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A Profecia do Padre Pio a Dom Lefebvre
PERGUNTA
RESPOSTA
Muito Prezado Rafael, salve Maria!
Em primeiro lugar, nunca ouvi falar nessa suposta profecia do Padre Pio e duvido muito que seja verdadeira.
Veja, os grandes moralistas tomistas, quando falam sobre a virtude da obediência, sempre se preocupam em ensinar que a obediência nunca é um ato de alienação moral, isto é, a verdadeira obediência nunca é uma renúncia cega da razão.
A frase "pratiquem sempre a obediência, especialmente quando os erros das autoridades lhes parecerem maiores" sugere uma forma de obediência passiva ou mecânica, servil. A obediência é uma virtude eminentemente ativa e um ato da vontade racional.
O obediente não suspende sua inteligência. Ele participa ativamente do processo ao compreender a legitimidade da autoridade, julgar que é justo obedecer e decidir, de forma voluntária, conformar sua vontade à ordem recebida. É um ato positivo movido pela razão, e não uma abdicação dela. Como toda virtude visa aperfeiçoar uma potência da alma para "agir bem", a obediência consiste em exercer ativamente a vontade segundo a reta razão. Por isso, ela exige discernimento, prudência, generosidade e responsabilidade moral, distanciando-se do simples conformismo ou servilismo.
Uma Obediência Cega, uma suspensão do juízo moral destruiria o caráter virtuoso da ação. Para que haja virtude, é indispensável um ato humano consciente, livre e em conformidade com a reta razão. Obedecer virtuosamente é um exercício de autoridade sobre si mesmo, onde o sujeito decide racionalmente seguir uma ordem por reconhecê-la como parte da ordem objetiva do bem.
O tom das supostas falas do Padre Pio aproxima-se do que se entende como uma "obediência cega" compreendida como suspensão do juízo moral. Para que o ato de Dom Lefebvre (ou de qualquer católico) fosse virtuoso, ele precisaria ser um "ato humano consciente, livre e conforme à reta razão". Se a obediência forçada implica em destruir a própria consciência ou a verdade da fé, ela deixa de ser uma virtude e passaria a ser um vício.
E qual seria o ato de desobediência de Dom Lefebvre? A recusa aos ensinamentos do Concílio do Vaticano II e às deformas da Missa promovidas pelo Papa Paulo VI?
Aqui você pode verificar alguns estudos e críticas às ambiguidades e erros do Concílio do Vaticano II, e aqui e aqui você pode verificar algumas interessantes críticas à Missa reformada. Portanto, existem motivos suficientemente sólidos para se suspender a obediência a esse Concílio e às reformas litúrgicas advindas dele.
Desobedecer uma lei má, em certo sentido, nem é propriamente um ato de desobediência, pois uma ordem má, não é propriamente uma ordem. A recusa de cumprir uma ordem injusta não constitui o vício da desobediência, porque esse vício consiste em recusar uma ordem legítima e obrigatória. A desobediência, como pecado, supõe que exista um dever de obedecer. Se esse dever não existe, a recusa não é, por si só, desobediência.
Uma ordem (preceito) enquanto ato de autoridade é essencialmente ordenada ao bem comum. O fim bom não é um elemento acidental, mas pertence à própria definição da lei e do preceito. Se a lei perde essa ordenação ao bem comum, ela perde, em sentido pleno, a natureza de lei. Daí o princípio: “Lex iniusta non est lex, sed legis corruptio” (A lei injusta não é lei, mas corrupção da lei).
Uma ordem injusta permanece um ato de comando, mas deixa de ser um verdadeiro preceito enquanto regra moral obrigatória, porque o direito de ordenar pressupõe a ordenação ao bem. Quando essa ordenação desaparece, desaparece também a obrigação de obedecer.
Agora, prezado Rafael, se você se refere às Sagrações de 1988 como ato de desobediência, em uma carta do no site intitulada O Perenialismo Eclesiológico da igreja Econiana (FSSPX), segunda Resposta ao Garoto Fraternoso, eu explico porque a decisão de Dom Lefebvre foi necessária (em contraposição às sagrações atuais da FSSPX).
Esperando tê-lo respondido, peço, caro Rafael, que por caridade reze por nós, e rezemos todos pelo Sumo Pontífice Leão XIV, para que ele tome boas decisões em vista de pelo menos amenizar a grande crise que solapa a Igreja de Cristo.
In báculo cruce et in virga virgine,
Francis Mauro Rocha.






