(Fonte:
site
Catholic Family News
-
http://www.cfnews.org/cfn.htm -
ou
http://www.fatima.org/news/newsviews/sprep111303.asp
Tradução
nossa; negrito do original)
De
10 a 12 de Outubro de 2003, realizou-se em Fátima uma conferência pan religiosa
com o nome "O Presente do homem — o Futuro de Deus: o lugar dos santuários em
relação ao sagrado”. Ela foi realizada no Centro Pastoral Paulo VI, próximo ao
santuário de Fátima em Portugal. Eu viajei à Fátima para cobrir o Congresso e
participar dos três dias do evento, onde ouvi algumas das mais explícitas
heresias que jamais ouvira.
Apresentou-se como um Congresso “Científico”, termo que não usaríamos na América
do Norte para descrevê-lo. Aqui (nos Estados Unidos) o classificaríamos
Congresso “Acadêmico”. De todo modo, o Congresso era formado por teólogos
modernos e sacerdotes, que discutiam a importância dos santuários religiosos —
qualquer santuário, seja ele católico, budista ou hindu.
Nos
primeiros dois dias foram apresentadas diversas conferências, somente de
católicos, entre as quais se incluíam a do Bispo de Leiria-Fátima, D. Serafim de
Souza Ferreira e Silva; do Cardeal Patriarca de Lisboa, José da Cruz Policarpo;
do famoso “teólogo ecumênico”, Padre Jacques Dupuis; e de vários outros Ph.D de
Portugal.
No
Domingo, em sessões presididas pelo Arcebispo Michael J. Fitzgerald, Prefeito do
Conselho Pontifício do Vaticano pelo Diálogo inter-religioso, representantes de
diversas religiões — incluindo budistas, hindus, islâmicos, ortodoxos,
anglicanos e católicos — deram seu testemunho sobre a importância dos
“santuários” em suas tradições religiosas.
Mais
tarde, a imprensa portuguesa publicou que o objetivo deste Congresso era o de
transformar Fátima em um santuário inter-religioso, uma notícia que ainda está
para ser negada pela hierarquia portuguesa e apenas parcialmente negada pelo
Arcebispo Fitzgerald. Ainda assim, como esta testemunha ocular irá demonstrar, a
orientação ecumênica do santuário de Fátima já está a caminho, quer chamem
oficialmente de "santuário inter-religioso" ou não.
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Sessão
inter-religiosa da manhã de Domingo, presidida pelo Arcebispo Fitzgerald.
Aqui, ele divide a mesa com um budista, um hindu e um muçulmano. |
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Nota:
reproduzimos apenas algumas das fotos constantes do site original, acima
indicado |
O
Congresso Ecumênico
O
tema “Santuários”, escolhido para este congresso, reflete o ‘mínimo denominador
comum’ ecumênico, que prevalece há quarenta anos. É uma abordagem que minimiza
as diferenças doutrinais entre as várias religiões e enfatiza “aquilo que temos
em comum”.
O
que todas as religiões têm em comum? Todas elas acreditam em algum tipo de
“Deus”; portanto, nós podemos organizar um simpósio ecumênico para falar sobre
os vários aspectos de “Deus”. Todas as religiões acreditam em orações; façamos,
então, um encontro pan-religioso para que todos possam “dividir” suas
experiências sobre orações. Todas as religiões têm santuários; preparemos,
assim, um Congresso inter-religioso para discorrer sobre a importância dos
santuários nas várias tradições religiosas. E, assim, “Santuário”, segundo a
perspectiva pan-religiosa, foi o foco do recente Congresso em Fátima.
O
único anátema nestes Congressos é reconhecer que a Igreja Católica é a única
religião verdadeira, estabelecida e desejada por Deus, e que todas as outras
religiões são falsas, são sistemas criados por homens, e seus adeptos acreditam
em falsos deuses. Dessa forma, estas religiões constituem um pecado mortal
objetivo contra o Primeiro Mandamento: “Eu sou o Senhor teu Deus, não tenhais
outros deuses diante de mim”. Os falsos deuses do budismo, hinduismo e
islamismo são os “outros deuses” que o Primeiro Mandamento proíbe a toda
humanidade de venerar.
Isto
também se aplica ao Protestantismo, uma vez que os protestantes acreditam em um
Cristo que jamais existiu. Eles acreditam em um Cristo que não estabeleceu
uma Igreja para ensinar, governar e santificar todos os homens. Eles acreditam
em um Cristo que não estabeleceu um Papado. Eles acreditam em um Cristo
que não quer que honremos Sua Santíssima Mãe. (E nós sabemos, da Mensagem de
Fátima, que Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de
Maria). Eles acreditam em um Cristo que não estabeleceu sete Sacramentos
como os principais meios para que alcancemos a graça para a salvação. Eles
acreditam em um Cristo que não estabeleceu o Sagrado Sacrifício da Missa.
Em resumo, os protestantes prestam culto a um falso Cristo, ou seja, a um falso
Deus. É isto o que o bem-aventurado Papa Pio IX ensinou nos Syllabus de
1864, afirmando que é um erro acreditar que o “Protestantismo não é nada mais
que outra forma da mesma verdadeira religião Cristã”. [1]
Assim, na regra objetiva, é impossível a qualquer não-católico, não
importa quão bem intencionado, obedecer ao Primeiro Mandamento. [2] Nós podemos,
então, compreender porque o Concílio de Trento proclamou infalivelmente que, sem
a Fé católica, “é impossível agradar a Deus”.
Esta
tradicional e verdadeira doutrina católica é posta de lado nestes eventos
inter-religiosos, e, de modo geral, na prática ecumênica. A nova teologia
ecumênica, ao revés, diz que os membros de todas religiões fazem parte do
“Reino de Deus”, e que são “parceiros iguais no diálogo”. A religião católica
pode possuir a “plenitude da verdade”, mas todas as outras religiões fazem
igualmente parte do plano de Deus. Esta, particularmente, é a tese do teólogo
modernista Padre Jacques Dupuis, que falou no Congresso na tarde de sábado.
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Pôster com o logo do Congresso. |
As
sessões e Sexta:
Inicialmente, não achava que conseguiria fazer uma avaliação justa do Congresso.
As conferências seriam feitas em Português, uma língua que não falo. O Congresso
tinha tradução simultânea em inglês, mas os tradutores não eram muito bons. Um
deles era praticamente inútil: transformava parágrafos inteiros dos textos dos
palestrantes em simples frases, e frases não muito compreensíveis. Por sorte,
duas das mais importantes conferências foram feitas em inglês.
Do
que pude compreender dos palestrantes portugueses, eles falavam, de modo geral,
sobre “Santuários” na linguagem da moda da nova Igreja: “O Santuário é um altar
de purificação e esperança”, um “lugar de refúgio contra a tentação de prazer e
poder”. “Santuário” é parte do “mistério” na “busca pela santidade, encarnação e
transcendência”. Lembro que os palestrantes aqui se referem aos santuários
religiosos de todas as religiões, sejam santuários de Nossa Senhora, sejam
templos pagãos.
Era
de se esperar que um Congresso em Fátima sobre Santuários tivesse ao menos uma
conferência sobre o Santuário de Fátima. Que nada! O Santuário de Fátima foi
apenas lembrado incidentalmente, e de vez em quando. A mensagem de Fátima, ou
mesmo a história de como o Santuário de Fátima veio a existir, não recebeu
nenhuma atenção. O Rosário, o Imaculado Coração, a visão do inferno, os cinco
primeiros sábados, a reparação pelos pecados, todos os elementos constitutivos
da Mensagem de Fátima não foram sequer mencionados. [v. Apêndice I com a
programação do Congresso]
Na
Sexta-feira, foram realizadas conferências que trataram da “Natureza
Pastoral/Científica dos Santuários”. Disseram que “Aquilo que ocorre em um
santuário é uma expressão do povo de Deus em ação”. Um professor citou com
alvoroço uma bizarra declaração do Padre modernista Eward Schillebeeckx: “a
história da salvação não é necessariamente a história da revelação”. Outro
conferencista falou indistintamente de Fátima, Meca e Kioto, colocando assim a
verdadeira Igreja de Cristo no mesmo nível das falsas crenças, e situando as
aparições verdadeiras de Nossa Senhora de Fátima — um evento presenciado por
70.000 pessoas no Milagre do Sol — no mesmo nível das fábulas e superstições das
falsas religiões. Não é isto zombar do Deus verdadeiro e blasfemar contra Nossa
Senhora de Fátima? [3]
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No Congresso de Fátima, o Padre Jacques Dupuis desdenha publicamente de um
dogma definido pela Igreja. |
Padre Dupuis
Conforme já dito, duas das mais importantes apresentações foram feitas em
inglês: a do padre ecumênico Jacques Dupuis, no sábado, e um breve discurso do
Arcebispo Michael J. Fitzgerald, no domingo. Estas eu compreendi perfeitamente,
e fiquei horrorizado com o que foi dito.
Como
alguns leitores talvez já saibam, eu cobri vários destes eventos
pós-conciliares, incluindo Seminários da Nova Evangelização, Dias Mundiais da
Juventude e Rock’n’Roll, barulhentas reuniões do Movimento Carismático, e Noites
de Diálogo Judaico-Católico. [4] Mas, a mais explícita heresia, que nunca ouvira
em qualquer destes eventos, veio da boca do padre jesuíta Jacques Dupuis, a
algumas centenas de metros do local em que Nossa Senhora de Fátima aparecera.
O
padre Jacques Dupuis é um teólogo ecumênico, progressista, que entrou na ordem
dos Jesuítas em 1941. Neste Congresso, ele propôs sua tese de que todas
religiões são positivamente desejadas por Deus. Disse que não deveríamos nos
referir às outras religiões como “não-cristãs”, uma vez que este é um termo
negativo que os descreve “por aquilo que pensamos que eles não são”. Ao
contrário, disse o padre, deveríamos nos referir a elas como às “outras”.
Ele
se desfaz da verdade de que há apenas uma única Igreja verdadeira, fora da qual
não há salvação, apesar deste ensinamento ter sido definido de forma infalível
por três vezes. A definição mais explícita e vigorosa do “fora da Igreja não há
salvação”, foi pronunciada de fide no Concílio de Florença:
“A
Santíssima Igreja Romana crê, professa e prega firmemente que ninguém que não
esteja dentro da Igreja Católica — não apenas pagãos, mas também judeus,
heréticos e cismáticos — jamais poderá tornar-se partícipe da vida eterna, mas
que será votado ao fogo eterno, “que foi preparado para o demônio e seus anjos”
(Mt 25, 41), a não ser que, antes da morte, se una a ela; e que tão importante é
a unidade deste Corpo Eclesiástico, que apenas aqueles que permanecem dentro
desta unidade podem lucrar dos sacramentos da Igreja para a salvação, e que
apenas eles poderão receber recompensa eterna por seus jejuns, suas esmolas, e
outros trabalhos de piedade cristã e deveres de soldado cristão. Ninguém, não
importa quão grandes e numerosas sejam suas esmolas, ninguém, ainda que verta
seu sangue em nome de Cristo, poderá ser salvo se não permanecer no seio e na
unidade da Igreja Católica.”[5]
Como
sabem os católicos, sempre que a verdadeira Igreja estabelecida por Cristo — a
Igreja Católica — ensina uma declaração solene, de fide, ela está
pronunciando de modo infalível que a doutrina definida é uma verdade revelada
por Deus “que não pode nem enganar nem ser enganado”. Um católico deve crer em
todas estas verdades definidas para sua salvação. Negar um dogma infalível da
Igreja é chamar Deus de mentiroso, dizer a Ele que aquilo que Ele nos revelou
não é verdade. [6]
São
Luís de Montfort, fiel a esta verdade revelada, ensina, “não há salvação fora da
Igreja Católica. Aquele que resistir a esta verdade, perecerá.” [7] Do mesmo
modo, Santo Afonso de Ligório, Doutor da Igreja, reafirma, “A Santa Igreja,
Romana, Católica e Apostólica, é a única igreja verdadeira, fora da qual ninguém
pode ser salvo.” [8]
No
entanto, o padre Dupuis, no recente Congresso de Fátima, demonstrou publicamente
desprezo por esta verdade definida e pelo ensinamento de santos e doutores da
Igreja. Sobre este ponto, “fora da Igreja não há salvação”, padre Dupuis disse
com desgosto, “Não é necessário lembrar aqui aquele texto horrível do
Concílio de Florença de 1442”. Ouvi isto com meus próprios ouvidos e gravei
em fita.
Deste modo, padre Dupuis disse à platéia que uma definição infalível da Igreja
Católica está errada, e que a Revelação divina de Deus é uma mentira.
Esta
é a mais explícita heresia que já encontrei em conferências pós-conciliares.
Normalmente, os conferencistas dançam ao redor do dogma que negam, mas não o
padre Dupuis. Não! Ele diz abertamente que uma doutrina definida pela Igreja é
um “texto horrível” que deve ser rejeitado.
Como
os ouvintes reagiram à audácia da conferência de padre Dupuis? Com grande
aplauso no final de sua palestra.
O
mais perturbador é que na sala estava a alta hierarquia portuguesa, toda ela
alvoroçada com a apostasia de Dupuis.
Sentado exatamente à minha esquerda, estava o Reitor do Santuário de Fátima,
Monsenhor Luciano Guerra, que aplaudiu a conferência de Dupuis (eu registrei
isto em foto, veja abaixo). À minha direita se encontrava o Delegado Apostólico
de Portugal, isto é, o representante do Papa em Portugal, que também aplaudiu
Dupuis. Também o aplaudiu o Bispo de Leiria-Fátima, D. Serafim de Souza Ferreira
e Silva, que ainda se recusa a permitir a Missa Tridentina do “Indulto” em sua
diocese.
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Mons. Luciano Guerra, o Reitor do Santuário de Fátima, aplaudindo a
heresia de Dupuis. |
Durante o aplauso, de onde estava, não pude ver o Cardeal Patriarca de Lisboa.
Mas é certo que ele concorda com a tese ecumênica de Dupuis. Mais tarde, no
mesmo dia, um pequeno grupo de católicos tradicionais questionou o cardeal sobre
a nova orientação inter-religiosa [v. apêndice II deste trabalho para saber como
pensa o Cardeal]. Um jovem citou uma passagem do livro da Irmã Lúcia, Os
Apelos, em que ela explica fielmente o Primeiro Mandamento. O cardeal
respondeu, “Irmã Lúcia, hoje, não é mais um ponto de referência, uma vez que
temos um outro, excelente, que é o Concílio Vaticano II”. [9] Em outras
palavras, o cardeal diz que o novo ensinamento ecumênico do Vaticano II eclipsa
o ensino tradicional católico sobre o Primeiro Mandamento, que proíbe a adoração
de falsos deuses, como transparece nos escritos de Irmã Lúcia.
Por
anos a fio, católicos dedicados disseram que a razão de Fátima ser hoje
subestimada e eclipsada é porque a nova religião ecumênica do Vaticano II a
substituiu. [10] Sou grato por ter o cardeal abandonado todo fingimento e
ter admitido esta desgraça claramente. Isto explica porque a presente hierarquia
ecumênica considera falsamente Fátima como de menor importância.
No
Congresso, padre Dupuis também disse que o propósito do diálogo não é converter
os não-católicos mas, contrariamente, ajudar “o cristão a tornar-se um melhor
cristão, e o hindu um melhor hindu”.
Padre Dupuis falou mais adiante que “os cristãos e os “outros” são co-membros do
Reino de Deus na história”. Ele também disse que “o Espírito Santo está presente
e opera nos livros santos dos hindus ou dos budistas; que está presente e opera
nos ritos sagrados dos hindus”. Assim, conforme Dupuis, o Espírito Santo está
presente e atuante nos “ritos sagrados” e “livros sagrados” das falsas
religiões. Não admira que um proeminente católico ecumênico beijasse o Corão.
Uma
exposição mais detalhada da conferência apóstata do padre Dupuis aparecerá em
futuro artigo. Por agora, quero re-enfatizar que os delegados do Congresso —
incluindo o Cardeal de Lisboa, o Bispo de Fátima e o Reitor do Santuário de
Fátima — aplaudiram a conferência de Dupuis como se fora magnífica. Pior ainda,
no dia seguinte, o Arcebispo Michael Fitzgerald, chefe do Conselho Pontifício do
Vaticano para o Diálogo Inter-religioso, falou que “o padre Dupuis ontem
explanou a base teológica da instituição das relações [dos católicos] com
pessoas de outras religiões.” Em outras palavras, o Arcebispo Fitzgerald prestou
homenagem às heresias de Dupuis.
O
Arcebispo Fitzgerald disse, mais adiante, que concordava com o pensamento do
padre Dupuis, segundo o qual “a união com Deus não se restringe às pessoas que
pertencem à Igreja.” A Igreja, conforme esta nova concepção, não deveria
proselitizar. Não é o propósito do diálogo “converter” os “outros” ao
Catolicismo. Isto é sem sentido, uma vez que membros de todas as religiões,
segundo Dupuis, já fazem parte do “Reino de Deus”. Pelo contrário, “a Igreja”,
diz Fitzgerald, “está lá para reconhecer a santidade que há nas outras pessoas,
o elemento de verdade, de graça e beleza presente nas diferentes religiões”, e
“tentar produzir uma maior paz e harmonia entre os membros das outras
religiões”. Talvez este Congresso deveria ter se chamado, “Fátima na Era de
Aquário”.
A
Igreja Católica x A Nova Religião
Qualquer pessoa, com conhecimento rudimentar da Fé Católica, sabe que a religião
inter-religiosa, promovida nesta Conferência de Fátima, é contrária ao
ensinamento católico e uma blasfêmia perante Deus. Como já dito acima, o
Concílio de Trento definiu infalivelmente que, sem a fé católica, “é impossível
agradar a Deus”. [11] A Igreja Católica também definiu três vezes ex cathedra
que há apenas uma verdadeira Igreja de Cristo, a Igreja Católica, fora da qual
não há salvação. [12] E como ensina o Vaticano I, nem mesmo um Papa pode mudar
um dogma definido, caso contrário, verdades dogmáticas jamais teriam sido
verdadeiras. [13]
O
bem-aventurado Papa Pio IX reiterou a verdade de que “fora da Igreja Católica
não há salvação”, ao combater o crescente “catolicismo liberal” em seus dias.
Disse ele:
“Precisamos mencionar e condenar novamente aquele erro pernicioso do qual se têm
imbuído certos católicos, que pensam que aqueles que vivem no erro, que não têm
a fé verdadeira e que estão separados da unidade católica, podem obter a vida
eterna. Esta opinião é absolutamente contrária à fé católica, como é
patente pelas próprias palavras de Nosso Senhor (Mt. 18, 17; Mr 16, 16; Lc
10,16; Jo 3, 18), bem como pelas palavras de São Paulo (2 Tt 3, 11) e de São
Pedro (2 Pd 2, 1). Manter opiniões contrárias a esta fé católica é tornar-se
um desgraçado incrédulo.” [14]
O
Papa Leão XIII, elaborando a mesma doutrina, ensinou, “uma vez que a ninguém é
permitido ser negligente com o culto devido a Deus... somos obrigados a
cultuá-Lo do modo que Ele nos mostrou ser de Sua vontade ... Não pode ser
difícil descobrir qual é a verdadeira religião, se com imparcialidade e
seriedade se a procura; pois as provas são abundantes e evidentes ... De todas
estas [provas] é evidente que a única religião verdadeira é aquela estabelecida
pelo próprio Jesus Cristo, e a que Ele confiou à sua Igreja para que a
protegesse e propagasse.” [15]
Do
mesmo modo, o Papa Pio XII reafirmou esta doutrina no contexto de uma oração à
Santíssima Virgem:
"O
Maria, mãe de misericórdia e morada da Sabedoria! Iluminai as mentes envoltas
nas trevas da ignorância e do pecado, para que elas possam claramente reconhecer
que a única religião verdadeira de Jesus Cristo é a Santa, Católica e Apostólica
Igreja Romana, fora da qual nem santidade nem salvação se pode encontrar.”
[16]
Das
citações acima, bem como de outros incontáveis ensinamentos do Magistério, fica
claro que a única religião positivamente desejada por Deus, a única religião na
qual “santidade e salvação se pode encontrar” é a Santa Igreja Católica
estabelecida por Cristo.
A
Sagrada Escritura, do mesmo modo, ensina infalivelmente que as falsas religiões
não agradam a Deus, e que a maior caridade que podemos ter pelos “outros” é
trabalhar e rezar por sua conversão à única e verdadeira Igreja de Cristo. Nosso
Senhor ordenou a Seus discípulos, “ide e ensinai”, não “ide e dialogai”. Ele
disse: “Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do
Filho e do Espírito Santo.” (Mt 28, 19). “Aquele que acreditar e for batizado
será salvo, aquele que não crer, será condenado.” (Mc 15, 16)
Quando Nosso Senhor fala em acreditar, ele não se refere a uma crença vaga em
qualquer religião, mas sim crença n’Ele e em tudo que Ele ensinou. É por isso
que São João, o Apóstolo do amor, disse, “Quem é mentiroso senão aquele que nega
que Jesus é o Cristo? Este é um Anticristo, que nega o Pai e o Filho”. (1 Jo 2,
22). Assim, Islamismo, Judaísmo, Hinduísmo, Budismo, qualquer religião que
rejeite Cristo, conforme a Escritura, é religião do Anticristo. Quanto às
religiões heréticas, como, por exemplo, os “ortodoxos” e os protestantes, S.
Paulo nos diz que falsos credos são as “doutrinas dos demônios”.
Contrariamente às noções do padre Dupuis, as religiões do Anticristo e os falsos
credos dos heréticos, que são “doutrinas dos demônios”, não podem ser desejadas
por Deus. Tampouco se pode considerar que seus adeptos façam parte do “Reino de
Deus”.
Assim, não pode existir uma nova “unidade ecumênica” que busque unir católicos
com os membros de falsas religiões em uma noção herética do “Reino de Deus”. O
Papa Pio XI com razão ensinou em sua encíclica Mortalium Animos, de 1928,
contra o ecumenismo,: “A Unidade não pode resultar senão de um só magistério, de
uma só lei de crer e de uma só fé entre os cristãos”. Do mesmo modo, o
Papa Pio XII ensinou em sua Instrução sobre o Movimento Ecumênico que “A
verdadeira união somente poderá vir do retorno dos dissidentes à única e
verdadeira Igreja de Cristo (a Igreja Católica).” [17]
Mas,
hoje, a heresia inter-religiosa é dominante, e se ergue para reclamar o
Santuário de Fátima como sua próxima vítima.
Fátima: Um Santuário inter-religioso?
Na
ocasião, não vi relatos deste Congresso na imprensa religiosa ou secular. Duas
semanas depois, no entanto, a edição de 1º de Novembro do periódico Portugal
News [V. Apêndice III com o original desta notícia], sediado em Lisboa,
publicou em Inglês um artigo intitulado “Fátima se tornará um Santuário
Inter-religioso”. O artigo dizia: “Os representantes que participaram do
congresso inter-religioso anual “O Futuro de Deus”, promovido pelo Vaticano e
pelas Nações Unidas, em outubro, em Fátima, foram informados de que o Santuário
se tornará um centro onde todas religiões do mundo se reunirão para prestar
culto a seus diversos deuses.”
A
notícia citava o Reitor do Santuário, Monsenhor Guerra, que disse no Congresso
que Fátima “mudará para melhor”. Portugal News acrescentava ainda esta
citação de Mons. Guerra: “O futuro de Fátima, ou a adoração de Deus e de Sua Mãe
neste Santuário sagrado, deve passar pela criação de um templo onde as
diferentes religiões possam se misturar. O diálogo inter-religioso em Portugal,
e na Igreja Católica, está ainda em estágio embrionário, mas o Santuário de
Fátima não está indiferente a este fato e já se abriu à idéia de tornar-se, por
vocação, um centro universal”.
“Monsenhor Guerra”, diz o periódico Portugal News, “assinalou que o
próprio fato de ser Fátima o nome da filha muçulmana de Maomé, é um indício de
que o Santuário precisa se abrir para a coexistência de várias fés e crenças.
Segundo o Mons.: “Devemos, portanto, assumir que foi da vontade da Santíssima
Virgem Maria que as coisas acontecessem desta maneira”. Católicos
tradicionais que se opuseram ao Congresso foram descritos pelo Monsenhor como
‘antiquados, tacanhos, extremistas fanáticos e provocadores’.” [18]
Cito
o Portugal News neste ponto porque não ouvi Monsenhor Guerra fazer estas
declarações no Congresso. Mas, novamente, pode ser que eu a tenha perdido.
Monsenhor Guerra falou em Português, e, como já salientei, a tradução simultânea
para o inglês era de péssima qualidade. No entanto, a idéia de Fátima se tornar
um Santuário “inter-religioso” é consistente com tudo que ouvi naquele
fim-de-semana, especialmente no domingo, quando membros de várias religiões
deram seus testemunhos sobre a importância dos “Santuários” em suas tradições
religiosas.
Os
conferencistas deste domingo incluíam católicos, ortodoxos, anglicanos, hindus,
muçulmanos, bem como um budista, que convidou a todos para visitar o santuário
Budista Zenkoji, no Japão, distribuindo até panfletos coloridos do santuário de
sua religião aos presentes.
Mas,
o testemunho do católico mostrou-se o mais problemático, sendo, talvez, um
presságio do que em breve teremos em Fátima.
O
Padre Arul Irudayam, reitor do Santuário Mariano da Basílica de Vailankanni, na
Índia, discorreu inicialmente e belamente sobre a história deste santuário, onde
ocorreu uma aparição de Nossa Senhora. O Santuário recebe milhões de peregrinos
por ano, incluindo muitos hindus.
Padre Irudayam então se regozijou que, como mais um avanço da prática
inter-religiosa, os hindus celebrem hoje suas cerimônias religiosas naquela
igreja.
Claro está, os conferencistas ficaram entusiasmados ao ouvir que uma igreja
católica é utilizada para o culto pagão, mas eu fiquei aterrorizado. A Sagrada
Escritura ensina claramente que “os deuses dos gentios são demônios”. (Sl
95, 5). E a verdade de que os deuses hindus são demônios foi confirmada por um
dos maiores missionários de todos os tempos, São Francisco Xavier.
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Um Budista distribui a todos os presentes um panfleto convidando-os a
visitar o santuário budista de Zenkoji. |
Durante as missões, S. Francisco Xavier encontrava uma particular alegria na
companhia de seus poucos discípulos. Ele se impressionava com o enorme
comprometimento que estes moços demonstravam, e com a avidez com que aprendiam
as preces e ensinavam-nas aos demais. Os moços “também tinham um grande horror
pelas práticas idólatras dos pagãos”, em outras palavras, pelas práticas do
hinduísmo. Os moços freqüentemente “reprovavam seus pais e mães se acaso se
envolvessem em cerimônias pagãs, e corriam ao padre, para contar-lhe a
respeito”.
Quando S. Francisco Xavier ouvia que, “fora da povoado havia alguém praticando
idolatria, ele reunia todos os moços — e isto foi algo que ele também fez em
outras aldeias que visitou — e com eles ia ao lugar onde haviam sido erigidos
estes ídolos. Os moços destruíam as imagens de barro dos demônios até
transformá-las em pó. Depois cuspiam e pisavam nelas”. O biógrafo de São
Francisco Xavier explica que estes moços “agindo assim, mais insultavam os
demônios do que os honravam os seus pais.” [19]
Ainda que este episódio possa deixar os sacerdotes ecumênicos indignados, é
claro que São Francisco Xavier reconheceu com toda razão que “os deuses das
gentes são demônios”; no caso, os “deuses” do hinduísmo. No entanto, estes
“demônios” são adorados no santuário Vailankanni de Nossa Senhora, na Índia. O
reitor do Santuário de Fátima, bem como os demais participantes, aplaudiram o
discurso em que se falou sobre a prática de hinduísmo no Santuário católico.
É
claro que, se os católicos não se organizarem e protestarem, será apenas uma
questão de tempo para que esta blasfêmia ocorra em Fátima, especialmente uma vez
que projetos estão a caminho para a construção de um novo Santuário em Fátima.
O
Portugal News informou: “o Santuário de Fátima está prestes a passar por uma
total reconstrução, com uma nova basílica, em formato de estádio, a ser erguida
perto da existente, construída em 1921” [20]. Cerca de um ano atrás, eu vi uma
foto da maquete. Trata-se de uma monstruosidade moderna abominável, que mais
parece o hangar futurístico de uma nave espacial.
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Acima, o horrendo Santuário de 40 milhões de euros que a hierarquia
modernista de Portugal planeja construir em Fátima. |
Negação ambígua
A
notícia do “Santuário Inter-religioso” de Fátima causou um furor, e não foi
muito depois do Arcebispo do Vaticano Michael Fitzgerald ter lançado uma
“negação” meio-cozida. No dia 19 de novembro, um website católico enviou a
seguinte manchete enganadora: “Vaticano anula notícia de Fátima”, mas o Vaticano
não fez nada do tipo. A notícia continha citações do Arcebispo Fitzgerald do
jornal católico inglês The Universe. Neste, o arcebispo simplesmente
disse: “não há dúvidas de que o santuário de Fátima está se tornando um centro
inter-religioso ... esse é um lugar de oração centrado em Nossa Senhora e todos
são bem vindos.”
Notem bem, o Arcebispo não negou nenhuma vez a orientação completamente
ecumênica do Congresso, nem o novo rumo tomado pelo Santuário de Fátima. Ele
simplesmente disse que o Santuário não devia ser, por si, um “Centro
Inter-religioso de Peregrinação”. Mesmo assim, se é oficialmente chamado de
“Templo Inter-religioso” ou não, está além desta questão; o fato é que o
Santuário de Fátima está agora aberto para atividades inter-religiosas, como
demonstramos pelo Congresso de Fátima em outubro de 2003. E o arcebispo
Fitzgerald certamente não repudiou as heresias que ele e seus confrades
promoveram no Congresso.
De
fato, nós recebemos recentemente uma cópia do jornal semanal de Fátima,
Notícias de Fátima, que é ligado ao Santuário de Fátima. Na edição do dia 24
de outubro de 2003, o jornal noticiou o evento inter-religioso sob a manchete:
“Santuário de Várias Crenças” (veja a foto no topo do artigo). A primeira página
mostrou com destaque: “o futuro de Fátima deve passar pela criação de um
Santuário onde diferentes religiões podem se conhecer”. Na página 8, da mesma
edição, lia-se a seguinte manchete: “Santuário se abre para o pluralismo
religioso”, seguida do cabeçalho “o Santuário de Fátima assume uma vocação
universalista e acolhedora em relação às diferentes religiões”. Notícias de
Fátima citou, então, o foco inter-religioso do Reitor do Templo, Monsenhor
Guerra: “Esta proposta de coexistência – também em Fátima – de um pluralismo
inter-religioso ainda está em fase embrionária”. Continua Mons. Guerra: “É o
primeiro passo. Nós somos como os engenheiros de Portugal que começam examinando
as estruturas das pontes para ver se podemos confiar nelas no futuro”.
Agora que escrevo,
quase um mês após a publicação daquelas declarações no jornal Notícias de
Fátima, Mons. Guerra ainda está para negar ou se retratar dessas palavras.
Ele provavelmente não o fará, pois é o mesmo nonsense pan religioso que
eu ouvi ser alardeado no Congresso “Futuro de Deus”.
Assim, Fátima agora está embarcada nessa orientação ecumênica, “construindo
pontes” para falsas religiões, mesmo que não formalmente designada como um
“Centro Inter-religioso”. Lembro que a basílica de Vailankanni na Índia não é
oficialmente chamada de Santuário “Inter-religioso”, mas um Santuário “Mariano”.
(“... um lugar de oração centrado em Nossa Senhora onde todos são bem vindos”).
Mesmo assim, em nome do ecumenismo, permitem aos hindus celebrarem seus rituais
pagãos dentro da Basílica. E, se a hierarquia portuguesa, incluindo Mons.
Guerra, Reitor do Templo, aceita a orientação ecumênica e aplaude a heresia de
Dupuis, segundo a qual membros de todas as religiões são partes do “Reino de
Deus”, é inevitável que as cerimônias interconfessionais religiosas acabem por
ocorrer no Santuário de Fátima, mesmo que não oficialmente chamado de centro
“Inter-religioso”. Membros de falsas religiões já foram convidados ao Templo
e disseram que eles são partes do “Reino de Deus” e não têm que se converter à
Fé Católica para serem salvos. Assim, é triste dizer, Fátima já foi usada como
um “Centro Inter-religioso”, não importando se chamado assim oficialmente ou
não.
Diante da profanação feita em relação à aparição de Nossa Senhora em Fátima, um
protesto mundial deve ser erguido. Não se deve doar absolutamente dinheiro algum
para o Santuário de Fátima em Portugal até que o atual Reitor seja removido e a
invasão da religião ecumênica cesse em Fátima. O novo templo, se completado,
mostrará feiúra pelo lado de fora, refletindo a horrenda arquitetura moderna, e
feiúra pelo lado de dentro, não só pelo interior futurístico, mas também pelas
práticas pagãs que podem ser permitidas em cada área santificada pela aparição
de Nossa Senhora; o mesmo local onde o milagre do Sol ocorreu, e onde
incontáveis peregrinos foram curados e convertidos.
Castigo
A
nova religião ecumênica proposta em Fátima ameaça a salvação de incontáveis
almas, uma vez que diz aos não-católicos que permaneçam na escuridão de suas
falsas religiões. Ela também ameaça ser causa de um grande castigo.
No
início do século XX, o eminente sacerdote europeu Cardeal Mercier, citando o
permanente ensino dos Papas, declarou que a Primeira Guerra Mundial foi, em
verdade, uma punição pelos crimes das nações, que colocaram a única Religião
Verdadeira no mesmo nível das falsas crenças (como o faz a religião ecumênica
promovida no Congresso de Fátima). Disse o Cardeal Mercier:
“Em
nome do Evangelho, e sob a luz das Encíclicas dos últimos quatro Papas, Gregório
XVI, Pio IX, Leão XIII e Pio X, eu não hesito em afirmar que este indiferentismo
religioso, que põe no mesmo nível a religião de origem divina e as religiões
inventadas pelos homens, para incluí-las no mesmo ceticismo, é a blasfêmia
que clama aos céus por castigo na sociedade, mais ainda que os pecados dos
indivíduos e de suas famílias.” [21]
O
que diriam o Cardeal Mercier e os Papas por ele citados desta nova tentativa de
produzir uma “paz e harmonia entre as religiões”, onde os sacerdotes católicos
colocam a única religião verdadeira como um “parceiro igual” às falsas religiões
e credos pagãos? Como Deus reagirá a esta “blasfêmia que clama aos céus por
castigo na sociedade”? Que tipo de castigo o céu enviará, uma vez que na terra
de Fátima, santificada pela presença de Nossa Senhora, e no Santuário a ela
consagrado, se permite a profanação, com o culto aos falsos deuses? Em face
disto, os católicos não podem ser complacentes.
O
mais perturbador de tudo, é que a nova religião ecumênica, proclamada neste
Congresso de Fátima, é de fato a religião da maçonaria. Nesse sentido, assim
afirmou o maçon Yves Marsaudon:
"Pode-se dizer que o ecumenismo é o filho legítimo da maçonaria... em nosso
tempo, nosso irmão Franklin Roosevelt, reivindicou para todos eles a
possibilidade de “adorar a Deus, conforme os princípios e convicções de cada
um”. Isto é tolerância, e é também ecumenismo. Nós, maçons tradicionais, nos
permitimos parafrasear e transpor esta sentença de um celebrado estadista,
adaptando-a às circunstâncias: católicos, ortodoxos, protestantes, israelitas,
muçulmanos, hindus, budistas, livre-pensadores, livre-crentes, para nós, estes
são apenas os prenomes: Maçonaria, é este o sobrenome.” [22]
Esta
religião maçônica é hoje promovida em Fátima. Eu a ouvi, da fala macia do padre
Jacques Dupuis. No entanto, as palavras de Dupuis eram um torrão de doutrina
maçônica do submundo coberta de açúcar. Foi o Papa Pio VIII que disse da
maçonaria: “seu deus é o diabo”. [23]
No
entanto, não nos deveria causar surpresa o fato de que almas consagradas tenham
sucumbido ao poder do demônio. Irmã Lúcia o predisse, quarenta anos atrás.
O
aviso de Lúcia
Em sua entrevista
de 1957, com o padre Fuentes, a irmã Lúcia fez o profético aviso:
"Padre, o demônio está prestes a engajar-se em uma batalha decisiva contra a
Santíssima Virgem. E o demônio sabe o que mais ofende a Deus, e o que, em pouco
espaço de tempo, conseguirá para ele o maior número de almas. Assim, o
demônio faz tudo para conquistar as almas consagradas a Deus, porque, deste
modo, o demônio conseguirá deixar as almas dos fiéis abandonadas por seus guias,
e assim mais facilmente as derrubará”.
Irmã
Lúcia continua:
“O
que mais aflige ao Imaculado Coração de Maria e ao Coração de Jesus é a queda
das almas religiosas e sacerdotais. O demônio sabe que os religiosos e
padres, que se afastam de sua bela vocação, arrastam consigo um número de almas
para o inferno... o demônio quer conquistar as almas consagradas. Ele os
tentará corromper para adormecer as almas dos leigos e, assim, levá-los à
impenitência final...” [24].
As
palavras proféticas de irmã Lúcia desdobraram-se perante nossos olhos no
Congresso pan religioso de Fátima. Aqui vemos o demônio “conquistar as almas”
consagradas a Deus. Vemos padres, religiosos, bispos, que “se afastam de sua
bela vocação” de ensinar as verdades da fé católica, e que “arrastam consigo um
número de almas para o inferno” por seu perverso ensino ecumênico.
O
Cardeal de Lisboa, o Bispo de Fátima, e o Reitor do Santuário, todos fizeram o
juramento anti-modernista em suas ordenações [25]. Um juramento perante Deus é
um ato sagrado, e trair tal juramento é um pecado mortal contra o Segundo
mandamento, “Não falarás o nome de Deus em vão”. Contudo, todos estes no
Congresso de Fátima traíram este juramento ao propor uma nova religião
modernista que diz que as verdades católicas de ontem não podem ser “verdades”
católicas de hoje. Como Mons. Fenton assinalou décadas atrás, “o homem que
ensinou ou, de qualquer modo que seja, colaborou na disseminação ou proteção do
ensinamento modernista” após ter feito o juramento anti-modernista, “se
conspurcaria, não apenas como um pecador contra a fé católica, mas também como
um vulgar perjuro”. [26]
Podemos concluir que o Padre Jacques Dupuis, o Cardeal José da Cruz Policarpo de
Lisboa, o Bispo Serafim de Sousa Ferreira e Silva, de Fátima-Leiria, e o Reitor
do Santuário de Fátima, Mons. Guerra, promoveram o modernismo e, assim, são
pecadores contra a fé católica e também vulgares perjuros. É um crime contra
Deus e contra a justiça que estes homens mantenham a autoridade na terra de
Portugal, onde apareceu Nossa Senhora.
Na
década de 90, em uma estação de rádio mexicana, o reitor do santuário de
Guadalupe negou a verdade de que Nossa Senhora de Guadalupe aparecera em
Tepayac. A população do México indignou-se e protestou contra a audácia. No ano
seguinte, o Reitor do Santuário tinha saído [27]. O mesmo deve ser feito em
Fátima.
Católicos em todo o mundo devem se unir e protestar contra o escândalo que
ocorreu, e que continuará a ocorrer, contra a fé católica e contra a Mãe de
Deus.
Devemos igualmente nos unir em súplicas de reparação pelas blasfêmias contra a
única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo, cuja Mãe veio em Fátima trazer uma
mensagem a toda a humanidade, Mãe que hoje é traída por sacerdotes da alta
hierarquia, e, mais especialmente, da hierarquia de Portugal.
Notas:
1.
Papa Pio IX, Syllabus, 1864, Proposição Condenada #18. Popes Against
Modern Errors: 16 Papal Documents, (Rockford: Tan, 1999), p. 30.
2.
Em 1944, o eminente teólogo belga, Padre Francis Connell, tendo por base o
ensino constante dos Papas, lembrou aos católicos que eles têm um dever de
caridade de dizer aos não-católicos que eles estão em grande risco de perder
suas almas se permanecerem no erro. Disse ele: “longe de minimizar a
exclusividade da religião católica, nosso povo deveria ser instruído sem
hesitação, sempre que a ocasião permitir, e deveria ser avisado aos
não-católicos que nós os consideramos privados dos meios ordinários de salvação,
ainda que sejam ótimas as suas intenções”. Citação do Padre Francis Connell,
"Communication with Non-Catholics in Sacred Rites, American Ecclesiastical
Review, Set., 1944.
3.
Nossa Senhora de Fátima pediu especificamente pelos primeiros cinco sábados em
reparação pelas blasfêmias contra Seu Imaculado Coração, blasfêmias que são o
fruto destas falsas religiões.
4.
Publicado em Catholic Family News.
5.
Papa Eugênio IV, Concílio de Florença, 4 de Fevereiro de 1442.
6.
V. The Source of Catholic Dogma, Ludwig Ott (primeira edição em 1960,
reprint feito por Tan Books, Rockford, IL), pág. 4-6.
7.
Extraído de Hail Mary, Full of Grace, Still River, MA, 1957, pág. 107.
Também poderíamos citar São Francisco de Assis, que disse firmemente, “Todos
aqueles que não acreditaram que Jesus Cristo é realmente o Filho de Deus, estão
condenados. Também o estão todos que vêem o Sacramento do Corpo e Sangue de
Cristo e não acreditam que é verdadeiramente o Santíssimo Corpo e Sangue do
Senhor ... também estes estão condenados!”. Cfr. Admonitio prima de Corpore
Christi (Quaracchi edition, pág. 4), Johannes Jorgensen, St. Francis of
Assisi, (New York: Longmans, Green and Co., 1912), pág. 55.
8.
Instructions on the Commandments and Sacraments. Devemos notar que Mons.
Joseph Clifford Fenton, antigo editor do The American Ecclesiastical Review, e
um dos mais eminentes teólogos do século XX, alertou que a doutrina do “fora da
Igreja não há salvação” é um dos principais dogmas negados em nosso tempo.” Em
1958, quatro anos antes do Vaticano II, Mons. Fenton escreveu: “Em cada era da
Igreja houve alguma parte da sua doutrina que os homens estiveram inclinados a
mal interpretar ou mesmo negar. Em nosso tempo, é a parte da verdade católica
trazida com especial clareza e força por São Pedro, em seu primeiro sermão de
missionário em Jerusalém. É, de algum modo, impopular hoje insistir, como o fez
S. Pedro, que aqueles fora da verdadeira Igreja de Cristo precisam abandonar
suas próprias posições e ingressar na ecclesia. Não obstante, esta verdade seja
parte da própria revelação de Deus.” ( V. Mons. Joseph Clifford Fenton, The
Catholic Church and Salvation, Newman Press, 1958, pág. 145.)
9.
Documentation Information Catholique Internationale (DICI), 3 de novembro
de 2003.
10.
V. "It Doesn’t Add Up", de John Vennari, especialmente a última parte, "Don’t
Rain on My Charade", The Fatima Crusader, Edição #70, Primavera 2002.
Disponível on-line: http://www.fatima.org/library/cr70pg12.htm.
11.
Sessão V, sobre o Pecado Original. V. Denzinger #787.
12.
V. texto do Concílio de Florença supracitado.
13.
“O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que, pela
revelação do Santo Espírito, possam eles revelar novas doutrinas, mas para
que, com Seu auxílio, possam eles guardar santamente a revelação transmitida
pelos Apóstolos e pelo depósito da Fé, e o possam fielmente expor”. (Concílio
Vaticano I, sessão II, cap. IV, Dei Filius). O eminente teólogo Mons.
Fenton emprega este texto para explicar que “os dogmas católicos são
imutáveis... as mesmas idênticas verdades são sempre apresentadas ao povo como
reveladas por Deus. Seu significado nunca muda”. (We Stand With Christ,
Mons. Joseph Clifford Fenton, (Bruce, 1942) pág. 2.)
14.
Citação do livro The Catholic Dogma, padre Michael Muller (Benzinger
Brothers, 1888), p. xi. A marcação em negrito, é nossa.
15.
Papa Leão XII, Encíclica Immortale Dei, citada a partir de The
Kingship of Christ and Organized Naturalism, padre Denis Fahey (Regina
Publications, Dublin, 1943), págs. 7-8.
16.
The Raccolta, Benzinger Brothers, Boston, 1957, No. 626 (O destaque é
nosso).
17.
Instructio (Instrução da Santa Sé sobre o Movimento Ecumênico, 20 de
Dezembro de 1949). A íntegra da tradução em inglês foi publicada pelo The
Tablet (London), 4 de Março de 1950.
18.
Portugal News, edição on-line, 1 de novembro de 2003.
19.
Francis Xavier, His Life and Times, Volume II, India, 1541-1545, George
Schurhammer, S.J. (Tradução inglesa publicada pelo Instituto Histórico Jesuíta
de Roma em 1977), pág. 310.
20.
Talvez seja este um erro tipográfico do Portugal News. A pequena
Capelinha foi construída em 1921. A presente Basílica do Santuário de Fátima foi
construída em 1951.
21.
Carta pastoral do Cardeal Mercier, 1918, The Lesson of Events. Citado em
The Kingship of Christ and Organized Naturalism, padre Denis Fahey
(Dublin: Regina Publications, 1943), pág. 36.
22.
Yves Marsaudon, L’Oecumènisme vu par un Franc Maçon de Tradition (págs.
119-120). Tradução inglesa de Peter Lovest Thou Me? (Instauratio Press, 1988),
pág. 170.
23.
Papa Pio VIII, citado em Papacy and Freemasonry, Mons. Jouin.
24.
Fatima in Twilight, Mark Fellows, (Niagara Falls: Marmion, 2003), pág.
145.
25.
Todos os padres tinham que fazer este Juramento anti-modernista até que,
tragicamente, foi ele abolido por Paulo VI em 1967. Aparentemente, todos os
padres que menciono foram ordenados antes de 1967. Mas, mesmo se um padre não
fizer o juramente, ele está, ainda assim, proibido de promover o Modernismo ou
qualquer outra heresia. É ainda contra a Fé Católica fazê-lo.
26.
"Sacrorum Antistitum and the Background of the Oath Against Modernism,"
Mons. Joseph Clifford Fenton, The American Ecclesiastical Review, Outubro
de 1960, págs. 259-260.
27.
V. Fatima Priest, Francis Alban (Pound Ridge: Good Counsel Publications,
1997), Capítulo 14, pág. 160 (2a. edição).