quinta-feira, fevereiro 23rd, 2012 at 1:25am

Dolan e a infalibilidade

New York Post

via Le Salon Beige, Benoît et moi,  Raffaella

tradução Montfort

 

Depois de uma viagem movimentada de nove dias, para o Consistório, o Cardeal Timothy Dolan levou sua mãe à audiência especial do Papa com os neocardeais e suas famílias, na Sala São Paulo.

Em meio às aclamações e aplausos, o Cardeal Dolan conduziu sua mãe Shirley, de 84 anos, para apresenta-la ao boss.

“Santo Padre, aqui está minha mãe” e, incapaz de resistir à tentação de fazer uma piada, o Cardeal, de 62 anos, acrescentou que ele é um dos príncipes da Igreja mais jovens e sortudos, por ter ainda sua mãe viva.

“Eu perguntei se ele não queria declara-la First Lady do Colégio dos Cardeais”, disse ele.

Dolan contou que o Papa, que fará 85 anos em abril, endereçou então a sua mãe o maior dos cumprimentos, dizendo: “A senhora tem aparência jovem demais para ser mãe de um cardeal”. Ao que a senhora respondeu – mostrando que o espírito vivo é um traço de família: “Santo Padre, essa é uma declaração infalível?”


terça-feira, fevereiro 21st, 2012 at 8:32pm

Cardeal Cottier: Se o Maligno agita as águas, é que há vitalidade na Igreja

 Paolo Rodari em Pallazzo Apostolico

tradução Montfort

Vatileaks. Cardeal Cottier: “Eu tive um certo pensamento …”

 

 

 ”Estive refletindo … e justamente durante os dias do Consistório, conversando com outros confrades, eu constatei que eu não era o único a ter um determinado pensamento. Que é o seguinte: em toda agitação em torno da Igreja se pode ver a obra do maligno ao trabalho. No sentido de que se a Igreja estivesse dormindo na mediocridade, ou ocupada apenas com intrigas e rivalidades,  o diabo não teria muito a fazer. Mas se ele agita muito as águas, então isso significa que há vitalidade na Igreja que o Maligno quer atacar. E essa vitalidade é a força da fé, é a vida cristã que está se manifestando em todo o mundo. ” Quem disse estas palavras hoje mesmo ao jornal Avvenire [da Conferência Episcopal Italiana] é Cardeal Georges Cottier, 90 anos em abril, por quase vinte anos teólogo da Casa Pontifícia (leia-se: “Cottier: Bento XVI é a coluna que permanece de pé”). Suas palavras de fogo, elas falam da existência, mesmo dentro dos Muros Leoninos, de uma força obscura que leva a Igreja à auto-destruição.

O Padre Gabriele Amorth, o mais antigo exorcista da diocese de Roma, em seu último livro “O Último Exorcista”, fala amplamente do Vaticano e de Satanás. E da batalha que os Papas em particular são chamados a travar. Ele escreve: “Não há provas para dizer que, no Vaticano, esteja Satanás,  no sentido de que não há provas para dizer que há pessoas que no Vaticano realizem rituais satânicos. Pessoas que são voluntariamente escravas de Satanás e que trabalham para estabelecer o seu reino de morte, escuridão e destruição neste mundo. Eu, pelo menos, não tenho provas… Lembro-me entretanto, das palavras de Paulo VI, em 3 de fevereiro de 1977, durante a Audiência Geral: “Não é de admirar se a Escritura duramente nos adverte de que o mundo inteiro jaz sob o poder do Maligno”. Paulo VI fala muitas vezes do diabo. E muitas vezes liga sua figura  à Igreja. Por quê? Talvez porque queira simplesmente advertir a Igreja, pedir-lhe que seja prudente, que fuja às tentações de Satanás. Mas, na minha opinião, há mais coisas. Paulo VI de alguma forma percebe que Satanás está dentro da Igreja, talvez mesmo no Vaticano. E soa o alarme. “

Publicado em terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 em Palazzo Apostolico.


terça-feira, fevereiro 21st, 2012 at 1:15pm

Pe.Tenorio – Cinzas de um carnaval: Somos o que seremos

  • Pe. Marcélo Tenorio
Estou em plena terra do carnaval.
Nesses dias que antecederam o chamado “reinado de Momo” e agora em plena festa, ponho-me a pensar na efemeridade da vida. Minha lembrança volta-se à cerimônia tocante e comovente – que deveria impregnar a alma de todos com um sincero desejo de retorno para Deus -  quando o sacerdote, usando vestes de penitência, impõe, em nossas cabeças, as sagradas cinzas com uma admoestação severa e solene:
” Memento homo quia pulvis es et in pulverem reverteris” (Gn 3, 19)
“Lembra-te, ó homem, que és pó e que em pó te hás de tornar.
Santo Inácio de Loyola, falando sobre o objetivo central do homem nesta terra, dizia ter sido  o homem feito para “amar a Deus e salvar a sua alma”.
“Amar a Deus e salvar a  alma”, deveria ser para todos a única preocupação iminente durante a vida inteira, já que fomos criados para Deus e, perde-lo, por culpa, significa a falência completa, a infelicidade eterna.
Como salvar a nossa alma? Praticando os mandamentos! E todos estão contidos no primeiro: ” Amar a Deus sobre todas as coisas!”
Estamos vivendo em tempos piores do que o do dilúvio. Nesses tempos verdadeiramente das trevas, a humanidade rompeu com seu Criador, a criatura torna-se senhor de sua própria existência. Deus é banido da sociedade e das leis do Estado. Cresce uma nova humanidade que brada aos quatro ventos o seu laicismo : sem religião, sem Deus, sem nada.
No carnaval,  festa pagã e da carne, afloram, de maneira mais escancarada todas as inclinações para o mal. E se existe alguma barreira ainda não rompida, o espírito carnavalesco corrói sem muitas dificuldades toda e qualquer resistência, visto que é comum nesses dias de folia, a abolição de toda ou quase toda moralidade.
Não preciso aqui lembrar  como os santos enxergavam essa festa e como condenavam veementemente esses dias de folia. E olha que eles viveram em tempos remotos, mais tranquilos, quando não havia, ainda, o total declínio dos valores. O que diriam eles hoje?
Os santos levaram a sério a sua meta: “amar a Deus e salvar a alma”. Sabiam eles que tudo isso aqui era passageiro e que, cedo ou tarde, estariam  diante de Deus para um julgamento contra o qual ninguém poderá escapar.
Vivemos no cronos e nele devemos melhorar a cada instante, renunciando sempre ao mal, crescendo na prática das virtudes e eliminando o que não presta em nós.
S. Paulo gostava de comparar a vida espiritual, à busca da santidade, que exige renúncias, com o atleta que prepara-se a vida inteira, no labor constante, para poder ganhar a coroa da vitória. Ora, se alguém é capaz de fazer isso por glórias passageiras, não deveria nós, cientes do nosso fim terreno, já que somos pó, empenharmos para , amando a Deus sobre todas as coisas, salvar a nossa alma?
Fala-nos a “Imitação de Cristo”:
“Mui depressa chegará teu fim neste mundo; vê, pois, como te
preparas: hoje está vivo o homem, e amanhã já não existe.
Entretanto, logo que se perdeu de vista, também se perderá da
memória. Ó cegueira e dureza do coração humano, que só cuida
do presente, sem olhar para o futuro! De tal modo te deves haver
em todas as tuas obras e pensamentos, como se fosse já a hora
da morte. Se tivesses boa consciência não temerias muito a morte.
Melhor fora evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás
preparado hoje, como o estarás amanhã? O dia de amanhã é
incerto, e quem sabe se te será concedido?..” ( Cap 23)
É no cronos que devemos batalhar para salvar a nossa alma, pois na eternidade estaremos para sempre como  sairmos deste mundo. Na amizade de Deus ou Dele afastados eternamente.
Por esses dias fui visitar ,numa cidade não tão distante daqui ,uma religiosa pela qual tenho grande apreço. De uma inteligência privilegiada, perspicaz, conversava sobre tudo e sabia compreender bem a alma humana. Poliglota, tradutora e eficaz em tudo que se dispunha realizar. Depois de  anos que não a via, fui informado, aqui, que começara o seu declínio, ficando esquecida já no início do mal de alzheimer. Dirigi-me até lá, ao convento. Encontrei-a aparentemente bem, mas já não era mais a mesma. Esquecida completamente de muitas coisas ..Percebi então que começara o seu declínio que a levará ao ocaso evidente.
Refleti bem sobre isso tudo. Nossa vida é “poeira que passa”. cedo ou tarde estaremos em nosso ocaso. E o que vale é termos aproveitado bem o tempo que Deus nos deu para que ascendêssemos a Ele.
“Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes…”
“Lembra-te que és pó!”…
Como nos recordava o Pe. Antônio Vieira num dos seus sermões quaresmal, sabemos que nos tornaremos pó. Claro. Vemos a morte a nos rodear. Olhamos para o que ela fez com os outros, com os nossos entes…O que restou deles? Apenas o pó, nada mais. Mas duas tragédias nos tomam de inopino: a ilusão de que nunca nos tornaremos pó, e a cegueira que nos impede enxergar o pó que já somos.
“Lembra-te que és pó….e que em pó de hás de tornar!”
Seremos aquilo que já somos.
Multidões brincam, despreocupadamente, um carnaval avassalador, que destrói tudo o que é cristão, tudo o que é virtude e que nos aproxima de Deus. Quantos pecados! Quantas blasfêmias!
Se no tempo dos santos antigos essa festa já era nociva à alma, hoje afirmamos ser impossível dela participar sem se afastar de Deus, pelo pecado.
Claro que muitos dirão: ” É radical demais, esse discurso. Temos que nos divertir também! O importante é não ter maldade! Cada um faz o seu carnaval! O cristão brinca como cristão!..
Enganosa e falsa essas afirmações que provém de pessoas que querem servir ” a dois senhores”, como se fosse possível, servindo às trevas, querer também servir ao Reino de Deus.
Não existe meio termo para a mensagem do Evangelho e não existem santos sem radicalidade. Ninguém pode ser ” meio honesto”, ” meio casto”, “meio verdadeiro”. Ou é ou não é! Este é o preço e a exigência que Nosso Senhor nos faz.
“Seja o vosso falar ‘sim, sim; não, não’. O que passar disso é de procedência maligna” (Mateus 5:37).
E ainda:
“E, se um dos teus olhos te faz pecar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno.” ( Marcos 9:47)
Ora, o carnaval em tudo que ele contem é impraticável para todo aquele que deseja o céu. Impraticável sobretudo para os cristãos que devem assemelhar-se em tudo a Cristo.
Há como brincar o carnaval de forma cristã? Não!  A abundância de comida para um obeso ou alguém que está de dieta não inibirá os desejos, muito pelo contrário. Pode-se ir até com boa intenções, mas as músicas, os gestos sensuais, os trajes imorais e as práticas pagãs destruirão por completo toda e qualquer inocência.
Diante de tanta profanação do corpo que é templo do Espírito Santo, de tanta imoralidade, de tantas almas que se perdem, de tanta irreverência contra Deus, fiquemos com o exemplo dos santos: aproveitemos o Kairós – o  cronos – o tempo presente que nos foi dado.
S. Domingos Sávio, em tenra idade foi capaz de dizer e viver: ” ANTES MORRER QUE PECAR”
Saibamos o que somos e o que seremos: Pó, apenas pó…nada mais que isso!
E do pó lançado à terra..um dia, surgirá e vida novamente
“Assim também agora vós tendes tristeza, mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar.” João 16.22

sábado, fevereiro 11th, 2012 at 9:07pm

Tradução: A “tese Ocariz” contraditada também pela “tese Ratzinger”

O artigo abaixo, publicado em 11.02.12 pelo Diácono Daniel Pinheiro, IBP, no blog Disputationes Theologicae, é apresentado em tradução Monfort.

Cardeal Ratzinger : “[A Instrução Donum Veritatis] afirma – talvez pela primeira vez de maneira tão clara – que existem decisões do magistério que podem não constituir a última palavra sobre uma matéria enquanto tal, mas um encorajamento substancial em relação ao problema, e sobretudo uma expressão de prudência pastoral, uma espécie de disposição provisória. Sua substância permanece válida, mas os detalhes sobre os quais as circunstancias dos tempos exerceram uma influência podem ter necessidade de retificações ulteriores. Sob esse aspecto, pode-se pensar tanto nas declarações dos Papas do século passado sobre a liberdade religiosa, quanto nas decisões antimodernistas do começo deste século” (L’Osservatore Romano. Edição semanal em língua francesa, 10 de julho de 1990, p.9) [1].

 

Monsenhor Ocáriz: “O Concílio Vaticano II não definiu dogma algum, no sentido que não propôs mediante ato definitivo qualquer doutrina. Contudo o facto de que um ato do Magistério da Igreja não seja exercido mediante o carisma da infalibilidade não significa que ele poderá ser considerado «falível» no sentido que transmite uma «doutrina provisória» ou «opiniões influentes». Toda expressão de Magistério autêntico deve ser acolhida como é verdadeiramente: um ensinamento dado por Pastores que, na sucessão apostólica, falam com o «carisma da verdade» (Dei Verbum, n. 8), «revestidos da autoridade de Cristo» (Lumen gentium, n. 25), «à luz do Espírito Santo» (ibid.). (Osservatore Romano, 2 de dezembro de 2011, p.6)

 

O Cardeal Ratzinger afirma claramente que existe um Magistério que é provisório e dá um exemplo. Esse Magistério, segundo o Cardeal, não é a última palavra sobre uma matéria, ou seja, não se trata evidentemente de um Magistério infalível, mas de um Magistério puramente autêntico, que poderia ser falível sob certos aspectos e sujeito a retificações. Esse Magistério poderia ser a expressão de prudência pastoral, uma contribuição em relação ao problema. Ora, a prudência é provisória. As decisões prudenciais podem e, às vezes, devem mudar conforme as circunstâncias. Elas inclinam em direção a uma posição sem, no entanto, proibir ou condenar outra posição. Trata-se, portanto, de um Magistério exercido em um dado momento, para as circunstâncias desse momento, podendo portanto mudar se as circunstancias mudam. O Cardeal não afirma que todo Magistério não infalível é explicitamente provisório, mas que existe também um Magistério desse tipo. Classicamente, chama-se essa espécie de Magistério provisório aquele que afirma que tal doutrina é tuta vel non tuta. Esse Magistério não quer liquidar a questão, mas indica que tal doutrina, no contexto contemporâneo a esse ato do Magistério, pode ser ensinada sem perigo para a fé e a moral ou que, ao contrário, ela não pode ser ensinada sem colocar em risco a fé e a moral. Assim, por exemplo, uma tese filosófica pode ser condenada como non tuta, não porque o Magistério a considere falsa de uma maneira absoluta, mas porque nas circunstâncias dadas (considerando em particular o estado em que se encontram a teologia, a filosofia ou a ciência nesse dado momento) não se chega a conciliá-la facilmente com o Depósito Revelado e é, portanto, imprudente sustenta-la. Com o tempo, o Magistério pode condenar definitivamente essa teoria ou afirmar sua compatibilidade com a Revelação. Nesse quadro, poderia ser citada a condenação de Galileu, ao qual tinha sido pedido que não ensinasse de maneira peremptória o que, na época, era uma tese não comprovada. Em principio, portanto, um Magistério puramente autêntico e provisório pode existir, como afirma o Cardeal Ratzinger. Que seja o caso do Magistério contra a liberdade de consciência no século XIX e do Magistério contra o modernismo no começo do século XX, isso é, pelo menos, muito duvidoso [2].

 

Uma análise da afirmação de Monsenhor Ocáriz não é fácil, já que seu texto não é claro. Quer ele simplesmente dizer que o Magistério do Vaticano II não pertence a essa espécie de Magistério falível provisório? Magistério que existiria, aliás, mas não no último Concílio? Pode-se interpretar assim sua afirmação ambígua: “o facto de que um ato do Magistério da Igreja não seja exercido mediante o carisma da infalibilidade não significa que ele poderá ser considerado ‘falível’ no sentido que transmite uma ‘doutrina provisória’ ou ‘opiniões influentes’”? Deste modo, afirma ele que um ato do Magistério (puramente) autêntico não transmite necessariamente uma doutrina provisória, ainda que ele possa fazê-lo? Ou, no sentido contrário, quer ele dizer que nenhum ato do Magistério (puramente) autêntico pode ser provisório? Sua última frase parece indicar sobretudo isso, já que, para explicar a afirmação de que o Vaticano II não é provisório, ele acaba por englobar todo o Magistério autêntico: Toda expressão do Magistério autêntico deve ser acolhida como é verdadeiramente: um ensinamento dado por Pastores que, na sucessão apostólica, falam com o «carisma da verdade» (Dei Verbum, n. 8), «revestidos da autoridade de Cristo» (Lumen gentium, n. 25), «à luz do Espírito Santo» (ibid.).” Mons. Ocáriz parece mais portanto excluir a possibilidade de qualquer Magistério provisório, contrariando o Cardeal Ratzinger, a prática da Igreja e a doutrina comum dos teólogos.

 

É preciso aliás afirmar que um Magistério não infalível permanece sempre com um certo caráter provisório pois, de outra forma, se teria um Magistério sempre definitivo, imutável, irreformável, enfim, infalível. A distinção entre falível e infalível, dada pela própria Igreja, não teria nenhum sentido. Esse caráter provisório pode ser expresso, seja diretamente (ou explicitamente) pelo Magistério quando ele afirma que uma doutrina é tuta vel non tuta ou indiretamente (ou implicitamente) quando o Magistério afirma uma doutrina (ensinando sua verdade) ou a condena (ensinando sua falsidade), sem por isso liquidar definitivamente a questão. É preciso acrescentar que esse caráter provisório pode ter vários graus. E esse Magistério puramente autêntico, mesmo se ele não é diretamente ou explicitamente provisório, não é de jure infalível e permanece reformável. É um ensinamento que pode, portanto, conter erros, mesmo se isso permanece bastante raro, e ele não pode de modo algum, em consequência, exigir um assentimento absoluto pelo simples fato de que se trata de um ato magisterial da autoridade eclesiástica.

 

Diácono Daniel Pinheiro

 

[1] No texto original italiano, o termo traduzido por “encorajamento” é “ancoraggio”, o que significa antes “ancoragem”, cfr. Osservatore Romano 27 de junho de 1990, p.6. Notamos essa discordância entre os textos em circulação. Entretanto, o sentido do texto não é alterado.

 

[2] Esse magistério não é do Magistério Extraordinário Infalível, mas é, muito provavelmente, do Magistério Ordinário Pontifical Infalível, fundado sobre a própria Revelação. Esta posição tem, além disso, sólidas razões doutrinárias e teológicas em seu apoio. A respeito da liberdade religiosa, enviamos ao estudo de Dom Antônio de Castro Mayer.

  

 

 


quarta-feira, fevereiro 1st, 2012 at 3:25am

O fim do recreio doutrinal

 

Comentário André Roncolato Siano

O artigo abaixo escrito por Jean-Marie Guénois, é muito interessante, não obstante a não concordarmos com muitas de suas ideias. O núcleo do artigo, se comparado aos artigos de vaticanistas insuspeitos por suas posições bem liberais, convergem a um mesmo ponto: uma restauração Doutrinal e Litúrgica na Igreja Católica promovida eficientemente pelo Papa Bento XVI. O que se vê e pode se constatar é que, apesar da obstinação dos progressistas e sedevacantistas, este Papa continua a conceder para a Santa Igreja bens inestimáveis. A lição que eles deveriam tirar disso, é que sua resistência é inócua e não perdurará. Basta olharmos para história da Igreja.
 
Por fim – como me disse um estimado professor – para “as caravelas” daquelas boas almas desejosas de lutar pela Igreja e sua doutrina, é uma grande lufada de vento que nos lembra o dever de içarmos nossas velas à toda força para ganhar logo o continente, auxiliando o Papa em sua luta e, assim, anteciparmos sua vitória.
 
Rezemos para que todos nós, e em especial o clero, os bispos e os padres, atendam prontamente esse apelo.
 
Eis o texto:
 

O Fim do Recreio Doutrinal

Fonte Secretum Meum Mihi

Tradução Montfort

Se não é uma vingança da história, parece ser. O quinquagésimo aniversário do Concílio Vaticano II, que a Igreja celebrará em 2012, poderia paradoxalmente marcar o crepúsculo do… “espírito do Concílio”, que, por outro lado, foi sua grande promessa.

Este “espírito do Concílio” era a “abertura da Igreja ao mundo católico e as outras religiões”. “O espírito do Concílio”, era “a marca do Concílio Vaticano II, o traço característico de seu caráter”. Desde meio século era o motor do chamado “progressismo” na Igreja.

Um debate ocorrido recentemente sobre “o último moicano”, promovido por Mons. Doucort, bispo de Nanterre, ilustra de uma maneira bastante exata este atual estado do espírito  e seus limites.

Não obstante, se está modelando algo assim como uma limitação à abertura? Isso seria produto da imaginação? Não precisamente. Basta estudar a “Nota com indicações pastorais para o ano da Fé” que foi publicada em Roma em 7 de janeiro, sábado, pela Congregação para a Doutrina da Fé, para dar-se conta.   Este texto indica a linha que deve ser seguida no “ano da Fé”, proclamado por Bento XVI.

Este ano especial está destinado a dar vigor a fé dos católicos do mundo inteiro. Com efeito, será inaugurado em 11 de outubro de 2012… dia do aniversário de abertura do Concílio Vaticano II. O qual não é um detalhe insignificante.

- A nota pede “um empenho renovado de efetiva e cordial adesão ao ensinamento do Sucessor de Pedro.”.

- Insiste em “o conhecimento dos conteúdos da doutrina católica.”, “aprofundar o conhecimento dos principais Documentos do Concílio Vaticano II e o estudo do Catecismo da Igreja Católica.”

- Espera a “subsídios de divulgação com caráter apologético” (portanto, em defesa da Religião Católica) (n. de r.) como resposta “aos desafios das seitas, ora aos problemas ligados ao secularismo e ao relativismo”.

- Expressa o desejo de que sejam corrigidos os catecismos nacionais, que “não estejam em plena sintonia com o Catecismo, ou revelem algumas lacunas”.

- Fixa como prioridades “o anúncio do Cristo ressuscitado”, “a Igreja, sacramento de salvação”, “a missão evangelizadora no mundo de hoje”.

- Convida a recorrer mais fortemente ao “sacramento da Penitência.”, colocando uma atenção especial  aos “pecados contra a fé.”

- Pretende “intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia”.

- E espera homilias baseadas no  “ ‘o encontro com Cristo’, ‘os conteúdos fundamentais do Credo’, ‘a fé e a Igreja’…”

- Em resumo, a ideia principal, o que poderíamos chamar de “carro-chefe” deste documento, seria realizar um “aprofundimento(SIC!) da doutrina” e “empenhar na nova evangelização, com uma adesão renovada ao Senhor Jesus”. E nada mais.

Devemos considerar, apesar de que em diversos lugares existam recomendações ecumênicas e inter-religiosas, que, entretanto, lendo-se corretamente, não é o mais importante. Estes temas não são prioritários.

Poderia subestimar-se o valor desta “nota” que não tem a autoridade de uma encíclica. O que é certo no plano técnico. Não obstante, esta “nota”, é muito mais que uma nota, porque é a expressão de maneira pragmática de uma política que Bento XVI vem anunciando desde 2005. A política de seu pontificado.

Nove meses despois de sua eleição, deu como sua linha de atuação uma “interpretação” do Concílio Vaticano II, já não baseada na “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura” senão, segundo a “hermenêutica da reforma”, o seja, “na continuidade” com a Tradição da Igreja.

Já não se trata de um voto de fé, senão de um programa bem organizado que tem por objeto realizar uma reforma – lenta naturalmente –  interna da Igreja. E sinaliza o final de um “certo recreio doutrinal” onde absolutamente tudo era possível na grande casa católica.

Este programa será seguido? Será antes de tudo bastante criticado: pelos ambientes progressistas como o “responsável da extinção do verdadeiro concílio”; pelos ambientes integristas como o “cúmplice do falso concílio”. É muito duro o ofício do Papa!

Mais além desta dialética simplista, não há que se perder de vista o progresso de fundo que está atravessando hoje a Igreja Católica.  Desta vez, este ponto de vista concorda com o espírito pelo qual esta nota o impulsiona. Alguns veem nele uma simples volta à normalidade, mas, se trata melhor de uma manobra estratégica: A Igreja começa a reacionar contra seu declive no Ocidente. O novo consistório em que serão criados 22 novos cardeais no próximo 28 de fevereiro confirma esta orientação.

Se “o espírito do Concílio” morre, voltará “o Espírito Católico”?

 

Nota:

ONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ: Nota com indicações pastorais para o Ano da Fé

(http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20120106_nota-anno-fede_po.html, acessado em 31/01/2012).


terça-feira, janeiro 31st, 2012 at 1:30am

A surpreendente convocação do Concilio

 Comentário de Lucia Zucchi

O nonagenário Monsenhor Loris Capovilla, secretário do Papa João XXIII, deu ontem uma entrevista à Radio Vaticana, a respeito da convocação do Concílio Vaticano II, cuja abertura fará cinquenta anos daqui a alguns meses.

Surpreendentemente, o evento que abalou de tal modo a Igreja parece, nas lembranças de Mons.Capovilla, ter sido pensado um tanto casualmente, anunciado com displicência e organizado com tal desapego da parte do Papa, que lembra a indiferença.

 

Outro terminaria o Concilio… Como não se lembrar da palavra de Nosso Senhor: “Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que acabá-la?  Para que, depois que tiver lançado os alicerces e não puder acabá-la, todos os que o virem não comecem a zombar dele, dizendo: Este homem principiou a edificar, mas não pode terminar” (São Lucas 14, 28-30) ? Que frase misteriosa essa do Papa! A não ser que o Concílio lhe tivesse sido sugerido por outros, que se encarregariam de leva-lo ao termo desejado.

 

O que resultou desse projeto? O Papa João XXIII queria algo novo… Pois bem, para muitos foi algo radicalmente novo – como uma nova Igreja!  

Há cinquenta anos da convocação do Concilio, Mons. Capovilla evoca os sentimentos de João XXIII

Entrevista à Radio Vaticana

Tradução Montfort

Quando o Papa me falou disso a primeira vez, era Papa há apenas cinco dias. Fez um gesto vago e me disse: “Sobre a minha mesa se despejam tantos problemas, interrogações e preocupações. Eu queria alguma coisa de singular e de novo, não apenas um Ano Santo”.  No Código de Direito Canônico, na época reformado há pouco tempo, há um capítulo chamado “De Concilio Ecumenico”. Mais adiante, me falou disso outra vez e eu fiquei sempre em silêncio.

Veio depois aquela noite de 21 de dezembro de 1958, ele voltou a falar disso e me disse: “Seu superior lhe acenou com esse grande plano, parece-lhe ser uma inspiração do Senhor? Até agora você não disse nem uma palavra…” E tocando-me o braço, disse: “O fato é que você raciocina um pouco humanamente, como um empresário que faz um projeto e chama o arquiteto, os consultores, que se entende com os bancos. Para nós, porém, é já um grande dom de Deus aceitar uma boa inspiração e falar nela. Não pretendo chegar a celebra-lo, a mim basta anuncia-lo” (…)

Também diante de todos aqueles que diziam que isso requeria uma grande coragem, na sua idade, ele respondia que não era ele que deveria faze-lo: “O Concilio, quem o faz é o Senhor, o faz a Igreja no seu conjunto. Nós somos as sentinelas do momento. Depois de um Papa, vem um outro”.


domingo, janeiro 29th, 2012 at 12:32pm

O delírio nazista do “superbebê”

Jaime Maia

Na capa da revista “Superinteressante” a chamada para uma reportagem sobre o “superbebê”. Nas letras pequenas, informa-se que o “bebê do futuro” vai ser feito sob medida, sem problemas congênitos (como miopia e outros) e que os pais poderão escolher várias características dos filhos. Mais, diz que isto já está acontecendo.

 

Claro, muito lógico! O superhomem antes tem que ser um superbebê. Por coincidência, com uns belos olhos azuis. É o bebê nazista, que fracassou sessenta anos atrás, quando Hitler organizava fazendas de criação de bebês, para mães e pais “reprodutores” (com o perdão da baixeza), racialmente puros e fisicamente perfeitos. E agora “fabricado”, graças à eugênica engenharia genética, pelos próprios pais, com o sacrifício dos “espécimes” menos perfeitos.

 


segunda-feira, janeiro 23rd, 2012 at 10:59pm

Missa Tridentina todos os sábados em Santana/Zona Norte, SP.

 

Local: Paróquia de Sant’Ana.

Rua Voluntários da Pátria, 2060

Santana – São Paulo

Todos os Sábados 10h da manhã.

 

Pequeno Histórico:

Nascida de um desmembramento da Paróquia de Santa Efigênia, a Igreja de Sant’Ana, teve seu Decreto de fundação assinado em 12 de julho de 1895 por Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcante.

 O Decreto foi lido na Paróquia de Santa Efigênia no dia 21 de julho. No Domingo, dia 26, foi comemorado o dia da Festa de Sant’Ana na Capela de Santa Cruz do Colégio das Irmãs de São José, no alto de Santana. Aquela Capela serviu de Matriz provisória.

A história de Sant’Ana se confunde com a história do bairro, e de toda a Região Episcopal Santana. Sant’Ana foi patrona e protetora da cidade e Arquidiocese de São Paulo, conforme documento do Papa Pio VI, de 31 de maio de 1782, que está no Museu de Arte Sacra Convento da Luz, Av. Tiradentes, 676, do qual a Cúria Regional de Santana possui uma cópia do original, elegendo Sant’Ana como protetora e patrona da Cidade e da Diocese de São Paulo até o ano de 2008, quando por ocasião do Ano Paulino, o Papa Bento XVI declarou São Paulo padroeiro da Arquidiocese. Junto a cópia estão também duas transcrições, uma no original Latino e outra tradução em Português.


terça-feira, janeiro 17th, 2012 at 9:50am

Ecumenismo: “Unidade na fé, nos sacramentos e no ministério”, segundo o Cardeal Koch

Publicamos neste momento a primeira parte de uma entrevista concedida ontem pelo Cardeal Kurt Koch, com afirmações e informações importantes sobre o ecumenismo. A primeira delas, que destacamos abaixo, é uma definição perfeitamente tradicional do conceito de ecumenismo, o qual é uma das preocupações pirncipais de Bento XVI e pedra de tropeço entre ele e os ditos tradicionalistas. No trecho que publicaremos em seguida, o Cardeal Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, falará sobre os entraves e perspectivas deste caminho inusitado.

Cardeal Kurt Koch

Entrevista à Agência SIR

Tradução Montfort

A via da paciência

 

O Cardeal Kurt Koch fala sobre ecumenismo e a Jornada do Hebraismo

 

O balanço dos 50 anos de “diálogo ecumênico” (do Vaticano II até hoje) e os novos desafios a afrontar. São perguntas feias pela Agência SIR ao Cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que se celebrará de 18 a 25 de janeiro e na véspera da Jornada pelo aprofundamento e desenvolvimento do diálogo entre católicos e judeus que, em alguns países da Europa, entre eles a Itália, se celebra em 17 de janeiro.

 

(…) Pode traçar um balanço  “ecumênico” das conquistas mais importantes e dos novos desafios surgidos?

 

 “O Beato João XXIII fundou este Conselho Pontifício, no seu tempo Secretariado, em 1960, portanto dois anos antes do Concílio. E desejou-o intensamente por dois motivos: a renovação da Igreja Católica e o restabelecimento da unidade dos cristãos. Duas inspirações presentes no Concílio. Penso que estes sejam os dois desafios ainda para nossos dias. A renovação está sempre presente na vida da Igreja e o Papa Bento XVI convida constantemente a um aprofundamento espiritual da renovação da Igreja. O outro grande desafio está bem delineado no decreto conciliar sobre o ecumenismo Unitatis Redintegratio: nesses 50 anos foram dados muitos passos. Iniciamos 16 diversos diálogos. E se pudemos dar muitos passos no diálogo com os ortodoxos, no mundo ocidental os problemas se tornaram mais complexos, devido a três novos desafios: em primeiro lugar, no mundo das Igrejas da Reforma encontramono-nos diante de uma grande fragmentação e do constante surgimento de novas igrejas. O segundo desafio é que hoje aumentou a divergência a nível ético e isso é uma grande mudança em relação aos anos 70 e 80, em que se dizia: “A fé separa, a prática une”.  Mas para dar hoje um testemunho crível na sociedade, devemos encontrar uma abordagem comum sobre os temas fundamentais de ética pois, em um mundo fortemente secularizado, é preciso uma voz comum dos cristãos. O terceiro aspecto problemático é o haver esquecido o objetivo último do ecumenismo. Não poucas Igrejas e comunidades eclesiais que nasceram da Reforma não vêem mais como meta última a unidade visível na fé, nos sacramentos e no ministério, mas entendem a unidade como soma de todas as Igrejas. Uma visão ecumênica que, como católicos, não podemos aceitar”.


segunda-feira, janeiro 16th, 2012 at 11:38pm

Mulheres que nunca nasceram

A articulista do Osservatore Romano comenta um livro lançado na Itália, sem uma luz muito crua,  sobre uma das tragédias da modernidade que é a eliminação preferencial de mulheres pelo aborto. Aquilo que é um crime horrendo – o assassinato dos filhos por seus próprios pais – defendido ferozmente pelos “progressistas” ou socialmente avançados, praticado ou tolerado por muitos, causa estranheza quando se volta preferencialmente contra as meninas. Por que? Matar meninos, ou matar indiferentemente meninos e meninas indesejados, é menos mau do que trucidar apenas as não nascidas ou recém nascidas? Aprouvera a Deus que o absurdo dilema convertesse aqueles que se espantam ante o  “genericídio” atual…

Lucetta Scaraffia

Osservatore Romano de 16-17 de janeiro de 2012

Tradução Montfort

 

 

 

Nunca nascidas. Porque o mundo perdeu cem milhões de mulheres de Anna Meldolesi.

 

A autora aprofunda de vários pontos de vista – estatístico, biológico e tecno-científico – o alarme que Amartya Sem lançou em um célebre ensaio de 1990: faltavam no mundo cem milhões de mulheres, que deveriam existir mas não estão aqui porque mortas ao nascer por infanticídio ou nunca nascidas. Um número espantoso, que supera o balanço das vítimas de ambas as guerras mundiais e das grandes epidemias, como a gripe espanhola e a AIDS. Um drama gigantesco – talvez ainda maior numericamente que o denunciado por Sen –  que dificilmente encontra voz seja nos centros de pesquisa acadêmica seja na mídia. (…) A autora examina as razões culturais que possam levar à eliminação das mulheres: a patrilinearidade [de certos] sistemas patriarcais que não concedem às mulheres nenhuma garantia e portanto nenhum peso social, o papel das religiões e, naturalmente, aquilo que chama “as insídias da modernidade”, ou seja, a possibilidade de descobrir através de análises o sexo do nascituro, de modo a eliminar o indesejável com o aborto. Meldolesi sabe perfeitamente como as novas técnicas médicas estão na origem de um agravamento do genericídio, especialmente no caso das comunidades imigrantes que, aliás, utilizam a assistência médica dos países em que se abrigaram para operar a antiga seleção sexual. Pensa entretanto que a assimilação  à sociedade ocidental as fará ver as mulheres de uma nova maneira.

 

Mas a parte mais interessante do livro é aquela em que a autora – que se declara favorável ao aborto e às tecnologias – relete sobre o fato de que é muito difícil combater ao mesmo tempo a batalha pelo aborto “seguro” e aquela contra o genericídio, porque é justamente o aborto seguro e legal que contribui para aumentar o número das mulheres eliminadas antes de nascer.  E não só: também as campanhas pelo controle demográfico, com suas esterilizações e abortos de massa, terão contribuído para agravar esta realidade. “O fato de que tantas mulheres que não são ignorantes nem marginalizadas” – afirma Meldolesi – “decidam abortar outras mulheres, obviamente, é como um vírus instalado no sistema de argumentação pro-choice [proescolha ou proliberdade de matar pelo aborto] e representa um desafio para o pensamento feminista, mas também para todos os progressistas”.  

 

O direito de abortar, portanto, deve ser garantido independente da intenção de quem recorre a ele? A eliminação dos fetos femininos não é uma extensão lógica do direito dos pais de controlar o número, o tempo o espaçamento e a qualidade dos filhos, considerado atualmente indiscutível? Eis as perguntas que se coloca a autora.

 

Mas pode-se acrescentar uma reflexão. Ainda uma vez, após o caso da eugenia na primeira metade do século XX, vem à luz os perigos inseridos no “direito” de controlar os nascimentos, de intervir para decidir a quem permitir vir ao mundo e quando. Também a falta dessas meninas assinala um perigo ao qual não se quer pensar, mas que concerne, junto com elas, a toda a humanidade.