Religião-Filosofia-História

Bento XVI: o Papa que sepultou o lendário Vaticano II
Eder Moreira

 

1.     Introdução

2.     Vaticano II e a manobra da ambiguidade

3.     O IBP e a Crítica Construtiva

4.     A Missa Nova desmistificada

 

  

1.     Introdução

 

Este trabalho não pretende ser uma análise completa do pontificado do Papa Bento XVI. Como o próprio título sugere, faremos algo mais específico, procurando demonstrar de que modo o glorioso pontífice despiu, de maneira irreversível, a lendária infalibilidade do Vaticano II e da Missa Nova de Paulo VI.

 

É recorrente entre os continuístas a tentativa de ajustar, de todas as formas, as doutrinas do Vaticano II à tradição católica. De modo geral, sustenta-se que não há problemas na letra do Concílio. O mal estaria apenas na interpretação que, abusivamente, atribui ao texto uma ruptura com a tradição. O mesmo é dito com relação a Missa Nova, a qual seria indevidamente criticada pelos tradicionalistas.

 

Para derrubar esse discurso continuísta, soprado aos quatro ventos, nada melhor do que o próprio Papa Bento XVI. É nesse sentido que traremos os atos importantes desse Pontífice que, de maneira singular, criticou o Vaticano II e a sua Missa Nova ecumênica-protestante.

 

 

2.     Vaticano II e a manobra da ambiguidade

 

 

Antes de apresentarmos os atos de Bento XVI contra o Vaticano II, convém trazer novamente alguns fatos que já incriminam – de modo inapelável – o Concílio que pretendeu conciliar a Igreja com os princípios da Revolução Francesa (Declaração do Cardeal Leo-Jozef Suenens).

 

Diz a Escritura Sagrada que “Todo pecador se dá a conhecer pela duplicidade de sua língua” (Eclesiástico V, 11). O Papa Pio VI, em sua Bula Auctorem Fidei, denunciou a manobra da ambiguidade:

"Eles [os Papas nossos predecessores, os Bispos, e certos Concílios Gerais] CONHECIAM BEM A ARTE MALICIOSA PRÓPRIA DOS INOVADORES, os quais, temendo ofender os ouvidos dos católicos, se esforçam por encobrir SOB FRAUDENTOS JOGOS DE PALAVRAS os laços das suas astúcias, A FIM DE QUE O ERRO, ESCONDIDO ENTRE SENTIDO E SENTIDO (São Leão Magno., Carta 129 da edição Baller), SE INSINUE MAIS FACILMENTE NOS ESPÍRITOS E ACONTEÇA QUE – ALTERADA A VERDADE DA SENTENÇA por meio de um curtíssimo acréscimo ou variante — o testemunho que devia dar a salvação, EM CONSEQUÊNCIA DE UMA SUTIL MODIFICAÇÃO, conduza à morte. Se esta INDESEJÁVEL E FALAZ MANEIRA DE DISSERTAR é viciosa em qualquer manifestação oratória, DE NENHUM MODO DEVE SER PRATICADO NUM SÍNODO, cujo primeiro mérito deve consistir no ADOTAR NO ENSINO UMA EXPRESSÃO DE TAL MODO CLARA E LÍMPIDA QUE NÃO DEIXE ESPAÇO AO PERIGO DE CONTROVÉRSIAS. Porém, se no falar se engana, não se pode admitir aquela subdola defesa que se costuma aduzir e pela qual, quando tenha sido dita alguma expressão dura demais, se se encontra a mesma explicada mais claramente em outra passagem, ou ainda corrigida, como se esta desenfreada licença de afirmar e de negar a bel prazer, QUE SEMPRE FOI UMA FRAUDULENTA ASTÚCIA DOS INOVADORES COMO COBERTURA DO ERRO”.


Prossegue o Pontífice contra a estratégia da ambiguidade, modus operandi do Vaticano II:

“Contra tais insídias, apesar de tudo renovadas em toda época, não foi colocada obra melhor em ação do que aquela de expor as sentenças que SOB O VÉU DA AMBIGUIDADE ENVOLVEM UMA PERIGOSA DISCREPÂNCIA DE SENTIDOS, ASSINALANDO O PERVERSO SIGNIFICADO SOB O QUAL SE ACHA O ERRO QUE A DOUTRINA CATÓLICA CONDENA” (Pio VI. Bula Auctorem Fidei de 29 de agosto de 1794).

 

É fato notório e INCONTESTÁVEL que a ambiguidade foi o artifício empregado nos textos do Vaticano II. E não adianta os continuistas espernearem, dizendo que isso é calúnia rad-trad. As provas desse acontecimento verificável constam nas próprias confissões insuspeitas dos peritos do Concílio.

 

Por exemplo, é o que disse o padre Schillebeeckx:

“Nós o expressamos de uma forma diplomática, mas depois do Concílio TIRAREMOS AS CONCLUSÕES IMPLÍCITAS” (apud Romano Amerio. Iota Unum: Um Estudo das Mudanças na Igreja Católica no Século XX. Rio De Janeiro: Editora Permanência, 2020, p. 120).

Sobre a questão da Colegialidade, declarou o perito conciliar (padre Schillebeeckx) que “a minoria tinha compreendido perfeitamente que O FRASEADO VAGO DO ESQUEMA SERIA INTERPRETADO EM UM SENTIDO MAIS FORTE DEPOIS DO CONCÍLIO [...] A maioria, dizia, tinha recorrido a uma TERMINOLOGIA DELIBERADAMENTE VAGA E EXCESSIVAMENTE DIPLOMÁTICA” (Ralph Wiltgen. O Reno se Lança no Tibre: O Concílio Desconhecido. Rio de Janeiro: Editora Permanência, 2007, p. 245).

 

O arcebispo Pericle Felici, secretário geral do Concílio, também relatou essa manobra, cujo fim era facilitar a hermenêutica da ruptura: “a Constituição Gaudium et Spes ‘maiore litura’ [isto é, com maior polimento] PODIA TER SIDO APERFEIÇOADA EM ALGUMAS EXPRESSÕES” (apud Romano Amerio. Iota Unum: Um Estudo das Mudanças na Igreja Católica no Século XX. Rio De Janeiro: Editora Permanência, 2020, p. 115).

 

Outro teólogo do Vaticano II (Karl Rahner) também confessou:

“... deixou-se aberto um certo número de questões teológicas importantes, sobre as quais não se chegaria a acordo, ESCOLHENDO-SE FORMULAÇÕES QUE PODERIAM NO CONCÍLIO SER INTERPRETADAS DIFERENTEMENTE POR GRUPOS E TENDENCIAS TEOLÓGICAS” (K.Rahner e H.Vorgrimler, Kleines Konzilskompendium. Samtliche Texte dês Zweten Vatikanumes, Fribourg, Herder, 1986, p. 21).

 

A ambiguidade foi introduzida de propósito!

 

É o que também atesta o perito Rene Laurentin:

 

“Elucidar o papel do sucessor de Pedro na ordem da certeza e da verdade, eis um problema ‘pastoral’... [nota: Não é aqui o lugar para discutir a palavra ‘pastoral’ que foi o título-programa de nossa contribuição: ‘Reflexão pastoral’. Mantemo-nos distantes com relação às ambiguidades desta palavra. Ela foi, no Concílio, uma espécie de cavalo de Tróia. Os líderes das duas tendências, majoritária e minoritária, fizeram de conta que a pastoral era um domínio adequadamente distinto da doutrina. Assim, os primeiros fizeram passar, sob a cobertura desta palavra inocente, toda uma renovação teológica, infelizmente muito mal ajustada a um sistema doutrinal que em aparência permanecia intacto. Estamos longe, ainda hoje, de sair desta ambigüidade inerente aos textos do Vaticano II. Toda teologia é pastoral; e toda pastoral autêntica é teológica]”. (Fonte: R. Laurentin, O Fundamento de Pedro na Incerteza Atual, in Concilium – Revista Internacional de Teologia, n. 83, 1973/3: Dogma, p. 354).

 

Para finalizar, não poderíamos deixar de reproduzir as próprias palavras do Papa Bento XVI, que também foi, quando ainda era padre, perito do Vaticano II:

 

“São todos temas de grande alcance - eram os grandes temas da segunda parte do Concílio – sobre os quais não é possível deter-se mais amplamente neste contexto. É claro que em todos estes setores, que no seu conjunto formam um único problema, podia emergir alguma forma de descontinuidade e que, em um certo sentido, se tinha manifestado de fato uma descontinuidade, na qual todavia, feitas as diversas distinções entre as históricas situações concretas e as suas exigências, resultava não abandonada a continuidade nos princípios – FATO ESTE QUE FACILMENTE FOGE À PRIMEIRA PERCEPÇÃO” (Bento XVI, Discurso à Cúria em 22 de Dezembro de 2.005. O destaque é nosso).

 

Sobre essa declaração de Bento XVI, reproduzo a conclusão do professor Orlando Fedeli:

 

“Bento XVI, no discurso em pauta, demonstrou exatamente isso, que os textos do Vaticano II SÃO SUSCEPTÍVEIS DE UMA DUPLA INTERPRETAÇÃO [...] que, NUM PRIMEIRO ENTENDIMENTO, os textos do Vaticano II DÃO A IMPRESSÃO DE RUPTURA COM A DOUTRINA CATÓLICA, numa segunda leitura, pode-se encontrar – por vezes COM GRANDE ESFORÇO – uma interpretação harmônica com a doutrina de sempre. Ora, dizendo isso, embora sem querer, o Papa Bento XVI classificou o Vaticano II como tendo SABOR DE HERESIA [...] Logo, a própria exposição de Bento XVI deixa patente que os textos do Vaticano II podem ser classificados como tendo sapiens heresim, com sabor de heresia, e que, portanto, são condenáveis”

 

Prossegue – com muita precisão – o professor Orlando Fedeli:

 

“Ora, quando um texto não é claro, e suscita várias interpretações, a causa da confusão não é provocada pelas correntes que discutem qual é a verdadeira leitura do texto, E SIM PELO PRÓPRIO TEXTO AMBÍGUO, QUE ENSEJOU ESSAS DIVERSAS CORRENTES E LEITURAS [...] Indiretamente, então, Bento XVI, ao admitir, num discurso pontifício, que houve duas leituras do Vaticano II, implicitamente deixou claro que a culpa de toda a confusão FOI O PRÓPRIO TEXTO DO VATICANO II, como o reconheceu outro ‘perito’ do Concílio, o modernista holandês Schillebeeckx”

 

https://www.montfort.org.br/bra/veritas/papa/espirito_vaticano_ii/

 

Em resumo, podemos formular algumas conclusões desse discurso de Bento XVI:

 

a)    Que de fato houve a manobra no sentido de introduzir ambiguidades para favorecer a hermenêutica da descontinuidade, conforme atestam as confissões insuspeitas dos peritos do Concílio.

 

b)    Que os textos do Vaticano II, por sua letra (propositalmente) ambígua e favorecedora de erros doutrinários, possuem um condenado sabor de heresia.

 

c)     Que o Vaticano II não foi infalível e que contém erros (sapiens heresim), razão pela qual pode ser criticado, conforme admitiu o Papa Bento XVI ao fundar o Instituto do Bom Pastor.  

 

Daí se entende por que Bento XVI, mesmo antes de ser Papa, afirmou ser preciso ter muita COMPREENSÃO com relação às críticas ao Concílio:

 

“Para outros, o concílio [Vaticano II] deu um grande escândalo ao ceder terreno ao mundo desvirtuado. Esses últimos lamentam-se pelo fato de o concílio ter provocado verdadeiras crises e ter discutido coisas que para eles estavam absolutamente certas [...] os mais conservadores se perguntam: e o concílio, não enveredou ele por um caminho completamente oposto e que só poderá conduzir a uma meta bem diversa que não a da conversão? Nenhuma dessas dúvidas, de qualquer corrente de pensadores que proceda, deve ser desprezada. É preciso haver muita compreensão com relação às críticas sobre o concílio." (Joseph Ratzinger, Das Neue Volk Gottes - Enwürfe zur Ekkleseologie. Düsseldorf: Patmos-Verlag, 1969. Trad. Clemente Raphael Mahl. O Novo Povo de Deus. São Paulo: Paulinas, 1974, p. 282).

 

É evidente que um Concílio propositalmente ambíguo não poderia ser infalível. Foi essa manobra da ambiguidade que introduziu as brechas anfibológicas que, no pós-concílio, permitiu que a fumaça de Satanás invadisse o Templo de Deus: “Por alguma BRECHA a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus” (Papa Paulo VI.Discurso em 29 de Junho de 1972). 

 

É claro que os continuístas – cegos ao meio dia – evocam um possível sentido ortodoxo – as vezes possível de ser aplicado ao texto ambíguo do Vaticano II – como prova de que o Concílio não foi manobrado pelos modernistas. Mas, como bem explicou um ex-aluno do professor Orlando contra um defensor do Vaticano II, uma possível interpretação católica do texto não significa que ele seja bom e que não deva ser condenado:

 

“Não é porque se pode atribuir, a posteriori, uma interpretação legítima a um texto, que isso faz com que não haja erro nesse texto; pelo contrário, se esse texto é, por exemplo, propositalmente ambíguo – substituindo uma afirmação tradicional clara por uma inovação obscura – e feito justamente para permitir uma interpretação má, ao mesmo tempo que contendo como álibi uma possível interpretação benévola, tal texto é em si errado e condenável, como aliás já foram condenados muitos textos pela Igreja exatamente por esse motivo (cf. Bula Auctorem Fidei, do Papa Pio VI)”.

 

Diante dessa realidade insofismável – amarga para os continuístas – temos claramente demonstrado que o Vaticano II não escapa da condenação. Ora, se o Espírito do Concílio foi condenado por Bento XVI e a sua letra possui uma venenosa ambiguidade, fica a seguinte pergunta: o que sobra do Vaticano II?

 

 

O IBP e a Crítica Construtiva:

 

 

De uma letra propositalmente ambígua, favorecedora de uma hermenêutica modernista, é compreensível admitir uma ação de crítica construtiva. É o que fez o Papa Bento XVI que, no exercício de seu pontificado, fundou o Instituto do Bom Pastor, cuja missão é rezar SÓ a missa de sempre e CRITICAR a letra venenosa do Vaticano II.

 

Acontece que alguns continuístas procuraram minimizar ou esfumaçar esse dever de “crítica construtiva”. Dizem eles que, na verdade, o IBP não deve criticar, mas simplesmente cooperar com a interpretação autêntica dos textos do Vaticano II.

 

No passado, essa tentativa suscitou uma calorosa polêmica. Um antigo membro da Montfort procurou sustentar que o IBP não passou de uma emboscada do Papa Bento XVI para engolir os tradicionalistas. A comemorada “crítica construtiva” era uma arapuca modernista do Papa. Essa expressão – crítica construtiva – deveria ser entendida como “interpretação autêntica”, o que – a priori – levaria a concordar que, em si mesmo, o Concílio seria inocente, e que todo o mal estaria somente na sua má recepção ou interpretação.  

 

Em resposta à essa acusação, produzi na época uma densa dissertação. A intenção era provar que o IBP foi fundado não para enganar, mas para esclarecer que o Vaticano II não foi infalível e que sua letra, favorecedora de uma má interpretação, contém problemas que podem ser criticados. Afinal, permitir críticas a um texto é admitir que ele pode conter equívocos.

 

Como esse meu trabalho não está mais disponível na internet, tomarei os argumentos da impressão que guardei para uma eventual necessidade.

 

Antes de apresentar a elástica hermenêutica do meu adversário, no intento de desfigurar a missão do Instituto do Bom Pastor, convém ressaltar um detalhe que, para a miopia continuísta, passa despercebido.

 

Em seu primeiro sermão como Superior do IBP, declarou o Padre Laguérie:

 

“Vós me direis: MAS NÃO CEDERAM EM NADA? Pois bem, NÃO CEDEMOS, como pudestes constatar bem: QUANTO À LITURGIA, NÃO CEDEMOS EM NADA, QUANTO À DOUTRINA, NADA E MENOS AINDA, se assim posso dizer [...] Trata-se da MANIFESTAÇÃO DESSE RECONHECIMENTO DE QUE NÓS SOMOS CATÓLICOS - foi isso que se passou."

 

https://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/20060910/

 

Essas palavras do superior do IBP (em seu primeiro sermão) diz categoricamente que o Papa não exigiu uma mudança de pensamento sobre o Vaticano II e a Missa Nova. Portanto, conforme testemunha o Padre Laguérie, eles foram reconhecidos como católicos (em comunhão com a Igreja) mesmo tendo a posição crítica da FSSPX.

 

Amparados na decisão pontifícia de Bento XVI, podemos dizer, sem perigo de cisma ou heresia, que é possível ser um bom católico mesmo rejeitando a Missa Nova e criticando o Vaticano II. É o magistério vivo de Bento XVI contra o Concílio e a sua missa fabricada

 

Somente isso já seria suficiente para mostrar como Bento XVI desferiu golpes mortais contra o anfibológico Vaticano II.

 

Que o Instituto do Bom Pastor recebeu do Papa a Missão de criticar o Vaticano II, podemos vislumbrar em várias manifestações. Uma delas é o Primeiro Sermão Público do Superior, o Padre Laguérie:

"Finalmente, no seio da Igreja Católica, será possível abrir um debate... há questões teológicas pontuais, e em particular aquelas que concernem o concílio Vaticano II. A esse respeito, TEMOS A OBRIGAÇÃO – outra coisa inesperada – de trabalhar, sob a tutela do Papa, que é o único com o poder de fazer isto, para apresentar a doutrina católica autêntica. Quero dizer com isso que TUDO AQUILO QUE HÁ DE AMBÍGUO E MESMO DE FALSO DEVE SER CORRIGIDO [rétabli] POR NÓS, com o objetivo de apresentar finalmente uma interpretação autêntica desse concílio. O que supõe de outro lado que essa interpretação não existe totalmente ainda, e vou dar alguns exemplos: A LIBERDADE RELIGIOSA FEZ ESCORRER MUITA TINTA, vós o sabeis, e efetivamente, há coisas aparentemente E TEXTUALMENTE CONTRADITÓRIAS COM O MAGISTÉRIO PRECEDENTE”

 

https://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/20060910/

 

Em junho de 2007, Padre Laguérie novamente explicitou a missão do IBP:

 

“Esse grande princípio de hermenêutica vai ficar portanto para o que vier depois: é à luz do Magistério anterior e portanto da Tradição da Igreja que deverão ser levantadas TODAS AS DIFICULDADES, CONTRADIÇÕES E EQUÍVOCOS DEVIDOS, NO PRÓPRIO TETXO, ao mau espírito do Concílio. Pois no fim das contas, vai ficar para sempre esse escândalo histórico de que foi necessário, 40 anos mais tarde, toda a autoridade de um Pontífice luminoso PARA ELIMINAR UMA A UMA TODAS AS ARMADILHAS DE UMA ‘ANFIBOLOGIA’ QUASE INSTITUCIONAL”.

 

https://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/blog_laguerie20070729/

 

No Site oficial do IBP (Distrito da América Latina), temos essa Missão igualmente explicitada:

 

“Essa MISSÃO reside também na possibilidade dada expressamente pela Santa Sé de uma CRÍTICA SÉRIA E CONSTRUTIVA DOS ATOS CONTROVERSOS DO MAGISTÉRIO RECENTE, segundo os princípios teológicos que regem os diversos graus de magistério e o assentimento a eles devido. Isto não para causar vã polêmica, mas para pôr à disposição da autoridade eclesiástica sólidos argumentos teológicos para a correta interpretação ou, quando for o caso, CORREÇÃO DESTES TEXTOS”

 

https://ibpamericalatina.org/ibp/especificidade/

 

O mesmo pode ser confirmado no site francês do Instituto:

 

“Além disso, o Instituto foi fundado com a tarefa explícita de oferecer UMA CRÍTICA CONSTRUTIVA E TEOLÓGICA DE CERTAS REFORMAS DECORRENTES DO CONCILIO VATICANO II”

 

https://www.institutdubonpasteur.org/decouvrir-linstitut/notre-charisme/

 

Mesmo com essa clareza inconfundível – CONTRA O VATICANO II – meu adversário fez um esforço medonho para dizer que, na realidade, a missão do IBP é simplesmente cooperar com a hermenêutica da continuidade. Em outras palavras, os membros do Instituto teriam concordado que o problema está na hermenêutica e não no Concílio com sua letra anfibológica.

 

É inegável que a Missão do IBP é criticar e não interpretar!

 

Mais ainda: Criticar o Vaticano II e não as interpretações que dele decorreram.

 

Entretanto, o meu adversário teimou que essa era uma distorção da Montfort e não a verdadeira missão do Instituto do Bom Pastor. Bento XVI seria um modernista que enganou os ex-padres tradicionalistas da FSSPX.

 

Para compreender a raiz dessa calúnia, convém expor o raciocínio do adversário sobre a Crítica Construtiva:

 

1)    O Padre Laguérie igualou “o dever de crítica” ao dar uma verdadeira interpretação do Concílio Vaticano II

 

2)    Padre Laguérie declarou que a finalidade do trabalho doutrinário do IBP é dar um sentido católico – correto – aos textos, o que significa que, a priori, eles serão mantidos e, inclusive, justificados por meio da interpretação autêntica

 

3)    Padre Laguérie fala de uma retificação da doutrina por meio da interpretação autêntica, e não dos textos.

 

Esses seriam os três “pilares” da hermenêutica que supõe – caluniosamente – uma harmonia entre o IBP e a visão continuísta.

 

Nosso antigo oponente disse que a crítica ao Vaticano II significa a sua correta interpretação. De fato, as duas palavras aparecem no discurso do IBP. Mas é preciso ressaltar as nuances que os apressados deixam escapar para favorecer um puro imaginário.

 

É interessante observar que o carismático Felipe Aquino tentou sustentar essa mesma inverdade sobre a Missão do IBP. Mas, não só foi desmascarado pelo professor Orlando Fedeli, como também pelo Superior do IBP na América Latina, o Padre Rafael Navas Ortiz:

 

“Es evidente que dicha misión, con relación al Vaticano II, dada por el Papa al IBP, lejos de costituir una exigencia de aceptación del Concilio, como usted afirma, crea más bien una obligación de critica del mismo; crítica que por lo demás ha comenzado, y cuya pauta ha dado el mismo Benedicto XVI, particularmente expresada en el mensaje de Navidad a la Curia Romana en diciembre pasado. En ese Discurso, el Papa Benedicto XVI reprobó el llamado ‘espíritu del Concílio’ que da una interpretación nitida y abiertamente modernista del Vaticano II. Ahora, el Papa solicita que se haga una crítica al texto del Vaticano II, y lo solicita al Instituto del Buen Pastor, encargándolo particularmente de esta ardua misión”

 

https://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/carta_felipe_aquino/index.php

 

Quem tem mais propriedade para falar do sentido da crítica senão os próprios superiores do IBP?

 

Antes de apresentar minha resposta sobre a questão, farei a reprodução de dois trechos de uma exposição do Padre Laguérie em março de 2007. O primeiro diz respeito ao Ato de Adesão que prevê a Crítica Construtiva:

 

“A respeito de certos pontos ensinados pelo Concílio Vaticano II ou concernentes às reformas posteriores da liturgia e do direito, que nos parecem DIFICILMENTE conciliáveis com a Tradição, nós nos engajamos em ter uma atitude positiva de estudo e de comunicação com a Sé Apostólica, evitando toda polêmica. Essa atitude de estudos quer participar, POR UMA CRÍTICA SÉRIA E CONSTRUTIVA, da preparação de uma interpretação autêntica da parte da Santa Sé sobre esses pontos do ensinamento do Concílio Vaticano II [...] E como o Instituto do Bom Pastor se comprometeu também a trabalhar nesse sentido e a apoiar o Pontífice Romano para PERMITIR-LHE dar o SENTIDO AUTÊNTICO DO MAGISTÉRIO, é muito justo que nós façamos, meus confrades e eu mesmo, um grande eco a essas páginas decisivas para o futuro da Igreja”

 

Isso foi dito pelo Padre Laguérie em seu Blog. E foi a partir dessas declarações que nosso oponente deduziu que a missão do Instituto é cooperar – sem criticar – com a hermenêutica da continuidade. A crítica construtiva não passaria de uma miragem para enganar tradicionalistas.

 

O primeiro erro do nosso adversário foi pensar que a interpretação autêntica é algo favorável ao Vaticano II, como se isso provasse que o erro está só na sua interpretação.

 

Como vimos no começo dessa dissertação, um texto propositalmente ambíguo também é alvo de condenação, mesmo que, à custa de um laborioso esforço, se encontre nele uma boa interpretação. Ora, Bento XVI deu a entender que a intepretação autêntica é necessária porque a letra do Concílio favorece – numa primeira leitura – uma interpretação contrária à doutrina tradicional. Portanto, dizer que a letra do Vaticano II precisa de uma interpretação autêntica – que ainda está por vir – significa dizer que a sua letra favorece – propositalmente – uma má interpretação.

 

Nesse sentido, quer pela crítica construtiva, quer pela interpretação autêntica, o Vaticano II não escapa da condenação!

 

Mas, vamos ao assunto específico: o dever de “crítica construtiva”.

 

Uma primeira resposta contra a pretensão de igualar o dever de crítica ao Vaticano II à sua correta interpretação, consta no trabalho que produzi contra o ex-membro da Montfort:  

 

“Ora, dizer que um texto é contestável é dizer que um texto tem erros, pois, do contrário, o que haveria de contestar? Em um texto que, tendo a obrigação de ser claro, acaba resultando obscuro, é evidentemente um texto errado. Logo, é justamente porque os textos do concílio Vaticano II, sua letra, são contestáveis, que se impõe a obrigação de ajudar o Papa a criticá-los e, com a autoridade papal, transformá-los – mudando neles tudo o que for preciso mudar por estarem errados ou por induzirem a erro – em textos corretos e aceitáveis”

 

Letra ambígua, texto errado!

 

Texto errado, letra criticável!

 

O professor Orlando Fedeli já havia dado uma excelente explicação sobre a crítica construtiva:

 

“Quando um edifício está já construído, e até habitado, toda crítica a ele visa reformar o que foi mal edificado, e, portanto, visa derrubar alguma parede, colocar um parapeito que não foi posto, eliminar certos elementos, acrescentar outros.

Não há crítica construtiva que não exija certa destruição, pelo menos parcial.

Paralelamente, uma crítica construtiva de um texto deve visar a eliminação de expressões erradas, equívocas ou ambíguas, que possam ser mal interpretadas. Ora, o Concílio Vaticano II foi escrito de tal modo ambíguo que propiciou uma interpretação condenada por Bento XVI: a do chamado ‘Espírito do Concílio’. Portanto, uma crítica construtiva do Vaticano II deve sugerir a eliminação, de certos termos, sua substituição pelos termos usados tradicionalmente, a correção de algumas frases, o acréscimo de outras, etc. Não há crítica construtiva de um texto que não implique na mudança do texto”

 

https://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/criacao_ibp/

 

Para driblar esse esclarecimento – como um sabonete continuísta – nosso espadachim fez um contorcionismo malandrêsco, alegando que a palavra “crítica” não significa necessariamente apontar erros. Segundo o contestador, essa palavra pode significar simplesmente “avaliar” ou “analisar”.

 

Uma análise ou avaliação crítica de um texto supõe nele a possibilidade de falhas ou imprecisões. Do contrário, por que se daria a um Instituto o DEVER de Crítica a um Concílio que não pode ter problemas? Ademais, é evidente que essa missão atende à posição inalteradados padres do IBP que, sob o beneplácito de Bento XVI, não renunciaram a posição tradicional contra o Concílio e a Missa Nova.

 

Esse dever de criticar está em sintonia com a posição do Papa Bento XVI. Ora, o Pontífice admitiu que a letra do Vaticano II favorece, numa primeira leitura, uma interpretação reprovável. Portanto, se o problema decorre do próprio texto em razão da sua ambiguidade, o dever do IBP deve ser entendido no sentido de crítica ao próprio texto do Concílio.  

 

Existe um detalhe importante que também fragiliza essa pretensão de confundir o dever de crítica com a interpretação continuísta.

 

Conferindo atentamente a Missão do IBP, percebe-se que Roma coloca o dever de crítica na condição de meio indispensável para possibilitar uma interpretação autêntica:

 

“Essa atitude de estudos quer participar, por uma crítica séria e construtiva, DA PREPARAÇÃO DE UMA INTERPRETAÇÃO AUTÊNTICA da parte da Santa Sé sobre esses pontos do ensinamento do Concílio Vaticano II [...] E como o Instituto do Bom Pastor se comprometeu também a trabalhar nesse sentido e a apoiar o Pontífice Romano para PERMITIR-LHE DAR O SENTIDO AUTÊNTICO DO MAGISTÉRIO”

 

Ora, todo fim depende de um meio para ser alcançado. E o meio para se alcançar a interpretação é a crítica construtiva. Logo, Roma admite que, com relação aos pontos problemáticos do Concílio, não há interpretação possível sem uma crítica precedente. É a forma de se dizer que não é possível interpretar catolicamente os textos do Vaticano II sem uma intervenção “cirúrgica” de uma crítica ao próprio texto Conciliar.

 

Caso o problema do Vaticano II fosse somente de interpretação, a crítica não seria colocada como meio indispensável. E se é indispensável, é porque a crítica difere da interpretação. Não pode haver subordinação entre coisas idênticas. Como a crítica está fundamentalmente subordinada à interpretação do Papa, o legítimo e oficial intérprete da Igreja, entende-se que ela significa algo diverso do fim ao qual está condicionada.  

 

O erro do meu adversário consistiu em pensar que a futura interpretação exclua qualquer possibilidade de mudança no próprio texto. O serviço da crítica pode ser entendido no sentido de sugerir modificações, quando, por si só, uma interpretação correta não tenha sido possível. Teremos assim a legítima interpretação do Papa, mas não sem a contribuição vital da crítica construtiva. A Santa Sé se comprometeu. Desse modo, será obrigada a mudar o texto quando ele não permitir, em hipótese alguma, um sentido católico.

 

Ademais, como poderia suceder de os teólogos não estarem subordinados a interpretação autêntica do Papa? Os teólogos sempre ensinaram submetendo-se ao juízo ou interpretação da Santa Sé. São os cismáticos que agem como autocéfalos, recusando dependência ao Magistério do Papa. Não querem que a crítica esteja subordinada ao julgamento do Romano Pontífice.  

 

O IBP aponta o problema!

 

O Papa dá o veredito!

 

Portanto, não existe oposição entre a Crítica e a Interpretação, quando a primeira visa permitir a segunda, conforme informa o texto-missão do IBP.

 

A verdade é que, tanto a necessidade de uma interpretação quanto a de uma crítica supõe um problema no próprio Vaticano II. Ora, um Magistério que precisa ser interpretado à luz da tradição – quando deveria ter sido luminoso em sua letra magisterial – supõe um problema textual. Um texto propositalmente ambíguo é um erro em si mesmo, pois foi feito para favorecer uma hermenêutica reprovável. Quanto à própria crítica – dever do IBP – ela também supõe erros no próprio Vaticano II, pois só pode ser criticado aquilo que se admite conter erros criticáveis.

 

Bento XVI encurralou o ambíguo Vaticano II.

 

O continuismo foi sepultado!

 

Pelo Magistério de um Papa!

 

Viva o IBP!

 

Viva o Papa que enterrou o lendário Vaticano II.

 

 

 

4.     A Missa Nova desmistificada

 

 

As ações de Bento XVI contra a Missa Nova começaram bem antes do seu pontificado. Quando ainda Cardeal, endossou as severas críticas de Monsenhor Klaus Gamber contra a Missa Nova. Para o Pontífice, que compreendia os males da reforma litúrgica, a Missa Nova foi uma “falsificação”, uma “fabricação”, um “produto banal de um instante”. No prefácio da Obra “Voltados para o Senhor”, também de Gamber, Bento XVI acusou a Missa Nova de ser um rito antropocêntrico, isto é, voltado para o Homem e não para Deus:

 

“Depois de nos terem dado uma edição francesa de ‘Die reform der Rómischen Liturgie’, os monges de Barroux publicam agora em francês uma segunda obra DO GRANDE liturgista Klaus Gamber, ‘Zum Herrn hin’, sobre a orientação da Igreja e do Altar. Os argumentos históricos abordados pelo autor, se fundamentam num profundo estudo das fontes, que ele mesmo realizou. Concordam com os resultados de grandes sábios como F. J. Dólger, J. Braun, J. A. Jungmann, Erik Peterson, Cyrille Vogel, o Revmo. Pe. Bouyer, apenas para citar alguns nomes eminentes. Porém o que dá importância a este livroé sobretudo o substrato teológico, posto em dia por esses sábios investigadores. A orientação da oração comum a sacerdotes e fiéis (cuja forma simbólica era geralmente em direção ao leste/oriente, quer dizer, ao sol que se eleva), era concebida como um olhar lançado ao Senhor, ao verdadeiro sol. Há na liturgia uma antecipação de seu regresso: sacerdotes e fiéis vão ao seu encontro. Esta orientação da oração expressa no caráter TEOCÊNTRICO da liturgia obedece à exortação: ‘Voltemo-nos para o Senhor’. Esta monição, esta chamada, dirige-se a todos nós, e mostra, indo além de seu aspecto litúrgico, como faz falta que toda a Igreja viva e atue para corresponder à mensagem do Senhor” (Joseph Raztinger. Prefácio da obra de Monsenhor Klaus Gamber. Voltados para o Senhor. Versão Digitalizada, 2008, p. 4).

 

Sem ressalvas, um importante Cardeal da Igreja elogiou as obras do Gamber!

 

Contra a Missa Nova com sua mesa Luterana!

 

Contra sua posição antropocêntrica-protestante!

 

Bento XVI, portanto, tinha a mesma opinião do Gamber sobre a Missa Nova:

 

“A ruptura com a tradição está consumada: pela introdução da nova forma de celebração da missa e os novos livros litúrgicos” (Monsenhor Klaus Gamber. A Reforma da Liturgia Romana. Versão Digitalizada. 2009, p. 13).

 

Para maiores detalhes, recomendamos os artigos publicados no site Montfort.

 

A guerra de Ratzinger contra a Missa Nova – que ele compreendia ser uma falsificação e um ruptura com o desenvolvimento orgânico – continuou quando ele se tornou o Papa Bento XVI. E um primeiro golpe significativo foi a fundação do IBP com a missão exclusiva de rezar SÓ a Missa de Sempre. Conforme declarou o Padre Laguérie, eles não cederam em nada em suas posições críticas ao Vaticano II e à Missa Nova. E, endossando essa posição, o Papa permitiu que esses padres continuassem reprovando a Missa Nova, dando a eles a obrigação de NÃO REZAR a Missa Nova de Paulo VI.    

 

Bento XVI reconheceu por esse ato que é possível ser católico rejeitando a Missa Nova de Paulo VI.

 

Mais um golpe de Bento XVI contra a Missa do Maçom Annibale Bugnini!

 

A guerra de Bento XVI prosseguiu!

 

O Papa tinha pressa em acabar com a Missa Nova!

 

É o que nos revelou Dom Fellay em suas tratativas com Roma.

 

Ao ser perguntado sobre a data de um possível acordo com Roma, respondeu o superior da FSSPX:

 

“É impossível dizer quando. Garantiram-nos que o texto ‘liberalizando’ a Missa tridentina seria publicado em Outubro de 2005. Isso ainda não foi feito. O Papa QUER IR DEPRESSA. Nós lhe dizemos: devagar. É uma bomba atômica, que não se deve explodir! Antes da aterrisagem, nós nos esforçamos em preparar a pista de pouso. Propusemos um roteiro de viagem”

 

Na sequência, os comentários do professor Orlando Fedeli:

 

“Então, é Dom Fellay que pede ao Papa Bento XVI para ir mais devagar?

O Papa Bento XVI QUE IR MAIS DEPRESSA que Dom Fellay? Que significa isso? Bento XVI É MAIS EXIGENTE DE UMA REFORMA JÁ, JÁ, do que o próprio chefe dos “integristas”? Se ninguém pode ser mais realista do que o Rei, é bem surpreendente constatar que, segundo o bem insuspeito Dom Fellay, Bento XVI É MAIS APRESSADO NA REAÇÃO CONTRA A MISSA NOVA que o próprio Superior da FSSPX! Que ótimo!!! Viva !!! Viva o Papa!!!”

 

https://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/duas_entrevistas/

 

Na reação contra a Missa Nova o Papa queria ir mais depressa do que a FSSPX!

 

Essa vontade apressada do Papa de uma reforma da reforma – fase de transição para o retorno triunfante da Missa Tridentina – também pode ser percebido na ordem vinda do Vaticano para corrigir a tradução errada do latim “pro multis” que, na missa nova, foi mudado pela expressão “por todos”:

 

“De acordo com a Instrução Liturgiam Authenticam, deve haver o esforço para uma maior fidelidade aos textos latinos contidos nas edições tí­picas.

As Conferências dos Bispos daqueles países onde a fórmula ‘por todos’ ou sua equivalente está atualmente em vigor são, portanto, requisitadas a realizar a catequese necessária aos fiéis sobre essa questão nos próximos um ou dois anos, para prepará-los para a introdução de uma tradução vernacular precisa da fórmula pro multis (ou seja, ‘por muitos’, ‘per molti’, etc.) na próxima tradução do Missal Romano que os Bispos e a Santa Sé aprovarem para uso em seu paí­s”

 

O Vaticano não só ordenou a correção da tradução errada – triunfante na missa nova – como explicou o motivo teológico:

 

“A expressão ‘por muitos’, embora permaneça aberta à inclusão de cada pessoa humana, reflete também o fato de que essa salvação não é efetuada de um modo automático, sem o concurso da vontade ou a participação de cada um; pelo contrário, o fiel é convidado a aceitar na fé o dom oferecido e a receber a vida sobrenatural que é dada àqueles que participam neste mistério, pondo também isso em prática na vida, para ser contado no número daqueles ‘muitos’ aos quais o texto faz referência”

 

https://www.montfort.org.br/bra/imprensa/igreja/20061118/

 

É claro que, no desespero de salvar a todo custo o Vaticano II e a sua Missa, o continuísta lança na mesa o que acredita ser o seu coringa mágico.

 

Apressadamente e com um ar de vitória, recorrem ao seguinte ensino infalível do Concílio de Trento:

 

“Se alguém disser que as cerimonias, as vestimentas e os sinais externos de que a Igreja Católica usa na celebração da Missa são mais incentivos de impiedade do que sinais de piedade — seja excomungado”

 

https://www.montfort.org.br/bra/documentos/concilios/trento/

 

Com uma única citação, o continuísta acredita ter demolido toda a crítica tradicionalista contra a Missa Nova de Paulo VI.

 

Em outro artigo – contra o continuísta Padre José Eduardo – demonstramos que, usar esse cânon para condenar os tradicionalistas, também inclui na mesma condenação os responsáveis pela Missa Nova (Paulo VI e Bugnini).

 

A tese continuísta, que também é repetida pelos sedevacantistas, sustenta que, nas leis universais a Igreja não pode aprovar nada que favoreça a impiedade ou cause prejuízo espiritual para as almas. Logo, como a Missa Nova foi promulgada e aprovada para toda a Igreja pelo Papa Paulo VI, não pode ela ser prejudicial.

 

A tese parece perfeita e irrecusável.

 

Se não fosse Bento XVI nos dar uma solução definitiva, estaríamos em dificuldades.

 

Mas, Bento XVI foi o Papa das soluções!

 

Ele também resolveu esse falso dilema continuísta.

 

E não pense os cegos continuístas que se trata apenas de uma opinião do Papa. O que traremos faz parte do Magistério do Papa Bento XVI.

 

No exercício do seu pontificado, Bento XVI modificou o Código de Direito Canônico. A justificativa do Papa é o xeque-mate contra a tese dos continuístas:

 

“Todavia, o Código de Direito Canónico estabelece que os fiéis, que se separaram da Igreja com um "ato formal", não são obrigados às leis eclesiásticas relativas à forma canónica do matrimónio (cf. cân. 1117), à dispensa do impedimento de disparidade de culto (cf. cân. 1086) e à autorização pedida para os matrimónios mistos (cf. cân. 1124). A razão e o fim desta excepção à norma geral do cân. 11 tinha a finalidade de evitar que os matrimónios contraídos por aqueles fiéis fossem nulos por defeito de forma, ou então por impedimento de disparidade de culto.

Todavia, a experiência destes anos demonstrou, ao contrário, que esta nova lei gerou não poucos problemas pastorais. Antes de tudo, pareciam difíceis a determinação e a configuração prática, nos casos individuais, deste ato formal de separação da Igreja, quer quanto à sua substância teológica, quer quanto ao próprio aspecto canónico. Além disso, surgiram muitas dificuldades tanto na ação pastoral como na prática dos tribunais. Com efeito, observava-se que da nova lei pareciam nascer, pelo menos indiretamente, uma certa facilidade ou, por assim dizer, UM INCENTICO À APOSTASIA naqueles lugares onde os fiéis católicos são numericamente exíguos, ou então onde vigem leis matrimoniais injustas, que estabelecem discriminações entre os cidadãos por motivos religiosos; além disso, ela tornava difícil o retorno daqueles batizados que desejavam intensamente

contrair um novo matrimónio canónico, depois do fracasso do precedente; enfim, omitindo outras considerações, muitíssimos destes matrimónios tornavam-se de fato para a Igreja matrimónios chamados clandestinos.” (Carta apostólica sob forma de «motu proprio» omnium in mentem do sumo pontífice Bento XVI sobre algumas modificações no código de direito canônico)

 

Ensinou Bento XVI, com sua autoridade pontifícia, que o Código de Direito Canônico (LEI UNIVERSAL) continha elementos NOCIVOS que favoreciam a APOSTASIA.

 

Como pode uma Lei Universal, aprovada pela Igreja, favorecer a perda da Fé? Não dizem os continuístas que nas leis universais a Igreja é sempre infalível, e que, portanto, não podem nunca ser prejudiciais?

 

E agora, continuístas?

 

Amparados no Magistério de Bento XVI, podemos dizer que, assim como o Novo Código de Direito Canônico, a Missa Nova também tem elementos que favorecem a apostasia! Não existe, portanto, essa fórmula automática de infalibilidade. Nem sempre uma lei Universal é Infalível!

 

É Bento XVI que assim ensinou!

 

No seu Magistério!

 

Ficamos com Bento XVI!

 

Contra a falsa infalibilidade!

 

Contra a Missa Nova!

 

Contra o Vaticano II.

 

Contra o delírio continuísta!

 

Que desobedecem ao Magistério de Bento XVI.

 

Viva o Papa!

 

Viva Bento XVI!

 

O Papa que enterrou o falso continuísmo!

 

In Corde Maria Regina

Eder Moreira

 


    Para citar este texto:
"Bento XVI: o Papa que sepultou o lendário Vaticano II"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/religiao/bentoXVI/
Online, 02/11/2026 às 20:28:33h