Mundo

O Bispo Athanasius Schneider compara à "escravidão" as medidas contra o COVID-19
DOM ATHANASIUS SCHNEIDER

Apresentamos aos nossos amigos e leitores a entrevista dada pelo Bispo Dom Athanasius Schneider para o Blog da jornalista Jeanne Smits, em sua visita pela França, onde esteve com diversos institutos da chamada linha tradicional da Igreja.

Em suas respostas, Dom Athanasius apresenta um quadro de extrema manipulação da opinião pública, a qual é realizada através dos temores produzidos pela pandemia causada pelo COVID-19. Como suporte ao seu pensamento Dom Athanasius apresenta alguns exemplos de fatos que mostram como, de forma geral, foi perdido o senso do que é razoável.

Mesmo com a discordância que temos de Dom Athanasius no que se refere ao seu apoio à TFP e as suas ramificações, apoio este que é dado ao combate ao comunismo e não ao culto que é prestado a Plinio e sua mãe, temos certeza que o pensamento de Dom Athanasius sobre a situação atual da sociedade e da Igreja demonstram bem a grave crise social e religiosa que vivemos, e assim a leitura desta entrevista será de muito proveito.

Algumas das observações apresentadas pelo prelado como a negação de evidências práticas e científicas que acabam conduzindo a população a uma situação de aceitação de medidas que claramente não são razoáveis e a utilização do medo como forma de levar a sociedade a uma ditadura do Estado, foram também destacadas pelo site Montfort durante o período mais grave da pandemia no Brasil. Estes assuntos foram apresentados em “lives” pelo Professores André Roncolato: Croronavirus uma Revisão Atualizada partes 1 e 2 –

(https://www.youtube.com/watch?v=2KSk4-YmPns e

https://www.youtube.com/watch?v=Pp0WSXQ1Jok ) e Bruno Oliveira: Relações entre filosofia e política: uma questão de medo na pandemia atual partes 1 e 2

(https://www.youtube.com/watch?v=WvgRVoItxX4 e

https://www.youtube.com/watch?v=ZXNDCrbjHaI)

Também a referência ao “plano” apresentado por Jaques Attaly, que foi mencionado pela entrevistadora como exemplo de ações que visam o controle ditatorial da sociedade foi objeto de artigo do site Montfort: Medo na pandemia: profecia ou plano, escrito por Alberto Zucchi (http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/medooupandemia/).

De forma geral o artigo pareceu-nos muito oportuno e objetivo nas críticas que são realizadas as ações dos governos, especialmente em relação aos controles da religião católica, e as fraquezas do clero em se submeter a essa situação. É necessário, entretanto, fazer duas ressalvas.

A primeira delas se refere a união com não católicos para combater os erros denunciados. Apesar de isto em tese ser possível a experiência te mostrado que essa união, de fato, não produz bom resultados. A segunda refere-se a questão moral de se poder utilizar das vacinas que foram originadas em embriões humanos. A posição oficial do Vaticano e de grande parte dos moralistas católicos é que o ato imoral na forma da produção de vacinas não impede a sua utilização. Na entrevista, apesar de se posicionar contrário ao direito de se utilizar destas vacinas, Dom Atahansius não apresentou argumentos que demonstrassem que a posição dos moralistas esteja errada.

Feitas essas ressalvas apresentamos a tradução da entrevista feita pela Montfort.

 

Blog de Jeanne Smits

Postado: 02 de outubro de 2020 14h54 PDT

Dom Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Nur-Sultan (ex-Astana) no Cazaquistão, esteve na França para uma curta visita no final do mês passado. Ele teve a gentileza de responder a minhas perguntas sobre a atual crise na saúde causada pelo COVID-19, que Dom Athanasius qualificou como uma “ditadura da saúde”. Ele alerta contra a "escravidão" que se implanta por meio de medidas "absurdas" que impedem até mesmo a utilização da razão.

Dom Athanasius expressou temores de que a pandemia de COVID-19 possa ser usada como um passo em direção a um “governo mundial” por meio de um “controle” que ele não hesitou em comparar com sua própria experiência sob o regime soviético. Ele destacou particularmente o grau de ateísmo que alcançamos através da preocupação exclusiva com as realidades corporais.

Abaixo, a entrevista completa com Dom Athanasius Schneider. Ela foi gravada em inglês em 29 de setembro, festa de São Miguel Arcanjo. A tradução para o francês foi feita por mim. – Jeanne Smits.

J.S: Excelência, o senhor já respondeu a entrevistas sobre a situação atual da saúde, que qualificou de “ditadura da saúde”. Por que o senhor acha que se trata de uma ditadura, embora as medidas tomadas sejam apresentadas como favoráveis à saúde e ao bem-estar das pessoas?

Dom Athanasius: Porque é evidente. Devemos usar nossa razão e nosso bom senso. Nunca na História recente ocorreu tal situação em que, globalmente, em quase todos os países, com poucas exceções, todos tiveram que observar com muito rigor certas regras de comportamento externo, inclusive sob ameaça de sanções. Até certo ponto, o que era evidente agora está sendo comprovado após o primeiro período de COVID no início deste ano: está comprovado que as vítimas e doenças não foram muito maiores em comparação com as epidemias de gripe de outros anos. Portanto, devemos nos perguntar por que os governos em anos anteriores, quando em alguns casos também ocorreram fortes epidemias de gripe, não estabeleceram as mesmas regras. Assim, houve uma epidemia de gripe muito forte na Alemanha, há dois anos; números oficiais divulgados pelo governo relataram 20.000 vítimas. Neste ano, o COVID não atingiu esse mesmo nível, pelo menos na Alemanha. Esses são os simples fatos, as provas.

Não estou negando a epidemia de COVID - ela existe - mas é preciso perguntar por que eles fizeram isso agora, e é óbvio que eles usaram uma epidemia que não supera as epidemias de gripe anteriores para impor medidas de tal modo desproporcionais a toda a população, que temos a sensação de estarmos vivendo em um tipo de prisão, ou uma espécie de escravidão. Chegamos até os detalhes, quando o governo prescreve onde você deve ficar, que distância você deve manter, até os centímetros; que você deve cobrir o rosto continuamente, embora tenha sido comprovado, por vários cientistas, acadêmicos e médicos independentes, que essas máscaras não são tão eficazes na prevenção desse tipo de doença.

Assim, o sinal externo da máscara que toda a população deve usar é desproporcional. É um sinal exterior a que está submetida toda a população, o sinal de que os que nos governam têm agora nas mãos toda a população, de fato, como escravos obedientes e fantoches. É muito perigoso e deveria nos preocupar profundamente, porque é um indicador para os dirigentes políticos das medidas futuras que eles poderão produzir ou inventar em situações semelhantes sob pretexto de uma doença, de uma epidemia. É um sinal de que hoje as pessoas já estão treinadas, para que os governantes possam em um instante literalmente silenciar toda a população e mantê-la em suas casas, trancada, para que eles possam fazer o que quiserem.

É realmente um sinal evidente de ditadura mundial que vai na direção do governo mundial, do qual já tínhamos vários testemunhos de alguns anos para cá. Uma figura famosa do mundo financeiro disse que bastaria obter uma epidemia e espalhá-la pelo mundo para estabelecer um governo "global".

[Nota de Jeanne Smits: Jacques Attali, financista, assessor de sucessivos governos franceses e mentor do Presidente Emmanuel Macron, alertou em 2009, na época da gripe H1N1, para uma "grande pandemia" num futuro previsível. “Não podemos esquecer, como aconteceu com a crise econômica, de aprender as lições, para que antes da próxima, que é inevitável, ponhamos em prática mecanismos de prevenção e controle e processos logísticos para a distribuição equitativa de medicamentos e vacinas. Nós teremos que, para isso, criar uma polícia mundial, um armazenamento mundial e, portanto, uma tributação mundial. Chegaremos então, muito mais rápido do que a razão econômica por si só teria permitido, a lançar as bases para um verdadeiro governo mundial", escreveu ele.]

Já tínhamos essas afirmações antes do COVID-19, mas na época talvez não tenhamos prestado muita atenção a elas. Mas agora temos essa situação, e acho que temos que defender nossos direitos. Claro, temos que ter cuidado e quando há contágio, temos que nos comportar de forma normal e responsável, mas não como agora, em um excesso que já demonstra que estamos além da normalidade.

Há poucos dias, a ministra do Esporte da França, Roxana Maracineanu, declarou publicamente: “As decisões, hoje, não são tomadas em função de uma realidade que seria aquela da circulação do vírus, mas sim para dizer que 'você tem que continuar a ser disciplinado como você está sendo. "

Isso é muito revelador: eles admitem que não é tanto a eficiência em saúde que buscam em primeiro lugar, mas o controle, para que estejamos sujeitos a um único código de conduta.

J.S: Quando o senhor era menino, vivia no Quirguistão, sob o regime soviético. O senhor vê um paralelo entre o que viveu naquela época e o que vivemos hoje?

Claro. Na época do comunismo, eu me lembro muito bem, tudo era controlado pelo governo. Não tanto quanto agora, evidentemente estamos pior do que sob o comunismo, mas toda a vida pública tinha um modelo, um código. Era necessário, portanto, se comportar sempre de uma certa maneira. Na escola, no local de trabalho, em público, etc., era necessário obedecer às regras de comportamento comunistas. Havia sinais do comunismo, havia estátuas de Lenin e Marx, e eles tinham que ser respeitadas. Então você já era muito limitado em seu modo de vida. Você não poderia se opor a tudo isso sem ser acusado de ser um negacionista do comunismo; quando você expressava dúvidas, era acusado de conspirar com o Ocidente capitalista, de espionagem. De certa forma, você era marginalizado como uma pessoa que não tinha boa saúde mental. Sabia-se que vários dissidentes da ditadura comunista eram colocados em clínicas para doentes mentais.

E assim posso imaginar que hoje poderia haver forte resistência contra medidas desproporcionais de limitação da liberdade individual sob o pretexto da saúde, e que essas pessoas poderiam ser acusadas de negacionismo, como a negação do Holocausto, por exemplo. Eles serão acusados de conspiração, como os comunistas fizeram com aqueles que eram contra os comunistas, os quais foram acusados de conspiração e de negação do paraíso comunista. Marx, Engels e Lenin disseram: "Vamos realizar" o Paraíso Comunista; Lênin chegou a dizer que a União Soviética realizava esse Paraíso, mas era exatamente o contrário: ela estava cheia de prisões e campos de concentração. Aquilo era chamado de Paraíso e todas as pessoas viviam com medo de uma forma ou de outra.

Lembro-me, por exemplo, dos meus pais: eram contra o comunismo claro, mas às vezes eram muito prudentes até conosco, crianças, porque éramos crianças, conversávamos na escola e as coisas podiam piorar para nós e para eles. Eles viviam em uma situação semelhante de intimidação, de controle. E essa sensação de ser controlado, eu tinha claramente. Deixei a União Soviética quando tinha 12 anos e meio, então me lembro bem disso: a sensação de viver sob controle.

E é exatamente o que está acontecendo agora ...

Agora somos completamente controlados, mas é pior porque essas medidas, eu diria, nos tornam estúpidos. Os governos nos enlouquecem. Este é o método dos ditadores: trata-se de fechar nossa inteligência, de desligar nosso próprio pensamento, mesmo em face às provas.

Por exemplo, é realmente incrível como já estamos acostumados com essa situação insensata. Eu voei de Viena para Zurique na semana passada. Era um avião pequeno, então estávamos todos sentados lado a lado; o vôo estava lotado. A aeromoça fez um anúncio - é incrível, você vai rir: "Gostaria de lembrar que se deve sempre usar a máscara e manter uma distância de metro e meio com os outros viajantes, assim como com os comissários de bordo”. Em seguida, eles vieram nos trazer bebidas. Era totalmente ridículo e absurdo: um metro e meio de distância enquanto nos sentávamos lado a lado. E ninguém riu. Todos aceitaram isso como algo normal. Isso me impressiona muito: as pessoas estão começando a aceitar o absurdo como normal. É uma espécie de lavagem cerebral: você se acostuma com o absurdo evidente. E isso tem para mim todos os sinais de uma ditadura.

J.S.: O senhor disse que é normal aceitar medidas razoáveis contra o contágio, por exemplo, para alguém que é frágil. Mas o senhor acha que ainda é tempo de resistir a essas medidas absurdas?

Dom Athanasius : Devemos resistir, porque ainda temos nossa razão. Devemos conciliar as medidas razoáveis de saúde e segurança com a própria razão; devemos insistir neste ponto. Na Alemanha, por exemplo, em Berlim, houve recentemente uma grande manifestação contra essas medidas absurdas, e toda a mídia, todas as agências de notícias oficiais chamaram os manifestantes de "negadores", os loucos ou os Corona-leugner, como as pessoas que negam o Holocausto são chamadas de Holocaustleugner.

J.S.: Quando lemos o Gênesis, percebemos que há muitas coisas nos Mandamentos que Deus nos deu por ocasião da Criação que são atacadas de frente hoje pela cultura da morte: a vida humana através do aborto, e também o casamento, a família... Mas me impressiona também que Deus diga lá: “Não é bom que o homem esteja só”. Eu tenho a impressão de que, com as restrições do COVID, a ideia é de forçar as pessoas a ficarem sozinhas. O senhor concorda com isso?

Dom Athanasius : Exatamente. Trata-se de isolar as pessoas umas das outras, para que suspeitemos uns dos outros; de modo que quando eu encontrar outra pessoa, já tenha uma desconfiança porque ela pode ser um perigo potencial para mim, para minha saúde. A gente sofre assim uma lavagem cerebral constante da mídia: “tenha cuidado, você pode ser infectado e isso pode vir de alguém que você conhece”. Isso cria uma distância psicológica.

A expressão “distância social” não é boa, porque nos distanciamos uns dos outros; o termo pra mim já é perigoso porque cria pessoas isoladas e as torna mais egoístas: “É só pra mim, eu vivo pra mim, pra minha saúde”. Todos esses sinais, como você mencionou, mostram que estamos indo contra os Mandamentos de Deus. Para mim, a raiz da cultura da morte, e também do fato de irmos contra os Mandamentos divinos, é o egoísmo. Toda violação dos Mandamentos de Deus, especialmente dos muito importantes 5º, 6º e 1º Mandamentos - “Não terás ídolos” - torna as pessoas mais egoístas, cria egoísmo e fabrica a pior das sociedades: uma sociedade de egoístas. Este é o perigo que vejo.

Mas é sob o pretexto de "solidariedade".

Sim, isso tudo é mentira. Vivemos em uma sociedade de mentiras e, portanto, as pessoas que ainda usam sua razão, mesmo os não crentes, devem se unir em protesto contra os perigos evidentes de uma ditadura.

J.S.: Na Bretanha, durante o confinamento, nosso supermercado local tinha uma grande placa do governo para esses tempos difíceis, que fornecia os números de telefone para acesso a anticoncepcionais ou aborto. Ao mesmo tempo, as igrejas foram fechadas, e ainda há restrições nas igrejas, mesmo que em algumas, as pessoas trabalhem contra isso. O senhor acha que há uma dimensão anticatólica específica nesta ditadura da saúde?

Anticatólica sim, mas em geral ela é antirreligiosa porque eles fecharam todos os outros locais de culto também. Existe uma tendência para o ateísmo e isso é, para mim, a última fase do comunismo, o ateísmo final. Eles estão eliminando completamente da sociedade todos os aspectos da religião.

Especialmente os "fins últimos"? Eles desapareceram. Agora, o único bem é viver.

Sim, as realidades últimas. Só nos falam sobre a vida corporal, sobre a vida temporal. E, infelizmente, tantos pastores dentro da Igreja - padres, bispos e até mais alto - apoiam fortemente esta ênfase unilateral no corpo e nesta vida, por mais fugaz e curta que seja. É um naturalismo. Mencionei isso em meu livro: é o grande perigo do nosso tempo. Hoje somos testemunhas, até mesmo no seio da Igreja, desta colaboração com o naturalismo extremo, que elimina toda visão de vida sobrenatural, de vida eterna. Precisamos restaurar o sobrenatural na Igreja e dar e transmitir às pessoas - de novo, este é um desafio para nós e para a Igreja no contexto da crise do COVID - uma visão da Eternidade. Ainda existe uma vida eterna: não entre tanto em pânico com suas preocupações que são apenas para a vida temporal! Devemos dar uma visão de esperança e confiança: estamos nas mãos de Deus. Hoje, o governo diz: “você está completamente em nossas mãos, estamos protegendo você”. É muito perigoso.

J.S: O senhor disse que devemos resistir com nossa razão. Como católicos, o que fazer? Obviamente, temos que recorrer à oração, mas o senhor acha que deveríamos fazer algo específico?

Dom Athanasius : Há alguns meses, lancei uma cruzada de reparação eucarística. Isso é muito importante para mim e deve continuar, porque nestes tempos de restrição da COVID, Nosso Senhor na Eucaristia foi profanado e, pior ainda, ultrajado. Portanto, temos que consolá-lo e reparar. Isso é importante. E além disso, também temos que mostrar um pouco de coragem, para ser, mesmo quando vamos à igreja, mais normais; em vez de mostrar à Igreja que estamos observando a nova escravidão que o Estado nos impõe. Claro, repito, até na igreja podemos observar medidas como a desinfecção: isso é bom quando é feito de forma normal, desinfetando os bancos, por exemplo, mas não de forma exagerada.

Acho que poderíamos também, como católicos, formar uma coalizão, mesmo com não católicos - de outras religiões ou mesmo “laicos” - para empreender medidas inteligentes junto às autoridades a fim de pelo menos destacar o absurdo atual, e dizer que não estamos prontos para nos tornar autênticos escravos, a ser submetidos a uma lavagem cerebral e a ser tratados como pessoas estúpidas.

Portanto: faça reparação, mantenha um comportamento normal - claro, repito que os padrões normais de higiene são corretos - e faça uma coalizão, agindo de forma legal, sem violência, mas com a razão e talvez com ajuda de advogados, de cientistas e assim por diante, para mostrar ao governo e ao público que existem sinais claros de absurdo e de escravidão.

Posso estar errado, mas suspeito que essa situação do COVID foi criada em parte, não apenas para estabelecer uma nova ditadura e um novo controle da população, mas também, de certa forma, para legalizar o aborto a nível mundial - o assassinato de bebês em gestação – de modo que o planeta inteiro colabore amanhã no processo do assassinato de bebês, por meio da vacina que usará partes de bebês abortados. A vacina será então imposta e obrigatória, de modo que você não possa trabalhar, viajar, ir à escola sem ela, obrigando assim toda a população a receber a vacina, mas a única vacina aceita será aquela feita com células de bebês abortados. Talvez não aceitem as outras vacinas e mintam dizendo que não são eficazes, que a única vacina eficaz será aquela fabricada a partir de bebês abortados.

Não estou dizendo hoje que isso vai acontecer, mas é o que eu suspeito: parece-me realista que isso possa acontecer. Para mim, esta é a última etapa do satanismo: que Satanás e o governo mundial - em última análise, o governo maçônico mundial - obriguem todos, até mesmo a Igreja, a aceitar o aborto dessa forma. E então temos que resistir muito fortemente, se isso acontecer. Temos até que aceitar o martírio.

Infelizmente, alguns bispos, mesmo bons bispos e padres, já apresentam o que para mim é um sofisma, justificando que se pode, segundo princípios morais, aceitar esta vacina proveniente de bebês abortados. Eles explicam de uma forma muito sofisticada o princípio da cooperação unicamente moral, sem a sua vontade, sem o seu consentimento. Mas para mim é um sofisma que não pode ser aplicado a este caso concreto, porque é evidente pelo simples bom senso que quando se sabe disso - que esta vacina provém de bebês abortados - então não se pode aplicar este princípio moral, ou esta teoria, a este caso concreto. E então temos que ter muito cuidado para não ser enganados por este argumento sofístico, mesmo quando ele vem de bons padres tradicionais. O perigo existe e devemos resistir a ele.

Mas espero que isso não aconteça em nível mundial. Se for assim, então entraremos no tempo do Apocalipse. No tempo do Apocalipse, do qual já temos alguns sinais, devemos invocar cada vez mais os anjos, o Arcanjo São Miguel e a mensagem de Nossa Senhora de Fátima que se torna cada vez mais oportuna e necessária.

J.S.: Em seu último livro, Christus Vincit, o senhor escreveu um capítulo muito bonito sobre os anjos. Traduzi esta parte do seu livro para o francês durante o confinamento e pensei: "Estou confinada, não posso ir à igreja, não posso pedir ao meu Anjo da Guarda para ir igreja por mim? "

Claro, esta é uma observação muito boa. Os anjos são os seres sobrenaturais por excelência. Devemos invocá-los mais. Em algumas ocasiões, quando não podemos ir à missa - e não sabemos o que o futuro nos reserva, talvez haja um novo confinamento e talvez tenhamos que nos acostumar com isso - então podemos enviar nosso Anjo da Guarda à igreja, para saudar e adorar a Nosso Senhor em nosso nome. Também podemos enviar nosso Anjo da Guarda para nossos amigos ou parentes e pedir que ele lhes proporcione uma ajuda espiritual. Em geral, podemos invocar os santos anjos para proteger a humanidade - como nos lembramos hoje, na festa de São Miguel e todos os santos anjos.

Entrevista realizada por Jeanne Smits

Tradução para o português realizada pela Montfort


    Para citar este texto:
"O Bispo Athanasius Schneider compara à "escravidão" as medidas contra o COVID-19"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/imprensa/mundo/DomAthanasiusCovid19Dit/
Online, 27/10/2020 às 19:14:25h