Política e Sociedade

Exposição "Queermuseu", a guilhotina armada pelo Banco Santander
Leonardo Manzini

     Recentemente, o Banco Santander, por meio do centro cultural que leva o seu nome – Santander Cultural, em Porto Alegre (RS) – chocou a sociedade com a exposição "Queermuseu".
     O nome Santander, possivelmente, deriva do nome do Apóstolo Santo André ou dos Santos Mártires Emetério e Celidônio, do século III. O Banco ergueu um império mundial a partir da terra de São Tiago Matamouros, da Espanha católica. Ignorando tudo isso, blasfemou contra Deus, Sua Igreja e Suas leis. Quando se trata de atacar a Deus para obter prestigio junto à sociedade, tudo é colocado de lado.

     “Queer”, em inglês, significa “estranho” mas, no mundo moderno – como aconteceu com muitas outras palavras, aliás – ganhou uma nova conotação, relativa a TUDO aquilo que diz respeito à bandeira LGBT. Usar palavras de modo polissêmico é um método que os inimigos da Igreja souberam desenvolver de forma muito eficiente. 
     Utilizando os sofismas do neologismo e a tirania do pensamento único de esquerda, a exposição em questão pretendia abordar o tema da “diversidade”. Qualquer oposição que se levante é apresentada como fruto de uma mentalidade ultrapassada, que visa reimplantar a censura no país. Se alguém não gostasse, não deveria comparecer, mas não se poderia pensar em proibir.
     As supostas “obras de arte” continham elementos relacionados à essência da fé católica, tais como a própria imagem de Nosso Senhor e o uso profano e blasfemo das hóstias que, após consagradas, se transubstanciam no próprio Corpo de Deus. Peço desculpas pela crueza mas, infelizmente, as descrições a seguir são necessárias para que se entenda a malícia e a blasfêmia desta exposição:
 
  • Utilizaram a imagem de Nosso Senhor Crucificado num amálgama com o demônio Shiva, cultuado no Hinduísmo - aquele que possui vários braços;
  • Colocaram imagens de Nosso Senhor segurando objetos de depravação sexual;
  • Escreveram em hóstias – Deus queira que não tenham sido antes consagradas! –  palavras de baixíssimo calão, nomes de órgãos sexuais masculinos e femininos.

     Ademais, ao longo da exposição foram colocados desenhos de crianças em poses sensualizadas e com legendas que reforçam a sensualidade. Dizer que se tratavam de desenhos imorais é muito pouco para expressar o horror destas imagens
     Além disso, houve relato de espaços destinados à experiência sensorial das crianças em relação aos próprios corpos e aos corpos umas das outras, o que é nitidamente uma incitação à pornografia e erotização infantis.
     Depois dos vídeos e fotografias expostas nas redes sociais, houve uma forte mobilização dos internautas – em especial católicos – contra as ditas “obras de arte”. Por conta disso, o Santander cancelou a exposição blasfema. Mas o estrago já tinha sido feito.
     Lamentavelmente, dentre aqueles que protestaram não estava a CNBB, a conhecida Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Em sua tradição recente, a CNBB tem se manifestado muito mais em favor da religião do homem que quer se fazer deus do que em favor da religião do Deus que se fez Homem. Assim, ela trata de questões de ecologia, da falta d´agua, dos índios, das minorias, das desigualdades sociais, dos problemas do capitalismo, da exploração da Amazônia, da liberdade de imprensa, e de tantas outras coisas que não lhe dizem respeito. Pelo bem do povo, alguns de seus membros chegaram até a permitir que a imagem de Nossa Senhora Aparecida fosse colocada no sambódromo. Mas sobre as ofensas que são feitas a Nosso Senhor e a sua Igreja, jamais um comentário. A CNBB se pronuncia em sentido exatamente contrário àquilo que pediu Nossa Senhora em Fátima aos três pastorzinhos: oração e penitência pela conversão dos pecadores e em desagravo às ofensas cometidas contra Deus.
 
     Teria sido uma grande oportunidade para a CNBB reparar um pouco de sua omissão na defesa da Igreja se se manifestasse de forma categórica contra esta blasfema exposição. Pelo menos a CNBB, tão legalista na defesa da ex-presidente Dilma, poderia ter ressaltado o ato criminoso, do ponto de vista legal, desta blasfema exposição, pois o Código Penal Brasileiro (Decreto-lei n. 2848 de 1940) enquadra essas condutas como criminosas. Vejamos:
“Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo
Art. 208 - Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Parágrafo único - Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência.

     Também em relação à exposição das fotos das crianças existem condenações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (artigos 240 e seguintes) que, pela extensão e complexidade, não são transcritos aqui.
     Ademais, defender as blasfêmias e crimes praticados naquela exposição pode ser enquadrado como Apologia de crime ou criminoso, no art. 287 do Código Penal, com pena de detenção, de três a seis meses, ou multa.
     Sem receio de sofrer uma punição jurídica, os autores da blasfêmia ignoraram o próprio Código de Ética da instituição financeira que, na página 17, coloca a sequência de perguntas que qualquer pessoa ligada ao Banco deve se fazer antes de tomar qualquer atitude: 
 
Minha decisão fere a reputação do banco com relação a clientes? (Pergunta 1)
Será que se essa decisão pudesse ser compartilhada na mesa de almoço de domingo com família e amigos, eles aprovariam? (Pergunta 2)
Será que, publicando esta decisão na primeira página do jornal de uma cidade, esta manchete seria bem aceita? (Pergunta 3)

(disponível: https://www.santander.com.br/document/wps/codigo_de_etica_PT.pdf)  

     Assim, diante de tantas evidencias do absurdo em que consistiu esta exposição, cabe a pergunta: na CNBB existe o receio de que a condenação seria vista como um ato contra a “liberdade de expressão”?
     Ora, é necessário ter presente que o cometimento de crimes sob o manto da “liberdade de expressão” é vil e desonesto. A “liberdade de expressão”, tal como a conhecemos hoje, é fruto da Revolução Francesa, que pregou a “Liberdade”, a “Igualdade” e a “Fraternidade”, tudo isto como um corolário da “liberdade de expressão”. O auge da “liberdade de expressão” foi o guilhotinamento do Rei Luís XVI, sem que ele tivesse cometido qualquer crime.
     A mentalidade da Revolução Francesa, sempre condenada pela Igreja através de inúmeros pronunciamentos dos Papas através das Encíclicas, produziu uma “Liberdade” concedida somente a quem pensa como aqueles que governam a imprensa, uma “Igualdade”, que coloca o crime com mais direitos do que a virtude e uma “Fraternidade” apenas para quem age contrariamente à lei de Deus, pois quem a quer fazer cumprir é declarado intolerante. Desta forma, o lema da Revolução Francesa consiste na negação da natureza e da ordem das coisas, pois tenta deslegitimar a autoridade de Deus, em prol da decisão da maioria e do que se chama de “bem comum”, seja lá o que se queira dizer com isso.
     Vivemos numa revolta da Cidade dos Homens contra a Cidade de Deus, como bem discorreu o saudoso professor Orlando Fedeli em seu texto “A Cidade do Homem contra a Cidade de Deus - As Revoluções da Modernidade".
     Com a desculpa da “liberdade de expressão”, a exposição Queermuseu faz parte de um processo de acostumar a sociedade a aceitar as ofensas a Deus pois, apesar de ser uma exposição ilegal, nenhuma punição jurídica lhe é imposta e as autoridades da Igreja Católica também não a condenam. Trata-se de um processo semelhante ao que está ocorrendo em relação à discussão sobre a descriminalização das drogas.
     Este processo se inicia com a “liberdade de expressão”, que consiste em permitir que o erro e o mal sejam difundidos, sem que se possa condená-los enquanto tal, e termina com a proibição da prática e defesa da moral católica e da lei natural, em nome da mesma liberdade de expressão. 
     A guilhotina para a moral e para a fé católica está sendo armada!
     A blasfema exposição do Banco Santander se encaixa em um contexto mais amplo de ataque à religião em nossa sociedade, a qual, paradoxalmente, prega que todas as religiões são iguais - heresia condenada por Pio IX no Syllabus; e que a moral é uma questão de foro interno - doutrina também condenada no Syllabus.
     Como falsa solução, é apresentada aos católicos uma direita política que, por se manifestar contra os aspectos econômicos do socialismo, acaba por atrair muitos simpatizantes. Entretanto, esta direita católica contém erros semelhantes, senão piores do que o socialismo.
     Neste sentido são esclarecedores os comentários do Padre Daniel Pinheiro, do Instituto do Bom Pastor - IBP:

“Muitos católicos se iludem com a direita por ser anti-esquerdista, anti-socialista e anti-comunista. E combatem um erro caindo em vários outros. Isso não pode ser feito. O bom para ser bom tem que ser integralmente bom. Bonum ex integra causa diz a boa filosofia de São Tomás de Aquino. O mal para ser mal basta que tenha um defeito.
Combater o socialismo com o liberalismo, ainda que seja somente econômico é um erro grave. O liberalismo é a independência com relação a Deus. O liberalismo econômico é a independência da economia com relação às leis morais e com relação a Deus. A finalidade última da economia no liberalismo econômico se torna o lucro sem subordinação alguma à finalidade última do homem: conhecer, amar e servir Deus. (Ver Encíclicas Rerum Novarum, Divini Rdemptoris, Quadragesimo Anno, Centesimus Annus)”

(https://missatridentinaembrasilia.org/2016/10/05/sermao-nem-direita-nem-esquerda-nem-centro-sejamos-catolicos/)

 

     Então qual o caminho a adotar, em nosso século tão corrompido?
     Nós sabemos que não vamos mudar o mundo, por isso mudemos a nós mesmos e a nossas famílias: sejamos bons católicos. Rezemos o Terço, compareçamos à Missa, exortemos à Verdade e à vida virtuosa e condenemos, sempre, tanto o mal quanto o mau. 

"Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, muitas vezes é classificado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar ‘aqui e além por qualquer vento de doutrina’, aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades." (Papa Bento XVI, Missa Pro Eligendo Pontifice, 2005).

     Que Deus nos ajude e Nossa Senhora nos proteja!

    Para citar este texto:
"Exposição "Queermuseu", a guilhotina armada pelo Banco Santander"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/queermuseu/
Online, 18/10/2017 às 03:45:34h