Apologética
A imortalidade da alma e os primeiros Padres da Igreja: uma cruzada contra a bizarra “hermenêutica” de Lucas Banzoli (Parte 1)
Eder Moreira
“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação, pois o espírito (alma) está pronto, mas a carne (corpo) é fraca” (S. Mateus XVI, 41).
1. Introdução
2. Santo Irineu de Lyon e o “espírito” anticientífico de Lucas Banzoli
2.1 A hipotética fraude de um copista
2.2 Expressões sutis ou textos evidentes?
2.3 O livro original de Santo Irineu e o Xeque-Mate imortalista
2.4 A contradição vergonhosa da desonesta serpente banzolesca
3. A imortalidade da alma em São Policarpo de Esmirna
4. Inácio de Antioquia, o campeão da anti-imortalidade?
5. São Clemente Romano: as almas estão no Céu!
6. A canalhice protestante contra São Justino Romano
6.1 Justino se torna mortalista após diálogo com Trifão?
6.2 Tratado da Ressurreição e a vigarice escancarada
6.3 O “anátema” Justiniano deturpado pelo arauto da desonestidade
7. Por que haverá dois julgamentos?
8. A natureza humana e a gnose grosseira de Lucas Banzoli
9. Dualismo na concepção Católica?
9.1 A natureza humana no ensino patrístico
10. Algumas objeções da ignorância banzolaica
10.1 Primeira Objeção: “Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (I Cor. XV, 32).
10.2 Segunda Objeção: “E o homem [Adão] se tornou uma alma vivente” (Genesis II, 7)
10.3 Terceira Objeção: “Homens e animais são iguais em natureza” (Eclesiastes III, 19).
11. Eclesiastes e o pueril dilema Adventista
12. Apócrifos e arqueologia: provas irrefutáveis da imortalidade
13. Conclusão
1. Introdução
A filosofia medieval legou à posteridade um tesouro irrefragável. Santo Tomás de Aquino, pináculo da sabedoria, produziu vasta e profunda dissertação que se tornou, nas palavras do Papa São Pio V, clarissimum Ecclesiae lumen (luz claríssima da Igreja. Malgrado a fortaleza de argumentos, patrimônio memorável da Idade da Luz, vocifera uma serpente peçonhenta, disseminando o que seria Alenda da Imortalidade da Alma. Contra uma constelação de provas filosóficas e teológicas, pretendeu o charlatão Lucas Banzoli reduzir, à categoria de fábula, a doutrina imortal da imortalidade.
Em defesa da verdade, obliterada pela tramóia protestante, dedicaremos esta preleção no intuito de desmascarar as heresias do “teólogo-mestre”, cujos escritos, encharcados de sofismas e contradições, passam uma pseudoimpressão de “admirável” erudição. O arcabouço deste trabalho compor-se-á, essencialmente, da pregação dos primeiros Padres da Igreja acerca da imortalidade da alma, doutrina confirmada pelo infalível Magistério de Cristo.
No tocante às fontes de sustentação, concordamos perfeitamente com a posição de nosso antagonista: é muito mais confiável o testemunho de homens santos “que viveram e aprenderam a doutrina diretamente dos Apóstolos”, do que os devaneios de morcegos autocéfalos que, muitos séculos depois, pretenderam introduzir novidades contrárias à Ortodoxia Apostólica.
2. Santo Irineu de Lyon e o “espírito” anticientífico de Lucas Banzoli
O oponente do catolicismo pode estranhar que de antemão dedicaremos nossas considerações ao Santo de Lyon, intrépido combatente da gnose herética no segundo século do cristianismo. Este bispo da Igreja tem uma importância inigualável na questão disputada. Além de discípulo de um bispo que conheceu e foi sagrado ao episcopado pelas mãos de São João Evangelista, Santo Irineu discorreu profunda e inequivocamente sobre a imortalidade da alma. Com efeito, demonstrada a doutrina católica no ensino do santo doutor, a teremos confirmado como doutrina dos apóstolos, pois seria inconcebível cogitar uma ruptura doutrinária gravíssima entre Irineu e seu mestre (São Policarpo de Esmirna).
Por essa razão, a investida inicial desta refutação consistirá na comprovação da veracidade dos livros de Santo Irineu, covardemente desqualificados pela alcateia do protestantismo.
2.1 A hipotética fraude de um copista
O “ilustre” professor, orgulhoso de seus muitos títulos, inaugura um de seus fatigantes libelos dizendo, com inabalável convicção, que a imortalidade da alma não era uma crença dos primeiros Padres da Igreja. Com uma frieza diabólica, proclama, de sua cátedra de aberrações, que não existe nenhuma prova irrefutável dessa doutrina nos dois primeiros séculos da história da Igreja:
“Que a imortalidade da alma não era uma crença adotada pelos primeiros Pais da Igreja, em especial os do século I até meados do século II d.C, isso fica evidente pela própria argumentação imortalista que sempre cita apenas os Pais de tempos bem posteriores, começando por Orígenes e avançando até Agostinho. Eles realmente não têm nenhuma prova irrefutável dessa doutrina que possa ser encontrada em qualquer obra de qualquer Pai da Igreja que tenha convivido mais de perto com os apóstolos”
http://heresiascatolicas.blogspot.com/2012/12/os-pais-da-igreja-criam-na-imortalidade.html
Eis a primeira munição da enferrujada garrucha protestante!
Esquartejando vergonhosamente o ensino dos Padres da Igreja, Banzoli alega que a imortalidade da alma não tem qualquer vestígio no ensino apostólico, asseverando que essa doutrina teria sido plagiada do paganismo.
A manobra é audaciosa, para não dizer esquizofrênica.
O cerne da questão não é sobre ausência de provas nos escritos supracitados. Elas existem como uma primavera ensolarada, conforme demonstraremos. A origem da polêmica emerge de um contorcionismo extravagante, este consignado nas fracassadas investidas para esfumaçar – a todo preço – a verdade católica nos ensinamentos dos sucessores dos apóstolos.
Na sequência, apresentaremos a doutrina que o Bispo de Lyon aprendeu de São Policarpo de Esmirna, heróico discípulo do Apóstolo de Cristo
É o próprio Irineu que descreve sua relação com Policarpo:
“Nós o vimos na nossa infância porque teve vida longa e era muito velho quando morreu com glorioso e esplêndido martírio. Ora, ele sempre ensinou o que tinha aprendido dos apóstolos, que também a Igreja [Católica] transmite e que é a única verdadeira. E é disso que dão testemunho todas as igrejas da Ásia e os que até hoje sucederam a Policarpo, que foi testemunha da verdade bem mais segura e digna de confiança do que Valentim e Marcião e outros perversos doutores” (Contra Heresias, III, 2-4).
Incansável combatente das heresias, Santo Irineu discorreu sobre a Parábola do Rico e o pobre Lázaro. Apesar do desprezo incongruente de um “mestre em teologia”, reproduziremos o entendimento do Santo Doutor sobre a aludida parábola:
“O Senhor ensinou clarissimamente que as almas não só perduram sem passar de corpo em corpo, mas conservam imutadas as características dos corpos em que foram colocadas e se lembram das ações que fizeram aqui na terra e das que deixaram de fazer. É o que está escrito na história do rico e de Lázaro que repousava no seio de Abraão. Nela se diz que o rico, depois da morte, conhecia tanto Lázaro como Abraão e que cada um estava no lugar a ele destinado. O rico pedia a Lázaro, ao qual tinha recusado até as migalhas que caíam de sua mesa, que o socorresse; com a sua resposta, Abraão mostrava conhecer não somente Lázaro, mas também o rico e ordenava que os que não quisessem ir para aquele lugar de tormentos escutassem Moisés e os profetas antes de esperar o anúncio de alguém ressuscitado dos mortos. Tudo isso supõe clarissimamente que as almas permanecem, sem passar de corpo em corpo, que possuem as características do ser humano, de sorte que podem ser reconhecidas e que se recordam das coisas daqui de baixo; que também Abraão possuía o dom da profecia e que cada alma recebe o lugar merecido mesmo antes do dia do juízo. (Livro II, 34, 1)
Como um sol ao meio-dia, resplandece o dogma da imortalidade na pregação de um bispo que conviveu com discípulos do Apóstolo São João. É, portanto, fraudulenta a assertiva de Lucas Banzoli quanto aos primeiros Padres da Igreja. Diferentemente do que sustenta o imprudente “historiador”, Santo Irineu é uma, dentre muitas provas irrefutáveis, da convicção imortalista já no alvorecer do cristianismo.
Primeiro erro anti-histórico de um professor incompetente!
No intuito de desvalorizar o discurso de Santo Irineu, intrépido defensor da imortalidade, Lucas Banzoli pontificou de sua cátedra faraônica evocando uma suposta falsificação:
“Das citações que provam direta ou indiretamente que Irineu cria em um estado intermediário, todas elas provêm da cópia em latim escrita séculos mais tarde por um copista imortalista. Isso não significa necessariamente que o copista tenha falsificado, significa somente que não podemos ter 100% de segurança de que não tenha sido” (Lucas Banzoli. Os Pais da Igreja Contra a Imortalidade da Alma, p. 119).
Para fundamentar sua hipótese insustentável, Lucas reproduz as palavras de Henry Constable, que na verdade são de Le Roy Edwin:
“Lamentavelmente, apenas o primeiro livro foi preservado no original grego. O resto está na tradição latina que só foi feita quando a igreja como um todo já tinha aceitado a teoria agostiniana, e por um tradutor que a defendia”
(Le Roy Edwin Froom. The Conditionalist Faith of Our Fathers. Volume I, Biblical Research Library, p. 876. Disponível em:
https://documents.adventistarchives.org/Books/CFOOF1966-V01.pdf
Depois ele transcreve o depoimento de Le Roy Edwin, que na verdade é de Henry Constable:
“Dos seus cinco livros contra as heresias, infelizmente, possuímos apenas o primeiro no original grego. Possuímos os outros quatro através de uma tradução rude para o latim, feita quando a Igreja já tinha adotado a teoria agostiniana”.
Henry Constable. The Duration and Nature of Future Punishment. Chapter XVII, p. 115. Disponível em Microsoft Word - Duration and Nature of Future Punishment.doc (wordpress.com)
Esses autores, tão honestos quanto o herege Banzoli, adotam a mesma postura racionalista dos céticos contra as Escrituras Sagradas. Uma vez que o autor-escritor ou copista-tradutor é partidário daquilo que expõe, tudo o que ele diz ou traduz é suspeito e, portanto, indigno de adesão intelectual. Nessa “lógica” preconceituosa, a versão latina do Contra Heresias seria duvidosa, posto que foi produzida por um aventado imortalista.
É o vale-tudo na luta contra o imbatível dogma da imortalidade!
Qualquer historiador, com um mínimo de instrução, condenaria esse menosprezo obtuso em relação a um documento histórico.
Incapaz de falsificar Santo Irineu com seu desgraçado protestantismo, Banzoli não forjou qualquer substrato em defesa de sua suposição, desmerecendo gratuitamente a versão latina do Contra Heresias.
Diz a Escritura que, um cego guiando outro, ambos cairão no abismo. Assim, Lucas se precipita no abismo da charlatanice ao seguir a cegueira de Henry Constable e Le Roy Edwin, dois fanáticos do protestantismo.
O que sabe o trio incompetente sobre o autor da versão em latim do Contra Heresias? Seria ele um intransigente imortalista? Argumentar nessa direção, considerando apenas o contexto da produção latina – uma igreja universalmente imortalista – equivale a supor que, durante o regime nazista, qualquer livro alemão seria, de per si, suspeito de favorecer Adolf Hitler. Se fosse assim, na Idade Média, por ser um período de grande influência católica, só encontraríamos livros em harmonia com os dogmas do catolicismo. Mas a história, infelizmente, não endossa essa romântica conjectura.
Um primeiro detalhe pertinente, que fragiliza a manobra da tríplice aliança impostora [Lucas, Constable e Edwin], está relacionado com a preservação do original grego do Livro I de Santo Irineu. Acerca disso, nos instrui a nota introdutória, contida na versão digital da obra do historiador protestante Philip Schaff, um dos maiores eruditos em patrologia, segundo seu admirador Lucas Banzoli:
“A grande obra de Irineu, agora pela primeira vez traduzida para o inglês, infelizmente não existe mais no original. Chegou até nós apenas em uma versão latina antiga, com exceção da maior parte do primeiro livro, que foi preservado no grego original, por meio de copiosas citações feitas por Hipólito e Epifânio”
A fonte grega preservada é uma base segura para averiguar a credibilidade das cópias latinas quanto à doutrina da imortalidade. Uma suspeita plausível não poderá prescindir de uma comparação entre elas, algo elementar para um historiador e mestre em teologia. Outrossim, a veracidade das versões latinas pode ser apurada mediante comparação com os fragmentos da versão siríaca ou com a tradução armênia dos livros IV e V de Santo Irineu:
“Uma tradução armênia literal dos livros quarto e quinto foi descoberta e editada por E. Ter-Minassiantz. Vinte e três fragmentos de traduções siríacas ainda estão preservados” (Johannis Quasten. Patrologia. Vol. Rio de Janeiro: CDB, 2023, p. 372).
Essa mesma informação é reproduzida pelo Dr. Berthold Altaner:
“Existe también una fidelíssima traducción en armenio, bastante literal, que contiene el libro cuarto y quinto, además de los 23 fragmentos en siríaco” (Berthold Altaner. Patrologia. Madrid: Espasa-Calpe, S. A. 1949, p. 87).
Todo esse trabalho investigativo deveria anteceder um julgamento quanto à fidelidade da versão latina em relação aos originais. Mas o trio da vigarice só vomitou gagueiras inofensivas.
Essa conduta desonesta, típica de sectários, recorda a impostura do blasfemador Martinho Lutero. Quando um trecho da Bíblia se opunha ao seu desgraçado livre exame, ele simplesmente desqualificava o livro sagrado, como o fez em relação à Epístola de São Tiago, desprezada por ele com a designação de carta de palha:
“A Epístola de Tiago nada mais é do que uma epístola de palha [...] pois não tem nada de evangélico” (Hartmann Grisar, S.J. Luther. Volume V. South Broadway: B. Herder Book CO. 1918, p. 522).
Lucas Banzoli aprendeu bem a lição com seu progenitor, o falso profeta de Wittenberg. Quando um documento se opõe à sua lenda da mortalidade da alma, sem titubear lança dúvidas desmerecendo o texto como fonte indigna de credibilidade.
Nosso adversário ainda recorre a um subterfúgio igualmente insustentável, alegando que a fraude do copista subjaz no texto em forma de sutilezas, exigindo, portanto, razoável competência para ser percebida:
“Levando em consideração a possibilidade de que esses livros tenham sido
sutilmente corrompidos intencionalmente por um copista imortalista...” (Lucas Banzoli. Os Pais da Igreja Contra a Imortalidade da Alma. p. 118).
Mais adiante, iremos demonstrar que a doutrina imortalista consta nas traduções, não em forma de sutilezas ou expressões implícitas, mas de modo nítido, evidente, notório, numeroso, em textos inteiros, o que supõe desconhecimento de Banzoli sobre os Livros de Santo Irineu de Lyon.
2.2 Expressões sutis ou textos evidentes?
Por um instante, consideraremos acréscimos de um copista tudo o que consta na versão latina do Contra Heresias em defesa da imortalidade. Assim, poderemos vislumbrar que a inferência banzoliana sobre o copista deve ser descartada como puro devaneio de um herege desnorteado.
Que a doutrina imortalista não se restringe a meras sutilezas, quase imperceptíveis, verifica-se sem o menor esforço intelectual:
“O que são os corpos mortais? Serão as almas? Mas as almas são incorporais em comparação aos corpos mortais. Com efeito, Deus soprou no rosto do homem ‘o sopro de vida e o homem se tornou alma vivente’: o sopro de vida é incorporal. Assim como não podem dizer que a alma é mortal porque o sopro de vida permanece - com efeito, Davi diz: ‘E a minha alma viverá para ele ‘, visto ser a sua substância imortal -, assim não podem dizer que o Espírito é corpo mortal. O que fica então para ser denominado corpo mortal a não ser a obra modelada por Deus, isto é, a carne, aquilo que o Apóstolo declara que Deus vivificará? É esta que morre e se decompõe e não a alma ou o Espírito. Morrer é perder a capacidade vital, ficar em seguida sem o sopro, sem a vida, sem os movimentos e decompor-se nos elementos dos quais teve início a existência. Ora, isso não pode acontecer com a alma, porque é sopro de vida, nem com o espírito por ser simples e não composto e por ser ele a vida dos que o recebem. Resta que a morte se manifeste na carne a qual, com a saída da alma, fica sem respiração e sem vida e lentamente se decompõe na terra de onde foi tirada. É esta, pois, que é mortal” (Livro V, 7,1).
Sem rodeios ou sutilezas, o suposto copista imortalista exprime uma crença explícita na imortalidade. Trata-se de um texto evidente, e não sutilmente favorável à alma incorruptível.
Diante dessa redação insofismável, chega a ser cômico ler afirmações como “sutilmente corrompidos”. Essa alegação não passa de loucura do sanatório banzoliano, que não teve honestidade para sequer ler a obra de Santo Irineu.
No Livro II também encontramos outra prova explícita de imortalidade.
Em destaque, o lendário copista com sua desonesta manobra das sutilezas:
“Que todas as coisas por ele criadas no passado e no presente, sejam quais forem, recebem o princípio da existência e por isso são inferiores ao seu criador, justamente por serem criadas. Que, não obstante isso, perduram e prolongam a sua existência na amplidão dos séculos, segundo a vontade de Deus Criador, o qual lhes dá, inicialmente, o devir e depois o ser. Como o céu que está sobre nós, o firmamento, o sol, a lua, todas as estrelas e o seu esplendor que antes não existiam, foram criados e duram muito tempo, segundo a vontade de Deus, assim não se engana quem pensa o mesmo das almas, dos espíritos e de todas as coisas criadas, porque todas elas receberam o início de sua existência e perduram pelo tempo que Deus quer que existam e durem. (Livro II, 34, 3).
Para encerrar a questão, um texto explicativo extraído do Livro V, cujo imortalismo vai muito além de meras sutilezas terminológicas:
“Tendo o Senhor ido entre as sombras da morte, onde estavam as almas dos mortos, e ressuscitando depois corporalmente, e depois de ressuscitado, sendo levado ao céu, indicou que o mesmo aconteceria com seus discípulos, pois era para eles que o Senhor fez tudo isso: as almas deles irão a um lugar invisível estabelecido por Deus e aí ficarão até a ressurreição, à espera dela; depois, reassumirão seus corpos numa ressurreição perfeita, isto é, nos seus corpos, da mesma forma que o Senhor ressuscitou, e irão à presença de Deus. (Livro V, 31, 2)
Isso seria apenas sutilezas a respeito do estado intermediário?
A suposta “sutil adulteração” não passa de um delírio protestante.
2.3 O Livro original de Santo Irineu e o Xeque-Mate imortalista
Toda essa exaustiva refutação poderia ser dispensada, caso tivéssemos comprovado de imediato o pensamento imortalista do bispo de Lyon em seu primeiro Livro do Contra Heresias. É o próprio Banzoli quem garante ser esta obra 100% segura, logo isenta de alterações:
“... temos apenas o primeiro livro como fonte 100% segura dos ensinamentos de Irineu, sem nenhuma possibilidade da mais leve alteração”
https://heresias7.rssing.com/chan-53753275/all_p1.html
Decidimos primeiro provar a confiabilidade das traduções latinas, desmascarando uma suspeita alicerçada em disparates e contradições. Nosso contra-ataque católico não só provou a desonestidade do adversário protestante, como desvelou sua incompetência na condição de historiador.
Adiante, daremos o decisivo xeque-mate nas mentiras de Lucas Banzoli, o protestante das acrobacias fracassadas!
No Livro 100% seguro de Santo Irineu, encontramos prova cristalina da imortalidade da alma e, com isso, mais uma confirmação irrefutável de que as traduções latinas são reproduções fiéis dos originais.
Com a palavra, Santo Irineu de Lyon:
“Marcião diz que se salvam somente as almas que aprenderam a sua doutrina; os corpos não podem participar da salvação, porque foram tirados da terra. Às blasfêmias contra Deus acrescenta, como verdadeiro porta-voz do diabo que fala tudo o que é contrário à verdade, que Caim e os seus semelhantes, os sodomitas, os egípcios e seus semelhantes, e todos os pagãos que praticaram toda espécie de maldades foram salvos pelo Senhor quando desceu aos infernos e levou consigo ao seu reino os que acorreram a ele”. (Livro I, 27,3).
Nesse fragmento 100% confiável – no original grego – percebe-se que S. Irineu faz uma distinção entre corpo e alma, algo inaceitável para Lucas Banzoli. Além disso, verifica-se que ele não reprova a crença do herege Marcião na imortalidade da alma espiritual. A indignação do santo tem relação com o fato de o herege sustentar que todas as almas, sem distinção de bondade ou perversidade, foram resgatadas por Jesus Cristo quando de sua descida aos infernos.
Na sequência, Santo Irineu reprova a mentira de Marcião sobre os justos que, por efeito de uma tentação divina, não foram ao encontro de Cristo:
“... segundo a serpente que falou em Marcião, Abel, Henoc, Noé e os outros justos, os patriarcas descendentes de Abraão com todos os profetas e os que agradaram a Deus não compartilharam da salvação. Com efeito, diz ele, sabendo todos eles que Deus estava sempre a tentá-los, pensaram também naquele momento numa nova tentação e não foram ao encontro de Jesus e não acreditaram no seu anúncio: deste modo as suas almas permaneceram no Hades. (Livro I, 27,3).
De modo inequívoco, S. irineu crê que as almas dos justos foram resgatadas; que elas não permaneceram no Hades; que elas foram ao encontro do salvador quando da sua descida aos Infernos. Logo, existem almas separadas dos corpos! Existe o estado intermediário!
Essa é a Fé inabalável de Irineu de Lyon!
Diferentemente do que disse Lucas Banzoli – o mentiroso descarado – temos de modo incontestável uma prova da imortalidade da alma no livro original de Santo Irineu. Aquele que, segundo Lucas e seu “clubinho de gagueiras”, é absolutamente confiável!
Para dar mais luz e destacar a harmonia imortalista entre o original e as traduções, colocaremos lado a lado o pensamento do bispo católico de Lyon:
|
Livro I “Com efeito, diz ele [Marcião], sabendo todos eles que Deus estava sempre a tentá-los, pensaram também naquele momento numa nova tentação e não foram ao encontro de Jesus e não acreditaram no seu anúncio: deste modo as suas almas permaneceram nos infernos”. |
Livro II “O Senhor ensinou clarissimamente que as almas não só perduram sem passar de corpo em corpo, mas conservam imutadas as características dos corpos em que foram colocadas e se lembram das ações que fizeram aqui na terra e das que deixaram de fazer... |
Livro IV “Eis por que lhes servia o alimento quando estavam recostados para indicar os que jaziam na terra, aos quais viera comunicar a vida; corno diz Jeremias: ‘O Senhor, o Santo de Israel, se lembrou de seus mortos que dormiam na terra das tumbas e desceu até eles para lhes anunciar a boa nova da salvação, para os salvar’". |
Livro V “Ora, isso não pode acontecer com a alma, porque é sopro de vida, nem com o espírito por ser simples e não composto e por ser ele a vida dos que o recebem. Resta que a morte se manifeste na carne a qual, com a saída da alma, fica sem respiração e sem vida e lentamente se decompõe na terra de onde foi tirada. É esta, pois, que é mortal”. |
De modo incontestável, toda a obra de Santo Irineu exprime com evidência – e não sutilmente – a doutrina católica da Imortalidade da alma, do juízo imediato e da descida de Cristo ao Hades. São verdades ensinadas por um bispo que aprendeu a doutrina dos Apóstolos.
Sob essa luz inexpugnável, como levar a sério um “historiador” incapaz de uma simples pesquisa científica? Um “teólogo” que manipula descaradamente o Livro de Deus com uma exegese de hospício? Um professor de letras que mal sabe interpretar textos históricos? É absolutamente arriscado confiar nos escritos de Lucas Banzoli.
2.4 A contradição vergonhosa da desonesta serpente banzolesca
Pelo que apreciamos das publicações de Lucas Banzoli em sua página medíocre de ataques ao catolicismo, notamos uma artimanha sorrateira quanto às fontes históricas. Quando uma citação, de algum modo, desfavorece sua investida ratoneira, ele simplesmente faz um contorcionismo escabroso para tentar diminuir a credibilidade bibliográfica. Entretanto, quando a fonte supostamente lhe favorece, então ele adota – cinicamente – um comportamento rigoroso e científico, no intuito de salientar, de forma inexorável, a confiabilidade do substrato em “abono” de sua hermenêutica.
Essa é a corriqueira malandragem do paradoxal mestre das picaretagens.
Como prova dessa indecorosa atuação serpentina, temos a manobra do artífice em relação as obras antignósticas de Santo Irineu de Lyon. Conforme expusemos e impugnamos, Banzoli pretendeu diminuir a credibilidade da versão latina do Contra Heresias. Por se tratar de um documento histórico do segundo século, cujo autor – bispo de Lyon – foi discípulo direto de um discípulo do Apóstolo São João (São Policarpo de Esmirna), a patifaria banzolesca lançou suas garras imundas, alegando, irracionalmente, uma possível fraude do copista quanto às expressões que indicam uma clara defesa da imortalidade.
Qualificando a obra como suspeita, mesmo que todos os elementos objetivos demonstrem a absoluta veracidade (conforme provamos nos tópicos anteriores), nosso ilógico oponente recorreu, não poucas vezes, aos próprios livros que ele mesmo desmereceu como duvidosos e, portanto, impróprios para uma dedução confiável.
Nesse picadeiro de contradições, frutos do falido Sola Scriptura, Banzoli buscou fundamentar sua opinião sobre o “dom das línguas” citando, como prova documental, o testemunho de S. Irineu de Lyon, constante na suspeita versão latina do Contra Heresias. Após reproduzir o que seria sua prova 100% insuspeita, retirada de uma obra não 100% confiável, Banzoli emitiu sua confiante conclusão:
“Como vemos, Irineu deixa claro que os dons espirituais continuavam em atuação entre os cristãos, e, portanto, o dom de línguas não poderia ficar de fora”
https://www.lucasbanzoli.com/2018/01/o-dom-de-linguas-nos-pais-da-igreja-e.html
Acreditando piamente na versão latina – quando convém à sua pouca vergonha – Banzoli ainda buscou respaldar sua premissa no Livro V, também desmerecido por ele como obra suspeita de adulteração. Assim, o historiador que brinca de forjar estórinhas para seu redil de cabritos, formulou sua convicção a partir de citações contidas em cópias duvidosas.
Eis os frutos coerentes da ilógica artimanha “evangélica”.
Em outro artigo intragável, destinado a contradizer a noção católica de tradição, a cobra, cujo caminho é tortuoso, buscou apoio no Livro III do Contra Heresias, versão igualmente suspeita de maldosa adulteração. Mas, ignorando as próprias suposições de “fraude de um copista”, a maestria banzólica encheu os pulmões para soprar uma certeza incontestável:
“A tradição, como ensinada pelos católicos, no sentido de uma fonte de revelação oral extra-bíblica, era completamente rejeitada por Irineu, como ele próprio fez questão de dizer claramente” (http://heresiascatolicas.blogspot.com/2013/07/irineu-de-lyon-e-tradicao-apostolica.html).
Quando o herege hipócrita consegue aplicar uma distorção no texto de Irineu, então ele é absolutamente confiável, de veracidade indiscutível! Nesse caso, não existe qualquer probabilidade de alteração ou invenção do copista mal-intencionado!
Grande honestidade!
Sublime coerência do escorpiãozinho banzoderrotado!
Por fim, não encontrando resposta na Bíblia sobre o número da besta [666] – prova de que o Sola Scriptura é insuficiente – a raposa vigarista buscou na versão suspeita de um copista imortalista uma segura resposta para a enigmática numeração:
“Sobre o número “666”, ele se aplicará de alguma forma a este sistema da besta. É lógico que, uma vez que estes acontecimentos estão no futuro, será inútil especular aqui sobre a quem ou o que isso se aplica. Pode ser que o sistema da besta tenha um nome que faça alusão ao “666”, ou que a soma das letras do seu nome dê “666”. Mas como isso ainda não aconteceu, é melhor fazermos como Irineu de Lyon (130-202 d.C), um bispo do século II que viveu há apenas duas gerações de João (autor do Apocalipse), e que disse:...”
(http://www.caiafarsaromanista.comunidades.net/resumo-completo-do-apocalipse-por-lucas-banzoli).
Quando recorremos às obras de Irineu em favor da imortalidade, rasga as vestes o Caifás Banzoli: “É fraude de um copista!”. Porém, quando a ovelhinha evangélica encontra algum elemento para distorcer em favor de sua “exegese” de hospício, então a obra, ainda que suspeita de distorção, torna-se altamente fidedigna, contendo verdadeiramente as palavras de Santo Irineu de Lyon.
Quanta imundície produzida por esse “teólogo” de boteco!
Um autêntico tolo que estrangula a lógica para saciar sua torpe vanglória!
Para citar este texto:
"A imortalidade da alma e os primeiros Padres da Igreja: uma cruzada contra a bizarra “hermenêutica” de Lucas Banzoli (Parte 1)"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/apologetica/lucas_parte1/
Online, 02/11/2026 às 02:04:07h






