Igreja

Resposta a um imbróglio pliniêsco sobre Gnose, Fsspx e TFP
Eder Moreira
 

Informaram-me da resposta que os “tradicionais” tefepistas produziram, pretendendo rebater, com uma retórica de confete, meu artigo em defesa do professor Orlando Fedeli. Com a mesma “profundidade” do panfleto inaugural, a produção pró-sectária preservou – pliniescamente – a viciosa estrutura rasa e precipitada. A celeridade da resposta lembrou o serviço fast food – ou seria inteligência artificial?

Embora meu tempo esteja comprometido com a refutação dos erros do Olavo de Carvalho, sacrificarei – a contragosto – pelo menos alguns minutos para varrer a retórica de confete, que pretendeu nos dar uma aula de princípios metafísicos.

 

1. O Erro Teológico

De toda a lorota tefepista, rebuscada com relâmpagos de “tomismo”, comecemos pelo meu suposto “erro teológico”, segundo a sabedoria doutoresca:

“transformar opinião privada em critério dogmático. Citações de Meinvielle, Yates ou Pétrement não criam magistério”

https://www.instagram.com/p/DTtYceBgOoY/?img_index=3&igsh=MWQ1OWdqYnV0emtreg==

O “dotô” metafísico, que pretendeu corrigir um error in principio, cometeu um magnus error in principio.

O objeto da polêmica diz respeito à influência da gnose na história e no pensamento. Ora, não é preciso ser tomista, e muito menos “dotô”, para entender que o assunto não é, propriamente, objeto da Sacra Teologia. Embora os Papas tenham dito alguma coisa sobre conspirações e revoluções, são os especialistas – e não o magistério – que tratam do assunto com profundeza bibliográfica, mostrando a existência de doutrinas gnósticas que percorrem as ideologias e os eventos históricos.

O “dotô” tefepista – veloz como o fast food - já começou com um magnus error!

E o guardião da “Sempre Viva” nos adverte: “O juízo moral depende do objeto conhecido”.

Entretanto, não compreendendo o objeto da discussão, errou magnamente!

A propósito, essa confusão de assuntos é uma acusação contra a Idade Média.

Dizem, os morcegos, que os medievais misturavam, confusamente, ciência natural e Teologia!

Para rebater essa acusação, o ensino autorizado de um legítimo Doutor:

“Tome-se pois por princípio que, em questões de fé e de bons costumes, Agostinho deve ser preferido aos filósofos, caso haja ideias diferentes entre eles. Mas, em se tratando de medicina, tenho mais confiança em Galeno ou Hipócrates que em Agostinho; e se ele fala sobre ciências naturais, tomo em maior consideração a Aristóteles ou a outro especialista no assunto” (Santo Alberto Magno. II Sent. d. 1, a. 2 apud Luis Alberto De Boni. Filosofia Medieval: Textos. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000, p. 179). 

Que a Igreja não inibe as ciências naturais de atuarem, cada qual, segundo os próprios princípios, ensina o Magistério da Igreja:

 

“A Fé não proíbe às ciências de servirem-se, cada uma na sua esfera, dos seus princípios próprios e do seu método particular” (Concílio Vaticano I. Const. Dei Filius, c. 11) 

Desse princípio magisterial, que o “dotô” tem que subscrever, devemos concluir que, para estudar a influência gnóstica na história dos movimentos e pensamentos, devemos buscar informações nas fontes apropriadas, que trataram especificamente da matéria. Assim, para estudar a gnose no pensamento judaico, recorremos ao Gershom Scholem, por ser um especialista no estudo da Cabala. No caso da influência gnóstica no romantismo, preferimos os especialistas que se debruçaram sobre a questão, com robusto fundamento bibliográfico.

A quem devemos obediência: ao Magistério Infalível da Igreja ou ao parvus magistério privado de um “dotô” tefepista?

Ficamos com a Igreja!

Contra um míope e privado magistério.

O “dotô” tomista deveria ter ouvido nosso conselho!

Antes de dar palpite apressado, deveria ter lido os livros recomendados!

É evidente que o Padre Julio Meinvielle, Frances Yates e Simone de Pétrement, não falaram como Magistério da Igreja. Esses estudiosos, embora tenham autoridade no assunto, não proclamaram dogmas infalíveis!

Parece que até o bom senso a TFP está dissolvendo em seus discípulos!

O que o “dotô” pliniano deveria refutar – depois de ler os livros – é a própria dissertação dos autores, mostrando que as obras não tem fundamento.

Coragem, seu “dotô”!

Leia os livros!

Seja prudente!

Seja tradicional, e não um simulacro de tradicionalismo!

Não fique alienado em verborragias!

Não iluda seus cabritos com uma retórica de confete!

Aguardaremos!

Sentados!

Segue o showzinho!

Com mais confete tefepista!

 

2.    O Erro Histórico

Sem conhecimento prévio – magnus error – nosso sábio “dotô” apontou um suposto erro de “anacronismo”.

Na visão ignorante, típica de quem não estudou, meu erro histórico seria, basicamente: identificar traços da gnose nos erros da modernidade. Em suma, é um erro de anacronismo relacionar a gnose dos primeiros séculos (combatida pelos padres da Igreja) com o pensamento da Idade Moderna e contemporânea.

Ora, se o magistério é o critério para tratar do assunto (gnose na história e no pensamento), qual documento magisterial o seu “dotô” utilizou para firmar essa conclusão? Qual Papa ensinou que é um erro relacionar a modernidade com a Gnose? Seria o magistério do profeta Plínio? Devemos aceitar docilmente o magistério privado do seu “dotô”, que além de não ser magistério autêntico, é um completo ignorante no assunto? Será que o tefepista acredita ser tão infalível quanto o Plínio?

Que fiasco, seu “dotô”.   

Esse sofisma, típico de uma mente sectária, tem uma relação com o mesmo erro do finado tariqueiro Olavo de Carvalho. Também o guru perenialista pretendeu usar de semelhante subterfúgio para dissociar sua gnosis perennis da gnose dos primeiros séculos.

De acordo com os especialistas, a Gnose atingiu uma proporção que ultrapassou a esfera nascente do cristianismo.

Para tanto, recorro a uma autoridade no assunto em discussão:

"No sentido restrito que tinha inicialmente a palavra ‘Gnose’, se substitui um sentido largo, que amplifica e engloba o primeiro; de início reduzido às dimensões de uma heresia, cujo estudo, a este título, pertencia propriamente à História da Igreja e que não podia ter se formado senão no interior do Cristianismo e posteriormente a seu aparecimento, o gnosticismo atinge agora as proporções de um fenômeno geral da História das religiões, ultrapassando de muito, por sua extensão, os limites e o campo do cristianismo antigo, e exterior, senão anterior, a ele por suas origens. Deste fenômeno, as gnoses cristãs heterodoxas não representam mais senão uma expressão entre muitas outras; falando propriamente, elas não são heresias imanentes ao cristianismo, mas os resultados de um encontro e de uma junção entre a nova religião e uma corrente de idéias e sentimentos que existia antes dela e que lhe era primitivamente estranha e o permanecerá na sua essência. A Gnose revestiu aqui formas cristãs, ou, que, com o tempo, se tornaram cada vez mais profundamente cristianizadas, da mesma forma que ela tomou em outros lugares formas pagãs adaptando-se às mitologias orientais, aos cultos de mistérios, à filosofia grega ou às ciências e artes ocultas" (Henri-Charles Puech, En Quête de la Gnose. Paris: Gallimard, 1978, vol. I, pp. 187-188).

Calma lá, seu “dotô”!

Antes de produzir um novo imbróglio fast food, leia o livro do Henri-Charles!

Não seja um tefepista com ilusão de inerrância pliniêsca!

Seja prudente!

Seja católico, e não tefepista!

Além de uma concepção bem limitada da gnose – própria de quem não estudou – o “dotô” apresenta sistemas de pensamento que, na sua visão estrábica, não teriam qualquer relação com o gnosticismo.

Como meu tempo é precioso, afinal tenho filhos e uma profissão de professor, tratarei apenas de um item da relação: o romantismo, que para o infeliz ignorante, não pode ser chamado de gnóstico.

Mas, o que dizem os estudiosos do assunto?

Abra a sua cachola, “dotô” tefepista:

"Pode-se dizer que reina, DESDE O ROMANTISMO, uma espécie de dualismo pessimista e sentimental, análogo AO DOS GNÓSTICOS. Ele consiste sobretudo no sentimento que o homem está mal adaptado a sua própria condição, que ele se acha apertado, que ele precisa de outra coisa (como se ele fosse estrangeiro a si mesmo e ao mundo no qual ele se encontra, como se sua verdadeira natureza não estivesse lá, [no mundo]. Nós dissemos que OS GNÓSTICOS SÃO ROMÂNTICOS; nós poderíamos dizer do mesmo modo que O ROMANTISMO É GNÓSTICO" (Simone de Pétrement. Le Dualisme chez Platon, les Gnostiques et Manichéens. Paris: PUF, 1947, p.344).

Sem afobação, seu “dotô” de purpurina!

Estude o livro antes de vomitar gagueiras tefepistas!

Conheça o objeto antes de formular julgamentos!

Mas, protestará o seu “dotô”: “Eu falei, especificamente, da literatura romântica!”.

Pois bem, a estudiosa (Simone de Pétrement), após conhecer o seu objeto, chegou à seguinte conclusão:

"A julgar POR NOSSA LITERATURA, nós entramos EM UMA IDADE GNÓSTICA" (S. de Pétrement. op. cit., p.347).

Satisfeito, “dotô” dos “dotôres”?

Para atender à sua inerrância metafísica, cito o especialista em romantismo, G. Gusdorf:

“O Romantismo é uma RENASCEÇA GNÓSTICA;(...) Schelling É UM GNÓSTICO, cujas convicções se desenvolvem à medida que ele avança em idade, da mesma forma que Baader; a Naturphilosophie impõe à pesquisa científica CÓDIGOS GNÓSTICOS. Na França, em seqüência de Saint Martin e de Fabre d’Olivet, A GNOSE TRIUNFA nos escritos de Ballanche; ela sustenta o gênio poético de Victor Hugo; ela está presente no Lamartine das Visões e no Nerval dos Iluminados" (G. Gusdorf. Le Romantisme. Paris: Payot, p.512).

Quantos gnósticos na lista do especialista!

Será que o erro de G. Gusdorf foi o não ter ouvido um sábio “dotô”?  Seu erro foi o de não ter aprendido - por fontes “doutorêscas” - que é um magnus error relacionar gnose com romantismo?

Que fiasco tefepista!

Que circo de horrores!

Isso é tradição?

A lista de especialistas poderia prosseguir, fartamente!

Mas, como disse, meu tempo é precioso para ser desperdiçado com tefepista “dotô” de imbecilidades!

Para concluir, indico ao “dotô” – que não gosta de estudar – os estudos do professor Orlando sobre romantismo:

1)  Romantismo e Modernismo

2)    Origens do Romantismo Alemão

Quebre seu orgulho, “dotô” tefepista!

Vá estudar antes de arrotar estultice!

 

3.    O Erro de Princípio

Meu erro seguinte – segundo a lente doutoresca – teria sido confundir analogia com identidade, dizendo, em tom de mega fone: “Tudo é Gnose!!!”.

Além de ignorante, palpiteiro e imprudente, é sensacionalista!

Essa expressão, no sentido de debochar, é imprecisa!

Quem analisa seriamente a história e a literatura, percebe uma corrente gnóstica que atravessa o enredo temporal. Com base nessa verificação, e nos princípios da metafísica, dizemos que, tudo aquilo que contém princípios gnósticos, é de fato gnosticismo.

Esse é o princípio de identidade!

Diferente do seu “dotô”, que não procura conhecer o objeto ates de sentenciar, o professor Orlando sempre julgava com prévio conhecimento, apresentando sempre os fundamentos da conclusão! Por isso seu livro tem um referencial bibliográfico, assim como os livros do Padre Julio Meinvielle, Frances Yates e Simone de Pétrement, todos desqualificados pelo Supremo Tribunal Dotôral.  

É assim que o sábio “dotô” quer vencer seus adversários: na força do grito como se fosse um magistério Ex-Cathedra.

Ele diz que meu erro é sustentar que, no fundo, só existem duas religiões: o catolicismo e a religião do homem.

A ideia de duas religiões, inimigas na história (catolicismo e antropoteísmo), não é originalmente da Montfort. Papas e santos já disseram algo nesse sentido. Por exemplo, Leão XIII, citando Santo Agostinho:

“O Gênero Humano, após sua miserável queda de Deus, o Criador e Doador dos dons celestes, ‘pela inveja do demônio’, SEPAROU-SE EM SUAS PARTES DIFERENTES E OPOSTAS, das quais uma resolutamente luta pela verdade e virtude, e a outra por aquelas coisas que são contrárias à virtude e à verdade. Uma é o reino de Deus na terra, especificamente, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo; e aqueles que desejam em seus corações estar unidos a ela, de modo a receber a salvação, devem necessariamente servir a Deus e Seu único Filho com toda a sua mente e com um desejo completo. A outra é o reino de Satanás, em cuja possessão e controle estão todos e quaisquer que sigam o exemplo fatal de seu líder e de nossos primeiros pais, aqueles que se recusam a obedecer à lei divina e eterna, e que têm muitos objetivos próprios em desprezo a Deus, e também muitos objetivos contra Deus” (Papa Leão XIII. Carta Encíclica Humanum Genus).

Na sequência, o Romano Pontífice fala das duas Cidades, recorrendo ao Doutor de Hipona:

“Este reino dividido Sto. Agostinho penetrantemente discerniu e descreveu ao modo de duas cidades, contrárias em suas leis porque lutando por objetivos contrários; e com sutil brevidade ele expressou a causa eficiente de cada uma nessas palavras: ‘Dois amores formaram duas cidades: o amor de si mesmo, atingindo até o desprezo de Deus, uma cidade terrena; e o amor de Deus, atingindo até o desprezo de si mesmo, uma cidade celestial” (Papa Leão XIII. Carta Encíclica Humanum Genus).

De acordo com o Magistério da Igreja, existe apenas duas sociedades opostas: a de Deus e a do Diabo. A Igreja católica, para salvar as almas, e a anti-Igreja de Lúcifer, que através do homem, pretende colocar a criatura acima do Criador. Por isso a designação de antropoteísmo ou Religião do Homem.

Santo Inácio de Loyola também fala das Duas Bandeiras:

“Primeiro preâmbulo é a história. Será aqui como Cristo chama e quer a todos debaixo de sua bandeira, e Lúcifer, ao contrário, debaixo da sua” (Exercícios Espirituais, nº. 136).

Bandeira de Cristo contra a Bandeira de Lúcifer!

São Luiz Maria Grignion de Montfort fala das duas descendências:

“Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliavel, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim : a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos da santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. p. 52).

Portanto, duas religiões: uma formada pelos filhos da Virgem e a outra pelos filhos do demônio.

Curiosamente, a Sagrada Escritura fala de uma Mentira no Singular.

Não se preocupe, “dotô”, isso não é invenção da Montfort:

"Verdadeiramente o ponteiro mentiroso dos escribas gravou A MENTIRA"; “Desde o profeta até o sacerdote todos forjam A MENTIRA" (Jer. VIII, 8-10); Jerusalém (...) confiou NA MENTIRA" (Jer. XIII, 25); "Abraçaram A MENTIRA" (Jer. VIII, 5).

E, por fim, o Diabo, chefe da religião oposta, é chamado de o "pai DA MENTIRA" (São João VIII, 44).

Por que será, seu “dotô”, que Cristo sempre fala da mentira no singular! Por que não as mentiras? Então existe uma mentira que é mãe de todas as mentiras? Qual seria essa filha predileta do Diabo, a rainha original?

Segure-se, seu “dotô”!

Não venha às pressas - como um raio que cai do céu – relinchar como um burrico desesperado!

Leia as obras!

Seja tradicional!

Seja coerente!

Que a gnose atravessa a história, como um vírus em mutação, não é opinião da Montfort. A propósito, nossa opinião não tem importância! É o “dotô” que confia cegamente em seus juízos precipitados e sem previa fundamentação.

Embora o imprudente “dotô” pense que tem ciência infusa – julgando sem estudo – apresentaremos algumas fontes bibliográficas, corroborativas.

Henri-Charles Puech:

“[...] de fato, a Gnose e seu dualismo pessimista exprime uma das duas tendências profundas do espírito humano, uma das duas ou três opções fundamentais entre as quais ele deve finalmente escolher. Claude Tresmontant mostrou bem a permanência da TENTAÇÃO GNÓSTICA, QUE REAPARECE SEM CESSAR, SOBRE FORMAS DIVERSAS no pensamento ocidental ao longo de sua história: entre os Bogomilas e Cátaros da Idade Média, também em Spinoza, Leibniz, Fitchte, Schlling, Hegel. Poderíamos continuar essa história parra além do romantismo alemão chegando até nossos dias: a vida de Simone Weil é, em particular, bastante significativa; seu néo-gnosticismo, o qual a fez ficar à margem da Igreja e sua herança, se encontra na obra histórica de sua amiga e discípula Simone de Pétrement” (En quête de la Gnose – Vol. I, La Gnose et le Temps, p. 168).

E para sustentar que, no fundo, é sempre a mesma velha Gnose - apesar das variações acidentais - Henri-Charles recorre a um exemplo de Santo Irineu de Lyon:

“Poderíamos, para caracterizar a concepção que a nova teoria faz de gnosticismo, tomar de Irineu uma metáfora que, para este Padre da Igreja, traduz a multiplicação rápida e abundante das seitas gnósticas: aquela de um ‘campo de fungos’, de um húmus anônimo e que não se diferencia, de onde crescem e se reproduzem sistemas ao mesmo tempo diversos e aparentados, sistemas de grupos em que, com o correr do tempo, aqui e ali algumas individualidades imprimem uma marca mais ou menos original, mas continuam herdeiros do velho fundo primitivo” (Henri-Charles Puech. En quête de la Gnose – Vol. I, La Gnose et le Temps, p. 158).

Para satisfazer o paladar exigente do tefepista “dotoresco”, citaremos Santo Hipólito, que também conclui que existe uma só Gnose, apesar das aparentes diferenças:

“Eles [Naassenos] se dividiram em um grande número de seitas, que formam, no fundo, uma só heresia, pois, sob fórmulas diversas, é sempre a mesma doutrina que eles expõem” (Santo Hipólito de Roma. Philosophumena, p. 125).

O mesmo é dito sobre a Gnose de Justino:

Sob formas diferentes, suas doutrinas e suas fábulas são, no fundo, idênticas, e todos eles reivindicam como seu nome próprio o de gnósticos (sábios), como sendo os únicos a possuir o maravilhoso conhecimento do perfeito e do bom” (Santo Hipólito de Roma. Philosophumena, p. 196).

A tática do Diabo é justamente disfarçar, em diversas seitas e doutrinas “diferentes”, sua Grande Mentira Gnóstica! A Revolta Antimetafísica!

Por isso dirá Jacques Lacarrière:

“A Gnose é um pensamento profundamente original, um pensamento mutante” (Les Gnostiques apud Orlando Fedeli. Antropoteismo: a religião do homem. São Paulo: Celta, 2011, 45).

Calma lá, seu “dotô” fast food!

A polícia da gnose não terminou!

Para o chororô dos olavetes e tefepistas!

Serge Hutin, compondo o coro da polícia da gnose, declara peremptoriamente:

“A extrema diversidade de especulações gnósticas é inegável. ‘Seria mais exato falar de gnosticismos do que em gnosticismo [...] Entretanto, é fácil descobrir um ‘ar familiar’ inegável entre os diversos gnosticismos, a despeito das múltiplas divergências e oposições que neles se manifestam” (Serge Hutin apud Orlando Fedeli. Antropoteismo: a religião do homem. São Paulo: Celta, 2011, 46).

A lista iria longe!

Todos concordando que há uma religião oculta na história, subjacente na variedade de seitas, aparentemente diferentes!

Eric Voegelin, que não era da Montfort, considera gnósticos grandes movimentos do século XX:

“Quando dizemos movimentos gnósticos entendemos que se trata de movimentos como o progressismo, o positivismo, o marxismo, a psicanálise, o comunismo, o fascismo, e o nacional-socialismo” (apud Orlando Fedeli. Antropoteísmo: a religião do homem. São Paulo: Celta, 2011, 51).

Serge Hutin, sem exageros, aponta um número grande de fenômenos gnósticos:

“Os surrealistas atuais provam uma viva simpatia pelo gnosticismo heterodoxo. Cf. Gérard Legrand in revue Médium, (número de maio de 1954): ‘Nos desertos da Síria e às margens do Nilo, viveram, há bem vinte séculos, homens cujos movimentos de pensamento apresentam tão marcantes afinidades com os nossos, que muitos, mesmo hoje em dia, não deixaram de se interessar por eles” (Ibidem, p. 51).

Jacques Lacarrière se refere a Einstein, Planck e Heisenberg como “gnósticos de nosso tempo” (Ibidem).

Em nosso corpo de “exagerados”, não poderíamos deixar de inserir no elenco, o prêmio Nobel de Literatura: Octávio Paz.

Vejamos o que ele tem a ensinar aos “dotôres” de Instagram:

"A analogia é o reino da palavra como, essa ponte verbal que, sem suprimi-las, reconcilia as diferenças e as oposições. A analogia aparece da mesma forma entre os primitivos como nas grandes civilizações do começo da História, reaparece entre os platônicos e os estóicos da Antigüidade, se desenvolve no mundo medieval e, ramificada em muitas crenças e seitas subterrâneas, se converte desde o Renascimento na religião secreta, por assim dizer, do Ocidente: cabala, gnosticismo, ocultismo, hermetismo. A história da poesia moderna, desde o romantismo até nossos dias, é inseparável dessa corrente de idéias e crenças inspiradas pela analogia" (Octávio Paz. Los Hijos del Limo. Barcelona: Ediorial Seix Banal, 1993, p. 102).

Para temperar nossa resposta, reproduzo a conclusão do professor Orlando em relação a essa confissão insuspeita de Octávio Paz:

“Arrepiem-se os que crêem na bondade natural do homem: há, segundo confessa um Prêmio Nobel, uma religião secreta que domina o Ocidente ocultamente, há muitos séculos. E essa religião secreta é a velha Gnose, inimiga do catolicismo. Enfureçam-se e arrepiem-se de horror os que negam e juram que a teoria conspirativa da História é fruto de imaginações delirantes. Se juram que não há conspiração, de duas, uma: ou ignoram a verdadeira História, ou são cúmplices da conspiração, e a negam, para que ela trabalhe com maior possibilidade de êxito” (Orlando Fedeli. Conspiração na Arte?)

Que essa religião – que atravessa a história influenciando o pensamento – é o gnosticismo, confessa o mesmo autor (Octávio Paz):

"A influência dos gnósticos, dos cabalistas, dos alquimistas e de outras tendências marginais dos séculos XVII e XVIII foi mais profunda, não só entre os românticos alemães, como também em Goethe mesmo, e em seu círculo. O mesmo deve dizer-se dos românticos ingleses, e, claro, dos franceses. Por sua vez, a tradição ocultista dos séculos XVII e XVIII se entronca com vários movimentos de crítica social e libertina. A crença na analogia universal está tingida de erotismo: os corpos e as almas se unem e separam regidos pelas mesmas leis da atração e da repulsão que governam as conjunções e as disjunções dos astros e das substâncias materiais. Um erotismo astrológico e um erotismo alquímico; assim também um erotismo subversivo: a atração erótica rompe as leis sociais e une os corpos sem distinção de nível social e de hierarquias. A astrologia erótica oferece um modelo de ordem social fundado na harmonia cósmica e oposta à ordem dos privilégios, à força e à autoridade; a alquimia erótica união dos princípios contrários, o masculino e o feminino, e sua transformação em outro corpo – é uma metáfora das mudanças, separações, uniões e conversões das substâncias sociais (as classes), durante uma revolução" (Octávio Paz apud Orlando Fedeli. Conspiração na Arte?).

O professor Orlando, um grande estudioso do assunto, ainda cita outros estudos idôneos, que confirmam as palavras de Octávio Paz:

“O que diz Octávio Paz é confirmado por outros estudos sérios. Veja-se, por exemplo, a obra de Ronald D. Gray. Goethe, the Alchemist (Cambridge, at the University Press, 1952), assim como o livro de Antoine Faivre L’Ésotérisme au XVII ème Siècle, (Séghers, Paris, 1973)” (Orlando Fedeli. Conspiração na Arte?)

Aprendeu, seu “dotô”, que a Montfort apenas repete o que disseram grandes autoridades?

Discorda? Então pelo menos leia os livros, antes de pretender fabricar panfletos fast food!

Com relação às duas tendências da Religião do Homem (panteísta e gnóstica), recomendamos que o paladino tefepista – “dotô” fenomenal – tenha pelo menos humildade, procurando conhecer o objeto, principalmente o livro do professor (Antropoteísmo), antes de sair disparando juízos vazios e delirantes.  

Aguardaremos a análise dotôral do tefepista, contra os exageros gnósticos do professor Orlado Fedeli.

 

4.    Dom Lefebvre Instrumentalizado

Diante da inequívoca declaração de Dom Lefebvre – um mundo que navega na gnose – o tefepista alucinado, demonstrou que realmente é um “dotô” incompetente!

Para mostrar a vesguice ou má vontade do tefepista, reproduziremos a citação inconfundível de Dom Marcel Lefebvre:


“Mas, em nossos seminários e na quase totalidade dos nossos priorados, nos opomos completamente A ESTE MUNDO QUE NAVEGA NAS ÁGUAS TURBULENTAS DA GNOSE. Infelizmente, temos que reconhecer que essas pessoas de espírito pervertido conseguem infiltrar-se nos meios que se defendem menos bem. Estou PERFEITAMENTE DE ACORDO SOBRE ESSA PERIGOSA INFILTRAÇÃO. 
Sei muito bem QUE UMA AÇÃO SECRETA ESTÁ SENDO FEITA POR ESSES MEIOS INCRÉDULOS DE ‘DIREITA’ para minar o bloco da tradição católica. Agradeço mais uma vez chamar a atenção para esse tipo de problema.” Monsenhor Lefebvre, Ecône, 16 de setembro de 1987. Apud Max Barret. Mgr Lefebvre – tout simplement... – souvenirs d’un de ses chauffeurs. Châtillon-sur-Chalaronne: Éditions La Taillanderie, 2007, p. 134)

Na hermenêutica “dotôral” tefepista, Dom Lefebvre está denunciando o espírito do mundo moderno, em sentido pastoral e moral”

O “dotô” precisa, de fato, intensificar as leituras, a fim de melhorar a compreensão textual, evitando dar chutes hermenêuticos.

Com termos claro, o superior da FSSX diz que este mundo [moderno] está dominado pela Gnose. E, na sequência, ele fala de uma infiltração secreta desse pensamento gnóstico, identificando-o com a ponta direita da língua da serpente.

Era exatamente – e sem exageros – o pensamento do professor Orlando Fedeli.

Mas existem mais informações sobre essa declaração de Dom Lefebvre.

Aproveito essa ocasião para iluminar compreensão precária do “dotô” desinformado!

As informações a seguir, retiramos de um site que expõe documentos interessantes sobre a Infiltração Gnóstica na FSSPX. Embora essas informações sejam proveitosas, adiantamos que isso não significa nossa concordância com tudo o que está nesse site de Resistencia Católica.

Depois de citar a declaração de Dom Lefebvre – sobre o mundo gnóstico e a infiltração secreta – segue um oportuno esclarecimento:

“Así se expresaba Monseñor Lefebvre respecto al peligro que corría la Fraternidad de ser infiltrada por agentes de la contra-iglesia. Jean Vaquié, eminente contrarrevolucionario, amigo personal de Monseñor Lefebvre, dedicó gran parte de su vida a denunciar la infiltración gnóstica en los medios tradicionales. Entre sus obras, encontramos los “Cahiers de la Société Augustin Barruel” (Cuadernos Agustín Barruel), una revista que se dedicaba específicamente a la investigación y estudio de la penetración y el desarrollo de la Revolución dentro del Catolicismo. Una parte muy importante de estos estudios fue dedicado a la Gnosis(https://nonpossumus-vcr.blogspot.com/2013/04/la-fsspx-infiltrada-por-gnosticos-ia.html).

O grande combatente da gnose da FSSPX [Jean Vaquié], era amigo pessoal de Dom Lefebvre.

Então havia um policial da gnose na FSSPX!

Amigo de Dom Lefebre!

Interessante!

Segundo essa documentação, Jean Vaquié denunciou a infiltração gnóstica na FSSPX:

“Estamos confrontados a una penetración subversiva en la cúpula, ya no en la base, de elementos de alto nivel universitario que pretenden enseñar a todos los tradicionalistas y lo hacen con éxito gacias a protecciones eclesiásticas increíbles pero reales. Por lo tanto, hay que eliminar esta plaga desde su raíz, de lo contrario la infección podría ganar todo el cuerpo; ya se ha hecho un cierto mal y no es seguro que no dejará secuelas, por lo que debemos usar puño de hierro contra ellos con energía. El profesor Jean Borella enseña en la universidad de Nancy II. Se ha dado a conocer, desde 1979, por un libro titulado ‘La caridad profanada’ en las Ediciones Cedre  y por artículos cada vez más frecuentes aparecidos en la revista ‘El pensamiento católico’ Ya que eligió estos dos medios de difusión, es evidente que este escritor desea dirigirse a un público tradicionalista. (…) La doctrina del profesor Borella se hizo para agradar a los católicos Tradicionalistas…” (La Gnosis ‘tradicionalista’ del professor Borella. Cuadernos Barrual, Nº 9)” (
https://nonpossumus-vcr.blogspot.com/2013/04/la-fsspx-infiltrada-por-gnosticos-ia.html).

Essa infiltração gnóstica – na FSSPX – também foi denunciada pelo Padre Christophe Beaublat, do Priorado Saint Pierre-Julien Eymard:

“Cada día es más fácil de constatar el desarrollo  de una enfermedad que nos carcome, EL CÁNCER GNÓSTICO, con sus tumores neo-paganos o esotéricos. Padre Christophe Beaublat. (Le Bachais, Boletín del priorato Saint Pierre-Julien Eymard n°56, noviembre-diciembre de 2004’’ (https://nonpossumus-vcr.blogspot.com/2013/04/la-fsspx-infiltrada-por-gnosticos-iia.html).

E também pelo padre Coache, que era muito próximo de Dom Lefebvre:

“Hemos ya llamdo la atiención varias veces sobre el peligro que representa LA NUEVA GNOSIS DEL PROFESOR BORELLA. Ya sea que estén atraidos por la novedad, sea por la tentación de querer ser sabio en el seno de la Tradición, algunas revistas y sacerdotes se dejan tomar por este veneno que pretende guardar la fidelidad de la doctrina, y por lo tanto ES LA RESSURECCÍON DE LA MÁS VIEJA HEREJÍA DE LA HISTORIA DE LA IGLESIA, EL GNOSTICISMO: religión natural, deísmo, esoterismo, explicación de la revelación por la naturaleza, etc. Nos quedamos estupefactos que una revista como ‘La Pensée Catholique’ pueda dar tribuna a un escritor tan falaz y que sacerdotes serios se dejen tomar" (Cuadernos Barruel. Nº 17)” (https://nonpossumus-vcr.blogspot.com/2013/04/la-fsspx-infiltrada-por-gnosticos-iia.html).

Essas advertências indicam que, de fato, houve uma infiltração gnóstica na FSSPX, e que Dom Lefebvre, que enxergava um mundo sobre as águas da Gnosis, estava preocupado com essa ação secreta gnóstica-esotérica.

Na Revista da FSSPX (Le Sel de la Terre), encontramos uma crítica contra a Gnose do Vaticano II:

“No entanto, independentemente do número de seguidores da TFP, o assunto é de grande interesse quando se considera o processo revolucionário promovido e dirigido pelas lojas maçónicas durante vários séculos, um processo que começou a manifestar-se à luz do dia com a ‘Revolução Francesa’ e que hoje parece estar prestes a atingir o seu objetivo final: governo mundial. O fundamento espiritual deste governo, o princípio unificador da nova humanidade — como sabem aqueles que estão minimamente familiarizados com a grande conspiração sectária — é uma religião universal perversa resultante da fusão de todas as outras. Essa religião, que se alastra sob o nome de Nova Era, viu sua força aumentar dez vezes devido ao SINCRETISMO GNÓSTICO fomentado PELO CONCÍLIO VATICANO II e introduzido clandestinamente sob o disfarce de “ecumenismo” e “diálogo”. Hoje, impulsionada por poderosos financiadores, está prestes a completar sua conquista.

https://www.seldelaterre.fr/articles/sdt7/tfp-le-masque-et-le-visage-(i)

Esse denúncia (da gnose ecumênica do Vaticano II) é uma crítica que nosso “dotô” fenomenal não admitiu em seu panfleto fast food. Em seu libelo tefepista, asseverou que é um erro relacionar a Gnose com as críticas ao Vaticano II.

E agora sr. “dotô” que nada sabe?

 Quem está com a razão? A FSSPX que vê um problema gnóstico no Vaticano II, ou o seu “dotô” com sua verborragia gagá e sem fundamento?

Nós concordamos com a FSSPX!

Dom Lefebvre via o perigo de um mundo gnóstico, infiltrando na FSSPX. E a revista da Fraternidade, via gnose no Vaticano II.

É muita gnose para um “dotô” desorientado!

 

5.    Ação Francesa: analogia defeituosa

Em nossa defesa do professor Orlando, fiz referência ao apoio de Dom Lefebvre à condena Ação Francesa. Levantei essa questão para evidenciar que, enquanto o professor Orlando Fedeli tinha esperança no pontificado de Bento XVI, Dom Lefebvre teve esperança em um movimento maçônico, cujo líder gnóstico foi condenado pela Igreja. Mas, assim como esse erro político de Dom Lefebvre não invalida seu heroísmo, do mesmo modo, o erro do professor quanto ao Papa do retorno (3º segredo de Fátima), em nada prejudica seu frutuoso apostolado e fidelidade a Fé Católica.

Diante disso, o “dotô” veio com uma lorota digna de seu título “dotôralíssimo”:

“Comparar contexto político francês dos anos 30 com crise doutrinária pós-conciliar é analogia sem proporção real”

Cristo-Deus!

Que aberração!

Quanta ignorância!

É o vício tefepista de julgar sem antes estudar!

Querer convencer com retórica de confete!

Na força do grito!

Por acaso o “dotô” pelo menos abriu o artigo do professor Orlando sobre Maurras?

Qualificar a Ação Francesa como algo meramente político, é uma estupidez sem proporção!

Para economizar meu tempo precioso, reproduzirei um excerto do estudo do professor Orlando, mostrando que, na verdade, a Ação Francesa foi um movimento religioso-doutrinário. Para ser mais preciso, foi uma ação maçônica-gnóstica condenada pela Igreja!

Charles Maurras, e seu movimento gnóstico, foi denunciado pelo Cardeal Andrieu, de Bordeaux. O prelado acusou a Ação Francesa de tratar, não apenas de política, mas de ensinar erros graves em matéria de moral e religião.

Em 8 de setembro, foi publicada uma carta de apoio do Papa Pio XI ao Cardeal. Nas palavras do Pontífice, fica claro que o problema da Ação Francesa não era só político, mas doutrinário:

“Vossa Eminência enumera e condena, com razão (em publicações não apenas de data anterior), as manifestações de um novo sistema religioso, moral e social, por exemplo, no que diz respeito a Deus, à Encarnação, à Igreja e, em geral, ao dogma e à moral católica, principalmente em sua relação com a política, que é logicamente subordinada à moral. Em essência, essas manifestações contêm traços de um renascimento do paganismo, ao qual está ligado o naturalismo que esses autores, como tantos de seus contemporâneos, extraíram (inconscientemente, acreditamos) dos ensinamentos públicos dessa escola moderna e secular da juventude, à qual eles próprios se opõem com tanta frequência e ardor” (apud Orlando Fedeli. Charles Maurras).

Uma pena o “dotô” da sabedoria metafísica não gostar de estudar antes de tagarelar.

Como vimos, a FSSPX vê Gnose no Vaticano II. Ora, a doutrina de Maurras era gnóstica. Logo, não há exagero ou desproporção na relação entre Vaticano II e Ação Francesa.

Compreendeu o raciocínio?  

a)    Ação Francesa = gnosis

b)    Vaticano II = gnosis

 

c)    Vaticano II = Ação Francesa

 

Princípio de Conveniência: “Duas realidades correspondentes a uma terceira, são elas correspondentes entre si”.

A = G

C = G

C = A

É falso, portanto, que nosso raciocínio tem uma analogia desproporcionada!

Falta de proporção seria comparar o Papa Bento XVI – estimado pelo professor Orlando – com o gnóstico e excomungado Charles Maurras, infelizmente defendido por Dom Lefebvre.

Mais um fiasco pliniêsco do seu “dotô” tefepista!

 

6.    Orlando Fedeli e a hermenêutica da continuidade

Na primeira resposta, dissemos que aguardaríamos sentados uma prova do continuísmo do professor Orlando Fedeli. Porém, acreditando ser um magistério infalível, nosso adversário não trouxe qualquer comprovação. Apenas bradou, como um profeta de Higienópolis!

Como já dissemos, o tefepista da FSSPX não estuda! E, sem conhecer o objeto, continua tagarelando como um magistério ex-cathedra!

O tolo pensa que sempre está certo, mas os sábios aceitam conselhos” (Provérbios XII, 15).

O “dotô” incompetente, pesquisando minimamente, descobriria que a FSSPX não desprezou uma leitura do Vaticano II à Luz da Tradição.

Abramos o Catecismo da Crise na Igreja, do Padre Matthias Gaudron da FSSPX:

“Os textos do Vaticano II devem ser rejeitados? Os textos ambíguos PODEM SER ACEITOS se forem – segundo a expressão de Mons. Lefebvre – INTERPRETADOS À LUZ DA TRADIÇÃO” (Pe. Matthias Gaudron – FSSPX. Catecismo Católico da Crise na Igreja. Rio de Janeiro: Permanência, 20011, p. 63).

Portanto, de acordo com o Catecismo da FSSPX, é possível aceitar o princípio da hermenêutica da continuidade, fazendo uma leitura do Vaticano II à luz da Tradição.

Seria a FSSPX continuísta?

E agora seu “dotô”?

Consulte o imortal Plinio para sair dessa enroscada!

No caso do professor Orlando – que nunca aceitou o princípio da hermenêutica da continuidade – enxergamos, tão somente, uma sincera esperança no pontificado de Bento XVI.

Nele havia uma esperança, baseada na revelação de Fátima, e não um otimismo! Se ele errou, acreditando que Bento XVI era o Papa da restauração, isso não se compara ao erro político de Dom Lefebvre, que defendeu a condenada Ação Francesa, do gnóstico excomungado Charles Maurras.

Exagero é dizer que Bento XVI era um enganador, que apenas queria – com suas heroicas ações – engolir a Tradição com erros do Vaticano II. Ora, é estranho que um enganador tenha libertado a Missa, desagradando aos modernistas; é estranho que um enganador tenha levantado as excomunhões, desagradando aos continuístas; é muito estranho que um enganador tenha dado a missão – ao IBP – de criticar o Vaticano II, algo que também desagradou aos modernistas. É igualmente estranho que um enganador tenha sustentado que a letra do concilio favorece uma interpretação heterodoxa, não agrandado, por isso, a ala modernista. No fim, é muito estranho que um Papa, que estivesse agrandado muito aos modernistas e armando uma embosca aos tradicionalistas, tenha renunciado seu pontificado.

Essa suposição que é uma loucura!

Ainda sobre essa questão, o tefepista supõe – caluniosamente – que o professor Orlando impôs, na montfort, uma espécie de ditadura do otimismo.

Parece que quem impôs uma ditadura no seu gueto foi a FSSPX. A ditadura do silencio sectário, contra seus próprios erros:

“... o padre Rafael Navas foi sumariamente expulso da FSSPX por perguntar sobre os tribunais de nulidade matrimonial já mencionados. Quando ele foi expulso nem sequer tinha recursos para comprar uma batina e foi literalmente morar em um barracão. O padre Laguerie foi expulso da FSSPX porque enviou um relatório aos superiores da FSSPX sobre os erros do seminário em Ecône. Primeiro foi expulso sem qualquer advertência, depois ele recorreu, e os superiores instauraram um processo contra ele. Resultado: ele e o advogado que o defendia foram expulsos. O Padre Aulagnier, braço direito de Dom Lefebvre, foi expulso por publicar uma entrevista, e o padre Mercury foi expulso porque permitiu ao Bispo da diocese fazer o sacramento do crisma no rito antigo. Você pode ler esta história completa do Padre Mercury na entrevista já citada” (Carta: FSSPX e Centro Dom Bosco: o risco de um Cisma!)

E na burlesca TFP, existia a ditadura da seita Sempre Viva!

Uma vez escravo de Plínio, para sempre escravo!

“Dotô”, “dotô”, vá estudar antes de relinchar!

Deixe de passar vergonha na internet!

 

7.    TFP, FSSPX e Dom Antônio de Castro Mayer

Em sua cartinha de boteco, fabricação fast food, o paladino de seita tefepista sustentou duas burlescas afirmações:

1)    Todo o problema estaria em João Clá e nos Arautos, e não na TFP.

2)    Dom Lefebvre e Dom Mayer julgaram sem provas suficientes!

A segunda proposição soa caluniosa, pois supõe um juízo temerário dos bispos tradicionalistas.

Demonstrando a falsidade da segunda proposição, fica refutada também a primeira, igualmente sem fundamentação. 

Será, realmente, que no tempo de Dom Lefebvre e Dom Mayer não havia provas suficientes? Será que a FSSPX assumiu, oficialmente, que seus heróis erraram no julgamento, e que a TFP sempre foi uma santa organização?

Quando pesquisamos o assunto, encontramos, na revista da FSSPX, uma firme e bem fundamenta denúncia contra a seita da TFP. Esse trabalho, publicado na

Revue Le Sel de la Terre, já havíamos indicado aos simpatizantes tefepistas da FSSPX. Mas, como previsto, não se importaram. Por isso os relinchos imprudentes! 

Vejamos as conclusões assumidas pela FSSPX, contra TFP e a favor de Dom Mayer:

“Na época do rompimento do bispo de Castro-Mayer com a TFP (um rompimento que, de uma perspectiva europeia, parecia inseparável), os tradicionalistas italianos souberam da notícia sem conhecer os motivos. Acreditamos ser importante esclarecer a questão. A existência do círculo interno Sempre Viva e a série de precauções tomadas durante as visitas do prelado à sede da associação SÃO SUFICIENTES para explicar esse distanciamento. É compreensível que o bispo, ao saber disso, tenha renunciado a todo contato com pessoas que o haviam enganado por tanto tempo e com tanta astúcia (Carlos Alberto Agnoli et Paulo Taufer. TFP, Le masque et le visage in Revuele Sel de la terre; Disponível em: https://www.seldelaterre.fr/articles/sdt7/tfp-le-masque-et-le-visage-(i))

Portanto, para a FSSPX, Dom Mayer teve provas suficientes para condenar a seita TFP. 

Para o remorso tefepista “tradicional”, a Fraternidade concordou com o professor Orlando Fedeli:

“Por fim, devemos enfatizar o alto grau de plausibilidade das afirmações do Professor Fedeli e daqueles que deixaram a TFP com ele: após trinta anos de batalhas dentro dessa associação, ele deve ter nutrido um apego inabalável a ela, e somente razões muito sérias poderiam tê-lo transformado em seu adversário mais implacável. Considerações semelhantes se aplicam a Monsenhor de Castro-Mayer(Carlos Alberto Agnoli et Paulo Taufer. TFP, Le masque et le visage in Revuele Sel de la terre; Disponível em: https://www.seldelaterre.fr/articles/sdt7/tfp-le-masque-et-le-visage-(i))

Conforme essa mesma publicação da revista da FSSPX, Dom Mayer teve conhecimento da ladainha blasfema da seita Sempre Viva. E a FSSPX, junto com Dom Mayer, concordou ser suficiente, essa descoberta, para considerar a TFP uma seita herética:

“A tese QUE DEFENDEMOS neste capítulo é que as ladainhas a Dona Lucilia constituem, por si só, provas esmagadoras, suficientes para justificar a formulação de uma acusação de heresia e de heresia ‘delirante’. Pouco importa se, no RIF, se afirma que essas ladainhas caíram em desuso. Pois, repitamos, como podemos confiar naqueles que rejeitaram indignadamente a acusação de usar essas ladainhas ou uma ‘Ave Maria’ dirigida a Dona Lucilia, quando ao mesmo tempo admitem que em certa época elas eram comumente recitadas, juntamente com a Lembrança  de São Bernardo, todas adaptadas para a mãe do ‘profeta’?(Carlos Alberto Agnoli et Paulo Taufer. TFP, Le masque et le visage in Revuele Sel de la terre; Disponível em: https://www.seldelaterre.fr/articles/sdt7/tfp-le-masque-et-le-visage-(i))

Provas suficientes!

Dom Mayer julgou sabiamente!

Concordamos com a FSSPX!

Sobre a ladainha blasfema da TFP aos seus ídolos, explica o artigo que a FSSPX endossou:

“Vamos falar um pouco sobre a controvérsia entre os especialistas. O Professor Fedeli submeteu as ladainhas ao julgamento do Bispo de Campos, Dom Castro-Mayer, que as declarou, por escrito, em 4 de novembro de 1983, ILÍCITAS E BLASFEMAS

Os sectários tefepista procuraram um respaldo teológico para a ladainha que, segundo Dom Mayer, era blasfêma. Mas, contra isso, responde a FSSPX:

“Essa disputa entre especialistas não nos parece, francamente, a maneira correta de abordar a questão. O entusiasmo moderno por ‘especializações’ e ‘expertise’ não pode nos obrigar a abdicar ou delegar o uso da razão e do bom senso. Se o Padre Rodriguez realmente afirma que se pode celebrar um homem como ‘princípio axiológico’ e como a própria pureza sem prejudicar a fé, então devemos reconhecer, mais uma vez, a terrível confusão de ideias que reina na Igreja desde o Concílio Vaticano II(Carlos Alberto Agnoli et Paulo Taufer. TFP, Le masque et le visage in Revuele Sel de la terre; Disponível em: https://www.seldelaterre.fr/articles/sdt7/tfp-le-masque-et-le-visage-(i))

Concordar – contra o parecer prudente de Dom Mayer – que a ladainha blasfema não tem problema, é aceitar a confusão do Vaticano II.

Xeque Mate! 

Beco sem saída!

Ou o tefepista concorda com Dom Mayer e a FSSPX, admitindo que a TFP é uma seita, ou rompe com a FSSPX e continua escravo do profeta!

TFP ou FSSPX!

O que decidirá nosso infeliz “dotô” derrotado?

Poderíamos citar, ainda, uma interessante tese de Mestrado.

Mas, meu tempo é precioso!

Preciso ensinar quem realmente quer estudar!

Que os burros teimosos deixem de comer o capim herético de uma seita Sempre Viva!

Por fim, para concluir o imbróglio fast food, não poderia faltar a cereja dotôrescas.

Com toda a sua “sabedoria tomista”, o seu “dotô” laçou sua máxima tefepista!

Do alto do seu magistério ex-cathera, declarou que, para conhecer a TFP, é preciso ir até a TFP.

Isso me lembrou aqueles argumentos carismáticos: para conhecer o movimento é preciso participar, conhecer de perto o que é a RCC. Ora, ninguém precisa ir até uma loja maçônica para saber que os princípios são contra a Fé Católica. Ninguém precisa ir até o Palácio do Planalto para saber o que pensa o Lula comunista! Do mesmo modo, ninguém precisa ir na sede da Montfort para saber qual é o seu verdadeiro pensamento.

Diferente da TFP, não somos uma Seita, e tampouco secreta!

Assim terminamos de digerir o imbróglio fast food tefepista!

Fique tranquilo, seu “dotô”, não vamos atribuir à própria FSSPX toda essa sua verborragia tefepista, fruto de um magistério privado, gago, fanático e ignorante!

Que Nossa Senhora – e não o Plínio – te livre da cegueira Pliniêsca!

 

In Corde Maria Regina
Eder Moreira

 
 

    Para citar este texto:
"Resposta a um imbróglio pliniêsco sobre Gnose, Fsspx e TFP"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/igreja/GnoseFsspxTfp/
Online, 17/02/2026 às 22:21:12h