Religião-Filosofia-História

No país das maravilhas: a Gnose burlesca da TFP e dos Arautos do Evangelho (Parte 6/8)
Orlando Fedeli

 
QUINTA PARTE: A DESCRIÇÃO DE UM DELÍRIO: O CULTO DE PLÍNIO E DE DONA LUCÍLIA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O grande Moisés, com sua sarça ardente no alto do Sinai, não me faz inveja. Pois se ele ali se relacionou com Deus durante quarenta dias, eu me relacionei com Dr. Plínio há trinta e três anos. E, em tais relações, vejo talvez mais a presença divina do que ele ante o sagrado arbusto. E guardo a esperança de ainda vencer o Profeta nesta tertúlia, quando eu passar do atual degredo para a Pátria”.
(Átila Sinke Guimarães, secretário do MNF, in O Ultimato – A Defesa, 1998, p. 28).
 
 
Este texto foi escrito e publicado na década de 80, quando saímos da TFP. Agora, o republicamos com pequenos acréscimos e  algumas adaptações gramaticais.
Dr. Plínio negara nossas acusações de que houvesse um culto para ele e para a mãe dele, na TFP. Depois, fez escrever um livro defendendo que esse culto existia, e que de acordo com a doutrina católica seria lícito cultuá-lo. E Scognamiglio até arranjou pareceres canônicos aprovando o culto que se lhe prestava na TFP e na Sempre Viva.
As citações em sua muito grande maioria são  do Jour-le-Jour – o diário de Dr. Plínio – contado pelo fiel intérprete de seus desígnios, João Scognamiglio Clá Dias, agora Monsenhor, aos moços a quem então fanatizava por ordem de Dr. PCO. Tais textos comprovam o culto delirante a Dr. Plínio e à mãe dele, assim como as doutrinas que vimos analisando nas partes anteriores desse livro.
Os textos do Jour Le Jour nos foram dados por um ex eremita do êremo de São Bento, dirigido por João Clá Dias. Eles datam dos últimos meses de 1982, e vão no máximo a Julho de 1983, mas 90% dos textos se concentram nos três primeiros meses de 1983, em cerca de 400 páginas com letra pequena.
Que não se encontraria se fossem analisados o total dos textos do Jour Le Jour?
                                       ***
Durante 30 anos militamos no grupo do jornal "Catolicismo" e na TFP. Dela nos separamos em 31 de maio de 1983, ao descobrirmos que, por trás de seu estandarte, havia uma sociedade secreta - a Sempre  Viva-  praticando um culto absurdo e delirante a Dr. Plínio e à mãe dele Dona Lucília.
Nessa ocasião, enviamos três cartas ao líder da TFP que ele pretendeu responder através do livro "Refutação a Uma Investida Frustra", assinado por Átila Sinke Guimarães – o escravo Plínio Márcio na Sempre-viva – e mais três tefepistas. Para conseguir seu intento, essa obra não titubeou em adulterar o texto de minhas cartas, ao mesmo tempo em que me acusava de ser “intelectualmente desonesto”. Por isso, ironicamente, a designaremos por a "Idônea".
Curiosamente, esse livro admite e declara lícitos os atos de culto que denunciamos, e que Dr. Plínio, inicialmente, negara que existissem. Depois, arranjaram-se até pareceres teológicos aprovando esses atos de culto.
Agora, passados mais de um quarto de século, a própria TFP escreve que Átila é que era “intelectualmente desonesto” por fazer modificações em citações, e forçar interpretações sem base nos documentos que citava:
Quanto à redação [do livro de Átila Sinke Guimarães sobre o Vaticano II] é uma particularidade do Sr. Átila, conhecida dos que com ele tratam, o atribuir a autores cujos textos comenta, idéias não expressas, nem razoavelmente deduzíveis. Essa atribuição de idéias, sem nexo lógico estrito com as palavras dos textos examinados, tornaria seus comentários facilmente imputáveis como intelectualmente desonestos e, portanto, vulneráveis a uma réplica. Essa falta de rigor intelectual nunca foi admitida nos documentos públicos da TFP. (Nelson Fragelli, o escravo Plínio Tomé, “Declaração para todos fins úteis, declaro diante de Deus o que segue,  17 de Novembro de 1997”, in  Átila Sinke Guimarães, O Ultimato / A Defesa, p. 257. Os destaques são nossos).
Escrevemos contra a TFP um livro, que não conseguimos publicar, porque nos faltam os abundantes recursos em dólares que a TFP possui. Nessas circunstâncias, somos obrigados a dar a público, hoje, um dos capítulos de nosso livro, a fim de desmascarar o falso profeta de Higienópolis e sua seita fanática.
Os textos publicados neste capítulo são das reuniões feitas por Dr. Plínio. Tais palestras são gravadas, transcritas e depois apresentadas pelo secretário de confiança do profeta de Higienópolis, J. Scognamiglio – o escravo Plínio Fernando, na Sempre-viva – em reuniões em que conta o dia a dia seu ídolo. É o "jour-le-jour", o diário de Dr. Plínio, que indicaremos pela sigla J J.
Os textos desses documentos falam por si. Por eles se vê que o próprio Dr. é o responsável pelos delírios paranóicos do culto que recebe na entidade. Os textos intercalados entre colchetes são comentários nossos.
Para facilitar a compreensão, apresentamos um glossário de alguns termos no jargão tefepista, no final do capítulo.
 
 
 
Nunca Imaginei que um dia viesse ter obrigação de consciência de denunciar como falso profeta exatamente a pessoa a quem humanamente devo minha conversão à prática do catolicismo, ao Professor a quem devo (muito do que sabia, e do que eu era), então. E é com a dor de esmagadora desilusão que o faço. E porque já não há outro meio: é dever denunciar o lobo em pele de cordeiro.
Ingenuamente, durante anos, tentei tudo para reconduzi-lo ao caminho que ele mesmo me traçara. Pedi a amigos comuns que me ajudassem nessa empresa delicada – Plínio Xavier da Silveira e Antônio Augusto Borelli Machado, que eram as pessoas mais chegadas a mim e com algum poder de influência sobre Dr. Plínio. Inútil. Plínio Xavier era escravo e cúmplice do falso Profeta, enquanto Borelli – que eu julgava tudo ignorar, mas que era visivelmente hesitante - só podia fracassar.
Depois de meu rompimento com a TFP procurei o Cônego José Luiz Villac e só obtive respostas inseguras, evasivas, temerosas e sem vigor. Cumplicidade? Cegueira?
Tentei tudo, como as cartas que escrevi o comprovam. Não fui ouvido. Só podia não ser ouvido.
Findas as ilusões, só me resta apelar à opinião pública católica e denunciar aquele a quem traiçoeiramente enganado, chamei de meu pai e meu mestre, a fim de que não prospere uma seita que é tanto mais enganadora quanto mais ela se pretende boa e mesmo santa.
Colocado entre a obediência ao credo católico ou àquele que, iludido, julguei pai e mestre, não podia hesitar. Eu escolhi o Credo
Escolhi o Credo, porque se deve obedecer antes a Deus que aos homens.
Escolhi o Credo, porque, diz São Paulo, ainda que "um anjo do céu anuncie um Evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema" (Gál. 1, 8).
Escolhi o Credo, porque Dr. Plínio me ensinou – quando ele me falava com a linguagem da fidelidade – que, entre a igreja e qualquer mestre que fosse, devíamos ficar com a Igreja.
Durante trinta anos, procurei servir a Igreja, lutando nas fileiras do Grupo de Catolicismo do qual nasceu a TFP..
Durante vinte anos, na TFP, sofri um grande calvário, odiado pelos meus próprios alunos, lançados contra mim por aquele que se apresentava como meu pai.
Em meio às piores angústias e sofrimentos pessoais, jamais pensei em deixar a TFP. Por amor à Igreja, por devoção a Nossa Senhora, carreguei durante vinte anos – além das perseguições exteriores – uma cruz de incompreensão e de calúnia, feita pelos meus alunos, e posta às minha costas- às escondidas-- pelo próprio Dr. Plínio.
Entre a crucificação na TFP e uma vida mais fácil sem servir a Deus, eu escolhi a cruz.
E essa cruz é minha glória.
Estaria pronto a carregá-la mais vinte anos por amor a Deus, à Igreja e a Nossa Senhora. (Por outra, não! Por outra, não! Por Dona Lucília, jamais, não e nunca).
Mas, quando além da Cruz do ódio, do "gelo" e da calúnia, se me exigiu que renunciasse à Fé, calando-me e aceitando, por covardia e por ambição, os erros e delírios que correm na TFP, não hesitei. Eu escolhi o Credo.
Por amor à Igreja, renunciei ao bem estar, ao prazer, ao prestígio. E mesmo ao aplauso e à estima de meus amigos e de meus alunos. Dos alunos que converti, ou levei à prática da religião.
Que renunciasse a minha Fé, para seguir a um falso mestre, não. Não e nunca. Entre ele e o Credo, eu escolhi o Credo. E é para a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana que digo, neste momento de dor, aquilo que disse infinitas vezes em todos esses anos de cruzada: Se eu me esquecer de ti, ó Santa Igreja, que minha língua se pegue ao meu paladar.
Por ti renunciei a tudo. E até à estima de meus alunos.
Por ti renunciei àquele que, iludido, julgava ser meu pai.
Graças vos dou meu Deus porque estava cego, enganado e só à beira de meu Caminho, e Vós me fizestes ver.
Graças Vos dou, meu Deus, porque me destes luz para ver a verdade, e força para lutar por ela. Porque, depois de tantas dores e angústias e em meio à maior solidão, de joelhos, eu posso Vos dizer, Senhor:
Eu escolhi o Credo.
 
 
                   Quando conhecemos os membros do Grupo do mensário  Catolicismo, do qual se originou a TFP, eles se apresentavam como católicos escrupulosos e exigentes no cumprimento da Lei de Deus e da Igreja, e conhecedores exímios da doutrina católica.
Hoje, um contato um pouco mais prolongado com os rapazes da TFP “new wave” revela grandes falhas espirituais, uma despreocupação escandalosa com as leis divinas e canônicas, assim como uma estarrecedora ignorância da doutrina católica.
Evidentemente, ao analisar a espiritualidade atual da TFP não queremos inculpar ninguém em concreto. Julgamos as ações como se apresentam objetivamente. A Deus, apenas, cabe julgar as consciências e as intenções. Estamos prontos a reconhecer que na TFP havia muitas pessoas bem intencionadas, enganadas e equivocadas. Aliás, há lá quem desconheça o que se passa "discretamente" nos êremos.
São exatamente essas pessoas de reta intenção que servem ingenuamente para encobrir, com sua inocência, as graves deformações e erros que se ensinam e praticam nos círculos internos.
Qual é a espiritualidade da TFP? Como se explicam tantos erros e mesmo tantas loucuras? Como se explica que internamente ninguém proteste contra os abusos que se dizem e praticam lá dentro? Como é que um sacerdote reconhecidamente escrupuloso como o Pe José Luiz Villac acaba dando o seu aval a tantos erros e a tantos abusos em matéria de liturgia?
São estas, entre outras, algumas questões que pretendemos elucidar.
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Toda a espiritualidade da TFP se baseia na pessoa de seu fundador-líder Plínio Corrêa de Oliveira. Dotado de grandes talentos naturais e de um convívio ameno, Dr. Plínio literalmente “encanta” as pessoas com quem trata. Seus modos corteses, suas atenções estudadas, sua prosa agradável, fascinam os seus interlocutores.
Ele “encanta” as pessoas. Cria em torno delas “un envoutement” que as impede de raciocinar.
Ele mesmo diz que emite eflúvios, e até ensina aos membros da TFP como podem criar eflúvios bons (JJ-Telefonema de J. Scognamiglio aos EUA - 06.02.83, resumindo Reunião de Recortes).
 Descendente de família pernambucana metida em política e na Maçonaria, muito inteligente, grande orador, polemista ardoroso, ele se destacou durante muitos anos no movimento católico brasileiro, pondo-se como defensor da doutrina católica contra o comunismo, o socialismo, e o progressismo. O que não o impediu de defender a separação entre a Igreja e o Estado, quando foi deputado constituinte, em 1934.E nem de seguir a orientação da Revista Sept dos neo modernistas Chenu e Congar, como ele mesmo confessou.Como dissemos, a crise imensa que atravessa a Igreja foi, pouco a pouco, ao que parece, criando nele a idéia de que era ele o único líder católico fiel e ortodoxo. Começou então a julgar-se como o escolhido por Deus para salvar a Igreja e o mundo do caos atual.
 "E nisso nós somos isolados, pois ninguém foi como nós. Ninguém foi como nós somos. Ninguém será como nós somos" (Reunião em Jazna Gora, 30.12.82). "Eu sou o C-R [o Contra-Revolucionário]. “Eu não sou o homem da laia deles" - (JJ-Palavras de Dr. Plínio, telefonema de J. Scognamiglio aos EUA -06.03.83).
Como jamais houve uma crise igual na História da Igreja, jamais também teria existido uma vocação tão alta quanto a dele. Na TFP, ele é tido como superior – e de longe – a todos os santos do passado, inclusive aos Apóstolos e Profetas. Ele é o Profeta – o maior profeta de todos os tempos... depois de Nosso Senhor – o Dr. da Igreja, "o varão catholicus et totus apostolicus", como ele diz de si mesmo. Nas canções da TFP, ele é comparado a Moisés, Elias e Samuel. E é claro que como superior a todos eles. Ele brilharia mais que os anjos. Igreja e Estado deveriam se prostrar e lamber o chão diante dele, para lhe pedir perdão, como diz  cântico da TFP (Cfr. II parte, cap. VIII deste livro).
Enfim, tributa-se-lhe um culto de dulia como para um santo canonizado. É ele a causa, o organizador e o incentivador desse culto, que inicialmente negou existir, depôs confessou que existia, dizendo-o lícito. Agora, na “idônea”, ele afirma que esse culto é de dulia em sentido tomista, isto é, composto de atos de respeito para com uma autoridade ou reconhecimento da excelência de alguém, no caso, ele.
É ele mesmo quem inculca nos jovens da TFP o fanatismo mais delirante. E ele o faz de modo estudado, sistemático e frio, sendo capaz de todos os recursos e mentiras, sem nunca desistir de difundir filtradamente o culto para ele mesmo como profeta, e para sua falecida mãe, Da. Lucílla, como Mãe da Trans-Esfera e mão do Princípio Axiológico (Ele, Plínio. Ele,o Princípio Axiológico. ComMaiúsculas).
 
 
 
Antes de tudo, Dr Plínio previne os novatos da TFP – os “enjolras"-- de que "um homem deve ser sumamente reservado na opinião que ele tenha de si mesmo". Mais ainda, preocupado em dar lição de humildade, ele os previne contra o orgulho por meio de um conselho salutar, dizendo que por causa do pecado original o homem "deve fechar os olhos para as suas qualidades" (JJ-Resumo de carta recebida de S. Paulo, nos EUA - 08.02.82).
Mas, no caso particular dele, há um problema: como deixar de mostrar seu próprio valor, e desse modo matar o entusiasmo que os "enjolras" têm por ele?
Evidentemente, o "bem da Causa", e o "bem das almas" desses pobres "enjolras" exige que se ponham de lado - só no caso dele, bem entendido - os sábios e prudentes conselhos de humildade acima expostos.
E, para fomentar o "bem das almas" – "Eu, que no fundo, só tomo contato com as pessoas para levá-las a esses píncaros". (JJ-telefonema de J. Scognamiglio para os EUA - 12.02.82) – Dr. Plínio incansavelmente expõe ao auditório embasbacado suas extraordinárias virtudes e qualidades.
Nos últimos anos, quase não se passou reunião em que ele não falasse de si mesmo ou de sua mãe. Normalmente também, as sessões principiam com "proclamações” dos eremitas exaltando, em tom melodramático, as virtudes e dons do Profeta.
Também a pretexto de fomentar o “entusiasmo" e o "bem das almas", tendo constatado uma frieza péssima durante suas palestras – "Frieza como tem o grupo  em relação a ele, só viu que uma pessoa recebesse: mamãe" (JJ-Cartas de S. Paulo ao EUA - 18.06.83) - Dr. Plínio fez seu "fiel intérprete", João Scognamiglio, organizar uma claque "sui generis": o profeta não diz "a" sem que haja uma explosão frenética de "ohs", "noooossas", "fenomenais". E ai de quem não gritar "oh!"... Será imediatamente considerado sabugo.
Não se acuse Dr. Plínio de hipocrisia nesse ponto. Não se diga que ele não gosta dos "ohs". Ele gosta. Ele confessa que gosta. Mas para o bem das almas.
"Vós tendes que fazer ohh! Eu ficaria desapontado se não o fizésseis. Eu tenho que ser reservado. E talvez vós ficásseis desapontados se eu não o fosse. Por que havemos de desapontar-nos uns aos outros? Eu amo os ohs dos Srs. Amem minha reserva. Queiramo-nos bem esta noite onde estamos bem unidos. E com isto nós terminamos" (JJ-Cartas recebidas de S. Paulo nos EUA - 08.02.82).
Então, esse ponto seria inquestionável: Dr. Plínio é reservado sobre si mesmo, e só se elogia para fazer bem às almas. Outro ponto indubitável: é verdade que ele organizou uma claque para si mesmo. E é verdade que ele gosta de ouvir os "ohs" e que gosta de ouvir os passos dos "enjolras" correndo, idolátricos, atrás de seu automóvel. ("Eu me delicio com o rumor dos passos correndo atrás do meu automóvel"). Mas ele gosta disso apenas porque aprecia ver nessas manifestações o "entusiasmo espontâneo" de seus jovens "enjolras".  Não se pense que ele tenha qualquer  complacência com os louvores. Ele garante que venceu o orgulho (JJ-Conversa de sábado à noite -21.01.83) e que toda glória humana ou enjôlrica o deixa indiferente.
É certo, pois: ele organiza a claque para si mesmo, visando apenas o bem dos outros. O bem das almas. Aliás, a claque é "espontânea". Scognamiglio garante, e jura que é. E depois, se os "enjolras" não o aclamassem "as pedras se levantariam para aclamá-lo", conforme disse o Profeta. (Em 2010, os ooohs da claque são para Scognamiglio, quando ele ministra aulas no seminário dos Arautos...)
De modo que, apesar da extrema reserva e delicadeza de alma de Dr. Plínio, "possuidor de todos absolutos" - portanto possuidor da mais absoluta e perfeita modéstia - o entusiasmo dos "enjolras" por essa humildade e modéstia personificadas é tão grande e tão espontâneo, que a claque muitas vezes obriga, força, Dr. Plínio a se abrir um tanto, mostrando alguns dos excelsos tesouros de sua alma.
Veja-se este exemplo de modéstia profética vencida – para o bem das almas – pelo entusiasmo espontâneo dos "enjolras", devidamente excitados pela claque eremítica.
"No almoço de domingo - é João Scognamiglio que conta – ele fez o almoço inteiro sobre a monumentalidade da Sra. Dona Lucília. O mais interessante foi a conversa de sábado à noite, ontem (29.01.83). Porque como ele havia dito no almoço de sexta-feira, que ele às vezes olhando para si, ele conseguia discernir o esplendor dele, às vezes sim, às vezes não. [Note-se a humildade do profeta: não teme confessar que às vezes ele mesmo não chega a discernir o seu próprio esplendor. "Irra! que é modéstia demais!", já diziam os adversários do Pacheco, de Eça de Queiroz]. “Então perguntamos a ele se ele poderia fazer uma análise a respeito do esplendor dele, do esplendor que ele via. Então ele relutou muito [Era o combate entre a reserva e a sede de almas do profeta] e nuns quinze, vinte minutos ele descreveu. Vinte minutos depois ele já tinha descrito. Ia tentar desviar o assunto [de novo, sua inquebrantável humildade se opondo a qualquer exibicionismo] para outra coisa. Então nós insistimos e pedimos a ele que comentasse a fotografia de um certo menino aos quatro anos em Paris [Veja-se a delicadeza respeitosa dos "enjolras": o menino era o próprio Dr. Plínio]. E que mostrasse o esplendor desse menino. Ele não recuou. Contou. Então os "enjolras" começaram a pedir uma outra foto, ele não se lembrava; então alguém teve que se levantar para pegar uma coleção de fotos. Ele comentou ao todo umas quinze fotos ontem à noite. Fenomenal!!! Noooossa! [sic.] E ele concordou em, sábado à noite que vem, fazermos uma outra coletânea, e ele fazer uma conversa inteira sobre as fotos" (JJ-Telefonema de Scognamiglio aos EUA -30.01.83).
Como não reconhecer o zelo das almas, a modéstia do Profeta?
É incrível! É inacreditável! Mas é verdade. Está documentada. E nós vimos. E testemunhamos que é assim.
[ Agora, no Notas Auto biográficas podemos ler a análise que PCO fez de si mesmo em algumas fotos: Veja-se este exemplo de humildade de um menino inocente comentando a própria foto no dia da primeira comunhão:
“Eu apareço nesse retrato com um aspecto bom de minha alma, como em nenhuma outra ocasião. Há nessa foto algo de profundamente extraterritorial [SIC!!!] e, portanto não vinculado a nação alguma, mas com uma característica singular: sem ter sido essa minha intenção, eu representava um modo de ser muito mais europeu do que americano. Mais transparece ali  a tradição pela qual eu deveria velar, do que o mundo no qual precisaria agir. Vê-se alguma coisa de luminoso, radiante e transparente, que nas fotografias anteriores não havia, senão à maneira de um esboço, e nos retratos  anteriores também não existe. Eu me sentia translúcido de vida sobrenatural!
“Muitas pessoas, entretanto, não tomavam conhecimento desse brilho e não o elogiavam. Mamãe se portava perante essa luz como diante de um segredo que permanecia na alma dela. Pelo respeito protetor com que ela devia me tratar, dava-me muito carinho e afeto, mas nunca me elogiava, como quem diz: Isso fará o seu caminho”(PCO, Notas Autobiográficas, I Vol., p, 627).
Só faltou PCO dizer: “Ela conservava todas essas coisas em seu coração”. Não disse isso, mas todos entenderam isso.
A "modéstia" do Profeta vem, pois, de longa data.
Há muitos anos, para convencer um grupo de argentinos  a aderir à TFP, ele resolveu abrir-se e fez para eles uma série de palestras intituladas “Quem somos nós?
Jamais tivemos oportunidade de ler tais palestras. A "modéstia" ou a "prudência" do Profeta desaconselharam que nos deixassem lê-las, embora fossem feitos simpósios para nossos alunos sobre elas. Foi esse um dos motivos por que levamos tantos anos para compreender "quem era ele".
Várias pessoas nos testemunharam que nessa série de palestras Dr. Plínio se auto-definia. Mas obrigado por força maior. Ele não quereria fazê-lo. Isso, segundo ele, seria dever de um anjo.
Mas, nestes tempos pós-conciliares de tanta decadência, parece que até os anjos andavam pouco solícitos quanto às suas Angélicas obrigações. Nenhum anjo tendo condescendido em vir, abanando suas cerúleas asas, cantar e contar as excelências do Profeta (deve ter sido pela dureza de coração dos portenhos, gente, na verdade, muito empedernida) que  ele mesmo se viu forçado, constrangido a dizer o que ele era. Ele não queria dizer. Mas que fazer: a displicência angélica o obrigou a tal.
"Um anjo do céu deveria dizer isso. Mas como não vem, eu mesmo sou obrigado a dizê-lo" "Assim como S. Francisco foi a pobreza, e Santo Inácio foi a obediência, eu sou a Grandeza".
E não se pense que isto é vanglória ou orgulho.
É sabido que a humildade consiste na verdade, como dizia Santa Teresa. Ora, como de fato Dr. Plínio é, além de outras tantas coisas, a Grandeza, é a humildade que o forçava a reconhecer o que ele realmente era.
 Se ele, que é a Grandeza, não o dissesse, estaria mentindo. Isso seria pecado. Seria mentira. E Dr. Plínio diz que não mente. Nunca. E como ele é "veraz para com todo o mundo", na "veracidade de sua alma", na sua "inocência", na sua "monumentalidade", ele precisava confessar: "Eu sou a Grandeza".
Oh! Fenomenal!
E ele não é só isso. É outras coisas. Ele o diz: “Eu sou a seriedade”. “nooo ooo ooo ooo ooo oossa, fenomenal, fantástico” (JJ-Grafonema do Santo do Dia aos EUA -16.02.82). [Nota: esse é o maior nooossa que foi datilografado no "Jour le-Jour" do Profeta. Tem dezessete "ohs"]
Também não há santo que tenha sofrido como ele. Pois se é próprio dos santos o sofrer, e se Dr. Plínio é o maior santo da História, ninguém pode ter sofrido tanto quanto ele. Ele encarna o sofrimento.
Eu sou "o Dr. Sofrimento", diz ele (JJ-Chá no Êremo de S. Bento - 02.02.83).
 A nós mesmos, muito antes de ter sofrido o acidente automobilístico em 1975, ele já afirmara ser um "vir dolorum", um "homem das dores". O que, aliás, nos espantou muitíssimo, pois nós o víamos passear o dia todo de táxi, e freqüentar todas as noites o restaurante Fasano, que nos parecia, na época, a nós pobres mortais do Cambuci, uma espécie de Olimpo, onde os garçons deviam servir néctar e ambrosia celestiais para os grãofinos "vires dolorum" de Higienópolis.
 Quanta dor!... Com sorvetes e ar condicionado.
Para alguns, muito confidencialmente ele contou, num chá, entre bolachas e geléias, que o que demônio não suportava nele era ver tantas virtudes reunidas numa só pessoa. Que tantas virtudes existissem repartidas – vá lá – o diabo podia até agüentar. Mas tudo reunido nele, não. Era demais. O diabo não agüentava.
E depois, e depois...
Há tanta coisa depois, que é difícil escolher o depois. E depois, por exemplo, ele é o inocente, ele é a inocência. Ou, mais modestamente, ele conservou a inocência.
E inocentemente ele fala de sua inocência.
Pois não é natural? Só quem tem malícia não poderia falar de sua própria inocência. É claro como água do pote, conforme ele costuma dizer.
"A inocência, o lado tau meu se dirigia inteiramente para a monumentalidade (...). E pela minha inocência eu era muito levado a ter esses vôos para as verdades mais altas (...). Minha inocência é normalmente levada para o monumental" (JJ-Conversa de sábado à noite - 22.01.83).
Aliás, essa é outra virtude notável do Profeta: sua monumentalidade. Que foi herdada. Que foi herdada. É indiscutível. Essa monumentalidade dele foi herdada da Sra. Da. Lucília e da vovó Gabriela. Porque vovó também era monumental.
Vejam as provas:
"Ele contou fatos inéditos, [é João Scognamiglio quem fala, aquele que agora chegou a Monsenhor de Santa Maria Maggiore] mostrou como ele é todo feito de monumentalidade". "Hoje o almoço foi sobre a Sra. Da. Lucília. Ontem ele falou da monumentalidade dele, hoje falou da monumentalidade dela"  [JJ-Jornal falado de J. Scognamiglio - 23.01.83).
E vovó Gabriela também, também. Ela chamava uma antiga escrava
"uma negra" dizendo: "Honorata, venha aqui" e fazia um gesto de muita categoria, para ela se sentar. Ela ficava então conversando uma, duas horas com Honorata. E isto mostrava muito como é que era ao mesmo tempo a monumentalidade e a bondade [de vovó Gabriela] (JJ-Telefonema de J. Scognamiglio aos EUA - 06.02.83).
Está, pois provado: o caso da negra Honorata mostra que a monumentalidade de Dr. Plínio vem de longa data. É ancestral. Vem da vovó.
Mas jamais ele perde sua reserva.
Por exemplo, ele jamais reza voltado para si mesmo. Jamais Dr. Plínio reza inclinado, humilde e súplice, para si mesmo, diante do espelho.
Quando João Scognamiglio perguntou a ele, um dia, porque fazia vênia ou rezava voltado em direção do estandarte da TFP, Dr. Plínio modesta, muito modestamente, confessou que fazia isso simplesmente porque não podia voltar-se para si mesmo para rezar, nem podia fazer vênia para si mesmo.
Talvez isto seja possível um dia...
Como?
Mas é muito simples. Na bagarre, Dr. Plínio gozará do dom da plurilocação. Se alguns santos tiveram o dom da bilocação, por que Dr. Plínio não teria o dom da plurilocação ou da ubiquidade? É lógico! Muito lógico. Ele garante que, na bagarre, quando um de seus filhos espirituais, dispersos pelo mundo para obedecê-lo, invocá-lo, ele aparecerá física e realmente presente.
Dr. Plínio aparecerá, pois, na Austrália, na Califórnia, na Argentina, Equador. Gabão, na Barra Funda,  etc., etc.
É talvez para facilitar essa plurilocação miraculosa, em lugares tão distantes, que ele tem sempre preparados planos de fuga de S. Paulo e do Brasil. Afinal de contas, a graça pressupõe a natureza... E é bom deixar um avião preparado para ajudar a ubiquidade.
Às vezes, por lapso, sempre por lapso, se lhe escapam, – mas muito de escapada – palavras que permitem vislumbrar algumas das maravilhas de sua profética alma.
"Eu dizia sobre uma tábua de ouro chamada meu coração, Ultramontano! eu sou Ultramontano!" (JJ-Grafonema de J. Scognamiglio, Santo do Dia - 26.02.83).
"E nisso somos isolados porque ninguém foi como nós somos" (JJ-Reunião em Jazna Gora-30.12.82).
"Nós" é aí um plural majestático - melhor seria um plural humílimo - uma forma de ele atribuir à TFP uma qualidade que é dele. Só dele.
Ninguém duvida disso na TFP. Porque a TFP é ele, e só ele.
É certo que há alguns que por orgulho ou obtusidade podem pensar que ele aí esteja falando da TFP e não dele. João Scognamiglio lembra então caridosamente aos mais obtusos e aos sabugos empedernidos que "quando Dr. Plínio usa o plural majestático, nós devemos entender no singular esclarecedor".
Também o Profeta, caridosamente - sempre tendo em vista o bem das almas - lembra, muito indiretamente, que não se caia neste equívoco. Falando do "Legionário", ele observou um dia que se elogiava muito o grupo, mas que "esse grupo tinha um nome: Plínio Corrêa de Oliveira".
E descrevendo o valor increpatório da carta que ele escreveu ao Rei de Espanha, ele fala da beleza da increpação em tese - note-se bem: em tese - e falando dos santos e visando formar e levar os seus discípulos aos píncaros, ele diz:
"O belo só é belo quando é visto increpando". "A increpação é... uma especialidade nossa (...)" "e sobretudo devemos amar a Deus nos Santos que increpam!". (JJ-Telefonema de J. Scognamiglio aos EUA -06.02.83).
[Assim como a pizza referida por ele era uma especialidade de uma casa no Braz, assim a increpação era uma especialidade de Plínio. Cada um tem a sua especialidade própria].
Todos entenderam que as frases se aplicavam evidentissimamente a ele. Daí, as inúmeras exclamações que o Jour le Jour registra. Todos aplicavam o "singular esclarecedor".
Mas ele não estava pensando em si mesmo, e sim no dever que tinha de formar os "enjolras".
"De onde para não me elogiar a mim mesmo, eu não diria o que eu estou dizendo. Mas se eu tenho que nos formar, então eu tenho que dizer: isto é assim" (JJ-ldem).
Que não se façam juízos temerários!
Que não se vá pensar, pelo que foi dito, que ele não se preocupa em fazer justiça ao mérito dos seus colaboradores. Isso seria uma injustiça de clamar ao céu.
Ainda quando se elogiava Dr. Plínio pela obra lançada pela TFP - perdão, por ele - contra as CEB’s, se pôde verificar isso.
Os irmãos Gustavo e Luiz Solimeo - orientados por Dr. Plínio - prepararam durante anos um trabalho de 500 páginas contra as CEB’s. O trabalho estava muito bem documentado e muito bem feito.
Entretanto, seu tamanho trazia um inconveniente grave: não havia lugar para o Profeta fazer uma introdução de tal porte que justificasse a colocação do seu nome na capa do livro.
Foi um erro de previsão, que atrapalhou a profecia.
Mas Dr. Plínio logo achou a solução: determinou que os dois irmãos autores resumissem sua obra para umas 150 páginas. Ele faria então uma introdução de umas outras 100 páginas. Desse modo, no alto da capa - e com letras maiores - poderia ser impresso o nome dele: Plínio Corrêa de Oliveira.
 Que, aliás, é "um nome exorcizante", o que garantiria o êxito da obra.
Alguns "enjolras", dizíamos, elogiavam Dr. Plínio pela obra contra as CEBs. Ele se apressou a corrigi-los, desfazendo essa injustiça e valorizando a participação dos irmãos Solimeo. Explicou que não era justo atribuir a obra a ele apenas. E que isto era injusto também para com ele “Dominus Plinius”, "varão da dextra de Maria". E mostrou que apresentá-lo como autor de livros é pouco. É insuficiente. Pouco, porque ele é mais. Além de autor, ele é "fundador, formador e inspirador" de uma "escola de escritores", de que os irmãos Solimeo são parte. "Se se trata, portanto, de promover o meu renome, o meu renome deve ser promovido assim" (JJ-Grafonema aos EUA - Santo do Dia-22.06.83).
O auditório externava ruidosamente seu assentimento. E Dr. Plínio concluía:
"Na lógica da coisa isso é assim. E me parece tão razoável, tão verdadeiro, que eu ouço com alegria as intervenções tão queridas" (JJ-ldem).
As intervenções tão queridas eram os "ohs" admirativos diante de afirmações "tão razoáveis", "tão verdadeiras", "tão modestas".
É assim que um profeta e santo ensina como se deve promover o seu próprio renome.
Jamais se viu um santo como Dr. Plínio em toda a História. Temos que reconhecê-lo. Jamais.
E é a singularidade absoluta do papel de Dr. Plínio na História que lhe dá certos privilégios especiais.
Por exemplo, a imortalidade e seu translado para a Montanha dos Profetas no Tibet, onde ele será recebido por S. Elias, na bagarre.
Sobre isso há uma certa confusão, -perdão - há um certo mistério profético. Aliás é próprio das coisas proféticas serem envoltas em mistério. Então apressemo-nos a corrigir: não ha confusão, há mistério profético.
E qual é esse mistério
É o seguinte.
Corre que Dr. Plínio espera, de um momento para outro, receber a visita de Elias. De Elias, sim. Do Profeta Elias.
Misteriosamente não se fala de Enoch. É só Elias que vai vir. Enoch deve ter se aposentado, ou "sabugado". Ou não deve estar de plantão. A Scognamiglio, Dr. Plínio contou que Elias poderá aparecer-lhe do modo mais surpreendente e inopinado.
Num avião, por exemplo. Dr. Plínio se imagina conversando com um passageiro ao lado. (Será que ele teria barba? Elias era barbudo...) E que o tal passageiro ao lado saberia dar respostas às perguntas mais profundas sobre a Revolução e a Contra-Revolução. Perguntas para as quais nem o "nosso" "profeta" de Higienópolis teria respostas. Estupefato, então, Dr.Plínio perguntaria:
"Elias?..."
E o passageiro misterioso (Será que ele teria barba?) responderia: – "Eu mesmo".
"Oh!" Exclama o auditório embasbacado.
Todavia, como os planos da Providência são insondáveis, é possível que Elias não venha de avião. Vá lá se saber!
Por garantia, já se instalou em Itaquera, no chamado Êremo de Elias, uma cadeira para o Profeta desse nome considerando "a eventualidade do aparecimento de Elias para um de seus eremitas", disse-nos Dr.Plínio.
Nós ouvimos essa declaração da boca do próprio Profeta. Meninos, eu ouvi!
 Átila, o "idôneo" Átila protesta: não é cadeira de Elias. É Trono. Trono de 850 kgs. Está lá, na "Idônea" (R - l, p.370).
Meninos, eu li!
Outros acham - o Profeta de Higienópolis não descarta a hipótese (aliás, a hipótese deve ser dele mesmo) - que Dr.Plínio viajará para o Tibet, até a Montanha dos Profetas. Veja-se este diálogo.
 “Ninguém” Desleal da Costa pergunta a Dr.Plínio:
"- Como a Sr. imagina o encontro com o Profeta Elias no monte dos profetas?"
Dr.Plínio responde prudente, reservado e modesto. Sobretudo modesto.
"Eu   não  tenho nenhuma  certeza  do monte dos Profetas. O monte dos profetas é uma bela hipótese, não é mas do que isso. Eu não tenho nenhuma certeza que eu me encontrarei com o Profeta Elias [Que modéstia]. Gostaria muitíssimo, muitíssimo [Que zelo!] E minha idéia, se encontrá-lo, é de colocar-me de joelhos e oscular os pés imediatamente. [Oh! Oh! Oh! Que humildade! - Que deve ser imitada. Por que se deve oscular os pés dos profetas. "Enjolras", compreendei]
“(...) Eu queria falar com esse homem da indignação sagrada. Seria para mim uma alegria sem limites. Terei algum dia esta graça? Quem sabe durante a Bagarre. É possível" (JJ-Palavrinha para os hispanos -23.01.83).
Tal é a crença nessa possibilidade que dois discípulos pensaram um dia em fazer um pedido escrito a sangue, - a sangue! - a Da. Lucílla, para que ela lhes obtivesse a graça de serem conduzidos com Dr.Plínio ao paraíso terrestre (sic) ou à Montanha dos Profetas - que é lá pertinho - por ocasião da bagarre!
Isto, aliás, é coisa fácil, pois Dr.Plínio afirma:
"Eu carrego os que me carregam".
Mas para isto é preciso que seus discípulos preencham três condições:
a) compreendam bem o que ele é;
b) sejam inteiramente dele;
c) sejam congêneres e "um" com ele.
 
Isto é bem difícil. Os que estão com ele há quarenta anos ainda não o compreenderam. Foram todos infiéis, ou, no muito, semi-fiéis. Todos sabugos e calvinistas, todos duros de entendimento.
Precisou vir João Scognamiglio para compreender Dr.Plínio e o que ele queria. Só João Scognamiglio o compreendeu. E mais, interpretou os seus desígnios e criou a claque de veneradores que o cultuam, mas com tão fraca devoção. Tão fraca ainda.
E poderíamos citar as longas e amargas queixas do Profeta, que formariam uma Pliníada desde o Alef até o Tau.
"Se tivessem noção de quem eu sou, bem clara..." (JJ-Carta de S. Paulo aos EUA -21.07..83).
Às vezes, ele não diz nada, mas deixa perceber muita coisa. João Scognamiglio vai contar alguma grandeza do Profeta, no seu "Jour le jour".
"Os srs. sabem que na 4ª feira no almoço, dia 5 de janeiro ele gostou muito de ter recebido um documento. Mas gostou muito. O documento é de um jornalzinho aqui chamado "O Domingo" é de umas freiras daqui de São Paulo mas divulgado no Brasil inteiro. "O Domingo" diz o seguinte: "Os santos nossos irmãos" Esse é título. E vem então a notícia. "Hoje nos alegramos com os santos do céu, mas não é lícito esquecer os santos da terra. Pois não basta apresentar no mundo os 144 mil assinalados ou a imensa multidão daqueles que O acompanham (...) na glória. O homem para crer precisa ter santos andando com ele, companheiros do seu dia-a-dia. [do seu Jour-le-jour] Não vou transmitir aqui os comentários que ele fez, mas ele estava muito contente com o texto" [Os sublinhados são do Jour le jour e são bem significativos].
Que comentários fez o Profeta sobre os santos da terra?
Não é difícil de adivinhar!
 
A alguém que diz que "é uma felicidade" ser dele, o Profeta responde reconhecendo o fato.
- "Isto é verdade".
E modestamente e devotamente explica o porquê: ,
"Isto é verdade, porque é um modo de ser de Nossa Senhora" (JJ-Reunião no Praesto Sum - 26.02.83).
Como alguém é de outro? Uma das formas é a consagração como escravo, do modo como os membros da TFP se consagram a Nossa Senhora. Ora, como ele é "habitado" por Ela, consagrar-se a Nossa Senhora, em concreto, exigiria talvez uma obediência a ele como escravo. E é certo que alguns se consagraram a Dr. Plínio como escravos.
 
É por puro desejo de santificar as almas que ele exige que seus seguidores sejam consoantes com ele.
"E ele diz que para haver uma consonância com ele e para haver admiração é preciso que haja uma congenericidade, que eles sejam congêneres. Para que assim o discípulo se sinta arrebatado pelo gênero do mestre e porque ele é congênere com o mestre" (JJ-Telefonema de J. Scognamiglio aos EUA - 06.02.83).
Como isso é afim com o misterioso e sublinhado proêmio do livro do Professor Martini sobre Elias. (Cfr. II parte deste livro, cap. IX).
E não se caia numa tentação minimalista, julgando que para ser congênere com ele basta aceitar e viver suas doutrinas. Isso faria da pessoa um mero discípulo dele. E sabugo. Nada mais.
Para ter consonância com ele, além ou mais do que aceitar sua doutrina, é preciso gostar do que ele gosta, ter seus hábitos e costumes, ser como ele é. Ser dele. Só assim se poderá ser um outro ele.
“Plinianus alter Plinius” se diz na TFP.
Daí a preocupação de não se comer nozes, amendoins, mandioca, azeitonas e outras coisas abominadas pelo gosto excelso do Profeta.
"Espero que neste Natal, pelo menos, em nenhuma sede da TFP se tenham comido nozes", afirmou o Sr. Paulo Martos em 1982.
Noite feliz...
Sem nozes.
Deve-se fazer a barba, lavar as mãos, tomar banho, deitar-se, etc., etc., tudo como quer ou faz o Profeta, sob pena de cometer até pecado mortal.
E é preciso imitá-lo até nos suspensórios! Até no uso de suspensórios! E nas ligas de meia!
Quem não tem calças dependuradas em suspensórios não tem inteiramente o espírito do Profeta. É preciso ter os suspensórios.
Talvez seja pelos suspensórios das calças que alguns serão arrebatados pêlos anjos, para serem levados até a Montanha dos Profetas no Tibet, junto com o Profeta de Higienópolis.
Magnífico.
 Ao Tibet!
Pelos suspensórios.
 Unos com o profeta. Pelos suspensórios.
*   *   *
Basta! Basta de delírios.
Alguém poderia dizer que numa questão tão trágica não caberia a ironia.
A esse falso pundonor respondemos que seria falta de seriedade tratar tais delírios como se fossem coisas sérias.
Há delírios ridículos. Outros há, de tal modo graves por suas conseqüências, que coíbem o riso.
Até agora vimos afirmações tão absurdas que é impossível pretender refutá-las de modo elevado. Fazê-lo, seria dar ao absurdo a categoria do plausível, do verossímil, do sério.
Entretanto, quando um delírio atinge o cerne da Fé em Cristo e na Igreja, é preciso, apesar do seu absurdo, lembrar as verdades comezinhas que o refutam.
É sabido que Nosso Senhor Jesus Cristo afirmou que sem Ele nada podemos: "Sem mim, nada podeis fazer". E que devemos ser unidos a Ele como os sarmentos à videira (Jo. XV, 4-8).
Esta união a Cristo se faz pela aceitação da Fé e do Batismo. Misticamente somos unidos a Cristo pela prática dos mandamentos, pela vida da graça em nossas almas. Essa união mística pode chegar a tal ponto que, como S. Paulo, se possa dizer: "Já não sou eu que vivo, mas Cristo é que vive em mim" (Gál. II, 1).
Unidos a Cristo e à Igreja formamos um só Corpo do qual Cristo é a Cabeça e nós somos os membros. É em Cristo, por Cristo e com Cristo que somos um. E que somos salvos. E nenhum outro nome nos foi dado para nossa salvação senão o doce nome de Jesus (At. IV, l Col. - l, 19, 20; l Tim. II, 5; l Pe. Ill, 18).
 A espiritualidade da TFP parece ter outros fundamentos. Dr. Plínio elaborou toda uma teoria sobre os fundadores de ordens religiosas, que ele aplica a si mesmo, sem ter fundado oficialmente ordem nenhuma.
Segundo essas teorias, o fundador é a regra viva que deve ser seguida mais ainda do que a própria regra escrita. Na TFP, não existe regra - existe um Ordo -, não aprovado pela Igreja. Em todo caso, Dr. Plínio é a regra viva a ser imitada em tudo.
Toda a vida espiritual de um membro da TFP gira em torno dessa união mística com o Profeta. Quem não tiver essa união de alma com ele corre risco de não se salvar e até suas qualidades naturais feneceriam. É só na união com ele, no contato pessoal com ele, no contato de alma, na sua imitação, e até na imitação de seus gestos, que há real e séria correspondência à graça, para um membro da TFP.
Por outro lado, ele se apresenta como o "Profeta de Nossa Senhora", o "Varão da Dextra de Maria", como mediador entre Ela e os homens. E porque ele teria a mentalidade dela, o triunfo do Imaculado Coração seria o triunfo de Dr. Plínio. Para ser de Maria, seria preciso ser do Profeta de Nossa Senhora. Seria preciso ser de Plínio. Daí, alguns se consagrarem a ele, para melhor serem escravos d'Ela... Esse é um dos "Secrets Sublimes" da TFP.
O meio mais fácil para obter de Nossa Senhora a união com o seu Profeta seria pelo recurso à intercessão de Da. Lucílla. Daí, Dr. Plínio dizer que a vocação que ela não teve na terra durante a vida, ela a recebeu depois da morte, no céu. É o que se pode chamar de vocação tardia.
E a canção "Secret Sublime" diz isso mesmo (Cfr. II parte, cap. VIII).
Por isso Dr. Plínio afirma que "Da. Lucília é a mãe espiritual dos membros da TFP, e ele veiculou na entidade a jaculatória: “Da. Lucília, mãe e senhora nossa, ajudai-nos".
A devoção a Da. Lucília seria a chave, a "clé", para chegar a Dr. Plínio. Mas essa "clé" não dispensa uma ascese contínua que leva o eremita a fazer o que Dr. Plínio faria, como ele faria, e porque ele o faria.
Diz-se que as pessoas devem preparar-se antes de ir falar com ele, para ficar totalmente "abertas" às suas influências. Depois de ouvi-lo, devem meditar suas palavras.
Na TFP, há uma verdadeira obsessão pliniana. Só se ouvem suas palestras, mesmo já assistidas. Só se lêem suas obras e artigos. Só se conversa sobre o que ele disse.
O "Jour le Jour" do “Profeta” contado por João Scognamiglio, aos domingos, no Praesto Sum, mantém e alimenta esse culto ao Profeta. As visitas ao túmulo e ao quarto de Da. Lucília, a recepção das bênçãos do profeta, o carregar suas relíquias e fotografias, a peregrinação ao local de seu acidente são meios, entre outros, de manter viva essa devoção nos membros da TFP.
O próprio Dr. Plínio fala dessas práticas devocionais e dá explicações sobre como a devoção a ele pode decair, ou crescer a ponto do devoto pedir "pochettes-relíquias" (JJ-Jornal falado de Scognamiglio aos EUA -23.01.83).
Mas ele não quer só devoção. Ele quer mais, quer união. E quer uma união semelhante àquela que o fiel tem que ter com a Igreja, e, portanto, com Cristo.
"Eu, vocês tem que fazer ascese para concordar comigo e para serem inteiramente um comigo. Esta ascese eu fiz com a Igreja. Eu tomei a minha natureza e dobrei (e fez um gesto como de alguém que estivesse dobrando uma barra de ferro) eu me tornei a mim mesmo e dobrei a minha natureza e transformei a minha natureza à semelhança da Igreja. É preciso tomar a natureza de vocês com ascese e dobrá-la e serem um comigo" (JJ-Jornal falado de João Scognamiglio aos EUA-23.01.83).
Não há nessas palavras nenhum incentivo aos membros da TFP a serem um com Cristo e um com a Igreja. O necessário será fazer ascese e dobrar a natureza para serem um com Plínio. E do mesmo modo que Plínio se teria feito um com a Igreja, os membros da TFP deveriam se fazer um com Plínio.
Plínio é o meio de salvação para eles. De modo que, para os pobres iludidos da seita do Profeta, um novo nome foi dado pelo qual eles se salvarão: Plínio Corrêa de Oliveira.
É desse modo, vagaroso e sutil, que Dr. Plínio vai se insinuando nas almas e tomando o lugar do próprio Cristo.   Tomando o lugar de Deus. Não disse ele que seus discípulos deveriam aproximar-se dele, para cumprimentá-lo, tendo presente no espírito a frase de um filósofo pagão: "Causa causarum, miserere mei"? Não raia isso a idolatria?
É essa consideração de Dr. Plínio como causa, modelo e meio de santificação que vicia toda a espiritualidade dos jovens da TFP – e agora dos Arautos do Evangelho ‑, tornando-os sectários e, em certo sentido, idólatras.
"Ai de vós que amais os primeiros lugares" (Luc. XI, 43).
 
 
 
Antes de mais nada, deve-se esclarecer que, conforme o que constatamos, quase todas as teses mais delirantes que circulam na TFP a respeito de Dr. Plínio têm origem, em geral, naquilo que ele asseverou sobre si mesmo.
Deixemos de lado certas teses próprias a pátios de hospícios, já que "Nem todos os loucos estão em Charenton" (R - ll, p.175) como o caso do rapaz que discutiu insistentemente com sua família defendendo a tese de que "foi Dr. Plínio que instituiu o Santíssimo Sacramento da Eucaristia". Ou aquele outro (o Arauto N. T. C., agora ex arauto) que julgava plausível ser Dr. Plínio a encarnação da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.
Atenhamo-nos às loucuras mais repetidas, que nem por isso são menos delirantes.
Algumas delas, aliás, foram defendidas pelo próprio Dr. Plínio, não em reuniões gerais da TFP, pois nessas a presença de "sabugos" e "fumaças" impede que ele abra seu profético coração, ou se expanda, sem restrições mentais, em toda a veracidade de sua alma. É o próprio João Scognamiglio que afirma que Dr. Plínio é obrigado a não revelar tudo o que pensa de si mesmo para todo o Grupo...
Não importa! Para os mais fiéis João Scognamiglio Clá Dias se encarrega de interpretar os desígnios mais ocultos do Profeta e de defender as teses mais ousadas e esotéricas a seu respeito.
Vejamos algumas dessas teses.
 
 
É o que afirmou o fiel João Scognamiglio Clá Dias no Praesto Sum. Afirmou e demonstrou:
"Nosso Senhor Jesus Cristo só se encarnou porque Dr. Plínio correspondeu à graça, pois que se não tivesse havido essa correspondência, ele não faria a vingança plena dos sofrimentos de Cristo em sua Paixão e, neste caso, teria sido desonroso para o Filho de Deus ter se encarnado. Portanto, o Filho de Deus só se fez homem, porque Dr. Plínio correspondeu à graça". [E hoje esse homem – Scognamiglio -- virou Monsenhor! A espeicialidade de Scognamiglio sempre foi  dar “viradas”...]
E o auditório eufórico aplaudiu de pé, aderindo entusiasticamente ao delírio scognamigliano.
 
Na soleníssima Reunião de Recortes, em Jazna Gora, na presença dos Srs. membros do Conselho Nacional, dos membros da "Ordem Imediata" (sic), e de toda a nata da TFP, levantou-se um dia Átila Sinke Guimarães, "o idôneo" e bibelótico secretário do super-excelso MNF e declarou que o livro Sou Católico. Posso ser contra a Reforma Agrária?equivale ao "Ego Sum" da Bíblia.
Até o Profeta se "escandalizou" com a tese ousadíssima, que fez estremecer os querubins e serafins nos céus, mas deixou em plena apatia o auditório semi-fiel, e entusiasmou a claque fiel.
Seria sincero o escândalo do Profeta, ou seria simples efeito da atmosfera "enfumaçada" de Itaquera?
Sinceramente ou não, o próprio Dr. Plínio preveniu o auditório de que se deveria entender analogamente a tese idolátrica de Átila.
 
Conta-se ainda que João  Scognamiglio Clá Dias narrou o seguinte diálogo entre ele e o Profeta de Higienópolis:
"Parece que o Espírito Santo, tendo-se retirado da Igreja, refugiou-se no Senhor, Dr. Plínio".
Ao que, sempre modesto, retrucou o Profeta:
"Quer saber de uma coisa, meu João? Acredito que sim".
Outros contam que o diálogo foi entre Dr. Plínio e o Sr. Átila Sinke Guimarães, por ocasião do Conclave que elegeu João Paulo l ou João Paulo II. Mas a tese era a mesma: o Espírito Santo, fugindo da Igreja, veio se refugiar em Dr. Plínio. Não é de espantar pois que muitos afirmem que...
 
Com toda a convicção se afirma que Dr. Plínio é a Igreja. Essa tese é corrente nas fileiras da TFP. E é tese que não é difícil "provar". Veja-se lá: hoje a Igreja não passa de uma "estrutura", pois todo clero apostatou. (Inclusive o "cônego José Luís Villac que não é fiel a Dr. Plínio"). Não há bispo bom. "Aponte-me um bispo bom". "Onde está a Igreja? A igreja é João Paulo II? Faça o favor. Isso é Jezabel” (Quantas vezes ouvimos isso!). Então, sendo assim, hoje a TFP é a Igreja. Mas acontece que a TFP é Dr. Plínio. O resto não é nada. Logo, Dr. Plínio é a Igreja. Isso é dito assim. Com toda a seriedade, com toda a veemência e convicção.
O eremita Pedro Julião defendeu boquirrotamente essa tese. José Lopes Antunes - sempre em cima do muro - mais cauteloso, disse que "a Igreja mora em Dr. Plínio". Depois, assustado com a sua própria moderação e preocupado com o que a "KlaGB" interna iria contar a João Clá, acrescentou pressurosamente: "Ele é maior do que a Igreja".
Por sua vez, Euclides Alcaraz Torres - pessoa tão preocupada com matizes - nos declarou:
Disse-nos Euclides coisas incríveis, com a maior despreocupação do mundo.
Contou não acreditar na imortalidade de Dr. Plínio, mas que “ele terá um pós-vida”. Achava que “nos últimos mil anos, só dois Papas não foram da ‘estrutura’: São Gregório Magno e São Pio X”; que a “a Igreja se resume só no Grupo”; que, “após a “Bagarre”, o Grupo devia cuidar de não se deixar “abraçar” pela “estrutura”, como aconteceu com a Companhia de Jesus, a qual foi transformada em Ordem para melhor dominá-la e destruí-la”; que o Grupo seria “como que – veja, como quecomo que Imaculado”; que “assim como a Redenção dependia só de Nossa Senhora, o Reino de Maria depende só do Grupo, se ele não o realizar, ninguém o fará”.
Estas declarações mostravam qual era o fundo doutrinário vigente nas cabeças dos militantes da TFP. E este fundo de quadro não era católico.
E num Santo do Dia, quando Dr. Plínio disse uma vez: "O Papa é infalível", ouviu-se uma voz (cismática ou herética?) dizer: "Ele é o Papa".
E o ele aí era Dr. Plínio mesmo.
E o Sr. Acúrcio Torres foi mais longe ao berrar hereticamente que "a missão de Dr. Plínio o coloca, hoje, acima da estrutura". Aos berros e sem matizes.
 
Foi esse o supremo argumento de João Scognamiglio Clá Dias para convencer o eremita D. J. P. a renunciar a sua opinião de que deveria sair do Êremo para sustentar sua mãe e seu irmão doente. Dr. Plínio, pela boca de quem falava a Sabedoria de Deus, achava "que D.J.P não deveria se preocupar com a mãe idosa e com o irmão doente, pois ele tinha pela mãe um apego sentimental "de cavaleiro medieval por sua dama, tirando-se a questão de sexto mandamento". E a "Sabedoria" aconselhava a D.J.P.  a não ter escrúpulos de deixar "os mortos enterrarem seus mortos".
[Mãe mesmo, só Dona Lucília!].
 
Há quem mais "marialmente" se recuse a admitir que seja o Espírito Santo ou a Sabedoria que falam ou habitam em Dr. Plínio.
Quem se teria encarnado nele, habitaria ou falaria pela sua boca seria Nossa Senhora.
Romanticamente dizem que, nele, o Reino de Maria já começou. Que ele é hoje o Reino de Maria. E por ser o Profeta de Nossa Senhora, Dr. Plínio seria o Medianeiro da Medianeira. Por isso quem quisesse servir a Nossa Senhora como escravo, em concreto, deveria consagrar-se e servir a Dr. Plínio. Ser dele seria um modo de ser de Nossa Senhora (JJ-Reunião no Praesto Sum -26.02.83).
"O reino que está para vir, entretanto, já existe, mas na alma do profeta. O futuro das idades do mundo está antecipado no presente de uma alma singular".
Essas palavras, que exprimem exatamente o que Dr. Plínio e os membros da TFP pensam e afirmam do papel do Profeta de Higienópolis, não são de nenhum tefepista. Elas expressam o que Jacob Boehme, o teósofo gnóstico do século XVII, pensava de seu próprio papel profético e de sua alma com relação ao futuro Reino de Deus (Cfr. Pierre Deghaye - La consommation dês temps selon Jacob Boehme, in Apocalypse et sens de l'Histoire, nº 9 dos Cahiers de l'Université Saint Jean de Jerusalém. Berg International edit., Paris, 1983, p. 99).
 
Tal é a união de  João Scognamiglio Clá Dias com Dr. Plínio que ele ousou escrever numa carta: "Dr. Plínio, no qual pus todas as minhas complacências".
E numa proclamação em Jazna Gora, numa Reunião de Recortes, um eremita idolatricamente berrou, para o auditório omisso e cúmplice e para o Profeta deliciado, que Dr. Plínio será "nossa recompensa imensamente grande".
Através da técnica do "sublinhamento" (Cfr. II parte deste livro, cap. VIII) os "enjolras", gritando "ohs", identificavam Dr. Plínio com a Luz de Cristo, com a "face" que contemplaremos no céu, e o olhar de Dr. Plínio com o olhar do próprio Jesus Cristo.
 
Eis aí um problema ou uma dúvida profunda que dividiu os "teólogos" do Grupo. Átila Sinke Guimarães, um dos quatro "idôneos" da TFP, e secretário do super-excelso e semi-esotérico MNF, levantou a hipótese
– ou seria tese? Na TFP, nunca se sabe bem quando é tese ou quando é hipótese
– levantou a hipótese, dizíamos, de que Dr. Plínio seria a hipóstase de um anjo.
Vê-se bem, pelo uso do termo técnico - hipóstase - que a hipótese (ou tese?) tem que ser filha de Átila. Outros menos afeitos ao linguajar teológico - mas igualmente delirantes - dizem rasgadamente que Dr. Plínio é um anjo. Houve até quem chegasse a tentar tirar as dúvidas perguntando ao próprio Dr. Plínio se ele era um anjo ou não. O pobrezinho devia estar estranhando a falta de asas. Talvez ele não conhecesse as teses de Dr. Plínio sobre as modificações morfológicas que terá o corpo humano na bagarre.
A. Dumas Louro, outro dos teólogos do Grupo - mas pouco bibelótico - propôs dar uma reunião, com toda a sua imensa teologalidade, provando que a entrada de Dr. Plínio num ambiente é superior à entrada de um anjo.
E João Scognamiglio Clá Dias declarou - tout court - que Dr. Plínio está acima dos Serafins.
 
Sempre se ensinou na Igreja que a obra prima de Criação é Nossa Senhora, mas no Auditório S. Miguel se proclamou: "Dessa obra prima da Criação, que sois vós".
E "oooooooohhhhhh"! Ratificou o auditório entusiasmado.
E João Scognamiglio Clá Dias garantiu, no Praesto Sum, que "Dr. Plínio reúne dois auges: o da natureza e o da graça".
 
Consta que Dr. Fernando Furquim de Almeida teria dito, há muitos anos atrás, que Deus poderia conceder o privilégio de Imaculada Conceição a outras pessoas, além de Nossa Senhora.
Também João Scognamiglio Clá Dias deu uma reunião no Praesto Sum, a respeito de Dr. Plínio, dizendo tais coisas que o [ então] eremita N. T. C., um dos autores de ladainha de Da. Lucília, se levantou e concluiu: "Pelo que o Sr. está dizendo, Dr. Plínio não tem pecado original".
Ao que retrucou serpentina e insinuantemente o "fiel intérprete" do Profeta de Higienópolis: "essa é uma tese muito interessante, mas que seria preciso provar".
Portanto, não descartou ele que Dr. Plínio tivesse tido uma Conceição Imaculada... Em seu enjolrismo, que teriam concluído os "equilibrados" eremitas do que insinuara Scognamiglio?
E o ex-eremita H. Iw., naqueles seus dias de sério entusiasmo enjolrático, ousou levantar-se em plena reunião, e publicamente, e fervorosamente pedir a Dr. Plínio que dissesse se tinha ou não pecado original.
O Profeta de Higienópolis, pego de surpresa, prudentemente negou ter sido concebido sem pecado... Pois se ele tinha até diabetes... (Era uma prova patológica e laboratorial de que o catecismo dissera a verdade de que só Nossa Senhora foi concebida sem pecado).
Falava então Dr. Plínio na "veracidade de sua alma"? Haveria "fumaças" e "sabugos" na reunião?
"Chi lo sa"?
E numa Reunião de Recortes, quando Dr. Plínio afirmou, como que de passagem, que tinha pecado original, o auditório prorrompeu em protestos: "Não! Não! Não!", enquanto outros balançavam negativamente a cabeça. Queriam ser gentis (?). Mas a ortodoxia não se concilia com gentilezas heréticas.
 
A tese é velha e estava por escrito num velho caderno do eremita N. T.
Também os textos xerografados que Dr. Plínio nos enviou para defender ou justificar a tese de sua inerrância tinham por título: "Sabedoria e Infalibilidade - textos completos". Infalibilidade e não inerrância ...
 
No capítulo anterior, vimos que Dr. Plínio negava que fosse infalível, e no Imbróglio disse que essa infalibilidade que se lhe atribui é absurda, arrogante. (Cfr. Imbroglio - p. 310).
Ele nega, pois, que seja infalível. Ele jamais ensinou isso. Ele garante apenas que é inerrante. E inerrante apenas em política.
Na Refutação a Uma Investida Frustra, [Livro escrito contra nós, e cuja leitura recomendamos] o “idôneo” Átila escreveu ou assinou três capítulos para provar essa inerrância. O profeta, mais modesto em público, diz apenas que "o acerto de suas previsões supera o nível de sua inteligência" (Artigo na Folha de São Paulo-19.08.84).
 
Esta é a tese corrente na TFP, que teria tido origem, conforme nos disse o próprio Dr. Plínio em 79, na narração de Anna Catarina Emmerich sobre a Montanha dos Profetas. Nesse monte místico - a montanha Qaf dos muçulmanos - a mística alemã teria visto Santo Elias com um misterioso personagem, que na TFP se julga ser Dr. Plínio. Ele seria levado para lá, na bagarre, num carro de fogo, como Elias.
Num simpósio realizado em Petrópolis para estudar o livro do eremita Martini sobre Santo Elias, dizia-se que Dr. Plínio era imortal. Essa era a conclusão lógica, nas rodinhas, daquilo que fora insinuado nas reuniões.
O próprio Dr. Plínio não afastou essa hipótese, que considera até bela.
Em Porto Alegre, o Sr. D.C. afirmou rotundamente que Dr. Plínio é imortal. Entretanto, o Sr. E. A. T. - uma vez na vida moderado - garantiu-nos que Dr. Plínio não é imortal, mas que de fato "ele teria um pós-vida".
E João Scognamiglio Clá Dias, num rasgo de fidelidade, asseverou ao próprio Dr. Plínio que se ele morresse iria ao enterro (ou ao cemitério?) sabendo que algo ia acontecer. Ao que Dr. Plínio respondeu: "Assim é que deve ser".
[O enterro não profetizado aconteceu. E Scognamiglio foi lá. Com Banda e Bumbo. Para enterrar o imortal].
Na "Idônea", Átila protesta contra nós por termos qualificado essa tese da imortalidade do Profeta de descabelada. Ele garante que ela é admissível, e usa tratados e teólogos para penteá-la. Dr. Plínio, porém, tímido ou humilde, achou a hipótese "no mínimo inusual”. Mas não absurda, nem louca.
 
S. Paulo afirmaria literalmente que alguns não vão morrer, mas que serão glorificados vivos. Essa tese é muito cara a Dr. Plínio, que a repete com freqüência.
Se, no fim do mundo, alguns não vão morrer, por que não poderá acontecer o mesmo com alguns, agora, na bagarre, pequeno fim de mundo libertador? Por que não seria Dr. Plínio um dos agraciados com a glorificação em vida?
Na TFP se afirma, que na instauração do Reino de Maria dar-se-á uma "glorificação de Dr. Plínio", não ficando claro se se espera que seu corpo se torne glorioso, ou que seu nome seja coberto de glória.
Diz-se ainda que, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo se transfigurou no Tabor, assim também Dr. Plínio será transfigurado.
Talvez seja por causa da "glorificação" corporal de Dr. Plínio que se espera sua imortalidade, ubiquidade, agilidade etc.
 
O próprio Dr. Plínio se considera profeta, embora negue tomar posição face à questão. Numa proclamação se disse que ele é o "profeta por antonomásia" . E o Prof. Fernando de Mello Gomide ouviu uma vez de um "enjolras", no Auditório de S. Miguel, que Dr. Plínio era o maior profeta da Historia... depois de Jesus Cristo.
 O autor da frase deve ter sido algum escrupuloso, por se preocupar em ressaltar a superioridade de Cristo sobre Dr. Plínio.
 
Na TFP, Elias é um dos nomes códigos para designar Dr. Plínio. Quando ele entra no auditório, muitas vezes se canta: "Ecce profeta Elya"...
Muitos acreditam que Dr. Plínio possui o duplo espírito de Elias e de tal modo os dois são identificados que muitos começaram a assinar cartas e bilhetes sob a fórmula "in Elya", designando assim Dr. Plínio.
Esse costume de identificar Dr. Plínio com o grande profeta de Israel se acentuou marcadamente após a publicação do livro do Prof. Martini sobre S. Elias, livro esse que é um contínuo louvor - "sublinhado" [Em código] - a Dr. Plínio.
 
É uma das teses das canções dos eremitas do S. Bento e do Praesto Sum dirigidos por João Clá Dias: Dr. Plínio é maior que Samuel, Elias e Moisés. "Et excusez du peu"!
E é o que anunciam os eremitas com insistência nas "proclamações" de sábado à noite.
João Scognamiglio Clá Dias é o grande propulsor das delirantes a respeito da santidade única ao Profeta de Higienópolis. Ele chegou a afirmar que todo santo tem que atingir uma certa "quota de santidade" (sic) estabelecida por Deus, mas que Dr. Plínio ultrapassou em bem larga medida a quota que lhe foi reservada.
Não se hesita em dizer que ele é confirmado em graça, que jamais pecou (o próprio Dr. Plínio garante isso), que nunca se viram Fé e Esperança iguais às dele, que só ele tem méritos.
 
r) Dr. Plínio é possuidor de carismas extraordinários
Vimos já que ele pretende ser profeta inerrante e ter o discernimento dos espíritos. E tudo isso permanentemente, a exemplo de Cristo, e não como os profetas, cujos carismas só se manifestavam, como todas as graças "gratis datae", em certos momentos e não continuamente, já que o carisma não atua permanentemente no tempo como se dá com a graça habitual (Cfr.ll parte deste livro, cap. I).
 
Afirma-se e garante-se que no MNF, Dr. Plínio revelou - afinal! - todos os segredos do Apocalipse.
Com a maior simplicidade e inocência do mundo se ensina que o livrinho que o anjo obrigou S. João a engolir (Ap. X, 10) é a obra Revolução e Contra-Revolução de Plínio Corrêa de Oliveira, já que esse livro é o Apocalipse do passado, enquanto o Apocalipse é a RCR do futuro.
Ousa-se dizer que Dr. Plínio é aquele que, segundo o Apocalipse, "tem a chave que abre e ninguém fecha, fecha e ninguém abre" (Ap. Ill, 7).
E Da. Lucília, não se sabe como, seria a "pedrinha branca" de que S. João fala numa das sete cartas do Apocalipse (Ap. II, 17).
Gostaríamos de saber de Dr. Plínio, já que ele revelou todos os segredos do Apocalipse, quem é o Anti-Cristo - a menos que ele tenha fechado este segredo, ele que "quando fecha ninguém abre".
 
Ensina-se na Suma Teológica (Supl. q. 89 a 1) que os bons julgarão os maus, com Cristo, no Juízo Final. Ora, se os bons terão esse privilégio, qual não será o de Dr. Plínio, perguntam-se os "enjolras" da TFP? E para essa pergunta, a resposta vem célere: Dr. Plínio julgará os homens, no Juízo Final, juntamente com Cristo e os doze apóstolos. Que certamente lhe farão vênia e lhe cederão lugar de preeminência.
Enquanto se espera o dia do juízo, garante-se que Dr. Plínio fundará o Reino de Maria, em futuro próximo, logo após a Bagarre. Na instauração desse Reino, o próprio Cristo virá à terra apresentar Dr. Plínio como Profeta de Nossa Senhora e fundador de seu Reino.
É claro que no clima delirante revelado pelas afirmações acima citadas se verifica uma verdadeira competição entre os fanáticos para ver quem dá maior prova de adesão ao Profeta e de maior entusiasmo por ele, apresentando a tese mais descabelada.
E João Scognamiglio Clá Dias – o grande responsável pelo clima delirante da TFP -- diz que gosta que Dr. Plínio veja as plantas do São Bento porque com o olhar dele, elas crescem mais. E não se pestaneja ao dizer ao Profeta, num dia em que ele não se barbeara: "Está impressionante a barba luminosa do Sr." Ao que ele, sempre modesto, retrucou desculpando-se "...barba! Barba ominosa. Medonha. Quando o barbeiro viajar..." (JJ-Lanche do S. Bento -20.01.83).
E a bajulação não tem freios...
Diálogo entre Dr.Pínio e João Clá Dias:
"Um fatinho minúsculo. Ele estava se levantando e estava dizendo: "Está vendo, o meu andar é feio, veja só" [como se sabe Dr. Plínio ficou muito tempo inválido, numa cadeira de rodas, devido a um acidente, e só há pouco tempo pôde andar sem o auxílio de muletas, mas com um aparelho ortopédico]. "E nós dizendo a ele que essa é uma incapacidade que ele tem, uma capenguice dele, ele não consegue fazer nada feio. Ele disse: "Ah, sim, pobre de mim..." (JJ-Telefonema de João Scognamiglio Clá aos EUA -06.03.83).
Mas não é só a bajulação que não tem freios. O bajulado, quando se delicia nos louvores, também perde os freios.
Veja-se João Scognamiglio e o Profeta de Higienópolis em um colóquio profético...
"Dr. Plínio: –  "Mas isso, é um fatinho?”
João S. Clá Dias: – “Eu disse era evidente que era um fatinho. E que é isso que as pessoas gostam, ou seja, de ver por trás das mínimas coisas toda a grandeza, toda a santidade, toda a beleza dele.
Ele disse: "Mas o que mais?"
(João Clá Dias: “Ele estava assim meio resfriado ontem e com o lenço cheio de água de colônia). Eu disse que, por exemplo, no modo como o Sr. está sentado agora, o modo de o Senhor usar o lenço. Eu disse que o lenço era usado com tanta dignidade, com tanta elevação que se eu contar o modo como Senhor está sentado, o modo de o Sr. ter o lenço nas narinas, o modo de o Senhor por o chapéu, o modo de o Sr. fazer um cumprimento com o chapéu, o modo como o Sr. pega a bengala, por exemplo”. (Ele fez um gesto com a mão esquerda bastante forte, movimentando a mão fechada com punho meio dobrado e de cima para baixo, com muita força e muita velocidade duas ou três vezes, dando a idéia de que ele se apóia na bengala mais ou menos como se fosse um báculo).
Ele disse: "Não, eu faço isso porque como eu me apoio na bengala". Eu disse que qualquer outra pessoa pediria de uma outra forma, mas o Senhor não, é muito característico. É porque o Senhor tem na bengala a idéia de uma espada que é feita para espetar o chão”. Ele disse: “Ah isso é verdade, eu só uso bengala porque não posso usar espada. Para mim - ele disse - a bengala é irmã burguesa da espada" (JJ-Tel. de João Scognamiglio Clá aos EUA - 09.01.83).
Eis aí um diálogo de fazer chorar. O bajulado implorando sofregamente mais elogios do vil bajulador!
"Mas o que mais?"
Mais repugnante que o "flatteur" é a sede insaciável de elogios do "flatté".
 
 
 
 
Considerando a altíssima opinião que se tem de Dr. Plínio, compreende-se o tratamento que se lhe presta.Durante anos se procurou fazer entrar nos costumes do grupo a misteriosa expressão "Dominus Plinius" para designá-lo. A fórmula era tão artificial, tão postiça, tão gauche que custava a entrar. O estrondo de 1975, que a ironizava, enterrou-a definitivamente.
Entrou na moda, e é mesmo obrigatório, tratá-lo ou referir-se a ele apenas como o "Sr. Dr. Plínio", e à sua mãe como a "Sra. Da. Lucília", sublinhando-se o Sr. e a Sra. Isso soubemo-lo depois, era porque se o reconhecia como o senhor , o dono, de seus escravos.
Quando ele chega a uma sede, devia-se tocar um sino, em sinal de alegria. Na Rua Maranhão, o sino tem a seguinte inscrição: "Regnum Mariae Nuntio". O que é uma feliz e arquitetônica "coincidência", já que ele anuncia a chegada de Dr. Plínio, que muitos consideram "O Reino de Maria", porque nele reinaria já a mentalidade de Nossa Senhora.
Ainda na Rua Maranhão, quando ele chega, acendem-se as lanternas ao lado do estandarte. E, na Rua Martinico Prado, toca-se o sino e acendem-se duas velas ao lado da imagem de Nossa Senhora.
Tocando o sino, todos ficam de pé, aguardando-o. Mesmo na capela, todos ficam de pé quando ele entra, o que escandalizou uma religiosa [Irmã Maria Eugênia], que comentou: "On ne salue pas le serviteur dans la maison du Seigneur" - (Não se saúda o servo na casa do senhor).
Nos êremos, para recebê-lo, os eremitas formam um cortejo e cantam o "Veni Sancte Spiritus". Depois se dá a ordem em tom militar: "Em reverência ao Profeta a-jo-e-lhar!” E todos se ajoelham [com os dois joelhos no chão duro] para receber a sua bênção. Mas ele a dá somente quando não há estranhos, para evitar "máfia" { Comentários “maldosos”].
Desde que ele voltou a andar, tornou-se costume ajoelhar-se (com os dois joelhos no assoalho duro), quando ele passa. Afinal de contas era um milagre autêntico o que se presenciava. Dr. Plínio se nega a falar em milagres. Foi, sim, uma graça. Apesar disso. Há irritação contra os sabugos de má fé que não crêem no milagre (de Da. Lucília, evidentemente). É verdade que ele começou a andar por ter passado a usar um aparelho ortopédico. E verdade que fez muita fisioterapia. É verdade que ele treinou muito na sala do 2°- andar da Rua Alagoas, onde se fez uma pista com dois corre-mãos de metal para ele se apoiar enquanto anda. Mas valeu a pena. A primeira vez que ele entrou andando com a bengala (não de bengala, adverte o Profeta preocupado com a correção gramatical), foi um estouro. O auditório quase veio abaixo. Todo mundo caiu de joelhos. Aliás, já se ensaiara a cena quando foi lançada a mensagem contra Mitterand.
Entretanto, houve quem reclamasse desse ajoelhar de todos, quando passava o Profeta, e por isso ele proibiu que, no Auditório S. Miguel, as pessoas se ajoelhassem, quando de sua entrada ou saída.
"Quem foi esse cachorro que reclamou?", perguntava um irritado devoto, frustrado nas suas ânsias genuflexórias.
No auditório, portanto, é proibido agora ajoelhar-se quando o Dr. Plínio passa. Por causa de um cachorro...
Mas nos êremos é obrigatório. Lá, ao que parece, não há cachorros. Existe lá todo um cerimonial estabelecido por Dr. Plínio para Dr. Plínio. Por exemplo, quando se entra na sala em que está o Profeta é costume fazer genuflexão igualzinha àquela que é estabelecida pelo Ordo para ser feita diante do Santíssimo Sacramento. No auditório, ao se passar diante dele, tem que se fazer uma vênia para... o estandarte atrás dele, é claro.
Para servir qualquer coisa ao Profeta - chá, água, livro, água de colônia, o que seja - o portador deve estar usando luvas brancas e oferecer o objeto mantendo-se ajoelhado (com os dois joelhos no tapete macio. Porque nas salas de Dr. Plínio os tapetes são macios e às vezes persas. Sempre macios. E muitas vezes persas. Autênticos).
O uso de luvas brancas era costume maçônico, mas como Plínio o achava bonito, ele foi adotado nas lojas da TFP... Perdão, nas sedes da TFP.
É Absolutamente de praxe, quando se o cumprimenta, flectir um joelho e beijar-lhe a mão. Há longos beija-mãos na TFP, depois dos quais o Profeta se lava e desinfeta convenientemente. Afinal é preciso prevenir a sua imortalidade.
Quando há estranhos no andar térreo da sede da Rua Maranhão, se alguém tenta beijar a mão de Dr. Plínio, ele finge surpresa e diz: "Meu filho, que é isso?" Mas, subindo para o 19o andar, faz-se fila para beijar-lhe o pé.
Quanto mais andares se sobe na TFP, mais se desce na bajulação. E se alguém tiver dificuldades para se inclinar, Dr. Plínio, para ajudar, caridosamente levanta o seu augusto pé para ser beijado.
Na TFP, discretamente, há longos beija-pés. Ou melhor, beija-sapatos. Isto acontece em certas cerimônias como a do "crisma da vocação", ou, mais corriqueiramente, quando o Profeta dá sua bênção.
Quando ele dá uma ordem, em nome da santa obediência, é de praxe - e é costume muito antigo nas ordens religiosas - ficar ajoelhado (com os dois joelhos no chão duro ou no tapete mole, depende), e depois de terminada a ordem, oscular o chão. É o que se faz na TFP. E a mesma coisa se faz, quando ele dá a bênção. Foi o que o Rapport contra a TFP descreveu como um gesto "tout à fait selon la coutume mussulmane", pois julgava que as pessoas tocassem o chão com a fronte. Não era verdade. Neste ponto, o Rapport caluniou a TFP. Lá, não se toca o chão com a testa. É com a boca.
O Rapport Joyeux faz referência à guarda que acompanha Dr. Plínio: "Esta guarda armada que acompanharia Dr. Plínio noite e dia é apresentada aqui como uma guarda de honra como a de um Chefe de Estado" (Imbróglio - p.322).
Dr. Plínio explica que o terrorismo o obrigou a ter uma proteção armada, mas de acordo com as leis e autoridades do país. E protesta: “Mas o fato não tem a conotação honorífica que o Rappot quer lhe dar. É mais uma manifestação de má vontade” (Imbroglio – p. 322)
E é verdade. A guarda de Dr. Plínio não tem funções honoríficas. Estas são prestadas por outros que não são seus guardas. (Em alguns dos quais ele não confia...) Guarda de honra para ele, só a dos eremitas que lhe fazem alas, portando alabardas e espadas nuas. Dois alabardeiros ficam de guarda à porta da sala em que está o Profeta e, ao entrar e sair alguém, tocam as pontas das alabardas fazendo "um pliiiim" bonito e original. Não há "pliiiim" igual em São Paulo. Esses são guardas de honra. Não vá Dr. Plínio dizer que são guardas de segurança com alabardas feitas em Belo Horizonte, no século XX, pelo mesmo atelier que fez tecas para pôr as relíquias da "bem aventurada Elisabeth" (isto é, Da. Lucília).
Ele tem também para servi-lo dois arautos. São dois pajens, dois meninos com hábito creme, que ficam de pé constantemente atrás de sua poltrona para receber qualquer objeto que ele lhes passe, ou para atendê-lo no que ele necessitar. São "aides de camps" de honra, ou "pages d' honneurs".
Também se lhe prestam as honras do turíbulo e do incenso durante as missas do cônego Villac, e muito mais em outras cerimônias, sem o cônego Villac, que são as mais discretas...
E há o troneto. O misterioso troneto das sedes da TFP. Em cada sede que se estabelece, sempre há a preocupação de se pôr um troneto.
Dizia-se-nos, a princípio, que era o trono de D. Mayer. Depois, que era o trono de Nossa Senhora. Afinal parece que ele é de Dr. Plínio mesmo (ou será de Elias Profeta?)  Porque ele o usa. Ou então manda colocar no troneto os sapatos de D. Lucília, como ocorre no Êremo de S. Bento.
Materialmente falando, o vir dolorum como ele mesmo disse de si – o Dr. Sofrimento – recebe um tratamento invejável. Ele tem continuamente a seu serviço dois secretários, um criado de quarto, um enfermeiro, copeiro, cozinheiros, telefonistas, um chofer, guardas e arautos. Isso sem contar todos os membros da TFP que o servem em tudo: um lhe traz o chapéu, outro a flâmula, um água benta, outro a bengala, etc.
Como todo profeta que se preza, Dr. Plínio - o Dr. Sofrimento - leva uma vida austera e até ascética... Por causa do diabetes.
Ele afirma que "não tem direito de morrer" (JJ-Conversa de sábado a noite - 22.01.83). Claro, um imortal não tem direito de morrer. E por isso ele faz regime tão rigoroso, que sofre continuamente de fome, a ponto de ser obrigado a tomar drogas para dormir.
É verdade que antes do diabetes e seu conseqüente esfomeamento ele já tomava e recomendava Mandrix. Mas então deveria haver outra razão igualmente séria. De modo que, por causa do diabetes, o Profeta é obrigado a controlar o que come e a quantidade do que come.
Quanto à qualidade...
Ah!... Aí, ele se desforra.
Mas por razões contra-revolucionárias: para combater o igualitarismo gastronômico e para louvar a Deus em suas criaturas comestíveis mais perfeitas, ele só come do bom e do melhor.
Sobretudo do melhor.
[Agora soubemos, pelo livro Notas Autobiográficas, que era comendo que ele mais facilmente percebia a Trans-esfera!].
Seus devotos escravos do exterior lhe trazem acepipes e guloseimas, dietéticas ou não, sempre que vêm visitá-lo. Pois se o Profeta Elias foi servido por corvos que lhe traziam pães, quando ele fugia de Jezabel, porque Dr. Plínio, o novo Elias, de quem foge a nova Jezabel, não pode ser fornecido e servido por seus devotos dos quatro cantos do mundo? E principalmente de um cantinho chamado Paris?
Seu "petit déjeuner" ou lhe é servido na cama, numa mesinha de cerejeira esculpida, ou em bandeja de prata colocada sobre uma almofada feita com tecidos do Lisio, de Florença, um especialista em tecidos medievais. Uma beleza! Todo o serviço é de prata e seus eremitas o servem reverentemente postos com os dois joelhos no chão...duro.
O leite lhe vem da Argentina, e a manteiga da Normandia. Que manteiga! Douce France!
As geléias lhe vêm da Alemanha, e os "biscuits" dietéticos, assim como o bolo, da Inglaterra. Aliás, os "biscuits" não podem estar partidos. Quebrados, ele não os aceita. Onde já se viu, servir britânicos "biscuits" partidos para ele, o "varão da dextra de Maria".
 Aceita também biscoitos franceses e alemães. Freqüentemente, come "croissants" que lhe vêm, é claro, das melhores docerias de Paris.
O almoço lhe é servido em porcelana de Sèvres. Os cristais são de Baccarat, os talheres de prata, os guardanapos do melhor linho.
Caviar russo ele não admite, por que vem de um país bolchevista. Mas, o finlandês, apesar de seu governo marxista e filo-russo, ele admite. Em último caso, caviar iraniano.
Da França, lhe trazem os "escargots". Mas lagostas vivas lhe são mandadas do Nordeste. Pescadas de manhã, comidas à noite. Por ascese, nos dias de abstinência. Antes que ele as coma, porém, para evitar proféticos envenenamentos, Eduardo Brotero ou Fernando Antunes - o secretário que Dr. Plínio chama de calvinista - cheiram e experimentam a lagosta. É preciso garantir o profético ventre contra qualquer intoxicação lagosteira. Afinal, dizem que o pai de Dr. Plínio morreu de um patê estragado, que deixaram na geladeira...
Que descuido...
Farinha e carne lhe são trazidas da Argentina.
Aos domingos, seu almoço é especial. São-lhe servidas apenas receitas francesas preparadas por nobres senhoritas do patriciado paulista. Seus almoços podem ser assistidos pêlos seus devotos mais íntimos, e então é permitido conversar.
A sobremesa do almoço pode ser oferecida apenas ao Príncipe D. Bertrand. Que não deve aceitá-la.
Conta-se que, uma vez, ele aceitou o oferecimento, e com isto quase provocou a fundação de um "clube jacobino" na TFP, para vingar a sua desrespeitosa ousadia. Quase se cantou o "Ça ira, D. Bertrand à la lanterne".
Por causa de uma sobremesa.
O jantar do Profeta também pode ser assistido, mas em silêncio. Todo mundo só olhando...
A água que ele toma não passa pelas tubulações infectas de São Paulo. Mandam-lhe águas-minerais de toda a parte: a Perrier francesa, a Apolinaris alemã, a Poland americana, etc. Quando ele escolhe a água mineral de um país, os tefepistas da terra escolhida exultam triunfantes. Há "ohhs" e "fenomenais" comemorativos. Mas preferida mesmo é a Perrier.
Nos últimos tempos, todavia, nem a Perrier o satisfaz. Já não é mais aquela... Só no Reino de Maria é que ela, como tudo, vai ficar um colosso. E o Profeta quem o diz. Vejam lá: "isso é "Perrier", heim! Perrier depois da BG [bagarre] vai ser um colosso. Sabem que a Perrier já perdeu algo? Um certo gostinho de qualquer coisa... assim... já desapareceu (Mitt. [MitterandJ, diz alguém). "Mitt." [concorda o Profeta] (JJ-Lanche no S. Bento- 19.01.83).
Não é que até parece o Jacinto de Tormes, antes de ir para as serras? Perrier... Perrier já não é mais aquela.
Quando ele vai a uma cantina do Brás comer pizzas, ou ao restaurante Cá d'Oro comer massas, ele manda, horas antes, a farinha argentina precedê-lo para que lhe preparem pizzas e pratos especiais com ela. Nesses restaurantes, ele consente em tomar uma vil água mineral tupiniquim, mas exige Minalba, e quando ela não existe no local, ele logo imagina misteriosos complôs das forças secretas para privá-lo até de sua preferida água mineral nacional. E no "Cá d'Oro" ele só come depois que saiu toda a freguesia. Não ficaria bem para um profeta comer com a vulgar burguesia. Come sozinho à mesa, seus guardas ao longe, em outras mesas.
E às tardes ele toma chá. É de praxe. É claro que também os seus chás são importados. Sua camomila vem da Espanha. Outros chás vêm da Inglaterra. "Special Dargeling". Os melhores de Paris. São chás aromatizados com essências de frutas. Uma delícia. Contudo, ele tem cuidado em não deixar seus discípulos "caírem em tentação": "Aquele chá de framboesa é tão excelente e gostoso que pode tornar a pessoa intemperante. Só pode tomar esse chá uma pessoa que tem um alto domínio de si", diz o Profeta. E acrescenta que não o dá aos seus eremitas, porque isto pode desviá-los de sua vocação. O que prova que, ou o chá de framboesa é do paladar dos deuses, ou que a vocação dos eremitas da TFP não agüenta chá...
Com ele, graças a Deus e a conservação de sua inocência primeira, não há esse perigo. O que lhe permite regalar-se com o seu chá de framboesa. E com o presunto da Floresta negra. Da belíssima e presuntosa Schwartzwald.
São vantagens de quem conservou a "inocência primeira", e... os dólares dos últimos tempos.
E seus bombons? E seus doces dietéticos ou não? Mandam-nos especiais, em especiais embalagens. De Paris, capital do sofrimento e do profetismo ascético, lhe mandam bombons "Pâle d'or", os quais, segundo Scognamiglio, têm na base uma micro, tenuíssima, folha de ouro para ser comida junto com o chocolate. São coisas que não existem nesse subdesenvolvido subúrbio da cultura que é São Paulo.
E "marrons glacés"... Uhuum... Perdão, ohh!! E "éclairs" (bombas de creme ou chocolate) de G. Lenotre. Uhumm... Quer dizer ohh! diz a eremítica assistência ajoelhada e contemplativa.
Como vão longe os tempos em que um profeta evangelicamente se alimentava com mel e gafanhotos... In illo tempore....
Com os Profetas dos Últimos Tempos, a coisa é diferente.
Elias, o Profeta, se vestia com uma rude pele de camelo, uma grosseira correia na cintura e um manto de pelo rústico sobre os ombros.
O Novo Elias, aristocrático e higienopolitano, se veste um pouco diversamente. Seus ternos são de casimira inglesa, cortados pelos melhores alfaiates da cidade. Seu chapéu é feito sob encomenda no Gelot de Paris. Quem viu Plínio outrora, tão pouco elegante em sua calça-balão, e tão pouco cuidado em seus paletós amarrotados envolvendo sua repolhuda robustez juvenil, e quem o vê agora, no alto de seu mirante profético de Itaquera, pregando, tonitroando austeridade, temperança e ascese, compreende que no mundo as coisas mudam. E que o profetismo, em meio a um oceano, "mas a um oceano de amarguras", dores, friezas e incompreensões, tem lá umas ilhas de consolação bem aprazíveis.
Que é preciso agradecer a Deus e aproveitar.
 Agradecer a Deus e aos milionários texanos e colombianos tão devotos do Profeta, que, quais novos reis magos, ao virem a São Paulo, aos pés do mirante profético, ou em piedosa peregrinação ao túmulo de "Nossa Senhora da Consolação" (D. Lucília), trazem para o Novo Elias preciosos presentes "aurum et thus", não de Sabá, mas do Texas e da Colômbia.
A mirra anda parca no mercado e pouco procurada. Pode ser dispensada. Ela pode ser substituída por polpudos depósitos bancários. [Ou por doações de apartamentos. Dizem que ao morrer ele deixou mais de uma centena de apartamentos. Que ficaram para seus parentes, porque o Profeta sendo imortal, não fez testamento. (Raios ! Que azar!)].
E o novo Elias tem conta bancária. E aceita donativos que ele apostolicamente "converte" em Kruggers Rands, as lindas moedas de ouro sul-africanas.
J. H., muito piedoso e sabugoso milionário colombiano, lhe traz objetos de prata e grossos donativos. De New York e até de Buenos Aires lhe trazem tapetes persas. Da África do Sul, uma arvorezinha de ametistas, forma delicada de simbolizar Da. Lucília, a “Senhora Lilás”, por que ela usava uma chale de cor roxa. De lá ainda lhe trazem presas de elefantes com esculpidos leões lutando com um paquiderme.
Em matéria de presente, seus devotos nacionais rivalizam com os do exterior. Um grupo deles, certa vez, vendeu um Volkswagen para comprar um elefantinho de marfim como presente de aniversário. Outros lhe deram uma sineta de prata com pedras preciosas incrustadas e leões esculpidos. Anos atrás, indo ao Rio, alugaram para ele a suíte presidencial de um grande hotel. Tudo pago por um devoto escravo... de Maria. Mas Dr. Plínio não gostou. Achou "baixa de nível" o hotel, o serviço e a suíte presidencial.
Seu carro era um Landau que ele fazia questão de ter sempre reluzente, obrigando a que o lavassem até aos domingos.
E o terceiro mandamento?
Não há problema: o Sr. Cônego Villac, como é para Dr. Plínio, autorizava esse trabalho servil dominical. Serviço de Dr. Plínio, serviço de Deus. Mas, para os outros, a TFP diz que é proibido fazer isso aos domingos.
Anos atrás, os eremitas lhe deram de presente o seu antigo Mercedes. Ele foi tão usado pelo Profeta que ficou santificado. Algum ímpio o vendera. Foi readquirido. Era uma relíquia. Dr. Plínio, porém, não o usa em São Paulo. Não ficaria bem um Mercedes velho e "demodé". O público ignaro não compreenderia o seu valor sacral e sagrado. Mas para Amparo dá. E lá vai ele por Amparo desamparada e embasbacada no seu Mercedes, relicário e relíquia, ao mesmo tempo. Quase um sacrário.
O Profeta se resfria com facilidade. Quando tal ocorre, diz que tem que aliviar as proféticas narinas, cheirando água de colônia autêntica. Ele empapa o lenço e: "o leva às narinas com tanta dignidade..." , comenta João Clá Dias, que é matéria para fatinho. É Scognamiglio quem o diz.
Ele gosta de perfumes. Franceses, evidentemente. E todos os dias, ao chegar ao êremo, um eremita usando luvas brancas lhe traz, em bandeja de prata e toalha de linho, o "perfume do dia", escolhido entre as dezenas e dezenas de sua coleção. Mandam-nos de Paris para o seu profético olfato. De uma vez, ganhou ele uma caixa com dezenas de essências.
Também sabonetes lhe são oferecidos em salva de prata, para que ele escolha o preferido. O "sabonete do dia". E seu olhar satisfeito percorre gulosamente os sabonetes dispostos enfileirados "em alardo" na bandeja de prata. Há o "Pearl" e o "Yar-dley", britânicos e sérios. Há o alemão 4711. Há os "Roger et Gallet" - o sabonete de Sarah Bernardt - os "Équipage", da linha Hermes, os "Rochas", os "Eau sauvage", todos delicada e francesamente perfumados. E, no fim, cerrando a fila, o espanhol "Água Brava".
E como são caros os tais sabonetes! Mas o Profeta não é sovina, e não os usa até o fim. Afinal, é preciso nunca esquecer os seus enjolras e deixar-lhes um resto de sabonete para usarem... não no banho, mas como relíquia do Profeta, sobre o criado-mudo ou a cômoda, em meio a crucifixos, medalhas e tecas, como faz o eremita T. (Perereca), em N. York. Se há quem guarde um resto de biscoito mordido pelo Profeta (caso do sempre indeciso S. M.) por que T. – o Perereca-- não guardaria como relíquia um "bout" de "Roger et Gallet"?
E os banhos do Profeta?
Ele os toma, ao que consta, em banheiras com massagens hidráulicas nas quais motores lançam acariciantes jatos de água sobre o banhista. Nesses banhos, o Profeta usa sais franceses, e essências, e espumas, e seus perfumados sabonetes. Longos banhos, em que ele lá se deixa refrescar, descansando e lendo o jornal ou um livro que às vezes deixa cair na espumada água tornada lustral pelo contacto com as "graças inerentes" ao corpo do Profeta.
Para dormir, exige travesseiros super macios, feitos com as mais delicadas plumas que existem. Até na sede da TFP em New York já existe um travesseiro desses à espera de sua descalvada e sacral cabeça. Está tudo pronto lá para receber o Profeta: banheira, sabonetes, cristais, tapetes persas, travesseiros. E há anos os tefepistas americanos esperam a Bagarre e o seu profeta, assim como os shiitas esperam o 12º imam, e os judeus o seu messias.
 Talvez no ano que vem... Em New York.
Entretanto, ele não se esquece de pregar a necessidade de praticar penitência e de ser austero. Até mesmo aos que o assistem tomando chá, lambiscando geléias e biscoitos dietéticos, no São Bento.
[PCO]: "Bem quais são as verdades que valem a pena serem ditas? Vale a pena, serem ditas as seguintes: as pessoas - as pessoas somos nós, heim! [nós quer dizer vocês, e não Dr. Plínio] - bem, nós como todo mundo, não nos conformamos com a idéia de que a vida é penosa. E que para viver uma vida autêntica..."
[Alguém]: "O Sr. quer chá?..."
[PCO]. “Não. Basta um pouquinho de leite. Agora eu queria se tivesse aquelas bolachas quadradas, aquelas glutem, dietéticas. Se não tiverem, ponha rosca. Isto! Obrigado. Então. - Eduardo, você está vendo os arranjos; bandejas de pratas, etc., etc., a coisa especial”.
[Eduardo Brotero]: "Os guardanapos".
[PCO]: “ ... os guardanapos de primeiríssima qualidade. Aliás, eu pus, desajeitadamente. Ele merecia ser mais bem posto.
Bem, as pessoas por causa disso têm uma preguiça de sofrer, e uma idéia que podem sonegar, a cota de sofrimento que Deus destinou a eles na vida, podem sonegar por meio de tapeações. Não olhando de frente, não arranjando, não fazendo, eles podem sonegar.
Bem, e a vida passa a ser uma arte, para viver tanto quanto possível no mole [Magister dixit!], e escapar de ver como são as coisas, e de fazer como devem ser feitas.
E daí decorre que as pessoas se enganam redondamente, porque para estar com Deus elas tem que agüentar, aquilo que Deus destinou, mais a penitência pelo fato de ter procurado fugir. E torna, portanto, uma vida apenas santificante e, pior, mais dura. E é, portanto, mais o abacaxi”.
“O que vale para todos os homens, especialmente para os católicos, mas vale ainda mais para quem tem nossa vocação" (JJ-Chá no S. Bento - 05.01.83 - Os erros são do texto original).
Conta-se - e é uma história que se repete comovidamente há muitos anos - que, certa vez, lá por volta de 1960, ele fez com que lhe comprassem um par de chinelos mais baratos: E então, sozinho no quarto com quem lhe comprara os chinelos baratos, e que o olhava com o coração confrangido por tanto sofrimento e pobreza, Dr. Plínio explicou:
- "É para praticar a pobreza..."
Ah! Os pobres chinelinhos do Profeta!...
 Comprados talvez numa lojinha do Brás!
Oh! Admirável espírito de pobreza do Profeta de Higienópolis!
 
 
 
 
Nisto, Dr. Plínio jamais mudou: sempre ele se queixou da incompreensão que se tem do seu real valor. Sempre se considerou um injustiçado. Sempre se julgou vítima de perseguições maquiavélicas e tenebrosas. A inimica vis atua, segundo ele, até entre os membros do Grupo. Até entre seus mais incondicionais admiradores.
Ao ouvi-lo, tem-se a impressão de que o inferno não faz outra coisa senão arquitetar planos contra Plínio. Sente-se espionado e por toda a parte imagina misteriosos microfones ocultos por ocultos espiões misteriosos. Sofre de verdadeira mania de perseguição.
Cerca-se de precauções. Gírias, códigos, siglas abstrusas - ele é o homem das siglas - compromissos de segredo, reuniõezinhas só com alguns de maior confiança, censuras das gravações, comissões de vigilância e censura (comissão S. Pio V), proibições "sub grave" (sob pena de pecado mortal) de conversar sobre certos temas, etc.
Assim como nenhuma admiração lhe parece suficiente, assim nenhuma medida de segurança lhe dá sossego completo. Ser admirado e estar seguro são suas duas preocupações contínuas.
Não confia em ninguém. Por isso, só ele pode falar pela TFP. Ninguém pode escrever nada, dizer nada, fazer nada sem passar por seu crivo. "Até parece - disse-nos uma pessoa - que o pessoal da TFP é um conjunto de nenês de calças curtas, tuteladas pelo Profeta".
Outrora, na década de 50, o grupo era notável pelo brilho e pela variedade dos talentos de seus membros. Dr. Plínio dizia então que era melhor ser, como S. Luís, um rei de príncipes, do que ser como Luís XIV, um rei de lacaios. Hoje, Dr. Plínio é um "Luís XIV suburbano", que pretende ter uma santidade maior que a de S. Luís. É um ídolo com poder absoluto. Os "príncipes" do Grupo ou foram camaldulizados (embastilhados) ou estão para sê-lo. Basta folhear uma coleção de Catolicismo para comprovar a perda de brilho do jornal e do Grupo.
Dr. Plínio tem um medo obsessivo de que se lhe faça sombra. Qualquer pessoa que se destaque, qualquer ato singular que ponha outro em evidência, por um momento que seja, o inquieta. O Sr. Paulo Henrique Chaves, um dia, na sala de audiências públicas do Vaticano - numa entrevista de Lech Walesa - se levantou e interpelou o líder sindicalista polonês em nome dos jornais e revistas das TFP’s. Houve um burburinho na sala. Pode-se imaginar. Walesa respondeu mal. Paulo Henrique saiu-se bem.
Quando se contou o fato na TFP, houve alegria geral. Aplaudiu-se o gesto de Paulo Henrique, e Dr. Plínio o elogiou. Mas, à noite, na reunião mais íntima, Dr. Plínio, numa abertura de alma, queixou-se:
–"É... agora vão dizer que Paulo Henrique é que é um homem de coragem...”.
Quando de seu acidente automobilístico, Dr. Plínio, gravemente ferido, ficou desacordado e delirou. Impossibilitado de dirigir o Grupo, foi, substituído nessa tarefa por uma equipe. Tal equipe - dizem - em certo momento, fez chamar um médico para examinar se Dr. Plínio não fora afetado mentalmente pelo acidente. João Scognamiglio Clá Dias foi contra. Mais tarde, contou-se na TFP que por isso Dr. Plínio teria amaldiçoado a equipe, da qual participavam seus mais caros amigos. Desde então, o termo "equipe" adquiriu conotação mais larga, designando a pretensão maldita de alguns de assessorar o Profeta. Por isso, todas as pessoas de mais destaque ou valor natural - e no Grupo os havia numerosos - foram afastados dos postos decisivos, ou fechados sob as chaves dos votos, nas camáldulas.
É natural que uma pessoa de alto valor intelectual se cerque ou tenha amigos e interlocutores à sua altura, mais ou menos de sua idade e nível social. Dr. Plínio, não. Seu círculo mais chegado é formado de rapazolas, normalmente de nível intelectual médio ou inferior.
Desse modo, ninguém mais lhe faz "sombra", e o Profeta brilha esplendorosamente em sua corte de "enjolras", onde escasseiam os "príncipes". Corte de autômatos que grita "oh" e "fenomenal", guiada pela claque eremítica de João Scognamiglio; que corre atrás do automóvel do Profeta, e que fica cantarolando o nome "Plínio Corrêa de Oliveira" nos corredores da sede da rua Maranhão, enquanto espera a hora de se lhe permitir a entrada - em meio às alfinetadas [literalmnete: enfiando um alfinete nas pernas dos enjolrras] distribuídas por Fernando Antunes para manter a fila - a fim de receber a bênção do Profeta, ou ganhar "pochettes" usados por ele, como relíquias.
Dr. Plínio nunca está contente com o que se lhe dá. Sempre se queixa. Sempre se queixou.
Lembramo-nos como ele contava, com voz zangada e sério, que um misterioso alguém lhe dissera um dia que o nome dele jamais sairia nos jornais. E de fato o nome dele não saía nos jornais.
Um dia, porém, saiu. Mas saiu Correia em vez de Corrêa. Era a confirmação da conspiração: sendo obrigados a publicar o nome de Dr. Plínio, os jornais o publicavam errado.
Doutra vez saiu Correa, sem  o acento. Dr. Plínio se queixou da falta ao acento. Era a perseguição a ele que lhe roubara o precioso circunflexo. Lá saia o nome dele incircunflexo. Era um absurdo.
Afinal saiu o nome inteiro, devidamente circunflexado. A presença do circunflexo tão desejado abalava a tese conspirativa. Dr. Plínio, porém, encontrou a saída não só para a tese, mas também para uma nova queixa: "Vejam lá. Publicam o meu nome sem um título, sem nada, como se fosse um qualquer. Sem Doutor. Sem professor".
Outra vez saiu Dr.. Saiu Prof.. Saiu o nome inteiro. Saiu até o precioso circunflexo exigido. Mas saiu sem foto, mal paginado. Era a conspiração . Era a perseguição contra ele.
E outra vez, em Paris, o porteiro do hotel de luxo em que ele estava, veio dizer-lhe aos sussurros e misteriosamente que fora dada ordem aos empregados para não dizer que Dr. Plínio estava hospedado ali, a fim de prejudicar ou dificultar seus contatos. Aliás, era costume que os jornais publicassem o nome das pessoas hospedadas nesse magnífico hotel. Mas  os misteriosos "eles" não permitiram que o nome de Dr. Plínio saísse nos jornais.
Conspiração! Tenebrosa conspiração! Era a ação das forças do mal contra o varão da Dextra de Maria.
Dr. Plínio sai de bengala, pela primeira vez, depois de andar sete anos de muletas ou cadeira de rodas. Vai ao Mosteiro da Luz. Lá "uma freira alta, cuja cor poderia ser bem mais clara" - "uma preta sirigaita", diz João Scognamiglio (JJ-Praesto Sum - 16.01.83) e que estremeceu ao “olhar-chicotada" de Dr. Plínio (diz o próprio Dr. Plínio) (JJ-Santo do dia 14.01.83), não só despejou Dr. Plínio da capela, fechando-a antes da hora, como deu ordem para um soldado trancar o portão da rua, ("o sr. D. viu-a dando ordem ao soldado") "Era evidentemente para me criar dificuldades" (JJ-Santo do Dia 14.01.83).
E mais. Um guarda proibiu, pela primeira vez, que o automóvel de Dr. Plínio estacionasse diante do portão do mosteiro.
"Os srs. estão vendo que é um mecanismo montado para deixar-me numa posição ridícula [explicou o Profeta ao auditório indignado], Eles viram que eu não estava de cadeira de rodas, e perceberam, que eu me encontraria numa posição aflitiva, a onde eu tinha que me arrastar, não sei lá de que maneira até o automóvel. A coisa era criada para isso".
"Isto é, porque de acordo declarou um sacerdote a pouco aqui, o único mandamento é o amor ao próximo, os outros não existem mais. Mas eu não sou próximo. Eu sou o distante, e em relação a mim as regras do amor rotário ao próximo, não figuram. É pelo contrário a regra da perceguição [sic] mais bruta". (JJ-Santo do Dia -14.01.83 - Os erros são do original).
Impressionante a capacidade de articulação "deles". "Eles" viram Dr. Plínio sair de bengala, pela primeira vez. E zás. Arranjaram "uma freira, que é bem uma freirota, no sentido diminutivo e depreciativo que esse diminutivo tem" (JJ-ldem), que habilmente  articulou guarda para o portão e guarda de trânsito para deixar o Profeta de bengala, sem automóvel, em situação aflitiva.
É impressionante! "Eles" são terrivelmente poderosos.
Mas como não admitir a conspiração da "freirota", daquela "preta sirigaita" [como a chamou o agora Cônego de Santa Maria Maior], se "eles" são capazes de muito mais? Não organizaram eles a guerra das Malvinas, movendo Galtieris, "Invencibles", "Hermes" e "Belgranos", só para abafar a repercussão da mensagem de Dr. Plínio contra o Socialismo auto gestionário de Mitterrand?
E não fizeram "eles" dar um tiro no Papa João Paulo II, para obter esse mesmo resultado: ofuscar o êxito da Mensagem de Dr. Plínio contra Mitterand?
Ora, ensina S. Tomás, que quem pode o mais, pode o menos. Portanto, quem foi capaz de mover Malvinas e Agca (JJ-ldem) poderia muito bem mover a freirota "cuja pele poderia ser bem mais clara", com seus guardas de portões e de trânsito, para atrapalhar o Profeta com sua bengala.
Até dentro do grupo a "inimica vis" atua e conspira contra Dr. Plínio.
Veja-se este diálogo entre o "Imã" Scognamiglio Clá Dias e o seu "Profeta":
Eu disse [É o então imã Scognamiglio que fala]: "O Senhor tem razão, porque às vezes no cap. [capítulo de culpas] acontece de a gente ser muito violento, o pessoal fica com pânico e começa a acusar de forma alaranjada; não conscientemente, mas é que diminui a garra, o pessoal fica com pena de si". Ele disse [Agora é o Profeta quem fala]: "É, tem mais isso. Porque eu num cap. se se levantasse um só acusador que fosse laranja, ou todos, eu acusaria também o acusador. E eu diria ao acusador que ele está sendo laranja e é conivente com todo aquele mal. E isso as pessoas não gostariam. Eles sabem perfeitamente e sentem que eu tenho a vocação de perceber onde é que entrou a larangice. Eu acusaria a todos. Isto faria com que houvesse uma coligação até dos bons contra mim, porque nesta hora bons e maus se coligariam de ressentimento contra mim. (JJ-Jornal falado de João Clá aos EUA -23.01.83 - o sublinhado é nosso. Alaranjar: gíria tefepista que significa enfraquecer, amolecer).
Por isso ele faz questão de dizer - sempre aos mais novos - que, no Grupo há gente que não o compreende, e pela qual não adianta fazer nada... Nesse sentido, veja-se o seguinte diálogo:
[Dr. Plínio] - Se eu fosse manifestar a minha cólera...
[Alguém] (Certa vez, o Senhor disse que estava pra lá da dor [Não esqueçamos: ele é o Dr. Sofrimento]. Pode-se dizer que o Senhor está para lá da Cólera”).
[Dr. Plínio] Isso. Mas vocês acham que o que eu fiz hoje [na Reunião de Recortes] foi desabafo? Foi um ato de justiça. Não foi um desabafo, foi um direito de justiça, porque os melhores, os mais fervorosos, tinham o direito de ouvir, porque para os piores não adianta fazer nada.
Bem, mas para os filhos o sorriso. (JJ - Cartas recebidas de S. Paulo nos EUA - 26.06.83).
Continuamente,   nas  reuniões,  ele  se queixava de que não o compreendem devidamente, que o grupo é semi-fiel, etc.
E diz: "Se tivessem noção de quem eu sou bem clara, então as acusações sairiam com gume e seriedade..." (JJ-Carta recebida de S. Paulo nos EUA - 21 ..07.83).
Mas ninguém, ninguém tem noção bem clara do que ele é. Por isso ninguém o admira devidamente. Ninguém lhe presta a justa e devida homenagem que um Profeta como ele merece.
Ainda bem que ele é imortal, porque, do contrário, ao morrer, teria que dizer: "Que Profeta o mundo vai perder...”
Como não entender pois que ele se refira àqueles que não o compreendem, que são frios com ele, - mesmo aos que assistem às mais discretas reuniões do 2° andar -chamando-os de "essa gente"?
"Será que essa gente percebeu que eu no fundo fiz uma descrição de alma de mamãe?". (JJ-Telefonema de J. Sçognamiglio aos EUA-31.07.83).
Não, "essa gente" endurecida e obnubilada não percebe. Graças ao céu, está lá o "fiel intérprete" para fazer "essa gente" perceber. Nem que seja "capitulando" esta gente, ou fechando compulsoriamente alguns em camáldulas, para que afinal se corrijam ou paguem sua frieza e incompreensão para com o Profeta.
Não só dos mais velhos ele tem queixas. Mesmo com seus frenéticos "enjolras" ele não se mostra totalmente satisfeito, pois comenta:
Eu creio que poderia ser em nós, maior talvez o entusiasmo pela eloqüência increpatória [dele, é claro]. Eu pelo contrário, desde os primeiro momentos em que começou a se formar em meu espírito a idéia do "pulchrum-oratório" ou do "pulchrum-literário", a eloqüência increpatória passou a ser das formas que mais me despertou entusiasmo. (JJ-Telefonema de João Clá aos EUA-06.02.83).
Só ele, pois, admira, no devido grau, a sua própria eloqüência increpatória.
Contra ele, que é o Dr. Sofrimento, que é a Seriedade, se coligam todos os brincalhões do mundo, numa confraria.
Nesse ponto [da brincadeira e do riso] as pessoas formam neste ponto uma espécie de cumplicidade geral (...). Essa confraria tem suas cumplicidades (...). O brincalhão de Estocolmo saberá perfeitamente como se faz brincadeira em Edimburg que deve ser também uma coisa do outro mundo. Daí para fora. Bem, todos esses são amigos, mas eles são inimigos do varão que não tem brincadeira. Todos são inimigos desse Varão. (JJ - Chá no Eremo de S. Bento-11.02.83).
Um meio hábil de Dr. Plínio fazer aumentar a adesão de alguns e significar-lhes que tem maior confiança neles é falar mal e criticar outros. A pessoa que ouve a confidência do Profeta se sente flatté pela confiança demonstrada e, ao mesmo tempo examina se não caiu ele também em algum pecado de lesa-profetismo.
Um dia, na biblioteca do Êremo de S. Bento, o Profeta abriu para os novos eremitas seu coração chagado de velhas feridas...
E a respeito dos E. [Eremitas antigos do São Bento] ele dizia que recebiam a ele, sentavam em tomo dele, e como que diziam: 'Bem, vamos ver o que ele tem a dizer". Mas que não tinham a mínima preocupação de entreter um pouco a prosa, de o receber, nada. Porque uma pessoa que se está recebendo se procura entreter um pouco a prosa. Ninguém recebe ninguém como eles me recebiam. Como que diziam: eu vou ficar quieto, vou ouvir o que ele quer dizer, depois eu vou embora. Nunca, nunca, em nenhum dos e. [êremos] na hora de eu ir embora uma manifestação de pesar: mas o Sr. já vai? – nada. (JJ-Telefonema de João Clá aos EUA-20.03.83).
Exteriormente, Dr. Plínio é uma pessoa muito educada e que procura observar todas as regras de etiqueta. Por isso, quem tem com ele apenas algum contato esporádico fica sempre bem impressionado. Quando as regras de etiqueta são a última flor na árvore da caridade, o seu perfume é sempre autêntico e agradável. Mas quando são observadas apenas exteriormente, quando elas não tiram sua seiva do amor a Deus, servem muitas vezes para mascarar manobras políticas e rasteiras desleais. Talleyrand era muito educado. Mas nele a flor de etiqueta já não exalava um perfume autêntico. Da louçania e beleza das formas educadas se exalava o veneno da perfídia.
Muitas vezes os membros da TFP escondem sob formas educadas, venenos e rancores. Veja-se, por exemplo, a carta tão educada e fina escrita por Dr. Plínio à abadessa do Mosteiro da Luz queixando-se - tão amavelmente - das "coincidências" conspiradas pela freirota "cuja cor bem podia ser mais clara" (JJ-Praesto Sum – 16.01.83, Santo do Dia - 14.01.83).
Às vezes, Dr. Plínio se deixa dominar por sua "cólera eliática" e increpa os próprios membros do Grupo, e até o príncipe D. Bertrand, de um modo no qual é difícil perceber suas tão famosas placidez e educação.
A citação é longa, mas vale a pena pô-la por inteiro, para que se note também a modéstia do Profeta, e para que não se diga que não citamos o contexto. O famoso contexto, refugio de todas as malandragens surpreendidas.
É João Clá Dias quem conta:
O MNF de 5ª eu acho que também marcou época. Vou ler uns trechinhos para os Srs. aqui foi um MNF desses assim fora de série em que ele terminou de comentar o artigo "Peregrinando dentro de um olhar" e depois passou a comentar um Ambiente e Costumes: "A glória só nasce da dor". É um Ambiente Costumes que tem um grande desfile da guarda de Rainha e embaixo tem um soldado que lutou na guerra da Coréia. Foi lido o artigo todo, que é lindíssimo, e ele então às tantas comenta isto aqui. Ele diz que o artigo era muito consciencioso, era muito bom [realmente modesto] mas que havia uma luz que estava detrás do artigo e que ele queria saber qual era essa luz. E então começaram as opiniões. Ele então diz: a luz que há por detrás vem da consideração da luta daquele soldado. Que ele, ao fazer aquele artigo, ele estava numa luta pior do que aquele soldado, porque ele estava numa luta contra o dil. azul [dilúvio azul] daquele tempo; eram homens que não iam prestar atenção naquilo que ele estava dizendo e que portanto a luz que havia por trás daquele ACC [Ambientes, Costumes e Civilizações] era uma luz que vinha do Católico que era ele [Como é que não se viu logo que a luz era ele, que a luz era dele! Oh! Cegueira imperdoável de sabugos empedernidos diante da luz!] em luta contra uma OP [opinião pública] que não iria ler aquilo, que não ia dar importância àquilo. E que portanto era um artigo que ele escrevia sem utilidade nenhuma. Ele disse que esse artigo poderia se chamar "Profecia feita para um monte de areia". Ele se pôs o problema se então ele deveria ou não tê-lo escrito. E disse: se eu não tivesse feito o céu se levantaria contra mim em meu testemunho: você era capaz de dizer e você não disse. [É o céu falando com o Profeta]. Não queira agora que a justiça puna aquele que talvez fosse outro se tivesse ouvido. Ele aí disse: [É o Profeta respondendo ao céu] está bom, então eu digo. Ele disse, mas ninguém leu o artigo, que quando muito foi revisto pelo Dr. C. [Dr. Castilho, José Castilho Andrade] e dez pessoas deve ter lido o artigo [fomos um deles] e a maioria não foi de dentro do Gr. [Grupo]. Então ele começa a increpar e diz: [Atenção! Vai começar o pulchrum-in-crepatóno do Profeta]. Mas então, que secção era essa? Era uma secção que todos diziam: beleza, beleza, beleza, mas enquanto diziam saiam fugindo; de gente que foge e que elogia. E que inclusive ele teve vontade de fazer uma vinheta dizendo: "beleza, beleza, beleza, gritam os que fogem da beleza". Mas que ele não fez porque sentiu que faria mal, que levantaria o G. [Grupo] contra ele, etc. Ele passou anos e anos escrevendo ACC. Ele só parou de escrever por causa do G. também.
Ele disse que aqueles que não liam ACC fecharam a secção ACC porque começaram a mandar para ele [Foi o Fernandinho] uma série de fotografias, de propaganda de qualquer propaganda que um prequeté lia, diz ele - para que ele comentasse. Se ele não comentasse ficariam com nó contra ele.
Chegou a um certo ponto em que ele disse: não dá mais, eu vou fechar isso, está acabado. Foi de uma violência que os Srs. não fazem idéia. Por ex., ele diz: se uma Sra. de idade escrevesse esses artigos num jornal chamado "Raminete", do bairro dela, nós certamente diríamos: eu li eu sou um entusiasta desta Sra., etc., etc. E nós, nós fazemos isto com o SDP. [Sr., (com maiúsculas) Dr. Plínio] pergunta ele? E diz: não tivemos nem essa regra. Por que? Porque que com o SDP não se usa polidez, com ele se trata de qualquer jeito. E a dureza de alma diante do prof. [profetismo] e essa dureza fica aqui marcada, hoje por ex..
Ele diz que todos têm culpa [Miserere mei, Deus, miserere mei...] e que era preciso que nós apanhássemos isso e saíssemos comentando esses artigos com os outros. Que há uma expiação, há um perdão a pedir, não a mim, mas a N. Sr. Há uma peregrinação a fazer a propósito disso [Chiii... 60 km até a estrada de Itatiba. Ah! porque é que o desastre dele não foi um pouco mais perto]. Isso é para olhar. Não tem conversa. E assim não tem remédio.
Ele diz que o artigo não parava ali, que ele continuava, tinha uma história. E que a história era: frieza que o G. tinha tido com o artigo até aquele dia em que ele estava dizendo isso. Mas que o artigo ainda iria continuar: que era frieza que nós íamos ter depois de ter ouvido o que ele disse. Ele continua: o histórico de que vocês fizeram (sic) depois de ouvir o que eu estou dizendo e que é o fim deste artigo. Se eu não escrever este histórico os castigos durante a B. [Bagarre] escreverão".
O Sr. JH [Júlio Hurtado] disse: "seria interessante nós prepararmos o cântico da epopéia do Sr."
Ele avançou na poltrona com o dedo da mão esquerda em riste e disse: "Meu filho, é preciso preparar o confiteor dessa grande felonia" [Ó desastrado Júlio Hurtado, em que hora errada você foi sugerir fazer o cântico da epopéia do Dr. Plínio! E você deve ter preparado sua frase durante horas, na solidão de sua camáldula! É preciso ser oportuno! "À temps et lieu"] e disse: [É o Profeta descarregando sua cólera sobre o pobre J. H. e sobre D. Bertrand, de raspão]. Aliás, você também não está fora disso não, você também, e DB [D. Bertrand] que não estavam no G., também não. [Agnus ad Lúpus dixit: natus non eram...] Porque fizeram coisas análogas de todo em todo. Ao lado de coisas boas - eu estou longe de negar [Como ele é justo e ponderado]. Acho que alguém poderia dizer: "SDP ignora as coisas boas que eu fiz etc., etc." Com isto não se serve a Deus! Os apóstolos se tivessem se convertido, como mais tarde se deu, poderiam dizer: Eu fiz tal 'coisa boa", etc. Com isto não se serve a Deus. Serve-se a Deus com toda a alma e não com pedaço de alma.
Isso acabou dando num almoço depois, em que ele foi muito mais violento do que foi no MNF, mas muito, muito mais. [Não somos nós que o dizemos. É o "fiel intérprete" do Profeta. Portanto, interpretação fiel do que ele disse e fez]. "E acabou mostrando como todos que estavam ali tinham ficado cegos pelo fato de não se terem voltado para ele.
Na 6- feira no percurso e no sábado ele acabou dando toda uma teoria a respeito de onde é que vem a cegueira. Porque ele diz que há dentro do G. - a pessoa pode ser tentada de roubo, outra pode ser tentada de impureza etc. - mas que há uma tentação que todos acabam tendo e que é uma tentação ao Ideal, em relação a ele, em relação a B. [Bagarre]. Esta tentação o enjolrrinhas mais novo que está entrando no G. hoje, mais dia menos dia terá": (JJ-Jornal falado de João Scognamiglio Clá Dias aos EUA - 23.01.83) - o sublinhado é do texto original).
Há que convir que no episódio acima a violência e a cólera eliáticas tornam difícil entrever a amabilidade e afabilidade costumeiras do Profeta.
Tem razão Dr. Plínio quando recomenda: para que se possa "medir bem quanto é a minha cólera, olhem para o meu sorriso (...) Meu filho saiba ver no meu sorriso a minha cólera". (JJ-Cartas recebidas de São Paulo nos EUA - 26.03.83). Não há dúvida, profecias e profetas são enigmáticos. mesmo quando obedecem escrupulosamente às normas da etiqueta.
Sorrindo...
 
 
 
O que diz de si mesmo, o que ele faz propagar a seu respeito, através de João Sognamiglio Clá Dias, “o fiel intérprete de seus desígnios”, tinha que desembocar, logicamente, num culto de dulia ilícito e delirante.
Já o Rapport acusara a TFP de cultuar Dr. Plínio como a um Santo. O livro Imbróglio, feito por Dr.Plínio para responder ao Rapport francês contra a TFP, negou isso. E sua negativa do que era evidente nos escandalizou. Quando apontávamos fatos que contrariavam o que fora dito no Imbróglio, a princípio se negavam os fatos, depois se começou a querer justificá-los. A "Idônea" reconhece agora vários deles e os diz legítimos, usando malabarismos de hermenêutica e sofismas acrobáticos. Procurando justificar o culto que se presta a Dr. Plínio na TFP, segue o habitual método imbrogliante do Profeta de Higienópolis:
a) distingue vários sentidos da palavra culto;
b) força os fatos para fazer com que eles se encaixem no sentido lícito de culto.
Deste modo, o grande "argumento" salvador foi uma diferença entre a terminologia tomista e a atual. Culto de dulia, na terminologia de hoje, é aquele que se presta aos Santos. Mas, para S. Tomás, culto de dulia era qualquer ato de respeito por uma autoridade ou superior.
"A dulia pode ser tomada em dois sentidos. Primeiro, em sentido amplo, enquanto mostra reverência a qualquer homem e por qualquer de suas excelências. E assim inclui a piedade [filial] a observância e qualquer outra virtude pela qual se dê honra a outrem. Neste sentido é evidente que a dulia tem partes especificamente distintas.
Segundo, em sentido estrito, enquanto por ela o servo reverencia seu senhor, pois já dissemos que dulia significa servidão. E neste sentido, não se divide em espécies, mas é uma das espécies que Cícero dá de observância [respeito] pois é distinto o motivo pelo qual o servo reverencia o seu senhor, o soldado a seu chefe, o discípulo ao mestre etc." (S. Tomás, Suma Teológica 2-3, q. 103 a 4).
Vê-se então que, para S. Tomás, todos os atos de respeito dos filhos para com os pais, dos alunos para com os mestres, dos soldados para com os oficiais, dos servos para com os senhores, dos cidadãos para com as autoridades, seriam culto de dulia. Até continência de soldado seria culto de dulia.
E a "Idônea" tenta então encaixar os atos de culto que se prestam a Dr. Plínio na TFP neste sentido tomista de dulia.
"É fácil ver que, neste trecho [texto do Imbróglio que citaremos adiante] os termos culto e dulia estão usados exatamente no sentido corrente, apontado pelo Pe Royo Marin, como referente ao "culto de veneração que se deve aos santos que já gozam no céu da bem aventurança eterna" (Teotogia Moral para Seglares - BAC Madrid 1977, vol. l, p.650). E não no sentido especializado ainda largamente em uso pêlos moralistas. Portanto, não há contradição nenhuma: as manifestações de respeito e veneração que se praticam em relação ao Senhor Dr. Plínio [na TFP] - atos de culto de dulia, no sentido especializado dos teólogos e em particular de S. Tomás de Aquino – não se aplicam na afirmação de que o Senhor é um santo declarado tal pela Igreja, porém simplesmente no reconhecimento da excelência de sua virtude, que todos na TFP têm em alta conta, e que de modo nenhum previne o juízo da Igreja, o que, aliás, como é óbvio, somente se poderia dar depois de sua morte". (Refutação-l, p.186).
[Portanto, na TFP, havia culto de dulia a Dr. Plínio. Mas dulia medieval!.
Claríssimo, não?].
E na entrevista que concedeu à Folha de São Pauto (19.08.84) Dr. Plínio também se esforça em dar a entender que o culto que lhe prestam consiste em meras atitudes de etiqueta e de cortesia (culto de dulia no sentido tomista).
"Culto na terminologia evangélica - [sic] tem um sentido amplíssimo. Inclui qualquer ato de homenagem ou veneração que se presta, de cunho cívico, ou religioso. O culto que me é prestado pêlos elementos da TFP é uma generosidade deles, que vêem em mim um fervor religioso maior, mais dedicado. E isso nada tem de contrário ao direito canônico" (...)] [E continua o repórter]: "Diz Dr. Plínio que não estimula as homenagens, mas as aceita".
Retorna a palavra a Dr. Plínio:
O trato comigo é respeitoso, muito alegre e afetuoso, um afeto acompanhado de admiração. Quando entro em nosso auditório, as pessoas se levantam, saúdam-me, procuram estender-me a mão. Esse é o culto que recebo (FSP - 19.08.84, p. 12).
Levantar-se, saudar, dar a mão, são sem dúvida atos de culto de dulia em sentido tomista. Mas Dr. Plínio dizer: "Esse é o culto que recebo", contraria frontalmente os fatos.
Um segundo argumento arrolado pela Idônea é que é legítima "a invocação dos santos ainda vivos nesta terra e mesmo das pessoas de virtude comum" (Refutação-l, p. 301). Em abono deste argumento se dá uma citação ligeiramente truncada de S. Afonso. Colocaremos entre colchetes o texto omitido.
Texto de. S. Afonso citado na Idônea:
É bom e útil invocar humildemente os Santos, recorrer à sua proteção e intercessão para impetrar benefícios de Deus por seu Divino Filho, Jesus Cristo (Concilio de Trento, Sessão 25).
Essa invocação aos santos fora reprovada pelo ímpio Calvino, mas contra toda a razão; pois é lícito e proveitoso invocar em nosso auxílio os santos ainda vivos e pedir-lhes nos ajudem com suas orações: (...)
[Texto omitido: Assim fazia o profeta Baruc, dizendo: "E rogai por nós ao Senhor nosso Deus". E S. Paulo: "Irmãos, rogai por nós". Deus mesmo quis que os amigos de Jó se recomendassem às orações de seu fiel servo, para lhes ser misericordioso em vista dos merecimentos dele... "Ide ao meu servo Jó... e Jó o meu servo, orará por vós e eu volverei misericordioso o meu olhar para ele.].
Se, pois, é lícito recomendar-se aos vivos, como então não será lícito invocar os santos que no céu mais de perto gozam de Deus (S. Afonso Maria de Ligório -A oração, o grande meio de salvação - Vozes Petrópolis, 1956, 3ª ed. p.27-28).
Texto de Dr. Plínio no Imbróglio:
(...) uma outra afirmação venenosa do Rapport é  que os elementos da TFP "invocam" Dr. Plínio para lhe pedir graças" (Rapport - p.29). A expressão sugere a idéia de um culto.
Não é freqüente, mas ocorre, que membros ou simpatizantes da TFP peçam orações a Dr. Plínio, no que ele consente de bom grado.
Entretanto, pedir as orações de alguém é uma coisa, invocá-lo como se invoca um santo é uma outra coisa bem diferente dessa. Isto seria um ato de culto de dulia, que Dr. Plínio não permitiria jamais que se lhe prestasse e que em si é inaceitável. Jamais nada de semelhante se passou na TFP. (Imbróglio - p.321 – Os destaques são nossos).
Vê-se que o próprio Imbróglio refuta a Idônea, isto é, que Dr. Plínio refuta a sua Refutação, e que o "imbrogliador" se "imbrogliou".
Santo Afonso, para justificar o culto aos santos, contra Calvino que o negava, deu como argumento que, se é lícito recomendar-se aos "santos" vivos (pessoas que supomos estar em estado de graça), com maior razão é lícito recomendar-nos à intercessão dos Santos do céu (santos canonizados). Só isso.
Na TFP se compõem ladainhas e orações para rezar a Dr. Plínio, na sua ausência.
Como bem diz Dr. Plínio: pedir as orações de alguém é uma coisa, invocá-lo como se invoca um santo é uma outra coisa, bem diferente dessa.
Fazemos nossas as palavras dele, para desimbrogliar o seu Imbróglio e desmascarar sua Idônea (Refutação a Uma Investida Frustra).
Do segundo volume da Idônea consta um grande número de citações de vidas de Santos tentando provar que:
a) os santos foram cultuados em vida.
b) em certas circunstancias eles aceitaram esse culto [o que é certo e legítimo].
c) houve santos que patrocinaram, incentivaram ou insuflaram o culto a si mesmos [o que é falso].
Ora, segundo a TFP, Dr. Plínio é um grande santo.
Talvez mesmo o maior dos santos que jamais existiu.
Portanto, ele tem direito de organizar, patrocinar, incentivar e insuflar o culto a ele mesmo.
Ou, eufemisticamente, "de aceitar as homenagens" que os seus "enjolras", por generosidade, lhe prestam, industriados por João Clá.
Recusamos aceitar esse sofisma.
a) Porque jamais os santos insuflaram o culto e o louvor a si mesmos. Jamais santos escreveram livros para justificar e exigir que se lhes prestasse culto.
b) Porque Dr. Plínio não é santo.
Longe disso.
[Longe, aos antípodas].
Faltam-lhe modéstia, humildade e veracidade para ter virtude simples, quanto mais virtude heróica.
Vejamos agora quais são os atos de culto de dulia em "sentido tomista" que se prestam a Dr. Plínio na TFP (o quanto possível secretamente).
Nós, como simples fiéis, nos escandalizamos com eles e julgamos ser contra nossa consciência católica as homenagens "generosas" (e mais ou menos secretas) que se prestam a Dr. Plínio. Aos teólogos e canonistas cabe julgar se são lícitas ou não.
 
A)   Altares secretos com fotografias de Dr. Plínio
 
Qualificamos esses altares de secretos, porque foram erigidos em capelas ou "camáldulas", às quais normalmente era vedado o acesso aos membros comuns da TFP, ou do Grupo.
 
a)       Altar-oratório em Jazna Gora
Em 1981, o "camaldulense Eliseu Garcia mostrou ao Sr. Aramis Fazzioli uma nova sala no porão do êremo de Jazna Gora, em Itaquera. Nela havia um altar com a fotografia de Dr. Plínio, e diante dela duas lamparinas acesas. (No xerox do relatório do Sr. Aramis, que demos a Plínio Xavier em 1981, se falou em lamparinas, e não em velas acesas. Nós, por engano, em nossa carta de ruptura, na pressa em que estávamos, falamos em velas e não em lamparinas acesas).
A "Idônea" (R-l, p.278) dá uma planta da sala, e afirma que as velas postas diante da foto de Dr. Plínio eram apenas para decoração, e que as farpas no chão da sala apontavam para um triplico de Nossa Senhora e não para a foto de Dr. Plínio, que se situaria lateralmente.
A esse respeito reproduzimos a declaração que nos deu o Sr. Aramis Fazzioli após ler a Refutação:
"Eu, Aramis Fazzioli, R.G. n0 8695579 declaro, para bem da verdade, que ao visitar o meu amigo Eliseu Garcia no chamado êremo de Jasna Gora, em Itaquera, ele me mostrou uma nova sala que estava sendo preparada para uso dos eremitas camaldulenses da TFP. Nela, havia um altar oratório com a fotografia do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, sentado. Diante da fotografia dele, sobre o altar havia uma toalha branca e duas lamparinas vermelhas, como as que existem nas igrejas diante do Santíssimo, e não duas velas como escreveu, por equívoco, o prof. Orlando Fedeli, em sua carta de ruptura com a TFP. O sr. Eliseu Garcia mostrou-me que havia marcas no chão para a formação dos eremitas "em farpa", e ele mesmo me fez observar que as farpas apontavam para a foto do Dr. Plínio. Disse que, os eremitas formavam "em farpa" nesta sala, quando havia cerimônias e mesmo quando Dr. Plínio lá estava presente. O que está dito no livro "Refutação a Uma Investida Frustra", publicado pela TFP, não corresponde ao que vi lá no êremo. Nesse livro, se diz que as farpas apontavam para a imagem de Nossa Senhora. Tal não é verdade. Elas apontavam para a foto de Dr. Plínio. No desenho publicado à pg. 278 do livro da TFP, onde se colocou a imagem de Nossa Senhora das Lages, é lá que estava o altar com a foto de Dr. Plínio, assinado Aramis Fazzioli".
 
b)       Oratório na camáldula de Fernando Siqueira, no Eremo de S. Bento
O eremita M. A. B. contou ao Sr. R. P. de F. Filho, que era também eremita no Praesto Sum que, na camáldula do Sr. Fernando Siqueira, na torre do êremo de S. Bento, dirigido por João Scognamiglio Clá Dias, havia um oratório com a fotografia do Dr. Plínio, tendo diante dele uma lamparina continuamente acesa. Foi o que denunciamos em nossa carta de 83.
A "Idônea" (R-l - p.282-284) nega esse fato, e reproduz até uma fotografia de um eremita rezando diante de uma imagem de Nossa Senhora, no oratório do Sr. Fernando Siqueira. Tal foto não prova nada, pois foi feita a posteriori, com o oratório já preparado para inocentar a TFP.
Os Srs. W. L. Z., Alberto Luis Zucchi, I. B. de O. A. e C. V., ao terem um dia permissão para visitar a camáldula do Sr. Fernando Siqueira, encontraram no oratório apenas um genuflexório, não havendo lá nenhuma imagem. Numa parede, o Sr. I. B. notou um prego próprio a se pendurar um quadro. O mesmo Sr. I. B. e C. V. notaram que havia marcas de fumaça nessa parede, como se junto a ela tivesse sido aceso algo. Os Srs. W.L.Z. e Alberto Luís Zucchi, quando visitaram essa camáldula viram uma lamparina acesa junto à parede, mas sem que houvesse lá quadro ou imagem alguma.
Também o Sr. D. J. P. nos deu o seguinte testemunho:
"Em 1977. tive ocasião de subir à "torre" do “camaldulense” Fernando Siqueira, no Êremo de S. Bento. Na torre havia um pequeno oratório improvisado (uma mesa com uma toalha). Nesse oratório havia uma foto do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, bem como uma pequena lamparina vermelha (do tipo usado comumente nos altares das igrejas); tal lamparina estava acesa, à esquerda e abaixo da foto para quem olhasse a mesma, constituindo todo o conjunto um oratório do tipo que se pode ver nas igrejas católicas.
“No livro Refutação a Uma Investida Frustra, a fotografia que é mostrada da "torre" não corresponde à realidade. Evidentemente, foi feita posteriormente com a intenção de negar a existência do oratório ao Dr. Plínio C. de Oliveira.
“Ademais, o Sr. João Scognamiglio Clá Dias disse, certa vez, numa reunião mais intima no Êremo de S. Bento, que o Sr. F. Siqueira era muitíssimo devoto do Dr. Plínio C. de Oliveira. Ainda nesse sentido, o Sr. S. A. C., que, na época que se deu o fato acima descrito, atendia o expediente do Êremo de São Bento, e tinha muito contacto com o Sr. F. Siqueira, tendo subido inúmeras vezes à "torre", disse-me que ele também vira muitas vezes o Sr. F. Siqueira rezando naquele oratório ao Dr. Plínio Corrêa de Oliveira", a. D. J. P.
 
c)       Altar para Dr. Plínio em Belo Horizonte
Em fevereiro de 1983, o Sr. L. C. V. teve oportunidade de entrar na sede da Rua Marquesa de Alorna, em Belo Horizonte, onde só se podia entrar com licença especial, pois era onde ficavam os membros da TFP que estavam recebendo tratamento psiquiátrico. Lá ele viu uma mesa preparada para servir de altar para distribuir a comunhão.
Declarou o Sr. L. C. V.:
Aproximei-me e pude ver que em cima da mesa, coberta com toalhas, havia os seguintes objetos: uma bolsa com Corporal dentro, uma galheta com água, uma pequena toalha de linho, duas velas, uma em cada extremidade da mesa; uma fotografia de Dr. Plínio Corrêa de Oliveira de um lado da mesa, tendo uma lamparina em frente; e uma outra fotografia, no outro lado da mesa, também com uma lamparina em frente, de Da. Lucília.
Ora, a Idônea reconhece que não é permitido
colocar imagens de tais pessoas [não beatificadas] ainda que não tenham tais adornos [auréola ou resplendor ou outra forma que excite a veneração e mova a prestar-lhes culto], em altares públicos ou privados; colocá-los em igrejas e oratórios, mesmo fora dos altares e separados das imagens dos Santos e Bem-aventurados. (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, p.211-213).
Quando contamos a Frei Vitorino Rodrigues, em outubro de 84, que havia esses altares com fotos de Dr. Plínio, ele nos respondeu que "não tinha importância". Que precisaríamos provar "que as fotos estavam nos altares para serem cultuadas".
[Scognamiglio o visitara, e depois soube que, durante a entrevista comigo, Padre Victorino se retirou, em certo momento, para conversar com Scognamiglio e receber orientação dele].
 Um aluno sugeriu que respondêssemos ao ilustre canonista que as fotos provavelmente tinham sido postas no altar para adorná-lo.
 As flores é que eram cultuadas.
 
B)   Orações para Dr. Plínio
 
Rezava-se a Dr. Plínio, quer diretamente voltado para ele quer voltado para suas fotografias
Como já dissemos, era absolutamente rotineiro que, no final das reuniões, se formasse um círculo de eremitas orantes, voltados para Dr. Plínio, rezando evidentemente para ele, e muitos deles dando as costas para a imagem de Nossa Senhora, que normalmente ficava fora do círculo.
Quando os padres de Campos - Pe. Olavo, Pe. Davi, Pe. Antônio de Paula -estavam em visita à TFP, João Scognamiglio Clá Dias segurava eremitas e "enjolras", para que não formassem o círculo de orantes em torno de Dr. Plínio. Mas, quando não havia visitas, João Scognamiglio Clá Dias se colocava dentro do círculo, de mãos postas, escandalosamente voltado para o Profeta, dando exemplo de como se devia rezar para ele.
Em dezembro de 1981, Plínio Vidigal Xavier da Silveira em conversa conosco reconheceu que este círculo de orantes em torno de Dr. Plínio era uma coisa errada, pela qual João Scognamiglio era responsável, e que seria corrigida. Entretanto, em julho de 1982, ele nos disse, que, se Dr. Plínio permitia que se fizesse o círculo de orantes em volta dele, era porque nisso havia algo de bom.
Também é público que, nas reuniões de recortes aos sábados, em Jasna Gora, os participantes faziam as orações iniciais e finais voltados escandalosamente para Dr. Plínio, e não para a imagem de Nossa Senhora, que ficava no canto da sala, junto à janela.
Durante as missas, no auditório S. Miguel, os "enjolras" passavam todo o tempo olhando para Dr. Plínio, comentando os seus gestos e o seu aspecto. Vimos acontecer isso até durante a distribuição da comunhão. O próprio côn. José Luís Villac nos contou que notara isso, com desgosto.
O Sr. F. J.-F.-C. foi visto, em seu quarto, rezando o terço, com os braços em cruz, voltado para um retrato de Dr. Plínio e dando as costas para uma imagem de Nossa Senhora.
O eremita itinerante V. de S. G. foi visto, durante uma reunião no auditório S. Miguel, rezando para uma fotografia de Dr. Plínio que ele tinha nas mãos, enquanto o próprio Dr. Plínio estava dando a reunião.
Em Belo Horizonte, rezava-se o terço em conjunto, todos ajoelhados e voltados em direção a S. Paulo,-- como os muçulmanos para Meca --, e de costas para a imagem de Nossa Senhora.
Após a comunhão, eram muito mais numerosos os que faziam ação de graças em torno do troneto de Dr. Plínio, ou da fotografia de Da. Lucília, do que diante do Santíssimo Sacramento, ou da Imagem de Nossa Senhora.
Em uma reunião do Praesto Sum, João Scognamiglio Clá Dias contou que uma senhora, nos Estados Unidos, teria rezado para uma fotografia de Dr. Plínio, estampada no jornal Catolicismo, e assim recebido a graça pedida. Post hoc, ergo propter hoc. Daí Scognamiglio perguntar: "Se as pessoas fora do Grupo fazem isso, porque nós, do Grupo, não fazemos o mesmo?".
Disse então que era lícito rezar para uma pessoa viva já que S. Afonso dizia: "Se é lícito rezar para os mortos por que não para os vivos?".
A mesma argumentação - exceto a citação de S. Afonso - foi repetida pelo eremita N. T. C. para o Sr. Alberto L. Zucchi. João Scognamiglio Clá Dias reiterou essa defesa para V. O. e seus amigos em 1983.
E acrescenta João Scognamiglio  que o confessor de Santa Catarina de Siena, certa vez, rezara para ela, enquanto ela ainda estava viva, e fora atendido. Então porque não se poderia fazer o mesmo para com Dr. Plínio? Depois, na “Idônea”, o mesmo Scognamiglio escreveu que ao citar os casos dos santos não quis comparar Dr. Plínio com eles.
Ensina-se ainda na TFP que sendo Dr. Plínio um homem, ele é uma imagem de Deus mais perfeita do que o é a imagem milagrosa de Nossa Senhora de Fátima, que é de madeira. Logo, dever-se-ia preferir rezar e ter mais entusiasmo por ele do que pela imagem de Nossa Senhora de Fátima.
E no Praesto Sum, João Scognamiglio  Clá Dias lamentava que na Igreja se tivesse criado o costume de só cultuar as pessoas já mortas, afirmando, contudo, que nada há contra o culto a um santo ainda em vida.
a)       As ladainhas do Profeta
Corria entre os apóstolos-itinerantes da TFP uma "Ladainha do Profeta". O Sr. V. O. disse-nos que ele mesmo a rezara durante muito tempo. Das jaculatórias ou "quase-invocações" dessa ladainha ele se lembrava de uma: "gladius evaginatus" (gládio desembainhado).
Quando Dr. Plínio falou de nossa ruptura no Êremo do Praesto Sum, em 1983, o "eremita itinerante" V. de S. G. se levantou e confirmou que rezava essa "Ladainha do Profeta" e esclareceu que as invocações dela eram tiradas dos títulos que S. Bernardo atribuíra a S. Elias, e que são citados à p.53 do livro do Prof. José Martini, "Elias, o Profeta da Aliança".
A "Idônea" confirma isso, e precisa que a Ladainha do Profeta remontava a 1972. Confessa ainda que "a transposição literal de algumas dessas expressões ao senhor, Dr. Plínio, é imprópria" (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, p.300) mas que "os rapazes que aplicaram ao senhor o texto em questão, impressionados certamente com a justeza de várias expressões, não advertiram a total falta de adequação de outras”. (ldem, p.300). Reconhece ainda que alguns utilizaram "essas expressões às vezes também como fórmulas de impetração de graças para si mesmos". (idem, p.301).
Gostaríamos de saber quais as invocações da ladainha do Profeta o “idôneo” Átila acha "perfeitamente justas e apropriadas a Dr. Plínio". Também gostaríamos de lembrar ao Sr. Átila Sinke Guimarâes, que ele, como escravo de Dr. Plínio, provavelmente conhecia desde 1967 uma outra ladainha do Profeta, que, entre outras invocações chamava Dr. Plínio de "Vingador da Paixão de Cristo". Seria interessante que o público conhecesse as duas ladainhas do Profeta.
 Que a TFP as publique.
Na íntegra.
 
b)       Oração dos Apóstolos-ltinerantes
Os Apóstolos-ltinerantes da TFP rezavam a seguinte oração a N. Sra., pedindo união a Dr. Plínio: "Oh Senhora e Mãe, -[Nossa Senhora ou Da. Lucilia?] - que nos chamastes para ser na TFP, em relação a "Dominus Plinius", o que Eliseu foi para Elias, nós vos pedimos toda a fidelidade para com ele. Que este dia Vos seja apresentado em união com ele, de maneira a fazermos um só com ele, na união das cogitações e das vias para a vida e para a morte. Assim seja."
Consta ainda que esta oração foi composta pelo próprio Dr. Plínio, e o estilo é bem dele.
[Note-se que com  a doutrina pliniana da união dos eus, exposta no livro Inocência Primeva, essa oração fica mais clara].
 
c)       Oração do enlevo
'Ó minha Senhora e minha Rainha, Mãe do Divino Enlevo, dai-me a graça de esquecer completamente a mim mesmo no supremo enlevo pelo Homem de Vossa Dextra." [Dr. Plínio].
 
d)       Oração dos Apóstolos dos Últimos Tempos
É uma longa oração feita por Dr. Plínio a Nossa Senhora e a seu "Imaculado e Sapiencial Coração", da qual destacamos as seguintes frases: "(...) que essas virtudes que de Vós defluem e que Vós por excelência destes àquele que é nosso guia para Vós, [Dr. Plínio] (...) prepareis a minha alma por meio da correspondência às graças que nos dispensais através de Vosso Escravo, e Homem de Vossa Dextra" [Dr. Plínio] (...).
 
e)       Jaculatórias a Dr. Plínio
Como vimos, no simpósio feito pelo Prof. Martini sobre o seu livro "Elias, o Profeta da Aliança", rezavam-se as seguintes jaculatórias: "Santo Elias, rogai por nós. Dr. Plínio, rogai por nós. Da. Lucilia, rogai por nós."
O Sr. V. O. nos afirmou que ouviu alguns membros da TFP intercalarem jaculatórias ou orações a Dr. Plínio e a Da. Lucilia na recitação do rosário.
 
f)        Confiteor para Dr. Plínio
Em certas cerimônias, os eremitas rezavam o Confiteor prostrados diante de Dr. Plínio, para receberem dele a absolvição dos pecados, conforme declarou o eremita R. B.
Antes da comunhão, usava-se a fórmula "et te Pater" do Confiteor para designar Dr. Plínio.
Os eremitas Humberto Braccesi e J. Scognamiglio declararam diante de várias testemunhas que Dr. Plínio conhece e perdoa os pecados dos membros do grupo. Os eremitas M. A. B. e R. B. declararam que Dr. Plínio tem o poder de perdoar pecados.
 
g)       Oração "O' Padre Eterno"
O eremita W. B. contou, que quando reza a oração "O' Padre Eterno, eu vos ofereço pelas mãos de Maria Santíssima, o preciosíssimo sangue de Vosso Filho, etc.", aplica a palavra Filho a Dr. Plínio, e não a Cristo. Deste modo ele oferece a Deus o "preciosíssimo sangue" de Dr. Plínio, derramado num acidente automobilístico, e não o preciosíssimo Sangue que Cristo derramou no Calvário.
 
h)       Ação de graças
João Scognamiglio Clá Dias recomendou que "ao fazer a ação de graças, após a comunhão, deve-se pedir que Dr. Plínio adore Cristo em nós, em nosso lugar".
E no texto sobre a comunhão usado pelos "enjolras" se lê:
"Pedir a Nossa Senhora que nos prepare para a comunhão, que nos obtenha a graça de fazer a preparação em união com ela e com o seu profeta e nosso pai Elias” (grifo nosso).
Eis aí um exemplo típico de texto "sublinhado". Pede-se a união com ... "Elias, profeta de Nossa Senhora", isto é, a Dr. Plínio.
[E essa era uma união mística tal qual foi exposta por PCO no livro Inocência Primeva].
Muitos rezavam a ação de graças, após a comunhão, diante de fotos de Dr. Plínio, ou ajoelhados diante de seu troneto, dando as costas à imagem de Nossa Senhora (como ocorre na sede da Rua Maranhão), ou em torno de sua "cama", em N. York, beijavam seus lençóis e cobertor, possívelmente, porque Dr. Plínio já os utilizara, em S. Paulo...
 
C)   Cânticos
 
“O vos omnes”
Durante anos se cantou o cântico de L. Vitória “O vos omnes...” no início das “reuniões de recortes”, canção na qual se pergunta se se conhece dor maior do que a de Cristo ou de Nossa Senhora. Enquanto se cantava, todos ficavam de pé diante de Dr. Plínio, também de pé.
Ora, o eremita R. B. afirmou que esse cântico era de fato aplicado a Dr. Plínio, e não a Cristo. A mesma coisa foi dita pelo eremita R. G. para o Sr. Alberto L Zucchi, acrescentando que se começou aplicar este cântico a Dr. Plínio após o desastre automobilístico que ele teve, em 1975.
“Lève Toi”
 
 Nesse canto, se dizia que os dois poderes — a Igreja e o Estado – um dia, deveriam “lamber o chão” diante do grande vencedor da atual guerra profética, Dr. Plínio.
 
D)   Consagração como escravo a Dr. Plínio
 
Há quem tenha feito consagração a Dr. Plínio conforme o método de consagração a Nossa Senhora de S. Luís de Montfort, porque Dr. Plínio é a vontade de Nossa Senhora, e a verdadeira consagração à Virgem Maria exigiria a consagração a ele, como medianeiro e representante da Medianeira de todas as graças. Deste modo se explica porque muitas pessoas o chamam com tanta ênfase de Senhor ou Dominus e se digam "escravos de Maria".
Todos os membros da Sempre Viva se consagravam como escravos a Dr. Plínio, a fim de se tornarem um com ele, que era um com Cristo e com Maria. Daí, a crença da Sempre Viva de que fazer-se escravo de Plínio era fazer-se escravo de Maria.
Quando um membro da TFP se designava como “Este escravo de Maria” era para se entender que ele se tornara escravo de Plínio.
 
E)   Cerimônias para Dr. Plínio ou para suas fotografias
 
a)       Cerimônia da "meta"
 
Essa cerimônia se realizava no Êremo da Divina Providência, encarregado de arrecadar donativos para a TFP, a fim de agradecer aos "santos padroeiros" da entidade - Dr. Plínio e Da. Lucília - a obtenção da meta de donativos fixada para o mês.
A cerimônia era realizada na capela do êremo, estando presentes, por vezes, o Sr. Caio Vidigal Xavier da Silveira e muitos eremitas vindos do S. Bento e do Praesto Sum.
Para realizar a cerimônia, retirava-se previamente da capela uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que ficava normalmente ao lado esquerdo do altar, no qual se colocavam então fotografias de Dr. Plínio e de Da. Lucília, uma de cada lado do altar.
Os eremitas se postavam em frente do altar. Abria-se o sacrário e retirava-se o cibório. A seguir incensava-se o cibório e depois, na mesma cerimônia, e estando ainda o cibório sobre o altar, incensavam-se os retratos de Dr. Plínio e de Da. Lucília.
A "Idônea" conta a cerimônia de culto duas vezes e de forma diferente uma da outra (Cfr. Refutação, I vol, p.141 e 261-266).
Na p. 263, é citada a consulta que a TFP fez ao Pe Alonso Lobo. Lá se lê:
"Por nove vezes [só?] (...) estando o Santíssimo Sacramento presente no edifício em que residiam vários desses jovens incensou-se o Santíssimo" (Átila Sinke Guimarães, Refutação aUma Investida Frustra,  Vol I, p.263) .
Não foi assim. O Santíssimo não esteve ocasionalmente no edifício em que residiam os jovens. O Santíssimo estava continuamente na capela do êremo da TFP, onde era realizada a cerimônia da Meta.
"Terminada esta cerimônia eucarística, foi incensada a fotografia da Senhora" (idem, R- Vol. l,  p.263).
Não é verdade. O cibório continuava sobre o altar quando se incensava o retrato de Da. Lucília.
"Certa vez, esse ato se realizou encontrando-se em outra pequena mesa, situada nas circunstâncias acima descritas, a fotografia (do filho) dessa senhora, que é pessoa de idade avançada e que ainda está vivo. Ele é uma pessoa muito respeitada por suas virtudes e, por isso mesmo, muito considerado pelos jovens". (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, Vol.l, p.263).
Repare-se o circunlóquio para não dizer que o retrato era de Dr. Plínio.
Não é verdade que foi "certa vez". Esta era uma cerimônia feita todos os meses, na Divina Providência; era também feita em outros êremos.
O velhinho “ainda... vivo” - e muito vivo - da fotografia era Dr. Plínio.
O Padre Alonso Lobo O.P., em sua resposta, só não condenou a cerimônia, porque se disse na consulta que "foram separados os dois atos de incensamento: um ao Santíssimo no Sacrário; o segundo à fotografia" (Refutação-l, p.265).
Ora, o Santíssimo não estava no Sacrário, nem os atos de incensamento foram separados.
E aconselhou o Padre, por prudência, a não mais incensar as fotos nem colocá-las no templo ou oratório (idem-l, p.266).
 
b) Incensamentos de Dr. Plínio ou de sua fotografia
 
O ex-eremita de S. Bento, D. J. P., relatou-nos que cerimônias semelhantes se faziam no êremo de S. Bento e no Praesto Sum. Também em N.York, ele assistiu à cerimônia em que se incensava o retrato de Dr. Plínio.
Nas conversações que manteve em 1983, V. O. ouviu João Clá confirmar que de fato em cerimônias do S. Bento e Praesto Sum se incensavam os retratos de Dr. Plínio e de Da. Lucília.
Umberto Braccesi confirmou que havia a Cerimônia da Meta e os incensamentos para Dr. Plínio, quando conversou com Giulio Folena em 1983. Também “Montfleury”, em debate gravado em casa do Sr. O. R. confirmou a existência da Cerimônia da Meta e dos incensamentos, afirmando que tudo isto era lícito.
Além disso, nas missas solenes cantadas pelo côn. José Luís Villac no auditório de S. Miguel, assim como em cerimônias realizadas aos sábados à noite, era costume incensar Dr. Plínio pessoalmente, como se ele fosse um Bispo.
 
c)   Dr. Plínio centro das cerimônias e não Nossa Senhora
 
Numa cerimônia realizada no auditório S Miguel, os eremitas de S. Bento e do Praesto Sum formaram uma farpa voltada para Dr. Plínio e não para Nossa Senhora, que ficou de lado, durante a cerimônia.
Dr. Plínio estava sentado num trono muito elevado, ao qual se subia por vários degraus, e sob um grande dossel vermelho. No final da cerimônia, ele criticou o fato de terem feito a farpa voltada para ele e não para Nossa Senhora. Fora "uma imprudência”, disse ele. Não disse que fora uma coisa errada...
 
d)       Cerimônia do "corredor espanhol"
 
O entusiasmo dos membros da TFP espanhola por Dr. Plínio acabou dando origem a uma "cerimônia" intitulada "corredor espanhol”. Eles se postavam de joelhos, deixando aberto um corredor, para que Dr. Plínio passasse em sua cadeira de rodas e, então lançam-se sobre ele, beijavam o que conseguissem beijar: mãos, cadeira, pés, braços, rodas...
 
e)       Cerimônia de chegada e partida de Dr. Plínio nos êremos
 
Quando Dr. Plínio chegava aos êremos de São Bento e do Praesto Sum, os eremitas o recebiam em cortejo, cantando o "Veni Sancte Spiritus".
Depois grita-se a ordem: "Em reverência ao Profeta, a-jo-e-lhar!"
Todos se punham com os dois joelhos no chão. O Profeta dava então a sua bênção (cumprimento ou recomendação, em código) dizendo ao traçar uma cruz:
"Benedictio Matris et Mediatrix nostrae omnipotentis descendat super vos et maneat semper".
Às vezes, depois da bênção, ele lançava uma maldição, traçando uma cruz menor e mais abaixo, e trocando, na fórmula acima, a palavra "Benedictio" por "Maledictio", para amaldiçoar inimigos muito especiais.
No Êremo da Divina Providência, depois que Dr. Plínio partia, os eremitas iam à sala capitular, e lá cantavam o "Magnificai" voltados em direção à fotografia de Da. Lucília, para agradecer-lhe a visita de seu profético filho.
 
f)        Paródias de homenagens papais a Dr. Plínio
 
O ex-eremita J. R. Gh. contou a várias pessoas que houve no Êremo de S. Bento uma cerimônia em que Dr. Plínio foi transportado em Sedia Gestatória.
O Sr. H. H.  viu, no Praesto Sum, a Sedia Gestatória - um trono colocado sobre um andor - num corredor, como se a tivessem usado há pouco tempo. O eremita M. G. teria contado a um doador de S. Bernardo que "agora havia uma Sedia Gestatória para Dr. Plínio".
O eremita R. G. relatou a cerimônia em que se levou Dr. Plínio em Sedia Gestatória ao Sr. Alberto L. Zucchi, e o próprio João Scognamiglio contou o mesmo para o Sr. W. L. Z.
Consta que se usam galhos para abanar e espantar mosquitos de perto de Dr. Plínio, nos dias de calor. Até aí nada demais, a não ser o calor. Criticável é o nome que se dá esses espanta-mosquitos ou abanadores. Os eremitas os chamam de flabelli, a exemplo dos usados na corte papai.
Em certas cerimônias, Dr. Plínio usava um manto enorme de vários metros de comprimento, em parte feito de peles, como se fosse uma capa de Cardeal ou de Bispo. Ele se defenderá, porém, dizendo que o manto é branco era apenas forrado de vermelho.
Na TFP, era sempre assim: por fora era uma coisa, por dentro era outra.
Há também cerimônias - como a do crisma da vocação - em que as pessoas beijam os pés de Dr. Plínio. Aliás, tornou-se habito beijar os pés do Profeta, conforme reconheceu A. B. A. Quando se vai cumprimentá-lo, ou quando se recebe a sua bênção, beijam-se-lhe os pés.
Nos documentos que temos dos "chás do S. Bento", "Palavrinhas", etc. do "Jour le jour", lê-se que era costume dele rezar o Angelus do meio dia aparecendo numa janela ou sacada em cujo parapeito se colocava previamente um tapete, enquanto os eremitas ficavam em baixo, no pátio, respondendo o Angelus do Profeta, quais peregrinos na Praça de S. Pedro...
 
g)       Outros gestos cerimoniais de veneração
 
Há todo um cerimonial complexo, nos êremos e no apartamento de Dr. Plínio, a ser obedecido quando ele está presente.
        Assim, ao entrar na sala em que ele estava, ou ao passar diante dele, se era obrigado a fazer genuflexão igual à que se presta ao Santíssimo Sacramento, nas capelas.
Como vimos, quando Dr. Plínio recomeçou a andar, todos ficavam de joelhos à sua passagem, ao adentrar ele no auditório de S. Miguel. Depois, como alguém tivesse estranhado, isso foi proibido no auditório, mas continuou a ser obrigatório nos êremos.
Até diante de seus retratos se faziam vênias.
Nos cortejos cerimoniais Dr. Plínio era precedido por um eremita portando erguida uma espada desembainhada, além de alabardeiros e porta-espadas. Na porta da sala em que ele estava, dois alabardeiros - quais guardas suíços tupiniquins - se postavam de guarda.
É de se estranhar, depois disso tudo, que se o chame de Sua Sacralidade?
Fora de S. Paulo, ao se receberem telefonemas de Dr. Plínio, costumava-se colocar o retrato dele, ladeado de velas acesas, junto ao telefone, e todos ouviam o telefonema de joelhos.
 
F)    A Bênção do Profeta
 
Dr. Plínio costumava abençoar as pessoas, conforme já descrevemos. Mas não só as pessoas. Ele benzia também objetos (terços, medalhas, imagens, distintivos, livros, etc.)
No Imbróglio, ele lembrou, que,
bem entendido, a benção enquanto sacramental só pode ser dada por clérigos, mas os teólogos admitem também a existência além desta bênção, da benção natural que os superiores religiosos não ordenados, ou as superioras religiosas, podem dar a seus subordinados (Imbróglio - pp. 317-318).
Aludiu ainda à bênção que os fazendeiros ou patrões davam a seus colonos e operários, à benção dada ao cavaleiro quando de sua armação, mas acabava não dizendo em que caso se classificava a bênção dele.
Parece, pois, que se pretendia considerá-la apenas bênção natural, e não sacramental.
Mas, se fosse assim, como se explica que Dr. Plínio tenha sub-estabelecido várias pessoas para darem a bênção em seu nome?
Que saibamos, foram sub-estabelecidos para dar a bênção do Profeta: João Scognamiglio Clá Dias, Luiz Nazareno de Assunção Filho, Caio Vidigal Xavier da Silveira e Plínio Vidigal Xavier da Silveira, que nos contou ter sido incumbido de levar a bênção de Dr. Plínio ao camaldulense Paulo Campos, na sua fazenda em Mato Grosso. Outrora também o Sr. Martim Afonso Vidigal Xavier da Silveira dava a bênção, quando era chefe do êremo S. Bento; por isto o apelidavam de "o abade".
Segundo Scognamiglio, a bênção de Dr. Plínio tinha um efeito cumulativo, e, assim, seria conveniente recebê-la muitas vezes, num dia. Por isso, os pobres "enjolras" corriam de uma sede a outra, seguindo o perambular automobilístico do Profeta, para receber novas bênçãos.
Curioso que não se corria atrás das bênçãos do Padre José Luís Villac, como não se corria atrás de D. Mayer, para receber suas bênçãos que, entretanto, eram sacramentais. Dr. Plínio afirmava que é inteiramente lícito que ele desse a bênção. Contudo, se isto era assim, não se explicava porque ele procurava dá-la secreta ou discretamente, ou usando códigos quando a dava, por exemplo, ao entrar no auditório S. Miquel. Se ela fosse lícita, por que se usava código para designá-la (recomendações ou cumprimentos, no código do sublinha-mento significa bênção)? Nos êremos, havia escalação diária para ir receber cumprimentos (bênçãos de Dr. Plínio).
 
G) "Relíquias" de Dr. Plínio
 
Num "Jour le jour", no Praesto Sum, Scognamiglio contou que Dr. Plínio lhe narrara que os alunos de D. Bosco costumavam entrar em seu quarto para pegar pedaços de suas camisas. E ainda contou que Dr. Plínio o advertira dizendo: "Não vá dizer isso aos "enjolras", porque senão vão invadir meu quarto".
Portanto, ele se julgava tão santo quanto Dom Bosco...
Proibido e feito. Scognamiglio contou.
No mesmo dia, dois "enjolras" foram surpreendidos pelo Sr. A. J., que relatou o fato, de que encontrara novatos no quarto de Dr. Plínio, pegando “relíquias” de uma blusa dele. (Será por isso que Dr. Plínio chamava Scognamiglio de "o fiel intérprete de seus desígnios"?). Desde então, camisas e gravatas velhas dele foram pegas e guardadas como “relíquias” de um santo.
Desde então, quando Dr. Plínio jogava fora os lenços de papel perfumado (pochettes) que havia usado, os "enjolras" se precipitavam e se batiam para pegá-los e guardá-los como “relíquias do Profeta”. Para evitar desordens, Dr. Plínio passou ater o cuidado e a preocupação de entregar os lenços de papel usados ao seu secretário Fernando Antunes, que cuidadosamente os recolocava em seus invólucros plásticos, e depois os distribuía, piedosa e ordenadamente. Temos vários desses pochettes-relíquias enviados por eremitas para seus amigos nos EUA, [e que nos foram entregues por antigos devotos arrependidos].
Certa vez, o Sr. Júlio Lopes de Tejada, quando era "quidam" do grupo da Realeza de Nossa Senhora, dividiu uma toalha de Dr. Plínio em pedaços e os distribuiu como relíquias.
O eremita M.A. B. colocou uma toalha de mão para Dr. Plínio usar e, depois que ele a usou, guardou-a num saco de plástico para conservar como relíquia a "umidade do Profeta", que é bem mais fácil de detectar e conservar do que a humildade dele.
No final das reuniões, os "eniolras" corriam para rezar em torno do troneto de Dr. Plínio, e para colherem lá uma possível relíquia capilar caída do crânio já tão descalvado do Profeta.
Há ainda inúmeras tecas de relíquias com fios de cabelos dele e de Da. Lucília.
Um enjolras da Sede da Saúde, J. C., mostrou ao Sr. J. N. Z., na presença do Sr. A. B. A., uma teca contendo um fio de cabelo ruivo de Da. Lucília, e um fio de cabelo preto "do peito de Dr. Plínio". Relíquia que - ao que supomos - só ele mesmo pode ter concedido.
No Êremo de S. Bento, há um museu de relíquias de Dr. Plínio: peças ortopédicas de gesso, pesos que ele usou por causa de suas fraturas, cadeiras de rodas velhas, etc.
Um dia, após um jantar, o Sr. Umberto Braccesi entusiasmado exclamou: "depois desse jantar, dever-se-iam guardar os ossos do frango que ele comeu".
E lá começou o culto ao frango sagrado, qual boi Ápis moderno.
Em N. York, guardavam-se como relíquias do Profeta suas luvas, chapéu, muletas e as fotos de Nossa Senhora, que ele osculara.
Eram disputados como relíquias dele até os frascos de loção ou de perfume que ele usara. Os Srs. W.L.Z. e Alberto L. Zucchi viram o Sr. O. G. dar um desses frascos, como presente, a um jovem francês.
Como nós mesmos vimos, na cômoda do eremita R. T. – o Perereca- em N. York, em meio a objetos de piedade, uma relíquia incrível: um resto de sabonete usado pelo Profeta de Higienópolis.
Certo dia, no Êremo da Divina Providência, Dr. Plínio deixou um resto de leite num copo. Então um "enjolras" (Altamir) concentrou-se diante do copo com o resto de leite, colocou as mãos postas como em oração, e tomou o leite que sobrara. Depois, permaneceu em recolhimento como que em "ação de graças". Isto foi feito diante de dois eremitas, Norio Nakamura e Edimar, tendo este último procurado explicar e justificar a atitude do "enjolras", dizendo: "O leite sobrou. Não era de ninguém. Ele podia tomá-lo".
Temos relíquias que nos foram dadas por ex devotos de PCO. Nós temos relíquias de Plínio doadas por ex devotos do Profeta, para quem queira ver: pochettes usadas, restos de sabonete usados, tecas com cabelos, e algumas tecas com unhas do Profeta.
Cada unhão!...
 
H) As peregrinações
Em 1975, Dr. Plínio sofreu um terrível acidente automobilístico na estrada entre Jundiaí e Itatiba
Ele mesmo afirmou que toda a vida espiritual dos membros da TFP estava relacionada com o desastre dele, em 1975 (na TFP não se diz que foi um acidente e sim um desastre, pois a palavra acidente implica em ausência de mérito).
Veja-se o que diz o Profeta, segundo Scognamiglio:
Dia 3 (3 de fevereiro de 1983) ele foi após o SD [Santo do Dia] para o SB [São Bento] e disse que ele se preocuparia com a nossa vida espiritual, se nós não pensássemos que de fato tudo veio do desastre. Mas que ele, diante de Deus, é obrigado a se por o problema se o desastre não foi por imperfeições dele. (JJ-Telefonema de Scognamiglio aos EUA - 06.02.83).
E ainda:
Ele diz que muitas vezes por respeito, por condescendência, etc. reconheceu que o desastre de automóvel que ele sofreu foi um desastre com o qual ele expiou por nós (...) Eu estou agüentando para que lhes sejam abertas as coisas, como por ex. o Cap. [Capítulo de Culpas]. (Ele com isso reconhece que o Cap. vem da graça do desastre) [Palavras de J. Scognamiglio] para que afinal ouçam as coisas, ouçam as verdades (JJ-Telefonema de Scognamiglio aos EUA - 06.02.83).
Desde há alguns anos, pois, começaram a se fazer peregrinações a pé até o local desse acidente automobilístico “expiatório”, a mais de 60 km de S. Paulo.
Alguns eram obrigados a fazer tal peregrinação por penitência; outros a faziam por devoção. Outros por regime, para emagrecer. Era para unir o piedoso ao útil.  M. G, a fazia uma vez por mês, mas não conseguia a graça de emagrecer (aos gordos não se permitia o uso do hábito de eremita, por razões de estética...). Há quem faça a peregrinação, jogando pétalas de rosas do túmulo de Da. Lucília a cada km. percorrido.
No dia 23.05.83, o Sr. V. O. teve um encontro com Dr. Plínio no Êremo de S. Bento. Ao sair de lá, um grupo de "enjolras" ajoelhou-se em torno da cadeira de rodas do Profeta e lhe
comunicou que ia fazer uma peregrinação, a pé, até o local do seu acidente, dizendo-lhe que sua intenção era: "Para que cresça cada vez mais a glória do Senhor (Dr. Plínio) na terra".
 
I)      A glória de Dr. Plínio
Outrora, a finalidade do Grupo era defender a Igreja e a Fé contra o comunismo, buscando a glória de Deus e de Nossa Senhora.
A nova TFP sectária tem por finalidade a glorificação de Dr. Plínio. Scognamiglio rezava publicamente "pela glorificação da causa de Nossa Senhora", isto é, pela glorificação de Dr. Plínio, pois quando ele falava da causa de Nossa Senhora, ele apontava para o retrato do Profeta.
Paulo Corrêa de Brito insinuou certa vez que a finalidade interna da TFP era glorificar Dr. Plínio. E diz-se claramente que a mensagem de Dr. Plínio contra Mitterand visava não tanto derrubar o governo socialista francês, quanto tornar o nome de Dr. Plínio conhecido até os confins da terra.
A ânsia de glorificar o Profeta foi ao ponto de considerar e arquivar entre os "Feitos do Profeta da dextra de Maria Santíssima em 1977" o seguinte fatinho:   "Dr Plínio teve uma inflamação no dedo do pé esquerdo" – Oh!
 
 
 
Trataremos dessa questão apenas de passagem.
Dr.Plínio organizou um culto para sua mãe, Dona Lucília, em primeiro lugar, por causa da estranha união que havia entre ele e ela. Ele a identificava com Nossa Senhora, e chegou a dizer que, rezando a Salve Rainha, confundia uma com a outra. Além disso, ele considerava que entre o eu dele e o eu de Dona Lucilia havia uma “união incorporante”, mais do que moral ou mística, dizia-se, uma “união ontológica”.
Em terceiro lugar, o culto para ela preparava e reforçava o culto para ele mesmo.
Neste livro, trataremos apenas de alguns pontos do culto a Dona Lucilia na TFP, culto ordenado por Dr. Plínio, e insuflado e propagado até o fanatismo, por João Scognamiglio Clá Dias, que manobrava seus eremitas a comporem orações para Dr. Plínio, para Dona Lucília,  --e  agora, entre os Arautos e Joanettes, ladaínhas e orações para ele, o “padrinho”, o “santaço” das joanetes.
Dr. Plínio rezava publicamente para sua mãe, voltado para o retrato dela, e fazia outros rezarem com ele para Dona Lucília.
Depois que sua mãe faleceu, todos os dias, antes de sair de sua casa, ele ia rezar para ela no quarto dela, onde ele mandou conservar todas as coisas  como ela deixara ao falecer. Esse quarto era chamado na TFP, “o Santuário de Dona Lucília”. Antes de ir dormir ele ia de novo a esse quarto, rezando lá jacultórias para Nossa Senhora que ele, depois, repetia para Dona Lucília, dizendo para sua própria mãe, Lucília:
“Auxilium Christianorum, ora pro nobis”.
“Refugium peccatorum, ora pro nobis”
“Consolatrix afflictorum, ora pro nobis.”
Naturalmente os exemplos arrastam.
E arrastam até à loucura.
E eis a loucura a que se chegou.
Esse culto culminou na elaboração de uma paródia da Ave Maria para Dona Lucília assim como numa Ave Maria parodiada para Dr. Plínio (Ver mais adiante).
Claro que esse culto e essas orações absurdas eram mantidas ocultas dos membros comnuns da TFP e do grupo de Catolicismo. Nunca soubemos disso até 1979, quando o jornal O Estado de São Paulo noticiou que, num relatório publicado na França por um ex tefepista francês (sr. Robert Joyeux) se denunciava a existência de uma escandalosa paródia da Ave Maria rezada em honra de Dona Lucília pelos tefepistas, na França, que a haviam aprendido, quando tinham vindo ao Brasil.
Dr. Plínio logo tentou abafar a questão, negando a existência dessa paródia, delirante, absurda e sacrílega.
A TFP respondeu ao Rapport Joyeux por meio de um livro intitulado muito propriamente de “Imbroglio, Détraction, Délire”,publicado apenas internamente na entidade. A autoria do livro era assumida pelos dirigentes da TFP francesa, mas o autor, sabia-se muito bem na TFP, o autor era o próprio Dr.Plínio. E o livro era propriamente um ...Imbroglio...
Nesse livro, Dr. Plínio afirmou:
“(...) após uma cuidadosa investigação entre os jovens da TFP, Dr.Plínio nega categoricamente a existência da excêntrica “Ave Lucília” à qual se refere o Rapport” (Imbroglio, Detraction, Delire, editado e impresso pela Association Française pour la Defense  de la Tradition, Famille Propriété, Asnières, 1er trimestre de 1980, p. 298).
Ora, como soubemos de fontes seguras e com documentos assinados, a Ave Lucília existia, e era rezada pelos eremitas de João Scognamiglio. Dr. Plínio então não dizia a verdade sobre ela.
Em carta escrita nessa ocasião, respondendo a O Estado de São Paulo, Dr. Plínio classificou a “Ave Lucília” como “uma transposição absolutamente absurda da Ave Maria”, e declarou:           “Acerca dessa transposição, pelo mais extremo escrúpulo de precaução, investiguei se porventura era adotada nas fileiras da TFP. E posso responder que não”. (Plínio Corrêa de Oliveira, Carta a O Estado de São Paulo- 15- 08- 1979). De novo, para falar de modo respeitoso, Dr.Plínio faltava com a verdade. O contrário do que ele dizia é que era verdade.
Prova disso é que, no livro escrito contra nossa pessoa e editado pela TFP, o senhor Átila Sinke Guimarãese, em 1984, acusou-nos de “fazer reviver uma falsidade já publicamente desmentida: a existência, nos círculos da entidade, de uma absurda Ave Lucília” (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, p. 232).
Mas , duas páginas depois, na página 234 desse mesmo livro, o mesmo “idôneo” Átila, fanático de Plínio Corrêa de Oliveira, a ponto de julgar que Deus estava mais presente em Plínio do que na sarça ardente, tese que ele pretende defender e vencer Moisés, no céu, escreve que a “falsidade”, de fato, existira, pois, em 1978, “Uns cinco ou seis, segundo outra versão maximalista, dez membros da TFP francesa rezaram a Ave LucÍlía” (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, p. 234).
 E já na página seguinte, o mesmo “idôneo” Átila escreveu:
Isso que se descobriu mediante cuidadosa investigação feita a pedido do Senhor [Dr. Plínio], entre os remanescentes da École Saint Bénoit, não foi dado à luz porque o senhor queria poupar o jovem, possívelmente inocente, que fizera aquilo por irreflexão ou por extraagância pessoal, explicável por sua idade (16 anos). (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, p. 235).
O “idôneo” Átila procura então salvar Dr. Plínio pego em flagrante contradição, e em escandalosa negação da verdade:
“Conviria dar de público todas essas minuciosas explicações? Judiciosamente o senhor [Em seu livro, Átila se dirige a Dr.Plínio] julgou que não era o caso. Pois iria atrair a atenção dos leitores para uma bagatela [sic], com prejuízo do principal. O senhor teria mentido omitindo essas explicações? Omitir não é mentir, como ensina São Tomás (Cfr. São Tomás, Suma Teológica2-2, 111,2, ad 4). O episódio, isolado e restrito, e que cessara completamente há cinco meses, autorizava a afirmar que não existia  na TFP” (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, p. 235).
Não se tratava de dar minuciosas explicações.
Era obrigatório ter dito a verdade, desde o princípio. E a “idoneidade” de Átila e da TFP ficam comprovadas pelo princípio absurdo de que “omitir não é mentir”. E a “idoneidade” de Átila, de Plínio, e da TFP não ficam salvas pelo recurso à citação da Suma de São Tomás.
Plínio então não mentiu.
Omintiu.
[ E essa omintissão permitiu que na Europa, até hoje, ele seja apresentado como Il Crociato del sécolo XX].
E Átila assim prosseguiu sua tentativa de provar que omitir não é mentir, que “não” equivale a “sim”:
“Por cautela, o senhor, Dr. Plínio, ordenou uma investigação análoga na TFP brasileira, tendo-se apurado a total inexistência dessa oração, em qualquer tempo, no Brasil” (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, p. 235).
Na página 258 de seu livro, Átila, com toda a “seriedade” repete a frase de Plínio no Imbroglio, negando “categoricamente a existência da “Ave Lucília”, e, na página 258, Átila fala da “inexistência”  da “Ave Lucília”.
De modo que tal oração era uma “falsidade” na página 232, falsidade que “existiu” na página 234, mas que “não existia na página 235, que Dr. Plínio “negava categoricamente” na página 238, e que se tornou “inexistente” na página 258 do livro da TFP contra nós, livro assinado por Átila SinKe Guimarães.
Essa é a “idoneidade intelectual” de Átila, de Dr. Plínio e de João Scognamiglio. Após a publicação do livro Refutação a uma Investida Frustra, cuja leitura recomendo vivamente, um ex eremita do Êremo de São Bento, sr. D.J.P. nos deu o seguinte documento assinado:
Eu, Dorival José Pereira, R.G. n0 9.834.389, declaro para o bem da verdade que, quando vivia no chamado Êremo de São Bento da TFP, corria lá entre os eremitas que a rezavam a seguinte paródia da Ave Maria, aplicada a Dona Lucília:
Ave Lucília, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto de vosso ventre, Plínio.
Santa Lucília, Mãe de  dr. Plínio,/
Mãe do Profeta do Reino de Maria,/
Mãe da Igreja (fórmula de um enjolrras [novato] de Niterói, eremita no São Bento)/ rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte, e também na hora da Bagarre, oh minha Mãe. Amén.
Esta oração apareceu depois na França.
Que eu saiba, no Brasil, rezavam-na os eremitas Walmir Bertoletti, Marco Antonio Boldrini, Ricardo Gaspar, o rapaz de Niterói, e eu mesmo a rezei algumas vezes.
Quando tive que datilografar a maior parte do Imbroglio da TFP ao Rapport Francês, fiquei escandalizado e chocado com a negativa categórica de dr. Plínio de um fato que existira realmente. Falei sobre isso com o sr. Caio Vidigal Xavier da Silveira que me disse: “Como estávamos em luta com os inimigos da Igreja, era legítimo negar o fato”.
“São Paulo, 13 de Julho de 1987
Assinado Dorival José Pereira
[Trinta anos depois, em 2009, tivemos ocasião de ler, num foro de ex tefepistas argentinos, um depoimento de um ex eremita de Scognamiglio, comprovando que a Ave Lucília existia mesmo , que era conhecida e rezada pelos eremitas dirigidos por João Scognamiglio Clá Dias:
Acusaciones del Prof. Fedeli  (OF)
OF intercambió misivas con el DP [Dr. Plínio] sobre cosas q[eu] ocurrían en el grupo.  Una de ellas era la devoción a Dona Lucíla (señora contra quien no tengo absolutamente nada).  El DP hizo hacer una investigación e hizo una reunión solemne en el mismo SB [êremo de São Bento], según dijeron, en el último piso del predio nuevo (yo era camaldulense, no estuve en la reunión, pero oí las cintas donde el DP narra esto a los de la Pará, Martin y O.I.  [grupos da Rua Pará, da Rua Martim Francisco, e da Ordem Imediata]). Hizo hacer un juramento solemne a los eremitas allí presentes, q declararan sub grave, es decir, bajo pena de pecado mortal, si habían realizado algún culto a la Sra. Da Lucilia o si sabían de la existencia del mismo en aquél ámbito.  Todos dijeron –bajo juramento – que no había habido el tal culto.
Al salir de la reunión, Fernando A.[ Fernado Antunes, secretário de Dr.Plínio], que empujaba la silla [cadeira de rodas de dr. Plínio], comentó medio en chiste: “Acho que varios aquí vao ter q ver o sr. Cônego (José Luis) hoje”. (1 testigo ocular me lo contó y después FA [ Fernando Antunes] me lo confirmó en Amparo)
(Testemunho de Júlio Lopes de Tejada, no foro de ex tefepistas mantido por Alfonso Becar Varella, em 22/Oct/2009 14:56 GMT:
[Como explicar tanta falta de veracidade de Dr.Plínio e dos eremitas da TFP, até jurando, e sub grave?
Pois se não seremos julgados pela “Tabela dos dez mandamentos”, e se a “Inocência primeva não se perde nem sob um mar de pecados”, então, pode-se mentir e jurar à vontade,... se for “para o bem da causa”.Sendo pelo bem da causa de Nossa Senhora, isto é, “se for por Dr. Plínio”, podia-se mentir à vontade].
Foi com essa veracidade que foi escrita a auto biografia de Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, o promotor do culto patológico a Dr.Plínio e a Dona Lucília. É assim que ele, como prometeu, está enganando, “passando uma rasteira nos Cardeais da estrutura”. Isto é enganando a Santa Sé, e querendo enganar  a própria Igreja.
Pois foi nos quarenta anos surrupiados escandalosamente de sua autobiografia de Superior dos Arautos que ele insuflava fazer ladainhas e paródias da Ave Maria para seus “santos”: Dr. Plínio e Dona Lucília].
a)                   – Histórico da questão, segundo se contava na TFP.
        Constava que, em 1977 (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, vol. I, pp. 239 e 242), quando se planejou a constituição do êremo Praesto Sum, dois postulantes a eremitas—Valmir Bertolletti e Nelson Tadeu Costa, antigos alunos nossos, desviados, como centenas de outros, pelo atual Monsenhor Scognamiglio para cultuar Dr. Plínio e sua mãe Dona Lucília--, fizeram uma ladaínha para Dona Lucília, pedindo-lhe que realmente se instituísse esse êremo. Eles teriam prometido que, se alcançassem essa graça, através de Dona Lucília, eles passariam a rezar diariamente, e por toda a vida, a ladaínha que eles mesmos teriam composto em sua homenagem e culto.
A graça rogada a Dona Lucília foi-lhes logo concedida por Dr. Plínio... Nada como ser parente de uma santa: o êremo do Praesto Sum foi logo erigido.
Para compor a ladaínha para Dona Lucília, os dois “agraciados” juntamente com D. J. P., S. C., e outros se reuniram e foram “jogando frutas no tacho”. Isto é, foram compondo as jaculatórias à medida que se inspiravam...nos textos do MNF, que João Scognamiglio ia lhes expondo. E a cada aula, a inspiração deles aumentava, tanto que logo tiveram um tacho cheio de delírios. Exatamente na terminologia pliniana. As palavars de Scognamiglio no Jour le Jour do profeta foram-lhes bem inspiradoras.  E o livro Inocência Primeva explicita várias jaculatórias da ladainha de Dona Lucília, que associam essa senhora à geração dos flashes, e a apontam até, como Mãe da Trans Esfera.
Logo, quem fez realmente a ladainha de Dona Lucília foi foi quem explicou aos eremitas manobrados as conferências super discretas da Sempre Viva, explicando a alta metafísica pliniana sobre os flashes, os seres ab aeternos trans-esféricos, e como olhar os semáforos de São Paulo para se alçar até a Trans-Esfera pliniana.
Teria sido João Scognamiglio o inspirador da Ladaínha de Dona Lucília? Ou ele só substituiu Dr. Plínio na inspiração aos eremitas que a “compuseram”?
Claro que o mais provável foi que Dr.Plínio mandou que Scognamiglio sugerisse aos eremitas que fizessem a Ladaínha de Dona Lucilia. Esse tipo de manobra era a que Dr. Plínio chamava de “manoelização”, isto é, usar alguém para fazer o que se desejava que fosse feito, ficando a responsabilidade nas costas de outro.
Em quarenta surrupiados anos, Scognamiglio fez tanta coisa...
Até curso de Direito ele teria feito. E estudado Direito Canônico e Moral...
Direito... Justiça... Moral...
Coisas com que, nos tais quarenta surrupiados anos de sua auto biografia, ele nunca se importou...
Depois...
Depois, ficou rico.
Riquíssimo.
Pois fez voto de pobreza.
Dextera eorum repleta est muneribus...
Dr. Plínio não só inspirou intelectualmente a ladaínha de Dona Lucília mas até deu o exemplo que impulsionou  a fazê-la, pois as palavras convencem, mas os exemplos arrastam. Se Dr. Plínio era visto rezando para a foto dela e fazendo paródias de jaculatórias de Nossa Senhora para a sua própria mãe, Lucília, como estranhar que seus discípulos o seguissem nesse culto delirante.
O quilate dessas “piedosas” jaculatórias Átila o deixa entrever ao escrever: “(...) nem sempre as fórmulas de invocaçáo foram felizes ou adequadas, razão pela qual nos casos pertinentes, o senhor as desaconselhou ou proibiu” (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, vol. I, p. 242).
Eis a confissão de que Dr. Plínio aprovou então as jaculatórias que ele julgou “adequadas e felizes”.
Fora no final de 1977, que dois eremitas brasileiros montaram a ladaínha com a colaboração de outros. É o que diz Átila (Cfr.Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, vol. I, p. 239 e 242).
Atila diz que encontrou uma cópia dela em princípios de 1978 (Cfr. Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, vol. I, p. 243). E na página 243 desse mesmo livro, ele diz que a ladainha continuava a ser rezada pelos eremitas em Julho e Agosto de 1979.
Em Setembro de 1979, Átila diz que apresentou a ladainha a Dr. Plínio, que a proibiu então em 25 de Novembro de 1979 (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, vol. I, p. 244).
Como, então, depois que os tefepistas juraram que a ladainha não existia, e que não havia culto a Dona Lucília?
Como  Dr. Plínio garantiu que não havia atos de culto a Dona Lucília?
E Dr.Plínio garantiu isso no livro Imbroglio publicado no primeiro trimestre de 1980 (Imbroglio, Detraction, Delire, editado e impresso palea Association Française pour la Defense  de la Tradition, Famille Propriété, Asnières, 1er trimestre de 1980, p. 298).
Constituído o êremo do Praesto Sum, a Ladainha de Dona Lucília se difundiu entre seus moradores e seus frequentadores, e depois se espalhou por todo o grupo, como confessa Átila.
Foi um sucesso.
Mas de publicação “restrita”... aos iniciados.
Parâmica...
Temia-se a “máfia”  -- o grupo dos murmuradores e opositores ao espírito pliniano—isto é os fedelianos, a “inimica vis”, com diziam, os “fumaças”...
Por isso, quando os eremitas saiam dos êremos, por ordem da Comissão São Pio V dirigida por Átila,  eram obrigados a deixar, na portaria do êremo, as cópias dessa Ladainha, eles que juraram não haver atos de culto a Dona Lucilia.
O bibelótico Átila  - ele se vestia e andava aristocrático como um bibelot do século XVIII,  e lia encantado os Miseráveis de Vitor Hugo—escreveu  “le plus sérieux du monde”, isto é, com a maior cara de pau, que “Tudo se passou sem conhecimento nem estímulo de qualquer pessoa com cargo de direção na TFP” (Átila Sinke Guimarães, Refutação a Uma Investida Frustra, vol. I, p. 243).
Scognamiglio não tinha cargos de direção na TFP.  Ele dirigia os êremos e a iniciação na Sempre Viva. Átila não mentiu. Omintiu. Era assim que a restrição mental era particada na TFP, “locus” sociológico civil  da invisível “Familia de Almas” que era a Sempre Viva.
As “pessoas com cargo de direção na TFP” só ficavam sabendo o que se fazia de errado, lá dentro, depois que os fatos ficavam sendo conhecidos, aqui fora...
Diz Átila que foi só
(...) em princípios de 1979 que encontrei um papel com essa ladaínha e vivamente desagradado com a impropriedade de várias expressões, apresentei-a ao senhor [Dr. Plínio]. O senhor imediatamente criticou as invocações mais disparatadas , e determinou que eu retirasse a ladainha—[ que não existia] – de circulação. Assim tomei as providências adequadas junto aos encarregados dos diversos grupos. (Átila Sinke Guimarães,Refutação a Uma Investida Frustra, vol. I, p. 243).
Só que...
Só que o próprio Átila conta que...
Ao senhor João Clá — é o Scognamiglio – mais especialmente incumbido do êremo Praesto Sum,  o senhor [Dr. Plínio] devolveu a ladainha, dizendo que, por ora, para não contundir o entusiasmo dos fogosos, mas irrefletidos jovens que a haviam composto, cancelassem as invocações mais extravagantes, que o resto o senhor  estudaria depois. A multidão de ocupações em que o senhor estava o fez esquecer o assunto. (Átila Sinke Guimarães,Refutação a Uma Investida Frustra, vol. I, p. 243. O destaque é nosso).
E a Ladainha proibida, estudada e esquecida, vicejou. Mas Dr. Plínio poderia jurar sobre os Evangelhos que proibira a Ladainha de Dona Lucília.
Sincero, não?
Cômodo e astuto, não?
Mas serpentinamente execrável.
Desse modo, Scognamiglio pode dizer no Praesto Sum que a Ladainha de Dona Lucília fora corrigida e aprovada por Dr. Plínio.
Quando em fins de 1979 apresentamos a Dr. Plínio um relatório delatando o culto a Dona Lucília e inclusive denunciando a Ladainha de Dona Lucília, Dr. Plínio negou que a conhecia. E ele já a conhecia. Negou que a corrigira. Negou que a permitira. Negou tudo isso diante de quatro testemunhas.
    Ele criticou, diante de nós e de mais três alunos nossos, a Ladaínha de Dona Lucília,  e proibiu tê-la.     Proibiu tê-la...
Quem a soubesse de cor...
Enérgico, Scognamiglio vociferou no êremo:
“Se alguém tiver essa ladaínha e não a devolver em vinte e quatro horas, será considerado um traidor”.
Todos entenderam que tinha vinte e quatro horas para decorar a Ladaínha de Dona Lucília.
Engenhosos, não?
Já Dante, na Divina Comedia, atribui à Fraude um rosto sereno e sério. E tivemos provas de que a ladaínha continuou a ser rezada por toda a parte na TFP. E finalmente Scognamiglio viajou à Espanha e conseguiu a aprovação parcial da ladainha por meio de pareceres de famosos teólogos, moralistas e canonistas. Foi com eles que Scognamiglio aprendeu Moral e Direito. Está na auto biografia dele. Eis a Ladaínha de Dona Lucília aprovada – com algumas leves restriçoes por Padre Victorino Rodriguez, após visita de Scognamiglio a ele:
 
- DOCUMENTO  I – Carta de Orlando Fedeli a Dom Mayer
                                                           São Paulo, 26 de Outubro de 1983.
            Excia. Revma.
D. Antônio de Castro Mayer,
                                               Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
                Quero lhe apresentar uma ladainha feita na TFP para Dona Lucília Corrêa de Oliveira, a fim de pedir-lhe sua opinião a respeito dela.
c)                   -Ladainha de Dona Lucília
        Kyrie, eleison.
        Christe eleison.
        Kyrie, eleison.
        Christe, audi nos
        Christe, exaudi nos.
Pater de coelis, Deus, miserere nobis.
Filii Redemptor mundi, Deus, miserere nobis.
Spiritu Sancte, Deus, miserere nobis.
Sancta Trinitas , unus Deus, miserere nobis.
Dona Lucília, rogai por nós.
Manguinha , rogai por nós.
Mãe do Senhor Doutor Plínio, rogai por nós.
Mãe do Doutor da Igreja, rogai por nós.
Mãe de nosso Pai, rogai por nós.
Mãe do Inefável, rogai por nós.
Mãe de todos nós, rogai por nós.
Mãe dos Séculos futuros, rogai por nós.
Mãe do Princípio axiológico, rogai por nós.
Mãe do Temperamento de Síntese, rogai por nós.
Mãe de toda a pureza, rogai por nós.
Mãe da Trans-esfera, rogai por nós.
Mãe da Seriedade, rogai por nós.
Mãe da Contra-Revolução, rogai por nós.
Restauradora dos temperamentos, rogai por nós.
Fonte de luz, rogai por nós.
Geradora da Inocência, rogai por nós.
Conservadora da Inocência, rogai por nós.
Consoladora do Senhor Doutor Plínio, rogai por nós.
Mediadora do Grand Retour, rogai por nós.
Mediadora de todas as nossas graças, rogai por nós.
Aurora do Reino de Maria, rogai por nós.
Dona Lucila do Sorriso, rogai por nós.
Dona Lucília dos Flashes, rogai por nós.
Flor mais bela entre todas, rogai por nós.
Refugium nostrum, rogai por nós.
Consolatrix nostra, rogai por nós.
Auxilium nostrum na Bagarre, rogai por nós.
Causa de nossa perseverança, rogai por nós.
Vaso de lógica, rogai por nós.
Vaso de Metafísica, rogai por nós.
Mártir do isolamento, rogai por nós.
Rainha do sofrimento sereno, rogai por nós.
Rainha do jeitinho, rogai por nós.
Rainha da serenidade, rogai por nós.
Dona Lucília, mãe e senhora nossa, ajudai-nos.
*Dona Lucília, nossa maior medianeira ante Nossa Senhora, ajudai-nos.
*: (Jaculatória acrescentada após as denúncias contra a ladainha).
--Rogai por nós, ó Mãe do Doutor da Igreja.
-- Para que sejamos dignos das promessas do senhor Doutor Plínio.
Memorare
Lembrai-vos, ó piíssima Dona Lucília, que nunca se ouviu dizer,etc.
--X—
Pergunto a Vossa Excia.:
1-       Essas orações são lícitas ou contrariam o código de Direito canônico ?
2-       Elas estão de acordo com a doutrina da Igreja?
3-        Podem-se atribuir títulos exclusivos de Nossa Senhora a qualquer pessoa ?
4-        - Isso está de acordo com a prática e o espírito da Igreja ?
Pedindo seu autorizado parecer, despeço-me rogando-lhe a sua bênção. Orlando Fedeli
d)                   - DOCUMENTO II--Resposta de Dom Mayer
“Sobre a Ladainha acima, de Dona Lucília, devo dizer:
1- Jamais soube de sua existência. Só agora tomei dela conhecimento, e mesmo assim, indiretamente.
2- Considerada em si mesma, ela desconhece várias determinações da Santa igreja, contém erros contra a Fé; envolve, em conseqüência, graves conseqüências negativas para a piedade dos que dela se utilizam habitualmente.
a.       ela constitui um pio exercício de culto a pessoa nem canonizada, nem beatificada, condições que devem ser tomadas em consideração mesmo em exercício de culto privado;
b.       Atinge a blasfêmia, uma vez que atribui a outrem invocações com que a santa Igreja engloba  prerrogativas para destacar a excelência do culto singular da santidade da Mãe de Deus;
c.        Várias das invocações envolvem graves erros contra a Fé. Assim chamar a Dona Lucília a fonte da Luz (a luz por excelência é Deus Nosso Senhor), Medianeira de todas as nossas graças, e outras. – o mesmo se diga das prerrogativas atribuídas ao correlativo dessas invocações, como “inefável”( só Deus); Doutor da igreja( como se fora “o” Doutor da igreja.
d.       É prejudicial aos que dela fazem uso, sobretudo habitual, pois, insensivelmente vão deformando conceitos próprios de verdades da Fé, como a onímoda transcendência de Deus, estrutura da Santa Igreja, lugar único de Maria Santíssima no plano da redenção, etc.
Respondendo às perguntas finais:
À 1ª. A ladainha não é lícita, contraria o Direito canônico;
À 2ª., não;
À 3ª., não;
À 4ª., não.
Campos, 4 de Novembro de 1983, São Carlos Borromeu, Doutor da Igreja.
Antonio de Castro Mayer, Bispo.
Segue-se à assinatura  o seguinte texto manuscrito:
Documentação canônica que cauciona minhas observações:
a.       advertência geral, cânon 1261, § 1º.
b.       ladainhas precisam de aprovação mesmo para culto privado: cânon 1259, § 2º, ver comentário da BAC.
c.        Culto só a pessoas canonizadas ou beatificadas: cânones 1255 a 1256.
d.       Perigo aos fiéis: cânon 1261, § 1º. In fine.
Dispensamo-nos, para ganhar espaço e tempo, de analisar essa loucura, que a TFP defendeu com unhas e dentes, e para a qual conseguiu pareceres favoráveis de Padre Victorino Rodrigues O.P. e que não encontrou na defesa da ladainha feita pela TFP “nenhum erro teológico moral ou canônico”  (Átila Sinke Guimarães,Refutação a Uma Investida Frustra, vol. I, p. 394 e p. 396).
A Ladainha de Dona Lucília, por si mesma, aos olhos de qualquer pessoa de bom senso, é escandalosa. E então fica a pergunta: como uma oração tão esdrúxula obteve um parecer não condenatório de um frade de notável saber?
Scognamiglio sabe explicar como conseguiu isso. E o terá que explicar esse escândalo diante de Deus.
        E più non dico... 
 
 
 
Assim, cremos ter provado:
 1. Que havia na TFP um culto para Dr. Plínio difundido por João Scognamiglio Clá Dias, o escravo Plínio Fernando, hoje padre, Cônego de Santa maria Maior,  condecorado e doutorado summa cum laude... pelo Angelicum;
 2. Que as teses desse culto são delirantes;
3. Que várias manifestações deste culto são ridículas e fanáticas;  4. Que o próprio Dr. Plínio patrocinou seu culto, e o fez organizar e difundir por meio de João Scognamiglio Clá Dias.
É claro que esse culto continuou a existir secretamente entre os Arautos do Evangelho, que durante anos negaram saber quem era Dr. Plínio e o que era a TFP, os Arautos que são a casca canônica por trás da qual se esconde a serpente da Sempre Viva.
Resta saber se esse culto, que a TFP disse ser  legítimo, deve ou não ser condenado pela Igreja, visto que pelo bom senso, ele é, além de herético, sem dúvida, psicopático.
 Com a palavra os teólogos e canonistas.
E mais ainda os psiquiatras.
 Que hoje infelizmente, são menos tortuosos e suspeitos do que certos teólogos.
 E, se esse culto é ilegítimo e delirante, se as doutirnas de Plínio que o fundamentaram são gnósticas, aberrantes, raiando o patológico, como o hoje  riquíssimo e louvadíssimo Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias goza de tantas honras eclesiásticas?
Que a Santa Sé se pronuncie.
 
 
 
 
TRADIÇÃO - FAMILIA - PROPRIEDADE
São Paulo, Domingo de Ramos, 2004.
Excelentíssimo Senhor
Dom Lorenzo Baldisseri
DD. Núncio Apostólico no Brasil
Brasília DF
COPIA
Excelência Reverendíssima,
Tomo a liberdade de escrever a V. Excia. em nome dos sócios fundadores e membros do Conselho Nacional da SOCIEDADE BRASILEIRA DE DEFESA DA TRADIÇÃO, FAMÍLIA E PROPRIEDADE - TFP, dos quais tenho a honra de fazer parte.
Atingidos pelos efeitos de desconcertante decisão judicial que determinou a substituição da diretoria da TFP por outra, eleita em assembleia absolutamente irregular promovida por um grupo de sócios efetivos dissidentes, hoje dirigentes ou membros da associação internacional de fieis Arautos do Evangelho , viemos colocar V. Excia. a par de fatos que supõem desconhecidos dessa Nunciatura Apostólica e dos Dicastérios Romanos que têm a seu cargo velar pelo adequado comportamento das associações de fiéis.
Até o presente momento, vínhamos preferindo manter-nos silenciosos a respeito de tais fatos, na esperança de que certos comportamentos pouco condizentes com a condição de católicos, sobretudo quando pertencentes a uma associação internacional de fieis de direito pontifício, viriam a ser corrigidos por membros do Clero brasileiro e da Cúria Romana com os quais entraram em estreito relacionamento.
Transcorrido um tempo largamente suficiente para que não se possa deduzir um propósito revanchista de nossa parte, pela presente pedimos vênia para abrir nosso coração a V. Excia. enquanto representante de S. S. João Paulo II no Brasil.
Com efeito, nossa associação que, em mais de quarenta anos de luta tem prestado insignes serviços à causa da Civilização Cristã no Brasil, vem sendo alvo, há mais de seis anos, de uma ínexplicável operação difamatória empreendida por dirigentes e membros dos Arautos do Evangelho , por via sobretudo judicial, visando ostensivamente a demolição da TFP.
Para isso, não hesitam eles sequer em atacá-la pela grande imprensa, tirando até, para isso, largo proveito de seu reconhecimento pontificio como garantia de boa conduta e como meio de insinuar que seus superiores eclesiásticos de tutela, seja no Brasil, seja na Cúria Romana, respaldariam esses ataques gratuitos.
Desse modo, cada dia resulta mais dificil para a TFP brasileira impedir que milhares de seus simpatizantes fiquem com a dolorosa impressão de que altos Prelados estariam aprovando essa ação demolidora dos Arautos do Evangelho contra antigos irmãos de ideal que continuam a lutar, leal e denodadamente, em defesa dos princípios da Civilização Cristã.
Nada pleiteamos, aqui, pelo simples fato de terem os atuais dirigentes dos Arautos do Evangelho dissentido da direção da TFP brasileira após o falecimento do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira. Tampouco pretendemos julgar suas intenções, que só Deus conhece inteiramente.
Relevamos apenas que a agressividade fratricida dos Arautos do Evangelho contra a diretoria da TFP provém unicamente do fato que ela recusou mudar a orientação traçada à entidade por seu saudoso fundador há mais de quarenta anos.
Tendo por isso entrado em dissidência, em lugar de exercer aquilo que um juiz de São Paulo descreveu, em sua sentença. como "o sagrado direito de retirada", o Sr. João Clá Dias e demais dirigentes dos Arautos do Evangelho, optaram por uma surpreendente via conflitual.
Seria como se os capuchinhos ou os conventuais, depois de fundados, adotassem como uma de suas prioridades a destruição dos franciscanos. Ou como se a obra de Schönsttat, após ter sido reconhecida canonicamente, quisesse derrubar os Pallottinos.
Quando, na Santa Igreja, alguma nova instituição impôs a si mesma, como uma de suas finalidades, a destruição do tronco de onde proveio ? Não é isso particularmente chocante no atual Pontificado, cujo espírito tem sido caracterizado precisamente por uma paternal preocupação de acolher, na vida da Igreja, os novos carismas laicais com que o Espírito Santo tem favorecido a Santa Igreja ?
Esse espírito de abertura de S.S. João Paulo II tem, aliás, faltado no procedimento dos dirigentes dos Arautos do Evangelho para com a TFP.
V. Excia. pode facilmente constata-lo pela simples enumeração da verdadeira Via Sacra judiciária que nossa entidade vem sendo obrigada a percorrer nos últimos anos por causa das ações judiciais movidas por dirigentes e pessoas ligadas aos Arautos do Evangelho :
1. Processo na 3ª Vara Cível de São Paulo, destinado a obter uma série de medidas que resultariam no controle judiciário da entidade, assim como a modificação de seus estatutos; tal modificação visa obter o direito de voto de todas as categorias de sócios nas assembléias gerais, o que, pensam eles, lhes daria maioria para controlar a associação.
2. Uma centena de processos trabalhistas nos quais pedem indenizações milionárias - que levariam a TFP à falência - pelos anos que colaboraram com as atividades societárias, segundo eles não como voluntários, mas como meros funcionários ligados por vínculo empregatício. Tendo eles, no processo cível acima mencionado, alegado o contrário - ou seja, que mereciam direito de voto nas assembléias da entidade precisamente por terem colaborado como voluntários denodados - foi facílimo à TFP ganhar a quase totalidade desses processos apenas mostrando a incongruência e a má-fé de tal procedimento.
3. Denúncia reiterada em juízo, opportune et inopportune, contra a direção da TFP por suposta dilapidação do patrimônio social. Na verdade, foram os atuais dirigentes e membros dos Arautos do Evangelho que provocaram o déficit de mais de R$ 6.000.000 nas contas da TFP, por eles propalado. Com efeito, mais de setecentas cartas comprovam que, entre julho e outubro de 1998, milhares de doadores da TFP foram visitados pelos atuais membros dos Arautos do Evangelho e induzidos - na base de calúnias do mais baixo soez contra nossos diretores – a suspender sua colaboração para a TFP, de preferência transferindo seus donativos para a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, por eles criada. Essa operação provocou cortes de donativos mensais implicando prejuízo acumulado, até hoje, de mais de R$10.000.000,00 na receita da entidade.
4. Registro sub-reptício na Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Perú e Uruguay, de nomes, marcas e símbolos que pertencem, por direito, à TFP brasileira (notadamente o lema, a sigla TFP e o símbolo do leão rompante), pois que por ela usados há mais de quarenta anos. Tais registros foram efetuados com o evidente intuito de impedir seu uso pelos sócios e cooperadores fiéis aos tradicionais objetivos das respectivas TFPs, já que, após fazerem tais registros, seus atuais proprietários jamais deles se serviram.
5. Registro fraudulento, feito pelo Sr. João Clá Dias em nome próprio, de pretensa autoria do desenho do hábito de gala idealizado pelo Prof. Plínio Corrêa de Oliveira e confeccionado sob sua direta orientação, hoje usado indevidamente pelos Arautos do Evangelho - com pequenas modificações - em suas aparições públicas. Há processos correndo, a esse propósito, no Brasil, no Equador e nos Estados Unidos. Contrariando a verdade mais elementar e suas próprias palavras em várias palestras (há fitas em nosso poder, à disposição da justiça), o Presidente Internacional dos Arautos do Evangelho e vários de seus membros têm prestado a respeito falsos testemunhos diante da justiça e de órgãos de registro de marcas.
6. Processo civil movido por hoje importantes próceres dos Arautos do Evangelho para impedir a distribuição de algumas dezenas de milhares exemplares de separata da revista Catolicismo contendo o relato das aparições a Santa Catarina Labouré, sob pretexto de pretensos direitos autorais sobre a obra, com pedido indenizatório. Comprovada a falsidade das alegações dos autores do processo, foram suas pretensões inadmitidas pela justiça.
7. Queixa-crime contra dois diretores e dois beneméritos sócios da TFP brasileira por suposto desvio de donativos recebidos pela entidade em benefício pessoal, do qual serão fornecidos detalhes mais adiante.
8. Denúncia caluniosa por suposta publicidade fraudulenta feita a organismo de defesa dos consumidores (PROCON).
9. Queixa-Crime movida pelo Sr. João Clá Dias contra diretor da TFP por pretenso crime de calúnia.
10. Representação criminal contra S.A.I.R. o Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança por imaginária tentativa de "atropelamento" de mulher ligada aos Arautos do Evangelho .
11. Falsa e descabida denúncia à policia de que um atual membro dos Arautos do Evangelho estaria seqüestrado numa das mais importantes sedes da TFP em São Paulo, provocando a invasão da mesma por policiais armados, até mesmo de metralhadoras. O suposto seqüestrado sequer encontrava-se dentro da sede, pois dela se ausentara, como fazia todos os dias.
12. Três processos cíveis que, para além da repercussão financeira, revelam a singular falta de escrúpulos do Sr. João Clá Dias e seus colaboradores. Neles, cobram da TFP o pagamento de aluguéis relativos a período em que os imóveis em questão - dois deles constituem a sede central dos Arautos do Evangelho e pertencem a dirigentes ou amigos dessa instituição - estavam sendo ocupados pelos próprios dissidentes, como já foi formalmente reconhecido em ao menos um desses processos.
O verdadeiro intuito dessas ofensivas judiciárias dos Arautos do Evangelho contra a nossa entidade não escapou ao tino do juiz que presidiu a apuração do pretenso desvio de fundos atribuído a dois diretores da TFP brasileira em queixa-crime apresentada pelo Sr. José Maria de Aquino, Coordenador Geral das campanhas da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima.
Trechos relevantes da respectiva sentença merecem ser transcritos. Para serem devidamente avaliados, contudo, convém conhecer, ainda que sumariamente, as circunstancias do caso.
Até alguns anos atrás, a precariedade das leis que regulavam o funcionamento das associações sem fins lucrativos não permitia que uma entidade como a TFP fornecesse a seus cooperadores voluntários mais do que uma pequena bolsa de sustento, que não cobria qualquer gasto extra (uma enfermidade ou hospitalização, a substituição de um terno rasgado num tombo na rua, alguma necessidade de ordem familiar, como a de uma mãe doente, etc.). Para enfrentar situações desse gênero, foi pedido a certos doadores mais próximos da entidade -- um dos quais o próprio Sr. Aquino - que passassem a dirigir seus donativos, não para a pessoa jurídica TFP, mas sim para uma conta destinada a atender a tais necessidades, aberta originariamente em nome de Dom Antonio de Castro Mayer e, após sua ruptura com a TFP, em nome do Pe. Antonio Paula da Silva, então amigo de nossa entidade e hoje ligado aos Arautos do Evangelho . Essa Caixa das Aflições, como era conhecida, constituía-se, assim, num verdadeiro caixa de socorro da "TFP Família de Almas", entidade de fato que reunia os voluntários colaboradores da entidade a tempo integral, a respectiva administração sendo feita por um diretor, conhecedor das necessidades de seus membros, o Dr. Eduardo de Barros Brotero.
Alegando nunca ter doado para tal caixa de socorro, mas sim para a TFP pessoa jurídica - o que, diga-se de passagem, foi incapaz de provar em juízo - o Sr. Aquino apresentou queixa-crime contra dois diretores e dois sócios da TFP.
O Sr. Aquino foi ainda mais longe: como seria difícil explicar a denúncia contra membros da TFP, simples procuradores do Pe. Antonio Paula, e não contra ele mesmo, titular da conta bancária em cuja movimentação teria ocorrido o pretenso desvio, não hesitou o denunciante em incluir entre os denunciados o mencionado sacerdote; se bem que lhe tenha assegurado, como ficou demonstrado na instrução do processo, que contra ele não haveria, contudo, qualquer condenação.
Após mais de dois anos de exaustiva investigação e oitiva de numerosas testemunhas, o juiz exarou sentença da qual extraímos os seguintes trechos:
"Se se exprimir todo o conjunto probatório existente nestes autos, que demandou laudas e laudas de depoimentos judiciais, não se encontrará nada, absolutamente nada que comprometa quaisquer dos réus, mesmo o réu [padre] Antonio Paula, que foi "usado" pela dissidência da "TFP" [...]
"O que houve, o que há, visivelmente, é uma dissidência política no seio da "TFP", que gerou a presente farsa, farsa porque, em doze autos deste processo--crime, o que se constata, a olhos vistos, lamentável e tristemente, é uma sucessão de mentiras, algumas absurdas" [...]
"É dos autos, é da prova oral judicial, é da prova documental, que após [...] a morte do fundador da "[...] TFP", [...], muitos dos seus membros se tornaram dissidentes e nada obstante, formalmente, tivessem continuado como membros da "TFP", na prática, passaram a agir contrariamente aos interesses da própria "TFP" [...] com uma gama sem igual de ações judiciais - trabalhistas, cíveis e criminais - que intentaram, ao longo de tempo, ou contra a própria "[...] TFP" ou contra alguns dos seus membros mais proeminentes, ficando claro, nas entrelinhas, que o que se objetivava, com o uso do Poder Judiciário, era levar a "TFP" às barras dos Tribunais, por extensão, obter espaço na mídia, por fim último, desmoralizar, quando não, menoscabar a honra dos membros da "TFP", atingindo, em última análise, a própria "[...] TFP". [grifos nossos].
Após mostrar o caráter escandaloso do fato dos dirigentes dos Arautos do Evangelho terem "usado" o Pe. Antonio Paula para atingir os dirigentes da TFP, protesta o juiz contra o fato de um sacerdote prestar-se a esse jogo e "ser conivente com esse tipo de coisa, para os católicos apostólicos romanos, pecando, pecando de modo assombroso e participando da presente fraude processual".
Motivo pelo qual, o juiz não somente absolveu os dirigentes da TFP réus no processo das imputações penais que lhes foram feitas, mas enviou os autos ao Ministério Público para, eventualmente, processar o Sr. José Maria de Aquino, pois "não se pode descartar por parte da testemunha José Maria, arrolada pela acusação, a prática, em tese, do crime previsto no art. 339 do Código Penal, denunciação caluniosa".
Quando o processo estava em curso, e ainda que cientes do caráter calunioso dessas denúncias, não hesitaram os membros dos Arautos do Evangelho em difamar publicamente os referidos diretores da TFP.
Num panfleto distribuído nas ruas de Campos RJ, datado de 9 de janeiro de 2002 - no qual, aliás, escondem a própria face, já que o assina apenas um de seus dirigentes locais, Sr. Hailton Ferreira da Silva -, publicam uma foto do Dr. Plínio Vidigal Xavier da Silveira com a legenda "Diretor da TFP, processado por apropriação indébita", e outra do Dr. Eduardo de Barros Brotero com a legenda "Presidente em exercício da TFP, processado por apropriação indébita".
E mais. Esse mesmo panfleto estampa duas fotos do Sr. João Clá Dias aos pés de João Paulo II, e outras duas que mostram membros dos Arautos do Evangelho na Basílica de São Pedro e em Santa Maria Maior, abusando assim de sua condição de associação internacional de fieis para achacar a TFP e seus diretores.
Esse nos parece ser o aspecto mais perturbador do modo de proceder de atuais dirigentes e membros dos Arautos do Evangelho e, em particular, do Presidente Internacional, Sr. João Clá Dias: uma singular falta de escrúpulos para, sem pudor, mentir, até na imprensa e diante dos tribunais, na medida em que isso possa ser útil para atingir seus objetivos; como se o fim justificasse o emprego de qualquer meio.
Mesmo com o risco de cansar V. Excia. com o que poderá parecer uma interminável ladainha de lamentações, pedimos vênia para relatar alguns outros fatos que comprovam essa triste realidade:
Alguns hoje membros dos Arautos do Evangelho, quando ainda faziam parte da TFP e detinham funções no setor financeiro e contábil da associação, efetuaram, em total desrespeito das regras e procedimentos de controle interno, o pagamento de R$112.500,00 (cerca de US$130.000,00 dólares, na época), a título de honorários advocatícios, a profissional absolutamente desconhecido da TFP. Coincidentemente, o pagamento da primeira das três parcelas que perfizeram tal montante foi efetuado cinco dias antes do ajuizamento da ação judicial por meio da qual vêm pretendendo assumir o controle da entidade; as outras duas, 30 e 60 dias depois...
 Quando os dirigentes dos Arautos do Evangelho ainda faziam parte dos quadros da TFP mas já tinham, à sorrelfa, criado a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima (organismo que os sustenta financeiramente), apropriaram-se eles de um fichário de perto de dois milhões de nomes de simpatizantes e contribuintes da TFP brasileira, e deles fizeram largo uso em seu beneficio e em prejuízo da TFP.
 O mesmo ocorreu com a TFP francesa: membros dos Arautos apropriaram-se de seu fichário e o utilizaram fraudulentamente para visitar aderentes da TFP com a finalidade de a denegrir. Um pedido de busca e apreensão, concedido por um magistrado de Toulouse, permitiu que, em 12 de janeiro de 1999, uma intervenção policial na sede da associação local por eles fundada comprovasse a prática do referido delito.
Um espesso livro branco seria necessário para conter todo o volume de documentos em nosso poder que tristemente comprovam outras manobras do mesmo naipe: apropriação de bens alheios - incluída a subtração de objetos pessoais do apartamento do Prof. Plínio Corrèa de Oliveira, aproveitando encontrar-se ele agonizante no hospital ! -, espionagem por meios espúrios, concorrência desleal, sem falar da duplicidade em suas relações com as autoridades eclesiásticas.
A tudo isso se soma uma chocante brutalidade no trato com pessoas que ousem atravessar seu caminho e pôr obstáculos a seus desígnios.
Um exemplo eloqüente dessa brutalidade é a gravação magnética, em nosso poder, de uma mensagem deixada pelo Sr. João Clá Dias, no dia 15/10/96, na secretária eletrônica de um dirigente da TFP americana, após medida de cautela adotada pelos dirigentes desta última durante a derradeira visita do Sr. João Clá Dias àquela entidade: a proibição a meninos de tomarem atitudes de veneração em relação ao Sr. João Clá Dias que pudessem ser malevolamente interpretadas por terceiros como manifestações de excessiva familiaridade.
Nessa gravação, de onze minutos, ele prometia, aos berros, "virar a mesa e pôr fogo na casa" se os membros daquela TFP continuassem a criticar seus métodos de apostolado: "Quero tocar meu apostolado sem que ninguém me amole", dizia. Senão, "eu ponho a casa para baixo ! eu ponho fogo em tudo" (fita nos nossos arquivos).
Fato similar deu-se em duas longas conversas telefônicas, ambas em data de 28 de outubro de 1996, com o Sr. Fernando Antúnez Aldunate, antigo secretário do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, a respeito de desavenças do Sr. João Clá Dias com o Sr. Mario Navarro da Costa, diretor do bureau das TFPs em Washington. Depois de repetir mais de dez vezes a ameaça de "matá-lo a tiros" e depois ir "passar contente o resto de sua vida na cadeia", o Sr. João Clá Dias asseverava:
"Eu até já tenho plano na cabeça : eu pego um avião e lhe deixo uma bala no peito, e irei para a cadeia. Pelo menos, eu faço reunião para os presos. Ele que tenha o direito de discordar de mim que eu tenho o direito de meter uma bala no peito dele. [...] Eu queria nadar no sangue dele, isto sim !" (documento nos arquivos).
O conhecimento pelo público católico de um tal conjunto de atitudes contrárias à Moral e à ordem legal, certamente produziria enorme perplexidade no espírito dos fiéis. Sobretudo por envolver uma associação que goza de reconhecimento canônico e do beneplácito de diversas autoridades eclesiásticas.
Ademais, esse público não deixará de se perguntar a quem aproveita essa guerra de demolição de que é vítima a TFP. Pois sua virulência e amplitude são demasiadamente grandes para serem interpretadas como apenas uma revanche pessoal do Sr. João Clá Dias por não ter conseguido arrebatar, em 1997, o controle da TFP brasileira.
Quem se obstina a derrubar um porta-estandarte faz frente comum com os inimigos da causa que esse estandarte representa. E o público católico, com a sagacidade própria do brasileiro, dar-se-á conta de que os beneficiários da ofensiva anti-TFP dos Arautos do Evangelho serão setores ideológicos ligados à esquerda, desejosos de promover no Brasil a revolução social de estilo cubano desejada pelo MST e seus congêneres. Esquerda essa que goza do apoio de conhecidos setores eclesiásticos e de diversos prelados ainda saudosos da Teologia da Libertação e, por isso mesmo, acerbos inimigos da TFP.
Esse mesmo público não poderá deixar de se perguntar: Os dirigentes dos Arautos do Evangelho não estarão agindo, voluntária ou involuntariamente, como uma longa manus dessa ala progressista da Igreja brasileira que, há já cinqüenta anos, teima em agitar o campo a ferro, fogo e sangue e que, para ter as mãos livres, quer agora eliminar a TFP?
Essa pergunta tem todo cabimento, pois se for permitido à esquerda católica paralisar a TFP, uma singular novidade terá entrado no panorama religioso brasileiro : a ruptura do equilíbrio que a Santa Sé vem procurando manter, particularmente no atual Pontificado, entre setores progressistas e conservadores.
V. Excia. pode estar segura de que, mesmo nessas circunstâncias em que a TFP brasileira encontra-se atada à coluna da flagelação e recebe os açoites, não das mãos de inimigos inveterados mas de antigos companheiros de ideal, os Diretores-Conselheiros da TFP brasileira que represento, assim como seus sócios, cooperadores e centenas de milhares de correspondentes-esclarecedores e simpatizantes, continuarão a lutar sem hesitação em defesa da Civilização Cristã, sob o mesmo estandarte e com a mesma fidelidade à Santa Igreja que lhes deixou como legado seu ilustre fundador.
Auspice et afflante Beata Maria Virgine, não deixarão eles de amar, pensar e fazer, com os meios a seu dispor, exata e precisamente o que sempre amaram, pensaram e fizeram, particularmente nesta hora em que nosso amado Brasil atravessa um dos períodos mais críticos de sua história.
E não duvidamos que essa é também a resolução das demais associações autônomas que continuam fiéis à inspiração de Plínio Corrêa de Oliveira em mais vinte países.
Queira V. Excia nos conceder sua benção episcopal e aceitar nossos respeitosos cumprimentos pelo sucesso de sua delicada missão, representante que é do Vigário de Cristo em nossa querida terra brasileira.
In Jesu et Maria,
Plínio Vidigal Xavier da Silveira
 
 
 
 
Duvida: Caro sr. Fidelii.

 Peço apenas que não cite meu nome em hipotese alguma. o senhor sabe pq!
SS = Senhor Sacral, isto é, dr. Plínio.
SDP = Senhor Doutor Plínio
SDL = Senhora Dona Lucília
RCR= Revolução e Contra Revolução.
Ladainha do Sr. João Clá (Para recitação privada)

 João, o ilustre
 João, o arqui-eremita
 João de infatigável zêlo e de indestrutível amabilidade
 João, que tocou o olifant de uma Contra-Revolução interna
 João, dotado pela Providência de um carisma especial
 João das réplicas
 Modelo de entusiasmo
 Modelo de dedicação
 João que vai para frente onde percebe que SS está sofrendo
 João das boas surpresas
 João que fala com discernimento dos espíritos
 João que completa o SDP
 Incomparável João Clá
 Insubstituível Joäo Clá
 Infatigável João Clá
 Admirável João Clá
 Filho modelaríssimo do Senhor Doutor Plínio
 Cicerone do Senhor doutor Plínio
 Fator de união com o Senhor Doutor Plínio
 Instrumento abençoado do Senhor Dr. Plínio
 Bastão da velhice do Senhor Dr Plínio
 Causa de imensa alegria para o Senhor Dr Plínio
 João que encaminha os outros para o fundador
 João que tem carisma especial para transmitir o fundador
 Condestável do Senhor Dr. Plínio
 Cirineu de Seu Senhor Sacral
 General do Senhor Dr. Plínio
 Por quem o SDP agradece a Nossa Senhora por tê-lo posto nas falanges dEla,
ao alcance de seu afeto e de seu zelo, nós vos rogamos ouvi-nos!
 Crivado de antipatias por glorificar a SS
 Alter ego do SDP
 Auxiliar de ouro do SDP
 Herança da SDL deixada para o SDP
 Recompensa da SDL à dedicação de seu Filhão
 Filho especialmente querido pela SDL
 Joäo que obtém que o coração da SDL  toque o nosso
 Filho dileto da SDL
 Legado da SDL
 Orientador das almas
 Fundador da escola pliniana
 Inimigo dos inimigos de SS
 Modelo de humildade
 João que não bebeu a taça da carreirosa mundana
 João que aceitou seu sofrimento e valeu-lhe mais do que qualquer
apostolado
 Modelo de entusiasmo
 Modelo de afeto
 Modelo de amor
 Modelo de dedicação infatigável
 Observador atentíssimo das grandezas de SS
 Fator que evita ensabugamentos
 Joäo de admirável fervor
 Alegria de todos
 Jó que sofreu e foi provado
 Chama de fervor
 Fundador dos êremos
 Facho de luz do qual vive a TFP
 Exímio quebrador de friezas
 João de confiança excepcional
 João, fogoso, submisso e muito valente
 Homem do imprevisto
 Próto-apóstolo da RCR
 Mestre do apostolado
 Fonte de alegria
 Fonte de esperança
 Místico do SDP
 João de vocação especialíssima
 Torre de qualidades
 Grande inquisidor
 Enfant gatê de Providência
 Grande lutador do SDP
 Filho da fidelidade
 João que está confirmado na vocação
 Modelo de virtude
 Brilhante cruzado espanhol
 João que aceitou e padeceu aquilo que tinha de padecer sem uma queixa
 João que representa a fidelidade do SDP a ele mesmo
 Por quem o SDP agradece a Maria Santíssima todo o bem que ele fez à causa

 Non est inventus similis illi
 Homem do imprevisto
 Próto-apóstolo da RCR
 Mestre do apostolado
 Fonte de alegria
 Fonte de esperança

    Para citar este texto:
"No país das maravilhas: a Gnose burlesca da TFP e dos Arautos do Evangelho (Parte 6/8)"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/cadernos/religiao/pco-vi/
Online, 22/10/2017 às 02:38:24h