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Consulente debocha do latim
PERGUNTA
Nome:
Carlos
Enviada em:
29/12/2019

Bom dia!
 
Creio (na) a Igreja, una, santa, católica e apostólica.
Et unam sanctam catholicam et apostólicam Ecclésiam. 
Professo um só batismo
Confíteor unum baptisma
para a remissão dos pecados.
in remissiónem peccatórum. 
E espero a ressurreição dos mortos
Et exspécto resurrectiónem mortuórum. Amén. 
(Ámen, como rezávamos no convento franciscano OFM, quando eu era estudante.)
e vida do mundo que há de vir.
Amém.
 


 
 
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Em vista do que menciona o § 750 do CIC: 
750. Crer que a Igreja é "santa" e "católica", e que é "una" e "apostólica" (como acrescenta o Símbolo Niceno-Constantinopolitano), é inseparável da fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. No Símbolo dos Apóstolos fazemos profissão de crer a Igreja santa ("Credo... Ecclesiam"), e não na Igreja, para não confundir Deus com as suas obras e para atribuir claramente à bondade de Deus todos os dons que Ele próprio pôs na sua Igreja (123).
Por que na tradução para o português se escreve NA IGREJA?
 
Agradeço uma explicação.
Paz
 
 
 
 
Wuhlef°.
Carlos Max Walter Uhle Filho
 
RESPOSTA

"É necessário que a Igreja utilize uma língua não só universal, mas também imutável. Se, de fato, a verdade da Igreja Católica fosse confiada a algumas ou a muitas das línguas modernas, sujeitas a uma contínua mudança, as quais nenhuma tem maior autoridade e prestígio sobre as outras, resultaria sem dúvida que, devido à sua variedade, não ficaria manifesto para muitos com suficiente precisão e clareza o sentido de tais verdades, nem, por outro lado, se disporia de alguma língua comum e estável, para confrontar o sentido das outras" (Do Papa João XXIII, na sua constituição Veterum Sapientiae, de 22 de fevereiro de1962).

Prezado Carlos, salve Maria!

Como enfatiza a citação acima quando a Verdade Católica fosse confiada às línguas modernas, "não ficaria manifesto para muitos com suficiente precisão e clareza o sentido de tais verdades". O que parece, de fato que o problema identificado por você não está propriamente na tradução mas naquilo que é próprio da imprecisão da língua vernacular, incapaz de transmitir com a mesma precisão do latim as verdades da doutrina católica. Veja que numa nota de rodapé um comentário no próprio catecismo Romano enfatiza essa discrepância com relação à língua vernacular:

"(604) Em português, a discriminação não parece essencial, mas em latim é de rigor: Credo in Deum Patrem - [Credo] sanctam Ecclesiam catholicam".

Veja, em alguns parágrafos anteriores à essa distinção entre "crer a Igreja santa" e não "na Igreja", o próprio catecismo insiste na mesma tradução, exortando os párocos:

"Creio na Santa Igreja Católica [18] Rematando a instrução sobre a Igreja, os párocos devem explicar sob qual aspecto pertence aos artigos de fé a obrigação de crermos na Igreja. Tanto a razão, como os sentidos nos dão a conhecer que na terra existe uma Igreja, isto é, um conjunto de homens que se uniram e consagraram a Cristo Nosso Senhor" (grifos nossos).

Esperando tê-lo respondido, peço que por caridade reze pelo nosso apostolado, sobretudo, pelo crescimento da Missa Tridentina.

 

In báculo Cruce et in virga Virgine,

Francis Mauro Rocha.

 

 

 

De: Carlos Max Walter Uhle Filho <bubiuhle@yahoo.com.br>
Enviado: segunda-feira, 6 de janeiro de 2020 22:29
Para: Montfort
Assunto: Re: CREDO

 

Prezado Mauro, agradeço sua resposta. Como esse sítio é de instrução religiosa, penso que a sua tradução do CREIO poderia já está conforme esse pensamento do CIC.
 
Quanto a orar pedindo a Deus para o crescimento da Missa Tridentina, que é aquela que eu conheci em minha juventude, nem pensar. Um padre à frente de seu rebanho, pronunciando em latim uma oração de tamanho porte e seu rebanho ajoelhado rezando o Santo Terço em vernáculo.
 
"Sursum Corda!
Habemus ad Dominum"
 
MUITO MAIS GOSTOSO, dizer 
Corações ao alto!
O nosso coração está em Deus... É nosso dever e nossa salvação dar-Lhe graças....
 
Quando comungar, diga a Jesus : Domine Iesu, amo Te. Desidĕro tecum stare per .... 
 
Esse desejo todo lembra muito certos Homens de Negócios que, para fazer uma pequena palestra para uma plateia restrita, usa vários termos em inglês, só para parecer "bonito", ou alguns advogados (eu sou um) que ao escreverem seu pedido ao Juiz, usam termos latinos, pensando em impressionar o magistrado. Bobagem pura.
 
Diga à Virgem Santíssima: Ave, Maria, gratia plena, Domĭnus  tecum. Benedicta tu in 
mullierĭbus et benedictus fructus ventris tui, Iesus. Diga isso 50 vezes....
 
Não é mais gostoso olhar para a Virgem e dizer-lhe
Alegre-se, Maria, cheia de graça.
O Senhor é consigo, bendita é a Senhora entre as mulheres e bendito é o fruto do seu ventre, Jesus....
 
(Sem querer fazer piada) E para sua esposa, se V.Sa. for casado, faça-lhe uma declaração de amor em latim...
 
 
Saudações em Jesus Cristo, Senhor nosso.
Wuhlef°.

 

Carlos Max Walter Uhle Filho

 

 

 

De: Mauro Rocha <maurohx@yahoo.com.br>
Enviado: quarta-feira, 8 de janeiro de 2020 13:43
Assunto: Re: Enc: CREDO
 
Do Papa Alexandre VII, em 1661, contra o Jansenismo, que substituíra o latim pelo francês na liturgia: "Alguns filhos da perdição, ansiosos por novidades para a perda das almas, chegaram a este cúmulo de audácia, de traduzir o Missal romano para o francês, originalmente escrito em latim, seguindo o costume aprovado pela Igreja há tantos séculos... Assim fazendo, eles tentaram, com temerário esforço, degradar os mais sagrados ritos, rebaixando a majestade que a língua latina os reveste, e expondo de forma vulgar a dignidade dos mistérios divinos" (Yves Daoudal, La liturgie enseignement sacré - Itinéraires, n° 263, mai 82).
 
Prezado Carlos, salve Maria!
 
Com todo o respeito, quanta bobagem você escreve nessa sua missiva! Em que língua você acha que o Santo Padre Pio rezava a sua Missa? E São João Maria Vianey, rezava em latim para impressionar? Santa Madre Igreja Católica Celebrou a Missa durante 1969 anos exclusivamente em latim, para quê, para impressionar? Não, pobre Carlos, pelo zelo pela doutrina de Nosso Senhor, acima de qualquer gostinho pessoal:
"(...) que de modo especial consegue clareza e gravidade"; "Por estes motivos a Santa Sé tem cuidadosamente zelado na conservação e progresso da língua latina e a considera digna de ser utilizada como « magnífica vestimenta da doutrina celeste e das santíssimas leis» (Pio XI, Motu Proprio Litterarum Latinarum, 20/10/1924).
Não importa o mau gosto de ninguém, o que importa é agradar a Deus:
"O latim, não sendo uma língua vulgar, favorece também a mortificação, ou a negação de si mesmo. O latim dificulta que ajamos segundo nossos gostos por meio de improvisações litúrgicas, mudando uma ou outra palavra para agradar às pessoas ou por outro motivo qualquer. Também o fato de não compreendermos perfeitamente o latim é uma espécie de mortificação e de submissão de nossa inteligência a Deus. Muitos têm aversão à liturgia em latim por que não a compreendem. Na verdade, muitas vezes o que existe é uma aversão à mortificação, à negação de si mesmo, a não ter domínio sobre a liturgia" (Sermão para o Décimo Domingo depois de Pentecostes, 28 de julho de 2013 – Padre Daniel Pinheiro https://missatridentinaembrasilia.org/2013/08/05/sermao-sobre-o-uso-do-latim-na-liturgia/)
 
"Como língua sagrada, escolhida pela providência divina, é forçoso dizer que a língua latina agrada mais a Deus do que a língua vulgar e que, agradando mais a Deus, ela é mais eficaz" (vide: Padre Chad Ripperger, sermão Learning prayers in latin).
 
Como havia respondido a você, mantemos, em nosso site, a tradução ensinada pela própria Igreja no seu Catecismo Romano: "Creio na Santa Igreja Católica [18] Rematando a instrução sobre a Igreja, os párocos devem explicar sob qual aspecto pertence aos artigos de fé a obrigação de crermos na Igreja". E que o problema manifestado por você não se relaciona à tradução, necessariamente, mas à imprecisão manifesta da própria língua vernácula, enfatizado pelo próprio Catecismo Romano: "(604) Em português, a discriminação não parece essencial, mas em latim é de rigor: Credo in Deum Patrem - [Credo] sanctam Ecclesiam catholicam".
 
Veja, Carlos, como afirmado pelo Papa Alexandre VII, são os inimigos da Igreja que se contentam com a Missa rezada em vernáculo: "Alguns filhos da perdição, ansiosos por novidades para a perda das almas, chegaram a este cúmulo de audácia, de traduzir o Missal romano" (Yves Daoudal, La liturgie enseignement sacré - Itinéraires, n° 263, mai 82).
 
Se você tivesse um mínimo de bom senso, saberia que muitos termos técnicos do direito se mantêm em latim exatamente por causa da precisão milenar dessa belíssima língua. Tenha mais respeito por essa língua milenar que sempre foi um grande baluarte da Santa Igreja de Cristo:
 
"Em nossos dias, o uso do latim é objeto de controvérsia em muitos lugares e, conseqüentemente, muitos perguntam qual é o pensamento da Sé apostólica sobre este ponto. Por isso nós decidimos tomar medidas oportunas, enunciadas neste solene documento, para que o uso antigo e ininterrupto do latim seja plenamente mantido e restabelecido onde ele quase caiu em desuso" (Papa João XXIII, na sua constituição Veterum Sapientiae, de 22 de fevereiro de1962).
 
Respondendo à sua piada de mau gosto, as mais belas palavras por amor dos homens são pronunciadas todos os dias, em todos os altares do mundo, e pasme, em latim, apesar do seu péssimo gosto, Carlos, são elas:
« Hic est enim Calix Sanguinis mei, novi et æterni testamenti : mysterium fidei : qui pro vobis et pro multis effundetur in remissionem peccatorum. »
Hæc quotiescumque fecérit, in mei memóriam faciétis.
 
In Báculo Cruce et in virga Virgine,

 

Francis Mauro Rocha.