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Comentários ao artigo sobre a obediência cega de Ariel Lazari
PERGUNTA
Enviada em:
01/07/2026

 

Prezado Eder Moreira
Salve Maria!

Li com atenção seu artigo contra o tal continuísta Ariel Lazari.

A resposta ficou muito boa e compreensível.

Percebe-se de forma clara o erro do Ariel que induziu seus seguidores à uma obediência equivocada. Porém, o pior são os comentários dos apoiadores que, na mesma cegueira, tentaram salvar o apologeta de sua má orientação.

Caso o sr. tenha paciência, veja o nível dos comentários no Instagram da Montfort.

Um abraço!

João Pedro

RESPOSTA
 Prezado João Pedro,

Salve Maria!

Que bom ver que, mesmo em um tempo de tanta ignorância e fanatismo, ainda existem boas almas que têm boa vontade para perceber o erro evidente.

Os comentários em defesa do tal Ariel Larazi – defensor de uma obediência irracional – revelam o efeito colateral do continuísmo: uma cegueira inacreditável.

Entre os comentaristas de plantão – que rondam as publicações do site Montfort -, houve quem dissesse que distorcemos as palavras do Ariel, o que teria resultado – da nossa parte – em uma crítica tendenciosa.

Segundo esse comentário, “O que o Ariel disse não tem nada a haver com adoração diante do sacrário ou ao Santíssimo exposto. Foi durante a comunhão que é permitido receber em pé. Sacanagem essa distorção”.

Eu não disse, em momento algum, que o tal Ariel se referiu à adoração diante do Sacrário ou ao Santíssimo exposto. Minhas palavras são inequívocas:

“Apareceu-me uma ‘orientação’ de um leigo – Ariel Lazari – sobre a ordem de um bispo que, contrariando o ensino da Igreja – expresso no nº. 91 da Instrução Redemptionis Sacramentum –, PROIBIU A COMUNHÃO DE JOELHOS

https://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/falsaobediencia/

E, de fato, essa foi a proibição do bispo desobediente, segundo o seguidor do Ariel Lazari:

“O bispo da minha diocese falou para não receber a eucaristia de joelhos

https://www.instagram.com/p/DaBlobQoJR0/?igsh=MXBvZHB0Y2Rkb3pyZA%3D%3D

O comentarista de plantão é que distorceu as minhas palavras. E ainda quis posar de justiceiro continuísta!

Como foi dito no meu artigo, é permitido ao fiel receber a Eucaristia de joelhos. Logo, o bispo não pode proibir algo que o Papa permitiu. Portanto, não é a Montfort que está incentivando a desobediência, mas o bispo que se opôs a uma decisão da Santa Sé.

E como essa proibição contraria a ordem do Papa e um costume quase milenar da Igreja, ela não deve ser obedecida.

Esse foi o erro do Ariel Lazari, que prefere desobedecer ao Papa para obedecer à rebeldia de um bispo desobediente. 

Ademais, é preciso lembrar aos continuístas – defensores de uma obediência irracional – que até mesmo o Papa Paulo VI defendeu a comunhão tradicional, isto é, de joelhos e na boca: 

“Tendo em conta o estado da Igreja no seu conjunto hoje, este modo de distribuição da Sagrada Comunhão DEVE SER CONSERVADO, não só porque assenta numa tradição de muitos séculos, mas sobretudo PORQUE É SINAL DA REVERÊNCIA DOS FIEIS PARA COM A EUCARISTIA. Esta prática não diminui em nada a dignidade pessoal daqueles que se aproximam deste grande Sacramento e FAZ PARTE DA PREPARAÇÃO NECESSÁRIA PARA A MAIS FRUTUOSA RECEPÇÃO DO CORPO DO SENHOR” (Memoriale Domini).

O Papa concorda que o modo tradicional deve ser mantido (comunhão de joelhos e na boca); ele concorda que a comunhão de joelhos é o sinal de reverência dos fiéis para com a Eucaristia. Por fim, concorda que a comunhão de joelhos é a preparação necessária para uma recepção mais frutuosa do Corpo do Senhor.

Em consonância com esse ensinamento, ensinou o Papa Bento XVI:

“... que façam o possível para que o gesto, na sua simplicidade, corresponda ao seu valor de encontro pessoal com o Senhor Jesus no sacramento” (Sacramentum Caritatis).

Também ensinou o mesmo pontífice:

“... receber a Eucaristia significa COLOCAR-SE EM ATITUDE DE ADORAÇÃO d"Aquele que comungamos” (Sacramentum Caritatis)

Não é por acaso que os pastorinhos de Fátima – em atitude de adoração – receberam de joelhos a Eucaristia do Anjo de Portugal:

“Erguemo-nos para ver o que se passava e vimos o Anjo, tendo na mão esquerda um Cálice, sobre o qual está suspensa uma Hóstia, da qual caem algumas gotas de Sangue dentro do Cálice. O anjo deixa suspenso no ar o Cálice, AJOELHA JUNTO DE NÓS [...] Depois levanta-se, toma em suas mãos o cálice e a hóstia. Dá-me a sagrada Hóstia a mim e o Sangue do Cálice divide-se pela Jacinta e o Francisco” (Luciano Coelho Cristino. As aparições de Fátima: Reconstituição a partir dos documentos. Santuário de Fátima, 2017, p. 19).

Outro comentarista – cheio do espírito ecumênico – veio nos pedir para não expor aparentes divergências de membros da Igreja. Para esse comentador, “cabe às instâncias competentes disciplinar a posição dos Bispos e não aos fiéis leigos”

Essa “orientação” revela um desconhecimento do ensino da Igreja.

Na Instrução Redemptionis Sacramentum consta a seguinte advertência:

“Assim, NÃO SE PODE CALAR ANTE AOS ABUSOS, inclusive gravíssimos, contra a natureza da Liturgia e dos sacramentos, também contra a tradição E AUTORIDADE DA IGREJA, abusos que em nossos tempos, não raramente, prejudicam as Celebrações litúrgicas em diversos âmbitos eclesiais” (Instrução Redemptionis Sacramentum).

E Santo Tomás, na Suma Teologia, ensina sobre a Correção Fraterna:

“Devemos, porém, saber que correndo iminente perigo a fé, os súditos devem advertir os prelados mesmo publicamente” (Parte II-II, Q. 33, q. 4).

Proibir os fiéis de adorar a Cristo de joelhos – segundo a ordem da Igreja e o costume tradicional – é incentivar a desobediência e colocar em risco a fé na Eucaristia, atos reprováveis que merecem uma justa repreensão.

Embora o fato possa escandalizar os coraçõezinhos ecumênicos, permita-me reproduzir a reação de uma santa leiga contra os bispos italianos, quando eles recusaram obediência ao Romano Pontífice:

Agora voltastes as costas, como cavaleiros vis e miseráveis: a vossa sombra fez-vos medo. Não sois flores que lançam perfume, mas mau cheiro que empesta o mundo todo. Fostes escolhidos, como anjos terrestres, para nos libertar do demônio do inferno e recebestes o encargo angélico de conduzir as ovelhas à obediência da Santa Igreja; e, no entanto, quereis o ofício dos demônios. Oh! Como sois loucos! vós que nos destes a verdade e quereis saborear a mentira... (digo-vos isto sem reverencia alguma, porque estais privados da reverencia). Ai insensatos, dignos de mil mortes! Como cegos não vedes o vosso mal; e chegastes a tanta confusão que a vós mesmos vos fizestes mentirosos e idólatras" (Cartas Completas).

Que mau exemplo, diria um continuísta!

Teria sido melhor a santa ter se calado, esperando a solução das autoridades da Igreja?

Tempos de caridade, e não do diálogo traidor e fracassado do Vaticano II.

Contra essa obediência cega, defendida pelo Ariel e seus simpatizantes, é oportuno lembrar que até mesmos as vozes do Céu ousam se levantar.

Será que os comentaristas – defensores do diálogo e da obediência cega – já leram a história de Joana d’Arc? Pois bem, diante das autoridades da Igreja – bispos, abades e cônegos – que insistiam em fazê-la abjurar as revelações privadas, a sábia Joana recebeu uma orientação do Céu, bem diferente da obediência cega:

“Responde com audácia! Deus te ajudará”

(Ir. Marie de La Sagesse Sequeiros, S.J.M. Joana d’Arc: Rainha, Virgem e Mártir. Minha Biblioteca Católica, 2023, p. 265).

Como pode Deus apoiar Joana em sua desobediência aos bispos da Igreja? E ainda incentivando a santa a não obedecer a uma ordem traidora dos bispos corruptos?

Na visão continuísta, Joana deveria ter ignorado a voz de Deus e obedecido ao bispo Pierre Cauchon, renegando – por obediência – as revelações do Céu!

Veja a que absurdo leva a cegueira continuísta!

Sigamos a Igreja, caríssimo João Pedro, e não esses comentaristas que sequer sabem o que é a virtude da obediência.

Um abraço!

 

In Corde Maria Regina
Eder Moreira