Religião-Filosofia-História
As gagueiras de Lucas Banzoli contra o Primado de São Pedro
Eder Moreira
O famoso “teólogo” de playground - que vive posando de exegeta em seu espaço de joguinhos – apresentou aos católicos objeções contra o Primado de S. Pedro. Lucas Banzoli, um repetidor dos delírios adventistas, deveria aproveitar mais o seu parquinho, deixando a exegese para quem realmente entende do assunto.
Os supostos problemas textuais, selecionados contra a monarquia de São Pedro, não passam de distorções pueris, próprias de quem entende muito de joguinhos, mas quase nada de Bíblia Sagrada. A má vontade do protestante é indiscutível.
Em sua primeira objeção, o “teólogo” de playground tentou provar – biblicamente – sua imaginária igreja igualitária. O suposto regime eclesial-socialista estaria demonstrado no Evangelho de S. Marcos:
“Jesus os chamou e disse: ‘Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos” (S. Marcos X, 42-44)
Esse seria o golpe banzolêsco contra o Papado.
E o teólogo de parquinho nos lembra que, se Pedro realmente fosse o maior – como dizem os católicos – os demais apóstolos disputariam o segundo lugar, e não o primeiro, como indica a passagem do Evangelho.
O mesmo raciocínio vale contra a Igreja igualitária do Banzoli. Afinal, essa disputa (sobre quem seria o maior na Igreja) indica que Cristo não tinha ensinado um regime de igualdade entre os apóstolos. Do contrário, eles sequer teriam discutido essa questão. Mas, longe de favorecer a miopia protestante, essa disputa confirma que existe um superior no governo da Igreja. E o Banzoli omitiu exatamente o ensino de Cristo que resolve a controvérsia:
“O MAIOR dentre vós seja como o último e o que GOVERNA como o que serve” (S. Lucas XXII, 26).
Então existe o MAIOR dos Apóstolos, aquele que GOVERNA os demais com poder soberano!
Diante da disputa, Nosso Senhor não finalizou o assunto dizendo: “Não haverá superior entre Vós”. Fundando uma Igreja hierárquica, Cristo estabeleceu uma Monarquia Católica, onde o Maior (o Papa) governa os demais com jurisdição universal.
Quanto ao fato de Nosso Senhor reprovar a maneira como os reis pagãos exerciam governo sobre seus subordinados, é preciso entender que Ele não estava dizendo ser ilegítima a soberania do governante. Cristo reprova a dominação implacável, a pretensão dos reis pagãos de impor, a todo custo, o próprio capricho aos governados. Então, sem contestar a autoridade dos monarcas – cujo poder vem de Deus – a Sabedoria Divina ensina aos Apóstolos como o MAIOR deverá exercer sua autoridade na Igreja. Diferente dos reis pagãos, o rei dos Apóstolos – Pedro – deverá exercer seu Supremo Governo com humildade, a exemplo de Cristo que, mesmo sendo Mestre e Senhor, serviu humildemente, lavando os pés de seus inferiores antes da Santa Ceia.
O segundo subterfúgio do Banzoli é igualmente digno de sua teologia de parquinho. Diz, o teólogo kids, que Paulo, e não Pedro, foi chamado de principal cabeça da seita dos nazarenos:
“Encontramos este homem (Paulo) pestífero e provocador de motins entre todos os judeus no mundo inteiro, e que é o cabeça da sediciosa seita dos nazarenos. Que tentou até profanar o templo...” (Atos dos Apóstolos XXIV, 5-6).
Dessa passagem, Banzoli deduz – comicamente – que Pedro não era Papa, pois não é reconhecido como o cabeça dos nazarenos.
Basta raciocinar minimamente para enxergar o ridículo dessa argumentação.
Ora, como poderia ser Paulo o Cabeça, o chefe da Igreja de Cristo, sendo que a Igreja precede a sua conversão?
A expressão “cabeça da seita dos nazaremos”, e todas as demais calúnias, foram inventadas pelos judeus para incriminar injustamente São Paulo. O Apóstolo nunca se arrogou Cabeça da Igreja. Os judeus não queriam provar o primado de Paulo contra o primado de São Pedro. Queriam simplesmente matá-lo, proferindo acusações mentirosas. Tanto que, em sua defesa, São Paulo rebateu as inverdades dos Judeus.
Ademais, o próprio Apóstolo das Gentes demonstrou que não se considerava o Chefe supremo dos Nazarenos. Em sua Carta aos Gálatas, ele revela, humildemente, que foi visitar especialmente a São Pedro em Jerusalém. Note que ele não foi visitar São Tiago, mas aquele que sim era o Cabeça Visível da Igreja de Cristo.
“Depois de três anos, subi a Jerusalém para visitar Cefas e estive com ele quinze dias. Não vi nenhum dos outros apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor” (Gálatas I, 18).
Sobre essa viagem de São Paulo, comenta os Professores de Salamanca:
“Es de notar ese interés por conocer y hablar con Pedro, lo que revela la posición eminente de que gozaba el príncipe de los apóstoles también en la mente de Pablo, no obstante su independencia apostólica que tan enérgicamente viene defendiendo. (Profesores de Salamanca. Biblia Comentada: Hechos de los Apóstoles y Epístolas Paulinas. Biblioteca de Autores Cristianos. Madrid, 1965, P. 516).
No grego, língua original do Novo Testamento, temos de modo explícito a razão da visita de São Paulo ao cabeça da Igreja:
“Esta visita a Pedro, Paulo a refere servindo-se do verbo grego ‘istoréo’ (na forma ‘istorésai’), vocábulo empregado na língua grega para indicar visitas a coisas ou pessoas muito distintas e dignas de serem vistas e conhecidas de perto” (Fábio Morais. O Primado de Pedro e dos Bispos de Roma. São Paulo: Caminho de Damasco, 2007, p.258).
E para que não fique dúvidas, a mesma interpretação aparece no ensino de São João Crisóstomo, Arcebispo de Constantinopla:
“... subiu, contudo, como se lhe procurasse um superior e mais velho, e a causa de sua viagem foi somente para ver a Pedro. Notas como lhe tributou a honra devida, e não só não se considerou melhor, mas nem mesmo igual? É o que evidencia a sua própria viagem. Agora muitos de nossos irmãos viajam para visitar homens santos; então Paulo, com o mesmo sentimento, foi visitar a Pedro, ou antes, fez o que continha maior humildade. De fato, os irmãos empreendem uma peregrinação para o seu próprio proveito. O santo, contudo, não foi para aprender algo, nem para receber alguma correção, mas somente para ver e honrar a Pedro com sua presença. ‘Subi para avistar-me com Pedro’, diz ele. Não disse idein, isto é, para ver a Pedro, mas istoresai, isto é, para ver e conhecer, conforme costumam falar os que visitam esplêndidas cidades para conhecê-las De tal modo considera importante apenas o fato de vê-lo” (São João Crisóstomo. Comentário sobre a Carta Aos Gálatas, Tomo II, XVIII).
Que fiasco banzolaico!
Digno de um “teólogo” de playground.
Na sequência, Banzoli faz mais um joguinho de malandragem, pensando ser a Bíblia seu brinquedinho. Segundo o teólogo kids, São Paulo chamou Pedro de Coluna, e não de fundamento da Igreja:
“Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão. Eles concordaram em que devíamos nos dirigir aos gentios e eles aos circuncisos” (Gálatas II, 9).
O Banzoli, com seu estrabismo exegético, diz ver dois problemas nesse ensino de São Paulo:
1) Pedro é chamado de coluna, e não de pedra fundamento
2) Pedro é mencionado depois de Tiago, logo não é a maior autoridade da Igreja.
Pedro, que foi chamado de fundamento (S. Mateus XVI, 18), também foi chamado de coluna da Igreja. Conclusão Banzolêsca: Pedro não é a Pedra de fundamento!
Apliquemos esse mesmo raciocínio “genial” do Banzoli em relação a Jesus Cristo. O Filho de Deus foi chamado de Pedra de Fundamento. Entretanto, também foi chamado de Corpo da Igreja. Logo, Ele é o Corpo e não a Pedra de Fundamento.
Ademais, São Paulo Diz que a Igreja é Coluna e fundamento da Verdade (I Timóteo III, 15). Ora, a Igreja é Cristo (Corpo e Cabeça da Igreja). Logo, Cristo é, ao mesmo tempo, Coluna e Fundamento. Portanto, assim como Cristo é Coluna sem deixar de ser o Fundamento, Pedro também é a Coluna e o Fundamento visível da Igreja.
Quanto ao nome de Pedro aparecer – excepcionalmente – depois de Tiago, não significa uma inferioridade de Pedro em relação ao bispo de Jerusalém. Ora, em sua 1ª Epístola aos Coríntios (I, 12), São Paulo coloca primeiro o próprio nome, o de Apolo e Cefas, e só por último o nome de Cristo. Disso não se deduz, absurdamente, que São Paulo considera Cristo inferior aos demais, ou que haja uma igualdade entre eles quanto à autoridade.
Como já demonstramos, São Paulo foi prestar honras a São Pedro, e não a Tiago, reconhecendo (São Pedro) como o Maior dos Apóstolos.
Ainda sobre o nome de Tiago aparecer antes do nome de Pedro, explica o Padre Leonel Franca:
“A preferência dada aqui a Tiago explica-se naturalmente pelo alto preço em que o tinham os judaizantes que do nome do bispo de Jerusalém tanto abusavam contra a autoridade de Paulo. Para confutá-los frisa aqui S. Paulo como por Tiago, também por Tiago, primeiramente por Tiago fora reconhecido como apóstolo legítimo” (Padre Leonel Franca. A Igreja, a Reforma e a Civilização. Rio de Janeiro: CDB, 2020, p. 86)
No mesmo sentido, a explicação dos teólogos comentadores:
“S. Paulo menciona em primeiro lugar a Tiago, porque está argumentando contra os judaizantes, que se firmavam principalmente na autoridade deste como o que mais rigorosamente observava ainda algumas práticas do judaísmo, e criam poder invocá-lo mais seguramente do que a Pedro, que, embora tivesse de um modo especial o apostolado da circuncisão, fora quem recebeu na Igreja a Cornelio e sua família sem sujeita-los a nenhum rito mosaico” (Novo Testamento: comentário à Epistola de São Paulo aos Gálatas. Bahia: Typografia de S. Francisco, 1910, p. 298).
Por fim, o teólogo de playground desenterra, do seu baú de sucatas, uma velha e já mil vezes refutada objeção: “São Paulo repreendeu publicamente São Pedro. Logo, Pedro não era Papa”.
Para responder a essa objeção, típica de quem não estudou sobre infalibilidade, reproduzirei a argumentação do ilustre Padre Franca, que traz um pouco de luz contra a ignorância perpétua do herege protestante:
“Há nesta admoestação pública uma negação implícita do primado? De modo nenhum. S. Paulo não desobedece a nenhuma ordem de São Pedro, não se opõe à sua doutrina, não contesta a legitimidade da sua primazia, não tem uma só palavra que ponha em dúvida os seus direitos e títulos para exercer sobre fiéis e pastores da comunidade cristã tão poderoso e eficaz ascendente. Na dificuldade da emergência, em que se achava, procura apenas reconduzir Pedro à sua primeira atitude em relação aos convertidos do gentilismo. Era o único meio de defender o seu apostolado contra as acusações insidiosas dos judaizantes. A sua não é, pois, uma repreensão autoritativa, de superior a inferior; não na podem admitir os próprios protestantes que defendem a paridade jurisdicional dos apóstolos. É, sim, uma correção fraterna que em circunstâncias graves pode e, até, deve fazer um igual ao seu igual, um inferior ao seu superior. Ditou-a a caridade em cuja linha somos todos iguais, não a autoridade que distingue hieràrquicamente os membros de um corpo social” (Padre Leonel Franca. A Igreja, a Reforma e a Civilização. Rio de Janeiro: Agir, 1958, p. 57-58).
Em outras palavras, Banzoli não sabe distinguir infalibilidade de impecabilidade. E ainda quer posar de juiz do catolicismo!
Um desastre!
Assim termina a vergonhosa e infantil investida do teólogo Kids, que sabe muito de jogos juvenis, e quase nada de Bíblia e de Teologia Sagrada!
Os hereges passam...
Pedro permanece!
Viva o Papa!
Viva o Doce Cristo na Terra!
In Corde Maria Regina
Eder Moreira
Para citar este texto:
"As gagueiras de Lucas Banzoli contra o Primado de São Pedro"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/religiao/BanzoliContraPapado/
Online, 17/06/2026 às 03:36:05h






