A IGREJA CONTRA
A IGUALDADE, O SOCIALISMO E O COMUNISMO
I. Passagens da Sagrada Escritura
"Ora o Senhor disse a Abrão: ... E eu farei sair de ti
um grande povo, e te abençoarei, e engrandecerei o teu nome, e serás bendito" (Gn.
12:1,2). "Ora ele (Abrão) era muito rico em ouro e prata" (Gn. 13,2).
"Rico e pobre encontram-se: o Senhor criou-os a
ambos". ( Pr. 22,2 )
"O prêmio da modéstia é o temor do Senhor, as
riquezas, a glória, e a vida". (Pr.22,4).
O 5° mandamento proíbe roubar, e o 10° mandamento proíbe
mesmo cobiçar as coisas alheias. Se a propriedade privada não fosse legítima, esses
mandamentos não se justificariam. Somente se pode roubar o que é propriedade de outros.
E quando o 10° mandamento fala em "coisas alheias" reconhece que a propriedade
dos outros existe e é legítima.
II.
Ensinamentos dos Papas
PIO IX:
"E, apoiando-se nos funestíssimos erros do comunismo e
do socialismo, asseguram que a "sociedade doméstica tem sua razão de ser somente no
direito civil" (Quanta Cura, 5).
LEÃO XIII:
"Não ajudar o socialismo - 34. Tomai ademais sumo
cuidado para que os filhos da Igreja Católica não dêem seu nome nem façam favor nenhum
a essa detestável seita" (Quod Apostolici Muneris, no. 34).
"Porque enquanto os socialistas, apresentando o direito
de propriedade como invenção humana contrária a igualdade natural entre os homens;
enquanto, proclamando a comunidade de bens, declaram que não pode tratar-se com
paciência a pobreza e que impunemente se pode violar a propriedade e os direitos dos
ricos, a Igreja reconhece muito mais sabia e utilmente que a desigualdade existe entre os
homens, naturalmente dissemelhantes pelas forças do corpo e do espírito, e que essa
desigualdade existe até na posse dos bens. 29. Ordena, ademais, que o direito de
propriedade e de domínio, procedente da própria natureza, se mantenha intacto e
inviolado nas mãos de quem o possui, porque sabe que o roubo e a rapina foram condenados
pela lei natural de Deus" (Quod Apostolici Muneris, - Encíclica contra as seitas
socialistas, no. 28/29).
"Entretanto, embora os socialistas, abusando do próprio
Evangelho para enganar mais facilmente os incautos, costumem torcer seu ditame, contudo,
há tão grande diferença entre seus perversos dogmas e a puríssima doutrina de Cristo,
que não poderia ser maior" (Quod Apostolici Muneris, 14).
"25. Daquela heresia (protestantismo) nasceu no século
passado o filosofismo, o chamado direito novo, a soberania popular, e recentemente uma
licença, incipiente e ignara, que muitos qualificam apenas de liberdade; tudo isso trouxe
essas pragas que não longe exercem seus estragos, que se chamam comunismo, socialismo e
nihilismo, tremendos monstros da sociedade civil" (Diuturnum, Encíclica sobre a
origem do poder- n° 25).
"A Igreja, pregando aos homens que eles são todos
filhos do mesmo Pai celeste, reconhece como uma condição providencial da sociedade
humana a distinção das classes; por esta razão Ela ensina que apenas o respeito
recíproco dos direitos e deveres, e a caridade mútua darão o segredo do justo
equilíbrio, do bem estar honesto, da verdadeira paz e prosperidade dos povos. (...)
"Mais uma vez Nós o declaramos: o remédio para esses males [da sociedade] não
será jamais a igualdade subversiva das ordens sociais" ( Alocução de 24/01/1903 ao
Patriarcado e à Nobreza Romana).
" Importa, por conseqüência que nada lhe seja à
democracia cristã mais sagrado do que a justiça que prescreve a manutenção integral do
direito de propriedade e de posse; que defenda a distinção de classes que sem
contradição são próprias de um Estado bem constituído". ( Leão XIII, Graves de
Communi Re n° 4).
"A sociedade humana, tal qual Deus a estabeleceu, é
formada de elementos desiguais, como desiguais são os membros do corpo humano; torná-los
todos iguais é impossível: resultaria disso a própria destruição da sociedade
humana."
"A igualdade dos diversos membros sociais consiste
somente no fato de todos os homens terem a sua origem em Deus Criador; foram resgatados
por Jesus Cristo e devem, segundo a regra exata dos seus méritos, serem julgados por Deus
e por Ele recompensados ou punidos."
"Disso resulta que, segundo a ordem estabelecida por
Deus, deve haver na sociedade príncipes e vassalos, patrões e proletários, ricos e
pobres, sábios e ignorantes, nobres e plebeus, os quais todos, unidos por um laço comum
de amor, se ajudam mutuamente para alcançarem o seu fim último no Céu e o seu bem-estar
moral e material na terra." (extraída da Encíclica Quod Apostolici Muneris)
S. PIO X:
"Se [Cristo] chamou junto de si, para os consolar, os
aflitos e os sofredores, não foi para lhes pregar o anseio de uma igualdade
quimérica" (Notre Charge Apostolique n. 38).
PIO XI:
Não é verdade que na sociedade civil todos temos
direitos iguais, e que não exista hierarquia legítima (Divini Redemptoris n° 33).
"A fim de pôr termo às controvérsias que acerca do
domínio e deveres a ele inerentes começam a agitar-se, note-se em primeiro lugar o
fundamento assente por Leão XIII, de que o direito de propriedade é distinto do seu uso
(Encíclica Rerum Novarum, n°35). Com efeito, a chamada justiça comutativa obriga a
conservar inviolável a divisão dos bens e a não invadir o direito alheio, excedendo os
limites do próprio domínio; mas que os proprietários não usem do que é seu, senão
honestamente, é da alçada não da justiça, mas de outras virtudes, cujo cumprimento
não pode urgir-se por vias jurídicas (cfr. Rerum Novarum, n° 36)" - Encíclica
Quadragesimo Anno.
"Sem razão afirmam alguns que o domínio e o seu uso
são uma e a mesma coisa; e muito mais ainda é alheio à verdade dizer que se extingue ou
se perde o direito de propriedade com o não uso ou abuso dele" -Encíclica
Quadragesimo Anno."
"E se o socialismo estiver tão moderado no tocante a
luta de classes e a propriedade particular, que já não mereça nisto a mínima censura?
Terá renunciado por isso a sua natureza essencialmente anticristã? (...)Para lhes
respondermos, como pede a Nossa paterna solicitude, declaramos: o socialismo, quer se
considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como 'ação', se é verdadeiro
socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça nos pontos sobreditos,
não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo
completamente avesso a verdade cristã. (...) " (Quadragesimo Anno, nos. 117 e 120)
"Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos
contraditórios: ninguém pode ao mesmo tempo ser bom católico e socialista
verdadeiro" (Quadragesimo Anno, no. 119)
"Estas doutrinas, que Nós de novo com a nossa
suprema autoridade solenemente declaramos e confirmamos (...)" (Quadragesimo
Anno, no. 120)
PIO XII:
"Pois bem, os irmãos não nascem nem permanecem
todos iguais: uns são fortes, outros débeis; uns inteligentes, outros incapazes; talvez
algum seja anormal, e também pode acontecer que se torne indigno. É pois inevitável uma
certa desigualdade material, intelectual, moral, numa mesma família (...) Pretender a
igualdade absoluta de todos seria o mesmo que pretender idênticas funções a membros
diversos do mesmo organismo" (Discurso de 4/4/1953 a católicos de paróquias de S.
Marciano)
JOÃO XXIII:
"Da natureza humana origina-se ainda o direito à
propriedade privada, mesmo sobre os bens de produção" (Pacem in Terris, n°. 21).
PAULO VI:
Em 1965 durante o Concílio Vaticano II, Paulo VI recebeu o
Conselho Episcopal Latino-Americano e na sua alocução ele atenta para o "Ateísmo
marxista". Ele o apresenta como uma força perigosa, largamente difundido e
extremamente nociva, que se infiltra na vida econômica e social da América Latina e
pregando a "Revolução violenta como único meio de resolver os problemas"
(Extraído do livro "Le Rhin se jette dans le tibre", pág 273. Ralph
Wiltgen. Ed Editions du Cédre 1974, 5a tiragem)
JOÃO PAULO II:
"Nesta luta contra um tal sistema (o Papa está falando
do capitalismo selvagem) não se veja, como modelo alternativo, o sistema socialista, que,
de fato, não passa de um capitalismo de estado, mas uma sociedade do trabalho livre, da
empresa e da participação" (no. 35) "A Igreja reconhece a justa função do
lucro, como indicador do bom funcionamento da empresa" (no. 35) "Aquele
Pontífice (Leão XIII), com efeito, previa as conseqüências negativas, sob todos os
aspectos - político, social e econômico - de uma organização da sociedade, tal como a
propunha o 'socialismo', e que então estava ainda no estado de filosofia social e de
movimento mais ou menos estruturado. Alguém poderia admirar-se do fato de que o Papa
começasse pelo 'socialismo' a crítica das soluções que se davam à 'questão
operária', quando ele ainda não se apresentava - como depois aconteceu - sob a forma de
um Estado forte e poderoso, com todos os recursos à disposição. Todavia Leão XIII
mediu bem o perigo que representava, para as massas, a apresentação atraente de uma
solução tão simples quão radical da 'questão operária'. (n°. 12).
" Aprofundando agora a reflexão delineada (...) é
preciso acrescentar que o erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De
fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo
social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao
funcionamento do mecanismo econômico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse
mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva
decisão responsável em face do bem e do mal. O homem é reduzido a uma série de
relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão
moral, que constrói, através dessa decisão, o ordenamento social. Desta errada
concepção da pessoa deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício
da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada". (no. 13).
"Na Rerum Novarum, Leão XIII com diversos argumentos,
insistia fortemente, contra o socialismo de seu tempo, no caráter natural do direito de
propriedade privada. Este direito, fundamental para a autonomia e desenvolvimento da
pessoa, foi sempre defendido pela Igreja ate nossos dias" (Enc. Centesimus Annus,
tópico 30 da ed. Paulinas) |