| Pergunta |
 Palavras de apoio de um sacerdote
De: Pe. Clécio Enviada em: Sexta-feira, 27 de novembro de 2003
Caríssimo Professor Orlando, cordiais saudações!
Apesar de não o conhecer pessoalmente sinto-me muito próximo do senhor. A razão é mais que óbvia: a confissão da mesma fé católica e o amor à única Igreja de Nosso Senhor. Seu sítio mereceria uma consideração maior por parte dos pastores da Igreja, no que concerne à formação do laicato. Não tenho deixado de indicá-lo àqueles que desejam uma compreensão mais aprofundada da doutrina ortodoxa. Sabe o senhor, pela experiência de professor, como nossos leigos são levados a formar opiniões superficiais, quando não heterodoxas, sobre aquilo de que depende sua salvação eterna.
Conforme lhe confidenciei, nós padres, dedicados como estamos aos munera regendi e santificandi, nem sempre damos o tempo que se faria necessário ao docendi. E não apenas, pior quando isso nos impede de nos dedicarmos ao estudo. E sói acontecer. Seu trabalho é muito valioso para mim; nele eu posso confiar, pois seu amor à verdade é patente.
Por tudo isso, não é o senhor que deve me agradecer mas eu ao senhor. E a licença que me pede para publicar minhas considerações a respeito dos ritos sacrílegos da seita dita "igreja brasileira" é concedida. Caso alguma carta minha se revestisse de caráter mais pessoal ou mesmo inconveniente para publicação eu o faria saber, do contrário não necessita o senhor pedir-me licença para tal. Sinto-me honrado em contribuir com seu trabalho apostólico. E há mesmo uma questão sobre a qual venho meditando que poderia ser ocasião de uma dessas trocas de missivas reservadas.
Concluindo deixo-lhe um testemunho. Sempre que em minhas pregações, aulas ou catequeses exponho ao ridículo as posições heréticas o efeito é mais notório. A ironia tem sido uma valiosa arma para mim, embora não seja eu um habilidoso atirador como o senhor. Quem o critica desconhece as exigências da verdade e os meios pelos quais ela pode se revelar, e Sócrates, bem antes de nós já fazia dela um método. Confundir o uso da ironia como falta de caridade só revela o nível lastimável de irracionalidade a que chegam muitos e a fé infantil e sentimental em que tantos se conservam.
Deus o abençoe, e aos seus, e os guarde sob a doce e poderosa proteção de sua Santíssima Mãe.
Confiando em suas orações e oferecendo-lhe minhas bênçãos, um servo seu, em Nosso Senhor
pe. Clecio
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| Resposta |
Muito reverendo e estimado Padre Clécio, salve Maria!
É bom costume do povo brasileiro, quando uma pessoa se aproximava de um Padre, dizer-lhe, ao beijar-lhe a mão consagrada: "A sua benção, Padre".
Sua caridade, Padre Clécio, se antecipou generosamente a meu pedido. Pois sua carta é uma bênção sacerdotal sobre meu trabalho e sobre a minha pessoa.
Que Deus lhe pague, Padre.
O senhor não imagina como desejo a companhia de um Padre, como aspiro ao conselho, à crítica sábia e amiga de um sacerdote. Na Idade Média, se dizia: "Quem não tem senhor feudal, está em muito má situação. Pois neste mundo pagão em que vivemos, no qual faltam sacerdotes, e especialmente fazem falta bons sacerdotes, o provérbio antigo deveria ser mudado: "Quem não tem um sacerdote para guiá-lo, está em muito má situação".
Sua carta, Padre Clécio, me é muito mais preciosa do que a carta de um simples amigo. De um amigo se recebe apoio natural, e, muitas vezes, apoio caridoso. Mas, de um Padre, o apoio e compreensão vem sempre como uma bênção de Deus. Porque da boca do sacerdote sai o "Ego te absolvo", em nome de Deus. Da boca do sacerdote sai o "Hoc enim est". E, se da boca do sacerdote, se recebem palavras com as que o senhor teve a caridade de me enviar, então o agradecimento deve ser bem mais profundo.
Deus lhe pague por suas palavras bondosas. Deus lhe pague por sua compreensão e defesa de meu estilo combativo. Deus lhe pague por seu destemor.
Nós todos da Montfort lhe rogamos que se lembre de nós todos em suas Missas, que nós, nós o temos como nosso amigo muito nosso
in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.
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