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Pergunta

Franciscanos em Medjugorje

Sou um sacerdote católico. Quero cumprimentar todos os responsáveis por esta bela página contendo notícias oportunas e mesmo necessárias para a nossa ação pastoral. Agora, uma pergunta. Li pela internet (site ds Franciscanos) a notícia segundo a qual os padres Franciscanos deveriam entregar a paróquia de Medjugorje ao Bispo local. O que há de certo neste assunto? Como já estive em Medjugorge, este assunto me interessa. Sabe me informar algo a respeito?

 

Resposta

É sempre uma alegria receber um incentivo, especialmente quando seu autor é um sacerdote católico. Aproveitamos para pedir suas orações por nosso trabalho de difusão da boa doutrina tradicional católica.
Soubemos, através de noticiário que circulou pela internet em janeiro passado, da decisão de Roma no sentido de que os padres franciscanos de Medjugorje entreguem a paróquia ao bispo local. Abaixo transcrevemos, com tradução, o referido noticiário.

Decisão final de Roma

Franciscanos serão removidos de Medjugorje

(A reportagem que segue foi publicada no exemplar de 6 de janeiro de 1999 da revista alemã Der Schwarze Brief, vol. 33 Nr. 1/99, publicada por Clause Peter Clausen em Lippstadt.)

Notícia: em 10 de novembro de 1998, o Reverendíssimo Ratko Peric, Ordinário da diocese de Mostar, e Padre Giacomo Bini, Geral dos Franciscanos, encontraram-se em Roma com o prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos e decidiu que no dia 21 de fevereiro de 1999 os padres Franciscanos serão removidos de Medjugorje e de todas as outras paróquias da diocese de Mostar e substituídos por padres diocesanos.

Histórico: a decisão de Roma seguiu os apelos do bispo de Mostar, que havia reclamado do longo período de desobediência dos Franciscanos, em diversas cartas a Roma. Além disso, relatórios de leigos respeitados apareceram ao mesmo tempo, incluindo os livros do Prof. Waterinckx, E. Michael Jones e Mart Bax, que levantaram sérias acusações contra os Franciscanos. Como resultado dessas acusações, as autoridades em Roma pressionaram Bini a tomar a decisão. Quando as negociações se frustraram, ambos os lados foram chamados a Roma. A decisão do dia 10 novembro deixa claro que todos os Franciscanos com quaisquer responsabilidade espiritual na diocese de Mostar serão removidos, e então enviados a outras paróquias pelo bispo. Assim, Medjugorje se tornará um local de oração para a diocese. Em Roma foi esclarecido que o Bispo Peric escolheu sacerdotes para Medjugorje que estiveram ativos em Roma até este momento.

O bispo Peric e padre Bini informaram os sacerdotes e fiéis da Diocese sobre a decisão de Roma numa carta datada de 16 de novembro e assinada por ambos. Nessa carta, os Franciscanos recebem o crédito por seus longos anos de serviços espirituais. Ambos esperam que esse trabalho possa continuar no futuro mas onde e como isso não é especificado, e somente sob a direção do bispo local. Os fiéis foram instados a se lembrarem de que são todos filhos de seu Pai Celeste e, portanto, chamados à unidade na Igreja. Cada indivíduo é chamado a apoiar esta unidade fraterna. Deus, o Pai, a Quem o último ano antes do grande Jubileu do ano 2000 é dedicado, "chama-nos a todos à unidade uns com os outros,"de acordo com a carta [de Peric e Bini]. O reiterado apelo à unidade é uma expressão da preocupação de Roma de que o Movimento de Medjugorje pudesse distanciar-se ainda mais da Igreja. Na verdade, muitos grupos de Medjugorje vem vivendo longe da Igreja.

No mesmo dia, o Franciscano Geral também fez saber que os sacerdotes Bonifacius Barbaric e Bozo Rados foram expulsos da ordem. A congregação informou essas expulsões ao bispo através de uma carta. Ambos os sacerdotes tomaram parte ativa na ocupação da reitoria e da igreja em Capljina. O bispo de Mostar lhes havia ordenado, em 12 de maio de 1996, que entregassem a paróquia à diocese e deixassem a reitoria. Eles se recusaram a deixar a paróquia e os paroquianos de lá, como resultado de sua recusa, lacraram as portas da igreja. Além de bloquear a porta principal da igreja, também penduraram faixas de protesto na fachada. Os padres Barbaric e Rados continuaram a celebrar a missa na igreja, em geral com padres de fora. Capljina fica próximo a Medjugorje e sempre foi considerada como uma sucursal de Medjugorje pelos Franciscanos.

Medjugorje não foi mencionada na carta de Peric-Bini. Como o contratempo afeta a todos os Franciscanos na diocese, ambos evitaram levantar o local de peregrinações como um fator. A expulsão dos dois sacerdotes de Capljina da ordem Franciscana foi vista como um sinal do que pode acontecer aos outros Franciscanos se se recusarem a obedecer a decisão de Roma, de 10 de novembro. Em Medjugorje o assunto não são apenas as alegadas aparições da Virgem Maria, que nunca foram aprovadas pela Igreja. O assunto é também dinheiro. O antigo estado da Iugoslávia recebeu 100 milhões de dólares em 1988, ou seja, sete anos após o início das peregrinações. Estas soma representou 5% da renda relacionada ao turismo no país inteiro, e 45% da renda total da república da Bósnia-Herzegóvina. De acordo com um relatório da KNA (Katholische Nachrichten Agentur) de 25 de julho de 1989, o lucro com as peregrinações em 1989 foi estimado em 150 milhões e 200 milhões em 1990. Apenas em 1988, mais de um milhão de peregrinos, a maioria da Europa Oriental e Estados Unidos, visitou o local das aparições.

Depois do estado, os maiores beneficiários da corrente de peregrinos que cresce a cada ano foram os Franciscanos. Agora esta renda irá para a diocese. Sentindo que a dissolução estava próxima, os Franciscanos, junto com empresários líderes na região, fundaram um banco. Um dos diretores é o padre Ivan Sevo; dois membros fundadores são padre Tomislav Pervan e padre Jozo Zovko, duas principais figuras no Movimento Medjugorje. Apenas falta saber quem tem o título legal das contribuições financeiras que têm sido feitas pelos peregrinos, e que agora estão nesse banco. A esse respeito, o estado mudou sua atitude com relação a Medjugorje quando descobriu o volume de dinheiro que trazia para o país. Durante uma transmissão na televisão estatal em 7 de maio de 1987, o apresentador falou sobre a "Madona do dinheiro".

Desde o início, a controvérsia de Medjugorje foi dominada por duas forças. Uma foram as décadas de longo conflito entre o bispo e os Franciscanos na Croácia. A segunda foram as numerosas contradições e mentiras por parte dos principais participantes deste drama. Pavao Zanic, antigo bispo de Mostar, explicou em seus documentos do caso que ele tinha "pelo menos 20 motivos" para não acreditar na autenticidade de Medjugorje. Um padre do Panamá que queria saber pelo menos um dos motivos, recebeu esta resposta do Bispo Zanic: "Eu lhe disse, como resposta a sua pergunta, a história do ex-padre e ex-Franciscano Ivica Vego, que, por causa de sua desobediência, havia sido expulso da ordem, liberado de seus votos, e suspenso por ad divinis do Papa, e ainda assim, a despeito dessa censura, continuou a celebrar a Missa e dispensar os Sacramentos, e acabou indo morar junto com sua namorada. Não é agradável falar dessas coisas, mas é inevitável para saber com quem "Nossa Querida Senhora" está falando. Porque, de acordo com o diário de Vicka e as declarações da "vidente", "Nossa Querida Senhora" afirmou pelo menos 13 vezes que Vego era inocente e que o bispo era culpado de injustiça. Então, quando sua Irmã Leopolda ficou grávida, Vego deixou a ordem. Ambos agora vivem nas vizinhanças de Medjugorje e têm dois filhos. Milhares de cópias de seu livro de orações continuam a ser vendidos em Medjugorje.

Um segundo exemplo também citado pelo bispo tem relação à credibilidade dos videntes. "Um mês após o início das aparições, eu fui a Medjugorje para interpelar os videntes. Disse a cada vidente para jurar sobre a Cruz que o que iriam dizer era verdade. A primeira a testemunhar foi Mirjana Dragicevic, que disse, 'Fomos lá procurar cabras quando de repente' - o vigário da Paróquia a interrompeu nesse ponto e me disse que eles tinha subido o monte para fumar escondido de seus pais. 'Um momento. Mirjana', interrompi, 'você está testemunhando sob juramento. Vocês subiram o monte para procurar cabras?' 'Me desculpe', ela disse colocando a mão sobre a boca. 'Nós saímos para fumar.'" Na introdução de seu relatório, Bispo Zanic escreveu que ele poderia ter escrito mais de 300 páginas de exemplos semelhantes. Neste ponto, a comissão que ele sugeriu ainda não havia chegado a nenhuma conclusão definitiva. Mais tarde essa comissão, como a comissão da Conferência Iugoslava de Bispos de 1991, determinou que não havia nada sobrenatural sobre as ocorrências em Medjugorje. E nada mudou a esse respeito desde então.

Como o grande influxo de peregrinos continuou, Roma teve que enfrentar duas coisas: a incompatibilidade das mensagens com o ensinamento da Igreja por um lado, e a preocupação com as almas dos milhões de peregrinos de outro. Era uma operação delicada. As declarações heréticas da aparição eram, em alguns casos, tão claros, que o reconhecimento eclesiástico era impossível. A aparição declarou, de acordo com o livro de padre Bubalo: "Diga aos sacerdotes e a todos que vocês criaram divisões na terra. Os muçulmanos e os ortodoxos e os católicos são todos iguais para mim e meu filho. Vocês são todos meus filhos." Há outras declarações sobre ecumenismo que contradizem tanto a Escritura quanto o Magistério. As numerosas mentiras dos videntes também causaram problemas similares.

Como a maioria dos peregrinos estava sem saber quanto ao caráter dos eventos de Medjugorje, o Vaticano teve que encontrar uma solução que permitisse a correta direção espiritual dos peregrinos sob a supervisão do bispo local. Em 19 de junho de 1996, o Secretário da Imprensa do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, declarou o que se precisava promover era "uma saudável devoção Mariana alinhada ao ensinamento da Igreja." Ele enfatizou que, de acordo com as investigações que já haviam sido feitas, não podia ser afirmado que havia algo sobrenatural sobre as aparições ou revelações de Medjugorje. Era tarefa do bispo garantir que os peregrinos que continua a ir a Medjugorje recebessem a orientação espiritual que mereciam. Roma se referiu repetidas vezes ao bispo local como a autoridade competente nessa questão, mas os Franciscanos continuaram seu caminho de Desobediência.

No dia 15 de outubro de 1996, o professor Mark Waterinckx de Brugge, Bélgica, recebeu a seguinte resposta da chancelaria em Mostar: "1) A paróquia em Capljina foi fechada com tijolos depois que os Franciscanos e seus seguidores se recusaram a aceitar o decreto papal entregando aquela paróquia de volta à diocese. Todos sabem que os Franciscanos continua a celebrar a Missa não somente na própria igreja mas também diante de suas portas lacradas. 2) O bispo de Mostra tem total jurisdição sobre Medjugorje. Ele realiza sua vista canônica regularmente e também dá confirmações. Outros ponto é que alguns Franciscanos continua a trabalhar lá contra o bispo, embora não tenham missão canônica. 3) Também foi tornado público que Padre Jozo Zovko (sócio do banco) e Leonard Orec foram retirados de suas faculdades desde 1989. 4) O Papa jamais disse algo sobre as aparições. Ele respeita a declaração da conferência episcopal de 1991."

No dia 19 de abril de 1998, o editor do Schwarzer Brief enviou documentação sobre Medjugorje ao Cardeal Ratzinger, incluindo 14 citações de vários livros sobre Medjugorje, de pessoas como René Laurentin e Bispo Paulo Hnilica, nas quais se passa a impressão de que o Papa e o Cardeal Ratzinger repetidas vezes reconheciam a autenticidade das aparições. Em resposta, o Cardeal Ratzinger escreveu, no dia 22 de julho de 1998: "Obrigado por enviar o memorando de Claus Peter Clausens. Eu o conheço muito bem como o editor do Schwatzer Brief. Apenas posso dizer em resposta que as citações que apóiam Medjugorje, que foram atribuídas a mim a ao Santo Padre, foram tiradas do ar." [frei erfunden sind] O testemunho de Ratzinger torna claro que ele discutiu o assunto com o Papa. Em 10 de agosto, Clausen enviou este documento ao bispo de Mostar. Mesmo antes disso, muitas autoridades no assunto haviam alertado Roma contra o reconhecimento de Medjugorje. A maioria deles antes apoiavam Medjugorje, e agora vieram a reconhecer as manipulações de bastidores dos Franciscanos ao longo dos anos. Um crítico foi a Medjugorje 21 vezes.

Um fotógrafo alemão anunciou ter observado e fotografado os Franciscanos no ato de fabricar as mensagens. Quando foi visto olhando dentro da sacristia, ele foi ameaçado por um vidente e um padre. Mais tarde, um motorista de táxi lhe disse que qualquer um que se opusesse a Mdejugorje seria morto. Em março de 1998, esse fotógrafo escreveu ao Schwatzer Brief: "Depois que o bispo interveio com os Franciscanos como resultado de meu testemunho, o núcleo dos manipuladores Tomislav Vlasic, Slavko Barbaric, e Tomislav Pervan anunciaram que eu não era mais bem-vindo lá." Ivan, o vidente, se aproximou do fotógrafo alemão mais tarde "e fez um gesto que indicava eu sua garganta seria cortada" se ele continuasse. O mesmo fotógrafo, que estava familirizado com todos os diretores de Medjugorje, também escreveu sobre o caso Manda-Vlasic, que achou interessante como um caso de hipnose. Padre Vlasic tinha um filho com Manda Kozul que agora vive na Alemanha. "É como se Medjugorje fosse entrar em colapso logo. Gostaria de me confrontar com Marija [Pavlovic Lunetti] com a evidência que tenho acumulado diante de testemunhas. Mas, como você sabe, é um pouco arriscado agora."

Antes de visitar a Croácia pela segunda vez em outubro de 1998, o Santo Padre estudou informações sobre Medjugorje. O Papa celebrou a Missa nos dois santuários tradicionais de devoção mariana na Croácia, Maria Bistrica e Senhora da Ilha, próximo a Split. A Senhora da Ilha é venerada sob o nome de RAINHA DA PAZ. Em seus sermões e pronunciamentos, o Papa enfatizou o significado dos grandes santuários Marianos nacionais e mencionou-os novamente em seu retorno a Roma.

. . . .

(Suplemento especial cortesia de Business Week — 28 de dezembro de 1998)

APÓS A GUERRA, MILAGRES E MOTIM

Pergunte a Tomislav Pervan do que ele gosta em seu trabalho, e ele fará referência a seu manual de trabalho, a Bíblia: "Cristo disse: 'Bem-aventurados os que promovem a paz.' Espero que Ele ainda pense assim quando eu O encontrar um dia, porque ninguém mais por aqui parece concordar."

Como superior da ordem Franciscana dos monges na Herzegóvina oriental, uma parte da Bósnia que viu algumas das piores limpezas étnicas do conflito iugoslavo, Pervan sabe mais sobre os horrores da guerra do que a maioria. Mas estes dias um tipo diferente de conflito civil o preocupa: uma disputa entre os Franciscanos e o papado — com tons de cobiça e política mesquinha — que ameaçam a presença da ordem na região. Ela pode até minar a futura estabilidade da Bósnia.

O Vaticano diz que a Herzegóvina oriental é agora quase exclusivamente católica, principalmente por causa da limpeza étnica do tempo da guerra. Em Capljina, 64 quilômetros ao sul de Sarajevo, onde casas de muçulmanos que retornavam foram rotineiramente bombardeadas, nenhum dos 15% da população muçulmana de antes da guerra na cidade permanece em casa. Assim, o Vaticano sente que não são mais necessários Franciscanos para converter alguém. Mas os frades de hábito marrom se recusam a desistir do controle de suas paróquias. "Tudo o que queremos é preservar nosso papel tradicional neste país", diz Pervan, cuja ordem chegou há 700 anos, quando a Bósnia era controlada por turcos otomanos. "Até a guerra, éramos os sacerdotes. Ouvíamos as confissões, enterrávamos os mortos."Eles precisam se lembrar de que são instrumentos do Senhor", conta Zeljko Majic, um atendente do Bispo de Mostar, cuja diocese abrange a Herzegóvina. "A tarefa deles aqui está terminada. Eles estão pregando para os convertidos."

A batalha atingiu seu auge há 18 meses atrás, quando autoridades do Vaticano ordenaram aos Franciscanos em Capljina a entregar sua Igreja de São Francisco aos sacerdotes da diocese local. Em resposta, os aliados dos Franciscanos bloquearam a porta. Os paroquianos entraram por uma porta lateral para participar de casamentos e missas e para se confessarem.

Finalmente, Pervan persuadiu a congregação a retirar seu protesto e remover as barricadas. Ainda assim, paroquianos locais se recusaram a permitir uma retomada do Vaticano. "Durante a guerra, os padres ficaram e nos ajudaram", diz Daniela Rebac, 18, que estuda na escola secundária mantida por Franciscanos ao lado da Igreja de São Francisco. "Mesmo se eles aceitassem ir embora, nós não os deixaríamos ir."

MOTIVOS QUESTIONÁVEIS

Mas muitos dizem que a disputa é de fato sobre dinheiro e o poder que o dinheiro traz. Caplijina está a apenas 20 quilômetros de Medjugorje onde, em 1981, crianças do local relataram ter visto a Virgem Maria. Desde então, 20 milhões de peregrinos consumidores transformaram o pequeno grupo de casas de pedra em uma longa linha de neon de lojas de lembranças, restaurantes, e pensões. "Este é um lugar lucrativo", admite Slavko Barbaric, um Franciscano que atuou em Medjugorje por 15 anos. "E é claro que nós também vendemos nossas lembranças e rosários e assim por diante. Mas isso não nos fez milionários, e não nos distraiu de nossa real missão: cuidar das almas."

Mesmo assim, Roma ordenou aos Franciscanos que parassem de promover Medjugorje como local de peregrinação. Por tradição, a Igreja não reconhece milagres até que cessem e uma investigação oficial seja conduzida. Mas dois dos seis videntes dizem que ainda recebem visitas regulares da Virgem às 10 da manhã no primeiro sábado de cada mês, para ser preciso, após o que cada nova mensagem é datilografada e postada pela cidade para os fiéis.

Pessoas do local dizem que mesmo se as aparições terminassem, a Igreja ainda iria se recusar a aceitar sua validade. "Quando as crianças começaram a ver a Senhora, foram levadas a Mostar e interrogadas dias e noites sem dormir", diz Barbaric. "Foram tratadas como criminosas em vez de receptáculos da graça divina. Mesmo hoje, o Bispo não aceita a história delas."

Assistentes do Bispo Peric também não aceitam uma segunda visão do tipo da de Medjugorje. Em janeiro último, dois jovens pastores brincando em uma casa abandonada na vila vizinha de Grab relataram um visão do próprio Cristo. "Ouvimos um barulho, e uma pequena nuvem de neblina apareceu", diz Ivan Grbavac, um garoto de 9 anos de idade. "Na veneziana da janela, vimos uma cabeça." Quando começaram a gritar, a mãe de Ivan, Desanka, foi ver o que estava acontecendo. "Era Sua Face na janela, Jesus Cristo, e eu fiz o sinal da Cruz", diz ela. Então, ainda mais peregrinos vieram, alguns anunciando suas próprias vistações, ameaçando fazer desta árida porção da Bósnia o centro de aparições da Europa.

Roma tem andado com cuidado por causa do forte laço dos Franciscanos com a União Democrática Croata (HDZ), que controla a região. Políticos da HDZ vão rezar regularmente em Medjugorje, onde suas fotografias são penduradas lado a lado com imagens da Virgem Maria em lojas e casas. Os principais sacerdotes bósnios e oficiais de paz orientais suspeitam que parte do dinheiro arrecadado em Medjugorje caia nos cofres da HDZ. "Não há dúvida de que, de certa forma, a HDZ vê os Franciscanos como seu braço religioso", diz Christopher Bennett, analista bósnio. "Muitos Franciscanos lamentam isso, mas é difícil para eles fazer alguma coisa sobre isso sem perder muito de sua congregação."

Os esforços da HDZ para politizar Medjugorje agravam os crescentes problemas étnicos na Herzegóvina oriental, onde muçulmanos locais que voltavam para suas casas de antes da guerra, foram proibidos de entrar ou forçados a se retirar por croatas nacionalistas. Muitos habitantes, que participaram de uma guerra de 10 meses contra os muçulmandos de 1993 a 94, escolheram não viajar a Sarajevo na Páscoa, em 1997, para ouvir o Papa João Paulo II pedir a urgente reconciliação com seus inimigos. E quando o Papa pregou no porto croata próximo a Split nesse verão, Barbaric e seus colegas ficaram em casa após o pontífice declinar um convite para ver Medjugorje pessoalmente.

Agora, parece que a paciência de João Paulo II se esgotou. Roma ameaçou os Franciscanos com a excomunhão se não se curvarem às ordens do Vaticano. Frente a essa ameaça, Pervan diz, "O que podemos fazer? Ele é o representante de Deus. Opor-se a ele é se opor a Deus."

Mas em Capljina, paroquianos rebeldes estão determinados a permanecerem firmes. "O Santo Padre está velho, está doente", diz Rebac. Em breve, ela acredita, um novo Papa verá as coisas de maneira diferente. Enquanto isso, ela reconhece, algumas Ave-Marias ilícitas a mais não fazem mal.

Por JAMES DRAKE

James Drake para BUSINESS WEEK, de Praga.

 


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