Igreja

Sínodo da Amazônia: Método Antigo Para a Implantação de Erros na Igreja
Alberto Zucchi
A divulgação do Instrumentum Laboris do sínodo para Amazônia provocou diversas e fortes reações contrárias ao texto apresentado. As duas mais importantes foram as dos Cardeais Brundmüller e Müller.

As manifestações dos Cardeais foram amplamente divulgadas e deixam claro que a aceitação das propostas da Instrumentum Laboris implica em um grave e profundo afastamento da doutrina da Igreja Católica.

Neste pequeno comentário julgamos oportuno destacar não estas questões doutrinárias, mas o método intelectual que é utilizado para a implantação dessas ideias erradas e mesmo heréticas.

Segundo os dois cardeais, o documento proposto para preparação da discussão do sínodo da Amazônia apresenta distorções de conceitos, ou seja, uma palavra é apresentada com um sentido diferente daquele em que o termo é utilizado para definir algo que é católico.

Assim, em seus comentários, o Cardeal Brandmüller alerta sobre a distorção do conceito de enculturação:  

“conceito de enculturação é pervertido no documento”, ao propor o oposto do que foi apresentado em 1988 pela Comissão Teológica Internacional e o que “já havia sido ensinado no Decreto Ad Gentes do Concílio Vaticano II sobre a atividade missionária da Igreja”. (https://www.acidigital.com/noticias/cardeal-brandmuller-critica-instrumnetum-laboris-de-sinodo-para-amazonia-69272)

Não entramos aqui sobre a adequação do termo enculturação que parece ser inadequado em qualquer sentido, apenas destacamos que o método utilizado por aqueles que pretendem distorcer a doutrina católica é empregar uma palavra em dois sentidos diversos, confundido assim os leitores e fazendo-os aceitar um conceito herético que não é o mesmo sentido original da palavra.

Por sua vez, o cardeal Muller é mais claro e se estende mais sobre essa distorção. Comentando sobre a palavra “sabedoria”, ele afirma que esse termo em Platão não pode ser utilizado como sendo uma revelação, e que as sementes do verbo (a tradução do artigo que citamos utiliza o termo sementes da palavra) existentes na filosofia grega não significa que a revelação existe em outras culturas. Vejamos: 

 “Eles tratam o nosso Credo como se fosse a nossa opinião europeia. Mas o Credo é a resposta iluminada pelo Espírito Santo à Revelação de Deus em Jesus Cristo, que vive na Igreja. Não há outros credos. Em vez disso, existem outras convicções filosóficas ou expressões mitológicas, mas ninguém jamais ousou dizer, por exemplo, que a Sabedoria de Platão é uma forma da revelação de Deus. Na criação do mundo, Deus manifesta apenas a Sua existência, o Seu ser um ponto de referência da consciência, do direito natural, mas não há nenhuma outra revelação fora de Jesus Cristo. O conceito de Lógos spermatikòs (as ‘sementes da Palavra’), adotado pelo Concílio Vaticano II, não significa que a Revelação em Jesus Cristo existe em todas as culturas independentemente de Jesus Cristo. Como se Jesus fosse apenas um desses elementos da Revelação.” (http://www.ihu.unisinos.br/590812-cardeal-mueller-documento-vaticano-sobre-a-amazonia-contem-heresia-e-estupidez-nao-tem-nada-a-ver-com-o-cristianismo)

Nesta mesma linha o cardeal Müller mostra como a ideia de se fazer a adoção da cultura indígena como foi feita com a cultura grega é um absurdo, mesmo porque há uma significativa diferença entre a religião católica e os princípios da cultura grega. 

Pergunta – Voltemos à inculturação: a partir do documento sinodal, entendemos que devemos adotar todas as crenças dos povos indígenas, seus rituais e seus costumes. Também se faz referência ao modo como o cristianismo primitivo se inculturou no mundo grego. E se diz que, assim como fizemos naquela época, devemos fazer hoje com o povo amazônico. 
 
Resposta: “Mas a Igreja Católica nunca aceitou os mitos gregos e romanos. Pelo contrário, rejeitou uma civilização que desprezava os homens com a escravidão, rejeitou a cultura imperialista de Roma ou a pederastia típica dos gregos. A referência da Igreja era ao pensamento da cultura grega, que chegara a reconhecer elementos que abriam o caminho para o cristianismo. Aristóteles não inventou as 10 categorias: elas já existem no ser, ele as descobriu. 

Assim como acontece na ciência moderna: não é algo que diga respeito apenas ao Ocidente, mas sim a descoberta de algumas estruturas e mecanismos que existem na natureza. O mesmo vale para o direito romano, que não é um sistema arbitrário qualquer. Em vez disso, é a descoberta de alguns princípios jurídicos, que os romanos encontraram na natureza de uma comunidade. Certamente, outras culturas não tiveram essa profundidade. Mas nós não vivemos na cultura grega, o cristianismo transformou totalmente a cultura grega e romana. Certos mitos pagãos podem ter uma dimensão pedagógica em relação ao cristianismo, mas não são elementos que fundaram o cristianismo.” (http://www.ihu.unisinos.br/590812-cardeal-mueller-documento-vaticano-sobre-a-amazonia-contem-heresia-e-estupidez-nao-tem-nada-a-ver-com-o-cristianismo) 

Esse  método de distorção da doutrina católica não é novo. Na introdução do Léxico sobre as questões relativas a família elaborado  pelo Conselho Pontifício para a Família, tal manobra é denunciada pelo Cardel Lopes Trojillo:

“Mediante uma linguagem ambígua que promove ideias e práticas, que contradizem o que significa a primeira vista. Se manipula e se camufla uma expressão para que penetre em todos os ambientes por meio dos poderosos meios de comunicação. Há uma separação cada vez maior entre o pensamento, a própria realidade e a palavra com que se expressa, a qual se converte em objeto de manipulação Para não ferir a sensibilidade se substituem expressões alternativas...” (Lexicon: termos ambiguos e discutidos sobre a família, vida e questões éticas, Cardeal Lopes Trujillo, p.13)

Tal procedimento para iludir os católicos não é privilégio da esquerda ecológica e ecumênica, ele também e utilizado pela direita mística e também ecumênica, como por exemplo, com o termo Filosofia Perene, mas este é um assunto para um próximo artigo.

    Para citar este texto:
"Sínodo da Amazônia: Método Antigo Para a Implantação de Erros na Igreja"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/sinodo_amazonia/
Online, 19/08/2019 às 17:42:38h