Defesa da Fé

Indiferentismo religioso e maçonaria
PERGUNTA
Nome:
J. Lopes
Enviada em:
04/01/2007
Local:
Fortaleza - CE, Brasil
Religião:
Católica
Escolaridade:
Superior concluído
Profissão:
Fincionário Público

Muito Prezado Professor Orlando Fedeli,
Salve Maria!

Desejo ao senhor e à associação Cultural Montfort um feliz e santo ano de 2007, na expectativa de que muito em breve teremos a grande alegria de ver publicado o Motu Proprio do Papa Bento XVI, liberando a Santa Missa de sempre.
Com isso, a batalha não está ganha. A liberação da Missa de sempre não significa que a tenhamos, pelo menos de imediato. Por exemplo, qual padre aceitará celebrar aqui em Fortaleza a Missa segundo esse rito? Conheço três padres e um bispo com mais de 50 anos de sacerdócio, e eles certamente a celebraram no passado. Mas, não sei se estarão dispostos a celebrá-la hoje, mesmo havendo uma liberação do Papa. Um desses padres certo dia reclamava que na Missa o povo não se balançava. Dizia: “Vamos nos animar, minha gente! Parece até que vocês engoliram um cabo de vassoura!”. A batalha pela Missa de Sempre está longe de terminar.
Possa a Montfort continuar, com a graça de Deus, a defender destemidamente a Santa Igreja Católica de tantos ataques, que ferem a ela e a nós. Muito obrigado por manterem esse site e por aceitarem o desafio de receber afrontas pelo nome de Jesus Cristo. Lendo as cartas atacando o senhor e a Montfort, não posso deixar de lembrar as palavras de Jesus Cristo, que disse: “Bem aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, voltando-se, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos porque será grande a vossa recompensa no reino dos céus. Porque assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.” (ver Mt. 5, 11-12)
Antes de ler os artigos da Montfort, fazia muitos anos que eu não ouvia ninguém dizer que a Única Igreja de Jesus Cristo é a Igreja Católica. Hoje é preciso ter coragem para afirmar essa verdade de fé. Verdade tão cara a nós, que um Papa será morto por defender a doutrina dessa Única Igreja, após subir a colina (o seu calvário), e muitos fiéis o acompanharão. É o que ouso deduzir da visão que teve a irmã Lúcia do terceiro segredo de Fátima. Esse dia ainda não chegou, ao que parece. Acompanhemos, então, o Santo Padre, e peçamos a Deus a graça imerecida de morrermos com o Vigário de Cristo. Morrer pela fé católica seria a certeza de irmos ao céu e de ter nossos horríveis pecados perdoados pela misericórdia de Deus.
Prega-se hoje a tolerância com todas as doutrinas religiosas (sejam elas protestantes, pagãs, esotéricas...) menos com a doutrina católica. Contribuiu para isso o ensinamento do Concílio Vaticano II, com aquela história de dizer que fora da Igreja há elementos de salvação. Então, a conseqüência prática não se fez esperar. Afinal, se fora da Igreja Católica há elementos de salvação, posso sair dela e ir para outras religiões.
Dentro de minha família esse tipo de pensamento começou a fazer suas vítimas. Algumas pessoas viraram protestantes, outras misturaram o catolicismo com doutrinas pagãs, cultos africanos. Um tio meu, que há tempos chegou a ser seminarista, tornou-se rosacruzs; e eu entrei para a Renovação Carismática (graças a Deus não estou mais nela).
Peço sua permissão, professor, para contar-lhe o fato mais doloroso dessa seqüência de conversões ao contrário. Meu padrinho de batismo, que é também o irmão mais jovem de minha mãe, tornou-se maçom em 1985. Antes de ingressar naquela sociedade secreta, foi pedir conselho ao nosso pároco, perguntando-lhe se era pecado. O padre disse-lhe que não havia nada demais. Que a maçonaria era uma sociedade filantrópica, não uma religião, que se podia entrar nela sem deixar de ser católico. Na verdade, penso que se o pároco tivesse dito “não”, meu padrinho teria ingressado mesmo assim na maçonaria, pois seu desejo de entrar nela era muito grande. Com lágrimas nos olhos, minha mãe lembrou a meu padrinho os tempos em que ele passava as noites adorando o Ssmo Sacramento na Igreja de São Benedito, onde havia adoração perpétua a Jesus Sacramentado, até mesmo de madrugada. Lembrou-lhe o exemplo de minha avó que, sendo católica, jamais consentiria naquilo se fosse viva, isto é, jamais permitiria que um filho dela se tornasse maçom. Não houve jeito. Meu padrinho de batismo tornou-se maçom naquele mesmo ano. Foi um grande desgosto para minha mãe. Resultado: maçom há mais de vinte anos (certamente já é mestre, embora eu não saiba qual o seu grau) continua freqüentando a Igreja, a receber a comunhão, mas suas conversas conosco sempre terminam em louvores à maçonaria. Há vários anos criei coragem e mostrei-lhe a Declaração da Santa Sé publicada em 1983 e aprovada pelo Papa, na qual se proibe o ingresso dos católicos naquela sociedade secreta, declarando os desobedientes como em estado de pecado grave. Mas, ele teve uma reação violenta, chamando o Papa de “idiota”, e de outros adjetivos lá que não me lembro. Desisti. Hoje evito conversar com ele. Não adianta. Pergunto, então: o que devo fazer? É meu padrinho de batismo, a ele foi confiado o zelo pela minha fé. Hoje, ele não é mais católico, embora se diga católico e freqüente a Igreja. Está em heresia e não só não aceita argumentos contrários, como os repele com violência. Creio não haver nenhum remédio, senão rezar.
Passaram-se os anos e comecei a ler sobre a infiltração da maçonaria dentro da Igreja. Algumas notícias, nada com maior profundidade. Mas, foi o suficiente para me deixar muito impressionado.
Seria possível? João XXIII tinha amizade com maçons. Os maçons se dizem uma sociedade em que todos os homens de todos os credos se podem encontrar. Ela abraça todas as religiões. É o que meu padrinho vive repetindo: “nós, maçon, aceitamos todas as religiões”. Depois do Concílio Vaticano II, a Igreja começa a “se abrir” a outras religiões e a dizer: “elas têm parcela da verdade. Deus age nelas”. Coincidência? Monsenhor Lefebvre falou sobre isso também, e sua afirmativa vem reproduzida em um livro que adquiri há pouco, chamado: "Tradição versus Vaticano".
Em nosso país, o indiferentismo religioso, concepção segundo a qual tanto faz uma religião como outra, pois todas agradariam a Deus e teriam uma parcela da verdade divina, parece estar em toda parte. Nas escolas, nas Universidades e, principalmente, na televisão. O relativismo religioso é muito aceito pela classe artística brasileira e até divulgado pela televisão sempre que surge uma oportunidade para se falar no assunto. Pois não é que vim a saber que vários artistas do passado (quase todos já falecidos) eram maçons?
Fiquei realmente triste com alguns nomes lá presentes, como o do querido Oscarito, que gosto tanto de ver nos filmes daquela época, Rodolfo Mayer (outro grande nome do teatro, do cinema e do rádio), Alvarenga e Ranchinho, Luíz Gonzaga... Todos artistas que eu admiro e gosto de ver e ouvir. Uma pena, não? O site no qual encontrei a lista com os nomes acima e outros é o seguinte:

http://www.tvaroli.com.br/trabalhos/famosos.htm

De fato, a filiação desses artistas do passado (e certamente muitos no presente) à Maçonaria, a outras sociedades secretas e até a religiões pagãs torna-se um instrumento poderoso para a divulgação de idéias relativistas, tanto no campo religioso como no campo moral, e também para a divulgação de falsas doutrinas. Não é de admirar. O povo católico no Brasil, abandonado pelos seus pastores, absorve imediatamente tais idéias. Eis a maneira mais fácil de se perder o rebanho de Cristo. Pois os artistas de televisão (o ator e o cantor) são muito vistos e obtêm a simpatia de muita gente. Se forem filiados a uma sociedade maçônica, poderão usar sua arte para divulgar suas idéias; se forem espíritas, divulgarão o Kardecismo através de peças de teatro, de novelas. Há alguns meses vi capítulos de uma novela televisiva chamada "A Viagem", na qual o "mocinho" era um médium espírita, que curava as pessoas, aliviava seus sofrimentos e respondia às suas dúvidas angustiantes através da doutrina reencarnacionista. Há vários anos o ator Lúcio Mauro (espírita de carteirinha) andou o Brasil todo apresentando uma peça sobre a reencarnação. Dizem ter sido recorde de público. Augusto César Vanucci, outro espírita engajadíssimo, não perdia ocasião de divulgar sua crença. Era também ator e produtor de novelas. No ano passado foram apresentadas aqui em Fortaleza várias peças espíritas, por jovens atores espíritas. Há muitos anos a Hebe Camargo e a Nair Bello entrevistaram o médium Chico Xavier. As duas choravam, emocionadas, e Chico aproveitou para falar da reencarnação e da caridade, tendo a precaução de iniciar seu discurso com as palavras: "louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo". No decorrer do programa, disse muitas coisas contrárias à fé católica. Quantas pessoas não foram contaminadas por aquela apresentação? Não faz muito tempo uma mulher lia salmos e fazia a consulta a cartas de baralho na televisão. Quer dizer: doutrina espírita pode ser divulgada para o nosso povo. Doutrina católica, não. Interessante, não é? Parece que há muitos escritores de novela comprometidos com o relativismo religioso e moral e, de fato, vemos essas idéias expressas freqüentemente nas novelas, tão apreciadas pelo nosso povo. Li, acho que foi na Montfort, que as novelas radiofônicas de antigamente também eram um veículo para essas idéias, embora de uma forma mais tímida. De fato, nunca vi nenhum desses atores ou escritores defender a Igreja Católica como a única Igreja de Cristo.

Peço desculpas por me ter estendido demais. Obrigado pela paciência.

In Corde Jesu Semper

J. Lopes
RESPOSTA

Muito prezado Lopes,
Salve Maria.
 
    Muito lhe agradeço suas palavras bondosas com reação oa site Montfort. Possamos nós corresponder a elas.
    Seus comentários sobre o indiferentismo religioso atual propagado pelas forças secretas inimigas da Igreja são muito procedentes.
    E achei interessantíssimas suas informçãoes sobre tantos artistas e cantores que, tendo entrado para a Maçonaria, usavam de seu prestígio ou para difundir heresias e indiferentismo, ou para atacar a Igreja.
    De fato, se alguém ataca qualquer religião, isso é tido como ofensa a direitos. Mas atacar e difamar a Igreja Católica nunca é tido como violação dos direitos dos fiéis católicos, mas como prova de espírito esclarecido e anti fanático.
    E o Concílio Vaticano II favoreceu esse indiferentismo pela defesa da liberdade de religião.
    Defender a liberdade de religião é como defender os direitos de proliferação das bacterias e dos virus em um hospital. Um absurdo. O erro não tem direito a ser propagado.
    Dái, um padre ter dito a seu padrinho que ele podia entrar na maçonaria. Se João XXIII disse ao Barão Yves de Marsodon que ele devia continuar na maçonaria, por que um padre no Ceará iria dar conselho diferente? Afinal, a Mídia não "canonizou" o Papa João XXIII como o Papa "bom"? Bom para quem? Bom para os objetivos das sociedades secretas?

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli