sacro não se farà procurando por juntos o Vetus e o Novus Ordo. Humanamente, pode parecer a única via percorrível para não provocar rupturas, para escândalo da fé de tantos crentes já largamente provada. Mas não é assim.
A situação litúrgica na França do século XVIII e início do século XIX não era menos dramática que a nossa. A anarquia litúrgica estava na ordem do dia e se difundiam ritos “do it yourself” – faça-o você mesmo– , com o fim mais do que nobre de reencontrar o autêntico espírito litúrgico.
Dom Prosper Guéranger, o grande abade de Solesmes, depois de ter estudado a incrível situação daquele momento, assim concluiu: «Tal era portanto a perturbação de idéias no século XVIII que vi prelados combater os hereges e ao mesmo tempo, por um zelo inexplicável, atacar a tradição nas sagradas orações do missal; confessar que a Igreja tem uma voz própria, e fazer calar essa voz para dar a palavra a qualquer doutor sem autoridade. Tal foi a insípida insolência dos novos liturgistas, que não se propunham nada menos, e confessavam isso, senão reconduzir a Igreja de seu tempo ao verdadeiro espírito de oração;  purificar a Liturgia dos elementos pouco puros, pouco exatos, pouco comedidos, chãos, difíceis de compreender corretamente, que a Igreja, nos piedosos movimentos de sua inspiração, tinha infelizmente produzido e adotado. Pelo mais justo de todos os juízos, tal era a barbarie dentro da qual tinham caído os franceses face ao culto divino, tendo sido destruída a harmonia litúrgica, que a música, a pintura, a escultura, a arquitetura, que são as artes tributárias da Liturgia, a seguiram numa decadência que não fez outra coisa do que crescer nos anos»(18).
Tal era portanto a situação, que tem uma semelhança impressionante com a nossa.
E como se saiu dessa situação?
Com o  rito romano de sempre, puro e simples.
O senhor pede uma “trégua” sobre a liturgia agora que o Rito tradicional “voltou para casa”; todavia mesmo acolhendo sua intenção, parece-nos que sobre essa hipotética trégua pesa oficialmente justamente um daqueles preconceitos que o senhor convida a evitar: o de fazer sofrer o Missal de 1962 condições de inferioridade com relação ao missal de Paulo VI. Fazemos-lhe notar que, enquanto hoje se fala de forma “ordinária” e “extraordinária”, até Mons. Gamber, há muitos anos já, no livro já citado (que pode gozar da prefaciação de quatro ilustres prelados: Mons. Nyssen, os Cardeais Stickler e Oddi e o então Cardeal Ratzinger) propunham uma trégua em têrmos diversos (e em certo sentido oposto) aos seus: «A forma da Missa atualmente em vigor não poderá mais passar por rito romano no sentido estrito, mas por um rito particular ad experimentum. Só o futuro mostrará se esse novo rito poderá um dia impor-se de modo geral e por um longo período. Pode-se supor que os novos livros litúrgicos não permanecerão por muito tempo em uso, porque os elementos progressistas da Igreja no interim certamente desenvolverão novas concepções com relação à organização da celebração da Missa»(19).
Em todo caso, permanecemos profundamente convencidos que o Rito tridentino, com a fundamentação doutrinal sobre a qual ele se baseia, que exprime e que veicula, não possa senão  evidenciar a substancial incompatibilidade com o rito de Paulo VI com a doutrina Católica. Consideramos que os dois ritos podem coexistir somente se não se colhe deles o oposto valor doutrinal, ou então se nos basearmos sobre uma filosofia que conjuga os contraditórios; uma liturgia, com efeito, pressupõe sempre, através e além dos sinais que utiliza, uma precisa dimensão doutrinal e espiritual que não pode ser de nenhum modo dissociada do próprio rito. Celebrar de um modo, acreditando em algo diferente, não é normal, e, em última análise, não seria nem mesmo honesto.
Ilustremos a coisa com um exemplo simples e ao alcande de todos. Como pode um mesmo sacerdote oferecer sobre o mesmo altar “A Vittima Imaculada” e o “pão fruto da terra e do ltrabalho do homem”, acreditando, e fazendo crer, que as duas expressões se equivalem?  Como pode a mesma instituição fazer seus, dois sinais tão manifestamente opostos, iludindo-se de explicar um por meio do outro, sem perder posteriormente a própria identidade e sem aumentar posteriormente a confusão dos simples? Que haveria de comum entre essa nova linguagem litúrgica e o sìm, sìm-não, não evangélico?
Não há para nós nenhuma dúvida que quem quer que se aproxime sem preconceitos do Missal romano tradicional possa repetir a experiência que teve Dom Guéranger, quando pela primeira vez, como simples padre, se aproximou acidentalmente do rito romano, ele que daquele rito, até então, era totalmente o contrário e não simpatizante: «Apesar de minha pouca simpatia pela liturgia romana, que aliás nunca tinha estudado seriamente, senti-me imediatamente  penetrado pela grandeza e pela majestade do estilo empregado nesse missal. O uso da Sagrada Escritura, tão grave e tão pleno de autoridade, o perfume de antiguidade que emana desse livro, os seus caracteres vermelhos e negros, tudo isso me arrastava a compreender que eu estava descobrindo dentro desse missal a obra ainda viva dessa antiguidade eclesiástica pela qual eu estava apaixonado. O tom dos missais modernos me pareceu então desprovido de autoridade e de unção, advertindo a obra de um século e de um país e ao mesmo tempo de um trabalho pessoal»(20).
É a experiência que lhe desejamos de todo coração para o senhor e para todos os confrades do mundo!
Com estima.
 
 
Notas (1) Carta a Paulo VI dos Cardiais Ottaviani e Bacci, 1.

(2) A entrevista, publicada na língua francesa do Courrier de Rome de Junho de 2004, é integralmente consultável no site www.unavox.it.
(3) K. Gamber, A Réforme liturgique en question, 1992, p.42.
(4) Pio XII, Mediator Dos, 20 novembre 1947.
(5) M. Barba, A reforma conciliar dell’«Ordo Missae», Roma, 2002, p. 214.
(6) A Bugnini, A reforma litúrgica (1948-1975), Roma, 1997, p. 443.
(7) Concilio de Trento, Sessião XXIII, 17 settembre 1562, Decreto e canoni sobre Missa, c. IV:
(8) M. Barba, A reforma conciliar …, cit., p. 137.
(9) A Bugnini, A reforma litúrgica…, cit., p. 446.
(10) Cfr. ibid., p. 444.
(11) ibid., p. 448.
(12) ibid.., pp. 448-449.
(13) Breve esame critico do Novus Ordo Missae, As fórmulas consacratorie.
(14) L. Bianchi, Liturgia. Memoria o istruzões per l’uso?, Milano, 2002, p. 59.
(15) N. Giampietro, O Card. Ferdinando Antãolli e os sviluppi da reforma litúrgica dal 1948 ao 1970,
Roma, 1988, p. 234.
(16) Carta a Paulo VI dos Cardinali Ottaviani e Bacci, 1.
(17) Cfr. C. Taylor, Hegel, Cambridge , 1975, p. 494.
(18) P. Guéranger, Institution liturgique, t. II, c.. XX, pp. 393-394..
(19) K. Gamber, A Réforme liturgique…, cit., p.76.
(20) P. Guéranger, Mémoires autobiographiques (1805-1833), Solesmes, 2005, p. 81
 
[Tradução: Montfort. Texto original em italiano em Unavox]
 

quarta-feira, março 25th, 2009 at 11:30pm

A maçonaria e modernistas em guerra contra Bento XVI

Por Orlando Fedeli, Montfort.org.br

Sedevacantistas fazem o mesmo 

Os pronunciamentos do Papa Bento XVI em sua recente viagem à África provocaram extrema irritação  nos inimigos de Deus e da Santa Igreja.(Conferir abaixo os documentos do Grande Oriente e do site Golias contra Bento XVI).
Deus seja louvado por isso.
Triste – apocalíptico e catastrófico – é ver um Papa elogiado pela Maçonaria.
Com efeito, ainda no avião, em viagem para a África o Papa Bento XVI corajosamente desafiou a Modernidade e atacou o preservativo, defendendo a continência sexual e o matrimônio monogâmico como únicos meios de combate sério à Aids.
Depois, Bento XVI atacou o aborto chamado terapêutico, o que foi visto como um apoio implícito ao Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, por ter declarado que, segundo o Código de Direito Canonico, os médcos e a mãe de uma menina em que foi exceutado um duplo aborto, haviam incorrido na excomunhão latae sententiae.
Na África ainda, Bento XVI exortou os missionários católicos a pregarem Cristo, condenando o curandeirismo e a feitiçaria. O que doeu profundamente nos defensosres do ecumenismo do Vaticano II.
Finalmente, o Papa afirmou que os sacerdotes deveriam marcar sua presença na sociedade pelo uso da batina.
Evidentemente, tudo isso demonstrou como o Papa Bento XVI quer fazer os cegos verem, os surdos ouvirem e os missionários mudos falarem. E falarem revestidos do habito talar.
Tudo isso, vai frontalmente contra a mentalidade e as teses do Vaticano II. Vai contra a Igreja Nova nascida dos textos do Vaticano II.
Diante disso, o Grande Oriente de França, que já tem atacado explicitamente Bento XVI, veio de novo a público, ele que é secreto, declarar guerra a Bento XVI e aos católicos fiéis, em nome da… tolerância.
Em nome da tolerância, a Maçonaria não tolera o catolicismo e o Papa.
E é ela quem organiza mundialmnete a campanha de imprensa contra Bento XVI, preparando uma futura revolta e cisma modernistas.
O Grande Oriente – a Maçonaria – condena Bento XVI por ter atacado o preservativo, assim como pelo levantamento da excomunhão dos quatro Bispos da FSSPX.
E, perguntará algum ingênuo leitor, o tem que ver a Maçonaria com o levantamento da excomunhão dos Bispos de Dom Lefebvre?
Tem que ver com tudo, e profundamente, porque levantar a excomunhão dos Bispos de Dom Lefebvre significa que é lícito criticar o Vaticano II, Concílio que a Maçonaria aplaudiu, pois fez o que ela queria: o ecumenismo e a liberdade de religião e de consciencia, além da democratização da Igreja através da colegialidade.
Por sua vez, os Modernistas uivaram de ódio no site Golias,  critiando o integrismo já sem freio de Bento XVI.
Segundo eles “Nada mais detem Bento XVI”, que brande diariamente o “cetro do Apocalipse”.
Os modernistas de Golias—expressador da heresia do “espírito do Concílio”-, qualificam as palavras do Papa de “criminosas” e “monstruosas”.
E como é agradável constatar que, depois de quarenta anos do Vaticano II a Maçonaria volta a atacar com fúria—e fúria inaudita—um Papa.
Bem aventurado Papa Bento XVI,  odiado pelos inimigos de Deus e da Santa Igreja!
Como esse tom difere do que disse a Maçonaria por ocasião da morte de João XXIII, e da morte e enterro de Paulo VI:
 “Na [morte] de João XXIII, o Dr. G. Gamberini, Grão Mestre do Grande Oriente da Itália – [e, acrescento eu, Bispo da Igreja Gnóstica] – distribuiu a nota seguinte:
Sucede quase sempre, que um papa deixe profundas lamentações no âmbito de sua Igreja, mas, certamente, é a primeira vez que um papa morre circundado pela simpatia e pelo afeto de toda a humanidade. Desaparece, como todos sentem, um homem bom. Juntamente com esse homem bom desaparece o mais límpido, e ao mesmo tempo, o mais genial e eficaz defensor da Igreja. Consagrara-se à sobrevivência da Igreja, e a esta sobrevivência estava pronto a sacrificar todo outro valor tradicionalmente a ela associado  [e foi o que João XXIII e Paulo VI fizeram no Vaticano II]. A sua morte é um grande mal para a Igreja. Mas desaparece, também, um homem que se prometia tapar, em virtude de um autêntico sentimento cristão, o abismo escavado pela Igreja, antes dele, entre si mesma e a civilização moderna. E a sua morte é um grande mal para todos“. (Dr G. Gamberini citado por  J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Maçonaria e Igreja Católica , editora Paulus , São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998, pp. 100-101. Os destaques são meus).
O mesmo maçom Gamberini, “Bispo” da Igreja Gnóstica, elogiou também o Papa Paulo VI, por ocasião de sua morte, dizendo:
“(…) Nenhum dos seus predecessores foi tão difamado como ele. Talvez, porque, no seu tempo, a arte de difamar não conseguira as presentes garantias de impunidade. Mas, sem dúvida, a ele e não aos seus predecessores coube a sorte de tomar conhecimento da incumbência da ameaça final para a sua Igreja como para todas as religiões, como para toda espiritualidade. E teve de bater-se e procurou fazê-lo em mais de uma frente, com mais de uma tática. Para os outros, a morte de um Papa é um acontecimento proverbialmente raro, mas que acontece, não obstante com a freqüência de anos e de decênios. Para nós é a morte de quem fez cair a condenação de Clemente XIV e de seus sucessores. Ou seja, é a primeira vez — na História da Maçonaria moderna — que morre o chefe da maior religião ocidental, não em estado de hostilidade com os maçons. E pela primeira vez na História os maçons podem prestar homenagem ao túmulo de um Papa, sem ambigüidades nem contradições. (Dr G. Gamberini citado por  J.A.E. Benimeli, G. Caprile e V.Alberton, Maçonaria e Igreja Católica , editora Paulus, São Paulo, 1981. Cito a Quarta edição brasileira, que é de 1998, pp. 101-102. Os destaques são meus).
Graças a Deus temos agora um Papa que é odiado pela Maçonaria e pelos modernistas. E que os sede vacantistas consideram herege e falso Papa.
A quem ajudam os sede vacantistas?.
São Paulo, na festa da Anunciação de Nossa Senhora, 25 de Março de 2009,
Orlando Fedeli

As palavras pronunciadas pelo Papa Bento XVI contra o uso do preservativo como meio de prevenção da AIDS

http://www.godf.org/communiques.asp
19 de Março de 2009 – 01:00
As Obediências maçônicas signatárias fazem questão de exprimir sua estupefação e sua indignação diante das palavras irresponsáveis tidas pelo Papa Bento XVI contra o uso do preservativo como meio de prevenção da AIDS.
No momento de seu primeiro delocamento na África, Bento XVI não pode ignorar as devastações particularmente dramáticas que essa doença traz exatamente para os povos desse continente, em particular para as crianças, e que são sistematicamente sublinhadas pela l’O.M.S., l’O.N.U-IDS e todas as O.N.G. competentes nesse assunto.
Essas palavras escandalosas se inscrevem num contexto preocupante quanto ao estado de espírito atual da alta hierarquia vaticana depois de uma série de tomadas de posição particularemente infelizes  sobre a reintegração de um Bispo integrista negacionista e a excomunhão pronunciada contre uma criança violentada, sua família e os médicos que provavelmente salvaram sua vida.
Negar a esse ponto as evidências científicas em nome da doutrina da Igreja torna-se insuportável quando a consequência é a colocação em perigo da vida de outrem e as Obediências signatáirias associam-se aos protestos emitidos pelo Governo da República francesa a esse respeito.
Diante dessa atitude obscurantista, os Franco Maçons e os Franco Maçons dass Obediênciass signatáirias lembram uma vez mais seu apego intocável ao princípio de laïcidade assegurando a plena liberdade de consciência para todos os cidadãos.
Paris,  19 de Março de 2009
Grande Oriente de França
Grande Loge Feminina da  França
Federação Francesa de Direito Humano.

Viagem do Papa na : as déclarações de Bento XVI em Angola

Aborto terapêutico : o exagero integrista do Papa
 Christian Terras, Golias
Em um incrível zelo intransigente, que doravante parece não ter mais nenhum freio, o Papa Bento XVI intensifica os escândalos que suscita, e que são semanais, senão quotidianos, nestes últimos tempos. Depois do tollé suscitado Terça Feira dia 17 de Março pelas incr;ieis declarações pontifícias, premeditadas com cuidado, relativas au preservativo (ver artigos mais acima), o Papa Ratzinger ataca agora o aborto terapêutico quando de um discurso feito por ele  na Sexta Feira 20 de Março no palácio da presidência angolana, em Luanda.
Nada mais detem Bento XVI.
Segundo ele, qui brande o cetro do Apocalipse, trata-se de uma ameaça contra os “próprios fundamentos” da sociedade. Para o Papa: “Como é amarga a ironia dos que promovem o aborto ao nível dos cuidados da saúde das “mães” ! Como é desconcertante a tese dos que pretendem que a supressão da vida seria uma questão de saúde reprodutiva”, prosseguiu ele, fazendo específica referência ao Protocolo de Maputo.
É preciso saber que esse documento adotado pela União africana (UA) em 2003 é relativo aos direitos das mulheres na África e completa a Carta africana. Seu artigo 14 apela aos governos para que autorizem o “aborto médico, em caso de agressão sexual, de violação, de incesto e quando a gravidez p~e em perigo a saúde mental e física da mãe ou a vida da mãe ou do feto”.
A excomunhão de Recife foi implicitamenta aprovada. É a primeira vez (mas sem dúvida não a última) desde sua eleição em 2005 que Bento XVI se opõe tão espcificamente ao aborto terapêutico, ponto sensível sobre o qual em geral as autoridades católicas se mostravam mais prudentes, senão, tolerantes. Por isso mesmo, ele dá prova de uma lamentável e doravante recorrente falta de humanidade parecendo não medir o peso pessoal mais que pesado e destruidor de uma violentação para uma mulher.
Enfim, há algo de incrível e de revoltante em recusar a interrupção da gravidez para salvar uma mãe, tanto mais que muito frequentemente, não intervindo, é a vida da mãe como a da criança que parece mais que comprometida. A consciência moral da humanidade entretanto estabelece há muitos lustros a diferença ética evidente entre um aborto por “conforto” se se pode dizer (injustamente aliás, porque ele é sempre uma provação para a mulher) e uma interrupção de gravidez baseada em razões médicas imperativas.
É certo que o Papa pensa assim apoiar indiretamente, sem citá-lo, mas todo o mundocompreendeu, a intransigência revoltante de Arcebispo de Recife que excomungou uma mãe cuja filha, uma criança de nove anos em perigo de morte, recorreu com razão à interrupção de gravidez, coseqúência de uma violentação. (Cf. Golias Hebdo n°72)
Nós qualificamos as palavras de Joseph Ratzinger sobre a Aids de “criminosas”. Concernente suas palavras sobre o aborto terapêutico, será preciso doravante chamá-las de « monstruosas ».

quarta-feira, março 18th, 2009 at 11:49pm

A Colegialidade combate o papado

Por Orlando Fedeli, Montfort.org.br

Um dos pontos que causou maior divisão nos debates do Vaticano II foi o da Colegialidade. Com razão de sobra a minoria dos Bispos, fiéis à doutrina de sempre, se opôs à tese da Colegialidade tal como foi exposta na Lumen gentium: o supremo poder na Igreja teria sido dado por Cristo ao Colégio Apostólico e não somente a Pedro.
Esse gravíssimo erro contra a Fé fora exposto por Justinus Febronius (Johann Nikolaus von Hontheim) em livro dedicado a Clemente XIII. Seus erros foram condenados especialmente por Pio VI, no Breve “SUPER SOLITATE PETRÆ”, de  28 de Novembro de 1786.
A Colegialidade foi aprovada no Vaticano II, porque a minoria fiel se deixou embair por uma Nota Prévia, posta incrivelmente no final do documento, NOTA à qual jamais se deu importância e nem jamais se levou em conta.
Pudera ! Uma NOTA PRÉVIA acrescentada no final de um documento…
O resulatdo é que a Colegialidade foi posta em prática na Igreja, nivelando os Bispos ao Papa; nas dioceses, nivelando o Bispo aos Padres; e enfim, nas paróquias, nivelando Padres e leigos. Desse modo, o Vaticano II atendeu à exigencia da Maçonaria – dos Homens de Boa Vontade—de democratizar a Igreja.
Hoje, a Colegialidade é o meio a que recorrem os Bispos para não obedecerem ao  que ordena o Papa Bento XVI.
João Paulo II mandou colocar confessionários na igrejas. Praticamente ninguém o obedeceu.
Bento XVI mandou trocar, na Consagração do vinho, o “por todos” pela tradução correta — “por muitos”–, exatamente como Jesus disse na fórmula da consagração do vinho. Ninguém atendeu à ordem de Bento XVI.
O Papa, por meio do Motu Proprio Summorum Pontificum, mandou liberar a celebração da Missa de sempre, qualquer padre podendo rezá-la sem precisar pedir permissão aos Bispos.
Os Bispos se opõem teimosamente a obedecer a essa ordem do Papa, exigindo condições que o Papa não colocou, como  a de que os que pedem a Missa de sempre deveriam saber latim. É o que insistem em dizer, no Brasil, entre outros, o Arcebispo de Ribeirão Preto, Dom Joviano, que preside a Comissão de Liturgia da CNBB;  Dom Bruno Gamberini, Arcebispo de Campinas;  e Dom Vilson Dias de Oliveira, Bispo de Limeira, que até Missa afro celebrou. (Será que ele conhece o Yoruba? ). E Dom Vilson alegou que age assim porque o Núncio Apostólico no Brasil o aconselhou a fazer isso…
Será verdade?…
Isso comprometeria gravemente o próprio Núncio Apostólico.
Bento XVI criou o Instituto do Bom Pastor com o direito de celebrar exclusivamente a Missa  de sempre. Os Bispos, especialemnete os da França, oposuseram-se duramente ao IBP.
Uma furiosa tempestade foi montada, aproveitando as desastrosas e absurdas declarações de Dom Williamson, para sabotar o perdão concedido aos Bispso de Dom Lefebvre. E quanto mais um Bispo se mostra ecumênico para com os piores hereges, mais radicalmente ele se oporá à FSSPX e ao Papa que dela se aproximou.
Mais recentemente, Bento XVI “ousou” nomear um sacerdote anti modernista como Bispo auxiliar de Linz, na Áustria. Nova tempestade foi desencadeada pelos Bispos da Áustria liderados pelo Cardeal de Viena. A oposição foi tal que o padre colocou sua nomeação episcopal nas mãos do Papa. E essa nomeação infelizmente foi revogada. Só pode ser nomeado Bispo quem as Conferênias Episcopais e sua claque  aprovarem. Quem agora nomeia, então, os Bispos é o Papa… desde que sua escolha agrade os modernistas.
Neste ano, a Maçonaria comemora internacionalmente o centenário do evolucionista Darwin, cujas terorias foram já completamente desbaratadas — ou desmacacadas — pela ciência. Por incrível que pareça, Cardeais da Cúria organizaram um Congresso Internacional no Vaticano para discutir  a teoria darwinista e tentar provar que ela é “harmônica” com a doutrina da Igreja, tal como a expõem os gnósticos modernistas, seguidores do herege Teilhard de Chardin, o falsificador do fóssil de Piltdown e do Sinantropus Pekinensis,
Pasmem! Esse Congresso, realizado no Vaticano, teve o apoio inclusive financeiro da Fundação Templeton, bem conhecida como maçônica.
E nesse Congresso, dirigido pelo Cardeal Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, quando um cientista quis defender o criacionismo, teve arrancado o fio de seu microfone, para que não fosse ouvido.
Quem manda então no Vaticano?  A que voz obedece o Cardeal Levada ?
…Não à do Papa Bento XVI.
Neste dias, Dom José Cardoso Sobrinho, o valente e digno Arcebispo de Olinda e Recife, declarou excomungados os que patrocinaram e fizeram diretamente um aborto de duas crianças. Dom José Cardoso apenas afirmou a doutrina católica contra o aborto, e aplicou o que está decretado no Código de Direito Canônico.
De novo a Mídia “teológica”, os hereges modernistas de todos o graus e condições, levantaram uma absurda onda de condenação do Arcebispo que agiu catolicamente.
Quatro Bispos franceses se manifestaram contra o Arcebispo de Olinda e Recife por ter sido ele fiel à doutrina e à Moral católicas, assim como ao que tem dito reiteradamente o Papa Bento XVI, determinando que o aborto é crime punido com excomunhão latae setentiae, isto é automática, no próprio ato do crime cometido.
 E ai veio o pior:
“Numa tribuna publicada domingo, 15 de Março, pelo “L’Osservatore romano”, o quotidiano do Vaticano, o presidente da Pontifícia Academia pela Vida critica a decisão de excomungar as pessoas envolvidas no caso da menininha que abortou no Brasil, e lhe assegura a proximidade e a misericórdia da Igreja”
Monsenhor Fisichella – Rino para os íntimos – escreveu um artigo em que se derrama sentimentalmente com relação à “bambina” que abortou dois gêmeos, e critica o Arcebispo de Olinda e Recife pela declaração de excomunhão que ele lançou contra os médicos abortistas e contra a mãe da menina que consentiu nesse duplo assassinato por aborto.
Graças a Deus, a Cúria de Olinda e Recife lançou um documento desmontando o que demagogicamente escrevera esse Monsenhor Fisichella, que melhor ficaria como Presidente da Anti Pontifícia e Herodiana  Academia pela Morte dos Inocentes.
Mas que um Bispo da Cúria Romana se atreva a escrever um artigo no Osservatore Romano, jornal oficioso do Papa, criticando um Arcebispo fiel ao Papa, à doutrina e à moral católicas é um escândalo inaudito.
Quem manda no Vaticano? Quem tem o poder das chaves ? Será o Colégio dos Bispos modernistas?
Esse é o fruto da Colegialidade do Vaticano II: a revolta descarada contra o que o Papa manda e ensina.
A Colegialidade está em duelo aberto e público contra o Papado. Febronius entrou na Cúria.
Ou o Papa demite esses modernistas dos postos em que estão entrincheirados na Cúria, ou Bento XVI fica prisioneiro inerme desses hereges. É o papado que está em jogo. É a Igreja que está sendo humilhada em Bento XVI.
Da árvore má do Vaticano II nasceu a Colegialidade como fruto antipapal.
E esse fruto está produzindo os escandalosos miasmas atuais. Os Bispos modernistas estão matando juridicamente o Papa Bento XVI. Estão lhe tirando as chaves de São Pedro das mãos. O que é pior que matar fisicamente o papa.
E quem fica então com as chaves  do papado?
Certamente não são só fisichelas, nem só os kaspers e os res. Quem parece decidir é… la voce del Padrone dos hereges modernistas “grandes defensores do Vaticano II” e de sua Colegialidade.
Contra “il Padrone” dos fisichelas , levadas e res,  bradamos: Viva o Papa Bento XVI!.
Nossa Senhora, Medianera de todas as graças lhe dará a vitória .
Porque a Igreja é imperecível.
São Paulo, 18 de Março de 2009.
             Orlando Fedeli

domingo, março 8th, 2009 at 12:00pm

A Montfort apóia o Arcebispo de Olinda e Recife Dom José Cardoso Sobrinho

 
 
O Arcebispo de Olinda e Recife acaba de, muito justamente, excomungar os fautores de um duplo assassinato de nascituros.
O aborto é crime hediondo que executa inocentes indefesos. É homícidio que a lei da Igreja, seguindo a lei natural, pune com a pena de excomunhão automática, denominada de excommunicatio latae setentiae. Isto significa que os executantes e promotores diretos do aborto estão ipso fato excomungados, no próprio ato de seu crime.
O Arcebispo de Olinda e Recife somente confirmou o fato de que a lei da Igreja havia sido aplicada automaticamente aos executores e mandatários desse aborto, confirmando por seu decreto a excomunhão já ocorrida.
A imprensa escrita, falada e televisada – sempre obediente à “la Voce del Padrone” – à voz de quem a comanda internacionalmente, apressou-se a estigmatizar o ato do corajoso Arcebispo. Essa mesma mídia que é sempre tão leniente em favor de todos os crimes que assolam o mundo.
O que está sendo cometido e aprovado no Brasil pelo Governo petista e pela mídia é a pena de morte de inocentes que ainda não nasceram. Mas, o criminoso — o gerador por estupro de sua própria filha — esse só está preso, à espera de um futuro bem possível habeas corpus, ou de uma declaração de inocência por motivo de doença mental, quando ele sim merecia a pena de morte. O criminoso mundo atual tem dificuldade em condenar crimes que facilmente e frequentemente classifica como resultado de distúrbios psíquicos.
Enquanto isso, imprensa, Lula, Dr. Temporão e jornalistas bem obedientes e subservientes a LA VOCE DEL PADRONE da mídia atacam o mui digno e justo Arcebispo de Olinda e Recife, em nome da lei brasileira e da defesa da vida da mãe das crianças mortas. Como os membros do PT são ciosos pela defesa da vida, eles que não titubeiam em financiar as invasões do MST das quais resultam roubos, extorsões e mesmo mortes.
Colocar a lei positiva do estado acima da lei natural expressa pela lei de Deus é o que fizeram Hitler e os nazistas ao aprovarem a genocida lei da Shoá.
Lula e o ministro Temporão defendem o aborto sob pretexto de que a lei brasileira o permitiria. A lei brasileira não está acima da lei de Deus. Quem defendia que a lei do país estava acima da lei de Deus foi Hitler.
Bem excomungados foram os que permitiram e fizeram o aborto. Resta perguntar se os que o defendem ficaram livres da excomunhão ipso fato.
Graças a Deus, a Santa Sé deu apoio a Dom José Cardoso Sobrinho, que Deus recompense por sua fidelidade à lei de Deus e da Igreja. Sem medo da tirania da Mídia, sem medo do PT, sem medo de Temporão e de Lula, eles que são os principais responsáveis diante de Deus por esse aborto.
 
  
UMA SHOÁH ABORTISTA AMEAÇA O BRASIL
 
 
 
Não há quem aprove a Shoáh nazista contra os judeus. Ela foi bem designada pelos judeus como sendo um holocausto — uma shoáh –, e qualquer pessoa de bom senso veementemente condena o criminoso genocídio dos judeus ordenado por Hitler.
Todos os que aprovaram o genocídio da Shoáh são condenáveis, inclusive a Mídia nazista que o defendia com o argumento que a maioria do povo alemão elegera Hitler, como a maioria elegeu Lula.
Que a maioria do povo alemão aprovava o nazismo e sua lei genocida é verdade histórica. Hitler subiu democraticamente ao poder. E democraticamente obteve o poder total com a suspensão da Constituição pela qual se elegera. Assim foi a Democracia majoritária, que julga que o poder vem do povo, foi ela que gerou Hitler e depois o genocídio da Shoáh.
Agora, o ministro Temporão e Lula alegam que têm a maioria consigo – o que no caso do aborto é uma deslavada mentira – e que a lei brasileira permite o aborto em certos casos. Alegam a lei positiva para defender o assassinato cruel de dois nascituros. Usam a lei positiva para aprovar que sejam assassinados dois seres humanos inocentes. Lula, Temporão e o PT se colocam acima da lei de Deus.
Julgam-se donos de todo poder. Hoje, a lei positiva permite o aborto em certos casos. Ora a violação do direito natural em nome da maioria poderá permitir, amanhã, que se aprove a matança de outros seres humanos. Só depende de um gordo mensalão para ter a maioria que aprove como legal um novo tipo de crime.
A maioria — o “povo” — não tem direito de aprovar o crime. A maioria não é dona da lei de Deus. O povo não é Deus. E um governo que afirma que governa em nome do POVO não tem direito de ordenar a violação da lei natural expressão da lei eterna, a Vontade imutável de Deus.
Todos os que ordenaram, planejaram, aprovaram e executaram a Shoáh foram culpados do genocídio dos judeus. Se se condenassem apenas os executantes da Shoáh, e não se condenasse Hitler e os membros do Partido Nazista estar-se-ia cometendo a maior injustiça. Porque pior que o crime é a defesa do crime. Pior que o crime é mandar cometer o crime. Pior que o crime é justificá-lo em nome de uma ideologia.
O Nazismo foi o grande criminoso. Hitler e todos os líderes do nazismo foram os mandantes dos campos de concentração, e foram mais culpados que os carrascos que executavam materialmente a Shoáh.
Também não estavam isentos da culpa de genocídio os jornalistas, os políticos, e até os padres, que defendiam o Nazismo racista e assassino.
Todos concordam que todos os que, de qualquer modo participaram do crime de genocídio, foram culpados desse crime.
Aplique-se então isso tudo ao PT hoje.
E o PT? E o Lula? E o Temporão? Por que estariam todos esses isentos de culpa da morte desses dois nascituros abortados?
Herodes foi mais culpado pelo massacre dos inocentes de Belém do que os soldados que materialmente perpetraram o massacre.
Pior que o genocídio foi o patrocínio do genocídio. Pior que os que executam um aborto, são os que o defendem, legitimam e o promovem legalmente.
Contra Deus.
Pior que o crime é a defesa do crime.
 
São Paulo, 8 de Março de 2009
Orlando Fedeli