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Omitidor David ataca a
doutrina da presença real de Cristo na Eucaristia
De: David Enviada em: Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2001 09:28 Localidade: Fortaleza, CE Religião: Evangélico Idade: 30 Escolaridade: superior completo
A Missa é um sacrifício igual ao do Calvário?
A Igreja de Roma defende que a missa é uma continuação do sacrifício que Cristo realizou no Calvário, que é na realidade uma recrucificação de Nosso Senhor muitas e muitas vezes, de um modo incruento. Defende também que este sacrifício é exatamente tão eficaz para tirar o pecado como foi o sacrifício no Calvário. Cristo é oferecido supostamente cada vez que a missa é celebrada, isto é, diariamente em milhares de igrejas católicas romana de todo o mundo.
A missa não é, portanto, um memorial, mas um ritual no qual o pão e o vinho são transformados em carne e sangue literais de Cristo, que então são oferecidos como um sacrifício verdadeiro. A única diferença é no modo pelo qual são feitos. Roma reivindica assim continuar com um ato que foi completado cerca de dois mil anos atrás.
No sacrifício da missa o sacerdote torna-se "alter Christus", isto é, outro Cristo, pois sacrifica o verdadeiro Cristo sobre o altar e o apresenta como o Salvador dos fiéis e para livramento das almas do purgatório. A igreja romana ensina que Cristo, na forma de "hóstia" (pão consagrado), está sobre o altar.
O chamado sacrifício da missa certamente não é o mesmo do Calvário. Não há nenhum Cristo real na missa, nem sofrimento e nem sangue. E um sacrifício sem derramamento de sangue não tem efeito. O escritor do livro de Hebreus diz: "e sem derramamento de sangue não há remissão" de pecados (Hebreus 9:22); e João nos diz que "O sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado". (I João 1:7). Considerando que não existe confessadamente nenhum sangue na missa, ela simplesmente não pode ser um sacrifício pelo pecado.
No Novo Testamento a ordenança da ceia do Senhor sempre é apresentada como ordenança, nunca como sacrifício. Além disso, segundo a lei do Levítico, uma oferta pelo pecado NUNCA PODERIA SER COMIDA. O fato de que na ceia do Senhor os elementos são comidos é prova implícita de que jamais deveria ser considerado como um sacrifício.
Essa doutrina da missa baseia-se na pressuposição de que as palavras de Cristo "Este é o meu Corpo", "Este é o meu sangue" (Mt 26:26-28) devem ser entendidas literalmente. As narrativas da instituição da ceia do Senhor, nos evangelhos e na carta de Paulo aos coríntios, tornam claro que Ele falou em termo figurativo. Jesus disse: "Este é o cálice da Nova Aliança do meu sangue" (Lucas 22:20).
E Paulo cita Jesus dizendo: "Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha" (I Cor. 11:25-26). Nesta passagem ele usou uma figura de linguagem dupla. O cálice representa o vinho e o vinho é chamado de nova aliança. O cálice não era literalmente a nova aliança, embora ficasse tão definidamente, declarado como o pão foi declarado seu corpo.
Na verdade, como poderiam as palavras de Cristo "Este é o Meu Corpo" e "Este é o Meu Sangue", serem aceitas no sentido literal? Na ocasião em que estas palavras foram anunciadas, o pão e o vinho estavam sobre a mesa diante dele, e Ele estava sentado à mesa, em Seu Corpo, como um homem vivo. A crucificação ainda não tinha acontecido. Eles comeram a ceia do Senhor antes da crucificação. Ale disso os apóstolos não podiam lembrar de alguém que estava PRESENTE, como os romanistas dizem que Cristo está presente na missa. Mas, no futuro, em sua ausência, estas coisas poderiam simbolizar o Seu corpo partido e o Seu sangue derramado.
As palavras de Jesus "Fazei isso em memória de mim", mostram que a ceia do Senhor não foi algum tipo de operação mágica, mas principalmente um memorial. Em outras ocasiões Ele disse: "Eu sou a Porta"(João 10:7), no entanto não queria dizer uma porta literal de madeira com dobradiças... Outra vez falou: "Eu sou a videira" (João 15:5), no entanto não queria dizer que era um pé de uva literalmente falando...
É claro que nenhuma dessas expressões deve ser tomada literalmente. Da mesma forma "Este é o meu corpo" e "Este é o meu sangue", não deve se entender literalmente. É extremamente irracional entender essas expressões literalmente e as outras figuradamente.
Uma outra prova mais importante de que o pão e o vinho não se transformam literal e verdadeiramente em carne e sangue de Cristo é a seguinte: a interpretação literal torna o sacramento em uma forma de canibalismo. O canibalismo é exatamente isto, comer carne humana. Comer e beber sangue humano é coisa repulsiva, abominável a qualquer pessoa com o juízo são e o era especialmente para os judeus. Essa prática é contrária às Escrituras e ao senso comum. "qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei o meu rosto, e a extirparei do seu povo." (Lev.17:10) "tão-somente não comerás do sangue; sobre a terra o derramarás como água" (Deut. 12:16).
A igreja romana afirma que na missa não há transformação visível no pão e no vinho, que continuam tendo as mesmas propriedades: O mesmo gosto, a mesma cor, o mesmo cheiro, o mesmo peso e as mesmas dimensões. Bastaria, para refutar essa doutrina, destacar a impossibilidade que envolve. É impossível que os atributos ou prpriedades sensíveis do pão e do vinho permaneçam se a substância foi mudada. Está implicitamente evidente que os atributos da carne e do sangue não estão ali realmente. Quando Jesus transformou água em vinho em Cana da Galiléia não havia dúvida de que era vinho. Tinha as propriedades do vinho. Mas, considerando que o pão e o vinho na eucaristia não possuem os atributos da carne e do sangue, é absurdo dizer que qualquer alteração se efetuou.
Quando o sacerdote romano consagra o pão, esse passa a se chamar "hóstia" e é adorado como se fosse Deus. Mas, se a doutrina da transubstanciação é falsa, então a hóstia não é mais o corpo de Cristo e sim um pedaço de pão comum. E se a alma e a divindade de Cristo não estão presentes, então o culto dele não passa de idolatria.
O SACRIFÍCIO DE CRISTO
Que o Sacrifício de Cristo no Calvário foi completo nessa oferta única e que ele nunca foi repetido ficou claramente exposto nas Escrituras. "que não necessita, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo."
"É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre. Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados; mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à direita de Deus, daí por diante esperando, até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados." (Hebreus 10:10-14)
Observe que nesses versículos aparece a declaração "uma vez por todas", contendo a idéia de inteireza, ou finalidade, e que impossibilita repetição. A obra de Cristo na cruz foi perfeita e decisiva. Ela constituiu um acontecimento histórico que jamais foi repetido e que realmente não pode ser repetido. A linguagem é perfeita "Jesus porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados"(10:12). Paulo diz que "Cristo ressucitado dentre os mortos já não morre" (Rm 6:9).
Somos informados que Cristo assentou-se como prova de que a Sua obra está concluída. Por causa disto. Ele nunca desce daquele lugar exaltado para ser um outro sacrifício sobre os altares de Roma ou qualquer outro.
Graças a Deus que podemos olhar para trás para o que o nosso Senhor fez no Calvário e saber que Ele completou o sacrifício pelos pecados uma vez por todas, e que a nossa salvação não depende do capricho ou decreto arbitrário de qualquer sacerdote ou igreja.
Qualquer presunção de uma oferta contínua pelo pecado é mais do que inútil, pois é uma negação da eficácia do sacrifício expiador de Jesus Cristo no Calvário e de que Sua obra ficou inacabada.
Deus te abençoe.
David
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Primeira
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"Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor."
Omitidor David,
Começamos nossa resposta citando o trecho por você omitido, para que se dissipem logo as dúvidas sobre o caráter desse novo
David, que ao invés de proclamar de forma sublime a palavra de Deus nas Escrituras, como o rei homônimo, a esconde e a adultera quando ela não lhe convém.
Confesso que ficamos a princípio contentes com seu
e-mail, que pela primeira vez parecia romper com o método apaixonado de debate protestante, que tem invariavelmente acusações infundadas, falhas de lógica e português sofrível.
A apresentação da doutrina católica da missa que o senhor se propunha impugnar, de forma clara (aliás, clara até demais, parecendo ter vindo de um ex-padre); os argumentos ordenados e as citações bíblicas embasando suas conclusões, tudo nos levava a crer que, agora sim, teríamos um debate de alto nível.
Porém cedo encontramos um tropeço definitivo, que pôs fim à nossa
expectativa. O tropeço foi o alerta de que o oponente havia novamente apelado para armas menos nobres, igualando-se aos seus pares no que os polemistas católicos do começo do século chamavam de protestantismo tupiniquim, que escrevia já naqueles tempos tristes páginas da polêmica religiosa no Brasil. Com o tropeço veio a queda, e sua carta tornou-se confusa, parecendo que a falta de sinceridade afetou sua capacidade de articular o pensamento (o senhor chegou a falar em milagre impossível, magia e canibalismo, com referência à Missa!).
Vamos aos centro do problema: Cristo está presente ou não na Missa, renovando de forma incruenta o Sacrifício da Cruz?
O senhor argumenta contra, e nos cita o trecho de São Paulo explicando o sentido das palavras de Cristo na última ceia. Vejamo-lo:
> > "Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha" (I Cor. 11:25-26).
E o senhor prossegue com uma explicação confusa sobre um duplo sentido figurado, que parece mais atrapalhar do que ajudar sua refutação.
Citemos porém, agora, o trecho completo, sem a quebra do raciocínio imposta ao trecho de São Paulo (na 1a carta aos Corintios XI, 23-29), em sua exposição teológica sobre o ato sublime de Cristo na Última Ceia:
"Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças, o partiu, e disse: recebei e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim.
Igualmente depois de ter ceado, (tomou) o cálice, dizendo: este cálice, é o novo testamento no meu sangue, fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha.
Portanto todo aquele que comer este pão ou beber este vinho indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor."
E então, sr. David, que dizer a respeito desse trecho propositadamente esquecido? Por que omitir a doutrina fundamental da explicação de São Paulo, onde ele diz que será réu do CORPO e do SANGUE, aquele que não distingue o PÃO e o VINHO do CORPO DO SENHOR? Como alguém poderia ser réu do CORPO e do SANGUE, se a missa fosse simplesmente celebração da memória? Como poderia comer e beber a própria condenação quem, vendo PÃO e VINHO, e comendo PÃO e VINHO, não distinguisse o CORPO DO SENHOR? Como poderia alguém distinguir o CORPO do PÃO, se vê apenas PÃO? Como explicar esse milagre, pois conforme suas palavras:
"É impossível que os atributos ou propriedades sensíveis do pão e do vinho permaneçam se a substância foi mudada. Está implicitamente evidente que os atributos da carne e do sangue não estão ali realmente."
A respeito disso, leia o belíssimo "Adoro Te Devote" de São Tomás: "Visus, Tatus Gustus in te fallitur, sed auditor solo tuto creditur." Onde falham os sentidos, senhor
David, é a fé que sustenta. Aliás, o senhor pode explicar como um cego pôde ver, ou um surdo ouvir, ou um morto ressuscitar, sem a luz da fé? Ou sua seita é uma das de último tipo, que negam todos os milagres narrados nos Evangelhos, e até que Cristo é Deus?
Não há resposta, não é omitidor
David? Mais fácil foi para o senhor cortar a parte que o incomodava, e continuar celebrando apenas o memorial de Cristo, com Pão e Vinho, enganando-se e enganando outros, e acusando a Igreja de Cristo de idolatria.
O problema é que Cristo ensinou de forma diversa, e, embora isso esteja acima de nossa inteligência, temos que aceitar como artigo de fé, porque Cristo não pode enganar-nos e nem enganar-Se.
E não se pode calar a voz de Deus, expressa nas Escrituras, que os protestantes - como o senhor -se gabam de ler e conhecer o tempo todo.
Não é honesto omitir e eliminar o que o contraria no texto da Escritura.
Aliás, mais duas inverdades em sua carta: o senhor disse que Cristo pronunciou as frases com o pão e o vinho à mesa. Não foi assim. Cristo disse "Isto é o meu corpo", tendo tomado em suas santas e veneráveis mãos o pão, e tomando o cálice disse: "Este é o cálice de meu sangue".
Note bem: Cristo pega o pão e diz "Isto" - HOC. Toma o cálice e diz "Este"- HIC. Daí vai uma grande diferença dizer que Cristo, com o pão sobre a mesa, disse "Este" - HIC - é o meu corpo, pois deixaria dúvida se ele estaria falando do seu corpo ou do pão. Segurando o pão, e falando "Isto", não há dúvida.
Aliás, São Paulo não está ensinando nenhuma novidade, está apenas concluindo e explicitando o que todos já sabiam e praticavam, e que a Igreja em Corinto estava descuidando.
Se o pão é corpo e o vinho é sangue, como nos diz São Paulo, então o que Cristo fez na Última Ceia foi mais do que uma refeição, foi um ritual de sacrifício, onde a vítima e o sacerdote eram a mesma pessoa: Cristo.
Na cruz, temos de novo o mesmo e único sacrifício, pois a vítima e o sacerdote de novo são uma única pessoa: Cristo.
Por fim, na Missa, temos o que,
David?
A mesma vítima e sacerdote (Cristo, na hóstia consagrada, e o padre que age in persona Christi), e portanto a mesma Santa Ceia e o Calvário. Todas as missas celebradas até o final dos tempos constituem UM SÓ SACRIFÍCIO, pois a vítima e o sacerdote são sempre Cristo.
Com os trechos de São Paulo citados por
David para provar que o sacrifício foi único está perfeitamente conforme a doutrina católica.
O
David que demonstra grande conhecimento dos sacrifícios antigos há de concordar que, se fosse possível uma mesma vítima ser oferecida diversas vezes, não poderíamos dizer que houve sacrifícios diversos, pois a vítima seria sempre a mesma.
Entretanto, o sacrifício envolve a destruição da vítima (holocausto), o que tornava impossível repetir os sacrifícios antigos.
No caso de Cristo, porém, a mesma vítima é oferecida todas as vezes de forma incruenta, repetindo-se o ato cruento da Cruz. Portanto, temos o mesmo sacrifício.
É evidente que o senhor não aceita isso, porém é a conclusão obrigatória dos atos de Cristo, que continuamente ensinou que "minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida" (São João, VI, 41), e ainda "quem não come minha carne e não bebe meu sangue não terá a vida eterna" (São João, VI, 59).
Os judeus se escandalizavam com isso: "disputavam,
pois entre si os judeus, dizendo: como pode este dar-nos a comer a sua
carne? E Jesus disse-lhes: em verdade, em verdade vos digo: se não
comerdes a carne do filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não
tereis a vida em vós." (São João, VI, 53-56).
Estaria Cristo falando em linguagem figurada? Não, pouco sincero
David, como já vimos no trecho que o senhor "esqueceu" de citar. Por que então se escandalizaram o judeus, assim como se escandaliza o novo
David? A continuação do Evangelho nos diz ainda que vários discípulos deixaram Nosso Senhor, e Pedro toma a frente (sempre Pedro) para defender o mestre.
O Sacrifício de Cristo na Cruz foi completo, é evidente! Porém não o foi a aplicação de seus méritos, que variam conforme nosso sacrifício (negado por Lutero) e disposição pessoais, e que deve ser feita necessariamente no tempo; é por isso que Nosso Senhor nos deixou a mais elevada das orações - A Santa Missa - onde o padre In Persona Christi renova o sacrifício do Calvário, juntando os poucos merecimentos dos homens ao merecimento infinito de Cristo na Cruz e os apresenta a Deus, em caráter impetratório e propiciatório, e onde os fiéis recebem como alimento espiritual o mesmo Cristo vivo e verdadeiro, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. E todo aquele que não distingue Cristo do Pão e do vinho, senhor
David, será réu do Corpo e do Sangue, porque como David, não distingue o
CORPO DO SENHOR.
É por isso que tudo na missa lembra a Paixão de Cristo, e todas as orações terminam em nome do Senhor : " Per Dominum nostrum Jesum Cristum...", pois é por ele, com ele e nele (per ipsum, et cum ipsum et in ipso) que tudo podemos e tudo fazemos.
Esperando tê-lo respondido, subscrevemo-nos rogando a Deus Nosso Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora, que o faça mais sincero e reconheça na Santa Igreja Católica a única esposa de Cristo, que acolheu docemente as palavras divinas e renova diariamente o Sacrifício perfeito da Cruz, profetizado por Malaquias: "... do amanhecer ao entardecer será oferecida a hóstia pura e imaculada..." (Malaquias I, 10).
In Iesu et Maria
Marcos Libório Fernandes
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Omitidor David ataca a
doutrina da presença real de Cristo na Eucaristia
De: David Enviada em:
Sexta-feira, 22 de Junho de 2001 14:48 Localidade: Fortaleza, CE Religião: Evangélico Idade: 30 Escolaridade: superior completo
Prezado Irmão Marcos Libório,
Pelo seu linguajar, reconheço um "autêntico" cristão...
risos... vc nem me conhece mas me chama de "omitidor", discute "meu
caráter", diz que sigo uma "seita", além de combater desesperadamente o
protestantismo...
Fica tranquilo, não me sinto atingido por isso, não...
estou acostumado com isso por parte dos católicos pertencentes à
"verdadeira esposa de Cristo"...
Sobre a montanha de argumentos que vc colocou, posso
resumi-los da seguinte forma:
1) Aplicação semântica do verbo SER: Sem cabimento basear
doutrina num verbo que é concomitantemente usado para outros meios que não
a identidade plena.
2) Sobre o texto de Paulo, as verdadeiras funções da Ceia
estão bem claras... eu não citei porque elas já AFRONTAM DIRETAMENTE seu
dogma... veja que "fazei isto em memória de mim" e "anunciareis a morte do
Senhor, até que ele venha" somente confirmam a finalidade MEMORIATIVA da
Ceia. Nada ali fala em mutação da matéria ou perdão de pecados, etc...
isso foi acréscimo por sua conta.
3) "E então, omitidor David, que dizer a respeito desse
trecho que citei e propositadamente esquecido?"
Eu tenho a dizer "Obrigado" por reforçar a minha linha
interpretativa: "Memória de mim" e "anunciar a morte do Senhor".
4) Sua perguntas, com rápidas respostas : "Como alguém
poderia ser réu do CORPO e do SANGUE, se fosse simplesmente celebração da
memória?"
Com a mesma facilidade que vcs pregam que seria redimido
dos pecados ANTES MESMO de Jesus ser morto na cruz. Se valesse para a Ceia
moderna, deveria valer também para a primeira de todas... e isso não
aconteceu. Somente com a morte de Cristo o perdão foi consumado aos
homens.
"Como poderia comer e beber a própria condenação quem,
vendo PÃO e VINHO, e comendo PÃO e VINHO, não distinguisse o CORPO DO
SENHOR?"
A resposta está no texto: "indignamente". E a palavra
indigno não quer dizer "ignorância" ou "heresia". Quer dizer INABILIDADE
ou IMCOMPETÊNCIA, que, à luz da Bíblia, quer dizer presença de pecado
consciente.
Ou seja, Paulo advertia aos corintios para participarem da
Ceia com as vidas retas diante de Deus.
Quer ver a contra-prova ? O que acontecia aos que assim não
o fizessem ? A resposta não foi "os pecados não seriam perdoados". Mas sim
que haveria consequências espirituais de uma vida atrapalhada: fracos,
doentes e até mortos. Participo da Ceia do Senhor há mais de 20 anos.
Desfruto de boa saúde, autoridade contra demônios e estou cheio de vida
espiritual, com dons dados por Deus.
Comigo sua regra "não pegou"...
"Como poderia alguém distinguir o CORPO do PÃO, se vê
apenas PÃO?"
Risos... me diga UM CATÓLICO que consiga diferenciar
visivelmente o pão de um corpo humano ou vice-versa na Eucaristia!
Quer fazer o favor de se auto-apunhalar ? Quem tem que
defender o caráter memorial sou EU e não VC !
"Onde falham os sentidos, senhor David, é a fé que
sustenta".
Sim, por isso, nós, evangélicos, não dependemos de imagens,
bentinhos, santos, transubstanciação, etc para exercício de fé em Jesus.
"Aliás, o senhor pode explicar como um cego pôde ver, ou um
surdo ouvir, ou um morto ressuscitar, sem a luz da fé?"
Claro que sim. Pelo poder de Deus um sistema óptico foi
corrigido (pode ser nervo, córnea, humor vítreo, etc... mas Deus agiu NA
MATÉRIA, tal como o fez no nosso irmão Ezequias, cego até os 9 anos de
idade, curado pelo poder de Deus em minha congregação).
Um surdo pode ter tido seu sistema auditivo restaurado pelo
Criador sem delongas (martelo, estribo, tímpano ou ligação nervosa
restabelecida, etc) - aliás, como ocorreu com 6 pessoas na última
conferência pentecostal que participou, uma das quais SURDA DE NASCENÇA.
Só não vi ainda um morto ressuscitar, mas sei que Deus pode
fazer isso tranquilamente.
Só que em nenhum momento a Ceia é tratada como um milagre
na Bíblia. Mesmo porque, o corpo de Cristo encerrava a completa DIVINDADE,
conforme Colossenses 2:9 e portanto não podia tal corpo ser repartido
materialmente ou milagrosamente. Nem precisaria ter nascido de mulher, se
fosse esse o caso.
Percebe como vc ANULA o cristianismo com uma crença
incoerente ?
"Não há resposta, não é David?"
Ué, estou postando a resposta... quem lhe disse que eu não
responderia ?
"O problema é que Cristo ensinou de forma diversa, e,
embora isso esteja acima de nossa inteligência, temos que aceitar como
artigo de fé, porque Cristo não pode enganar-nos e nem enganar-Se."
Realmente não aceito contradição bíblica... por isso nego a
transubstanciação. Ela é que torna a Bíblia incoerente, pela TEMPORALIDADE
e pela DUALIDADE DE SACRIFÍCIO.
Sobre a escapatória dizendo que a vítima é a mesma, etc, o
absurdo prevalece: se houve o sacrifício UMA ÚNICA VEZ, como Ele morrer de
novo ? Que seja de morte incruenta ou qualquer outro termo que seja
escolhido por vocês, o fato é que afirmam que o sacrifício É REPETITIVO.
E caem na contradição temporal... se Deus precisa dessas
"atualizações", por que a Bíblia diz que o Cordeiro foi morto ANTES DA
FUNDAÇÃO DO MUNDO e ainda assim precisou vir ao mundo na Plenitude dos
Tempos ?
Deus posiciona os eventos NO TEMPO DETERMINADO e se vc quer
pesquisar um pouco, procure na Bíblia se houve algum feito de Deus no
mundo que precisou ser REPETIDO.
Vc nunca encontrará isso. Os homens repetem seus erros e
ações. Deus nunca repete ou refaz algo que já fez.
"palavras divinas e renova diariamente o Sacrifício
perfeito da Cruz através dlo sacerdote eterno segundo Melquizedeque e
profetizado por Malaquias: "... do amanhecer ao entardecer será oferecida
a hóstia pura e imaculada..." (Malaquias I, 10)."
Por favor, quando fizer referências à Bíblia, não coloque
versículos errados. O que vc queria citar está em Malaquias 1:11, e ainda
por cima está errado: "Mas desde o nascente do sol até o poente do sol
será grande entre as nações o MEU NOME; e em todo o lugar se oferecerá AO
MEU NOME incenso e uma oblação pura; porque o meu nome será grande entre
as nações, diz o Senhor dos Exércitos"
Pelo que se vê ali, o sacríficio não é DO SENHOR, mas é
PARA O SENHOR.
E o incenso ? Esqueceram na celebração da missa ? Se for
para mudar a oblação para "óstia", para o que vc quer mudar o "incenso" ?
Vc Marcos Libório pode de todas as formas possíveis e
imagináveis querer confirmar sua única sustentação da transubstanciação (o
verbo SER na frase de Jesus). Mas ela sempre será DÚBIA, pois a mesma
expressão foi usada para outros fins, conforme falamos.
Sua explicação envolvendo pronomes demonstrativos foi muito
ruinzinha. Afinal, quando Jesus falava nas outras ocasiões, usava até
pronomes PESSOAIS, muito mais diretos que pronomes demonstrativos. ( Eu,
Vós, Tu, ETC). Não colou. Ou o verbo é definitivo para TODAS AS SITUAÇÕES
ou vcs não podem forçar a barra SOMENTE NO CASO DA TRANSUBSTANCIAÇÃO.
E, por favor, não adianta ficar dizendo que isso veio dos
apóstolos, etc, que o dogma da transubstanciação é bem depois disso, viu ?
Se precisou ser definido somente mediante uma decisão
séculos depois é porque não era tão patente como vcs afirmam. Aliás, como
tem dogmas que só vieram a existir no século XX... de "tão evidentes" que
eram...
Mas, por mais rodeios que sejam feitos, vcs ainda não
esclareceram como o "sacrifício da missa podia ser atualizado" mesmo antes
da morte de Cristo. Eu não estou falando de comemoração como as de datas
cívicas (isso vale para o caráter memorial que EU defendo, não vcs!), mas
sim me referindo ao fato que alguns elementos DISTINTOS poderiam ter se
tornado o próprio corpo de Cristo, com características de PERDOAR PECADOS,
antes mesmo da morte de Cristo. Percebem ?
Trago aqui Duas perguntas distintas : aqueles elementos
PERDOARAM os pecados dos discípulos ? Ou não ?
1) Caso sim : como poderia ser efetuado o efeito do
derramamento de sangue sem que o Cordeiro houvesse sido imolado ? Criaram
OUTRO MEIO DE PERDÃO além do sacrifício de Cristo ? Se isso era possível,
porque o escritor aos Hebreus diz que os fiéis do passado NÃO ALCANÇARAM A
PROMESSA antes da morte do Senhor (Hebreus 11:39,40)?
2) Caso não: por que se baseiam nas palavras INSTANTÂNEAS
de Cristo para formalizar a transubstanciação, mas com efeito de perdão
somente após a crucificação ?
Quanto às demais ofensas e argumentos, por serem todas
inoportunas, não cabe comentário.
Não adianta ... Evangelistas e São Paulo escreveram em
grego, usando a forma verbal ESTI (=É) e não SEMANEI (=significa)" - para
que isso se torne argumento, Até que me provem o contrário, a forma ESTI
foi usada também para simbolismo, independente de existir SEMANEI.
A partir do que está escrito, não se define a
transubstanciação, que, sem exagero algum, seria um autêntico milagre ! E
os milagres operados por Jesus NA MATÉRIA eram todos visíveis, e não
"implícitos".
O problema é que essa sua suposta "transformação" é
virtual... os elementos continuam sendo somente VINHO e PÃO. Nenhum
católico enxerga nada diferente.
Mesmo que se diga que o memorial para eles não era mera
recordação do passado, mas era reviver o passado."
Justamente por ser memorial, eles não eram obrigados a
voltar à escravidão no Egito e saírem de novo com braço forte do Senhor...
bastava lembrar que a LIBERTAÇÃO já havia sido feita, há muito tempo
atrás, e que agora eram todos livres.
No início da igreja, tinha cristão acreditando até que
Jesus iria voltar no ano 100. No primeiro século, tinha cristão
acreditando que Jesus não podia ser Deus encarnado. E por aí vai.
Tudo o que precisa de DOGMA CATÓLICO ao longo dos anos a
desculpa é sempre a mesma "TODOS acreditavam assim no início"... mesmo que
o tal dogma seja contrário à Bíblia ou nem seja mencionado nela.
Como não temos mais testemunho pessoal dos primeiros
cristãos, fico com a Bíblia.
E, no dia que vc me apresentar MANUSCRITO APÓSTOLICO, pode
ser de qualquer um deles, falando sobre Pedobatimso, Transubstanciação,
Infalibilidade papal, ou a própria instituição de papa, etc (já que a
lista de dogmas é enorme) eu darei um crédito às suas crenças.
Enquanto me mostrar doutrina de Irineu, Cirineu, Dagoberto,
Torquato, Montezuma, Hitler, Lutero, etc... século X, Y, Z, W... eu não
caio nessa !
Do mesmo jeito que fixou em Pedro e falou "Para trás de
mim, Satanás !" Está chamando seu "papa" de diabo ?
Do mesmo jeito que disse de Herodes: "Ide dizer a ESSA
raposa que hoje e amanhã curo enfermos e expulso demônios" O rei virou
canídeo ?
Do mesmo jeito que apontou para uma multidão e disse: "Eis
AQUI minha mãe e meus irmãos!" Quantos Tiagos, Joões e Marias teríamos,
não?
"Transubstanciados" porque Jesus indicou...
Nenhum gesto consagraria a transubstanciação. Mesmo apontar
com o dedo não quer dizer identidade plena ou mudança de matéria.
Porque não constava então dos credos iniciais ? Nenhum,
seja o apostólico, o de Nicéia, etc, apresentava crença nessa
transformação física. Historicamente, todos os DOGMAS surgiram para
IMPLANTAR conceitos novos. Só um exemplo, o monasticismo. Os pais da
Igreja não eram todos celibatários, tinham famílias. O dogma papal a
respeito, séculos depois, TRANSFORMOU em prática isso.
Em Diversos debates contra o agnosticismo e o unitarismo,
logo no início da Igreja Cristã, NUNCA GERARAM DOGMAS.
Os dogmas começaram a surgir no melhor estilo "Decreto-Lei"
após a fundação da denominação romana pelo soberano pagão Constantino.
Você confirma aqui que houve "transubstanciação" em carne e
sangue do Senhor ali ? E que houve PERDÃO DOS PECADOS mesmo sem a morte do
Cordeiro ?
Vc está dizendo que pode haver PERDÃO DE PECADOS SEM
DERRAMAMENTO DE SANGUE ?
Parabéns, vc criou nova Teologia... mas não a Bíblica.
"Como quer que seja, eu pergunto: Quando esse sangue foi de
fato derramado? Acaso não foi no exato momento em que o Senhor pronunciou
essas palavras, mas no futuro, algumas horas após? Daí, no momento em que
o Senhor instituiu a Eucaristia, Ele tinha em vista o breve derramento de
Seu Precioso Sangue, que haveria de seguir, para permitir a reconciliação
da Humanidade com Deus."
A Ceia não perdoou pecado algum dos discípulos antes do véu
do Templo se rasgar. E se não o fez antes, não tem como fazer depois,
ainda mais ministrada por homens como nós.
Resumindo: uma falsa propositura !
"Os Sacramentos da Eucaristia, para pecados veniais, assim
como o Sacramento da Confissão, para pecados mortais, são OS MEIOS (não
"outro" meio, como o irmão afirma) de perdão de pecados instituídos por
Jesus, em função do Sacrifício de Cristo."
Eis o meio instituído: "Porque todos pecaram e destituídos
estão da glória de DEUS, sendo JUSTIFICADOS gratuitamente pela sua graça,
pela REDENÇÃO que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para PROPICIAÇÃO
PELA FÉ NO SEU SANGUE, para demonstrar sua justiça pela REMISSÃO DOS
PECADOS DANTES COMETIDOS, sob a paciência de Deus"
Romanos 3:23-26
Localize para mim as palavras "sacramento" ou "eucarisitia"
ou "confissão" ali. Eu já localizei e destaquei a palavra FÉ NO SANGUE.
O trecho bíblico de Hebreus 11, 39-40..todos estes, tendo
tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa: Provendo Deus alguma
coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem
aperfeiçoados
Vê-se que o Apóstolo Paulo não tencionou, de forma alguma,
ensinar aos hebreus que o momento de se alcançar as promessa teria que ser
necessariamente no preciso segundo depois que o Senhor expirou."
Então vc está querendo dizer que em todos os sacrifícios
dos tempos antigos, ANTES DO CORDEIRO MORRER O POVO JÁ ESTAVA PERDOADO ?
Tá mal, hein ? E, supondo que seu dogma fosse correto,
ANTES DA CELEBRAÇÃO DA MISSA O POVO JÁ FICA PERDOADO ?
Meu Corpo Verdadeira Comida!
Me ajude, teólogo romanista, como vc define a palavra
VERDADE e a palavra VERDADEIRA. Pois, no âmbito bíblico, e vou lhe provar
COM SUA PRÓPRIA RESPOSTA, que ambas NÃO SIGNIFICAM IDENTIDADE PLENA.
Por enquanto, a única "verdade verdadeira" é que o pão
continua fisicamente pão, e o OINOS fisicamente OINOS.
O resto, fica pela sua imaginação... ou prova em contrário.
Cientificamente, teologicamente, logicamente,
cronologicamente, a TRANSUBSTANCIAÇÃO é um ENGODO.
Duas coisas sobre o Dogma da Transubstanciação não consigo
entender, além de todos os outros apresentados pelo Marco Libório :
1) TEMPORALIDADE - quando Jesus realizou a Santa Ceia, Ele
nem havia morrido na cruz ainda, portanto nem havia dado o brado "Está
consumado!". Se a transubstanciação fosse doutrina correta, os elementos
pão e vinho já teriam se tornado "carne e sangue" do Salvador antes mesmo
dele concretizar sua morte. Se não se aceita que a Santa Ceia é apenas um
MEMORIAL sobre a obra no Calvário, não tendo poder salvífico ou remissório
em si mesma, os discípulos já estariam salvos ANTES de Cristo morrer.
Ou seja, o sacrifício na Cruz se tornou nulo, pois este
compêndio anterior apresentaria OBRIGATORIAMENTE os mesmos efeitos ou NÃO
SERIA LITERALMENTE A CARNE E O SANGUE DO SENHOR, conforme proposição
romanista.
Se alguém me disser que a transubstanciação só começou a
ocorrer DEPOIS da morte da Cruz, todo mundo estará autorizado a dizer que
Jesus mentiu ao já afirmar de antemão "ISTO É O MEU CORPO" e "ISTO É O MEU
SANGUE".
Decidam-se, por favor: Ou seu dogma é ADAPTÁVEL AO TEMPO
(deixando de ser verdadeiro enquanto dogma) ou em sua doutrina CRISTO pode
MENTIR. Qualquer coisa que me falem pode incorrer em uma ou outra
situação. Pensem antes.
2) Se nas missas verdadeiramente Cristo "nasce" e "morre",
conforme doutrina decorrente da transubstanciação, como fica vossa
interpretação de Hebreus 9:27,28 -"Assim como aos homens está ordenado
morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo,
oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda
vez sem pecado aos que o esperam para a salvação" bem como HEBREUS 10:10 -
"Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus
Cristo, feita uma vez".
Isso é um pedido de explicação para ambos os tópicos.
Certamente, quero lógica e hermenêutica como ingredientes das respostas.
Com a palavra, os romanistas.
David
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Segunda Resposta
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Omitidor David, salve Maria, "Mãe de meu Senhor" (São
Lucas, I, 43)
Realmente ficamos surpresos com sua resposta (digo
melhor, com sua repetição, visto que não respondeu nada), pois não
esperávamos que alguém que tivesse omitido e distorcido tanto a palavra de
Deus nas Escrituras voltasse à carga.
Infelizmente, as múltiplas obrigações que temos nos
impediram de preparar antes a merecida resposta, como era de nossa
vontade.
David voltou mais rigoroso.
E mais desafiador, se bem que mais confuso.
Mas ainda, e principalmente... OMITIDOR.
David não gostou do título, melindrou-se, dizendo que
julgamos sem o conhecer, mas contraditoriamente julgou-nos, pelo
"linguajar" (sic).
Mas, o que em nosso "linguajar" ofendeu
David?
Chamamo-lo de "senhor", fomos tratados de vc
(assim mesmo, abreviado. O omitidor não perde uma chance de omitir, nem
que sejam algumas letras...); além disso, David chamou-nos
depreciativamente de "teólogos romanistas".
E é o nosso "linguajar" que não é cristão?
Primeira surpresa...
Do falar do verdadeiro cristão, disse São Tiago: "Mas
seja a vossa palavra: Sim, sim, não, não; para que não caiais em
condenação." (Epístola de São Tiago, V, 12); ou seja, para sermos
reconhecidos como verdadeiros cristãos, devemos dizer a verdade...
Que nossos leitores julguem quem falou e agiu de forma
cristã.
E também se foi o nosso modo de falar, ou se foram as
verdades que incomodaram tanto o David...
***
Apressamo-nos a reconhecer nossa imprecisão ao citar o
profeta Malaquias: havíamos inicialmente citado de memória, e passou-nos
desapercebida a imprecisão na hora de revisar.
A revisão menos cuidadosa não esperava encontrar pela
frente o rigoroso David, que exige "lógica e hermenêutica" em nossa
resposta.
Se é rigor que quer, usemos de rigor...
Mas se não citamos literalmente, citamos corretamente
a idéia do texto, que exprime de forma belíssima a profecia sobre a Santa
Missa, sobre o caráter propiciatório, e não apenas memorial da
eucaristia.
David limitou-se a "consertar" a citação com todas as
letras que faltavam, pois a letra -- que mata -- é tudo para o
protestante, e "esqueceu" de explicar seu sentido -- o espírito,
que vivifica: o profeta Malaquias fala sobre um novo sacrifício,
puro, que seria oferecido. Deus não aceitaria mais as ofertas
judaicas, das mãos dos sacerdotes levitas, porque eram apenas símbolo
desta oblação pura. (O trecho compreende os versículos 10 e 11, e não
somente o 11, como "corrigiu" apressadamente o omitidor...).
Citemo-la novamente: " (...) O meu afeto não está em
vós, diz o Senhor dos exércitos, nem eu aceitarei oferenda alguma da vossa
mão. Porque desde o nascer do sol até ao poente, o meu nome é
grande entre as nações, e em todo lugar se sacrifica e se oferece
ao meu nome uma oblação pura; porque o meu nome é grande entre as
nações, diz o Senhor dos exércitos." (Profecia de Malaquias, I,
10-11).
Pergunta, David: qual é o novo sacrifício (único),
puro, que é oferecido em todo lugar, em nome de Deus? Não é nenhum
sacrifício de animais, pois o profeta diz que Deus não aceitaria mais as
ofertas das mãos dos sacerdotes de seu povo.
A oblação pura, concordamos que é de Cristo, HÓSTIA
pura, mas como explicar que seja em todo lugar, e desde o
nascer do sol até o poente, se o Calvário foi em um só lugar, na Gólgota,
e em uma só hora?
Respondemos com a Didakê: "Reuni-vos no dia do
Senhor, e façam a partilha do pão e ofereçam a Eucaristia; mas primeiro
confessem suas faltas, para que seu sacrifício seja puro. Quem
tiver alguma diferença com seu amigo, que não participe convosco até que
tenha se reconciliado, para evitar a profanação de seu sacrifício.
(Mateus, V, 23-24). Pois esta é a oferta da qual o Senhor disse:
"em todo lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura,
(...) pois eu sou o grande Rei, diz o Senhor dos Exércitos, e o meu nome é
temido entre as nações." (Malaquias, I, 11-14)".
A Didakê, ou "Doutrina dos doze Apóstolos", é o escrito
mais antigo que se conserva dos tempos apostólicos (estima-se que tenha
sido escrito entre 70 e 90, com São João ainda vivo!)
Respondemos ainda com Santo Inácio Mártir, Bispo
de Antioquia (entre 69 e 107), atacando os hereges docetas:
"Ficam longe da Eucaristia e da oração, porque não querem reconhecer que a
Eucaristia É A CARNE DO NOSSO SALVADOR, Jesus Cristo, a qual
padeceu pelos nossos pecados e a qual o Pai, na sua bondade, ressuscitou.
Estes, que negam o dom de Deus, encontram a morte na mesma
contestação deles. Seria melhor para eles que praticassem a caridade, para
depois ressuscitar." (Ad. Smyrnaeos, 6-7. citado por Maurice Brillant,"Eucaristia",
Dedebec, Ed. Desclée de Brouwer, Buenos Aires, 1949, pág. 40).
Os docetas negavam a realidade da carne de Cristo,
dizendo que Cristo teria tido apenas aparência humana, e POR
ISSO não aceitavam a eucaristia. Daí a insistência de Santo Inácio na
realidade da carne de Nosso Senhor, que padeceu, que ressuscitou, e que
está presente na Eucaristia.
Os hereges docetas, portanto, prestavam
involuntariamente um serviço à verdade, pois, ao rejeitarem a
eucaristia porque era o corpo De Nosso Senhor, confirmam a crença
da presença real do corpo e do sangue de Cristo, no primeiro século!
E Santo Inácio, Bispo Católico, já no início da era
cristã, defende o dogma, que será pronunciado onze séculos depois!
E o mesmo Inácio, na epístola aos Filadelfos,
diz: "Assegurem, portanto, que se observe uma Eucaristia comum; pois há
apenas um Corpo de Nosso Senhor, e apenas um cálice de união com seu
Sangue, e apenas um altar de sacrifício - assim como há um bispo, um
clérigo, e meus caros servidores, os diáconos. Isto irá assegurar que todo
o seu proceder está de acordo com a vontade de Deus." (carta aos
Filadelfos IV - ano 110). Um só Corpo, um só cálice do sangue, um só
sacrifício, uma só eucaristia!
Discípulo de São Pedro e São Paulo, Santo Inácio foi
martirizado e se tornou, conforme sua belíssima expressão:
"trigo de Cristo, moído nos dentes das feras".
David desafiou em seu email: "(...) Como não temos
mais testemunho pessoal dos primeiros cristãos, fico com a Bíblia. E,
no dia que vc (sic) me apresentar MANUSCRITO APÓSTOLICO, pode ser de
qualquer um deles, falando sobre Pedobatimso (sic), Transubstanciação,
Infalibilidade papal, ou a própria instituição de papa, etc (já que a
lista de dogmas é enorme) eu darei um crédito às suas crenças."
Há documentos falando também dos outros dogmas, mas como
a questão é sobre a eucaristia, que lhe parecem estes, David?
A Didakê e Santo Inácio de Antioquia são
ambos da época apostólica...
***
Convém comentar aqui também a referência curiosa a
Melquisedec.
Nos diz o belíssimo Salmo 109 que Cristo foi prefigurado
por este sacerdote:"Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de
Melquisedec". (Salmo CIX, 4). São Paulo retoma a mesma verdade, na
Epístola aos Hebreus (capítulo VII).
E quem foi Melquisedec?
A Bíblia nos diz pouco sobre ele, mas o que diz é
extremamente interessante: "E Melquisedec, rei de Salém, trazendo
pão e vinho, porque era sacerdote do Deus altíssimo, o abençoou e
lhe disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a
terra; e bendito seja o o Deus Altíssimo, por cuja proteção os inimigos
estão nas tuas mãos. E (Abrão) deu-lhe o dízimo de tudo."
(Gênesis, XIV, 18-20)
Melquisedec é, segundo as Escrituras, rei de Salém (ou
seja, rei da paz), e sacerdote que oferece
sacrifício com PÃO e VINHO. Perfeita figura de Cristo, o
sacerdote eterno, o rei da paz, que irá oferecer o sacrifício perfeito com
pão e vinho na Santa Ceia, prenúncio da Cruz, consumação do mesmo e único
sacrifício.
No decorrer de sua mensagem, o omitidor David irá negar
que pão e vinho sejam compatíveis com sacrifício; para ele, a Santa Ceia
foi uma refeição, e o Calvário o sacrifício, sendo que entre eles não há
nenhuma relação.
Para o omitidor, pão e
vinho só servem para ceia, não para sacrifícios...
Para as Escrituras, a
figura de Cristo, o sacerdote Melquisedec, oferece um sacrifício de pão e
vinho...
Nós ficamos com as Escrituras.
***
E o mesmo David, o omitidor, não gosta de ser
contrariado, nem se dando ao trabalho de nos mostrar onde está o (suposto)
erro de nossa defesa. Para o omitidor, basta dizer que não concorda e
pronto. Assim foi com o verbo SER, usado por Cristo na instituição
da Eucaristia.
Disse ele, em tom gramatical, na rocambolesca tentativa
de explicação:
>>"1) Aplicação semântica do verbo SER (sic): Sem cabimento basear
doutrina num verbo que é concomitantemente (sic) usado para outros meios
que não a identidade plena" (sic).
Que confusão! Mas tem mais:
>>"Vc Marcos Libório pode de todas as formas possíveis e imagináveis
querer confirmar sua única sustentação da transubstanciação (o verbo SER
na frase de Jesus). Mas ela sempre será DÚBIA, pois a mesma expressão foi
usada para outros fins, conforme falamos."
Única sustentação? Apesar de bastante importante, demos
várias outras provas da presença real de Cristo...
E perdido no meio das idéias confusamente espalhadas
pela mensagem, mais esta infeliz frase:
>>"Não adianta ... Evangelistas e São Paulo escreveram em grego, usando
a forma verbal ESTI (=É) e não SEMANEI (=significa)" - para que isso se
torne argumento, Até que me provem o contrário, a forma ESTI foi usada
também para simbolismo, independente de existir SEMANEI."
Ora, se existe um verbo que liga o sujeito ao predicado
- verbo de ligação - este é o verbo ser.
Em filosofia, aliás, O SER é propriamente aquele
que tem A EXISTÊNCIA. Com o passar do tempo o verbo existir
foi sendo aplicado nesta acepção, mas o SER, no entanto, manteve o sentido
principal.
Deus, quando se revela a Moisés, diz: "Eu sou aquele
que É" (Êxodo, III, 14); ou seja, Deus É O SER por excelência,
e não um símbolo, um significado.
Deus não virá a ser e nem foi: simplesmente, Deus É.
Verbo SER, David...
Também, Cristo, identificando-se com Deus Pai, quando
Judas traz os guardas que vão prendê-lo, diz em resposta a seus inimigos:
"Eu SOU" - "Ego sum" (São João, XVIII, 5-6). E o Evangelista
nos diz que os guardas caíram por terra (porque perceberam que Cristo se
revelava Deus, apenas usando o verbo SER...).
Verbo SER, de novo, David...
E ainda, no início do Evangelho de São João, o Verbo de
Deus - Cristo - identifica-se com Deus Pai através da palavra... SER:
"No princípio ERA o verbo, e Verbo estava com Deus, e o Verbo
ERA DEUS". (S. João, I, 1)
Que verbo, David? SER!
Negar o sentido principal, imediato, mais simples do
verbo SER, como fez David, conduz à negação das verdades mais
fundamentais das Escrituras: que Cristo É Deus, que Deus É o
ser por excelência, etc.
Aplicando ao David uma de suas próprias frases de efeito,
é "anular o cristianismo". E é anular qualquer possibilidade de
emitir um juízo. Por exemplo, não poderíamos dizer: Esse livro é a
Bíblia! É isso que fez David com sua gramática reformadora.
E foi exatamente isso o que fizeram as seitas mais
"avançadas" que a Davidiana, negando a divindade de Cristo, negando
a existência de Deus.
Portanto, se Cristo queria dizer que o pão (isto) era
REALMENTE (e não simbolicamente) seu corpo, e que o vinho era
REALMENTE seu sangue, deveria usar (como de fato usou) o verbo SER.
Mas os protestantes alegam que, em algumas situações, o
verbo "ser" tem outro sentido, o de significar, simbolizar.
É o que David quis dizer quando aludiu aos sentidos de
"ser" (esti, em grego) que ele "provou" terem usado os evangelistas em
sentido figurado, ao invés de usar o verbo "significa" (semanei, em
grego).
Vejamos os exemplos dados pelo David, de sua primeira
mensagem:
>>"Eu sou a Porta"(João 10:7), no entanto não queria dizer uma porta
literal de madeira com dobradiças... Outra vez falou: "Eu sou a videira"
(João 15:5), no entanto não queria dizer que era um pé de uva literalmente
falando..".
Ora, que o verbo ser possa ser usado figuradamente em
alguns casos, todos concordam, mas aqui o sentido figurado é da
porta, e da videira, e NÃO do verbo SER!
Cristo é de fato a porta, mas porta em
sentido figurado, assim como é caminho, e caminho por analogia,
pois se o seguirmos, chegaremos ao Pai!
Assim também como a videira, que dá vida aos
frutos que produzem o vinho, e quem não está a ela ligado secará
fatalmente, como a seita Davidiana.
Dizer que o verbo ser foi aqui usado em sentido
analógico, e que as frases ficariam portanto: "Cristo significa a
porta" e "Cristo significa a videira" só é possível em cabeça
Davidiana!
Dizer que é o verbo ser, e não os substantivos, que está
em sentido figurado, aniquila a comparação, torna as frases sem
sentido! O omitidor David não sabe distinguir entre uma metáfora e
uma simples identificação, porque em ambas se usa o verbo ser.
Portanto a confusão Davidiana não é apenas teológica,
mas também literária e gramatical... E olhem que este é o mesmo David que
exigiu "lógica e hermenêutica" na resposta...
E para encerrar este assunto, alguns protestantes do
começo do século XX, como último recurso, diziam que Cristo usou o verbo
ser porque em aramaico (língua que Nosso Senhor falava) não
há como dizer representa, significa. Aliás, apelar para um
sentido oculto ou impossível numa língua de difícil acesso à maioria das
pessoas é um expediente bastante comum entre os filhos da reforma. Engana
principalmente os mais humildes, que devem ser a maioria na seita
pentecostal Davidiana...
Porém, contra este último subterfúgio, o cardeal Wiseman,
um ex-protestante convertido, provou que haveria quase 40 formas de
dizer "significa" ou "simboliza" em aramaico, se essa fosse a intenção do
divino Mestre!
Os protestantes, então, desistiram de mais essa
mentira...
***
O mais impressionante na resposta de David é que ele não
reconhece que omitiu o trecho de São Paulo, conforme desmascaramos
em nossa primeira resposta.
Disse ele, negando a omissão:
>>"2) Sobre o texto de Paulo, as verdadeiras funções da Ceia estão bem
claras... eu não citei porque elas já AFRONTAM DIRETAMENTE seu
dogma... veja que "fazei isto em memória de mim" e "anunciareis a morte do
Senhor, até que ele venha" somente confirmam a finalidade MEMORIATIVA
(sic) da Ceia. Nada ali fala em mutação da matéria ou perdão de
pecados, etc... isso foi acréscimo por sua conta." (o negrito é
nosso).
Afrontam diretamente o conceito de inteligência
que tínhamos de David, como mostraremos...
E ainda, quando o acusamos de omitir o texto:
>>"Eu tenho a dizer "Obrigado" por reforçar a minha linha
interpretativa: "Memória de mim" e "anunciar a morte do Senhor"."
Talvez se não tivéssemos as mensagens anteriores, ou se
fosse um debate privado, este expediente de David, fazendo de conta
que não omitiu nada, poderia ter funcionado...
Porém, numa discussão aberta, em que os leitores tem
acesso aos textos e aos argumentos de parte a parte, David nos dá um
atestado de incompetência, além da confissão da culpa!
Relembremos o que o omitidor escreveu na primeira mensagem, na coluna
da esquerda. E citamos o trecho de São Paulo "esquecido" por
David,
contendo as expressões "réu do corpo e do sangue" e "não
distinguindo o corpo do senhor", na coluna da direita:
|
Omissão de David
|
Nossa citação na resposta |
|
>>"E Paulo cita Jesus dizendo:
"Este cálice é o novo pacto no meu
sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de
mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do
cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha"
(I Cor. 11:25-26).
|
Citemos porém, agora, o trecho
completo, sem a quebra do raciocínio imposta ao trecho de São Paulo
(na 1a carta aos Corintios XI, 23-29),(...)
"Porque eu
recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus,
na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças, o partiu,
e disse: recebei e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por
vós; fazei isto em memória de mim.
Igualmente depois
de ter ceado, (tomou) o cálice, dizendo: este cálice, é o novo
testamento no meu sangue, fazei isto em memória de mim todas as
vezes que o beberdes. Porque todas as vezes que comerdes este pão e
beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele
venha.
Portanto todo
aquele que comer este pão ou beber este vinho indignamente, será
réu do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, a si mesmo o
homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que
o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação,
não distinguindo o corpo do
Senhor."
|
Portanto, o trecho que contém as expressões "Memória
de mim" e "anunciando a morte do Senhor, até que ele venha"
já estava na primeira citação de David (versículos 25-26); o trecho que
acusamos de omissão compreende os versículos 27 a 29, e contém as
expressões supracitadas: "réu do corpo e do sangue" e "não
distinguindo o corpo do senhor".
David repete a omissão, e diz que não omitiu nada!
Segunda grande surpresa...
Este é o estilo omitidor de David, desmascarado pela
segunda vez, de novo numa omissão. E depois ele se enfeza com o título...
Tratemos primeiro das duas expressões que David diz
"afrontarem diretamente" o dogma da transubstanciação.
Primeiro, a expressão "até que ele venha" . Ora,
até o século XIX ninguém se atrevera dar a interpretação Davidiana,
de que "até que ele venha" quer dizer que Cristo não se fará
presente de nenhuma forma, e portanto não estaria na hóstia
consagrada.
Para os Davidianos, esta frase não se refere ao
SEGUNDO ADVENTO DE CRISTO, no final do mundo, quando Nosso Senhor
voltará de forma VISÍVEL. Para os Davidianos Cristo não vem aos
homens nunca, de forma alguma! E ninguém ousou assim, porque é muito
fácil provar o absurdo de tal interpretação!
Se Cristo só virá no fim do mundo, como explicar a
passagem: "Se algum me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o
amará; e NÓS viremos a ele e faremos nele morada (S. João, XIV,
23)".
E também, como explicar que Cristo apareceu e falou com
São Paulo, quando este ainda o perseguia: "Eu sou Jesus, a quem tu
persegues" (Atos, XXVI, 15). E muitas outras passagens.
Eis o primeiro argumento que "afronta diretamente"
o dogma católico, reduzido a pó...
A segunda expressão de S. Paulo, no trecho imediatamente
anterior, explicita o que se deve fazer até que Cristo venha:
"anunciareis a morte do senhor", diz o apóstolo. Anunciar a morte,
como diz São Paulo, e não celebrar uma ceia comemorativa,
como quer defender o omitidor.
Mas como é que se anuncia a MORTE durante a
celebração de uma CEIA, que supostamente deveria ser festiva?
A ceia deveria celebrar, relembrar alegremente a reunião de Cristo com os
Apóstolos, e não a morte, que só ocorreu no dia seguinte...
Mas o texto é inequívoco: Toda vez que fizerdes isto
- A CEIA, onde o pão e o vinho se tornam corpo e sangue de
Cristo - anunciareis a morte do Senhor - O Calvário - até que
ele venha - até o final do mundo;
Ou, como ensina a doutrina católica: A Missa -
como a Santa Ceia - é o anúncio da morte de Cristo - renovação do
Calvário - até que ele venha - desde o nascer do sol até o poente
(...) em todo lugar se sacrifica e se oferece a Deus uma oblação pura.
Fica de novo evidente a relação entre a Ceia, o
Calvário e a Missa, que David procura negar de todo jeito...
E além disso, como se pode anunciar a morte de alguém
com pão e vinho, numa ceia, como dizem os protestantes?
Só faz sentido anunciar a morte num ritual
solene e grave, não alegre e festivo, e tendo, ao invés de pão,
o CORPO - que foi entregue - e no lugar de vinho, o SANGUE -
que foi derramado - como fazemos nós, católicos, na Missa.
A segunda expressão que "afronta diretamente" o
dogma católico, segundo a seita Davidiana, é "memória de mim".
Cristo mandou que se fizesse o sacrifício em sua
memória, o que de forma alguma significa que Cristo esteja presente
somente em memória, como quer fazer crer o omitidor. A expressão
significa que a cerimônia é para ser feita pelos Apóstolos e sucessores
como recordação do que Cristo fez. E o que Cristo fez foi
transformar pão e vinho em Seu corpo e sangue.
Cristo disse: Fazei "isto" em minha memória.
O "isto", a ação que deve ser executada, não é memorial,
mas real. Consagreis como eu fiz, realmente, em minha memória, pois
não estarei presente visivelmente, é o que ensinou Cristo.
E porque em memória? Porque não veremos Cristo
até o final do mundo, "até que ele venha".
David faz parecer que Cristo disse: Celebrai minha
memória. Fazei apenas uma ceia em minha memória. Desloca o caráter
memorial da lembrança de Cristo, para o ato ensinado por
Cristo, o que é falso.
Diferença sutil, e que revela a malícia dos hereges.
Fica ainda mais claro com um exemplo: Se um homem que
está próximo da morte e diz à sua esposa, confiando-lhe a educação dos
filhos: - educai nossos filhos em minha memória.
Que devemos entender por isso? Que a esposa deve de fato
educar os filhos - embora esteja agora sozinha - e não simplesmente
lembrar-se do pedido do marido. Ela deve continuar algo real - a
educação - em lembrança ao esposo falecido.
Fica evidente a distinção entre o caráter memorial do
ATO e o caráter memorial da PESSOA que mandou perpetuar aquele
ato. O homem, que não estará mais presente, pede à esposa que continue a
educação dos filhos em sua lembrança. De igual maneira, Cristo, que não
estará mais presente VISIVELMENTE, pede (e mesmo institui, ordena) que sua
esposa (a Igreja) perpetue a Missa em sua memória.
Então, o segundo argumento que "afronta diretamente"
a presença real na eucaristia, cai por terra. E, ao contrário do que David
proclamou como sendo expressões a seu favor, mais uma vez confirmam a
doutrina católica.
***
David exigiu que respondêssemos usando "hermenêutica e
lógica", muito embora não tenho usado esta, e certamente desconhece
aquela.
Daqui em diante dividiremos nossa resposta em análise
das citações bíblicas - hermenêutica - e explicações da doutrina
católica - lógica.
Hermenêutica
topo↑
Em primeiro lugar, David exigiu o uso da hermenêutica
nas respostas.
Mas David sabe o que está dizendo? Ele sabe o que é
hermenêutica?
Ele quer hermenêutica ou exegese?
Duvidamos que ele saiba a diferença entre elas...
Duvidamos que ele saiba, por exemplo, que a
hermenêutica está para a exegese, assim como a lógica
está para o raciocínio. Ou seja, hermenêutica e lógica são as
regras para bem interpretar e pensar, enquanto exegese e
raciocínio são as aplicações das regras em cada caso específico.
Concedamos por um instante que seja hermenêutica
o que quer o omitidor. Porém, esta ciência da interpretação só se
desenvolveu mais formalmente a partir do século III, com os
tratados de Tertuliano, Clemente de Alexandria, São João Crisóstomo, São
Jerônimo e Santo Agostinho, para citar apenas alguns. E David disse só
aceitaria documentos dos tempos "apostólicos", e nada dos Padres da
Igreja.
David rejeitou a doutrina e a interpretação dos
Padres, mas quer que usemos as regras de interpretação feitas pelos
mesmos padres?
Deixemos ao omitidor esta explicação embaraçosa, pois
afinal estamos respondendo sob o rigor que ele pediu...
***
Em nossa primeira mensagem, procuramos responder às
acusações e ofensas de David utilizando três passagens bíblicas, que
retomaremos, aprofundando:
1. O capítulo VI do Evangelho de São João,
onde o desenrolar da cena mostra a verdade eucarística, primeiro, pela
figura dos pães multiplicados, e depois, com Cristo se definindo ele
próprio o pão que desceu do céu. E por fim que este pão é na verdade seu
corpo, sua carne e seu sangue;
2. As passagens da própria Santa Ceia, relatadas
pelos outros três Evangelistas;
3. O capítulo XI da 1a
Epístola aos Coríntios (versículos 23 a 29), em
que São Paulo nos dá, de forma inequívoca e insofismável a verdade sublime
da Santa Ceia: que o pão é o Corpo de Cristo e o vinho é o Sangue de
Cristo; já tratamos alguns pontos acima.
Do trecho do Evangelho de São João, David se
limitou a dizer:
>>"Meu Corpo Verdadeira Comida! Me ajude, teólogo romanista (sic), como
vc (sic) define a palavra VERDADE e a palavra VERDADEIRA. Pois, no âmbito
bíblico, e vou lhe provar COM SUA PRÓPRIA RESPOSTA, que ambas NÃO
SIGNIFICAM IDENTIDADE PLENA. Por enquanto, a única "verdade verdadeira" é
que o pão continua fisicamente pão, e o OINOS (sic) fisicamente OINOS. O
resto, fica pela sua imaginação... ou prova em contrário."
E procurei em vão a prova de que "Verdade" e
"Verdadeira" não definem a realidade de que o corpo de Cristo é DE
FATO comida, com minha própria resposta. David, no afã de atacar o
"teólogo romanista", esqueceu de colocar a explicação... e inovou, ao
omitir sua própria resposta...
Inovou também ao dar uma nova definição ao adjetivo
"Verdadeiro", que para ele não mais significa "de verdade", mas
qualquer outra coisa, que ele certamente iria provar, não fosse tão forte
nele o omitir!
Dos textos dos três Evangelistas , David se
limitou a ensinar sua nova gramática, onde o verbo ser não é
(conforme já refutamos longamente), e os pronomes demonstrativos não
demonstram.
Da passagem de São Paulo, David preferiu as
respostas rápidas, porque não quer ficar diante da citação bíblica muito
tempo, pois deve-lhe causar horror a lembrança que fazemos do trecho de
São Paulo, omitido desonestamente: "Portanto todo aquele que comer
este pão ou beber este vinho indignamente, será réu do corpo e do
sangue do Senhor.
Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba
deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe
para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor".
Disse David, quando perguntamos como explicar ser possível alguém ser
réu do corpo e do sangue, se a eucaristia fosse
simplesmente celebração da memória:
>> "Com a mesma facilidade que vcs (sic) pregam que seria redimido dos
pecados ANTES MESMO de Jesus ser morto na cruz. Se valesse para a Ceia
moderna, deveria valer também para a primeira de todas... e isso não
aconteceu. Somente com a morte de Cristo o perdão foi consumado aos
homens."
Ou seja: Faço afirmações gratuitas porque vocês
fizeram! Que lisura! Além de nos acusar injustamente, pois não fizemos
nenhuma asserção sem base, ainda nos atribui uma interpretação incorreta
do sacramento, da qual trataremos mais adiante...
E São Paulo fala claramente em culpa, em ser
réu do CORPO e do SANGUE, e David divaga, não explicando como sendo
apenas PÃO, pode alguém ter culpa sobre um CORPO!
Não há escapatória, para ser réu do corpo é
preciso que haja o corpo, que o corpo esteja realmente presente, e
não apenas em símbolo. David não respondeu, porque não há resposta: sem
corpo, somente com pão, não pode haver culpa!
Pior ainda quando perguntamos como poderia comer e beber
a própria condenação quem, vendo pão e vinho, e comendo
pão e vinho, não distinguisse o corpo do senhor.
David então disse:
>>"A resposta está no texto: "indignamente". E a palavra indigno não
quer dizer "ignorância" ou "heresia". Quer dizer INABILIDADE ou
IMCOMPETÊNCIA (sic), que, à luz da Bíblia, quer dizer presença de pecado
consciente. Ou seja, Paulo advertia aos corintios para participarem da
Ceia com as vidas retas diante de Deus.
Quer ver a contra-prova ? O que acontecia aos que assim não o fizessem
? A resposta não foi "os pecados não seriam perdoados". Mas sim que
haveria consequências espirituais de uma vida atrapalhada: fracos, doentes
e até mortos. Participo da Ceia do Senhor há mais de 20 anos. Desfruto de
boa saúde, autoridade contra demônios (sic) e estou cheio de vida
espiritual (sic), com dons dados por Deus. (sic) Comigo sua regra "não
pegou"..."
Minha Regra? Mas a regra é de São Paulo! (I Corintios,
XI, 30)
Boa saúde, autoridade contra demônios, plenitude de vida
espiritual? Mas que presunção, humilde David! São Paulo fala o contrário:
"Aquele, pois, que crê estar de pé, veja não caia." (I Corintios, X, 12);
e também: " Porque de nada me sinto culpado; mas nem por isso me dou por
justificado; o Senhor é quem me julga. Pelo que não julgueis antes do
tempo, até que venha o Senhor, o qual não só porá às claras o que se acha
escondido nas trevas, mas ainda descobrirá os desígnios dos corações; e
então cada um receberá de Deus o louvor. (I Corintios, IV, 4-5). E David
diz ser O justo!
Contra-prova? Deixemos os delírios de lado e comentemos
os fatos.
Que o indignamente significa pureza da alma, pois
pecado e santidade não podem compartilhar a mesma morada, não há dúvida. É
claro que o indignamente mostra que para tomar a sagrada eucaristia, os
coríntios repreendidos por São Paulo deveriam ter uma vida reta, pois para
receber o próprio Cristo em carne, sangue, alma e divindade, é preciso
estar em estado de graça.
Mas não foi esta a pergunta, que, para variar, ficou sem
resposta: perguntei como poderia se condenar alguém que comesse pão
e vinho, e não distinguisse o corpo de Cristo.
Ora, pela teologia Davidiana o pão consagrado não
é apenas pão, e o vinho, apenas vinho? Então porque a condenação,
para aqueles que não fizessem a distinção do corpo?
Nova pergunta sem resposta...
Mas o desastre mesmo vem quando o omitidor David destaca
o trecho da pergunta anterior (Como poderia alguém distinguir o corpo
do pão, se vê apenas pão?) que ficara sem resposta, e nos deu a
seguinte pérola, precedida do deboche... "cristão" Davidiano:
>>"Risos... me diga UM CATÓLICO que consiga diferenciar visivelmente o
pão de um corpo humano ou vice-versa na Eucaristia! Quer fazer o favor de
se auto-apunhalar ? Quem tem que defender o caráter memorial sou EU e não
VC (sic)!"
Ficamos pasmos, ó omitidor David, com sua demonstração de
ignorância! É evidente que o corpo e o sangue de Cristo na eucaristia não
são distinguíveis pelos sentidos. Por isso citei o "Adoro te
devote" de São Tomás, que mostra como a fé sustenta os sentidos, que
falham ao reconhecer o corpo de Cristo.
Esta é a nossa posição, é a doutrina da Igreja, que
contraria sua absurda acusação de canibalismo no primeiro ataque!
Graças a Deus o omitidor recuou neste ponto.
O que perguntamos, e é evidente a pergunta, é
como distinguir, sem o auxílio dos sentidos, o corpo de pão, o
sangue de vinho! E o fato aqui é: a distinção é necessária, porém,
impossível através dos sentidos! Como se dá, então, tal distinção?
Respondamos, já que David tanta dificuldade em
reconhecer: é pela fé que se distingue o corpo do senhor presente
realmente, do pão, e o mesmo com o Sangue em relação ao vinho.
O que é absolutamente necessário, repitamos, é que haja
a distinção, pois São Paulo está atacando os coríntios porque
transformaram a missa numa refeição, assim como o ramo Davidiano
pentecostal!
Pois participar da eucaristia sem distinguir o pão do
corpo leva à condenação!
Claríssimo o texto, e mais clara ainda a pergunta.
Claríssima a verdade da presença real de Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Pelo menos para as almas sinceras.
***
Comecemos a análise bíblica pelo capítulo VI do
Evangelho de São João, que podemos dividir em quatro partes:
Na primeira (versículos 1 a 25), Cristo mostra de
forma prodigiosa como nos dará o alimento celeste, na figura da
multiplicação dos pães, alimento corporal. Os judeus procuram então
fazê-lo rei, e Cristo foge.
Note-se que São João faz uma referência curiosa,
aparentemente desnecessária, quando Cristo multiplica os pães: "Estava
perto a Páscoa, dia da festa dos judeus" (S. João, VI, 4). A
preocupação do evangelista aqui é mostrar a relação entre o pão
multiplicado, que é dado como alimento a todos, e a Páscoa,
na qual se sacrifica o cordeiro sem mancha.
Cristo tudo pode. Pode dar-se em sacrifício, para pagar
os pecados na Páscoa, pode dar-se em alimento, multiplicando seu corpo sem
dividir-se, como na multiplicação dos pães.
Na segunda parte, (versículos 26 a 47), Cristo
busca elevar a mentalidade daquele povo que só via o milagre visível,
para um milagre superior, invisível, que lhes seria alimento
espiritual;
Cristo exorta então o povo a trabalhar para conseguir
este alimento superior, que os judeus entendem novamente no sentido
material, como algo que lhes livraria da morte corporal, e procuram saber
o que fazer para conseguí-lo, que obra material para conseguir tão elevado
prodígio.
Cristo, então, responde ser necessário crer nas
Suas palavras. "A obra de Deus é esta que creais n´Aquele que Ele
enviou" (S. João, VI, 29); ou seja, para receber o alimento
prefigurado materialmente na multiplicação dos pães, é preciso ter fé,
acreditar no que diz Cristo!
E Jesus irá explicar então em que consiste este
alimento, comparando-se ao maná, o pão que veio do céu: "Eu
sou o pão da vida; o que vem a mim não terá jamais fome, e o que crê
em mim não terá jamais sede". (S. João, VI, 35); e os judeus novamente
murmuram por não compreender a divindade de Cristo, por ignorar que veio
do céu, assim como o maná.
Na terceira parte, (versículos 48 a 59), Cristo
começa a explicitar a doutrina eucarística, após a preparação anterior, e
diz que é necessário que os judeus comam esse novo pão, assim como os seus
pais comeram o maná no deserto. (S. João, VI, 48-50); Não só Cristo usa a
palavra comer, como compara-se a um alimento real, o maná, que era
de fato comido pelos judeus no êxodo.
E que pão é esse que deveriam comer os judeus, pois
Cristo é homem, feito de carne? "Eu sou o pão que desci do céu.
Se qualquer comer deste pão viverá eternamente; e o pão que eu
darei é minha carne, para ser a vida do mundo." (S. João, VI,
51-52); ora, Cristo diz literalmente que o pão é a sua carne!
E novamente Nosso Senhor irá salientar a íntima relação
entre o Calvário e a Eucaristia, ao dizer que o pão é para dar vida aos
homens, vida que será conseguida por seus méritos na cruz,
pão que será dado na última ceia: "Se não comerdes a
carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis
vida em vós" (S. João, VI, 54), e ainda "O que come deste
pão viverá eternamente" (S. João, VI, 59); esta mesma relação será
feita na Santa Ceia relatada pelos demais evangelistas.
Como não podia deixar de ocorrer, os judeus, que haviam
buscado Cristo pelo alimento material, começam a se escandalizar:
"Disputavam entre si os judeus dizendo: Como pode Este nos dar a comer
a sua carne?" (S. João, VI, 53), o que mostra que Cristo falava
claramente, pois ninguém entendeu em sentido figurado, como o moderno
David.
Ora, o normal seria Cristo explicar, sendo Mestre como
era, caso os judeus tivessem entendido mal. Assim fez Jesus com Nicodemos,
que não entendera o sentido do nascer de novo do batismo (S. João, III,
5-8); Nicodemos pensa que teríamos que voltar ao seio materno, Cristo lhe
explica o batismo;
Assim também Cristo corrige os Apóstolos, que pensavam
materialmente, quando Cristo os mandava guardar do fermento dos fariseus e
saduceus. (S. Mateus, XVI, 5-12); os Apóstolos disseram que não haviam
trazido pão, Cristo explica que o fermento é a doutrina dos fariseus e
saduceus;
Também no caso de Lázaro, que morrera, mas Cristo disse
que dormia. Os Apóstolos então não compreenderam porque Cristo tinha de
despertá-lo, e o Mestre então fala abertamente que seu amigo estava morto.
(S. João, XI, 13-14);
Era, pois evidente que se o povo e os discípulos tinham
entendido mal o que Cristo ensinara, Ele, como bom Mestre, os
esclareceria.
No entanto, diante da interpretação literal do povo
assombrado por verdade tão impressionante, Cristo irá insistir no que
disse seis vezes, nos versículos seguintes!
Assim, diante dos judeus atônitos diante de tal
revelação, Cristo não os corrige, mas reafirma, conforme já
citamos: "Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne
do Filho do Homem e beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós."
(S. João, VI, 54); não só é possível, mas é obrigatório! Não os corrige,
mas aprofunda o que dissera.
E nos versículo seguintes, ainda com mais ênfase, pois
se até agora Cristo usara o correspondente ao verbo grego PHAGEIN
para significar o "comer", de agora em diante usará o correspondente ao
verbo TRÓGO, para que não houvesse dúvida que falava literalmente,
e não em figuras. David certamente não terá dificuldade em reconhecer o
verbo grego, já que "mostrou" ser conhecedor também desta língua: TRÓGO
quer dizer comer, mastigar, quebrar com os dentes os alimentos mais
duros, tragar, devorar: "O que come a minha carne e bebe o meu
sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." (S.
João, VI, 55).
E ainda, o versículo que David não gostou, porque para
ele "verdadeira" não significa "de verdade"...: "Porque a minha
carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida." (S.
João, VI, 56);
E mais, para não deixar dúvida sobre esta verdade, em
que Cristo promete o seu corpo e seu sangue sob as espécies de pão e
vinho: "O que come a minha carne e bebe o meu sangue, esse fica
em mim e eu nele." (S. João, VI, 57); e além de afirmar a
interpretação literal que surpreendera os judeus, Cristo vai explicando os
efeitos do alimento que nos dará, que irá produzir a união mais profunda
com Ele.
E ainda, para que ninguém tivesse dúvida: "Assim como
o Pai que é vivo me enviou e eu vivo pelo Pai, assim o que me come a
mim, esse mesmo também viverá por mim." (S. João, VI, 58),
mostrando como esse alimento espiritual é fonte de vida.
Também no versículo seguinte, lemos: "Aqui está o
pão que desceu do céu. Não como os vossos pais que comeram o maná e
morreram. O que come deste pão viverá eternamente." (S. João,
VI, 59).
E de novo a afirmação de que se deve, de fato, comer
o pão, pois Cristo compara-se diretamente com o maná, que veio do céu,
e que era comido pelos judeus.
Na quarta parte, (versículos 60 a 72), vemos a
reação dos discípulos de Jesus, que novamente confirmam a clareza do
discurso de Cristo: "Muitos, pois, de seus discípulos, ouvindo isso,
disseram: Duro é este discurso, e quem o pode ouvir?" (S. João,
VI, 61);
Cristo falou sobre comer sua carne e beber seu sangue de
forma literal.
Os judeus perguntaram de que forma poderia se dar
aquilo.
Cristo insiste na realidade deste ato, seguidas vezes.
Vários discípulos então rejeitaram seu discurso, pois
entenderam perfeitamente o que Cristo dissera, e acharam esta
verdade muito dura.
E David diz que Cristo falava figuradamente?
Não há dúvida sobre o que Cristo ensinou aqui!
A falha dos discípulos é querer entender que o comer a
carne e beber o sangue se dariam, estes sim, literalmente, e não sob as
espécies de pão e vinho da eucaristia.
Faltou-lhes a fé, que os afastará do divino Mestre: "Isso
escandaliza-vos? Pois que será se vós virdes subir o Filho do Homem
onde Ele primeiro estava?" (S. João, VI, 62-63). Se eles não podiam
crer nestas verdades, o que dizer da divindade de Cristo? O Salvador
novamente mostra que a fé é o dom que devemos ter para receber o alimento
da vida eterna, mas para os judeus isso é duro demais, pois só entendem
materialmente, e assim como o omitidor David, não têm a verdadeira fé.
No versículo seguinte, Cristo irá dizer que seu corpo
não é para ser comido da forma que os judeus entenderam, ou seja, não era
para comerem a carne e beberem o sangue literalmente, mas, como irá
esclarecer na Santa Ceia, sob as espécies do pão e do vinho.
Os protestantes se aproveitam deste trecho para tentar
impugnar a verdade sobre a presença real, pois diz Cristo: "O
espírito é o que vivifica; a carne de nada aproveita; as palavras que
eu vos disse são espírito e vida" (S. João, VI, 64).
Cristo fala que a carne não deve ser comida como
entenderam os judeus, e por isso de nada aproveita aquele que comer a
carne humana.
Cristo falou literalmente, os judeus se escandalizaram.
Embora não revele como se comerá sua carne, Nosso Senhor já elimina
a possibilidade de que teriam que comer a carne humana, como a de um
animal morto, e neste sentido diz que a carne de nada aproveita.
Nada mais natural, dado o contexto.
Os protestantes dizem então que com isso Cristo anulou
tudo que havia dito anteriormente, pois afinal, SUA CARNE de nada
aproveita!
Tal interpretação é absurda, desrespeitosa e blasfema
para com Nosso Senhor, pois a carne de Jesus é que permitiu a redenção,
pois o "Verbo se fez carne e habitou entre nós" (S. João, I,
14).
Não é raro encontrar interpretações protestantes caolhas
como essa, que ao tentar desesperadamente negar uma verdade
claríssima, ofendem Nosso Salvador e se contradizem com o resto da
Escritura.
Cristo confirmará que a carne morta não tem serventia,
pois dissera: "Assim como o Pai que é vivo, me enviou e eu vivo pelo
Pai, assim o que me come a mim, esse mesmo também viverá por mim" (S.
João, VI, 58).
Cristo então ensina que devemos comer sua carne e seu
sangue, vivos substancialmente na eucaristia. Não como a de um animal
morto, pois é o espírito que vivifica.
Não diz ainda como se fará isso, para provar a fé dos
seus discípulos.
E de fato muitos se afastam, como lemos a seguir:
"Desde então tornaram atrás muitos de seus discípulos e já não andavam com
Ele. Por isso disse Jesus aos doze: Quereis vós outros também
retirar-vos?" (S. João, VI, 67-68).
E se foram os que não tinham fé, que já tinham visto o
milagre visível da multiplicação dos pães, e queriam fazer de
Cristo um rei, para lhes prover todas as necessidades materiais, como o
protestante David quer, vinte séculos depois.
E então Cristo lhes prova, dizendo que o milagre
visível foi apenas uma figura do verdadeiro milagre, do pão que dá a
vida, e que para isso eles deveriam crer que era preciso comer Sua carne e
beber Seu sangue, de verdade. E como não estavam ali senão para o que era
visível e útil para esta vida, se foram, pois aquela era uma verdade muito
dura, assim como é dura para o protestante David.
E o que fizeram os verdadeiros seguidores de Cristo,
quando Ele desafiou sua fé, dizendo para eles se retirarem também, caso
duvidassem: "Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de
vida eterna; e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, Filho de
Deus" (S. João, VI, 69-70). E é Pedro, em nome dos Apóstolos,
quem confirma a fé deles e a confiança nas palavras do divino Mestre,
ficando então com Cristo.
Só uma má fé enorme pode negar a presença real de
Cristo na eucaristia, após esta verdade ter sido anunciada por Nosso
Senhor com tanta clareza e insistência. Claro também é de que lado ficam
os que estão com Cristo, os que têm fé, e claro é que estão contra ele os
que querem só o milagre visível.
O omitidor David foi-se com os judeus que acharam dura
aquela verdade, e que se decepcionaram, pois não receberam nenhuma cura ou
alimento visível.
Nós, católicos, ficamos com Pedro, há dois mil anos, e
por isso com Cristo, na eucaristia, na cruz e na Santa Missa.
***
Da citação dos Evangelistas sobre a última ceia, David
limitou-se a praticar sua novíssima gramática, que é de todo estranha.
Tal gramática postula, como vimos, que o verbo "ser"
não "é", e os pronomes demonstrativos não demonstram. O
seu desempenho em figuras de linguagem também é decepcionante, não sabendo
distinguir linguagem metafórica da afirmação pura e simples.
As narrações da Santa Ceia feitas pelos três
Evangelistas são probatórias em si mesmas. Mas quando colocadas dentro do
contexto da pregação de Cristo sobre esta verdade sublime, são
irrefutáveis: Cristo prometera sua carne e seu sangue em alimento, e como
vimos em São João, muitos escandalizaram-se e abandonaram o divino mestre.
Aqueles, no entanto, que tinham permanecido com Pedro o haviam feito
somente pela fé. Havia pelo menos um ano que seguiam o mestre sem saber
como se daria aquela promessa, mas confiavam em Jesus.
O divino mestre manda que os Apóstolos se dirijam à
cidade e sigam o homem com a bilha de água, e que na casa que ele
entrasse, encontrariam a sala ornada e espaçosa, onde deveriam
preparar a páscoa.
Os Evangelistas então contam como Cristo celebrou a nova
páscoa, depois de celebrar a páscoa judaica pela última vez:
S. Mateus, XXVI (26-28):
"Estando, eles, porém, ceando, tomou Jesus o pão e o benzeu, e partiu-o e
deu-o aos seus discípulos e disse: Tomai e comei, ISTO É O MEU CORPO."
"E tomando o cálice, deu graças e deu-lho dizendo: Bebei dele todos."
"Porque este é o meu SANGUE do novo testamento, que será
derramado por muitos, para remissão dos pecados."
S. Marcos, XIV (22-24): "E
quando eles estavam comendo, tomou Jesus o pão; e, depois de o benzer,
partiu-o e deu-lho, e disse: Tomai, ISTO É O MEU CORPO." "E tendo
tomado o cálice, depois que deu graças, lho deu: e todos beberam dele." "E
Jesus lhes disse: ESTE É O MEU SANGUE do novo testamento, que
será derramado por muitos."
S. Lucas, XXII (23-25):
"Também depois de tomar o pão deu graças e partiu-o e deu-lho, dizendo:
ISTO É O MEU CORPO que se dá por vós; fazei isto em memória de mim."
"Tomou também da mesma sorte o cálice, depois de cear, dizendo: Este
cálice é o novo testamento em MEU SANGUE, que será derramado
por vós."
Ora, mais claro, impossível.
O Mestre nos apresenta seu corpo e sangue, que DEVIAM
SER COMIDOS, sob a forma de pão e vinho, ou seja, de um modo que
PODIAM SER COMIDOS!
Coloquemo-nos no lugar dos Apóstolos e experimentemos a
sua santa alegria ao ouvir de Jesus como se daria aquela obrigação tão
terrível para os que não tiveram fé, mas agora tão doce para os que
ficarem junto ao mestre, com Pedro!
Claríssimas as palavras. Claríssima sua conveniência,
momentos antes da separação de Cristo e dos Apóstolos. Claríssima também a
referência à Cristo alimento real, pois suas palavras são diretas, e os
Apóstolos não têm dúvida!
Se Cristo tivesse falado figuradamente, como delirou o
omitidor David, alguém dentre eles deveria ter dúvida sobre a verdadeira
mensagem do mestre, como na passagem de S. João. Algum Apóstolo deveria
ter perguntado o verdadeiro sentido, ou ao menos se surpreendido, para que
Cristo, COMO SEMPRE FAZIA, lhes explicasse o que dissera.
Mas, ao contrário, não vemos nenhum pedido de
explicação, nenhuma surpresa de nenhum Apóstolo, pois era uma verdade
"verdadeira" tão evidente, tão clara, anunciada que fora na multiplicação
dos pães, que TODOS ENTENDERAM LITERALMENTE!
E todos os Apóstolos obedecem ao mestre, comungando pela
primeira vez o CORPO, SANGUE, ALMA e DIVINDADE de Jesus sob as espécies do
pão e vinho, sem o canibalismo (sic) que a teologia Davidiana acusou no
primeiro e-mail, nem a idolatria (sic) que o mesmo David tentou
desesperadamente provar no segundo.
Somente distorcendo as passagens como fez David, dizendo
que o pão e o vinho estavam sobre a mesa no momento da consagração, é
possível esconder dos seus pobres seguidores a verdade que Cristo revelou
aos que têm fé, e que são retos de coração.
***
A terceira citação, que está no capítulo XI da
1a Epístola aos Coríntios (versículos 23-29),
já a discutimos bastante.
O apóstolo São Paulo repete a cena narrada pelos
Evangelistas, de novo de forma inequívoca sobre a verdade sublime da Santa
Ceia: que o pão é o Corpo de Cristo e o vinho é o Sangue de Cristo;
Repitamos ainda uma vez a citação, para que se possa
apreciar a força da argumentação paulina:
"Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a
vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e
dando graças, o partiu, e disse: recebei e comei; isto é o meu corpo, que
será entregue por vós; fazei isto em memória de mim.
Igualmente depois de ter ceado, (tomou) o cálice,
dizendo: este cálice, é o novo testamento no meu sangue, fazei isto em
memória de mim todas as vezes que o beberdes. Porque todas as vezes que
comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor,
até que ele venha.
Portanto todo aquele que comer este pão ou beber este
vinho indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste
pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente,
come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor."
Como os Evangelistas, São Paulo mostra como a Santa Ceia
não foi simplesmente uma refeição, mas que Cristo ensinou aos Apóstolos
como fazer a cerimônia de transubstanciação do pão e do vinho em seu corpo
e sangue, em sua memória. São Paulo está exatamente criticando os
coríntios por transformarem a missa em ceia.
Conforme já foi mostrado, para refutar a noção Davidiana
sobre o caráter memorial da Santa Ceia, quando Cristo fala em memorial,
Ele se refere à Sua presença visível e não à presença real.
Também, de modo análogo, a expressão "até que ele venha" se
refere ao segundo advento de Cristo, no fim do mundo.
São Paulo mostra a realidade do corpo no pão e do sangue
no vinho, pois não distingui-los leva à condenação. Desafiamos o omitidor
David a provar o contrário e ele fugiu da questão.
O que ainda falta explicar dessa passagem é a confusão
do omitidor sobre os efeitos deste sacramento: para ele, a
eucaristia apaga o pecado, e por isso ele não admite que tenha
ocorrido antes do calvário.
Porém, o que a Igreja ensina, e o que vemos em São Paulo
não corresponde à teologia Davidiana, que mais uma vez, é antibíblica.
A Igreja ensina que o sacramento da eucaristia é
alimento espiritual, que nos leva ao céu através do aumento da graça
santificante, que nos torna cada vez mais parecidos com Deus, e, portanto
unidos a Ele.
David repete o tempo todo que a eucaristia teria como
efeito o apagar os pecados. Citemos apenas alguns exemplos: "Você
confirma aqui que houve "transubstanciação" em carne e sangue do Senhor
ali ? E que houve PERDÃO DOS PECADOS mesmo sem a morte do Cordeiro ?"
E ainda: "Vc está dizendo que pode haver PERDÃO DE PECADOS SEM
DERRAMAMENTO DE SANGUE ?"
E também: "Então vc está querendo dizer que em
todos os sacrifícios dos tempos antigos, ANTES DO CORDEIRO MORRER O POVO
JÁ ESTAVA PERDOADO ?
Tá mal, hein ? (sic) E, supondo que seu dogma fosse correto, ANTES DA
CELEBRAÇÃO DA MISSA O POVO JÁ FICA PERDOADO ?"
Esta é a teologia Davidiana...
No entanto, São Paulo diz que aquele que recebe a
comunhão indignamente é réu do corpo e do sangue. E que o
indignamente significa em estado de pecado, nem David tem dúvida, pois
disse, em sua tentativa de explicação: "A resposta está no texto:
"indignamente". E a palavra indigno não quer dizer "ignorância" ou
"heresia". Quer dizer INABILIDADE ou IMCOMPETÊNCIA, que, à luz da Bíblia,
quer dizer presença de pecado consciente."
Presença de pecado consciente...
O mesmo David que insistiu -- até demais -- que a
eucaristia é para PAGAR O PECADO, reconhece que a eucaristia NÃO
PODE SER TOMADA POR QUEM ESTÁ EM PECADO! Vemos as conseqüências
terríveis de tal ousadia quando Judas toma a comunhão em pecado, e o
evangelista nos diz que o demônio se apossou dele imediatamente (São João,
XIII, 27).
Mas se não podemos receber a eucaristia em pecado,
e pela teologia Davidiana a eucaristia serve para perdoar o pecado,
qual a finalidade da eucaristia? Pela lógica e hermenêutica
Davidiana, nenhuma!
Portanto, mais uma vez, a doutrina do omitidor se revela
contraditória e antibíblica.
Nem lógica tem o omitidor David e muito menos
hermenêutica...
Pelo contrário, como ensina São Tomás, assim como a
Igreja, e assim como São Paulo e os Evangelistas, pois foi assim que
ensinou Cristo, a Eucaristia é um Sacramento que confere a graça e
nos leva a uma união mais estreita com Deus, pois "o que me come a mim,
esse mesmo também viverá por mim" (S. João, VI, 58), para nos
fortificar contra o pecado futuro, pois "este é o pão que desceu
dos céus, para que todo o que dele comer não morra" (S. João, VI, 50),
e para atingirmos a glória da vida eterna, pois "quem comer este
pão terá a vida eterna" (S. João, VI, 52). (Suma Teológica, volume IX,
questão LXXIX, artigos 1 a 8).
Pobre do David e de sua teologia claudicante...
***
E agora vejamos como o omitidor se entusiasmou com sua
própria eloqüência e citou a carta aos Hebreus de forma ERRADA:
>>" Se isso era possível (outro meio de perdão), porque o escritor aos
Hebreus diz que os fiéis do passado NÃO ALCANÇARAM A PROMESSA antes da
morte do Senhor (Hebreus 11:39,40)?"
Por favor, David, quando citar as Escrituras, faça
direito, e, principalmente, não mude o sentido da citação!
Diz o Apóstolo: "E todos estes, louvados (por Deus)
com o testemunho prestado à sua fé, não receberam o objeto da promessa,
tendo Deus disposto alguma coisa melhor para nós, a fim de que eles, sem
nós, não obtivessem a perfeição da felicidade." (Epístola aos Hebreus,
XI, 39-40)
Localize as palavras "antes da morte do senhor",
que você inventou, David! Eu localizei e destaquei "não receberam o
objeto da promessa", que mostra que ninguém foi perdoado do
pecado original antes da consumação do sacrifício, nem os Apóstolos,
nem os Patriarcas e Profetas...
No final da carta, encontramos novamente a citação,
perdida entre outros assuntos, agora mais próxima da verdadeira, porém com
a mesma interpretação tendenciosa envolvendo a morte de Cristo:
>>"O trecho bíblico de Hebreus 11, 39-40..todos estes, tendo tido
testemunho pela fé, não alcançaram a promessa: Provendo Deus alguma coisa
melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados.
Vê-se que o Apóstolo Paulo não tencionou, de forma alguma, ensinar aos
hebreus que o momento de se alcançar as promessa teria que ser
necessariamente no preciso segundo depois que o Senhor expirou."
E se agora David se emendou na citação, faz uma
interpretação estranhíssima: ninguém discutiu em que momento se daria o
cumprimento das promessas, pois isso não vem ao caso.
Nós dois concordamos que Deus prometera o Salvador desde
o começo do mundo, e que todos aqueles que São Paulo cita do Antigo
Testamento, não viveram até o advento de Cristo.
Responder o que não perguntamos parece perda de tempo,
David...
Seria melhor concentrar-se nas citações corretas, e em
responder os argumentos dos quais fugiu.
Lógica
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Na segunda parte de nossa resposta, buscamos reunir
todas as dúvidas que David levantou sobre a possibilidade da realização da
Missa e da transubstanciação como verdades, concordes com a inteligência.
E não são muitas, que foram repetidas pelo omitidor
várias vezes, para não deixar dúvida que a dificuldade em aceitar a
doutrina católica é porque ele não a entende.
O problema de David não é só de fé, que ele não tem. O
problema de David é de entendimento também!
Entender como é possível o milagre.
Entender como é possível Cristo dar-se em alimento.
Entender como Cristo ter dado poder aos Apóstolos para
perpetuarem seu sacrifício na Santa Missa. Eis o problema de David.
E David não entende por dois motivos: por causa de sua
falta de fé, e porque estas verdades estão acima da inteligência, assim
como a divindade de Cristo, assim também como os milagres
visíveis, assim como a Santíssima Trindade.
E responderemos, não para aqueles que estão unidos a
Cristo pela fé, com PEDRO, pois estes não precisam. Mas para
aqueles que abandonaram o divino mestre, porque "esta verdade é muito
dura."
O problema crucial para David é a questão do TEMPO, e a
questão da REPETIÇÃO, nas quais ele insistiu várias vezes:
>>"Realmente não aceito contradição bíblica... por isso nego a
transubstanciação. Ela é que torna a Bíblia incoerente, pela TEMPORALIDADE
e pela DUALIDADE DE SACRIFÍCIO."
Sobre a escapatória dizendo que a vítima é a mesma, etc, o absurdo
prevalece: se houve o sacrifício UMA ÚNICA VEZ, como Ele morrer de novo ?
Que seja de morte incruenta ou qualquer outro termo que seja escolhido por
vocês, o fato é que afirmam que o sacrifício É REPETITIVO. E caem na
contradição temporal... se Deus precisa dessas "atualizações", por que a
Bíblia diz que o Cordeiro foi morto ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO e ainda
assim precisou vir ao mundo na Plenitude dos Tempos ?
Deus posiciona os eventos NO TEMPO DETERMINADO e se vc quer pesquisar
um pouco, procure na Bíblia se houve algum feito de Deus no mundo que
precisou ser REPETIDO.
Vc nunca encontrará isso. Os homens repetem seus erros e ações. Deus
nunca repete ou refaz algo que já fez.
E ainda:
>> "1) TEMPORALIDADE - quando Jesus realizou a Santa Ceia, Ele nem
havia morrido na cruz ainda, portanto nem havia dado o brado "Está
consumado!". Se a transubstanciação fosse doutrina correta, os elementos
pão e vinho já teriam se tornado "carne e sangue" do Salvador antes mesmo
dele concretizar sua morte. Se não se aceita que a Santa Ceia é apenas um
MEMORIAL sobre a obra no Calvário, não tendo poder salvífico ou remissório
em si mesma, os discípulos já estariam salvos ANTES de Cristo morrer. Ou
seja, o sacrifício na Cruz se tornou nulo, pois este compêndio anterior
apresentaria OBRIGATORIAMENTE os mesmos efeitos ou NÃO SERIA LITERALMENTE
A CARNE E O SANGUE DO SENHOR, conforme proposição romanista.
Se alguém me disser que a transubstanciação só começou a ocorrer DEPOIS
da morte da Cruz, todo mundo estará autorizado a dizer que Jesus mentiu ao
já afirmar de antemão "ISTO É O MEU CORPO" e "ISTO É O MEU SANGUE".
Decidam-se, por favor: Ou seu dogma é ADAPTÁVEL AO TEMPO (deixando de
ser verdadeiro enquanto dogma) ou em sua doutrina CRISTO pode MENTIR.
Qualquer coisa que me falem pode incorrer em uma ou outra situação. Pensem
antes.
2) Se nas missas verdadeiramente Cristo "nasce" e "morre", conforme
doutrina decorrente da transubstanciação, como fica vossa interpretação de
Hebreus 9:27,28 -"Assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez,
vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para
tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez sem pecado aos que o
esperam para a salvação" bem como HEBREUS 10:10 - "Na qual vontade temos
sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez"."
E mais uma vez:
>>"Trago aqui Duas perguntas distintas : aqueles elementos PERDOARAM os
pecados dos discípulos ? Ou não ?
1) Caso sim : como poderia ser efetuado o efeito do derramamento de
sangue sem que o Cordeiro houvesse sido imolado ? Criaram OUTRO MEIO DE
PERDÃO além do sacrifício de Cristo ? Se isso era possível, porque o
escritor aos Hebreus diz que os fiéis do passado NÃO ALCANÇARAM A PROMESSA
antes da morte do Senhor (Hebreus 11:39,40)?
2) Caso não: por que se baseiam nas palavras INSTANTÂNEAS de Cristo
para formalizar a transubstanciação, mas com efeito de perdão somente após
a crucificação ?"
Já mostramos como a finalidade da eucaristia não é a
remissão dos pecados, pois São Paulo explica claramente que isso é
impossível através da eucaristia. Portanto, esse ponto já está bem
respondido...
O que se deve notar na resposta Davidiana são as suas
contradições: destaquemos do seu texto outra delas: "... se Deus
precisa dessas "atualizações", por que a Bíblia diz que o Cordeiro foi
morto ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO e ainda assim precisou vir ao mundo na
Plenitude dos Tempos ? Deus posiciona os eventos NO TEMPO DETERMINADO e se
vc quer pesquisar um pouco, procure na Bíblia se houve algum feito de Deus
no mundo que precisou ser REPETIDO.Vc nunca encontrará isso."
David nos desafia a achar algo que Deus precisou repetir.
Mas ele acabara de afirmar que o Cordeiro foi morto
duas vezes, uma vez "antes da fundação do mundo" (SIC!), outra,
na plenitude dos tempos!
E logo ele, que não admite a tal "contradição da
temporalidade e dualidade de sacrifício"! Mas é exatamente o que ele
acabou de dizer, e ainda dizer mal! Pois sua citação não é bíblica.
O grande exegeta David usou a expressão "o Cordeiro
foi morto ANTES DA FUNDAÇÃO DO MUNDO", dizendo que era bíblica,
sem dar a citação, e no entanto não existe isto na Bíblia! Não é a toa que
o omitidor omitiu a citação...
Vejamos o trecho verdadeiro, de São Paulo aos Hebreus,
falando do sacrifício único de Cristo: "E não foi por oferecer-se a si
mesmo reiteradas vezes, como o sumo sacerdote que entra todos os anos no
santuário com sangue estranho. Pois, neste caso, ele teria precisado
sofrer repetidas vezes desde a fundação do mundo . De fato, foi uma só
vez, no fim dos tempos, que ele foi manifestado para abolir o pecado com
seu próprio sacrifício" (Hebreus, IX, 25-26)
David, quando fizer uma citação bíblica, por favor cite
corretamente, e principalmente, não deturpe o sentido! É impossível
que a promessa de Deus - e não o sacrifício de Cristo - tenha sido
feita ANTES da fundação do mundo, pois o pecado ainda não havia
sido cometido por Adão, e portanto ainda não cabia reparação.
Somente após a queda original, é que Deus passou a
prometer aos patriarcas o Salvador. DESDE a fundação do mundo...
Não é rigor que devemos ter, David? Explique-nos esta
citação sem referência e completamente errada, antibíblica!
Explicaremos o que David citou contra si próprio, e como
o sacrifício de Cristo é único. Pois o OFERECIMENTO do Salvador foi
feito desde os primórdios, e a IMOLAÇÃO no Calvário se deu
somente na plenitude dos tempos. Esses dois atos - o OFERECIMENTO e
a IMOLAÇÃO - constituem o mesmo e único sacrifício, que será
renovado até o final do mundo, através da Santa Missa.
Primeiro, Cristo foi OFERECIDO em sacrifício
desde o princípio da humanidade, pelas promessas feitas por Deus a seu
povo; está na própria citação que David fez de S. Paulo: "E todos estes,
tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa: Provendo
Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não
fossem aperfeiçoados." (Hebreus 11, 39-40)
A promessa era do Salvador, que todos os homens
esperavam.
Então, se Cristo foi imolado somente na plenitude
dos tempos, séculos depois, cumprindo a promessa, é porque não
houve esse duplo sacrifício que David insiste em nos acusar, mas a
OFERTA do início do mundo é UNA com a IMOLAÇÃO na cruz.
Ora, se a oferta e a imolação,
SEPARADOS NO TEMPO, podem ser considerados UM, como acabamos de
ver, o que dá unidade ao sacrifício não é sua simultaneidade no tempo, mas
a identidade plena da VÍTIMA. Se temos sempre a mesma vítima, na
oferta e na imolação, dizemos que o sacrifício é o mesmo. Um
exemplo deixará esta verdade mais clara.
Como sabemos pela citação do profeta Malaquias, os
sacrifícios antigos dariam lugar a um sacrifício novo, puro, do qual os
antigos eram apenas figura.
E no que consistiam esses sacrifícios antigos?
Podemos dividi-los em três partes, que embora sejam
distintas, não são três sacrifícios diferentes, mas um só e mesmo
sacrifício: temos a oferta da vítima, o sacrifício propriamente
dito (imolação), e a aplicação dos méritos do sacrifício:
No ofertório, a vítima é apresentada e oferecida
a Deus, para que Ele aceite o sacrifício que será realizado, e se digne
perdoar os pecados dos homens através do sacrifício desta vítima;
Na imolação, há a destruição da vítima por
completo, com o derramamento de sangue - o holocausto; com o sacrifício,
aplaca-se a ira de Deus, e paga-se a dívida que se tem com o Criador.
Uma vez terminado o sacrifício, o sacerdote aplica
aos homens os méritos advindos deste sacrifício. Normalmente, nos
sacrifícios judaicos, era pela aspersão do sangue da vítima (um animal)
sobre o povo.
Portanto, o sacrifício antigo, e os sacrifícios pelo
pecado em geral, consistem em:
Ofertar a Deus algo precioso,
e do qual nos privamos em reconhecimento ao Seu domínio sobre todas as
coisas;
Destruir a oferta, a vítima, e
com isso pagar a Deus o que lhe é de direito, como soberano, e em
reparação por nossos pecados; o sacrifício é propiciatório;
Aplicar aos homens os méritos
deste sacrifício. Com o sacrifício tornamo-nos aptos a receber os favores
de Deus. O sacrifício é impetratório.
Notemos que estas três partes não podem ser separadas
para constituir isoladamente um sacrifício, pois só com o ofertório,
o sacrifício não se consumou; Também não se pode sacrificar o que
não foi oferecido, pois a vítima deve ser primeiro apresentada e aceita
por Deus; Igualmente a aplicação dos méritos não é possível sem as
anteriores, pois sem apresentação e sacrifício, não há mérito. Mesmo que
um sacerdote matasse um boi e aspergisse o seu sangue sobre o povo, seu
ato não seria meritório, pois não houve sacrifício.
Mas se as três partes não podem prescindir umas das
outras, também não podem constituir três sacrifícios separados, se
estiverem separadas no tempo.
Tomemos o seguinte exemplo: um sacerdote oferece um
novilho perfeito, em solenes e demoradas cerimônias, mas alguns momentos
antes do sacrifício da vítima, uma nação inimiga invade o país e obriga os
homens a tomarem em armas, interrompendo a cerimônia.
A vítima foi temporariamente poupada, e não se pode
dizer que houve sacrifício ainda, nem que os pecados tenham sido
perdoados;
Passado algum tempo, o inimigo é vencido, e a mesma
oblação é retomada, pelo mesmo sacerdote e com a mesma vítima
já oferecida. Podemos dizer que o sacrifício é outro? Certamente que não,
pois vítima e sacerdote são os mesmos.
Após o holocausto, da destruição da vítima, ocorre
novamente da nação ser invadida, por outros inimigos, e novamente o
sacrifício é interrompido, sendo que a imolação da vítima já ter se
consumado, e a ira divina aplacada, porém sem que os méritos do
sacrifício tenham sido aplicados ao povo.
Foi desta vez o sacrifício completo? No que se refere ao
holocausto, que é a parte devida a Deus, sim. Nesse sentido, no que
se refere ao reconhecimento de Deus soberano e no pagamento pelos pecados,
o sacrifício da vítima já está completo. Assim como o de Cristo, e nesse
sentido é que fala continuamente São Paulo, principalmente aos Hebreus,
para opor à idéia de imolação repetida dos sacerdotes levitas.
Mas não no que se refere à aplicação do sangue da vítima
para pagar os pecados do povo. Ainda falta a aplicação dos méritos
para completar o sacrifício.
Mais algum tempo, e o novo inimigo é derrotado,
retomam-se as cerimônias do sacrifício primeiro, e agora o sangue da
vítima, que fôra conservado após o sacrifício é finalmente aspergido sobre
o povo, completando a oblação.
Perguntamos novamente, foi este último ato um novo
sacrifício?
Claro que não, continuou-se o primeiro.
Matou-se outra vítima, ou apenas foram aplicados os
méritos da vítima original?
Certamente este último, pois não houve outro sacrifício,
e o motivo já está claro: o elemento comum nas três partes fundamentais do
sacrifício é a vítima.
Embora haja separação temporal entre os três
atos, o sacrifício é um só, pois a mesma vítima que foi oferecida
foi imolada, e depois teve seu sangue aspergido no povo.
Ofertório, imolação e
aplicação dos méritos, eis os três elementos essenciais do
sacrifício, que embora possam estar separados no tempo, unem-se
pela mesma e única vítima.
Assim, Cristo, vítima inocente, que foi imolado
somente na plenitude dos tempos, foi oferecido, oferecido desde
o início da humanidade, nas promessas divinas. O sacrifício não se
consumou até que Cristo morresse na cruz, nem mesmo na última ceia.
Portanto, não tem cabimento o omitidor David dizer que o pecado foi
perdoado antes do Calvário.
Sendo, pois, as duas primeiras partes do sacrifício, e
sendo sempre Cristo a mesma e única vítima, e ainda, o mesmo e
único sacerdote, a Santa Ceia e o Calvário, a primeira
como parte do ofertório e o segundo como imolação, são as
duas primeiras partes de um sacrifício único!
Até aqui o omitidor David talvez concorde, com alguma
reserva, porém, a grande dificuldade é com a terceira parte do sacrifício,
a aplicação dos méritos.
Como diz S. Paulo, o sacrifício de Cristo foi único, ao
contrário dos sacrifícios da antiga lei. Os judeus podiam sacrificar no
tempo, e aplicar os méritos dos sacrifícios também no tempo.
Cristo, porém, morrendo apenas uma vez, paga, de fato,
os pecados de todos, principalmente o pecado original, satisfazendo
plenamente as duas primeiras partes da oblação. Logicamente desde que se
aceite este pagamento através do Batismo.
Mas falta a aplicação dos méritos a cada homem, que é a
terceira parte do sacrifício, e que se deve fazer necessariamente no
tempo. Pois os homens, a quem se devem aplicar os méritos, como
até o omitidor concorda, nascem no tempo! Como aplicar os méritos
de Cristo sem sacrificar outra vítima, e, portanto, sem repetir o
sacrifício?
Para a aplicação dos méritos, que é a terceira parte do
sacrifício, Cristo deixou a Missa, que renova, sem repetir o
Calvário, pois sendo incruento, não repete o sofrimento da
vítima, mas aplica seus méritos a cada homem, no tempo.
Como vimos, o que dá unidade ao sacrifício é a vítima, e
não o tempo decorrido, pois para Deus não há tempo: Todas as Missas
unidas ao Calvário e ao oferecimento de Cristo, vítima inocente desde
o início do mundo, aparecem diante de Deus como um único sacrifício.
E quando Deus olha para esse sacrifício único, vê apenas
uma vítima, e não várias. E vê apenas um sacerdote, e não
vários. E a vítima e o sacerdote não são senão seu Filho bem amado, em
quem pôs sua complacência.
A Missa é, portanto a terceira parte do sacrifício
ÚNICO, que Cristo instituiu para aplicação dos méritos da Cruz, a cada
um, e a todos os homens.
Não é repetição, pois Cristo
não sofre.
Não é outro sacrifício, pois a vítima é o
Agnus Dei, o Cordeiro de Deus, e o sacerdote, é o Sacerdos
in aeternum secundum ordinem Melquisedech, o Sacerdote Eterno,
Cristo.
E na Missa, o padre, in persona Christi, sobe ao
altar de Deus e oferece Nosso Senhor como vítima, para aplicação dos
méritos do Calvário, renovando incruentamente em todo lugar, do
nascer do sol até o poente, porque o senhor dos Exércitos é grande
entre as nações.
***
O omitidor David, posando novamente de gramático, além de
teólogo e protestante zangado, não gostou também de nossa explicação
envolvendo pronomes demonstrativos, que para ele, foi "muito ruinzinha.
Afinal, quando Jesus falava nas outras ocasiões, usava até pronomes
PESSOAIS, muito mais diretos que pronomes demonstrativos. ( Eu, Vós, Tu,
ETC). Não colou (sic). Ou o verbo é definitivo para TODAS AS SITUAÇÕES ou
vcs não podem forçar a barra (sic) SOMENTE NO CASO DA TRANSUBSTANCIAÇÃO."
Em primeiro lugar, citamos o uso indevido dos
demonstrativos por causa de uma inverdade (e não omissão!) de David,
que disse na sua primeira mensagem: "Na verdade, como poderiam as
palavras de Cristo "Este é o Meu Corpo" e "Este é o Meu Sangue", serem
aceitas no sentido literal? Na ocasião em que estas palavras foram
anunciadas, o pão e o vinho estavam sobre a mesa diante dele, e Ele
estava sentado à mesa, em Seu Corpo, como um homem vivo."
Ora, repreendemos o omitidor porque em todas as
passagens sobre a instituição da Eucaristia (em S. Mateus, cap. XXVI;
S. Marcos, cap. XIV, S. Lucas, cap. XXII; e Coríntios, cap. XI), se diz
que Cristo TOMOU O PÃO EM SUAS MÃOS, benzeu (deu graças), e partiu,
dizendo as palavras da consagração. Assim também o fez com o cálice.
E David disse: "o pão e o vinho estavam sobre a
mesa diante dele"!
Só há duas possibilidades: ou David mentiu, ou David
ignora as quatro passagens. Mentiroso ou ignorante, David que faça a
escolha!
Completei o raciocínio com a troca dos pronomes (ISTO
por ESTE), dizendo que o ISTO mostra de forma inequívoca que
Cristo se referia ao Pão, e não ao seu corpo. As traduções protestantes da
Bíblia costumam ter o ESTE, que enfraquece a idéia da presença
real.
Como não entendeu o argumento, despejou uma lista de
citações, com as quais ele acha que prova sua "tese" da inutilidade dos
demonstrativos: "Do mesmo jeito que fixou em
Pedro e falou: "Para trás de mim, Satanás !" Está chamando seu "papa" de
diabo ?
Do mesmo jeito que disse de Herodes: "Ide dizer a ESSA raposa que hoje
e amanhã curo enfermos e expulso demônios" O rei virou canídeo ? Do mesmo
jeito que apontou para uma multidão e disse: "Eis AQUI minha mãe e meus
irmãos!" Quantos Tiagos, Joões e Marias teríamos, não ?
"Transubstanciados" porque Jesus indicou...
Nenhum gesto consagraria a transubstanciação. Mesmo apontar com o dedo
não quer dizer identidade plena ou mudança de matéria.""
E mais uma vez o David se lançou febrilmente a "provar" o
que supôs termos atacado... Para nossas considerações não se dignou traçar
nenhum comentário...
***
David inovou também no conceito de milagre.
Vejamos o que disse ele:
"A partir do que está escrito, não se
define a transubstanciação, que, sem exagero algum, seria um autêntico
milagre ! E os milagres operados por Jesus NA MATÉRIA eram todos visíveis,
e não "implícitos"."
Examinemos o raciocínio Davidiano. Diz ele:
Todo milagre operado por Jesus na matéria é visível;
A transubstanciação é invisível;
Logo, a transubstanciação não é milagre, e portanto, é
impossível .
A conclusão parece boa. Mas e quanto às premissas?
Analisemos: a premissa maior afirma que todo milagre de
Cristo na matéria é visível.
Ora, para elaborar esta afirmação geral, é preciso
percorrer todo Evangelho e encontrar só milagres visíveis na matéria. Um
único milagre invisível anularia a universalidade da premissa, falsearia a
conclusão.
Assim sendo, apesar da maioria dos milagres operados por
Cristo serem visíveis, como a cura do cego, do surdo, do coxo e outros,
folheando os Evangelhos vemos que a transubstanciação, que é um verdadeiro
milagre na matéria, é invisível!
Se a premissa maior contém todos os milagres operados
por Cristo na matéria, por quê excluir a transubstanciação? O
milagre da transubstanciação, ainda que fosse único, sendo milagre
invisível na matéria, contradiz a tese Davidiana. E, portanto a premissa
maior é falsa, anulando a conclusão.
O que fez David? Separou a exceção, para poder montar uma
regra que eliminasse a realidade da transubstanciação! A isso damos o nome
de sofisma.
Pouco honesto, David, ainda mais de quem nos exigiu
lógica...
Com esse expediente, é possível "provar" qualquer coisa.
Se disséssemos, por exemplo, que todas as epístolas
paulinas foram escritas a Igrejas e não a pessoas, e montássemos o esquema
lógico Davidiano, teríamos o seguinte:
Todas as epístolas de S. Paulo foram escritas para
Igrejas.
A Epístola a Tito não foi escrita para uma Igreja.
Logo, a epístola a Tito não foi escrita por São Paulo.
Aqui facilmente detectamos o erro: embora a maioria das
cartas de São Paulo tenha sido dirigida a Igrejas, o apóstolo das gentes
escreveu a três pessoas em particular - Timóteo, Tito e Filemón. Faltou
considerá-las, no universo da premissa maior.
E como uma das premissas é falsa, falsa é a conclusão.
Se digo que todos os protestantes são desonestos quando
atacam a Igreja Católica, e encontro um que não seja, qual é a conclusão?
Para uma pessoa normal, que respeita a lógica, é que
minha premissa maior é falha, pois encontrei um elemento que anula a
universalidade da premissa, ou seja, que nem todos os protestantes são
desonestos.
Para David, não! Pela lógica Davidiana, o protestante não
seria protestante, porque honesto!
Nada mais simples, nada mais lógico. Menos para
David...
O omitidor David mostrou-se bem desonesto, ao retirar o
milagre invisível do conjunto dos milagres, antes de definir o
universo. O conjunto dos milagres de Cristo inclui a transubstanciação,
e, portanto o raciocínio é falso.
Mas na verdade, o que vemos no Evangelho em relação aos
milagres é bem diferente da exegese e da lógica Davidianas: existem
milagres visíveis (ou mais propriamente falando, sensíveis),
e invisíveis, sendo que os últimos são sempre superiores aos
primeiros!
Em todo Evangelho, mesmo quando Cristo faz milagres
visíveis, é para ensinar verdades mais elevadas, assim quando cura o
cego e o surdo e o coxo, quer dizer que veio para curar nossa cegueira e
surdez para as verdades divinas, e nossa claudicância na pratica da lei de
Deus.
Porém ao fazer milagres invisíveis, Cristo deixa
claro que são superiores aos visíveis. A passagem mais
significativa é essa, de São Mateus: "E eis que lhe apresentaram um
paralítico que jazia no leito. E, vendo Jesus a fé que eles tinham, disse
ao paralítico: Filho, tem confiança, teus pecados são-te perdoados.
E logo alguns dos escribas disseram dentro de si: Este blasfema. E, tendo
Jesus visto seus pensamentos, disse: Porque pensais mal nos vossos
corações? Que coisa é mais fácil dizer: São-te perdoados os teus
pecados, ou dizer: Levanta-te e caminha? Pois, para que saibais que o
Filho do homem tem poder sobre a terra de perdoar pecados: Levanta-te,
disse então ao paralítico, toma o teu leito, e vai para tua casa. E ele
levantou-se e foi para sua casa." (São Mateus, IX, 2-7)
Mais claro, impossível. O maior milagre, o perdão dos
pecados.
O símbolo visível, para convencer os incrédulos
(o milagre visível), a cura do paralítico.
Portanto, os milagres visíveis, materiais, são
simplesmente símbolo dos espirituais, e servem para converter aqueles
que não têm fé. São os únicos milagres que o omitidor David
reconhece...
Apesar dele tentar negar, contradizendo-se:
"Sim, por isso, nós,
evangélicos, não dependemos de imagens, bentinhos, santos,
transubstanciação, etc para exercício de fé em Jesus."
Os protestantes não precisam de nada material, mas só falam em milagres
visíveis: "(...). Pelo poder de Deus um sistema óptico foi corrigido
(pode ser nervo, córnea, humor vítreo, etc... mas Deus agiu NA MATÉRIA,
tal como o fez no nosso irmão Ezequias, cego até os 9 anos de idade,
curado pelo poder de Deus em minha congregação).(sic)
E ainda: "Um surdo pode ter tido seu
sistema auditivo restaurado pelo Criador sem delongas (martelo, estribo,
tímpano ou ligação nervosa restabelecida, etc) (...)"
Já os milagres invisíveis, que exigem a adesão da
inteligência pela fé, são para os que acreditam, são para os católicos.
David confunde os milagres feitos para convencer os
judeus e pagãos sobre a divindade de Cristo (obviamente sensíveis), com
aqueles feitos para os cristãos, que tem os olhos da fé para aceitar as
verdades mais elevadas.
Concluindo com São Paulo:" Porque as coisas que se
vêem são passageiras, e as que se não vêem são eternas." (II Corintios,
IV, 18)
***
Outra tentativa frustrada de David foi dizer que a páscoa
dos judeus também era um memorial, e que
"Justamente por ser memorial, eles não eram
obrigados a voltar à escravidão no Egito e saírem de novo com braço forte
do Senhor... bastava lembrar que a LIBERTAÇÃO já havia sido feita, há
muito tempo atrás, e que agora eram todos livres."
Mas vejamos que paralelo inegável.
O omitidor David negou que a transubstanciação pudesse
ser antes do Calvário, pois teria anulado este último, se considerássemos
que na Santa Ceia os pecados já haviam sido pagos. Como mostramos que a
eucaristia não visa perdoar os pecados, é perfeitamente correto afirmar
que a primeira Missa ocorreu antes do Calvário, sem anulá-lo.
A Santa Ceia foi a instituição da Missa, do Sacerdócio
Católico e da Eucaristia, e nada mais conveniente para provar esta verdade
que a comparação com a páscoa judaica.
Os judeus também irão repetir uma cerimônia que
aconteceu propriamente ANTES do fato comemorado. O cordeiro
pascal, preparado na véspera da libertação do Egito, e que seria
repetido nos anos seguintes, anulava a libertação, omitidor David?
Evidente que não!
O cordeiro sem manchas preparado para ser comido como
quem está de partida, cujo sangue marcou o frontispício das casas que
deviam ser preservadas do anjo exterminador, por acaso este cerimonial
libertou os judeus antes da hora, teólogo David?
É claro que não! Os judeus só foram libertados no dia
seguinte, quando o Egito em prantos pelos seus primogênitos resolveu
atender o mandado de Deus pela boca de seu profeta Moisés, e deixou
finalmente o povo eleito ir embora.
Mas os judeus não deixaram de celebrar sua última
refeição no Egito, terra de Escravidão, embora tenha sido antes da
libertação.
Note bem, David, a última ceia dos judeus, antes da
libertação, sem anular esta!
Ora, e a Santa Ceia, última refeição na terra da
escravidão do demônio, antes que o cordeiro de Deus imolado pagasse na
cruz pelos pecados, e libertasse toda a humanidade da mesma escravidão,
não é a Santa Ceia a realização perfeita da figura do cordeiro pascal?
Por isso diz o Apóstolo: "Porquanto Cristo, nosso
cordeiro pascal, foi imolado. Celebremos pois (...) com os ázimos
da sinceridade e da verdade" (I Corintios V, 7-8)
Resumindo:
A páscoa judaica comemorava a passagem do anjo (daí
páscoa) com uma cerimônia que ocorreu antes do fato comemorado. E
neste memorial se fazia exatamente o mesmo sacrifício do
cordeiro que havia sido feita no Egito, ou seja, se comia a carne
do cordeiro e pão ázimo sem, porém tornar a repetir o sofrimento (incruento).
Na páscoa cristã (e também em cada Missa), se celebra
com uma cerimônia que ocorreu antes do fato comemorado (morte na cruz).
E neste memorial se faz exatamente o mesmo sacrifício do
verdadeiro cordeiro - Cristo, e se come a carne do verdadeiro
cordeiro sob a espécie de pão (e do vinho) sem, porém repetir o
sofrimento de Cristo (incruento).
Claríssimo, menos para o omitidor, que por fim pergunta:
"E (você confirma) que houve
PERDÃO DOS PECADOS mesmo sem a morte do Cordeiro ? Vc está dizendo que
pode haver PERDÃO DE PECADOS SEM DERRAMAMENTO DE SANGUE ?"
Confirmamos que a eucaristia foi instituída
na véspera do calvário, realizando a figura da páscoa judaica, onde
se comia a carne do cordeiro e pão ázimo, e que também não
anulava a libertação no dia seguinte.
***
David nos mandou "auto-apunhalar" (sic) quando
achou que dávamos um argumento a seu favor, pois não entendeu a
pergunta...
Mas acabou fazendo exatamente o que condenou erradamente
em nós, ao acusar os hereges do início do cristianismo por sua
interpretação heterodoxa das Escrituras:
"No início da igreja, tinha cristão
acreditando até que Jesus iria voltar no ano 100. No primeiro século,
tinha cristão acreditando que Jesus não podia ser Deus encarnado. E por aí
vai."
Mas é exatamente o delirante livre exame que leva
à heresia Davidiana, e que levou a todas as heresias da história, que
estamos combatendo, e David nos dá um argumento?
Esses que você chama de "cristãos" eram hereges,
combatidos pela ortodoxia católica dos Santos Padres!
Este argumento é nosso, David...
Francamente...
***
O omitidor David tenta ainda desesperadamente procurar
motivo para impugnar a verdade católica, mas seu esforço é vão.
Retomando a surrada lista protestante de "invenções" da
Igreja ao longo do tempo, pergunta porque a transubstanciação não constava
dos credos, como se ele aceitasse o credo integralmente.
Para impugnar este argumento, basta notar que a
eucaristia pertence aos sacramentos, que David confunde o tempo
todo, não distinguindo entre batismo, confissão ou eucaristia, para pagar
os pecados.
O que a Igreja sabiamente classificou como sacramento,
pois foi instituído desta forma por Cristo, não precisa constar do Símbolo
dos Apóstolos.
Além do mais, as verdades que estão no credo foram
aquelas impugnadas pelos hereges da época, que a exemplo desse David omitidor, buscavam de toda maneira destruir pelos sofismas e omissões.
Se o dogma surgiu só no século XII, foi porque se tornou
conveniente para afirmar a verdade desta augusta doutrina, mas de forma
nenhuma para inventá-la da noite para o dia.
Prova disso é que Berengário, no século XI atacou a
presença real, e foi obrigado a se retratar publicamente. Se não havia
dogma, como esse herege foi condenado, David?
E a cismática Igreja Ortodoxa, que se separou
desgraçadamente da Igreja de Cristo por volta do ano 1000, manteve a
presença real como doutrina, mesmo não compartilhando dos dogmas da
Igreja após o século XI, o que prova que essa verdade é anterior à
promulgação do dogma da presença real.
Daremos, a seguir, o testemunho dos Santos Padres
confirmando que toda cristandade, desde o começo, tinha a mesma doutrina
sobre a transubstanciação
***
O omitidor também se recusou a aceitar qualquer
testemunho que não fosse do tempo dos Apóstolos, como vimos anteriormente.
Ora, se aceitássemos esta exigência, estaríamos concedendo que ninguém em
2000 anos de cristianismo teve uma idéia exata do que Cristo efetuou na
Santa Ceia.
Nenhum padre da Igreja, nenhum doutor, segundo esta
exigência Davidiana, pode ser comparado a ele na exegese bíblica, pois
somente os Apóstolos sabiam o que estavam escrevendo, e só o teólogo David
sabe o que está lendo.
Disse ele:
"Enquanto me mostrar doutrina de Irineu,
Cirineu, Dagoberto, Torquato, Montezuma, Hitler, Lutero, etc... século X,
Y, Z, W... eu não caio nessa !"(sic)
Ora, desprezar 2000 anos de interpretação das Escrituras
não é pouco! E ainda mais, tirando os exageros de David na lista de
intérpretes, ele despreza nada menos que os grandes defensores da verdade
durante o ataque das heresias mais terríveis: São Justino, Santo Irineu,
São Cipriano, São Cirilo de Jerusalém, São João Crisóstomo, São Cirilo de
Alexandria, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, para citar apenas alguns.
Todos estes santos homens defenderam a fé contra as
heresias de sua época, e todos defendem a transubstanciação como
verdade de fé. Coincidência que aqueles que defendiam a ortodoxia
fossem todos a favor da transubstanciação?
São Justino, na Apologia, após
descrever a missa do século II tal qual a conhecemos hoje, diz sobre a
comunhão: "Designamos este alimento eucaristia. A ninguém é permitido
dele participar, sem que creia na verdade de nossa doutrina, que já tenha
recebido o batismo de remissão dos pecados e do novo nascimento, e viva
conforme os ensinamentos de Cristo. Pois não tomamos estas coisas como
pão ou bebida comuns; senão, que assim como Jesus Cristo, feito carne
pela palavra de Deus, teve carne e sangue para salvar-nos, assim também o
alimento feito eucaristia (...) é a carne e o sangue de Jesus
encarnado. Assim nos ensinaram." (Primeiro livro das Apologias de
S. Justino, pag. 65-67.)
Santo Irineu, discípulo de São
Policarpo, e depois de São Justino, em seu monumental "Contra as
heresias", diz estas palavras interessantíssimas:
"(Nosso Senhor) nos ensinou também que há um novo
sacrifício da nova aliança, sacrifício que a Igreja recebeu dos Apóstolos,
e que se oferece em todos os lugares da terra ao Deus que se nos
dá em alimento como primícia dos favores que Ele nos concede no Novo
Testamento. Já o havia prefigurado Malaquias ao dizer: Porque desde o
nascer do sol, (...) (Malaquias, I, 11). O que equivale dizer com toda
clareza que o povo primeiramente eleito (os judeus) não havia mais de
oferecer sacrifícios, senão que em todo lugar se ofereceria um sacrifício
puro e que seu nome seria glorificado entre as nações."
São Cipriano, comparando a
eucaristia ao pão nosso de cada dia do "Pai Nosso", nos relegou
este testemunho: "Posto que Cristo disse que aquele que comer deste pão
viveria eternamente, é evidente que possuem a vida quem toca o corpo de
Cristo e recebem a eucaristia. Temamos, pois, comprometer nossa saúde
se nos separarmos do corpo de Cristo. Assim, pois, pedimos o pão de cada
dia, quer dizer, a eucaristia diária, como prenda cotidiana de nossa
perseverança na vida de Cristo." (S. Cipriano, Da oração dominical,
18)
São Cirilo de Jerusalém, que
parecia falar para os Davids omitidores do século XX, se exprimia desta
forma: "Havendo Cristo declarado e dito, referindo-se ao pão: Isto é o
meu corpo, quem ousará jamais duvidar? Havendo Cristo declarado e
dito: Este é o meu sangue, quem ousará jamais dizer que não é esse seu
sangue?" (Cirilo de Jerusalém, Catech. mystag., LXXXVI, 2401)
São João Crisóstomo, ainda
mais claramente, "Aqui está Cristo presente. O mesmo Cristo que em
outros tempos dispôs a mesa do Cenáculo, tem disposto esta para vós;
pois não é um homem, certamente, aquele que faz as ofertas se
converterem em corpo e sangue de Nosso Senhor, senão Cristo mesmo,
para nós crucificado. Aqui está o bispo que O representa, e que pronunciou
as palavras que bem sabeis; mas o poder e a graça de Deus são o que
produzem a transformação. Isto é o meu corpo, diz o bispo, e esta
palavra transforma as ofertas." (S. João Crisóstomo, In
proditionem Judae hom. I, 6)
São Cirilo de Alexandria,
contrariando a tese Davidiana dos demonstrativos que não demonstram:
"(...) Porque o Senhor disse mostrando os elementos: Isto é meu
corpo, e Este é o meu sangue, para que não imagineis que o que ali aparece
é uma figura, senão para que saibas com toda segurança que, pelo inefável
poder de Deus onipotente, as oblações são transformadas real e
verdadeiramente no corpo e sangue de Cristo; e que ao comungar delas
recebemos a virtude vivificante e santificadora de Cristo." (Cirilo de
Alexandria, Comment. In Math. XXVI, 27)
Santo Ambrósio, mostrando a
realidade e a transcendência desta verdade: "O que fazemos nós, é o
corpo nascido da Virgem: porquê buscar aqui na ordem da natureza o corpo
de Cristo, quando Jesus nosso Senhor nasceu da Virgem fora da ordem
natural? (O que fazemos) é, portanto, a verdadeira carne de Cristo, a
mesma que foi crucificada e fechada no sepulcro. Este é em verdade o
sacramento desta carne." (Ambrósio, De mysteriis, 52)
Santo Agostinho, a quem
freqüentemente os hereges modernos recorrem na tentativa de desvirtuar
suas palavras, explicava assim a eucaristia aos recém batizados: "Tal é
a eficácia das orações que vais escutar. À palavra do sacerdote, eis
aqui o corpo e sangue de Cristo; tireis a palavra e não haverá mais
que pão e vinho." (Agostinho, Sermo VI, De sacramento altaris ad
infantes.)
(Todas as citações acima são conforme Maurice
Brillant,"Eucaristia", Dedebec, Ed. Desclée de Brouwer, Buenos
Aires, 1949)
Nem é preciso mencionar os escolásticos, e dizer que
eles também foram unânimes na adesão e defesa desta verdade. São Tomás,
São Boaventura, Hugo de São Vítor, Santo Alberto Magno...
O que é curioso e digno de nota, é a recusa Davidiana de
aceitar até Lutero! E por que será, se o ex-monge foi precursor do
omitidor David na luta contra Roma?
A explicação é dada pelo próprio Lutero, nessa confissão
aos cristãos de Estrasburgo: "Confesso que o dr. Karlstadt ou qualquer
outro me teria prestado um grande serviço, se, há cinco anos, tivesse
provado que no Sacramento só havia pão e vinho. Naquela ocasião tive
grandes vexames e lutei e torci por encontrar uma saída, pois vi que
com isso podia dar o maior golpe contra o Papado. Também havia dois
que eram mais hábeis que o dr. Karlstadt e que não martirizavam tanto as
palavras segundo seu próprio parecer. Mas estou preso, não encontro
saída. O texto é tão majestoso que com palavras não se deixa tirar da
mente." (De Wette, II-576 e segs.; citado em Lúcio Navarro, A
legítima interpretação da Bíblia, Campanha de instrução religiosa
Brasil-Portugal, 1958, pág. 448) )
Lutero também não admitia a transubstanciação pelas
palavras do padre, como Cristo ensinou, mas era obrigado a admitir, pelo
"texto majestoso", que Cristo estava realmente presente no altar, e que já
não havia apenas pão e vinho no sacramento...
Se Lutero se sentia preso, por algum compromisso ínfimo
com a verdade, o mesmo Lutero que dizia que os fins justificavam uma
mentira, uma "atrevida, forte mentira" ("bold, lusty lie") conforme
suas palavras, é porque é preciso muita má fé para negar esta verdade
católica.
Mas todos erraram, e só o omitidor David, em pleno
século XXI foi capaz de dar a verdadeira interpretação dos Evangelhos,
explicação esta baseada na lógica e na hermenêutica, é claro...
E se ele diverge de Lutero quanto à presença real,
poderia muito bem ser o autor desta outra frase do rebelde alemão:
"Muito embora a Igreja, Agostinho e os outros doutores, Pedro e Apolo e
até um anjo do céu ensinem o contrário, minha doutrina é tal que só ela
engrandece a graça e a glória de Deus e condena a justiça de todos os
homens na sua sabedoria" (Lutero, em D. Martin Luthers, Werke,
Kritische Gesamtausgabe, Weimar, XXX, 3, Abteilung, 317; citado pelo Pe.
Leonel Franca em A Igreja, a reforma e a civilização, Ed. Agir, pag.
179)
***
David terminou sua resposta com a seguinte conclusão:
"Cientificamente,
teologicamente, logicamente, cronologicamente, a TRANSUBSTANCIAÇÃO é um
ENGODO." (SIC)
Ora, conforme provamos, refutando um a um os argumentos
do omitidor David, a transubstanciação é uma realidade teológica,
lógica, cronológica e até científica, se lembrarmos dos
milagres eucarísticos, principalmente o de Lanciano no século VIII.
Nesta cidade da Itália, o pão e o vinho se transformaram
durante a missa em corpo e sangue de Cristo visivelmente, mantendo-se até
hoje intactos, decorridos já 1200 anos!
Mesmo a ciência atéia, ao analisar as relíquias,
reconheceu que o fenômeno não têm explicação, pois se trata de carne e
sangue verdadeiros, e de um ser humano; a carne é do coração (miocárdio)!
Carne e sangue são ambos tipo AB, e o sangue tem o frescor comparável ao
tirado de uma pessoa no mesmo dia; também não foi encontrada nenhuma
substância que preservasse artificialmente a carne e o sangue.
Isto é milagre, senhor David...
Mas é antes uma verdade bíblica e principalmente
EVANGÉLICA, que curiosamente o protestante David citou bem pouco.
***
Vimos ao longo de nossa resposta como Cristo prometeu
claramente a eucaristia (e a aceitaram aqueles que tinham fé). Vimos isso
detalhadamente em São João.
Também como a revelou aos Apóstolos, mostrando
abertamente a relação da Ceia com a Cruz, e mandando que fizessem como
ele, na narração da Santa Ceia feita pelos Evangelistas.
E como Cristo confirmou pela pena de São Paulo esta
verdade suprema, através de uma inegável defesa teológica da presença do
corpo, e da responsabilidade em comungar em estado de graça.
Repetiu-a pela história através dos discípulos, dos
padres da Igreja, e do Papa, com a promulgação do dogma, que todos sempre
acreditaram.
Não é possível negar esta verdade tão clara sem
omissões, distorções, invenção de uma nova e falsa teologia, de uma nova
lógica, e mesmo de uma nova e absurda gramática.
De todas essas armas usou David, para não recuar em seu
orgulho.
Com isso o omitidor David ficou só.
E ficou só, porque o protestantismo soberbo é solitário,
levando cada protestante a montar sua doutrina única da forma mais
conveniente, da forma que sua limitada inteligência permite, ou ainda, da
forma como consegue defendê-la diante dos seus opositores, isolando-o do
demais, isolando-o da Igreja, e, portanto de Cristo.
Ele deve saber bem (dos Salmos) o que pensa Deus do
homem que está só...
Mas a doutrina de Cristo não é parcial, e nem
ensimesmada.
Ela une todos os católicos de todos os tempos que a
defenderam integralmente, e fazem com que hoje simples católicos
como nós possamos emprestar nossa pena, ou nosso teclado, aos
maiores gênios e santos da humanidade - teólogos, doutores, bispos e Papas
- para que defendam mais uma vez a vinha do Senhor dos ataques dos
hereges, através do que escreveram.
Como eles não podem falar senão através de seus
escritos, emprestamos nossas pobres letras aos grandes apologistas, e com
isso compartilhamos de sua luta na terra, para depois participar de sua
glória no céu, com a graça de Deus.
Os Apóstolos, Santo Inácio Mártir, São Clemente Romano,
São Justino, Santo Irineu, São Cipriano, São Cirilo de Jerusalém, São João
Crisóstomo, São Cirilo de Alexandria, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São
Tomás, São Boaventura, Hugo de São Vítor, Santo Alberto Magno e tantos
outros aceitaram e defenderam a transubstanciação e, por isso, estão com
Cristo.
A eles queremos estar unidos, para ficarmos também junto
a Pedro, que ficou junto ao Mestre, porque não há para quem ir, senão para
Cristo, o caminho, a verdade e a vida.
E essa união poderosa entre os verdadeiros seguidores de
Nosso Senhor durante todos esses séculos, e da terra ao céu - a Comunhão
dos Santos - é que nos dá a confiança de que nenhum herege pode destruir a
Igreja, nem impugnar nenhum de seus dogmas, porque Cristo prometeu que as
portas do inferno não prevaleceriam contra ela.
E unidos a Cristo, na sua verdade que não passa,
defenderemos sempre a Santa Missa e a transubstanciação, pois passarão os
céus, a terra e o omitidor David, mas não passarão as divinas palavras de
Nosso Senhor:
HOC EST ENIM CORPUS MEUM,
HIC EST ENIM CALIX SANGUINIS MEI.
In corde Iesu et Mariae,
Marcos Libório
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