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Carta do leitor |
 
Teologia da Criação: monogenismo vs. poligenismo
De: Antônio Mesquisa Galvão Enviada em: Sexta-feira,
6 de Agosto de 2004 Religião: Católico
Local: Canoas, RS
Profissão: teólogo/professor
Escolaridade: pós-graduação completo
Idade: 60
amigos,
Li com atenção a resposta que vocês deram a uma leitora sobre poligenismo
e dilúvio.
Pelo amor de Deus!!!!
Vocês estão ensinando uma doutrina fundamentalista do século XIX!!
Hoje todos os segmentos exegéticos da Igreja (até os rigorosos beneditos/Rio
- Dom Estêvão Bettencourt) já aceitam o poligenismo. A
imagem de Adão e Eva é metáfora, um pano-de-fundo para o essencial: Deus
cria/criou.
O dilúvio (consta também no Gilgamesh e no Mahãbarata) é outra parábola,
que quer dizer que Deus salva os que lhe são fiéis e deixa os maus
entregue às suas próprias escolhas. O que houve, no fim da
Glazialzeit, era glacial ou Ice age, foi um degelo que represou as águas
do Golfo Pérsico e fez subir as águas do Tigre e do Eufrates, matandop
muita gente. Escavações arquelógicas (1945) feitas em Jericó (a cidade
mais antiga do mundo)não viram traços de "dilúvio" aoi, a 400 km da
Mesopotâmia.
Ademais, uma encíclica, como Humani Generis, é uma "carta circular",
idéias humanas que um papa teve a 60 anos atrás, de valor doutrinario mas
sem peso dogmático.
É preciso atualizar sua exegese... Só faltou vc dizer que o mundo foi
feito em sete dias: Nunca esquecendo que Gn 1,1-2,4a foi escrito na volta
do exílio, século V, e a terra tem 75 bilhões de anos, e o homem, por
volta de 800 mil anos...
Um abraço fraterno
Antônio Mesquita Galvão
Teólogo católico, leigo, escritor,
com doutorado em Teologia Moral
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| Resposta |
Muito prezado Doutor, Teólogo católico, Professor,
leigo, escritor, com doutorado em Teologia Moral, (Puxa!!!) Antônio
Mesquita Galvão,
Salve Maria!
Muito me honra receber uma carta de um tão insigne
Doutor, com tantos títulos a serem citados.
Sinto-me esmagado sob o peso de seus títulos e de
sua sabedoria teologal, germânica e lógica atualizadas e doutoradas.
O site Montfort não merecia tanto.
Seus títulos são tão numerosos, que por levar tanto
tempo a escrevê-los, quando terminei de citá-los, muito provavelmente, o
senhor deve já ter recebido outro mais. Então, perdão por não mencioná-lo.
É que ele ainda não me chegou pela Internet.
Se seus títulos são tão pesados, sua argumentação,
em contra partida, foi extremamente “leve”.
Deve ser sua modéstia que o levou a dar apenas
alguns poucos e superficiais argumentos, para não me humilhar demais.
Quanta caridade a sua!
Vê-se por essa humildade inusual que o senhor é
católico praticante.
E de sacristia.
O senhor começa, misericordiosamente, a usar contra
mim um slogan -- eu seria um "fundamentalista do século XIX !. Um
tiranossauro solto na Internet no século XX.
E mesmo antes de soltar um slogan como argumento --
[ Desde quando slogan é argumento?]-- e um slogan depreciativo, para não
dizer ofensivo, o senhor o apoiou num desesperado "Pelo amor de Deus!",
comovente.
Eu o imagino, na sacristia de sua paróquia,
levantando os braços ao céu-- ao teto da dita sacristia --, como uma
charrete com seus varais levantados desesperadamente ao céu, como disse
Rostand, implorando a Deus misericórdia por minha asnice fundamentalista e
retrógrada.
É muito fácil começar a discutir um tema, já
apodando o adversário com um rótulo depreciativo.
E o senhor me adverte com toda a sua doutoral e
teologal caridade:
"Hoje todos os segmentos exegéticos da Igreja (até
os rigorososbeneditos/Rio - Dom Estêvão Bettencourt) já aceitam o
poligenismo. A imagem de Adão e Eva é metáfora, um pano-de-fundo para o
essencial: Deus cria/criou".
Ah ééé !
Não sabia que todos os segmentos exegéticos da
Igreja tinham se tornado hereges.
Meu caro Doutor das canoas furadas e viradas, fique
sabendo que, se o poligenismo é certo, então os homens não são todos
irmãos, pois que não descendem do mesmo pai. E isso conduz diretamente ao
racismo nazista.
E se não somos todos irmãos, como o senhor me envia
um abraço “fraterno”?
O senhor acaba de renegar Adão, nosso pai comum, e
depois quer se apresentar como meu irmão?
Eu sou filho (descendente) de Adão. E o senhor, que
nega a existência de Adão, pai de todos os homens, o senhor descende de
quem?
Vai ver que o senhor crendo na fábula evolucionista
– que não tem nenhuma fundamentação científica, se acredita descendente de
um primata.
Nesse caso, não temos parentesco de jeito nenhum,
garanto-lhe.
E como me manda o senhor um primatal abraço
“fraterno? Vade retro!
Graças a Deus, porém, Pio XII condenou o poligenismo,
dizendo, na encíclica Humani Generis, que os católicos não são livres para
discutir ou aceitar o poligenismo, isto é, todos devemos aceitar a verdade
de que todos os homens descendem de Adão e Eva.
Sei, sei, para o senhor, Doutor, teólogo, professor,
escritor, moralista, e etc, para o senhor a Humani Generis não passa de
uma cartinha circular de um Papa com alguns pensamentos pessoais. Uns
palpites papais.
Meu caro, o senhor não só não tem respeito pelo que
ensina o Papa, quando num documento do Magistério Ordinário repete o que a
revelação disse, e o que a Igreja sempre ensinou, como revela desconhecer
os rudimentos da doutrina católica.
A Humani Generis, embora documento do Magistério
Pontifício Ordinário, repete o que sempre a Igreja ensinou com base na
Escritura Sagrada. E quando um documento do Magistério Pontifício
Ordinário repete o que foi revelado e que sempre a Igreja ensinou, esse
ensinamento é também infalível.
A Humani Generis é reduzida, pelo senhor, à
categoria de palpites papais. E a Sagrada Escritura, para o senhor, seria
uma tela de fundo com “metáforas”. E tudo o que sempre ensinaram os santos
e Doutores e os Padres da Igreja, tudo está ultrapassado. Seria
“fundamentalismo”
Assim, nem a Sagrada Escritura, nem os Santos
Padres, incluindo São Tomás, nem a Humani Generis deveriam ser cridas.
Mas o que vale para o senhor, Doutor ? A sua
sabedoria teologal?
E quem é o senhor ?
Ponha-se no seu lugar.
O senhor ousa negar e renegar o que ensinou Pio XII
na Humani Generis, afirmando que ela e uma mera "carta circular".
E esta sua carta é circular?
Sim, comparada com a Humani Generis sua carta é tão
circular quanto um zerO.
Imagine-se: dever-se-ia desconsiderar uma encíclica
de Pio XII como palpiteira, para acreditar no teologal Doutor Antônio
Mesquita Galvão.
Meu caro Doutor, fico com Pio XII. Fico com o que
sempre a Igreja ensinou. Fico com os santos Padres e Doutores que sempre
aceitaram e ensinaram a historicidade de Adão e Eva. Ainda que o senhor
considere a Tradição e o Magistério pontifício ultrapassados, e todos
esses santos e sábios Doutores um bando de “fundamentalistas”, a doutrina
deles continua válida para todo o sempre.
O que está na categoria do ultrapassado é seu
slogan, hoje em moda entre mestres presunçosos que descartam a Verdade com
um desprezo soberbo.
E onde o senhor adquiriu esse modo de rotular
depreciativo? Na mídia? Ela é que é a sua mestra infalível? Nos hereges
progressistas que lhe destruíram a Fé numa Faculdade de Teologia dessas
muitas que há por aí? Eles é que são os seus doutores magisteriais? Que
herege lhe ensinou a fábula anti bíblica que o senhor defende?
Porque, se Adão e Eva são “metáforas” e não
existiram realmente, como o senhor prova que Cristo ressuscitou de
verdade? Ou será que também a Ressurreição de Cristo foi ..”metafórica”?
Pergunto isso, porque, na Alemanha, há Doutores em
Teologia – até Cardeais !-- que ensinam exatamente isso: que Cristo não
ressuscitou realmente.
Mas fique sabendo que:
“Credendo est magis soli Mariae verace
qual theologorum turbae falacae”.
E o que é mais fácil de ser acreditado: que Deus fez
Adão do limo da terra, ou que uma Virgem deu à luz?
O senhor, ó doutoral e atualizado Doutor, o senhor
acredita que Nossa Senhora foi Mãe e Virgem? Ou o senhor ousará dizer que
a Virgindade perpétua de Nossa Senhora é também “pano de fundo metafórico”
? Tire a conclusão lógica de seus princípios modernistas.
Que disse eu mais acima?
Que o senhor não sabe os rudimentos da doutrina
católica?
Deveria eu ter dito antes que o senhor nem ao menos
sabe fazer contas.
Quer que lhe prove que o senhor não sabe fazer as
contas?
Pio XII é também do século XIX, para o senhor?
Saiba fazê-las: Pio XII foi Papa de 1939 a 1958.
Isso é século XX, ó doutoríssimo das canoas furadas e viradas, e das datas
tortas e trocadas, mestra da recusa das verdades fundamentadas.
E o senhor afirma que o Gênesis foi escrito no
século V, antes de Cristo:
“É preciso atualizar sua exegese... Só faltou vc
dizer que o mundo foi feito
em sete dias: Nunca esquecendo que Gn 1,1-2,4a foi escrito na volta do
exílio, século V, e a terra tem 75 bilhões de anos, e o homem, por volta
de
800 mil anos...”
Essas suas afirmações contrariam frontalmente a
doutrina católica, e o que determinou a Comissão Bíblica sobre a autoria
do Gênesis.
Quando os hereges modernistas – como o senhor –
negaram que Moisés fosse o autor do Pentatêuco, consultou-se a Comissão
Bíblia Pontifícia com a seguinte dúvida e pergunta:
“Dúvida I: Se os argumentos, acumulados pelos
críticos para combater a autenticidade mosaica dos livros sagrados que se
designam com o nome de Pentatêuco são de tanto peso que, sem ter em conta
os muitos testemunhos de um e outro Testamento considerados em seu
conjunto, o perpétuo consentimento do povo judeu, a tradição constante da
Igreja, assim como os indícios internos que se tiram do próprio texto,
dêem direito a afirmar que tais livros não têm a Moisés por autor, mas que
foram compostos de fontes, na maior parte, posteriores à época mosaica.
Resposta:negativamente”.
(Resposta da Comissâo Bíblica em 27 de Junho de
1906. Cfr. Denzinger, 1996).
De modo que, a resposta á sua afirmação de que não o
Gênesis foi escrito no século V, quando Moisés, seu autor, viveu muitos
séculos antes, já foi decidida por Roma: é errado dizer que o Gênesis foi
escrito no século V, antes de Cristo.
Mas é bem de supor que não lhe ensinaram isso no seu
curso de Teologia. Ensinaram-lhe as “up to date” fábulas modernistas,
pretensamente científicas.
Outro ponto a notar, ó excelso Doutor atualizado em
todas as heresias atualmente em moda, se nem todos os homens descendem de
Adão e Eva, então nem todos têm o pecado original. E isso é herético.
Mais um ponto, ó teologal doutor em gratuidades
modernistas, quem lhe disse que Adão e Eva são metáforas? Um professor de
Teologia ou exegese modernista no seminário que o senhor freqüentou?
E o senhor acreditou nesse professor de balelas, em
vez de acreditar no que sempre a Igreja ensinou?
Adão e Eva são tão metafóricos quanto vovô e vovó.
Se Adão e Eva não existiram, então não houve pecado
original, e Cristo não redimiu ninguém e não nos redimiu de nada. E isso,
de novo, é heresia grosseira e bruta.
E o senhor explica o dilúvio pelo degelo glacial.
Pela Geografia Física !
E o senhor demonstra possuir até um cientificismo
germânico, ao falar no Glazialzeit !
Oh! O Glazialzeit! Que arrepio ! [De admiração, não
de frio !]. Que demonstração de saber!
Usando termos germânicos, e citando o Mahabarata, o
público fica tão impressionado, não é doutor ?
E o senhor mostra que até crê germanicamente na
Bíblia..., quando ela concorda com Mahabarata e com a lenda de Gilgamesh.
Como o senhor tem Fé... no Mahabaratha!
Assim são os modernistas: não suportando a verdade,
procuram mestres que lhes ensinem fábulas. Da Índia.
E o senhor, que se peja de atualizadíssimo, me vem
com essa lorota que o Universo existe há 75.000.000.000 de anos !!!
Atualize-se ó Doutor das contas tortas e trocadas:
as últimas contas, as mais atualizadas já reduziram esse número ---do
século XIX -- para cerca de 13.000.000.000 de anos.
O seu erro de atualização, caro Doutor, foi só de
65.000.000.000 de anos.
Pouca coisa, não é? Afinal, são erros de zeros, e
zero é nada.
Um nada, para um Doutor em Teologia Moral, para um
expert em Exegese, para um laical e atualizadíssimo sapiente em Teologia
dogmática.
E como diz o senhor que o homem existe há
800.000 anos: "o homem, [ começou a existir]
por volta de 800 mil anos..."?
O Homem ?
Como, o homem?
Mas não disse o senhor, 13 linhas acima, que Adão
não existiu? Que não houve um primeiro homem? Que houve poligenismo e não
monogenismo ?
Como, 13 linhas depois, o senhor vem me falar que
O homem existe há 800.000 anos ?
E como se chamava esse primeiro homem—que agora já
não lhe parece metafórico, mas real—ele, como se chamava, ele? Por acaso,
ele se chamava Zé?
E esse primeiro homem, teve ele mulher? Ou os filhos
dele nasciam pendurados em árvores como mangas? Ou nasciam rastejantes, no
solo, como abóboras ?
Nasciam eles de mulher? De uma primeira mulher bem
real, e não metafórica? Tiveram eles mamãe?
E essa mulher real foi então ela a “mãe” ancestral
de todos os que dela descenderam? Ou outros homens nasceram de chocadeira
elétrica? Essa Mãe real—não metafórica – poderia ser dita a mãe ancestral
de todos os homens viventes? E por acaso, ó sapiente Doutor, Eva não quer
dizer exatamente isso: Mãe dos viventes?
Meu caro Doutor, sua lógica é uma metáfora doutoral?
Ou o seu titulo é que é metafórico ?
Nem uma coisa, nem outra.
O que é puramente metafórica é a sua fé.
Ela não existe, de fato.
O senhor é um modernista.
De uma religião continuamente atualizada. Sua fé só
vale para hoje. Uma Fé “aggiornata”. Que amanhã estará superada. Uma Fé
modernista descartável. O senhor segue uma teologia que passa como a moda
do último verão.
Fico com a palavra de Cristo: “Passarão os céus e a
terra, mas minhas palavras não passarão" (Marc.XIII, 31; Luc. XXI, 33;Mt
XXIV, 35).
E diria um modernista :”Que fundamentalista esse
Jesus histórico, não ?”
Meu caro Doutor, sem dúvida, fico com Pio IX, com
São Pio X, com Pio XII, com o que ele ensinou, para sempre, sobre o
poligenismo, na Humani Generis. Contra o seu Adão metáforico.
Contra o seu Gilgamesh e seu Mahabarata. Contra a
sua fé doutoral descartável como uma caneta bic usada e gasta.
Passe bem, seu Dotô.
Vá vender sua teologia descartável noutro portão.
In Corde Jesu, semper, Orlando Fedeli.
PS. Quer um conselho? Nunca se devem enunciar os
títulos que se têm.
Qualquer matuto sabe que isso pode dar a impressão
de exibicionismo vaidoso. É o que ensina a Teologia Moral, ciência na qual
o senhor é Doutor. E já que o senhor se proclama também escritor,
permita-me apontar-lhe um erro... um erro ... digamos, um equívoco de
“digitação”.
O senhor escreveu que o Papa Pio XII teve idéias
a 60 anos atrás (“um papa teve a 60 anos atrás”). O senhor,-- que é um
escritor -- sabe muito bem que devia ter escrito há 60 anos
atrás. São coisas que acontecem até mesmo a grandes escritores e Doutores
como o senhor demonstrou ser. Passe bem ! Bem longe de mim. OF
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Contribuições à resposta |
Prezado Prof. Orlando,
salve Maria!
Tomei conhecimento da carta do Dr Antônio
Mesquita Galvão, negando o monogenismo e fazendo outras considerações.
Duas delas me chamaram mais atenção pelo sua completa falta de base:
1- a afirmação de que até rigorosos
beneditinos do Rio aceitam o poligenismo ( referência a Dom Estevão
Bettencourt).
2- que ninguém mais, na Igreja, nega o
poligenismo.
Gostaria de dar alguma contribuição, que
talvez possa ser útil.
O Dr. Antônio Mesquita Galvão afirma
peremptoriamente: “Hoje todos os segmentos exegéticos da Igreja (até os
rigorosos beneditos/Rio - Dom Estêvão Bettencourt) já aceitam o
poligenismo.” Ora, isso deve receber uma certa glosa !
Dom Estêvão, hoje, declara
infelizmente que “Fica, pois, aberta ao fiel católico a possibilidade de
admitir mais de um casal na origem do gênero humano” e que “a hipótese
poligenista não contraria à fé”. Mas, em todo caso, aceitar a
possibilidade do poligenismo é muito diferente de “aceitar o
poligenismo” simpliciter, como quer o doutor! Vejamos o mais
recente escrito de Dom Estêvão sobre a questão, do qual tirei as duas
sentenças acima, o qual cito, pedindo perdão pela extensão, para
contrastar com o que citarei do mesmo autor mais adiante:
“Pergunta-se: quantos indivíduos houve na origem do
gênero humano atual? É costume responder: um homem (Adão) e uma mulher
(Eva). Esta afirmação pode ser licitamente repensada em nossos dias. (...)
O monofiletismo monogenético (um casal só) é
a clássica tese, aparentemente deduzida da Bíblia. Todavia verifica-se,
após leitura atenta do texto sagrado, que não é a única hipótese
conciliável com a fé. O poligenismo não se opõe a esta. E por quê?
A palavra hebraica Adam significa homem; não é nome
próprio, mas substantivo comum. Por conseguinte, quando o autor sagrado
diz que Deus fez Adam, quer dizer que fez o homem, o ser humano, sem
tencionar especificar o número de indivíduos (um, dois ou mais...). Muito
significativo é o texto de Gn 1, 27: "Deus criou o homem (Adiam) à sua
imagem; à imagem de Deus Ele o criou; homem e mulher Ele os criou". Neste
versículo verifica-se que a palavra Adam não designa um indivíduo, mas a
espécie humana diversificada em homem e mulher. - O nome "Eva" também não
é nome próprio, mas significa em hebraico "mãe dos vivos" (Gn 3, 20).
Fica, pois, aberta ao fiel católico a possibilidade de admitir mais de um
casal na origem do gênero humano. O que importa, em qualquer hipótese, é
afirmar que os primeiros pais (dois ou mais) foram elevados à filiação
divina (justiça original) e que, submetidos a uma prova, não se mantiveram
no estado de amizade com Deus (cometeram o pecado original). - Seria
falso, porém, dizer que Adão e Eva nunca existiram ou que são fábula ou
alegoria: são tão reais quanto o gênero humano é real; o texto sagrado nos
diz que Deus tratou com o homem nas suas origens,... com o homem real, e
não com um ser fictício. E a história referente aos primeiros pais é
história real, embora narrada em linguagem figurada (serpente, árvore,
fruta...). - De resto, é inútil insistir sobre a questão "poligenismo ou
monogenismo?", pois não há critérios científicos para dirimi-la (a ciência
até hoje não tocou a estaca zero do gênero humano); apenas interessa notar
que a hipótese poligenista não contraria à fé.”
(D. Estêvão Bettencourt, OSB. Evolucionismo e
Criacionismo. Pergunte & Responderemos, nº 469 - http://www.presbiteros.com.br/Dogma/Evolucionismo.htm)
Bem, depois de feita a ressalva inicial,
quanto ao alcance dessa declaração do insigne teólogo beneditino, é
preciso ainda constatar três coisas a respeito desse texto e de seu autor.
Primeiro, que Dom Estêvão está longe de ser
um “rigoroso benedito(sic)”, como quer o Dr. Galvão; pelo
contrário, Dom Estêvão é ninguém menos que o editor da versão brasileira
da revista Communio (cf. http://www.emmaus-communio.nl/menu-communio.htm
e http://www.communio-icr.com/affil.htm), revista esta que foi fundada
justamente por De Lubac e Von Balthasar, isto é, pelos próprios líderes da
nouvelle théologie, condenada pela Humani Generis! E
De Lubac foi ainda o principal defensor de Teilhard de Chardin, o
proponente-mór do poligenismo.
Segundo, além de bastante sintonizado com
os neomodernistas censurados na época de Pio XII, Dom Estêvão também
mostra-se bastante volúvel, pois em seu livro Ciência e Fé na História
dos Primórdios (Rio de Janeiro: Agir, 4.ª ed., 1962), defende
exatamente o oposto, ao falar do “poligenismo, que é inconciliável com
doutrinas de fé” (op. cit., p. 117; cf. todo o cap. VI:
“Monogenismo e Poligenismo”, p. 109s.)!
Terceiro, é mister constatar que os
argumentos oferecidos acima por Dom Estêvão, para defender a licitude do
poligenismo, deixam muitíssimo a desejar, principalmente em comparação com
os que antes propusera para defender a tese contrária, sobre os quais,
aliás, hoje apenas silencia, não lhes opondo absolutamente nada, o que é
indício de sua incapacidade de refutá-los. Vejamos alguns desses
argumentos, do livro que acabamos de citar.
Nessa obra pré-conciliar – e, ousaríamos
dizer talvez, inspirados pelo assunto, “pré-lapsária”? – Dom Estêvão cita
o seguinte cânon que estava para ser aprovado no Concílio Vaticano I,
quando este foi interrompido prematuramente: “Se alguém negar que o gênero
humano todo se origina de um único progenitor, Adão, seja anátema.” (Collectio
Lacensis VII 566, apud op. cit., p. 112). Embora não tenha
autoridade dogmática, tal cânon mostra a doutrina predominante dos Padres
deste Santo Concílio, que, sejamos francos, até hoje espera sua autêntica
continuação. Em todo caso, é referindo-se a ele e à Humani Generis,
esta sim de autoridade indiscutível, dizia D. Estêvão:
“Os projetos de definição do Concílio do Vaticano e
a encíclica "Humani generis" apontavam para os dogmas do pecado original e
da Redenção como sendo os principais esteios da posição da Igreja. De
fato, o monogenismo está intimamente ligado com estas duas verdades de
fé, de modo que negá-lo seria, ao mesmo tempo, deturpar o sentido
autêntico do depósito revelado. Em conseqüência, o monogenismo é dito
um "fato dogmático", ou seja, uma verdade histórica, contingente, que
nunca foi definida pelo magistério da Igreja, mas que não pode ser
rejeitada sem perigo imediato de se cair em heresia.”
(Dom Estêvão Bettencourt, Ciência e Fé na
História dos Primórdios, Rio de Janeiro: Agir, 4.ª ed., 1962, p. 115,
grifos nossos).
Que diferença, hein? Nem parece o mesmo.
Aliás, nunca pensei que veria um teólogo acusando a si mesmo de herege...
São os milagres do Vaticano II!
No mesmo capítulo, além do trecho de
Gênesis sobre o qual ele, em seu último artigo, se contradiz, Dom Estêvão
cita ainda outras passagens da Sagrada Escritura, sobre as quais hoje
apenas silencia. Citemos algumas, tão breves quanto inequívocas:
“Foi a Sabedoria que guardou o primeiro homem,
formado por Deus para ser o pai do gênero humano, o único criado.” (Sab
10,1).
“De um só (homem) fez (Deus) todo o gênero humano,
para que habite sobre a face da Terra.” (At 17,26).
“Foi por um só homem que o pecado entrou no mundo e
pelo pecado a morte, que atingiu todos os homens etc.” (Rom 5,12.17-9).
“Assim como a morte veio por um homem, é também por
um homem que veio a ressurreição dos mortos. Pois, como todos morrem em
Adão, todos também recuperarão a vida em Cristo.” (1 Cor 15,21s.).
Aliás, à Primeira Carta aos Coríntios, de
São Paulo, supracitada, acrescenta Dom Estêvão o seguinte comentário
bastante interessante:
“assim como não se pode entender o segundo homem, Cristo, no sentido de
uma coletividade, assim também não é o primeiro; trata-se de dois
indivíduos que, por sua obra pessoal, transmitem morte ou vida ao gênero
humano” (loc. cit., p. 116).
Dom Estêvão cita ainda, na pág. 117, o
Concílio de Trento, Sess. 5, can. 1: “o primeiro homem, Adão, transgrediu
o mandamento de Deus”; can. 2: “o pecado de Adão afetou toda a
descendência deste, à qual comunica culpa e morte”; e can. 3: “o pecado de
Adão é um ato único; transmite-se por geração, não meramente por
imitação”. E comenta nosso teólogo que, “embora a intenção dos Padres
conciliares não fosse definir o monogenismo”, entretanto “Estas
declarações, não há dúvida, implicam que todos os homens descendem de
Adão” (loc. cit., p. 117).
Finalmente, fica-se curioso em saber como o
insigne beneditino resolveu a questão moral com que termina o capítulo que
estamos citando. Pois dizia ele então que, aceitando o poligenismo, ficava
difícil defender a proibição do incesto:
“Uma questão de ordem
moral se deriva da posição monogenista.
O primeiro casal humano, conforme Gên 5,4, deu à luz
numerosos filhos e filhas, embora de três apenas nos tenham sido
transmitidos os nomes: Caim, Abel e Sete (cf. 4,1s; 5,3.) Os irmãos e
irmãs, filhos de Adão e Eva, se casaram entre si a fim de multiplicar o
gênero humano; Deus o permitiu dadas as circunstâncias extraordinárias,
únicas, em que se achavam os homens da primeira geração. A permissão, que
era necessária e lógica em tal caso, deixaria de o ser logo que houvesse
possibilidade de atender à propagação da espécie humana por via mais
conforme às leis da natureza. A permissão não se repetiu, pois, nem se
repete, após o caso excepcional, irreversível, da primeira geração
humana.”
(Dom Estêvão Bettencourt, Ciência e Fé na
História dos Primórdios, Rio de Janeiro: Agir, 4.ª ed., 1962, p. 126).
Mas, pensando bem, nem é preciso esperar
por mais “nova teologia” da parte de Dom Estêvão, pois que um recentíssimo
documento de peso da Igreja torna nulo o valor de sua defesa hodierna da
licitude do poligenismo, assim como, a fortiori, refuta cabalmente
a afirmação do Doutor em Teologia Antônio Mesquita Galvão de que “Hoje
todos os segmentos exegéticos da Igreja . . . já aceitam o poligenismo”.
Pois o recente Catecismo da Igreja Católica, de 1993, promulgado
pelo Papa João Paulo II, defende o monogenismo sem titubear:
Diz o Catecismo da Igreja Católica,
no número 390: “A Revelação dá-nos a certeza de fé de que toda a história
humana está marcada pelo pecado original cometido pelos nossos primeiros
pais452”. E o que lemos nessa nota
452? Pois bem: “452. Cf. Concílio de Trento: DS 1513; Pio XII: DS 3897;
Paulo VI, discurso de 11 de julho de 1966.” E adivinhe só que encílica de
Pio XII está citada aí? A Humani generis! E justo que parágrafo?
Leiamos Denzinger-Schönmetzer 3897:
“Mas, tratando-se de outra hipótese, isto é, a do poligenismo, os
filhos da Igreja não gozam da mesma liberdade, pois os fiéis cristãos não
podem abraçar a teoria de que depois de Adão tenha havido na terra
verdadeiros homens não procedentes do mesmo protoparente por geração
natural, ou, ainda, que Adão signifique o conjunto dos primeiros pais; já
que não se vê claro de que modo tal afirmação pode harmonizar-se com o que
as fontes da verdade revelada e os documentos do magistério da Igreja
ensinam acerca do pecado original, que procede do pecado verdadeiramente
cometido por um só Adão e que, transmitindo-se a todos os homens pela
geração, é próprio de cada um deles. [cf. Rom 5, 12-19].”
Aí está, o ensinamento que o Dr. Galvão diz
“obsoleto”, citado no mais recente catecismo promulgado pelo Papa, que o
aprova. Se, como ele diz, “todos os segmentos exegéticos da Igreja . . .
já aceitam o poligenismo”, então só resta uma conclusão: a Igreja desse
doutor, e sua teologia, não são a Católica.
Por ora é isso, professor. Aceite essa
contribuição para deixar patente como Dr. Galvão está errado no que afirma
Abraço,
Ad Calvarium per Rosarium,
Felipe A. Coelho.
PS. Permita-me ainda lembrar, que o
escritor Dr Mesquita Galvão não só errou escrevendo “a tantos anos
atrás”, como cometeu uma redundância inaceitável em quem se apresenta como
“escritor”. Se algo ocorreu “há anos”, só pode ser atrás.
Felipe.
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2.a carta do leitor |
16/08/2004
Eu pensava estar lidando com pessoas/entidades sérias...
Mas constatei, contristado haver mandado uma mensagem para um antro de
fanáticos, fundamentalistas, anacrônicos, moleques. Uma revista de Roma, a
quem mandei uma matéria sobre "criação e evolução", publicaram-na e
discordaram, com dlicadeza e educação. O que não ocorreu em seu site.
Vejam que eu foi lhano em meu trato com vcs. e recebi uma ironia e um
deboche, que não são adequados a quem se diz cristão. Dicordar sim (a
Teologia Moral fala em "correção fraterna) ; debochar (coisa diabólica),
jamais!
Como desconheço a formação do Dom Quixote (Orlando ) e de seu fiel
escudeiro Sancho Pança (Felipe Coelho) imagino-os como o auxiliar de
redação e o segundo sacristão, respectivamente. Vocês é que têm ranço de
sacristia! Sua "sabedoria" latinista tem cheiro de Opus Dei.
Enganam-se ao me imaginar cristão de sacristia: sou atuante, trabalho em
comunidades (as ex CEBs que vocês radicais acabaram), ministro da
esperança, dou aulas em cas de formação, assessoro workshops de teologia,
coordeno círculos bíblicos e animo retiros de padres, religiosos e leigos.
Inscrevam-se
Se querem currículo, deixei de dizer "Mestre em Escatologia". Desculpem
por eu ter estudado. Ok?
Mas não! Vocês chafurdam em cima de "verdades" clericais não dogmáticas,
que se refutadas os levaria a pensar e a gastar o meio neurônio que têm na
cabeça. Por isso preferem adotar o "prato feito", do tipo "Roma locuta
causa finita". Se vcs., grosseios sapientes, lerem GS e LG verão que esse
"engessamento" do pesamento (base da "santa" inquisição) foi derrogado
pelos "novos ares" que João XIII e Paulo VI fizeram soprar sobre a Igreja.
Jesus diz que o Espírito (vento, pnêuma) sopra onde quer...
parece que vcs, nao permitiram que ele soprasse em suas cabeças vetustas.
Sua deselegância chegou a tal ponto de, nao tendo argumentos fortes para
revidar, levantar a questão de um
há trocado (na digitação por a). Isso é falta de assunto e ser muito
pequeno!!
Sou escritor, sim, tenho 90 livros publicados (Vozes, Loyola, Paulinas,
Palloti, Santuário, Ave-Maria e outras), no Brasil e exterior (França,
Argentina, Colômbia, México, Alemanha, Itália e países da África) e nao me
preocupo demasiadamente com ss e rr, acentos ou crases, embora portador de
três cursos supeiores, uma especialização, dois mestrados e um doutorado
(desculpem!!).
Ao escritor é dado criar. Revisão quem faz é revisor (a quem as editoras
pagam "salário mínimo").
Ademais, quem são vocês para aferir a fé das pessoas?
Eu creio em Deus (uno e trino) e nas verdades que a Bíblia nos revela.
Essa obediência hierárquica ao "magistério" para mim é relativa. Creio na
Igre Católica, sim, Igreja comunidade dos que crêem... creio pouco na
igreja secular, hierárquica, às vezes tirana.
Mas, se é para apontar erros, em sua debochada frase "... sua sabedoria
teologal..." você mostrou que não sabe a diferença entre teologal e
teológico. Isto é elementar!! Minha sabedoria é teológica. Oriunda de
estudo (lógos) de Deus (Theós). Minha sabedoria teologal (nas virtudes
religiosas, a partir do amor, da fé e da esperança) ainda precisam de
muito crescimento.
Você fala em germanismos, mas o grande guru de João Paulo II, a "coluna da
ortodoxia", o homem que comanda o Vaticano, hoje, J. Ratzinger, é alemão,
como o foram os grandes Küng e Rahner.
Seu "escudeiro" (Felipe Coelho) fala mal de H. Ur von Balthassar e H. de
Lubac, esquecendo-se que eles, com C. M. Martini e J. Danielou froam os
maiores teólogos do século XX. Inclusive, Lubac e Danielou foram os que
resgataram o estudo da Patrística, coisa que vc, deve desconhecer.
E despede-se de forma santarrona e farisaica, afirmando"-se "In Corde Jesu,
semper", hora, meu caro sacristão de meia-tigela, pelo seu nascisismo e
reducionismo às adiposas conformações de seu umbigo, seria melhor que se
assinasse "in corde luxfero, saepe".
Vou orar pela conversão de vocês!
Sinceramente.
Prof. Dr. Antônio Mesquita Galvão
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Resposta à 2.a carta |
Furibundo Doutor Antônio Mesquita Galvão, Escritor,
autor de 90 livros, Doutor em Moral, Mestre em Escatologia, Professor de
Teologia, Animador de Padres, Líder das fracassadas Cebs, Ministro da
esperança, Coordenador de Círculos Bíblicos, Assessor em workshops de
Teologia, em suma, Doutor das canoas viradas e furadas,
Meus sinceros cumprimentos admirativos e
embasbacados!
Eu sabia!
Não disse ?
Eu tinha certeza que o senhor devia ter mais
diplomas!
Acertei!
Foi sua modéstia que não lhe permitiu estadear, logo
de início, todos os seus títulos!
Agora, sabemos que o senhor é também Mestre em
Escatolgia, e que é Assessor em workshops de Teologia! E Ministro da
Esperança! (Que será isso? Que novidade pós conciliar será essa ?!). E
etc.
Creio que, com esse currículo, lhe será fácil
arranjar emprego!
Só que a Montfort não é agência de empregos.
E nem vitrina para exibir valores intelectuais reais
ou fictícios.
Entretanto, por caridade, apresso-me a publicar esta
sua segunda missiva, a fim de atender seu desejo de notoriedade, ou de lhe
ajudar a encontrar emprego, pois temo que o senhor esteja desempregado,
tal o seu desejo de expor seus títulos e diplomas.
De fato, a crise do país é muito grande, e os
desempregados são milhões.
Comunica-me, pois, o senhor, um complemento de seu
currículo, anteriormente enviado, esclarecendo possuir outras capacidades
extraordinárias, que ainda não haviam sido reveladas:
"Sou atuante, trabalho em comunidades (as ex CEBs
que vocês radicais acabaram), ministro da esperança, dou aulas em cas de
formação, assessoro workshops de teologia, coordeno círculos bíblicos e
animo retiros de padres, religiosos e leigos. Inscrevam-se Se querem
currículo, deixei de dizer "Mestre em Escatologia". Desculpem por eu ter
estudado. Ok?"
Fique tranqüilo, o senhor está desculpado.
Compreendo que apenas a sua modéstia inenarrável o
fez omitir tantas preciosas qualidades suas, em sua primeira missiva.
Por espírito de cooperação vou ajudá-lo.
Embora, como lhe disse, a Montfort não seja agência
de empregos, quer o senhor que envie seu currículo para alguma agência
desse tipo?
Creio que, como Mestre em Escatologia, o senhor tem
pouca possibilidade de vir a ser contratado. Afinal, nenhuma entidade
comercial está interessada no fim do mundo.
Mas, como Ministro da Esperança, talvez algum
desesperado clube de várzea, ou alguma igrejola protestante do tipo da
evangélica Bola de Neve ou da igrejola Sabão, Sopa e Salvação, possa
contratá-lo.
Aliás, bem que o governo atual do país poderia
nomeá-lo Ministro da Esperança, virtude muito difundida e sempre
decepcionada em nosso Brasil.
Claro que há mais possibilidade de haver emprego num
shopping center ecumênico das religiões mundiais, que utilize sua
capacidade de assessorar " workshops de
teologia".
Até isso existe hoje!
Efeitos do Vaticano II... no merchandising teológico
O senhor me fala em seriedade...
Meu caro senhor, títulos não substituem argumentos,
e ofensas e insultos não tornam o poligenismo verdade comprovada.
Isso não é discutir seriamente.
Como o senhor, pretendendo escrever seriamente
contra o monogenismo, só se preocupou em exibir seus títulos, e a nos dar
apodos depreciativos, escrevendo-nos uma carta tão pouco séria? Tão pouco
fundamentada?
Ou julga o senhor que é sério proclamar, sem ficar
corado de vergonha: "minha sabedoria é teológica" ? E, depois desse
auto elogio vergonhoso e envergonhante, julgar ainda que tem direito de
negar com desenvoltura e gratuitamente o que a Igreja ensina ?
Meu caro Doutor, jactância e exibição não são
conciliáveis com seriedade.
Sua primeira carta, se, por um lado, mais parecia um
folhetim de propaganda eleitoral de um candidato a vereador em Alto do
Goloso do Grogotó dos Pimentas, de outro lado, era ela um amontoado de
frases atrevidas, agredindo a doutrina católica, com teses típicas de um
herege modernista, sem base e com muita pretensão.
Agora, nesta sua segunda missiva, -- mais furiosa e
ainda mais herética que a primeira -- o senhor quis completar seu
currículo, e nos cobrir com novos insultos.
Constato ainda que o senhor nos acusa, a mim e a meu
aluno Felipe Coelho, de termos "cabeças vetustas" e não ventiladas pelos
ventos -- pelo pneuma-- do "Espírito Santo". Sua cabeça , ao contrário das
nossas, certamente parece ser muito bem ventilada. Tão ventilada, que temo
estar ela pouco "recheada". Nela, admito, sem dúvida alguma, há muita
capacidade. O que se comprova pela sua nova carta, vazia de argumentos e
cheia de insultos.
O senhor nos pergunta:
"Ademais, quem são vocês para aferir a fé das pessoas?"
Mas meu caro Doutor, foi o senhor que contestou
nossa Fé na existência de Adão, no dilúvio, e no fundo, na Sagrada
Escritura, apodando-nos de fundamentalistas do século XIX, por
acreditarmos no que a Igreja católica continua ensinando, no Catecismo e
nas encíclicas, sobre o monogenismo, e contra o poligenismo que o senhor
defende.
Não fomos nós que lhe escrevemos.
Só lhe respondemos.
Só lhe demos o troco.
E na moeda com que o senhor nos pagou. Sua moeda foi
a do desprezo, do insulto, da tentativa fracassada de nos por em ridículo,
e defendendo heresias e doutrinas contra a Fé.
Que troco quereria o senhor receber?
Em que moeda?
O senhor nos apresenta, agora, o seu credo, aliás,
muito curtinho, muito protestantezinho:
"Eu creio em Deus (uno
e trino) e nas verdades que a Bíblia nos revela".
Isso podia ser assinado por Calvino ou Lutero. Ou
pelo pastor Josequiel da Igreja Evangélica da Bolha de Sabão Renovada ao
Vento da Profecia.
Se é só nisso que o senhor crê, só falta agora nos
dizer qual é a seita reformada à qual o senhor se filia.
E mais: será que o senhor crê mesmo nas verdades que
a Bíblia nos revela? E o seu Adão metafórico? O senhor já se esqueceu
dele?
Sua crença na Bíblia é então metafórica, e sua fé na
Igreja é com restrições.
E a comprovação de que o senhor não crê, de fato,
inteiramente na Unam, Sanctam, Catholicam et Apostolicam Ecclesiam, como
canta o Credo, está em que o senhor afirma -- para constar -- que crê na
Igreja Católica, mas confessa, logo a seguir, que não aceita o que o
Magistério da Igreja ensina. Portanto, exatamente como Lutero, ou como o
pastor Josequiel.
E confessa o senhor o seu repúdio à Igreja Católica,
a única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, insultando-a, ao escrever:
"Essa obediência hierárquica ao "magistério" para
mim é relativa. Creio na Igreja Católica, sim, Igreja comunidade dos que
crêem... creio pouco na igreja secular,
hierárquica, às vezes tirana".
Ilustríssimo doutor, o senhor é um herege. Ainda que
herege bem pouco ilustre, o senhor é um herege completo.
Meu caro Doutor em todas as Teologias, o senhor deve
saber que a Fé ou é total e íntegra, ou não existe.
Se o senhor confessa ter pouca fé nos ensinamentos
da Igreja, e se o senhor a chama de "tirana" é porque o senhor é um
rebelde contra ela.
E é isso que o senhor deve ensinar aos padres que o
ouvem em workshops teologais.
Lamentável!
E se o senhor confessa que não aceita o Magistério
da Igreja, que não liga para o que ele ensina, como declarou, em sua
primeira carta, que sua defesa do poligenismo é apoiada por todas as
correntes teológicas, e que, hoje, na Igreja, ninguém mais acredita no
monogenismo? Para o senhor, valem mais as opiniões de teólogos do que o
ensinamento do Magistério da Igreja?
Meu aluno Felipe provou que isso era falso: o
próprio Catecismo da Igreja Católica defende o monogenismo e com base na
Humani Generis de Pio XII, que o senhor desprezou.
Será que discutir assim é discutir seriamente?
E, para bem se identificar como herege modernista, o
senhor muito desrespeitosamente chama o Cardeal Ratzinger de "guru",
e se mostra reverente para com os "grandes" -- hereges modernistas
-- Hans "Kung e Rahnner".
Sabendo, então, que o senhor chama a Igreja Católica
de "tirana", sabendo que o senhor se atreve a blasfemar
publicamente contra a Igreja de Deus, honra-me o senhor chamar-me, em tom
de insulto, de Dom Quixote.
Sim, conheço Dom Quixote ...
"Oui, je le connais".
"Et je me courbe au nom de cet hurluberlu".
E por que se lembrou o senhor de Dom Quixote, que
atacava moinhos de vento, julgando-os gigantes ?
Por acaso porque respondi ao ataque de alguém, cuja
cabeça, sendo tão ventilada, gira, como a um moinho, a todo vento das
novidades doutrinárias? Alguém que está sempre, como cata-vento, girando
ao sabor das brisas da última moda, sempre com temor de ser taxado de não
atualizado? Alguém que é adepto da Igreja Universal Aggiornata e
Descartável ?
Não o julguei um gigante, não. Pelo contrário.
E o senhor ofende meu "fiel escudeiro", Felipe
Coelho, chamando-o de Sancho Pança, a ele que é tão magro, -- tomando o
cuidado de não responder a nenhum de seus argumentos e documentos.
Pois saiba, que, com um Coelho só, matei dois
defensores do poligenismo condenado pela Igreja Católica, aquela que o
senhor chama blasfemamente de "tirana".
"Caridosamente", o senhor encerra sua carta
insultante, escrevendo-me que sou um "fariseu" "santarrão", por
despedir-me com uma jaculatória ao Sagrado Coração de Jesus.
E falando de mim, me descreve, debochando de minha
devoção:
"E despede-se de forma
santarrona e farisaica, afirmando"-se "In Corde Jesu, semper", hora
(sic!), meu caro sacristão de meia-tigela, pelo seu nascisismo e
reducionismo às adiposas conformações de seu umbigo, seria melhor que se
assinasse "in corde luxfero (sic!), saepe".
Compreendo que quem chama a Igreja Católica de
"Tirana", me desaconselhe encerrar minhas cartas com uma referência ao
Sagrado Coração de Jesus.
Compreendo que um adepto furibundo da Igreja
Universal Aggiornata e Descartável, me aconselhe que, em vez de me
despedir, em minhas cartas, com uma jaculatória ao Sagrado Coração de
Jesus, recomenda que eu faça uma oração a Lúcifer e ao coração dele,
"cheio de mentira e de ódio homicida".
Vae vobis, laudatoris diaboli, dominus nefandus
ecclesiae universalis aggiornata et descartabilis.
Repudiando sua sugestão demoníaca, e, apesar de sua
irritação, querendo honrar a Nosso Senhor por seu Coração infinitamente
misericordioso, me subscrevo in Corde Jesu semper, Orlando Fedeli.
PS. Quando o senhor --que é escritor
internacionalmente conhecido - me chamou de "sacristão de meia-tigela",
o senhor, confiando na sua "criatividade", em continuidade, escreveu:
"hora, meu caro sacristão de meia-tigela".
Ora, nessa frase, a
palavra que o senhor deveria ter usado era "ora", conjunção
coordenativa, e não o substantivo "hora", nome que designa unidade
de tempo.
Aconselho-o a contratar um revisor. Sai baratinho. E
ele lhe servirá para ocultar a sua imensa sabedoria gramatical tão cheia
de criatividade, ó caríssimo Doutor das canoas viradas e furadas.
Passe bem.OF
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Contribuições à resposta 2 |
Prezado Prof. Orlando, salve Maria!
Realmente, diante da confissão de heresia do Dr.
Antônio Mesquita Galvão, declarando-se abertamente um inimigo da Santa
Igreja de Roma, que ele chama de "tirana", resta pouco a acrescentar. Faço
a seguir algumas últimas contribuições, apenas para não deixar certas
coisas sem comentário.
Para começar, convém notar que, num de seus artigos
na Internet, esse doutor faz uma comparação blasfema entre Nosso Senhor
Jesus Cristo e o terrorista comunista Chê Guevara ( http://www.crestani.hpg.ig.com.br/mesquita/mesquita_42.htm),
além de, noutro artigo, declarar-se um "socialista confesso" (http://www.crestani.hpg.ig.com.br/mesquita/mesquita_44.htm)
e, no mesmo parágrafo, fazer uma citação de Arnaldo Jabor em termos de
baixo calão, que nunca se esperaria da boca de um doutor em teologia moral
e que recusamo-nos a reproduzir. E esse senhor ainda quer dizer-se
católico?
Nesse último e-mail, o Dr. Galvão declara também sua
veneração pelos "grandes" teólogos dissidentes Hans Küng e Karl Rahner,
ambos opositores da Humanae Vitae, de Paulo VI, a qual atacaram
violentamente na ocasião de sua publicação, e ambos defensores de uma
"nova moral", da qual o Pe. Cornelio Fabro dá a seguinte descrição, que
cai como uma luva para este último e-mail do Dr. Galvão:
"A esta teología moral del rechazo de la ley moral
natural sirve de apoyo, es más, de fundamento, una teología dogmática que
rechaza los dogmas y se aparta de las verdades fundamentales del Credo:
una brusca y total capitulación frente al racionalismo de la teología
liberal protestante, embadurnado hoy de una pizca de existencialismo y de
mucho marxismo. Este rechazo de los dogmas, unido al de los principios de
la moral que miraba a restablecer y salvar en el hombre la imagen de Dios,
apela al espíritu de apertura del reciente Concílio y del papa Juan que lo
convocó..."
(Cornelio Fabro, O.P., La Aventura de la Teología
Progressista, EUNSA, 1976, p. 18-19)
O Dr. Galvão chama ainda os neomodernistas Henri de
Lubac, Jean Daniélou e Hans Urs von Balthasar de "os maiores teólogos
do século XX". Ora, a admiração que um teólogo rebelde como o Dr.
Galvão tem por eles já diz volumes sobre essa gente! Em seguida, nosso
doutor "adivinha" que desconheceríamos o resgate do estudo da Patrística
feito por esses hereges. Mas como poderíamos desconhecer isso, nós que
nesta polêmica tanto defendemos a Humani Generis, se essa encíclica
reprova justamente esse movimento, que, como bem o resume Maritain,
"quer reinventar os Padres Gregos ao som da música hegeliana"?
Pois assim os descreveu e condenou o Papa Pio XII,
nesta encíclica, qualificando a maliciosa volta à Patrística da
nouvelle théologie como modernismo disfarçado:
"Quanto à teologia, o que alguns pretendem é
diminuir o mais possível o significado dos dogmas e libertá-los da maneira
de exprimi-los já tradicional na Igreja, e dos conceitos filosóficos
usados pelos doutores católicos, a fim de voltar, na exposição da doutrina
católica, às expressões empregadas pela Sagrada Escritura e pelos Santos
Padres. Esperam que, desse modo, o dogma, despojado de elementos que
chamam extrínsecos à revelação divina, possa comparar-se frutuosamente com
as opiniões dogmáticas dos que estão separados da unidade da Igreja, e
que, por esse caminho, se chegue pouco a pouco à assimilação do dogma
católico e das opiniões dos dissidentes.
Reduzindo a doutrina católica a tais condições,
crêem que se abre também o caminho para obter, segundo exigem as
necessidades atuais, que o dogma seja formulado com as categorias da
filosofia moderna, quer se trate do imanentismo, ou do idealismo, ou do
existencialismo, ou de qualquer outro sistema. Alguns mais audazes afirmam
que isso se pode e se deve fazer também em virtude de que, segundo eles,
os mistérios da fé nunca se podem expressar por conceitos plenamente
verdadeiros, mas só por conceitos aproximativos e que mudam continuamente,
por meio dos quais a verdade se indica, é certo, mas também
necessariamente se desfigura. Por isso não pensam ser absurdo, mas antes,
pelo contrário, crêem ser de todo necessário que a teologia, conforme os
diversos sistemas filosóficos que no decurso do tempo lhe servem de
instrumento, vá substituindo os antigos conceitos por outros novos; de
sorte que, de maneiras diversas e até certo ponto opostas, porém, segundo
eles, equivalentes, faça humanas aquelas verdades divinas. Acrescentam que
a história dos dogmas consiste em expor as várias formas que
sucessivamente foi tomando a verdade revelada, de acordo com as várias
doutrinas e opiniões que através dos séculos foram aparecendo.
Pelo que foi dito é evidente que tais esforços não
somente levam ao relativismo dogmático, mas já de fato o contém, pois o
desprezo da doutrina tradicional e de sua terminologia favorece tal
relativismo e o fomenta."
(Pio XII, Humani Generis, §14-16)
Note-se que, neste último parágrafo, Pio XII
equaciona o relativismo teológico do ressourcement (movimento de
volta às fontes) com o relativismo dogmático, que caracteriza a heresia
modernista! Logo, a nouvelle théologie de De Lubac e da revista
Communio é modernista, sim. E já na Pascendi encontramos uma
condenação antecipada a esse movimento - que triunfou no Concílio Vaticano
II, como se vê pela própria linguagem de seus documentos, dos quais os
"novos teólogos" foram redatores -, pois prescrevia então São Pio X:
"sejam censurados como fautores do modernismo,
aqueles que de tal modo elevam a teologia positiva [na qual se inclui a
Patrística] que parece quase desprezarem a escolástica."
(S. Pio X, Pascendi Dominici Gregis, §99).
Por fim, será que o Dr. Galvão ignora que, do ponto
de vista da teologia moral, em que ele é doutor, tais autores, que ele
elogia, são reprováveis até mesmo em seu comportamento particular? Pois
hoje é de conhecimento público que o padre Rahner escreveu 2.200 cartas à
sua namorada, a divorciada Luise Rinser; Von Balthasar abandonou os
jesuítas, para ficar ao lado da visionária e pseudomística Adrienne Von
Speyr; das mulheres na vida do Pe. Teilhard, mestre de De Lubac, nem se
fala; e o Cardeal Daniélou morreu depois de ter um enfarto, numa casa de
má vida, na noite de Natal!
Em vista de toda essa imoral "nova teologia"
modernista, da qual o socialista e anticlerical Dr. Antônio Mesquita
Galvão assina embaixo, só nos resta perguntar: como é possível que
editoras ditas católicas publiquem obras desse senhor? E onde foi que ele
conseguiu um doutorado em Teologia Moral? No Instituto Teológico do
Relativismo?
Enfim, professor, creio que eventuais respostas
ulteriores desse senhor nem merecem mais réplica nossa e devem ir direto
para o "Quadro de Honra" do site, onde estampamos os insultos
dirigidos a nós e a nossa santíssima religião.
Ad Calvarium per Rosarium,
Felipe A. Coelho.
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3.a carta do leitor
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Veja continuação da troca de mensagens na
nossa seção "QUADRO DE HONRA"
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