Religião-Filosofia-História

UMA ANÁLISE GERAL DA DOUTRINA E DO ENSINAMENTO MORAL DO OLAVO DE CARVALHO: UM “FILÓSOFO” EM OPOSIÇÃO À DOUTRINA CATÓLICA
Eder
 

 

 

 

Parte II - Resposta ao bruxo do coral: um fiel discípulo do Olavo de Carvalho, cuja valentia se esconde no Anonimato

 

 

 

 

  1. Segundo Enrolavo: a maledicência contra o Olavo de Carvalho

 

 

Para o bruxo do coral – que pretendeu nos dar lição de Catecismo –, teríamos caluniado o falecido Olavo de Carvalho, um teimoso que sempre insistiu em proferir erros gravíssimos contra a Fé.

 

Vamos reproduzir um item do Catecismo que o bruxo usou para nos acusar do pecado de maledicência:

 

§ 2477 – “O respeito pela reputação das pessoas proíbe toda atitude e toda palavra suscetível de lhes causar injusto dano. Torna-se culpado de juízo temerário quem, mesmo tacitamente, admite como verdadeira, sem fundamento suficiente, uma falta moral do próximo; de maledicência quem, sem razão objetivamente válida, manifesta os defeitos e as faltas de outrem; de calúnias aquele que, por afirmações contrárias à verdade, prejudica a reputação dos outros e dá ocasião a falsos juízos a respeito deles”.

 

Usar esse texto para nos acusar de maledicência demonstra a má vontade ou a ignorância do bruxo que, desastrosamente, pretendeu nos dar aula de Catecismo.

 

Segundo o excerto supracitado, comete juízo temerário aquele que acusa sem fundamento suficiente; de maledicência, aquele que manifesta os defeitos e faltas de outrem sem razão objetivamente válida; e calúnia, quem profere afirmações não verdadeiras, emitindo um falso julgamento.

 

Qualquer “boa visão” consegue perceber que nossas afirmações possuem os elementos de um juízo ponderado: “fundamentação, razão válida e sólida veracidade”. Logo, não há juízo temerário, maledicência ou calúnia contra o “professor” Olavo de Carvalho.

 

Mas, para o bruxo que vive numa bolha esotérica, seria maledicência chamar Olavo de herege, pois existem provas inequívocas de seu afastamento da Tariqa do Schuon. Ademais, ele teria passado a denunciar o plano de infiltração islâmica, recebendo, antes da morte, os Sacramentos.


Em primeiro lugar, o perenialismo guenoniano não foi o único erro defendido por Olavo de Carvalho. Para se ter uma noção da dimensão dos erros do guru, basta ler (com educação e boa vontade) a monumental refutação do professor Orlando Fedeli:
A Gnose Tradicionalista de René Guénon e Olavo de Carvalho. Além dessa dissertação, outro artigo foi publicado e não foi respondido pelo furibundo Olavo que, como de costume, só respondeu com latidos e palavrões: O modernismo de Olavo de Carvalho.

 

Evidentemente, não reproduziremos o corpus teórico dos trabalhos supracitados. Que o bruxo e sua diminuta plateia apreciem os trabalhos – ainda que com má vontade – para enxergar que o palpiteiro da Virgínia era, na verdade, um lobo modernista. 

 

Apenas para complementar, refutaremos tão somente a alegação do nosso precipitado mosqueteiro que, vivendo no mundo de Nárnia, sonhou que Olavo teria renunciado aos erros perennis do Schuon e Guénon.

 

A seguir, as palavras do “catequista” desafinado:

 

“É certo que nada disso deveria ser dito, pois o nosso Moleira é dotado de ciência infusa e tem razões muito graves para acusar e vilipendiar a fama do professor Olavo — já morto —, tudo em prol da defesa católica, claro. O senhor Moleira não só é inteligentinho como sonda rins e corações, sabendo o que de mais oculto há na alma do finado professor, por mais que este tenha confessado sua participação e se afastado da tariqa do Schuon, passando a denunciar o plano de infiltração islâmica através de livros e cursos. Mas tudo isto é bobajada e não conta, pois o senhor Moleira leu e assistiu a todos eles e sabe que aquilo é pura empulhação. Que Olavo também tenha sido assistido pelos sacramentos no fim da vida, também de nada vale. E na suposição de ele ter sido tudo aquilo que nosso caluniador profissional diz, o fato de ter recebido os sacramentos da confissão no fim da vida já bastaria para que não se tocasse nesse assunto sem correr o risco de cair em juízo temerário”

 

https://tratemeporismael.substack.com/p/colecionando-vexames).

 

Sobre Olavo ter recebido os Sacramentos, faremos algumas considerações. Mas, antes disso, analisaremos a suposta conversão do Olavo, sob as garantias infalíveis de um bruxo que, embora cante gregoriano, vive em desarmonia com a triste realidade de um herege inveterado.

 

 

4.1 As fontes esotéricas: a eterna gratidão do discípulo tariqueiro

 

 

Para satisfazer a cobrança do bruxo e dos seguidores do Olavo, fiz questão de analisar todo o Curso Online de Filosofia que, segundo o próprio “filósofo”, é o centro do seu pensamento:

 

“O COF é a minha obra. Tudo o que eu fiz é em função do COF. É o centro de tudo”

 

youtube.com/shorts/tpSV7X40nTA?si=G1PK-lYp_mKRHRmh

 

Sempre que alguém denuncia um erro no pensamento do Olavo, imediatamente estrebucham os inconformados, inclusive o bruxo, dizendo que o denunciante não apreciou todo o ensino do “ex-tariqueiro”.

 

Com esse mesmo discurso trambiqueiro, protestou o bruxo que tudo sabe de Olavo de Carvalho: 

 

“Mas tudo isto é bobajada e não conta, pois o senhor Moleira leu e assistiu a todos eles (livros e cursos) e sabe que aquilo é pura empulhação”

 

https://tratemeporismael.substack.com/p/colecionando-vexames

 

Será que o bruxo realmente apreciou as quase 600 aulas do COF do Olavo? Ora, se para compreender o pensamento do Olavo é preciso conhecer tudo o que ele ensinou (cursos e livros), o mesmo vale para os alunos alienados. Assim sendo, espero que o bruxo tenha, de fato, lido e ouvido tudinho antes de se arvorar advogado de um herege indefensável.

 

Antepostas essas considerações, analisaremos se Olavo abandonou a gnose perenialista, condenando publicamente todos os erros do Schuon e Guénon.

 

Segundo o vaticínio do bruxo do coral, amparado – quem sabe – pelas influências astrológicas, Olavo se afastou do perenialismo. A prova disso seria o desligamento do guru da Tariqa do Schuon e a sua atuação no sentido de denunciar o plano de infiltração islâmica.

 

Será que o bruxo é cego ou sofre de uma incurável má-vontade, ignorando as próprias declarações do seu querido professor? Não é possível que um bruxo, guiado pelas estrelas, não tenha enxergado algo cristalino e persistente nos escritos e vídeos do Olavo de Carvalho.

 

Vamos dar uma mãozinha ao bruxo, pois as estrelas parecem não ter iluminado a sua compreensão!

 

Os erros de Frithjof Schuon e René Guénon nunca desapareceram dos discursos de Olavo de Carvalho. E, antes que o bruxo revoltado lance seus anátemas, apresento as fontes onde o “ex-tariqueiro” continuou a defender as mentiras dos “mestres” da seita perennis.

 

Longe de manifestar um rompimento com o perenialismo, retratando-se publicamente, Olavo continuou elogiando e concordando com os gurus do esoterismo:

 

“Então eu conto para você, por um monte de cachorrada que o Schuon fez inclusive comigo, mas digo: olha, o livro dele ainda é um dos grandes livros do século 20... a Unidade Transcendente da Religião é um dos grandes livros certo” (COF nº. 318).

 

Apesar das sujeiras heréticas no livro de Schuon, Olavo diz, sem constrangimento, que se trata de um grande livro do século XX. Isso mostra que Olavo não rompeu com o esoterismo islâmico do Schuon.

 

Quer mais provas, bruxo desorientado?

 

Com muita atenção, leia as palavras do seu querido “professor” schuoniano:  

 

“Eu não quero ficar cuspindo na memória das pessoas, porque acho que Schuon tem uma grandeza. Ao ler os livros dele, vê-se que há uma grandeza; e eu não posso negar que aprendi muita coisa ali” (COF nº. 209).

 

Então os livros gnósticos do Schuon têm uma grandeza insuperável?

 

Olavo disse mais, bruxo completamente desinformado!

 

Aprecie a confissão do seu “ex-tariqueiro”:

 

“O Schuon não é flor que se cheire, Guénon também não. Mas, os ensinamentos certos, que recebei de um e de outro, são coisas de uma profundidade extraordinária que nós devemos estar sempre gratos”

 

https://www.youtube.com/watch?v=nSLq9CoDEPg

 

Ser grato por ensinamentos encharcados de gnosticismo?

O que Olavo chama de profundidade extraordinária não passa de empulhação perenialista!

 

Esse amor indissolúvel de Olavo por seus mestres tariqueiros prosseguiu calorosamente:

 

“Aproveitei muito do que aprendi com ele, porque intelectualmente Schuon é um gênio. Eu não posso negar. O gênio filosófico dele é inegável. Ele é o verdadeiro inventor da ciência das religiões comparadas. É uma ciência que existia antes dele, mas a qual só ele conseguiu dar uma base fundamental. O poeta inglês-anglo-americano T.S. Hélio dizia que o livro dele, a Unidade Transcendida das Religiões, era a coisa mais importante e mais impressionante que ele tinha lido em matéria de religiões comparadas [...] Então, o Schuon é um gênio, eu não posso negar” (COF nº. 507).

 

Gênio filosófico!

 

Livro mais importante e impressionante!

 

Quanta adesão e gratidão de Olavo à metafísica gnóstica de Schuon!

 

E quando Olavo vai apontar algum erro no Schuon, ele só considera questões periféricas, ignorando a doutrina perenialista:

 

“O Schuon tem páginas absolutamente magistrais a respeito do Cristianismo e a respeito de todas as religiões. Jamais neguei o talento extraordinário desse homem. O único problema é que ele achava que era um papa de todas as religiões e que ele mandava no mundo [...] enquanto filósofo, podemos aproveitar muita coisa do Schuon” (COF 15).

 

Então o motivo pelo qual Olavo se desligou da tariqa não foi doutrinário? Com exceção da pretensão de ser uma espécie de pontífice das religiões, tudo o mais era correto no pensamento no Schuon?

 

Isso explica o porquê Olavo não se importava com a gnose de Schuon e Guénon:

 

“O grande problema que a gente vê em Schuon, Guénon etc., não é o fato de serem eles gnósticos no sentido herético da coisa, não é esse o problema: quem está impressionado com isso é o Orlando Fedeli, não eu” (COF nº. 28).

 

Realmente, somente um católico de verdade enxergaria como algo muito grave os erros gnósticos da dupla perenialista. Para quem não professava a fé católica, mas sim o esoterismo perennis, certamente a gnose não era algo para se preocupar e muito menos denunciar.  

 

Deixemos o Olavo explicitar seu eterno amor esotérico por Schuon e Guénon:

 

“O problema com esses dois não é esse: o problema é que eles têm, além dos objetivos declarados, eles têm um objetivo secreto. Esses camaradas são agentes da incorporação islâmica do Ocidente. E eles não dizem isso, não confessam isso abertamente, quando deveriam confessar. Existe todo um coeficiente de mentira e fingimento na obra dos dois e é isso o que os torna lesivos, não o fato de que são ‘gnósticos’; eles não são marcionistas, não são arianistas, não são nada dessas heresias, o problema deles não é esse: o problema é que a obra deles tem um objetivo estratégico de longo prazo ― nada mais, nada menos ― a absorção de todas as tradições religiosas, principalmente a Cristã e a Judaica, pelo Islã. O problema com eles não é o gnosticismo” (COF nº. 28).

 

As aspas na palavra “gnósticos” foram inseridas pelos alunos do Olavo, responsáveis pela transcrição!

 

O que significam essas aspas dos fiéis alunos no termo gnósticos? Seria porque o “professor” de heresias não os considerava gnósticos? Ora, por não ver problema em tão grave doutrina, tudo indica que Olavo continuou gnóstico, considerando digna de preocupação somente a questão política do Schuon e Guénon: submeter as religiões ao báculo do islamismo.

 

Essa oposição meramente política pode ser confirmada no livreco do Olavo (O Jardim das Aflições). Depois de elogiar e recomendar o livro herético do Schuon, Olavo insere a seguinte nota explicativa:

 

"O reconhecimento de minha dívida intelectual para com F. Schuon não implica de maneira alguma aceitá-lo como a espécie de guru universal ou árbitro supremo das tradições que ele de certo modo pretendeu ser." (Olavo de Carvalho. O Jardim das Aflições. 2a. São Paulo: E. Realizações, pág. 308).

 

Em vez de condenar – como um bom católico – a doutrina gnóstica do guru tariqueiro, Olavo apenas se queixa da pretensa política de Schuon: “impor-se como árbitro supremo das tradições”.

 

Essa constante concordância do Olavo com a gnose tradicionalista pode ser verificada na devoção e gratidão que ele manifestou, insistentemente. Como o bruxo hipócrita não leu nem apreciou todo o COF do Olavo, daremos uma mãozinha ao aluno displicente que pretendeu defender, cegamente, um “mestre” que sequer procurou conhecer suficientemente.

 

Em seu imenso trabalho de refutação, o professor Orlando já havia denunciado a simpatia e a concordância de Olavo com autores gnósticos. Com muito entusiasmo, recomendava livros de orientação esotérico-perenialista. Toda essa demonstração pode ser confirmada no artigo supracitado.

 

É com grande entusiasmo que o “professor” de palavrões se referia ao mestre gnóstico Shankaracharya:

 

"Recebi ainda o impacto decisivo da doutrina vedantina, da qual tomei conhecimento por Swami Dayananda Sarasvati, diretor da Academia de Estudos Védicos de Bombaim, que eu e alguns companheiros trouxemos ao Brasil para dar conferências e se tornou um grande amigo do nosso país. Ele me pôs na direção certa em que devem ser lidas as obras de Shankaracharya, provavelmente o mais alto espírito metafísico que já habitou este mundo" (Olavo de Carvalho. Entrevista concedida ao Embaixador Caius Traian Dragomir, 1998 apud Orlando Fedeli. A Gnose “Tradicionalista” de René Guénon e Olavo de Carvalho).

 

O aluno bruxo conhece o pensamento de Shankaracharya, o mais alto espírito metafísico jamais superado, segundo o “professor” Olavo de Carvalho?

 

Abra sua cachola esotérica, bruxo que pouco sabe de catolicismo. Veja como o gnóstico Shankaracharya considerava o corpo material:

 

“Este corpo denso feito de pele, carne, sangue, veias, artérias, gordura, medula, ossos e outras coisas sujas, deve ser desprezado [...] Deixe de identificar-se com a família, linhagem, nome, forma, períodos de vida (estudantil, chefe de família, etc.) porque tudo isto pertence ao corpo que é como um cadáver putrefato [...] Realizando intimamente o Atman, o infinito, puro conhecimento e bem-aventurança, joga para longe esta limitação do corpo, cuja natureza é inerte e suja. Em seguida, não o recorde mais, porque recordar o que foi vomitado só causa desgosto” (Shankaracharya. A Joia Suprema do Discernimento, 87, 297 e 414).

 

Na sequência, vejamos mais alguns ensinamentos do maior espírito metafísico:

 

“Por isso, a exclusão do mundo externo é o primeiro degrau da Liberação [...] Este universo tem sua raiz na mente e jamais persiste se a mente for aniquilada. Assim que dissolva a mente concentrando-a no Supremo Ser, tua essência mais íntima [...] Medita sobre o Atman que reside em ti (como teu próprio Ser), que não tem nenhuma qualidade limitante, que é a Existência-Conhecimento-Bem-aventurança Absoluta, o UM sem segundo e assim não voltarás mais ao círculo do nascimento e morte” (Shankaracharya. A Joia Suprema do Discernimento, 335, 407 e 412).

 

De forma resumida, o pensamento do maior espírito metafísico: 1) O corpo material deve ser “vomitado” como algo “imundo e desprezível”; 2) O “sábio” deve se libertar do mundo físico, que jamais persiste se a mente for aniquilada 3) No “íntimo” do homem existe uma realidade “Divina”.

 

Isso explica por que o gnóstico Seyyed Hossein Nasr considerava Shankara um mestre da Gnose:

 

"A obra de mestres da gnose tais como Sankara e Jalal al-Din Rumi pertencentes a dois tipos de tradições muito diferentes exemplifica o casamento entre sabedoria da ordem mais elevada e beleza de expressão." (Seyyed Hossein Nasr, Knowledge and the Sacred, p. 275).

 

Para um ex-tariqueiro, supostamente convertido do gnosticismo, o mínimo que se esperava era que tivesse denunciado os graves erros gnósticos de Shankaracharya, considerando-o não um alto espírito metafísico, mas um miserável repetidor da gnose antimetafísica.  

 

No mínimo, é suspeita a “conversão” do Olavo de Carvalho.

 

Mas o bruxo, com sua retórica de botequim, protestará em defesa do seu diretor espiritual: o “professor” Olavo mudou de pensamento!

De fato, o bruxo não é um bom discípulo.

 

O COF – coração do Olavo – confirma a persistência do guru no gnosticismo:

 

“Muitas vezes, lendo Shankaracharya, eu não posso negar que esse sujeito foi inspirado porque não é possível conhecer a ordem total da realidade por mero esforço humano. Alguém o inspirou. O Espírito Santo o guiou de alguma maneira” (COF nº. 41).

 

Como poderia um gnóstico, cuja doutrina repudia a própria ordem natural, ensinar sua revolta metafísica inspirado pelo Espírito Santo? Qual critério usou Olavo para dizer que os ensinamentos do gnóstico Shankaracharya são inspirados por Deus? Seria a “sabedoria” dos mestres tariqueiros?

 

Assim como o bruxo, Olavo não conhecia o Catecismo!

 

Era muito esoterismo e quase nada de catolicismo!

 

Contra essa blasfêmia do Olavo, atribuindo ao Espírito Santo as mentiras gnósticas, temos o ensino de Cristo: 

 

“Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons” (S. Mateus VII, 17-18). Nesse mesmo sentido, ensinou Santo Agostinho, citado por Santo Tomás de Aquino: “Enquanto alguém é mau não pode produzir bons frutos” (Santo Agostinho apud Santo Tomás de Aquino. Catena Aurea. Comentário ao Evangelho de São Mateus).

 

Além de tariqueiro, Olavo também era blasfemador!

 

Eis o maldito legado do guru perenialista!

 

O querido “professor” do bruxo desafinado!

 

Shankara não era o único ídolo do panteão gnóstico do Olavo:

 

"Sou aficionado de temas islâmicos e retorno sempre aos livros de Ibn Arabi, René Guénon, Henry Corbin, Frithjof Schuon, Titus Burckhardt, Seyyed Hossein Nasr." (O Brasil tem filósofo. Entrevista de Olavo de Carvalho a Gramática On line, http://www.olavodecarvalho.org/textos/temfilosofo.htm. O negrito é meu).

 

Olavo, o fiel tariqueiro, não só era aficionado por gnósticos, mas reconhecia a importância do ensino recebido:  

 

"Devo muito, no entanto, aos estudos de religião comparada e simbólica tradicional (René Guénon, Frithjof Schuon, Titus Burckhardt, Seyyed Hossein Nasr) e às noções de alquimia natural e espiritual que recebi de dois amigos, Juan Alfredo César Müller e Michel Veber" (Olavo de Carvalho, entrevista ao Embaixador Caius Traian Dragomir - novembro de 1998).

 

Dessa sociedade esotérica, consideremos, para esta resposta, apenas o iraniano Seyyed Hossein Nasr.

 

Já que Olavo sempre foi apaixonado por autores cabalistas, reconhecendo o valor do conteúdo produzido, vejamos o pensamento “valoroso” do seu admirado mestre perenialista. 

 

De forma inequívoca, Seyyed Hossein Nasr ecoa a heresia condenada de Mestre Eckhart: 

 

"Ela [a Divindade] é Vazio se o mundo é encarado como plenitude e Plenitude se o relativo é percebido à luz de sua pobreza ontológica e vazio essencial” (Seyyed Hossein Nasr. Knowledge and the Sacred, p. 134).

 

A nota explicativa reforça a concordância com o dualismo Eckhartiano:

 

"... metafisicamente falando, o conceito de Realidade Suprema como vazio e como plenitude se complementam um ao outro como o símbolo yin-yang e ambos se manifestam integralmente em toda tradição integral. Mesmo no Cristianismo, em que o simbolismo da Plenitude Divina é enfatizado e desenvolvido com notável elaboração na teologia franciscana, especialmente a de São Boaventura, a visão complementar de vazio aparece nos ensinamentos do dominicano Meister Eckhart, que fala do 'deserto da Divindade'." (Seyyed Hossein Nasr, Knowledge and the Sacred, p. 134 e nota 9, p. 155-156)"

 

A gnose bolorenta do iraniano também aparece na sua concepção tripartite do homem (corpo, alma e espírito divino):

 

"Num primeiro nível de compreensão do microcosmo humano, portanto, deve-se levar em consideração a natureza tripartida do ser humano, que consiste em espírito, alma e corpo - os clássicos pneuma, psyché e hylé, ou spiritus, anima e corpus, das tradições ocidentais tanto greco-alexandrinas quanto cristãs - ao menos considerando o hermetismo cristão. A alma é o princípio do corpo, mas no ser humano 'normal' é ela própria subserviente ao espírito e atinge sua salvação e beatitude por meio de seu casamento com o espírito que é tema de tantos textos alquímicos." (Seyyed Hossein Nasr, Knowledge and the Sacred, State University of New York Press, 1989, p. 172. O negrito é meu.)

 

Para confirmar que realmente Olavo nunca se divorciou da sua paixão gnóstico-tariqueira, vale ressaltar que seu valoroso mestre (Seyyed Hossein Nasr), também sustentou o Adão Andrógino Primordial:

 

"O macho e a fêmea em sua complementaridade recriam a unidade do ser andrógino e, de fato, sua união sexual é um reflexo terrestre deste êxtase paradisíaco que pertencia ao anthropos andrógino"(Seyyed Hossein Nars, Knowledge and the Sacred, State University of New York Press, 1989, p. 177)

 

Essa é a referência de boa “metafísica” de Olavo, inclusive indicada por ele em sua obra “O Jardim das Aflições”:  

 

"É ainda nos Estados Unidos que se encontra hoje o mais poderoso núcleo de resistência ao avanço do ateísmo oficial - o que abrange desde as comunidades que se organizam contra a lei do aborto até a elite espiritual concentrada em torno de figuras como Seyyed Hossein Nasr”.

 

E qual é o livro de Seyyed que Olavo indica como poderoso núcleo de resistência da elite espiritual? Exatamente a obra gnóstica Knowledge and the Sacred (Olavo de Carvalho, O Jardim das Aflições. E. Realizações, p. 308).

 

Olavo ex-tariqueiro?


Para concluir este assunto, não poderíamos deixar de explicitar o amor indissolúvel do Olavo pelo gnóstico René Guénon:

“É claro que toda obra de René Guénon é uma mensagem espiritual de uma importância extraordinária e transmitida desde uma altura que as pessoas não pegavam, quer dizer, ele estava falando realmente com autoridade” (COF nº 223).

Então toda a obra do Guénon é uma mensagem espiritual de uma importância extraordinária?

 

Eis o COF do Olavo, conteúdo esotérico do seu coração islamizado.

 

Dominado pelo delírio perenialista, Olavo chega a situar a compreensão gnóstica do Schuon e Guénon acima do clero ocidental:

 

“A vinda do Guénon e do Schuon para o ocidente foi o maior desafio intelectual que já foi colocado à Cristandade em vinte séculos. Esses camaradas vinham com uma compreensão tão profunda do simbolismo Cristão, dos princípios metafísicos subentendidos na própria arte Cristã, nos ritos etc., que não se encontrava no clero ocidental, entre os intelectuais ocidentais, um único sujeito que compreendesse aquilo. Então era um grande vexame, porque aqueles caras eram todos muçulmanos e de repente eles chegavam lhe ensinando a sua religião, e você tinha de dizer ‘Amém’ porque eles estavam certos” (COF nº. 43).

 

Diante do pensamento “extraordinário” do Guénon, só restava ao clero ocidental envergonhado dizer amém para as gagueiras gnósticas de um espírito iluminado.

 

Ex-tariqueiro?

 

Sonho de um bruxo enrolado por enrolavos!

 

Olavo não economiza elogios ao seu líder espiritual:

 

“Gostaria de lembrar o seguinte: qualquer que seja o caso, a obra do René Guenon continua sendo indispensável e acho que no final das contas ela mais ajuda do que atrapalha. Isto por que ele recolocou em circulação várias idéias que haviam sido perdidas pela cultura dominante na Europa nos últimos três séculos, e preparou toda a condição para que existisse uma ciência comparativa das religiões. Todas as objeções que podemos ter a essa obra --- e não tenho poucas --- nada tiram do seu valor. Mais ainda: acho que sem passar pela obra do René Guenon é impossível entender a situação atual do mundo” (COF 94)

 

Então a visão gnóstica de Guénon é indispensável?

 

Ela mais ajuda do que atrapalha?

 

Sem a visão perenialista é impossível entender a realidade do mundo contemporâneo?

 

A tariqa continuou viva na consciência do tariqueiro!

 

Olavo até critica alguns pontos periféricos no Guénon, sem tocar, contudo, no coração do sistema perenialista!

 

Quais obras do Guénon o fiel tariqueiro Olavo continuou indicando aos seus cabritos apascentados? 

 

Com a palavra, o apaixonado “professor” perenialista:

 

“Isso não desmerece em nada os trabalhos que ele depois veio a fazer, como O Homem e seu Devir Segundo o Vedanta, O Simbolismo da Cruz, a coletânea que ele reúne sob o título de Símbolos da Ciência Sagrada e O Reino da Quantidade e os Sinas dos Tempos, que são uma sucessão de obras-primas absolutamente fantásticas. Eu, sinceramente, não acredito que nada do que o Réne Guénon escreve ali precisasse ter sido transmitido a ele por nenhuma fonte esotérica. A sua própria inteligência metafísica seria suficiente para descobrir tudo aquilo por si próprio, sem usar nada mais do que os recursos normais que o Espírito Santo fornece à inteligência humana quando empenhada seriamente na busca da verdade” (COF nº. 41).

 

Olavo mais uma vez blasfema! Sem rodeios, ele atribui o ensino gnóstico, de um autor gnóstico, à intervenção do Espírito Santo.

 

O currículo de Olavo era realmente completo: herege, imoral, cismático e blasfemo! E ainda dizem, sem vergonha na cara, que Olavo tinha Razão.

 

Para que não fique dúvidas no coraçãozinho do bruxo enfeitiçado, finalizamos com mais uma exaltação do Olavo apaixonado:

 

“... a autoridade intelectual do René Guénon, embora exista --- quem quer que tenha lido os livros dele sobre o Vedanta, sobre o Simbolismo da Cruz etc., tem que reconhecer que o homem é um portento e que trouxe contribuições maravilhosas ao conhecimento” (COF nº. 41).

 

Inteligência guiada pelo Espírito Santo; superior ao clero ocidental; autor de obras fantásticas; homem portentoso, são os reconhecimentos do discípulo Olavo apaixonado por mestres perenialistas.

 

Será que o bruxo, que mal conhece o catecismo, seguiu o conselho do “professor”? Será que o aluno bruxo leu as obras maravilhosas do René Guénon? Procurou conhecer o que disse o mestre gnóstico do Olavo, inspirado pelo “Espírito Santo”?  

 

Como o bruxo deve estar bem ocupado fazendo pizzas para a sua freguesia, daremos mais uma forcinha, mostrando o que existe de maravilhoso e de Inspirado por Deus – segundo Olavo – nas obras de René Guénon.

 

Olavo recomendou como obra fantástica, insuperável e inspirada pelo Espírito Santo o livro do René Guénon: “O Homem e seu Devir Segundo o Vedanta”.

 

O que há de tão valioso e inspirado nesse livro do mestre do Olavo?

 

O professor Orlando Fedeli, em seu trabalho irrefutável, demonstrou a gnose bolorenta nos livros do René Guénon. Assim, por exemplo, no livro citado pelo Olavo, Guénon sustenta que “... tudo o que é de ordem individual é verdadeiramente inexistente" (René Guénon, L’Homme et son Devenir selon le Vedanta. Paris: Ed Traditionnelles, 1991, p. 15).

 

Como aceitar essa mentira gnóstica, dizendo ser ela fruto do Espírito Santo agindo no Guénon?

 

Delírios blasfemos do Olavo tariqueiro!

 

No mesmo livro inspirado por Deus – segundo Olavo de Carvalho – Guénon diz que o “Si”, que existe em cada um, se identifica com Atmã. Este, por sua vez, é identificado, por ele, com Brahma, a Identidade Suprema:

 

"O ‘Si’ - [em francês, o ‘Soi’] - como vimos no que precede, não deve ser distinguido do Atmâ; e, de outro lado, Atmâ é identificado ao próprio Brahma: é o que nós podemos chamar de a ‘Identidade Suprema’ de uma expressão emprestada ao esoterismo islâmico, cuja doutrina, sobre este ponto como sobre muitos outros, e apesar de grandes diferenças na forma, é no fundo a mesma que a da tradição hindu" (René Guénon, L ‘Homme et son Devenir selon le Vedanta, ed Trad., Paris, 1991, p. 41).

 

Sobre essas palavras do Guénon, a conclusão do professor Orlando é esclarecedora:

 

“Esse texto é bem interessante.Nele Guénon afirma que o ‘Si’ é igual ao Atmâ, que é igual a Brahma. Logo, o centro do homem seria a própria Divindade, já que duas quantidades iguais a uma terceira são iguais entre si. O ‘Si’ é uma partícula de Brahma no homem. Caberia citar aqui a famosa frase do Upanishad: ‘Brahma é o teu âtmâ e teu âtmâ é Brahma’. Em outras palavras, a partícula divina que está encarcerada no homem é a Divindade, e a Divindade é ela. Como você vê, de novo, fica patente a Gnose hindu propalada por Guénon” (https://www.montfort.org.br/bra/cadernos/religiao/guenon/)

 

Para não sobrecarregar o bruxo, que tem muita pizza para entregar, trarei mais uma “prova”, segundo Olavo, de que o Guénon foi inspirado pelo Espírito Santo.

 

Explicitando seu mais puro gnosticismo, ensinou René Guénon:

 

"Podemos dizer que o Demiurgo cria a Matéria entendendo por essa palavra o cáos primordial que é a reserva comum de todas as formas, depois organiza essa matéria caótica e tenebrosa onde reina a confusão, fazendo surgir dela as formas múltiplas cujo conjunto constitui a criação" (T. Palingenius, aliás, René Guénon, Le Démiurge, artigo publicado originalmente na revista La Gnose n o 1, p. 4).

 

E sabe quem é o Demiurgo criador da matéria para Guénon? O Diabo, tal como ensina a gnose maniqueísta:

 

"Desde um ponto de vista geral, o Demiurgo, convertido em uma potência distinta e considerado como tal, é o "príncipe deste mundo" de que se fala no Evangelho de São João " (R. Guénon, Le Démiurge, p. 4. O negrito é meu).

 

A gnose é obra do Espírito Santo?

 

O que acha, bruxo iludido por enrolados?

 

Essa concepção maniqueísta de Guénon esclarece a simpatia que ele nutria pelo anjo das trevas:

 

“E espero vê-lo, antigo rebelde, cansado e contrito, tornado à Unidade [...] Então está tudo acabado? E você deve sempre Passar noites e dias no abismo? Não! Isso não é possível, e seu destino ainda deve um dia tocar o coração da Suprema Bondade! Não se desespere, um dia finalmente chegará Quando, depois de tanto tempo, seu tormento terminará, E então, livre de seu reino sombrio, Você poderá contemplar o brilho do Pleroma” (Motreff. René Guénon: Julgado pela Tradição. p. 102).

 

O amor de Guénon por Satã era imenso!

 

Tão grande que ele aguardava ansioso o retorno do anjo da perdição!

 

Para um gnóstico, isso não impressiona!

 

E não pense que Olavo discorda da gnose guenoniana. Considerando toda obra de Guénon uma inspiração Divina, Olavo elogiou o artigo Le Démiurge:

 

"Talvez a amostra mais contundente da coerência da obra guénoniana seja o fato de que, no seu primeiro artigo, publicado em 1909 (Le Démiurge), Guénon já tenha definido, de maneira taxativa, tanto a sua posição quanto a do adversário: e daí até a sua morte, em 1951, Guénon permanecerá, sem nenhuma alteração doutrinária, o defensor da Unidade contra ‘o espírito de negação e de revolta’, da parte contra o todo e do relativo contra o Absoluto, o qual espírito personificado, recebe na tradição semítica o nome de Shatan, Shaitan, ou Satã, termos que querem dizer precisamente" o Adversário " (Olavo de Carvalho. O Homem e sua lanterna. René Guénon o Mestre da Tradição contra o Reino da Deturpação, in revista Planeta, no 107, agosto de 1981, p. 17).

 

Inspirado em Guénon – o espírito iluminado – Olavo concordou que o criador do Universo é o Adversário de Deus!

 

E você, bruxo, também concorda que o diabo é o criador do Universo? Concorda com Olavo: que toda a obra gnóstica do Guénon é uma mensagem espiritual extraordinária, dirigida pelo Espírito Santo? Está no COF, o maldito legado do guru perenialista!

 

Diante do exposto, fica demonstrado que Olavo continuou tariqueiro. Na verdade, Olavo saiu da tariqa, mas a tariqa não saiu do seu coração! 

 

Somente uma raça adestrada para não enxergar o incontestável: a gnose perennis nos eternos enrolados!

 

 

4.2 A metafísica gnóstica do Schuon e Guénon

 

Demonstrada a ininterrupta devoção de Olavo pela gnose perenialista, a qual ele considerava, blasfemamente, uma revelação do Espírito Santo, convém tratar, por conseguinte, da “metafísica” de Guénon e Schuon, igualmente endossada pelo sheik de Carvalho.

 

Para início da exposição, colocaremos em evidência o pensamento do Olavo sobre a questão, conforme ele manifestou em seu artigo “As Garras da Esfinge: René Guénon e a Islamização do Ocidente”.

 

https://olavodecarvalho.org/as-garras-da-esfinge-rene-guenon-e-a-islamizacao-do-ocidente/

 

Que essa dissertação exprime a máxima compreensão do Olavo sobre a metafísica perenialista, ele mesmo declarou convictamente:

 

“Eu não acredito que se possa dizer contra o René Guénon coisa mais séria do que eu mesmo disse no meu ensaio ‘As garras da Esfinge’” (Video). “Nas Garras da Esfinge eu matei a charada” (Video).

 

O artigo “As garras da Esfinge” nunca desapareceu do site do Olavo. Esse fato indica - obviamente - que o fiel guenoniano nunca mudou de pensamento sobre o perenialismo.


Exaltando a visão “metafísica” de Schuon e Guénon, em oposição ao sincretismo da United Religions Initiative (URI), declarou peremptoriamente o “professor” Olavo de Carvalho:

 

“Em contraste com a mixórdia sincretística da ‘Nova Era’, temos aqui um universalismo no sentido forte da palavra, uma visão abrangente e ordenadora que não somente apreende com extrema agudeza os pontos comuns entre as várias cosmovisões espirituais, mas dá a razão e fundamento da sua diversidade, de modo que a essa articulação do uno e do múltiplo se subordina, na verdade, toda a história universal das idéias e das crenças, das teorias e práticas, numa palavra: tudo o que o ser humano fez e pensou na sua caminhada sobre a Terra. Não há praticamente nada, nenhum fenômeno, nenhum pensamento, nenhum acontecimento fausto ou infausto, que de algum modo não encontre alguma explicação ‘perenialista’ eficiente e persuasiva, quando não IRREFUTAVELMENTE CERTA”

 

https://olavodecarvalho.org/as-garras-da-esfinge-rene-guenon-e-a-islamizacao-do-ocidente/

 

Olavo disse mais, em seu artigo pró-perenialista:

 

“O que confere ainda mais autoridade ao ensinamento perenialista é a afirmação reiterada de seus expositores, de que ele não é invenção sua, mas o mero traslado, em linguagem teórica atual, de REVELAÇÕES IMEMORIAIS que remontam a uma FONTE ORIGINÁRIA ÚNICA, a TRADIÇÃO PRIMORDIAL. Afirmação idêntica, na superfície, à dos próceres da ‘Nova Era’, mas agora fundamentada numa superabundância de provas documentais, de argumentos racionais, de toda uma ciência organizada do simbolismo universal e do comparatismo, da qual nascem tours de force intelectualmente deslumbrantes como os Symboles de la Science Sacrée do próprio René Guénon e A Treasury of Traditional Wisdom, de Whitall N. Perry, um dos mais próximos colaboradores de F. Schuon nos EUA, monumental coletânea de textos sacros organizados de modo a ilustrar, acima de qualquer dúvida razoável, a convergência essencial das doutrinas e símbolos das grandes tradições religiosas e espirituais, a UNIDADE TRANSCENDENTE DAS RELIGIÕES...”

 

https://olavodecarvalho.org/as-garras-da-esfinge-rene-guenon-e-a-islamizacao-do-ocidente/

 

Olavo repete (em 2016) a mesma lorota perenialista que sustentou em 1986:


"Existe uma Tradição Primordial, universal e eterna, que é o depósito da sabedoria revelada. Existe a manifestação humana e terrestre dessa Tradição, e portanto uma organização tradicional que a representa" (Olavo de Carvalho. Fronteiras da Tradição. Edição Nova Stella, Coleção: São Paulo, 1986, p. 13).

 

Está evidente, pelas próprias palavras de Olavo, que ele insistiu na mesma errônea concepção. Seduzido pelas Garras da Esfinge, ele continuou sustentando a idéia esotérica do perenialismo: a Unidade Transcendente das Religiões.

 

A tariqa continuou morando no coração do Olavo!

 

Um dos livros exaltado pelo Olavo - como prova irrefutável da gnose perenialista - é o (Treasury Traditional Wisdom), produção de um cooperador de Schuon, como observa o próprio guru astrológico. Mas não se trata apenas de um colaborador. Algumas informações devem ser acrescentadas à sucinta confissão do Olavo.

 

A obra de Whitall N. Perry, supostamente comprobatória da “unidade transcendental”, foi resenhada pelo editor da revista guénoniana Symbolos (Federico González). Em sua declaração insuspeita, disse o editor que o livro de Perry, elogiado por Olavo como obra fenomenal, é “una especie de biblia schuoniana [...] Este libro es tomado como una enciclopedia casi sagrada de sabiduría por los estudiantes schuonianos de habla inglesa”

 

Confissão interessantíssima de um editor de uma revista guenoniana!

 

Ainda sobre o livro, elogiado como grande obra pelo Olavo, diz o editor guenoniano:

 

“Sin entrar en la vida privada de nadie diremos que el mismo M. Koslow señala a Perry como el colaborador directo de Schuon y a su esposa como íntimamente allegada a su familia, con quien todo lo comparten; por lo que deben ser considerados como sus portavoces autorizados o los asociados más íntimos del suizo; incluso viven en casas vecinas.”

 

https://hermetismoymasoneria.com/libfg26.htm

 

De acordo com a voz insuspeita do editor da revista guenoniana, Whittal Perry é porta-voz do Schuon! Sua obra, uma bíblia schuoniana! Ademais, o nome da editora do livro de Perry é revelador: Perennial Books.

 

O livro, portanto, base da crença perenialista do Olavo, é uma bíblia perenialista, de um porta-voz e membro da seita do Schuon!

 

E vem o bruxo, com a maior cara de pau, dizer que Olavo rompeu com a tariqa do Schuon? 

 

Francamente, bruxo, seu alto QI homolaveticus é tão precário quanto a ortodoxia do Olavo

 

Respaldado na Bíblia schuônica-gnóstica, Olavo nos brinda com uma confissão premiada:

 

“Que as tradições materialmente diferentes convergem na direção de um mesmo conjunto de princípios metafísicos É ALGO QUE NÃO SE PODE MAIS COLOCAR SERIAMENTE EM DÚVIDA. A tese da UNIDADE TRANSCENDENTE DAS RELIGIÕES [PERENIALISMO] É VITORIOSA SOB TODOS OS ASPECTOS... TODAS AS RELIGIÕES REMETEM A UMA TRADIÇÃO PRIMORDIAL” (Olavo de Carvalho. Nas Garras da Esfinge, 2016).

 

Ficou claro, bruxo enfeitiçado?

 

Nem mesmo o pensamento do seu mestre sectário você conhece suficientemente. E ainda quer assumir a defesa de um réu que, OBJETIVAMENTE, permaneceu firme na convicção perenialista?

 

Olavo largou a Tariqa, mas não a doutrina perennis do Schuon e René Guénon. Ele pode até ter condenado o plano (a islamização do ocidente), como sugere o bruxo sem catequese. Mas, OBJETIVAMENTE, ele não condenou a DOUTRINA ESSENCIAL do perenialismo. Pode até ter ressaltado algumas dificuldades nas concepções do Schuon e mesmo do Guénon. Entretanto, continuou repetindo a mentira esotérica da Tradição Primordial.

 

Para adicionar mais tempero comprobatório, “desenterraremos” mais algumas “preciosas” declarações do Olavo, cujos palpites haviam se tornado uma teimosia perennis.

 

No artigo “As Garras da Esfinge”, Olavo continuou defendendo - com base na bíblia schuônica - a esotérica Tradição Primordial. Ao explicar em que consiste essa “Tradição” (unidade das religiões) ele disse tratar-se de uma METAFÍSICA, segundo o sentido MUITO ESPECIAL E PRECISO CONTIDO NAS OBRAS DE GUÉNON E SCHUON. Essa metafísica, segundo os mestres perenialistas do Olavo, “É a estrutura da realidade universal, que desce desde o Primeiro Princípio infinito e eterno até os seus inumeráveis reflexos no mundo manifestado, através de uma série de níveis ou planos de existência” (Olavo de Carvalho. As garras da Esfinge, 2016. Disponível em:

 

https://olavodecarvalho.org/as-garras-da-esfinge-rene-guenon-e-a-islamizacao-do-ocidente/).

 

Sem rodeios ou eufemismos, Olavo diz CONCORDAR com a concepção metafísica de Schuon e Guénon:

 

“Só há um detalhe: Que é propriamente uma metafísica? Não uso o termo como denominação de uma disciplina acadêmica mas no sentido MUITO ESPECIAL E PRECISO que tem NAS OBRAS de Guénon e Schuon”

 

https://olavodecarvalho.org/as-garras-da-esfinge-rene-guenon-e-a-islamizacao-do-ocidente/

 

E qual é o sentido muito especial e preciso da metafísica de Schuon?

 

Vejamos nas próprias palavras do mestre do Olavo:

 

“As considerações deste livro procedem de uma doutrina que não é filosófica, mas propriamente metafísica [...] esta [metafísica], na realidade, possui um caráter  transcendente que a toma independente de um pensamento puramente humano, seja este qual for. Para bem definir a diferença que há entre os dois modos de pensamento, diremos que a filosofia procede da razão, faculdade puramente individual, enquanto a metafísica está ligada exclusivamente ao Intelecto; este último foi assim definido por Mestre Eckhart, com pleno conhecimento de causa: ‘Há na alma algo que é incriado e incriável; se a alma inteira fosse assim, ela seria incriada e incriável; e isto é o Intelecto’” (Frithjof Schuon. A Unidade Transcendente das Religiões. São Paulo: Editora IRGET, 2011, p. 11).

 

A concepção metafísica do Schuon tem base na gnose do Mestre Eckhart.

 

E Olavo diz ser muito especial e precisa a metafisica eckhartiana de Schuon!

 

Não sabe o bruxo que essa “metafísica” foi condenada pela Igreja?

 

Vamos lá, bruxo, refrescar a sua precária memória homolavéticus:

 

“Aliquid est in anima, quod est increatum et increabile: si tota anima esset talis, esset increata et increabilis, et hoc est intellectus”

 

“Há na alma algo de incriado e de incriável; se toda a alma fosse de tal gênero seria incriada e incriável; e isto é o intelecto” (Denzinger 977).

 

A metafísica do Schuon - que Olavo diz ser muito especial e precisa - tem base no erro do Mestre Eckhart, QUE A IGREJA CONDENOU.

 

Vejamos em paralelo, para ver se os filhotes adestrados despertam dos enrolados esotéricos:

 

 

  1. Olavo de Carvalho
  1. A Metafísica do Schuon
  1. Erro Condenado pelo Papa João XXII
  1. “A Metafísica do Schuon é Muito Especial e Precisa”
  1. “Há na alma algo que é incriado e incriável; se a alma inteira fosse assim, ela seria incriada e incriável; e isto é o Intelecto’”
  1. “Há na alma algo de incriado e de incriável; se toda a alma fosse de tal gênero seria incriada e incriável; e isto é o intelecto” (Denzinger 977).

 

 

A metafísica Eckhartiana de Schuon, que Olavo de Carvalho elogia como muito especial e precisa, é condenada pelo Papa João XXII.

 

E não é demais reproduzir os termos da condenação do Papa contra a metafísica gnóstica do Schuon:

 

“Nós… condenamos e reprovamos expressamente os acima chamados primeiros quinze artigos e os últimos dois como HERÉTICOS, e também os outros onze como malsoantes, temerários, e suspeitos de heresia, e assim também qualquer livro ou opúsculo do mesmo Eckhart que contenha os acima mencionados artigos ou qualquer um deles…” (Denzinger-Hünermann. Compêndio dos Simbolos, definições e declarações de fé e moral. São Paulo: paulinas, 2015, p. 321).

 

Mesmo assim, Olavo - que nunca foi católico - dizia que o livro herético do Schuon tinha uma lógica implacável:

 

“Quando você lê o livro do Schuon, a Unidade Transcendente das Religiões, você vê que aquilo é de uma lógica implacável, que não tem como você dizer que não” (Video).

 

Pobre bruxo que vive no mundo de Nárnia!

 

Olavo largou a Tariqa… mas não a bíblia schuoniana!

 

A convicção perenialista do aiatolavo encontra-se disseminada em seu Curso Online de Heresias (COF):

 

“O conhecimento da existência da tradição primordial pode desequilibrar uma pessoa pelo resto da vida. Ele pode ficar traumatizado com isso e nunca mais se levantar. O pior não é a simples alegação da tradição primordial, o pior é a documentação da uniformidade das doutrinas metafísicas em todas as tradições religiosas. Isso é uma coisa muito impressionante mesmo, e esse livro do Wittall Perry, ele tira qualquer dúvida que você possa ter aí sobre isso. Então, algo que se chama tradição primordial, existe historicamente e não tem como negar” (COF nº. 245).

 

Isso explica por que Olavo ficou tão desequilibrado, e nunca mais se levantou do atoleiro perenialista.

 

No COF nº 343, Olavo volta a reafirmar sua fé na doutrina sufi-islâmica:

 

“Quando você vai ver essa teoria que o schuon chamava de Unidade Transcendente das Religiões, essa doutrina, vamos dizer, da revelação primordial que diz que desdobra-se, ramifica nas religiões presentemente existentes, ela não é só uma história da Unidade Transcendente das Religiões, ela é uma interpretação da história humanitária. De modo que essa articulação do uno e múltiplo se subordina, na verdade, toda a história universal das ideias das crenças, das teorias e práticas, não há palavras, tudo o que o ser humano fez e pensou na sua caminhada sobre a Terra. Não há praticamente nada, nem um fenômeno, nem um pensamento, nem um acontecimento falso ou infalso, que de algum modo não encontra alguma explicação perennialista, eficiente e persuasiva, quando não irrefutavelmente veraz” (COF nº 343).

 

Diante de tantas confissões reiteradas, dizer que Olavo largou a tariqa como prova de conversão é no mínimo uma completa ignorância!

 

Para fechar o assunto, resta identificar a concepção metafísica de René Guénon, considerada - pelo Olavo - muito correta e especial.

 

Esse trabalho já foi efetivado pelo professor Orlando Fedeli em sua monumental refutação. Traremos, portanto, algumas referências acerca da concepção metafísica guenoniana. 

 

Em seu livro Formes Traditionnelles et Cycles Cosmiques, Guénon identifica a metafísica com a Cabala (gnose judaica):

 

"Sem dúvida isto depende do sentido que se dá à palavra [misticismo], e este que ele [Vulliaud] indica (o qual faria dele quase que um sinônimo de "Gnose" ou conhecimento transcendente) seria sustentável se não se tivesse senão a preocupação da etimologia, porque é exato que "misticismo" e "mistério" têm a mesma raiz" "Para nós, a Kabbala é muito mais uma metafísica do que uma filosofia, e ela é bem mais iniciática do que mística(...)" (René Guénon. Formes Traditionnelles et Cycles Cosmiques.Paris: Gallimard, 1970, p. 93).

 

Por isso Guénon identifica a Tradição Primordial com a Gnose:

 

“Por Gnose aqui se deve entender o Conhecimento tradicional que constitui o fundo comum de todas as iniciações, cujas doutrinas e símbolos foram transmitidos, desde a mais remota antigüidade até nossos dias, através de todas as Confraternidades secretas, cuja longa corrente jamais foi interrompida" (René Guénon. Études sur la Franc Maçonnerie et le Compagnonage, T. I, p. 257 apud Jean Robin. René Guénon: Testimone della Tradizione. Catania: Il Cinabro, 1993, p.167).

 

Então, segundo a metafísica do Guénon, a Gnose é a Tradição ou Unidade Transcendente das Religiões.

 

Conforme demonstramos anteriormente, todo o pensamento do Guénon está eivado de gnosticismo. Para o guru perenialista, o Criador do mundo é Lúcifer; o mundo é uma prisão enganadora. E no fundo do homem, jaz uma partícula Divina aprisionada.

 

Como pode essa “metafísica” ser exaltada como correta e especial?

 

Para concordar com essa gnose, somente um tariqueiro perenialista!

 

E o Olavo nunca deixou de proferir seu mantra cabalista

 

O mau cheiro da gnose do Olavo é inconfundível:

 

"O termo ‘metafísica’ não deve ser aqui entendido da maneira comum e corrente tal como a empregam os professores e manuais de filosofia, mas no sentido propriamente tradicional, que tem nas obras de René Guénon, Titus Burckhardt, Frithjof Schuon, Seyyed Hossein Nasr, Ananda Coomaraswamy e tantos outros, que teremos a ocasião de mencionar. Se a metafísica está relacionada ao conhecimento de princípios absolutos, por isso mesmo ela não pode ser realizada por meios unicamente racionais, uma vez que razão, ratio, significa proporcionalidade e, portanto, relatividade" (Olavo de Carvalho. Astrologia e Religião, pp. 53-54).

 

É essa concordância do Olavo - com a metafísica gnóstica do Guénon - que fez ele dizer que, no fundo, a unidade transcendente é a Gnose:

 

“No fundo, a metafísica hindu (que é gnóstica) e a metafísica grega estão por trás de todas as religiões” (COF nº 211).

 

Isso tudo reforça que a doutrina gnóstica continuou pulsando no coração islamizado do Olavo de Carvalho.

 

 

 

 


    Para citar este texto:
"UMA ANÁLISE GERAL DA DOUTRINA E DO ENSINAMENTO MORAL DO OLAVO DE CARVALHO: UM “FILÓSOFO” EM OPOSIÇÃO À DOUTRINA CATÓLICA"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/religiao/olavo_parte2/
Online, 04/10/2026 às 20:48:52h