MAOMÉ -
ORIGENS DO ISLAMISMO
Orlando Fedeli
Carta do leitor enviada em 30 de maio de 2003
Assunto: Mitologia da Redenção de Cruxificação
Prof. Bom Dia!
Gostaria de parabenizá-los por todos os trabalhos realizados em
esclarecer os católico nas questões referentes a fé.
Li um "artigo" sobre mitologia da redenção e gostaria de saer se há
esclarescimentos sobre isto, pois envolve maiz q a batida mitologia
Mazdeista. Colo abaixo o texto extraído:
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Em Nome de Deus o Clemente o Misericordioso
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Destruindo a mitologia da redenção e cruxificação de cristo por Karls
Eduardo
A idéia de redenção pelos sofrimentos e morte de um divino salvador ja era
achada em quase todas as religiões anteriores ao cristianismo. Por exemplo :
Na china, um dos cinco livros sagrados (que são bem anteriores ao
cristianismo) chamado "Y-Rei", diz ao falar do heroi redentor chamado: "Tien,
o santo" :
" O Santo unirá nele todas as virtudes do céu e da terra. Pela sua justiça o
mundo será restabelecido aos modos de retidão. Ele trabalhará e sofrerá
muito. Ele tem que passar pela grande torrente em cujas ondas entrarão na
alma dele, mas ele só pode oferecer o Deus um sacrifício merecedor dele "
[Prog. Relig. Idéias, vol. i. pág. 211]
Um comentarista antigo diz ao falar sobre o redentor chinês "Tien, o santo"
:
" As pessoas comuns sacrificam suas vidas para ganhar pão; os filósofos para
ganhar reputação; a nobreza para perpetuar suas famílias. O Santo (Tien) não
busca(o seu propio bem), mas o bem de outros. Ele morre para salvar o mundo
" [Ibid.].
Isto acima é somente uma introdução, o que veremos a partir de agora é como
os criadores da mitologia cristã se basearam em mitos anteriores para
formular seu propio mito, ha cristãos que alegam que ha historias
semelhantes como o assassinato de lincon e kenedy(presidentes dos EUA), mais
veremos a seguir que não ha conhecidências e sim mitos uns copiados dos
outros. Haverão também imagens para ilustrar e facilitar o nosso
entendimento.
Começaremos pelo egito, lar e berço de varias mitologias, por la encontramos
Osiris, um redentor que morreu para nos salvar, vamos ver o que
especialistas falam sobre o mito de osiris :
Sr. Bonwick, ao falar de Osiris, diz:
" Ele é um dos Salvadores da humanidade, pôde ser achado em quase todas as
nações, (só o seu nome foi mudado de país a país). Nos seus esforços para
fazer o bem, ele encontra o mal; lutando(com o mal) ele é superado; então é
morto "
[Bonwick, Convicção egípcia, pág. 155]
Alexander Murray diz:
" O Salvador egípcio Osiris era reconhecidamente considerado o grande
exemplar de abnegação, dando a vida dele para os outros " [Murray, Manual de
Mitologia, pág. 348]
Os criadores da mitologia cristã foram claramente influenciados por estes
mitos,vejamos :
" Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e
para dar a sua vida em resgate de muitos. "
[Biblia-Evangelho segundo Mateus 19:11-28]
Outro mito famoso foi o de Attis que foi chamado de "O unico filho gerado"(Knight,
Ancient Art and Mythology, p. xxii.) e também chamado de "salvador", Attis
foi adorado pelos Phrygians(uma das raças mais antigas da asia). O mito de
Attis sempre foi representado por um homem amarrado a uma árvore (Dupuls,
Origin of Religious Belief, p. 255) , ele também é caracterizado como um
homem pregado a uma árvore.
Agora vamos falar de Tammuz(ou adonis), o adonai sirio, este era outro Deus
que nasceu de uma virgem, sofreu para o gênero humano e teve o titulo de
"Salvador", os anciões que honraram Tammuz( Adonis) como o Deus deles e
Salvador celebravam um banquete em comemoração de sua morte (era a Ceia do
Deus deles, ato este presente em varias religiões). Uma imagem, planejada
como uma representação do Deus, era posta em uma cama ou ataúde, e eles
lamentavam em hinos tristes da mesma maneira que os cristãos católicos mais
tarde fariam.
Um dos mais famosos redentores da antiguidade chamou-se Prometheus, ele era
um Deus imortal, um amigo da raça humana, que não tem medo sequer de se
sacrificar para a nossa salvação. A tragédia da crucificação de Prometheus,
escrita por Eschylus, teria acontecido em atenas , 500 anos antes de cristo,
é considerado por muitos o poema dramático mais antigo em existência.
Prometheus foi pregado pelas mãos e pés , afirma o especialista : " Enquanto
estava pendurado seus braços foram estendidos na forma de uma cruz, os seus
serviços para a raça humana o tinham levado aquela horrível crucificação "
[Eschylus, Prometheus Chained, Harper and Bros., N.Y.]
No mito de Prometheus, ele sempre aparece como um amigo dos humanos,
enquanto sofrendo ao lado deles grandes torturas. O mais curioso da historia
de Prometheus, é que o seu amigo Oceanus, o pescador (dai que se gerou o
termo "oceano") tentou influenciar Prometheus para não se sacrificar para o
genero humano, mais Prometheus não desistiu. Na mitologia cristã, os seus
criadores não tiveram muito trabalho, a mesma historia é repetida no
evangelho, detalhe que o apostolo pedro, o apostolo mais chegado a jesus
também é um pescador(igualmente Oceanus na mitologia de Prometheus), tem uma
parte do evangelho que pedro e jesus repetem a mesma historia de oceanus e
Prometheus, vejamos :
" Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a
Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos
sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. E
Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem
compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se,
disse a Pedro: Para trás de mim,Satanás, que me serves de escândalo; porque
não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens."
[Biblia-Evangelho segundo Mateus 16:21-23]
Um mero mito copiado de outros mitos.
Ha alem destes toda uma infinidade de outros redentores e salvadores ,que
morreram (alguns até cruxificados) para a salvação da humanidade, muitos
deles foram profetizados em livros anteriores, vamos dar exemplos de outros
redentores :
Serapis, Apollo, Mithras, Orpehus, Ixion, Hercules, Krisnah, Esculapis(que
teve um templo erguido a sua memoria em atenas, o templo chamava-se : "O
Templo do Salvador") , Bacchus,o Deus do vinho( que transformou a agua em
vinho na sua mitologia) no monumento de Bacchus, está escrito :
" Sou eu (diz para o senhor Bacchus para os humanos), que o guia; sou eu que
o protege, sou eu que o salva; Sou eu que é o Alfa e o Omega ". [Citação do
monumento de Bacchus]
Deixo agora com vocês uma série imagens que o farão compreender melhor o
mito da redenção cristã :
Ixion, um redentor que morreu para nos salvar. Era também um Deus solar, o
sol invictus, que traz a luz após a escuridão.
Orpehus, pregado numa ancora, igualmente mais tarde cristo estaria na cruz
(repare nas pernas tortas, encontradas facilmente em muitos crucifixos)
Ai esta o nosso salvador Prometheus, sofrendo uma tortura para salvar os
homens do mundo.
E por fim a mitologia de cristo cruxificado, repare na semelhança com a
cruxificação de orpehus por exemplo, antes da mitologia de cristo varias
outras ja cultuavam redentores e salvadores que morreram para nos
salvar(muitos cruxificados), daonde os criadores da mitologia cristã criaram
o seu romance.
Eu peço encarecidamente que se você leu este texto até aqui, o passe
adiante, não deixe esta mitologia proliferar, chegou a hora de nós humanos
fazermos a nossa parte na destruição de tudo que é falso e mitológico.
" Dize: Ele é Deus, o Único!
Deus, O Eterno Refúgio!
Que não gerou nem foi gerado!
E nada é igual a Ele! "
[AlCorão 112:1-4]
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Referências :
1-Prog. Relig. Ideas
2-Egyptian Belief,
3-Manual of Mythology
4-Higgins, Anacalypsis
5-Prometheus Chained, Harper and Bros., N.Y
6-Iegesis
7-Origin of Religious Belief
8-Anacalypsis
9-Spirit History
10-Son of Man
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Gostaria de poder receber, se possível, uma resposta sobre esta questão.
Um forte abraço,
INQUISITIO
Resposta
I - Introdução
Muito prezado André ("Inquisitio"),
salve Maria.
Em primeiro lugar, tenho que
agradecer suas palavras de elogio a nosso trabalho, no site Montfort.
Quanto ao artigo que você me
envia, para análise, e que é assinado por um tal Karls Eduardo, ele é um
claro ataque de um muçulmano ao Cristianismo. Isso fica patente pela citação
do Corão que faz no final de seu artigo:
"Diz: Ele é Deus, o Único!
Deus, O Eterno Refúgio!
Que não gerou nem foi
gerado!
E nada é igual a Ele!
"
[Alcorão 112:1-4]
Essa citação é precedida de
um propósito ameaçador, pois o autor escreveu uma clara declaração de guerra
ao Cristianismo:
"Eu peço encarecidamente que
se você leu este texto até aqui, o passe adiante,
não deixe
esta mitologia proliferar, chegou a hora de nós humanos fazermos a nossa
parte na destruição de tudo que é falso e mitologico."
(O
negrito e o sublinhado são nossos).
O caráter muçulmano do autor
se manifesta ainda na frase com que ele começa seu escrito, frase
tipicamente maometana:
"Em Nome de Deus, o
Clemente, o Misericordioso"
("Bismi Allah
ar-rahmani ar- rahimi") são as primeiras palavras da chamada
Alfatiha, Surata [capítulo] de abertura do Corão maometano.
Então, em nome de Allah,
clemente e misericordioso, esse maometano faz, pela Internet, uma declaração
de guerra ao Cristianismo, prometendo-se "fazer a sua parte na
destruição de tudo que é falso e mitologico", isto é, destruir o que ele denomina de "mitologia" da
Redenção do Cristianismo.
Estamos diante de um ataque
frontal e de uma ameaça.
Claro que temos que defender
nossa Fé.
É nosso dever. Tanto mais
que estamos reagindo em legítima defesa a um ataque ao Cristianismo, sem
respeito e sem nenhuma base séria.
E não se venha dizer que
iniciamos o ataque, porque estamos apenas nos defendendo.
Não se venha a dizer que
desrespeitamos crença alheia, porque Cristo e o Cristianismo é que foram
atacados e desrespeitados. Vamos apenas defender o Verbo de Deus encarnado,
e o Cristianismo, atacado como mito.
Claro que não imitaremos o
agressor da Fé em Cristo Redentor, usando as mesmas armas ilógicas e
incoerentes do agressor doutrinário. Não faremos ofensas pessoais, nem
desrespeitos ultrajantes.
Limitar-nos-emos a analisar
historicamente documentos apresentados pelos próprios maometanos, e
analisando, posteriormente, o próprio Corão, de modo científico e lógico,
sem analogias imaginárias e caluniosas, como as que fez o agressor com
relação a Cristo, ao compará-Lo com Adonis, Osiris, e outros mitos pagãos.
Não perderemos tempo, por
ora, com essas comparações estapafúrdias, sem nenhuma base histórica e
cientifica, que o autor do malfadado artigo faz entre Osiris, Adonis, Tien,
etc. com Cristo. Elas são absurdas e ridículas, revelando apenas um espírito
preconceituoso e fanático. Todas essas comparações não conseguem desmentir o
fato histórico de que Cristo morreu na cruz. E morreu por nossos pecados.
Todas essa comparações gratuitas visam apenas destruir o Cristianismo na
Terra de Santa Cruz, propósito confesso do agressor.
Em primeiro lugar, notemos
simplesmente que a Surata CXII, que ele cita, -- Surat Al'Ikhlass
ou da Unicidade divina, é nitidamente anti trinitária, pois nega a eterna
geração do Verbo em Deus. Portanto, essa Surata comprova patentemente o
caráter anticristão e anti trinitário do Corão.
O que põe já uma pergunta:
como Maomé, que era analfabeto, conhecia o problema teológico da eterna
geração do Verbo?
Maomé era um simples
coraixita analfabeto, sem nenhum conhecimento teológico, mas que, nessa
Surata, repete a crença dos fariseus que negaram a Divindade do Verbo, e a
dos arianos do Império bizantino, que se recusaram sempre a reconhecer que o
Verbo era Deus. Para os arianos, como para os fariseus Cristo era uma
simples criatura e não Deus. No máximo, Ele seria um Profeta, que teria
pecado ao declarar-se igual a Deus Pai.
Teria Maomé aprendido com
algum judeu, fariseu, ou com algum bizantino adepto da fé ariana, algo a
respeito desse complexo problema teológico da Processão do Verbo?
Se Maomé aprendeu esse anti
trinitarismo de algum judeu fariseu, ou de um ariano bizantino, então o
Corão não é de inspiração divina, mas obra de um homem, e de um homem
anticristão.
Ora, no próprio Corão está
escrito que os árabes do tempo de Maomé diziam que ele, Maomé, fora ensinado
por um estrangeiro:
"Os incrédulos dizem: Este
(Alcorão) não é mais que uma impostura que ele (Maomé)
inventou ajudado por outros homens! Porém, com isso, proferem uma iniquidade
e uma falsidade" (Corão, Surat Alfurcan ou do
"Discernimento". Surata XXV, 4, apud Alcorão Sagrado,
Versão portuguesa de Samir Hayer, Ed Tangará - Expansão Editorial, São
Paulo, 1979).
Essa mesma acusação, feita
pelos árabes contemporâneos de Maomé, de que ele, de fato, foi ensinado por
outros homens, e não inspirado por Deus, é registrada no próprio Corão,
ainda em outra Surata:
"Bem sabemos que dizem: Foi
um ser humano que lho
(o Alcorão a Maomé) ensinou. Porém a língua daquele a quem
aludem tê-lo ensinado é persa, enquanto que a deste (Alcorão)
elucidante é língua árabe" (Corão, Surata XVI, 103. Surat Annahl
ou Surata das Abelhas. Cfr. ainda Aminuddin Mohamad , op. cit., p. 87).
Repare, caro consulente, que
o contra argumento dado para defender Maomé, de que ele fora ensinado por
outro homem é muito fraco, e até ridículo: o estrangeiro acusado de ensinar
Maomé seria de língua persa, e o livro de Maomé estava em árabe. Ora, se
Maomé não sabia o idioma persa, o tal homem de língua persa bem que poderia
saber o árabe, e assim poderia ter ensinado Maomé.
Isso é óbvio.
De modo que a resposta do
Corão só agrava a acusação dos contemporâneos de Maomé: ele foi ensinado por
estrangeiros.
Quem eram esses
estrangeiros?
Na Surata XLIV do Corão
se lê: "E o rechaçaram dizendo: Ele foi ensinado por outros e é um
energúmeno" (Corão, Surata XLIV, da Fumaça Aldukhan, v. 14).
Note-se que não somos nós que afirmamos isso.
É o Corão que contém essas
palavras e essa acusação. E o Corão não refuta claramente a acusação. Pelo
contrário.
Num outro livro maometano,
publicado aqui no Brasil, para divulgar o maometismo, se lê o seguinte:
“E se tiram a hipótese de
que alguém o ensinava -- [a
Maomé] -- então esse tal, se é
árabe, porque não deixou esta tão grande obra para si próprio e preferiu
deixar passar para Mohamad? E se esse tal não é árabe, está clara a
falsidade da acusação, porque se o Profeta não sabia outra língua fora do
árabe, como se comunicava com outro não árabe?"
(Aminuddin Mohamad, Mohammad. o Mensageiro de Deus, Centro
de Divulgação do Islam para a América Latina, São Bernardo do Campo SP. 1989
D.C. 1409 H., pg. 436. O sublinhado é nosso).
O argumento é ridiculamente
infantil: Maomé não foi ensinado por um estrangeiro, não árabe, porque Maomé
não conhecia nenhuma outra língua fora o árabe, e, portanto, Maomé não
poderia se comunicar com esse estrangeiro.
Poderia, sim, caso o estrangeiro, que morava em
Meca, soubesse falar árabe, o que é muito provável, e assim ele poderia
ensinar Maomé.
Isso é claro como água do
pote.
Mas, em vez de argumentarmos
nós mesmos, vamos fazer algo diferente: citaremos apenas o que escreveram os
maometanos sobre Maomé. Leremos, a princípio, apenas o que eles mesmos
escreveram, permitindo-nos apenas fazer alguma pergunta, e algum comentário
rápido, nos textos mais perplexitantes.
Para isto, utilizaremos o
livro já citado de Aminuddin Mohamad, intitulado Mohammad. o Mensageiro
de Deus do
Centro de Divulgação do
Islam para a América Latina, São Bernardo do Campo SP. 1989 D.C. 1409 H.
Cremos que isso será bem
interessante e convincente de que, se há um mito, não é o de Cristo
Redentor, e sim o de que Maomé foi um Profeta.
Não fomos nós que levantamos
a polêmica e a acusação. Apenas a rebatemos, e não com as mesmas armas
ilógicas, mas numa análise histórica e lógica, sem visar ofender ninguém.
Passemos, então, às citações
desse livro de Difusão do Islam.
II - Situação do Mundo na época
de Maomé
“Um pouco antes da profecia
de Mohamad, todos os países, estavam totalmente degradados, política,
religiosa e moralmente. Todos os aspectos da vida estavam corrompidos e
necessitavam de uma reforma geral”.
“(...) O século seis e sete
d.C. foram um período de ditaduras, perturbações e anarquias. (...)”.
"Contexto Moral e Social"
"Neste aspecto também o
mundo estava muito por baixo A sociedade, ao dividir-se em várias etnias,
raças, castas, etc. perdeu a sua força conjunta" (Aminuddin Mohamad,
Mohammad. o Mensageiro de Deus, Centro de Divulgação do Islam para
a América Latina, São Bernardo do Campo SP. 1989 D.C. 1409 H., pg. 9).
[Não é preciso mostrar
quanto esse texto peca pela generalização e pela imprecisão terminológica.
Basta lembrar que os séculos seis e sete tiveram homens como o Imperador
Justiniano, autor do Códex Juris Civilis, Papas como São Gregório Magno,
Rainhas como Santa Clotilde, Bispos como São Rémy, São Patrício, São
Gregório de Tours, monges como São Columba e tantos outros que seria bem
longo enumerar].
E sobre a mulher, nestes
séculos seis e sete, diz a obra que estamos citando:
"A
Mulher"
"A mulher não era
considerada na sociedade; não a tratavam por igual, era só um objeto de
prazer. Uns matavam as filhas; na Arábia enterravam-nas vivas;
noutras partes queimavam viúvas vivas, as mulheres nem podiam ler livros
religiosos. (...) Na Grécia, fechavam as mulheres em casa; nas igrejas
cristãs tomavam as mulheres como irmãs, isolando-as da vida prática"
(Aminuddin, op. cit. pp. 10-11. O negrito é nosso).
[Exatamente, nessa época
viveram as rainhas Santa Clotilde, Santa Radegunda, na França, e a
Imperatriz Teodora de Constantinopla que tiveram um enorme papel político,
social e religioso. Enquanto que, na Arábia, segundo Omar, o terceiro
Califa:
"Antes do Islamismo nós não
tínhamos qualquer consideração pelas nossas mulheres, só quando Deus revelou
a respeito delas e o direito delas é que começamos a ter consideração por
elas” (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 3650].
E Aminuddin Mohamad escreve
ainda o seguinte incrível parágrafo:
"Só no ano 1870 a situação
começou a melhorar relativamente; até hoje, a mulher no ocidente, ainda
continua a lutar pelos seus direitos. No Islam o caso já não é assim. O
Islam ensina que a origem do homem e da mulher é da mesma essência, possuem
a mesma alma, e que foram equiparados com capacidades iguais para os méritos
intelectuais, espirituais e morais, e considera os direitos da mulher
sagrados” (Aminuddin Mohamad, op cit., p. 11).
[Não é possível deixar de
lembrar que a situação da mulher no Islam e no Ocidente sempre foi --e
continua a ser -- bem diferente. Basta lembrar o harém].
O livro de Aminuddin afirma
que Maomé foi profetizado por Cristo:
"Jesus disse de acordo com o
Alcorão”:
"E recorda-te quanto
Jesus, filho de Maria, disse: Ó filhos de Israel, na verdade eu sou o
Profeta de Deus (enviado) para junto de vós para confirmar
tudo quanto está na Torá e para anunciar-vos a boa nova de um mensageiro que
virá depois de mim, cujo nome será Ahmad (o louvado)” (Esse é um
dos nomes do Profeta) (Corão, Surat. LXI, 6. Apud Aminuddin
Mohamad, op. cit. p. 44).
[Não é preciso dizer
que Jesus nunca disse isso. De onde o autor do Corão extraiu essa frase
inexistente nos Evangelhos? E como é curioso que o Corão faça Jesus defender
a Torá. E depois da citação inventada, a interpretação absurda de que o
Espírito Paráclito -- o Espírito Santo -- anunciado por Cristo, seria Maomé,
que não era Espírito, mas homem de carne e osso, e que não foi o
"Consolador" de modo algum]:
"Todavia, digo-vos a
verdade, que vos contém (Sic! Deveria ser ”convém")
que eu vá. Porque se eu não for o consolador não virá a vós" (S,
João, XVI, 7, apud Aminuddin Mohamad, op cit. p. 44).
Aminuddin conta que a mãe de
Maomé, Amina, não sofreu a mínima dor, enquanto dele estava grávida, e que
ela teria contado o seguinte:
"Se não fosse o aparecimento
dum Anjo depois de eu o conceber, e quando estava quase a adormecer, que me
disse: não vês que estás grávida e no teu útero está o Profeta de todas as
Nações?” (Aminuddin, Mohamad, op. cit. p. 49)
[E depois nos vem o tal Karl
Eduardo fazer paralelos entre Cristo e Osiris ou Adonis sem ver que paralelo
é feito entre a Virgem Maria e Amina, a mãe de Maomé!... E qual o documento
que o tal Karl Eduardo poderia citar para comprovar que a mãe de Maomé disse
tudo isso? Nenhum. É pura lenda].
"A
História do corte no peito de Mohamad"
Aminuddin Mohamad conta que,
quando Maomé era pequeno, com cerca de quatro anos, um dia, apareceram dois
anjos que lhe abriram o peito e lhe arrancaram do coração o
"centro da maldade".
O próprio Maomé teria
contado o caso:
“Eram dois homens vestidos
de branco, que me deitaram no chão e a seguir cortaram-me ate aqui
(mostrando o
peito), e depois tiraram-me uma coisa que não sei o que é ". Quando
Halima [a ama de leite de Maomé]
verificou o peito de Maomé e viu que não tinha sinal de nenhum corte,
assustou-se (...).
Quando a notícia se
espalhou, os vizinhos aconselharam Halima a consultar um advinho ou um
astrólogo. Foram ter com um indivíduo judeu, o qual aumentou a preocupação
da ama de Mohamad e seu esposo, porque quando ele viu Mohamad começou logo a
gritar dizendo: 'esta é a criança que criará uma revolução na Arábia e
acabará com as religiões existentes. Portanto, ó homens, se desejais
salvaguardar a vossa religião, acabai com essa criança”
(Aminuddin Mohamad, op.
cit. , pp. 51-52).
[Maomé, que foi considerado
o Profeta, não sabia o que acontecera com o seu peito, no qual não havia
nenhum sinal, mas o judeu sabia quem era a criança...]
E Aminuddin Mohamad, que nem
viu Maomé, explica o que aconteceu:
"Existem narrações nos
livros de que, nessa altura, vieram dois anjos na forma humana e um deles
(Gabriel) abriu o coração de Mohamad, tirou dele o centro de maldade e
tornou a fechá-lo. Estas passagens não devemos tomá-las muito literalmente,
porque nessa altura Mohamad era de uns três anos de idade, muito pequeno
para testemunhar qualquer ato. Apesar dessa passagem estar confirmada pelo
próprio Mohamad, depois da proclamação da profecia, e se tomarmos a passagem
literalmente, não há nada de estranhar, porque hoje a operação é muito
vulgar na medicina em que o médico abre o corpo do doente, tira o que quer e
introduz o que quer, e torna a fechar o corpo sem o doente sentir qualquer
dor, tornando-se saudável, como se nunca estivesse doente" (Aminuddin
Mohamad, op,. cit., p. 52). .
[Portanto, o que nos informa
Aminuddin é que Maomé sofreu uma operação cirúrgica no coração, operação
feita por dois anjos, um dos quais o anjo Gabriel, para tirar do coração de
Maomé "o Centro da Maldade, que seria, pois, algo material". Ora,
essa crença, de que o mal seria uma coisa material, é claramente gnóstica,
pois faz do mal algo substancial].
Na página 54 de seu livro,
Aminuddin Mohamad nos informa que, naquele tempo, na Arábia, “a grande
quantidade de judeus que viviam nos arredores já falavam e esperavam pela
vinda do último Profeta” (...) Todos foram ver Mohamad: alguns respeitavam,
outros ficavam espantados ao verificarem os sinais do último Profeta nessa
criança, e diziam que o último Profeta deveria ser de sua família
(israelita). "Como é que nasceu em Coraix?” (Aminuddin Mohamad, op. cit., p.
54).
[De modo que, segundo o
livro do Centro de Divulgação do Islam, os judeus das Arábias esperavam um
último Profeta e o reconheceram em Maomé... Muito interessante. Muito
interessante, porque, para os judeus, que há séculos esperam a chegada do
Messias, este será o último Profeta. Haveria, no século sétimo, na Arábia
alguma seita de judeus messiânicos, como as houve tantas na História, e que
aguardavam uma próxima vinda do Messias?
Essa é uma simples hipótese
de trabalho histórico feita por nós, que a deduzimos desses textos que
estamos citando de Aminuddin Mohamad. Aliás, houve vários especialistas no
Islamismo que lançaram teses semelhantes, e não simples hipóteses como
estamos aventando. Referimo-nos, entre outros, aos livros The Jews of
Islam, de Bernard Lewis, Princeton University Press; Hagarism;
the Making of Islamic World, livro de Patricia Crone e Michael Cook,
Cambridge University Press, 1977, ou ao livro de Hanna Zakharias, De
Moïse à Mohamad: Islam Entreprise Juive, Cahors, que faz uma análise
exaustiva e profunda do Corão; e ao livro Le Coran, Traduction et
Commentaire Siystématique, do Frère Bruno Bonnet-Eymard, Ed La Contre
Réforme Catholique, Saint parreslès Vaudes, 1988].
Além disso, Aminuddin
Mohamad assevera que, numa viagem que Maomé fez à Síria, ele teria sido
reconhecido como Profeta por um monge cristão chamado Buhira (cfr. op. cit.,
p. 56).
"Com vinte anos de idade,
ele [Maomé] aderiu às caravanas de comércio dos capitalistas de Macca”
(Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 60).
"O Casamento do Profeta com
Khadija"
Sobre este caso,
limitar-nos-emos a citar Aminuddin Mohamad:
"O nome dela era Khadija Bin
Khwilid Bin Asad Bin Abdul Urga Bin Qusai; o seu título era Tahera (A Pura).
Kahdija, uma senhora honorável e respeitada, quinto grau da sua genealogia
(em Qusai), ligava-se à família do Profeta Mohamad. Era habitante de Macca,
tinha uns quarenta (40) anos de idade. Mãe de vários filhos, já se tinha
tornado viúva por duas vezes, era muito rica. Quando morreu o seu segundo
marido, várias pessoas de Macca queriam casar com ela, mas ela sempre
recusou. Quando a caravana dos comércios de Macca saía em viagens, só a
mercadoria de Khadija igualava-se a de todos os outros comerciantes"
(Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 61).
[Khadija era, então, uma
mulher relativamente velha, já tivera dois maridos, vários filhos, e era
muito rica.]
Quanto a Maomé...
"O Profeta Mohamad tinha 25
anos de idade, bonito de rosto, de estatura média, não alto conspicuamente,
nem baixo imperceptivelmente, tinha a cabeça ampla, cabelo grosso e muito
preto, testa ampla, sobrancelhas carregadas (pesadas), grandes olhos pretos,
ligeira vermelhidão nas suas bochechas e pestanas longas, que aumentavam a
sua atração; tinha um belo nariz, dentes bem colocados, barba grossa, longo
e bonito pescoço, ombros e peito largos (amplos), pele de cor clara, palmas
e pés carnudos, ele andava resolutamente compassos firmes; a aparência dele
era sempre de profundo pensamento e contemplação; nos seus olhares estava
oculta a autoridade do Comandante dos Homens. Por isso, não é de estranhar
que Khadija lhe tenha dado ao mor e submissão aos desejos dele, ao
entregar-lhe totalmente a administração do seu comércio depois do casamento,
como já havia feito antes do casamento, a fim de dar-lhe vagar para
prosseguir uma vida de contemplação" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 61).
[Seria "desrespeitoso" que
um historiador estranhasse que um rapaz árabe, aos 25 anos, ainda não
tivesse se casado, e que uma mulher de 40 anos, viúva duas vezes, com vários
filhos, muito rica, casasse com uma pessoa muito mais jovem e pobre do que
ela? E seria "desrespeitoso" imaginar que, administrando a maior fortuna de
Meca, Maomé ficasse, então, com mais tempo para... a contemplação?
Ou é mais desrespeitoso
afirmar que Jesus, como Redentor, é um mito que é preciso destruir?]
Prossegue a narração de
Aminuddin Mohamad:
“Tudo isso criou amor para
com Mohamad no coração e Khadija. Ela era de 40 anos, mas agora queria casar
com um jovem de 25 anos, cuja conduta e palavras cativaram o seu coração.
Ela falou do seu amor para com ele com a sua amiga Nafissa, mas a questão
era se ele (Mohamad) aceita-la-ia ou não? As mulheres, em todo o caso, são
grandes diplomatas. Por isso, Khadija enviou a Nafissa para conversar com
Mohamad para ter uma idéia. Quando Nafissa se encontrou com Mohamad, esta
foi a conversa entre eles:
Nafissa: O que te impede de
casares?
Mohamad: O que é que eu
possuo para poder casar? (Eu não tenho possibilidades materiais para casar).
Nafissa: Mas se isso não
tiver importância e fores convidado para casares com beleza, riqueza,
nobreza e satisfação, o que é tu dirás?
Mohamad: Quem é essa?
Nafissa: Khadija.
Mohamad : Como é possível
isso?
Nafissa: Isso é comigo.
Mohamad: Então, eu aceito.
Foi assim que se fixou, mais
ou menos, o casamento de Mohamad com Khadija. Mohamad tinha também amor para
com ela, mas, uma vez que ela recusou propostas de casamentos de pessoas
mais ricas, ele não queria ser o primeiro a enviar a proposta. Agora, que a
proposta veio da parte dela, ele aceitou-a com grande prazer”.
(Aminuddin
Mohamad, op. cit. pp. 62-63.
Nós não dissémos nada. Só copiamos o que
está no livro de propaganda Islâmica).
Prossigamos nossa cópia:
"Depois disso, Khadija
começou logo a preparar o casamento sem atraso nenhum, e marcou o dia em que
os tios de Mohamad pudessem vir ter com os familiares dela para fazerem o
pedido e outras formalidades. (...) Na Arábia, as mulheres tinham a
liberdade de tratarem o assunto de seu próprio casamento, por isso mesmo na
presença do tio, Khadija quase que tratou tudo sozinha, marcou-se a data, e
no dia fixado vieram da parte de Mohamad todos os líderes familiares,
incluindo Hamza e Abu Talib. (...) E assim, depois do casamento, Mohamad
passou para a casa de Khadija". (Aminuddin Mohamad. op. cit., p. 63).
[Constatemos: não foi
Khadija que passou a morar na casa de Mohamad, mas ele foi para a casa
dela].
"Começou, assim, um novo
capítulo na vida de Mohamad e Khadija. Mohamad teve todos os seus filhos com
Khadija exceto Ibrahim. Ela viveu mais 25 anos, teve sete filhos com
Mohamad, 3 rapazes, Kassim, Tahir, Tayib, que faleceram ainda pequenos,
antes de Mohamad receber a mensagem divina; e quatro meninas, Zainab,
Rucaya, Umm Kulçum e Fátima, que viveram e casaram-se. Três delas faleceram
durante a vida de Mohamad; só uma, Fátima, viveu mais e teve dois filhos,
Hassan e Hussein. Enquanto Khadija esteve viva Mohamad não se casou com
mais ninguém" (Aminuddin Mohamad, op. cit. ,p. 63).
[Khadija deve ter sido
inacreditavelmente fecunda para ter sete filhos depois dos quarenta anos,
tanto mais que, na Arábia, as mulheres envelhecem mais cedo].
"(...) e os dois [Mohamad e
Khadija] viveram felizes sem nunca terem uma única disputa ou problema
durante os vinte e cinco anos que estiveram juntos, apesar da grande
diferença de idade entre os dois" (Aminuddin Mohamad , op. cit., p. 64).
Mas...
"No mês em que faleceu
Khadija, o Profeta casou-se com Sawdah Bin Zam'a, viúva de um dos muçulmanos
que emigraram para Abissínia e regressaram. (...) Um mês depois (...) ele
prometeu casar-se com Aicha [a filha de Abu Bakr]. Aicha foi a única virgem
com quem o Profeta se casou (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 121).
Mais tarde, Maomé casou-se
com muitas outras mulheres, inclusive com uma sua parente, Zaynab, a esposa
de um seu filho adotivo, Zayd ibn Harith Ibn Char'habil, um escravo que
Khadija dera ao Profeta, e que ele adotou como filho. (Cfr Corão,
Surata XXXIII, Os Partidos, Surat Alahzab, v.37)
Maomé teve nove mulheres. O
próprio Corão o advertiu, por isso, ao dizer:
"Não te é lícito tomar, de
hoje em diante, mais mulheres legítimas, nem que as substituas por outras
esposas, ainda que sua formosura te deslumbre -- excetua-se o que possui a
tua destra -- Deus observa perfeitamente todas as coisas" (Corão,
Surata XXXIII- Alahzab, Os Partidos, versículo, 52).
Mas enquanto Khadija esteve
viva, Maomé, contrariando os costumes árabes, só teve uma esposa, e nunca
teve uma rusga com ela, como atesta o livro de Aminuddin Mohamad.
Depois de casado, Maomé
"retirava-se a fim de meditar, para uma caverna, no monte Hira, chamado
Jabalan- Nur, situado ao norte de Macca. Era um lugar sossegado, donde se
podia ver a Caaba" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 66)
O livro do Centro de
Divulgação do Islam para América Latina, que estamos citando, conta ainda
que Maomé teve a primeira visão aos 40 anos de idade:
"Quando Mohamad atingiu os
seus quarenta anos, Deus escolheu-o para orientar as criaturas do mundo
inteiro, para tirá-las da escuridão e levá-las para a luz. Foi em fevereiro
ou julho do ano 610, depois do nascimento de Cristo, segundo ao astrólogo
egípcio Mahmud Bacha, era 17 de Ramadan, 13 anos antes da Hijra” (Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 67)
“Num dos dias quando o
Profeta estava na contemplação profunda na caverna, apareceu-lhe o Anjo
(Gabriel) e disse-lhe”:
"Recita"
"Mohamad respondeu: "Eu não
sei recitar". Então, ele sentiu como se o Anjo o estivesse a estrangular
(apertando-o), e depois libertou-o. Então, ele ouviu outra vez a ordem:
"Recita!!". Mohamad disse: "Eu não sei recitar" Então, Mohamad foi outra
vez apertado e liberto, e o Anjo repetiu a ordem pela terceira vez, e
Mohamad perguntou o que é que devia recitar. O Anjo disse:
"Recita
em nome de Teu Senhor, que criou.
Criou o homem de um coágulo.
Recita e o Teu Senhor é o
mais generoso.
Que ensinou com a caneta.
Ensinou ao homem aquilo que
não sabia.
(Alcorão, cap. XCVI, 1-5. Aminuddin Mohamad, op. cit.,
p. 67).
Notemos que, de início, o
Anjo não disse o quê Maomé deveria recitar.
Foi apenas na terceira vez,
que o Anjo teria dito o que Maomé deveria recitar.
A pergunta natural que Maomé
deveria ter feito imediatamente ao anjo seria:
"Recitar o quê?”
Pois recita-se um texto,
dado oralmente, ou por escrito.
Até então, o Anjo nada
dissera a Maomé, mas, depois, ele vai dizer que o texto a recitar fora
escrito "a caneta"...
Se não havia na gruta um
texto escrito, o que Maomé deveria recitar?
Ou havia um texto escrito a
caneta?
Mas, como Maomé era
analfabeto, não adiantava ele ter um texto escrito, em suas mãos. Ele só
poderia recitar um texto caso houvesse, na gruta, alguém lendo um texto para
ele, e mandando que Maomé o repetisse.
Seria o próprio Anjo
estrangulador, quem ensinava Maomé?
Porque a resposta do Anjo
estrangulador deixa entender que já havia um texto a ser recitado, pois que
diz que Deus, o Senhor, ensinou com a caneta, e não com a palavra,
ensinando ao homem aquilo que ele ainda não sabia.
Que texto era esse,
escrito à caneta, pelo próprio Senhor?
Quem foi o homem que recebeu
esse texto escrito à caneta?
Certamente esse homem não
era Mohamad, que era analfabeto.
De nada adiantava,
repetimos, dar um texto escrito à caneta, para um analfabeto.
Mohamad tinha um livro na
caverna do monte Hira?
E de que lhe adiantaria um
livro escrito à caneta, se ele não sabia ler?
Deveria haver alguém para
ler o livro para Maomé.
Esse alguém -- o anjo
estrangulador? -- lia o livro para Maomé, obrigando-o a repetí-lo e
recitá-lo, para decorá-lo?
O método usado pelo "Anjo”
era duplo:
1) estrangular Mohamad;
2) obrigá-lo a decorar o
texto escrito à caneta, para que o decorasse.
Há de se convir que a
primeira parte do método usado -- o estrangular -- era um pouco violento.
Quanto à segunda parte do
método --a recitação -- para que o analfabeto decorasse o texto, esse
era o método utilizado pelos rabinos judeus em suas escolas, há muito
séculos:
"Enquanto a Lei Oral não
foi codificada e redigida, o método utilizado pelos escribas para
transmiti-la foi a memorização e a repetição. Repetir e ensinar são palavras
equivalentes na linguagem rabínica. Os discípulos dos mestres (Rabis) tinham
a obrigação de decorar a Torah Oral, assim como as soluções legais adotadas
pelos Antigos, sem nada alterar do que fora recebido. O discípulo, por isso,
era obrigado a expressar-se usando sempre as mesmas palavras de seu mestre.
Desse ensino mnemônico e repetitivo é que proveio a palavra Mishnah, que
significa repetição. Os mandamentos dessa Tradição Oral dos antigos eram
chamados os Mishnaioth" (Orlando Fedeli, Escribas, Doutores da Lei e
Fariseus, in Cadernos Montfort,
www.montfort.org.br/cadernos/escribas1.html).
Maomé, no monte Hira, foi
obrigado a recitar um texto escrito já existente, e esse texto escrito não
podia ser o Corão, que ainda não fora escrito.
Que texto escrito, que
livro, Maomé foi obrigado a decorar, repetindo o seu texto?
Quando Khadija soube o que
acontecera a Mohamad, disse-lhe (segundo o livro do Centro de Divulgação do
Islam):
"Ó esposo meu, não te
preocupes, esteja satisfeito e firme. Por aquele em cuja mão está a vida
de Khadija, eu tenho fortes esperanças que tu serás o Profeta deste
povo; eu juro por Deus, que Ele nunca te desprezará, (...)" (
Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 68. O negrito é nosso).
Por esse texto se vê
claramente que Kahdija não era uma politeísta e idólatra, e sim monoteísta,
ainda antes de Mohamad receber a "nomeação" de Profeta, pois ela jurava por
Deus, no singular. E ela dizia que tinha "fortes esperanças" que Maomé seria
o Profeta. Portanto, ele ainda não o era. Logo, Khadija já era monoteísta
antes mesmo de Maomé se tornar Profeta.
Qual era então o monoteísmo
de Khadija?
Não podia ser o islâmico,
pois que Maomé nem iniciara a sua pregação.
Seria ela monoteísta cristã,
ou monoteísta judaica?
Essas perguntas se colocam
por si mesmas.
Logo depois, de relatar esse
caso, o livro do Centro de Divulgação do Islam nota que:
"Mohamad estava à procura da
realidade oculta no Universo, e a Primeira revelação é o início do
seu livro de aprendizagem, e a realidade é o seu Senhor, assim como
lhe foi dito, a palavra "Rabb", árabe significa Nutridor, Criador,
Sustentador, Administrador, Dono e Senhor do Universo; a primeira lição
começa com o nome do Senhor e porque o homem é o objetivo principal de
estudo do homem" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 69. O negrito é
nosso).
Maomé buscava então "realidade
oculta no Universo"...
Que fórmula estranhamente
esotérica! E mais de acordo com o esoterismo ela fica com a explicação final
de que "o homem é o objetivo principal de estudo do homem", quando
seria de esperar que o objetivo principal do estudo do homem fosse Deus.
Explica o livro do Centro de
Divulgação do Islam para América Latina:
"Depois de Khadija
tranqüilizar Mohamad com as suas ricas palavras, quis também confirmar
através daqueles que tinham algum conhecimento a respeito dos Profetas"
(Aminuddin Mohamad, op.. cit., p. 70. O negrito é nosso).
"Aqueles que tinham algum
conhecimento a respeito dos Profetas"?
Quem eram esses
"especialistas" em Profetas, em Meca, no século VII?
E note-se que "aqueles
que tinham algum conhecimento a respeito dos Profetas" está no plural.
Havia, pois, vários
especialistas em profetas, em Meca, no século VII.
Quem seriam esses mestres?
Seriam padres ou rabinos?
O próprio Corão dá uma
informação sobre esses peritos "que tinham algum conhecimento a respeito
dos Profetas", ao dizer para Maomé na Surata X -- Surat Iunes:
"Porém, se estás em dúvida
sobre o que te temos revelado, consulta aqueles que leram o livro antes de
ti" (Corão,
X, 94. Edição Tangará do Alcorão Sagrado, versão do árabe por
Samir el Hayek São Paulo, 1979, p.152).
E na versão francesa do
Corão, feita por Juan Vernet, autor também da introdução e das notas ao
Corão dessa versão, se lê, nessa passagem, a seguinte nota de n0
94:
"Interroga a quem antes que
ti leram o livro":
A tradição fica perplexa diante desta afirmação que permite Maomé consultar,
em caso de dúvida, os rabinos" (Cfr El Corán, Editorial Planeta,
Barcelona 1983, p. 216, nota 94).
O mesmo livro de Divulgação
do Islam de Aminuddin Mohamad explica:
"Porque o que ela [Khadija]
acabou de dizer era opinião sua, uma vez que ela não sabia a realidade
daquilo que Mohamad viu e ouviu (...) Pensou em consultar "Waraca Bin
Nawfal", um familiar de Khadija, um homem que se tinha convertido ao
cristianismo e traduzia partes do Evangelho hebraico para o árabe;
era já muito velho e cego, mas sabia alguma coisa sobre a profecia,
porque lia constantemente o Torah e o Evangelho" (Aminuddin Mohamad,
op cit., p. 70. Os negritos são nossos).
Então Khadija tinha, em sua
casa, um "familiar", "cego", que "lia constantemente
o Torah e o Evangelho"!
Um cego que lia
é realmente um fato extraordinário, tanto mais que, naquele tempo, não se
conhecia a escrita em braile.
Como o cego lia???
E ele lia a Torah!
E ele se convertera ao
cristianismo!!!
Qual fora a sua religião
anterior?
Um convertido ao
cristianismo, que apesar de cego, também lia a Torah, coloca, evidentemente
a pergunta: seria ele, originalmente, judeu de religião?
Seria ele um dos que "leram
o Livro antes de Maomé"?
Seria ele um dos que Maomé
devia consultar, quando tivesse dúvidas sobre O Livro, e dos quais
fala a Surat Iunes?
E em que sentido era ele
"familiar" de Khadija?
Era parente dela?
Era familiar, no sentido que
vivia na casa dela?
Se era assim, por que ele
vivia lá?
Vivia noutra casa, e era
familiar de Khadija porque era seu conhecido ou amigo?
Kahdija o consultara antes
sobre religião?
O monoteísmo de Khadija era
fruto de suas possíveis conversas com Warraca bem Nawfal?
Ele procurara converter
Kahdija ao monoteísmo?
Conseguira isso?
E o surpreendente monoteísmo
de Khadija, que antes constatamos, fora resultante da pregação de Warraca?
Mas a que monoteísmo a
convertera, ou procurara convertê-la, ao monoteísmo cristão, que crê num
único Deus em Três Pessoas iguais e realmente distintas, numa única
substância, ou no Deus não trinitário dos judeus?
Mas, se ele era judeu, e se
era parente de Kahdija, cabe perguntar se a própria Khadija --que se
manifestou como monoteísta muito prontamente e muito cedo demais -- se ela
mesma não era de origem judia, e estrangeira em Meca. A monogamia de Maomé,
enquanto ela esteve viva, a riqueza de Kahdija, dona de caravanas, cujo
comércio ela mesma dirigia, e dirigia tão bem, coisa incomum entre mulheres
árabes, colocam uma pergunta: será que Khadija era judia?
E Warraca ben Nawfal, o
cego, que lia constantemente a Torah e os Evangelhos, e que também traduzia
só parte deles para o árabe, era ele judeu ou cristão?
Se era cristão por que
traduzia apenas "partes do Evangelho" para o árabe?
Por que não traduzia
inteiramente todos os Evangelhos?
Isso não é normal.
E por que, e para que,
traduzia ele só alguns textos do evangelho para o árabe?
Que visava Warraca,
converter os árabes idólatras ao cristianismo?
Ou convertê-los à Torah,
fazendo-os recitar o Livro dos judeus, o Antigo Testamento
como os rabinos costumavam fazer seus alunos recitarem, nas escolas
rabínicas?
E Maomé, que era tão
interessado em religião e em meditar no Monte Hira, como jamais conversara
ele com Warraca, um especialista em profetas, na Torah e nos Evangelhos, e
tão interessado em converter os idólatras árabes ao monoteísmo a ponto de,
sendo cego, traduzir para o árabe "partes do Evangelho"?
Por que Maomé jamais falara
com Warraca?
Ou já falara com ele?
Será que Warraca jamais
procurara conversar com Maomé, ele, que era tão interessado em converter
árabes idólatras ao monoteísmo?
Ou será que desde o começo
Maomé fora contatado por Warraca?
Que se nos perdoem perguntas
tão indiscretas -- e tão óbvias -- quanto pertinentes.
Enfim, Maomé foi levado por
Khadija a conversar com Warraca Ben Nawfal, para explicar-lhe sua primeira
revelação. E qual foi o julgamento de Warraca sobre a visão estrangulante de
Maomé?
"Em resposta Warraca
esclareceu logo a passagem toda:
"Esse é o mesmo Espírito
(Anjo) que Deus enviou a Moisés (com a Revelação) e tu és o Profeta desta
nação". Continuando afirmou: "Tu serás recusado, serás ofendido, serás
abusado, perseguido e expulso, quando lhes pedires para abandonarem as
falsas crenças tradicionais. Se eu vivesse até esse dia, em que o teu
povo te irá expulsar, de certeza que eu te ajudaria na causa de Deus,
mas eu já estou velho". (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 71. O negrito é
nosso).
Nesse livro do Centro de
Divulgação do Islam na América Latina, está confessado que Warraca não era
árabe, pois que ele diz a Maomé: "o teu povo", confessando
que, ele, Warraca, não era pertencente ao povo árabe.
Warraca era estrangeiro.
De que nacionalidade, de que
povo era Warraca Ben Nawfal?
Esse nome não é grego
bizantino, não é latino, e não é persa.
Se não é árabe, o nome
Ben Nawfal só pode ser judeu. Warraca ben Nawfal era de origem
judaica, e por isso, embora convertido, talvez, ao Cristianismo, lia a
Torah.
E repare-se que Warraca --
muito possivelmente um rabino -- disse que o espírito que falara a
Maomé era o mesmo que falara a Moisés, e
não o que falara em Cristo.
A inspiração de Maomé era de
fonte judaica.
Depois de quarenta dias, as
revelações teriam retornado para Maomé, não mais se interrompendo, até o fim
da vida, pelo menos é o que informa o livro maometano, que estamos citando.
Informa ainda esse livro
que, havendo perigo de ensinar o monoteísmo em terra de idolatras, Maomé
começou a ensinar o monoteísmo em segredo.
"Portanto, a primeira fase
da sua missão era apresentar essa fé em segredo (perigoso na altura) às
pessoas mais próximas e confiadas, aos que já tinha convivido com o Profeta.
Começou da sua casa. Khadija, a sua esposa, foi a primeira a converter-se,
depois foi Ali Bin Abu Talib, seu primo, que vivia com o Profeta desde a sua
infância, porque seu pai Abu Talib tinha muitos filhos e estava numa
situação muito crítica, economicamente". (Aminuddin Mohamad , op. cit., pp.
73-74).
Não deve ter sido difícil
"converter" Khadija ao monoteísmo, porque, como vimos, ela já jurava por um
Deus único, antes mesmo que Maomé explicasse a sua primeira visão a Warraca
ben Nawfal.
E, na página 74 do livro que
estamos estudando, se lê:
"E nessa altura -- com
receio de serem maltratados pelos árabes -- ainda o convite para o
Islamismo era feito em segredo (...)" (Aminuddin, Mohamad, op. cit., pp.
74-75. O negrito é nosso).
De novo Aminuddin nos dá uma
pista interessante: ele deveria ter escrito que Maomé tinha receio de ser
maltratado pelos idólatras politeístas, e não pelos árabes.
Vários árabes haviam aderido a Maomé. Não eram os árabes, enquanto árabes,
que podiam maltratá-lo, e sim os politeístas. O pequeno lapso de Aminuddin
pode dar a entender que a luta seria entre os árabes e outros, não-árabes, e
não entre monoteistas e politeístas. Tanto mais que ele vai informar, mais
adiante, que várias tribos árabes haviam adotado, ainda antes desse tempo, o
monoteísmo judaico (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 134-135-136).
Quem seriam, então, esses
não-árabes?
Seriam cristãos ou judeus?
Na Arábia, do tempo de
Maomé, havia muitos estrangeiros judeus e cristãos.
E esses dois grupos de
estrangeiros, ambos eram monoteístas.
Na página 83 do
livro de Divulgação do Islam para a América Latina se lê outra informação
preciosa:
"E há muitas coisas comuns
entre o Islamismo e o Cristianismo, especialmente nessa altura a Quibla dos
muçulmanos era Jerusalém, assim como era também a Quibla dos cristãos"
(Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 83).
A Quibla é um pequeno nicho,
nas mesquitas muçulmanas, que dá aos fiéis a direção para onde devem rezar.
Inicialmente, Maomé fez seus adeptos rezarem em direção a Jerusalém, o que é
bem sintomático. Mais tarde, Maomé fez mudar a Quibla em direção a Meca, e
hoje, os muçulmanos rezam apenas voltados para Meca.
Dizer que os cristãos
tiveram, alguma vez, uma Quibla é um absurdo. Os cristãos sempre fizeram os
altares voltados para o leste, na direção do sol nascente, e não para
Jerusalém. Porém, ainda que tivesse sido verdade que os cristãos rezassem em
direção a Jerusalém, isso teria sentido, porque Cristo morreu e ressuscitou
em Jerusalém. Mas os maometanos, que recusam que Cristo seja Deus, e que
detestam os judeus, é curioso que, como os judeus, eles inicialmente
rezassem voltados para Jerusalém, que Maomé, um simples coraishita
analfabeto de Meca, não conhecia.
Por que esse respeito por
Jerusalém, no islamismo primitivo?
Seria por conselho dos "que
tinham algum conhecimento a respeito dos Profetas", os mestres da Torah,
os quais haviam lido o Livro antes que Maomé? Isto é, foi por
orientação dos "especialistas em Profetas" que Maomé determinou que os seus
seguidores, como os judeus, rezassem voltados para Jerusalém?
Aminuddin Mohamad conta que,
quando os muçulmanos ainda eram em pequeno número em Meca, eles não podiam
recitar o Alcorão em público!!!
"Como vimos em Macca, os
muçulmanos eram perseguidos, massacrados e torturados, só porque criam num
só Deus, e queriam adorar uma só divindade com liberdade".
"Era cada vez mais difícil
para os crentes adorar um só Deus, nem podiam recitar o Alcorão em
público. Tinha que ser em segredo; mesmo assim, quando fosse descoberto,
era alvo de todo tipo de opressão" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 96).
Mas que texto interessante!
Então, os primeiros
muçulmanos já tinham um livro e o recitavam!!!
Que Livro recitavam os
primeiros muçulmanos, se o Corão será escrito apenas muitos anos mais
tarde?
Seria o Livro que
outros tinham lido antes de Maomé?
O próprio Aminuddin Mohamad
explica que o Corão foi compilado muito posteriormente a Maomé.
"No tempo do Profeta foram
utilizados vários materiais para escrever o Alcorão: Couro, madeira, pedras,
pergaminhos, etc. (...)”.
"Em seguida, na época do
Califado de Abu Bakr, foi escrito e compilado num só volume, que se
encontrava com Abu Bakr até a sua morte, passando para o Califa Omar e
depois para Hafsa, a filha de Omar e esposa do Profeta. Foi através dessa
cópia original que o terceiro Califa Osman preparou várias outras cópias e
as enviou para as principais cidades islâmicas" (Aminuddin Mohamad, op.
cit., pp. 437-438).
Logo, não havia um Corão
para recitar, no tempo dos primeiros muçulmanos.
Mas está escrito por Aminuddin Mohamad que os primeiros muçulmanos recitavam um Livro, e que eram
perseguidos por isso.
Se esse livro não era ainda
o Corão atual, que Livro era esse?
Seria o mesmo livro que o
Anjo estrangulador mandou que Maomé recitasse?
Seria a Torah de Warraca?
Seria o livro daqueles que
conheciam o livro antes de Maomé, isto é, Torah dos rabinos?
Ou -- só para perguntar
--seriam os Evangelhos?
Fazer perguntas é
relativamente fácil.
Difícil é respondê-las.
A perseguição aos muçulmanos
levou Maomé a aconselhar que alguns deles que fossem para a Abissínia.
Mesmo lá, eles foram
perseguidos pelos coraixitas idólatras, que mandaram uma comitiva ao Negus,
para caluniar os muçulmanos emigrados.
Jaafar ibn Abu Taleb, -
irmão de Ali ibn Abu Taleb -- defendeu os muçulmanos fazendo ao Rei da
Abíssinia um discurso que permite conhecer o nível de vida e de cultura das
tribos árabes, antes de Maomé:
"Ó Rei, nós éramos um povo
ignorante, adorávamos os ídolos, comíamos animais mortos (sem serem
degolados), cometíamos indecências, cortávamos as relações uterinas,
maltratávamos os nossos próprios vizinhos e aquele que era forte de entre
nós devorava o mais fraco. Nós estávamos nessa condição deplorável e
desumana, quando Deus nos enviou um Mensageiro, de entre nós, a quem nós
conhecemos. É nobre por ascendência, verdadeiro, honesto e casto" (Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 98. O negrito é nosso).
Além do surpreendente
adjetivo "casto" aplicado a Maomé, que tinha nove esposas, sem contar as
concubinas, deve-se notar que se afirma que os muçulmanos passaram a comer
animais mortos degolados, isto é, deixando escorrer todo o sangue, coisa que
antes não faziam.
Ora, esse costume e norma
legal de comer animais sem sangue, fazendo escorrer todo o seu sangue, é lei
da Torah. O que indica -- como a Quibla voltada para Jerusalém -- uma clara
influência judaica no islamismo primitivo.
O discurso de Jaafar foi
feito diante do rei da Abissínia que era cristão, assim como diante de
vários Bispos.
Resultado...
"Em pouco tempo, a
assembléia evidenciava o embate com o Cristianismo" (Aminuddin Mohamad, op.
cit., p. 99).
Portanto, desde o princípio
o Islamismo se opôs ao Cristianismo.
O texto, citado logo acima,
deixa claro que, desde o princípio, o maometismo foi anticristão, por não
aceitar a Trindade, por negar que Cristo seja o Filho de Deus, Segunda
Pessoa da Santíssima Trindade.
Portanto, esse é mais um
indício de que Warraca, de fato, não era cristão, e que o monoteísmo de
Khadija, assim como o de Maomé, deveria ser de cariz judaico.
Os Bispos da Abissínia não
conheciam o Vaticano II, não eram ecumênicos, e se opuseram, então, aos
maometanos...
Os Versos Satânicos de Maomé
no Corão
Não se sabe ao certo, porque
os muçulmanos, que foram à Abissínia, retornaram a Meca.
Diz Aminuddin Mohamad, no
livro que estamos seguindo:
"Chegou ao conhecimento dos emigrantes a notícia de que a sua gente em Macca
se converteu ao Islamismo, quando o profeta recitou Surat An-Najm, e elogiou
os deuses de Coraix, ao recitar juntamente com este versículo:
"Viste vós
Al-Lat e Al-Luzza, e Manât a terceira, a outra?
(Corão,
Surat LIII, 19-20) (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 106-107).
[Nota: essas eram três
deusas dos idólatras de Meca].
E continua Aminuddin
Mohamad:
"Dizem que o Profeta
acrescentou: esses ídolos são honrados e respeitados, e a intercessão deles
é aceita e esperada.
"Na alusão são ídolos.
"Outros dizem que Satan é
que recitou juntamente com o Profeta na voz do Profeta. Depois disso o
Profeta prostrou-se, e todos os descrentes também se prostraram, porque
ficaram satisfeitos ao ouvirem elogios aos seus deuses pala boca do Profeta.
"Mas se ponderarmos
profundamente nessas narrações e no texto e investigarmos bem, chegaremos à
conclusão de que isso tudo é puramente falso e inventado, e logicamente
impossível.
"1o -- A corrente da
narração dessa passagem é inaceitável, os narradores são desconhecidos e
falsos, por isso nenhum de entre os compiladores dos hadices (tradições do
Profeta) considerados autênticos, inclui isso na sua compilação (no seu
livro);
"2o -- O seu texto também é
inaceitável, porque nem os crentes nem os descrentes são ingênuos para
ouvirem louvor e elogios aos seus deuses durante a condenação e crítica os
mesmos deuses na mesma recitação e no mesmo Capítulo.
"E a seguir Deus diz:
"Tais divindades não são
mais do que nomes que vós e vossos pais inventastes, Deus não vos enviou
qualquer autoridade a tal respeito, nisso apenas seguem meras conjecturas e
o que seus desejos lhes inspiram" (Surat LIII, 23, Aminuddin Mohamad , op.
cit. p.106-107).
"Portanto, os versículos não
se conjugam. Porque se isso tivesse acontecido, eles o tomariam como prova
contra o profeta, porque é uma contradição" (Aminuddin Mohamad , op. cit.,
p.106-107).
Entretanto, essa questão
está no Corão.
Na Surata LIII, está
escrito:
"Que
opinais sobre Al-Lat e Al- Uzza
"E a outra, a terceira,
Manauata?
"Porventura, pertence-vos o
sexo masculino e a Ele o feminino?
"Tal, então, seria uma
partilha injusta.
“Tais divindades não são
mais do que nomes com o que os denominastes, vós e os vossos antepassados,
acerca do que Deus não vos conferiu autoridade alguma. Não seguem senão suas
próprias conjecturas e as luxúrias de suas almas, não obstante ter-lhes
chegado o guia de seu Senhor”
(Corão, Surata LIII,
Surat Annajm, 19-23).
Foram esses versos do Corão,
denominados versos satânicos, porque Maomé, nessa ocasião, teria sido
inspirado por Satan, que causaram a famosa questão da condenação à morte do
poeta Salman Rushdi, por decreto do Aitollah Khomeini...
Não entramos nessa polêmica.
Aminuddin Mohamad conta
ainda que, certa vez, Maomé e seus seguidores sofreram um longo cerco em
Meca, e que,
"Foi nesses dias que o
Profeta teve a honra de Ascensão ao céu e foi nessa ascensão que se tornaram
obrigatórias as cinco orações diárias" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p.
112).
Tal ascenção é chamada pelos
árabes de "Al-Ishra Wal-Miraj" e teria se dado no ano 621, conforme se conta
na Surata XVII, 1:
"1. Glorificado seja
Aquele que, durante a noite, transportou Seu servo, tirando-o da sagrada
mesquita (em Meca) e levando-o à mesquita de Alalcsa (em Jerusalém), cujo
recinto bendizemos, para mostrar-lhe alguns dos milagres. Sabei que Ele é o
Onipotente" (Corão, Surat Alishrá, Da Viagem Noturna,
Surata XVII, 1).
Em primeiro lugar, há que
notar que, nesse versículo, não se fala de ascensão ao céu, e sim de uma
"viagem" a Jerusalém.
Em segundo lugar, nesse
tempo, não havia ainda a mesquita Al Acsa, que foi construída, mais tarde,
por Omar.
Ou será que estamos
enganados?
Em terceiro lugar, não
resistimos ao desejo de citar o versículo seguinte da Surata Al Ishrá:
"2. E concedemos o Livro
a Moisés, Livro esse que transformamos em guia para os israelitas,
dizendo-lhes: 'Não adoteis além de Mim outro guardião" (Corão,
XVII, 2).
Portanto,
O Livro foi dado a Moisés.
O Livro, segundo o próprio
Corão, foi dado a Moisés e não a Maomé
Essa verdade será repetida
muitas vezes pelo Corão árabe.
***
III - "Gênios" Judeus aprovam o
Corão
Quando Maomé regressou de
Taif a Meca, passou por Nakhla, e lá recebeu -- advinhem! -- uma "Delegação
de Gênios". E de gênios judeus, pois eram gênios seguidores de Moisés:
"Mohamad estava já de
regresso -- [de Taif] -- a Meca, ficou algum tempo em Nakhla, onde
chegou uma Delegação de Gênios para ouvirem o Alcorão. Eram seguidores de
Mussa (Moisés) e foi a respeito deles que foram revelados os seguintes
versículos na Surata Al-Ahkaf (Cap. 46, vers. 29-32 Aminuddin Mohamad, op.
cit. pp118-119).
Que se deve entender aí,
nesse texto, por "Gênios"?
Seriam espíritos?
Seriam seres semelhantes ao
gênio da lâmpada de Aladino?
Não parece, pois que se diz
que eram "gênios" seguidores de Moisés.
É mais adequado entender,
aí, por "Gênios" seguidores de Moisés, pessoas humanas, muito competentes, e
que seguiam a doutrina de Moisés, isto é, que eram rabinos judeus, que foram
ouvir Maomé e a sua revelação. Tanto mais que, depois de ouvir Maomé,
voltaram a seu povo -- os judeus-- para contar-lhes o que tinham ouvido.
E depois de ouvir recitar o
Corão, que concluíram, e que contaram a seu povo, esses "Gênios" judeus?
Concluíram que deveriam
conclamar o povo judeu a seguir Maomé:
"29.
Recorda-te de quando enviamos um grupo de gênios para escutar
o Alcorão. E quando assistiam à recitação disseram: Escutai em silêncio! E
quando terminaste a recitação, volveram a seu povo para admoestá-lo.
"30. Disseram: Ó povo nosso,
em verdade temos escutado a leitura de um Livro que tem sido revelado depois
do de Moisés, corroborante dos anteriores, conduzindo o homem à verdade e ao
bom caminho.
"31. Ó povo nosso, obedecei
ao predicador de Deus, e crede n'Ele, pois que vos absolverá as faltas e vos
livrará de um severo castigo.
"32. Quanto àqueles que não
atenderem ao predicador de Deus, saibam que na terra não poderão escapar de
Seu castigo, nem encontrarão protetores em vez d'Ele. Estes estão em um
verdadeiro erro"
(Corão, Surat Alahcaaf -- As Dunas, Surata
XLVI, 29-32).
O resultado do exame de
Maomé pelos "gênios" de Israel -- os Mestres de Israel, os Rabinos -- foi a
sua aprovação, com a declaração que o Corão confirmava a Torah.
E os rabinos ordenaram aos
judeus da Arábia que aceitassem Maomé como o Messias prometido por Deus, e
que o obedecessem.
Isso tudo, segundo Aminnudin
Mohamad, está no Corão, o que é muitíssimo interessante.
Aminuddin Mohamad adverte
que a Surata XVII que fala do Miraj já preparava os coraixitas para a futura
ida de Maomé para a cidade de Yaçrib, a atual Medina:
"Miraj era como que um aviso
aos coraixitas de que o tempo das perseguições estava prestes a terminar e
que estava já a chegar a altura do Profeta emigrar, e para o local ele vai
(Sic), irá lidar com os israelitas. Por isso o capítulo "Al-Isra"
(revelado em Macca) já falava dos israelitas, enquanto que em Macca não
existiam israelitas, apenas em Medina, havia algumas tribos" (Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 132. O negrito é nosso).
Em 622, se deu a Hégira, ou
migração -- o Êxodo -- de Maomé e seus seguidores de Meca para Yatreb, que,
por isso passou a ser chamada de Medina, ou cidade do Profeta.
Nessa cidade e região, vivia
a tribo dos Ansar.
Mas, deixemos falar o
insuspeito Aminuddin Mohamad:
"Quando os Auss e Khazrij
[grupos árabes da tribo Ansar] chegaram a Yaçrib, esta zona tinha muita
influência dos Judeus, visto a maior parte da população ser
analfabeta".(...)
"Apesar de serem idólatras,
os Ansar como tinham convivido com judeus em Madina (Yaçrib) tinham uma
certa idéia da Profecia e dos livros sagrados. E apesar de serem
rivais dos judeus no poder político, reconheciam a sua virtude religiosa. Os
judeus tinham estabelecido escolas de teologia em Yaçrib, que se
chamavam Baltul-Madaris, nelas ensinavam o Torah.
"Os Ansar eram analfabetos,
por isso ficavam impressionados com a superioridade teológica dos judeus. Os
Ansar, cujos filhos não sobreviviam, por qualquer motivo, faziam votos de
que, "se o filho sobrevivesse convertê-lo-iam ao judaísmo". Tal como
os judeus em geral, os Ansar também, acreditavam que estava para surgir um
último Profeta" (Aminuddin Mohamad, op. cit. , p. 133. Os negritos são
nossos)
Então, não é inacreditável?
Os judeus tinham
estabelecido até escolas de teologia em Yaçrib! E os Ansar, mesmo sendo
analfabetos, tinham um certo conhecimento dos Livros sagrados, e o livro
sagrado nomeado explicitamente é a Torah, isto é, o Pentatêuco.
Evidentemente, a redação
portuguesa de Aminuddin Mohamad é bastante falha: o autor quis dizer que os
judeus de Yatreb tinham estabelecido, nessa cidade, escolas de teologia, e
que até os analfabetos Ansar se interessavam pelos livros sagrados, -- a
Torah e o Talmud, talvez -- isto é, pela religião judaica, e que até
prometiam que os filhos adoentados, se sobrevivessem, permitiriam que eles
se convertessem ao judaísmo.
Mais: diz-se que os judeus
de Yatreb esperavam um último Profeta.
Evidentemente, esses judeus
de Madina estavam esperando, para breve, a chegada do Messias.
Portanto, era muito grande o
poder e a influência dos judeus em Yatreb, cidade na qual Maomé buscou
refúgio.
Muito interessante.
Por que motivo havia tantos
judeus em Yaçrib?
Aminuddin dá várias razões
políticas para esse fato, e termina dizendo:
"Além dos motivos políticos,
na vinda dos judeus a Yaçrib, havia também os motivos religiosos; é que
os teólogos judeus através do Torah, souberam que o último Profeta
surgiria em Yaçrib. Por isso os judeus radicaram-se lá, para terem a
honra de o acompanhar, ou então, os seus descendentes".
"Quando surgiu Mohamad como
o último Profeta, Banú Quraiza diziam que os seus teólogos se tinham
radicado em Yaçrib devido a essas previsões.
"Os Israelitas tinham
progredido bastante e já tinham expandido a sua influência por zonas à volta
de Yaçrib. Tinham o seu governo, a riqueza estava em seu poder, a sua
população aumentou por todo o lado e os seus centros mais conhecidos eram
'Khebar", "Wadi Qura" e "Timar". (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 134 . Os
negritos -- estupefatos!!! -- são nossos).
Então, os judeus de Madina
estavam esperando o Messias -- o último Profeta -- e o identificaram com
Maomé?
Então, em Madina, para onde
Maomé fugiu, os judeus tinham escolas de teologia,
onde ensinavam a Torah, e por meio dela haviam calculado que ia chegar o
Messias? E ia chegarem Madina!
Que cálculos cabalísticos
eram esses?
Então os judeus tinham o
poder, a riqueza e o governo em Yatreb, e nos seus arredores, tendo
praticamente dominado a tribo Ansar, e foi justamente para lá que fugiu
Maomé?
E, então, por que nos livros
de Historia, no Ocidente, não se conta nada disso que o interessantíssimo
historiador árabe Aminuddin Mohamad nos conta com tanta desenvoltura?
Se o que conta Aminuddin
Mohamad, seguindo as tradições árabes, é verdade, por que os historiadores
ocidentais silenciam sobre essas verdades?
***
IV - "O Caso dos Judeus" e "A
reputação do esperado Profeta em Yaçrib"
(Aminuddin Mohamad, op.
cit., pp. 134-135).
"Os judeus em Yaçrib estavam
à espera do Profeta em seu favor, que os viesse ajudar. A ruína de Auss e
Khazirij devido às prolongadas guerras, fez orgulhá-los que em breve eles
capturariam Yaçrib e o resto da Arábia e destruiriam os idólatras assim como
tinham sido destruídos os "Ád" e os "Iram". Eles diziam para os Auss e
Khazirij que o Profeta os viria conquistar." (...) "os judeus esperavam o
último Profeta, a respeito do qual o Torah já tinha falado e até divulgaram
as suas qualidades e sinais, mas esperavam que esse último Profeta seria
dentre eles (isto é, judeu), porque até aquele momento todos os Profetas
tinham sido judeus. E, como já tinham perdido o prestígio, esperavam o
surgimento do último Profeta para se juntarem a ele e combaterem contra os
idólatras, que eram os Auss e os Khazirij, seus rivais. Contudo, quando
chegou o último Profeta, há tanto por eles aguardado, rejeitaram-no por
vários motivos; um por ser da descendência de Ismail e não de Isaac. Outro
motivo -- segundo o livro sagrado dos judeus chamado "Talmud" -- porque
Mohamad confirmou a profecia de Jesus, e como os judeus consideram Jesus um
"impostor", um filho ilegítimo, dizem que quem confirma o impostor, também
é impostor, eles utilizam as mais sujas e insultuosas palavras para designar
Jesus e sua mãe, no seu livro sagrado chamado "Talmud", apesar de Jesus
também ser judeu" (Aminuddin Mohamad , op cit., pp. 135-136)
Consideramos esse texto de
Aminuddin Mohamad capital para compreender o caso Maomé.
O que está dito, aí, é que
os judeus estavam à espera do último Profeta, isto é, à espera
do Messias.
Há séculos os judeus
esperavam -- como ainda esperam -- o Messias.
Várias vezes, na sua mais
que milenar História, os judeus se equivocaram ao identificarem o Messias
com um determinado personagem histórico. Foi assim com Bar Kochba, no século
II, quando o equívoco levou à destruição definitiva da antiga Jerusalém pelo
Imperador Adriano. Foi assim, em 1648, quando eles pensaram que Sabbatai
Sevi era o Messias esperado (Cfr. Gershom Scholem, Sabbatai Sevi, the
Mystical Messiah, Princeton University Press, 1975).
O texto de Aminuddin
esclarece que havia em Yaçrib, no século VII, um grupo de judeus -- talvez
uma seita judaica -- que, elocubrando sobre o Talmud e sobre a Torah,
esperava o Messias para logo, e que, a princípio, os "gênios" de Israel --
os rabinos -- o identificaram com Maomé. Teriam sido esses judeus que,
inicialmente, induzidos pelos "gênios de Israel" -- por alguns rabinos --
lançaram Maomé como o "último Profeta", isto é, como o Messias de Israel,
apesar de ser ele árabe, e não membro do povo judeu.
Que os judeus da Arábia, no
tempo de Maomé, estavam esperando a iminente chegada do Messias é confirmado
pelo que diz Bernard Lewis:
"Para alguns judeus da época
o advento do Profeta na Arábia e a emergência de uma nova potência mundial,
capaz de destronar a hegemonia tanto de Roma como da Pérsia, e de arrebatar
Jerusalém e a terra santa do pesado jugo de Bizâncio pereciam pressagiar a
iminente realização das profecias judaicas e a vinda da era messiânica.
Fragmentos de escritos judaicos da época, apocalípticos ou de outra
natureza, dão alguma indicação do fervor e da expectativa suscitados pelas
primeiras vitórias árabes. Um piyyut (poema litúrgico), composto
provavelmente após as primeiras vitórias árabes na Palestina, mas antes da
captura tanto de Jerusalém quanto de Cesaréia, a capital provincial de Roma,
pode servir de exemplo:
"Edomitas e ismaelitas
lutarão no vale de Acre
"Até que os cavalos submerjam em sangue e pânico
"Gaza e suas filhas serão apedrejadas
"E Ascalon e Ashdod serão
paralisadas pelo terror"
(Bernard Lewis,
Judeus no Islã, Xenon ed., 1990, p. 90. Edição original, The Jews
of Islam, Princeton University Press, 1916).
Prossegue Aminuddin Mohamad
contando que...
"Os judeus em Madina
receberam bem a Mohamad e fizeram com ele uma aliança a fim de tirarem
proveito da sua influência e poder;
porém, o plano de Deus
trabalhava de outra maneira.
"Um
dos sábios e sacerdote dos judeus, chamado Abdallah Bin Salam abraçou o
Islam juntamente com toda a sua família, isto porque ele sabia, e lia as
escrituras sagradas, onde consta a vinda de Mohamad e seus sinais. Após a
sua vinda, ele reconheceu logo que aquele é que era o último Profeta que
Deus tinha prometido enviar, e essas promessas foram feitas através de
Moisés (no Antigo Testamento) e Jesus (Novo Testamento).
"Os judeus que tinham muita
consideração e respeito por Abdallah Bin Salam, ainda não sabiam que este
tinha entrado no Islam. Marcou-se uma audiência com o Profeta Mohamad para
receber os judeus. Abdallah Bin Salam manteve-se escondido. O Profeta
recebeu-os na hora marcada e perguntou-lhes: 'Qual é a posição de Abdallah
Bin Salam entre vós?". Os judeus responderam: "Ele é um homem nobre e filho
de nobre; é um sacerdote e sábio". Logo Abdallah Bin Salam saiu de trás da
cortina onde estava escondido e disse-lhes o que tinha feito e convidou-os
também ao Islam. Isso não agradou nada aos judeus e logo começaram a fazer
planos secretos contra Mohamad e incomodavam-se com as suas disputas
verbais, assim como tinham feito os seus antepassados com Jesus, (seis
séculos antes) depois de o reconhecerem como autêntico Profeta. A história
repetia-se de novo. E Deus para avisar os judeus e informar os muçulmanos
revelou o segundo capítulo do Alcorão nos versículos 42 até 46, em que Deus
lembra aos judeus os favores que lhes fez e diz-lhes para que cumpram a
promessa que fizeram a Deus através de Moisés, e que por Sua parte Ele
também cumprirá a promessa que Ele fez. Deus ordena-lhes depois que creiam
no Alcorão, que veio confirmar os livros sagrados que possuíam, e para
depois de conhecerem a verdade não serem os primeiros a rejeitá-la.
"Deus sabia o que estava na
mente deles, por isso informou a Mohamad e aos muçulmanos o que eles estavam
a planejar. Os judeus estavam determinados a desempenhar o papel duplo.
Eles, por um lado, declaravam serem amigos de Mohamad e ao mesmo tempo
estavam ligados aos descrentes, inimigos de Mohamad. O objetivo deles era
exilar Mohamad de Madina assim como foi de Macca. Eles diziam ao profeta
que se radicasse em Jerusalém e fixasse Madina como uma estação entre
Macca e Jerusalém. Diziam que Jerusalém era a casa de todos os
Profetas, portanto era mais ideal para Mohamad ficar em Jerusalém do que em
Macca ou Madina. Mas, em breve chegou a ordem de Deus, para
mudar a Quibla, de Jerusalém para Macca, o que ainda enfureceu mais os
judeus" (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 181-182. Os negritos e o
sublinhado são nossos).
Esta longa citação foi
necessária, porque ela lança alguma luz na aliança, e posterior separação,
entre judeus e muçulmanos, porque inicialmente, pelo menos, os judeus deram
apoio a Maomé, e, depois, pelo menos alguns grupos deles, retiraram o apoio
a ele como último profeta dos judeus, isto é, como seu Messias.
O fato de Maomé ser árabe
teria levado alguns judeus a não aceitá-lo como Messias. Eles insistiram
para que Maomé se judaizasse completamente, fazendo de Jerusalém a sua
capital, pois Jerusalém era a capital de todos os Profetas, e, por isso, era
mais digno que Maomé se radicasse lá do que em Medina ou Meca.
Exigiam ainda que a Quibla
fosse Jerusalém, e não outra. Fizerem deste ponto uma condição sine qua non:
"Os judeus vieram ter com o
Profeta e propuseram-lhe que todos eles converter-se-iam ao Islamismo se ele
voltasse de novo a orar à Quibla de Jerusalém"
(Aminuddin Mohamad, op.
cit., p.187).
Mas quando Maomé mudou a Quibla de Jerusalém para Meca, muitos deles, então, o repeliram como falso
profeta.
O ponto definitivo de
ruptura foi afinal o posicionamento pessoal de Maomé sobre a Quibla.
Evidentemente, um outro
ponto fundamental que contribuíra, antes, para a discrepância entre os
judeus e Maomé fora a posição de Maomé face a Cristo, aceitando-O como
Profeta, mas não como Deus encarnado.
Quando Maomé afirmou que
Jesus Cristo era um Profeta, os judeus começaram a deixar de reconhecê-lo
como o Messias esperado. Não lhes bastava que Maomé rejeitasse Jesus como o
Filho de Deus feito homem. Recusavam até mesmo aceitar Jesus como simples
Profeta. Essas razões teriam levado os judeus da Arábia a recusarem, afinal,
Maomé, como o esperado Messias de Israel.
Tudo isso está no livro de
Aminuddin Mohamad.
Tudo isso explica as
inúmeras coincidências de práticas maometanas com práticas judaicas, assim
como -- veremos mais tarde -- os numerosíssimos textos do Corão de origem
judaica, versos copiados do Antigo testamento e dos Midrashes rabínicos.
Por causa desse repúdio
final de Maomé como Messias de Israel, por parte dos rabinos, é que o livro
de Aminuddin Mohamad acaba por adotar um posicionamento racista,
violentamente antijudaico, ao escrever:
"A natureza criminosa dos
judeus é muito antiga. Sempre desmentiram os Profetas, massacraram-nos
sempre que traziam leis que não agradavam os seus caprichos" (Aminuddin
Mohamad, op. cit. p. 136. O sublinhado é nosso).
E, para fundamentar essa
afirmação racista, de que os judeus teriam uma natureza criminosa, o
autor que estudamos, cita as palavras de Jesus contra os escribas fariseus.
Ora, Jesus amaldiçoou os
escribas e fariseus por seus vícios e doutrina, e nunca o povo judeu
enquanto tal, por sua natureza, tanto mais que o próprio Jesus, Maria
Santíssima e os Apóstolos eram todos judeus.
Os Evangelhos são
antifarisaicos, e não antijudaicos.
E é racismo afirmar que "a
natureza criminosa dos judeus é muito antiga"
Não há natureza criminosa
nem dos judeus, nem de povo algum. Em todos os povos e raças, há gente boa e
má. O texto de Aminuddin Mohamad incita ao ódio racial.
Continua o livro que
focalizamos:
"Os idólatras apesar de não
professarem a mesma crença dos judeus, por serem ignorantes, ficavam
impressionados com menções constantes dos judeus desse esperado Profeta,
e foram essa menções que abriram caminho dos "ansar" para a conversão ao
Islamismo" (Aminuddin, Mohamad, op. cit. p. 136. O negrito e o
sublinhado são nossos).
Notem os leitores que esse
livro do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina confessa que,
pelo menos algumas tribos árabes, só se converteram ao Islamismo por
influência dos judeus da Arábia.
Por que os livros de
História ocidentais não citam esses dados confessados pelos livros
islâmicos?
Por que seria um tabu
estudar historicamente as origens do Islam, que é o que fazemos neste
pequeno trabalho histórico?
Quando, então, Maomé iniciou
os contatos com as tribos árabes de Yaçrib, elas já estavam preparadas para
ouvi-lo, e para aceitarem a sua pregação. Por isso diz Aminuddin Mohamad:
"O Profeta, por sua vez,
convidou-os -- [aos Ansar e aos Khazirij] -- ao Islam, e recitou-lhes
versículos do Alcorão. Ao ouvirem, olharam-se uns aos outros, e disseram:
"O Profeta a respeito do
qual ouvíamos os judeus de Yaçrib a falarem parece ser este! Sem dúvida, o
que ele recitou é uma verdade. Portanto, não deixem os judeus entrarem no
Islam antes de nós; assim perderemos a honra de sermos os primeiros". Os
judeus diziam-lhes: "Um Profeta será enviado dentro em breve; o seu dia
aproxima-se; nós o seguiremos e matar-vos-emos com a sua ajuda, da
mesma forma que morreram Ad e Iram". Diziam isto quando haviam disputas
entre eles. Mas quando chegou o tão esperado Profeta, rejeitaram-no só
porque não era judeu, assim como relata o Alcorão:
"E quando lhes chegou o
livro enviado por Deus, confirmando o que eles possuíam, enquanto,
anteriormente pediam a vitória sobre os descrentes e quando chegou aquilo
que já conheciam (como verdade) rejeitaram-no. Que a maldição caia sobre os
descrentes" (Corão, Surata II, 90, Surat Albácara -- Da
Vaca, Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 138. Os negritos são nossos).
Portanto, os judeus
prometeram, inicialmente, seguir Maomé, pois acreditaram, pelo menos a
princípio, que ele era o Messias esperado por Israel.
Mais tarde, outros Mestres
de Israel fizeram a seita messiânica judaica, que tomou Maomé como o
esperado Messias, rejeitá-lo, porque ele era descendente de Ismael, e não
israelita, apesar de o Livro de Maomé -- o Corão -- confirmar o que estava
na Torah, isto é, na Bíblia.
E muito sinceramente conta
Aminuddin Mohamad:
"Os Ansar entraram de
imediato no Islam. Isto no ano dez da Profecia.
Assim foi o início do Islamismo dos árabes de Yaçrib.
"Ora, Deus tinha preparado o
caminho para o Islam, fazendo-os viver ao lado dos judeus, povo instruído e
versado nas escrituras,
se bem que eles, os ansar, fossem politeístas e idólatras" (Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 138. O negrito é nosso).
Portanto, segundo o livro
"Mohamad, o mensageiro de Deus" de Aminuddin Mohamad, editado pelo
Centro de Divulgação do Islam para a América Latina,
foram os judeus que prepararam os árabes para adotarem o
Islamismo, religião que confirmava o que havia na Torah..
E esse é um reconhecimento sensacional, pois
deixa claro o mito de Maomé como Profeta.
A ligação dos judeus com
Maomé era tão grande, nesse tempo, que alguns árabes seguidores de Maomé
temiam que ele os abandonasse e se unisse aos judeus. É, pelo menos, o que
conta Aminuddin Mohamad ao dizer que Abdul Hathin Bin Taiham disse a Maomé:
"Ó Profeta de Deus, entre
nós e os judeus há pactos que serão denunciados. Portanto, será que depois
de nós fazermos isso, e Deus dar-te êxito na tua missão, tu te irás embora
para a sua gente e abandonar-nos-ás?" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 144).
Afinal, em 13 de Setembro de
622, ou seja, no dia 21 de Rabyiul-Awwal os mequenses cercaram a casa de
Maomé, que então conseguiu fugir para Yaçrib que passou a ser chamada
Madinatul- Nabi, a Cidade do Profeta. (Cfr. Aminuddin Mohamad , op. cit. p.
158).
Essa ida de Maomé para
Yaçrib -- a Hégira -- dá início ao calendário islâmico.
"Árabes e judeus --
[de Yaçrib] -- participaram da cerimônia de boas vindas ao Profeta, o
verdadeiro Profeta, o Profeta prometido, que havia de salvar as nações e
dirigi-las à vitória. Esse grande homem chegou" (Aminuddin Mohamad , op.
cit., p. 159. O negrito é nosso).
"Os judeus de Madina e o
Tratado de paz com eles"
"Os judeus de Madina que por
raça eram judeus (não convertidos) vieram de outras zonas e radicaram-se em
Madina. Alguns historiadores acham que eles não eram de raça judaica, mas,
que se tinham convertido ao judaísmo, isso porque notam uma diferença na
natureza dos judeus genuínos e estes que viviam na Arábia. Eles dizem que os
judeus, apesar de estarem espalhados em quase todo o mundo, nunca mudam os
seus nomes, usam somente nomes judaicos. Porém, a particularidade dos judeus
da Arábia, era que eles utilizavam nomes árabes puros. Por exemplo: Háris,
Nadhir, Cainucaá, etc. Segundo, os judeus por natureza são covardes e
tímidos. Por isso, quando Moisés lhes disse para combaterem contra o
inimigo, eles responderam:
"Vai
tu e teu senhor a combater: nós aqui aguardaremos" (cap. 5, vers. 24)
"Mas ao contrário disso, os
judeus de Madina eram valentes" (Aminuddin Mohamad, op. cit.,, p. 168).
Evidentemente, esses dois
argumentos antijudaicos são falsos.
Os judeus, freqüentemente
adotam nomes de outros povos. É o que se comprova em todo o Ocidente,
especialmente na península ibérica, onde os judeus assumiam costumeiramente
nomes cristãos.
Quanto à acusação de
covardia ao povo judeu enquanto povo, isso é um absurdo, que a História,
mesmo recente, comprova ser falso.
Prossegue Aminuddin Mohamad:
"Havia três tribos judaicas
em Madina, Banu Cainocaá, Banu Nadhir e Quraiza, que se tinham radicado nos
arredores de Madina, e tinham construído fortes torres e fortalezas.
(Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 169).
O livro que focalizamos
conta ainda que
"Os judeus, para manterem o
seu monopólio em Madina, não queriam que estas duas tribos - [Ansar e
Khazrij] - se unissem de novo.
"E ainda sobre o surgimento
de Mohamad, os mesmos judeus, nas disputas com os habitantes de Madina,
diziam-lhes que estavam à espera do último Profeta [o Messias de Israel] e
que, quando chegasse, juntar-se-iam a ele, e tornar-se-iam vitoriosos sobre
eles.
"Todavia quando chegou o
Profeta, a quem eles reconheceram pelos sinais de ser o Profeta prometido,
rejeitaram-no, só porque era de descendência de Ismail e não era judeu. Os
judeus começaram a nutrir ódio e inimizade contra os muçulmanos desde o dia
em que o Profeta chegou a Madina, assim como maquinaram conspirações contra
Mohamad e os muçulmanos, coisas que até hoje continuam a fazer. Mas alguns
deles reconheceram a verdade entrando no Islam, como foi o caso de Abdullah
Bin Salam e outros." (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 169).
Desse texto, e de todo o
livro de Aminuddin Mohamad, se infere que, pelo menos um grupo ou seita de
judeus na Arábia preparou, lançou e reconheceu Maomé como o seu esperado
Messias, mas que, a seguir, outros judeus acabaram por fazer repudiar Maomé
como Messias judeu, porque ele era árabe e não israelita. Esse texto, então,
pode explicar tantos textos do Corão favoráveis a Israel, assim como os
textos anti trinitários e anticristãos do Corão. Fica também claro porque
houve, posteriormente uma cisão entre os árabes e judeus, com relação a
Maomé.
Prossegue o livro do Centro
de Divulgação do Islam:
"O Islam é uma religião de
paz, procura promover a paz por todo o mundo, entre todos os povos, e
Mohamad foi obreiro da paz. A palavra Islam em árabe é sinônimo de paz"
(Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 169).
Copiamos esse texto acima,
tal como está no livro de Aminuddin Mohamad, embora ele contradiga o desejo
do autor do artigo que afirmou que deseja destruir o mito do redentor
crucificado, o que é um estranho modo de promover a paz.
Diz ainda esse
extraordinário livro que focalizamos:
"Mohamad, com os
braços abertos, aproximou-se dos judeus, uma vez que ele veio confirmar a
religião que Moisés trouxe, e não veio desmenti-la. Na altura, os
muçulmanos ainda se viravam para Jerusalém nas orações diárias, assim como
faziam os judeus. Portanto, os judeus também estavam favoravelmente
inclinados para Mohamad, para o bem estar, prosperidade e liberdade para
Madina e de seus residentes. Para isso, devia ser traçado um pacto e posto
em prática sem qualquer demora, antes que se criasse qualquer discórdia.
Assim, sob orientação de Mohamad, foi rapidamente traçado um pacto e
assinado por todos os grupos" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 169 . Os
destaques são nossos).
Destaquemos a confissão do
livro do Centro de Divulgação do Islam:
"Mohamad, com os
braços abertos, aproximou-se dos judeus, uma vez que ele veio confirmar a
religião que Moisés trouxe, e não veio desmenti-la".
Não somos nós que acusamos.
São os responsáveis pela divulgação do Islam que confessam:
"Maomé veio confirmar a
religião que Moisés trouxe, e não veio desmenti-la".
Por isto, Maomé fez um pacto
com os judeus.
Que dizia esse pacto?
Aminuddin Mohamad dá alguns
itens desse pacto judeu muçulmano:
"O documento do tratado é
considerado um dos mais antigos documentos registrados do mundo. [Sic!!!
Será que é preciso dar alguma prova do absurdo dessa pretensão?].O conhecido
historiador Ibn Hicham, transcreveu o texto integral do tratado, que é
bastante longo, com 40 artigos. Aqui se apresenta o resumo do pacto:
"1- O sistema de retaliação
e indenização que estás sendo praticado continuará;
"2-- Os judeus terão a
liberdade religiosa, e ninguém tem direito de interferir nos seus assuntos
religiosos;
"3 -- Os judeus e os
muçulmanos, se um deles estiver em guerra com terceiros, o outro terá de o
apoiar;"
(...)
"Esse tratado foi feito há
mais e 1.400 anos. Haverá algum exemplo igual de qualquer Profeta ou
reformador que tenha feito um tratado de paz com os que professam uma fé
rival? "(Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 170-171.Os negritos são
nossos).
É preciso concordar: jamais
houve um "exemplo igual de qualquer Profeta ou
reformador que tenha feito um tratado de paz com os que professam um a fé
rival".
O que faz desconfiar que o
maometismo não era, pelo menos a princípio, uma fé rival do judaísmo. Não só
não era rival, mas fizera até um pacto de apoio mútuo, com os judeus, em
caso de guerra.
E por que não houve um pacto
igual com os cristãos da Arábia?
Por que, em todas as terras
cristãs conquistadas pelos maometanos, o resultado praticamente foi sempre a
extinção do Cristianismo?
Evidentemente, este pacto de
aliança entre maometanos e judeus reforça a hipótese de que, a princípio,
Maomé foi tido como o Messias, por uma seita judaica da Arábia.
Feita a aliança militar
entre maometanos e judeus de Medina, Maomé pode principiar suas guerras para
dominar a península arábica, começando pela conquista de Meca.
A Quibla voltada para
Jerusalém
"Os idólatras de Macca,
apesar de se prostrarem perante os ídolos, tinham a noção de que a Quibla
deles era a Caaba, fundada por Adão e, renovada por Abraão e seu filho
Ismail considerado chefe espiritual deles.
"Havia ainda os adeptos do
livro (judeus e cristãos) que tinham a sua Quibla Jerusalém ou Bettelaham.
Quando o Profeta Mohamad (S. A .W.) estava em Macca, não quis desconsiderar
a Caaba como Quibla, porém tomou Jerusalém, a Quibla dos Profetas há
milhares de anos como Quibla. Em Macca era possível unir as duas e ele unia,
de forma que quando se levantava para as orações, voltava a sua face para o
norte, tendo assim a Caaba à sua frente, e Jerusalém também, por esta se
situar ao norte de Macca, unindo assim a Quibla dos filhos de Ismail a
Quibla dos filhos de Israel (Jacob)" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 183).
Isto significa que Maomé,
desde o início, aceitara a Quibla dos judeus. Ele rezava como os judeus:
voltado para Jerusalém. Mas, para não escandalizar os árabes de Meca, ele
fingia rezar voltado para a Caaba, colocando-se de modo que tivesse a Caaba
e Jerusalém à sua frente. Assim, os árabes idólatras pensavam que ele
continuava a rezar voltado para a Caaba, como era o costume deles, mas, de
fato, ele estava era voltado para Jerusalém, como faziam os judeus. Maomé
era um prosélito secreto dos judeus, ou pelo menos adepto de uma seita
judaica da Arábia, que aguardava o Messias, para logo.
"Mas quando ele emigrou para
Madina, aí já não era possível unir as duas, porque Macca está situada ao
sul de Madina e Jerusalém ao norte.
[Maomé] "tinha que escolher
uma das Quiblas, e ele escolheu a Quibla dos Profetas anteriores; dos
filhos de Israel, que era a de Jerusalém. Por isso quando o Profeta
construiu a Massjid de Madina a Quibla estava virada para o norte que é a
direção de Jerusalém" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 183. O negrito é
nosso).
"Em resumo, enquanto o
Profeta estava em Macca, ele unia as duas Quiblas ao fazer a oração,
voltando a sua face para o norte, encontrando Jerusalém e a Caaba ao mesmo
tempo. Mas como o objetivo da Quibla era para distinguir a dar um novo
símbolo aos crentes, esse objetivo não estava a ser alcançado porque os
idólatras de Macca também tomavam a Caaba como a sua Quibla. Então, para se
distinguir deles também, o Profeta fazia as orações junto ao Makam Ibrahim
(local de Abraão), cujos vestígios ainda hoje existem, e daí voltava-se para
o norte (Jerusalém), porque, em comparação aos idólatras, os cristãos e os
judeus ainda tinham alguma consideração por Deus ao reivindicarem ser ainda
adeptos dos livros sagrados".
"Mas, em Madina, após a
emigração, já não era possível unir as duas Quiblas. No entanto, o Profeta
em Madina ainda orou para a direção norte (Jerusalém) dezesseis meses, mas
sempre ansioso em receber a ordem de Deus para mudar a direção da Quibla
para o sul (Caaba em Macca), para Quibla original" (Aminuddin Mohamad, op
cit. p. 186)
O que confirma que Maomé,
enquanto estava em Meca, simulava rezar em direção à Caaba, mas quando foi
para Madina, dominada pelos judeus, adotou claramente a Quibla dos judeus:
Jerusalém. Ele "escolheu a Quibla dos filhos de Israel". Maomé se
tornara um prosélito judeu.
Quando, depois de dezesseis
meses em Medina, se deu a crise entre os muçulmanos e os judeus, Maomé,
adotou, de novo a Quibla de Meca, rompendo publicamente com os judeus que
até então o influenciavam mais fortemente.
Os judeus rompem o acordo
com o Islam -
Conspiração de alguns judeus
contra a vida de Maomé
"Após a vitoria de Maomé
sobre os coraixitas na batalhe de Badr no ano de 624, segundo da Hégira, o
poder de Maomé se fortaleceu em Medina, mas, ao mesmo tempo, os judeus
começaram a abandoná-lo.
"Através de um acordo
solene, todos os grupos em Madina (incluindo os não árabes) -- [Leia-se: os
judeus] -- reconheceram Mohamad como seu administrador. Agora, o resultado
da batalha de Badr despertou os judeus, Mohamad estava a vencer os corações
dos habitantes de Madina, e eles em breve entrariam todos no Islam. O que
seria então do sonho de estabelecer um reino judaico na Arábia? Eles
pensaram na necessidade de minar a sua influência, mas como? Os árabes de
Macca lutaram contra ele e perderam. Então os judeus pensaram em adotar
certos truques e armas, tais como difamá-lo e à sua religião, à sua gente,
intrigas e traição. Estas más intenções já residiam nas suas mentes muito
antes de Badr, mas agora sentiam ter chegado a altura de as por em prática".
"Muitos dos judeus,
incluindo Abdullah Bin Ubai, entraram no Islam, mas não verdadeiramente
assim como diz o Corão (Cap. II, vers. 8). (Aminuddin Mohamad, op. cit., p.
213).
"Os judeus tinham três
tribos nos arredores de Madina: Cainucá, Nadhir e Curaiza. Todos eles eram
em geral, capitalistas, agricultores e comerciantes. Os de "Cainucá" eram
considerados os mais bravos e valentes, por isso tinham sempre consigo armas
armazenadas. Além da influência religiosa -- porque os Ansar antes de
abraçarem o Islam eram geralmente idólatras e ignorantes, e como os judeus
eram adeptos do Livro -- [Portanto da Bíblia, já que ainda não havia o
Corão. Portanto o Livro é a Bíblia] -- os Ansar olhavam para eles com
respeito e tratavam-nos como mais cultos.(...)
"Quando o Islam chegou, os
judeus viram que o seu poder injusto [sobre os habitantes de Madina] --
estava em perigo e tinha os seus dias contados. Assim que o Islamismo se ia
expandindo em Madina, a influência religiosa dos judeus ia diminuindo e
assim que os Ansar iam se enriquecendo, iam-se libertando monetariamente dos
judeus, e após o fim dessa influência monetária, começou a revelar-se o
segredo dos judeus. O Profeta, quando chegou a Madina, tinha assinado um
acordo de aliança e boa vizinhança com eles, que previa o respeito à
liberdade religiosa. Mas o Profeta tinha que condenar os maus atos deles.
Por isso o Alcorão diz claramente sobre os judeus:
"São
espias para a difamação; vorazes do ilícito" (Cap. 5, vers. 42). "E por
exercerem a usura, embora lhes fosse proibido, e por devorarem os bens
alheios sob falsos pretextos" (cap. 4, vers. 161).
"Quando o Alcorão começou a
revelar a corrupção deles, eles ficaram revoltados e começaram a conspirar
contra o Islam e a pessoa do Profeta (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 215).
"Mas depois da batalha de
Badr os muçulmanos tornaram-se mais fortes. Os judeus, receando que o Islam
estaria a tornar-se numa força inquebrantável, revogaram unilateralmente o
acordo assinado com Mohamad." (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 216).
Os judeus acabaram
provocando incidentes que levaram, então, a tribo judaica dos Cainucá a se
rebelar contra Maomé.
"Depois disso, os muçulmanos
não tinham outra alternativa senão lutarem contra os judeus de Banu Cainucá,
porque senão o islamismo sofreria uma deterioração política" (Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 217).
Os Cainucá foram derrotados
e tiveram que emigrar de Madina:
"Finalmente, sob o cuidado
de Ubadah Bin Samit, os judeus de Banu Cainucá foram permitidos a evacuarem
e emigrarem de Madina em castigo das suas más ações. Assim, eles foram para
Wadi Al-Curá onde permaneceram algum tempo e daí se dirigiram em direção
norte da Arábia para os lados de "Azriat", junto à fronteira com a "Síria",
onde se fixaram (no antigo Basan). (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 217).
Após o assassinato de vários
"missionários" enviados por Maomé a tribos árabes, diz o livro de Aminuddin
Mohamad que "estas duas tragédias consecutivas, após a grande tragédia de
Ohud, encorajaram bastante os judeus e os hipócritas de Madina a erguerem
suas cabeças contra o Profeta. Os judeus hipócritas e idólatras já se tinham
unido contra Mohamad e começaram a conspirar contra ele. O profeta já se
tinha apercebido disso" (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 243).
Essa traição dos judeus
contra Maomé muito possivelmente foi conseqüência do não reconhecimento de
Maomé como Messias por alguns judeus, mas isto, ainda é uma mera hipótese de
trabalho nossa.
Aminuddin Mohamad fala de
uma indenização que os judeus da tribo Banu Nadhir se haviam recusado a
pagar
Maomé, acompanhado por Abu
Bakr, Omar e Ali, teria ido até o bairro judeu de Banu Nadhir, para tratar
desse problema.
"Os judeus receberam-nos
cordialmente e com amizade aparente, e fizeram com que se sentassem por
baixo de uma grande parede do castelo. Com o pretexto de irem chamar os
outros judeus, começaram a dispersar-se e à distância murmuravam que aquela
seria uma boa oportunidade de acabar com os quatro. Alguém devia subir para
o castelo e lançar uma rocha sobre o Profeta e os seus três companheiros;
assim seriam eles esmagados. Nesse momento, o Profeta, ao notar essa
atitude, começou a suspeitar de alguma conspiração. Entretanto um judeu
chamado Amar Bin Jahash Bin Kaab, subiu rapidamente em máximo sigilo para
cima do castelo, para dali lançar a rocha; porém, antes deles concretizarem
o plano, Deus informou o Profeta da conspiração dos judeus, confirmando
assim a sua suspeita. O Profeta retirou-se imediatamente do local com os
seus companheiros sem nada dizer e tomou o rumo de Madina. Os judeus
quiseram chamá-los de novo, contudo, o Profeta respondeu-lhes: "Vós
conspirais para nos matar! Já não confiamos mais em vós, com isso vós
quebrastes o acordo que fizestes comigo".
Os judeus não desmentiram a informação feita pelo Profeta nem pediram
desculpas". (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 244).
Maomé tentou ainda um acordo
com os judeus Banu Nadhir, mas eles se obstinaram na resistência e
procuraram o apoio "dos Banu Coraiza, outra tribo judia" (Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 244. O negrito é nosso.)
"Entretanto, o Profeta pediu
a Banu Coraiza, outra tribo congênere judaica, para renovar o acordo que já
existia com eles. Estes aceitaram. Mesmo assim, os Banu Nadhir mantiveram a
sua posição, não aceitando fazer um novo compromisso" (Aminuddin Mohamad,
op. cit., p. 244).
Maomé exigiu dos Banu Nadhir
que se não fizessem o acordo, deveriam sair da região de Madina. Os Banu
Nadhir então se prepararam para a Guerra contra o Profeta. Este os cercou, e
os obrigou a partir. "Apenas dois deles, Yámin Bin Amr e Abu Sáad Ibn Wahab,
permaneceram em Madina, porque se converteram ao islamismo" (Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 245).
E, aí, Aminuddin Mohamad
volta a nos dar outra informação de muito valor:
"Até essa altura, o
Profeta tinha um escrivão judeu, para correspondência hebraica, mas
como os judeus se provaram traidores, já não se podia confiar neles,
especialmente nos segredos mais elevados de Estado e dos muçulmanos. Havia
necessidade de ter um escrivão confiado. Para isso, o Profeta ordenou a Zaid
Bin Sábit, um jovem de Madina, para aprender o hebraico, a fim
de se encarregar da correspondência do Profeta. Zaid Bin Sábit, além de ser
um escrivão de revelação, durante a vida do Profeta, foi-lhe entregue
a tarefa de compilar o Alcorão durante o Califado de Abu Bakr, o primeiro
Califa" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 246. O negrito e o
sublinhado são meus).
Então, também o primitivo
escrivão de Maomé era judeu!
E a correspondência de Maomé
era feita em hebraico!!
E essa correspondência era
tão abundante, que o novo escrivão teve que aprender hebraico.
Não se nos venha dizer que a
correspondência de Maomé era em hebraico para se comunicar com judeus
comuns, que não falavam o hebraico e sim o aramaico. Nesse tempo, só liam,
escreviam e falavam o hebraico os rabinos e estudiosos da Torah e do Talmud.
E foi esse escrivão, Zaid
Bin Sábit, cujo nome soa como de origem judaica, que escreveu a primeira
compilação do Corão.
Não é à toa que no Corão --
como veremos em trabalho futuro, se Deus quiser -- haja tantos termos de
origem hebraica, e tantos versos copiados dos midrashes rabínicos.
Aminuddin conta ainda o
episódio da calúnia e difamação contra Aicha, uma das esposas de Maomé. O
caso só interessa pela modificação feita no Corão, que, desde então exigiu
quatro testemunhas para comprovar um adultério (Cfr. Aminuddin Mohamad, op.
cit., pp. 256 e Corão, XXIV, 4-5).
O Cerco de Madina, ou a
batalha da Trincheira
Conta o autor que estamos
resumindo, que a tribo judaica dos Banu Nadhir, depois de emigrar de Madina,
jamais deixou de conspirar contra Maomé.
Seus lideres organizaram uma
coligação geral de idólatras e judeus contra os fiéis a Maomé (Cfr Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 257).
"Os judeus conseguiram
conduzir todas as tribos notáveis contra Mohamad, pode-se dizer que era uma
guerra entre os crentes por um lado e todos os descrentes aliados da
península arábica por outro" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 244)
Esse texto demonstra que
havia judeus decididos a combater Maomé como falso Messias (como Profeta),
enquanto outros judeus continuavam a acreditar em Maomé como O Profeta,
isto é, como o Messias prometido e esperado pelos judeus.
A situação se tornou ainda
pior para Maomé, quando a tribo judaica Banu Coraiza se passou para o lado
dos conspiradores.
"Quando o Profeta recebeu
informações de que a tribo judaica Banu Coraiza, também se aliara aos
inimigos contra os muçulmanos, enviou Saa'd Bin Maadh, chefe dos Auss [outra
tribo judaica], aliado de Banu Coraiza, e Saad Bin Ubadah, chefe de Khazrij
[também tribo judaica], para investigarem o caso junto aos judeus e
aconselhá-los a recuarem da decisão tomada por eles.
"Estes homens chegaram lá,
tentaram convencê-los, explicando-lhes de todos os modos e lembrando-os do
acordo que existia entre eles e os muçulmanos; porém, os judeus recusaram-se
a aceitar o pedido do Profeta e responderam-lhes com palavras ásperas,
dizendo: "Não conhecemos Mohamad e nem temos qualquer acordo com ele".
(Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 261).
Resultado disso tudo foi o
cerco de Madina, que foi salva pelo estratagema ensinado por um persa, que
aconselhou os maometanos fazerem uma trincheira ao redor de Madina. Essa
trincheira permitiu uma longa resistência, até que um importante amigo dos
judeus passou, dos inimigos, para o lado de Maomé e, por suas intrigas, deu
a vitória a Maomé.
"Mesmo nesses momentos
difíceis, as almas puras continuavam a entrar no Islam. Um senhor chamado
Nuaim Bin Massúd, da tribo Ghatfan, um grande amigo dos judeus, saiu
das fileiras dos descrentes e apresentou-se ao Profeta para entrar no Islam"
(Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 265. O negrito é nosso).
Nuaim Bem Massúd,
escondendo a sua conversão ao Islam e sua adesão a Maomé, intrigou de
tal maneira entre os vários grupos coligados contra Maomé, que eles
começaram a se dividir. Começaram a queixar-se que o cerco de Madina se
prolongava demais, e afinal a tribo judaica dos Banu Coraiza declarou:
"Amanhã é sábado
(Sabath), quer dizer, repouso obrigatório na nossa religião, por isso
não podemos lutar amanhã, e além disso nós não participaremos na batalha
enquanto não nos deixarem reféns para servirem de garantia que não nos
abandonareis" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 226. O negrito é nosso).
Resultado, os inimigos de
Maomé acabaram por sofrer uma grande derrota.
E registramos que essas
tribos respeitavam o Sabath.
O Fim dos Banu Coraiza
"Anteriormente, o Profeta
tinha feito um acordo com os judeus, em que lhes dava segurança total,
liberdade de vida, riqueza e religião, mas estes não respeitaram o acordo e
rebelaram-se, como já foi citado. O profeta quis, contudo, renovar o acordo
com eles, mas a tribo Banu Nadhir recusou-se e então foi expulsa de Madina.
Na altura, a tribo Banu Coraiza aceitou renovar e continuaram a viver em paz
e segurança" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 268).
Após a batalha da
trincheira, os Banu Coraiza foram cercados pelos maometanos em seu castelo,
e não tinham como vencer.
"O seu chefe, Kaab Bin
Assad, vendo-se cercado e sem força para combater os muçulmanos, juntou a
sua gente e fez-lhe três propostas:
"Na primeira ele disse: "Não
há dúvida na profecia de Mohamad, porque o Torah, que é o nosso livro
sagrado, fala claramente da sua vinda, e este é o Profeta de que nós
esperávamos. Portanto, o melhor é crermos nele e assim acabarmos a nossa
inimizade para assegurarmos as nossas vidas e riquezas. Porém, o seu povo
não aceitou essa proposta e recusou-se a entrar no islamismo" (Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 269. O negrito e o sublinhado são nossos).
Como os Banu Coraiza se
obstinassem, acabaram aceitando o que decidisse o chefe dos Auss -- outra
tribo judaica -- e este condenou à morte todos os homens de Banu Coraiza,
que eram entre 400 e 600.
"A sentença estava
inteiramente de acordo como direito de guerra da época e de acordo como
que manda o Torah" (Bíblia) (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 270. O
negrito é nosso.).
Então, o livro do Centro de
Divulgação do Islam para a América Latina se exprime de modo bem claro:
Maomé agiu, nesse caso, de acordo com a Torah.
O que é confirmado pelo
livro que estamos resumindo com as seguintes palavras:
"Nas tradições proféticas
consta que o Profeta, quando ouviu a decisão de Saad, disse: Decidiste
conforme as leis divinas"
(Aminuddin Mohamad, op.
cit., p. 270 O negrito é nosso.).
V - Tentativa de Maomé de
peregrinar a Meca
Seis anos depois da Hégira
-- fuga de Maomé para Madina -- ele desejou voltar à sua cidade natal, para
ir rezar junto à Caaba.
Diz Aminuddin Mohamad:
"Os muçulmanos oravam em
direção a ela, e eram continuadores da missão de Abraão" (Aminuddin Mohamad,
op. cit. ,p. 283)
Ora, o mesmo autor havia
dito que, em Madina, Maomé estabelecera que se devia rezar em direção a
Jerusalém, e não em direção à Caaba (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., pp.
83 e 183).
Frise-se ainda que os
muçulmanos se tinham -- como se têm -- como continuadores da missão de
Abraão.
Conta, pois Aminuddin
Mohamad que no ano sexto da Hégira, Maomé saiu de Madina com 1.400 homens,
para ir fazer suas orações em Meca.
"Vestiram o "Ihraam" --
[''veste branca que o peregrino enverga"] -- com intenção de Umra [pequena
peregrinação] e levaram consigo 70 camelos para "Curban" (Aminuddin Mohamad,
op. cit., p. 284).
Maomé mandou dizer aos
coraixitas que vinha como peregrino:
"Dize-lhes que não viemos
lutar, viemos somente para Umra e a prova disso são os animais de sacrifício
e o Ihraam" (Aminuddin Mohamad, op. cit. ,p. 285) .
Essas duas citações acima
nos informam algo muito interessante:
1)
Que a princípio os maometanos
faziam sacrifícios de animais, coisa proibida, agora, entre eles;
2)
Que as coisas que estavam
destinadas a serem sacrificadas a Deus, eles as chamavam de "Curban".
Ora, essa palavra e a mesma
que os fariseus usavam, com base na Mishnah, para designar uma coisa
consagrada a Deus, pois se lê no Evangelho de São Marcos:
"Porém, vós dizeis: Se
alguém disser a seu pai ou à sua mãe: é Korban (isto é, é dom) é
oferta a Deus qualquer coisa minha que te possa ser útil; e não lhes deixais
fazer nada em favor de seu pai e de sua mãe, violando a palavra de Deus
por uma tradição, que tendes transmitido de uns aos outros; e
fazeis muitas coisas semelhantes a essas" (São Marc. VII, 11).
Cristo condenou o costume
fariseu de considerar uma coisa Korban, ofertada a Deus, para não
dá-la aos pais.
A palavra Korban e
esse costume dos fariseus provinham da Mishnah (Cfr. Mishnah,
tratado Nedarim, I,2-3-4)
Disto se conclui que, os
muçulmanos tinham aprendido a prática de fazer Korban dos "gênios de
Israel", isto é, dos rabinos judeus que os haviam ensinado e guiado, no
princípio do maometismo. Portanto, originalmente, o maometismo foi uma seita
messiânica judaica, obediente, o quanto possível, à Mischnah.
Posteriormente, outros rabinos recusaram ver em Maomé, o "último Profeta
esperado por Israel, isto é, o Messias, porque Maomé era árabe e não judeu,
e porque ele ousou reconhecer Cristo como profeta, o que esses rabinos mais
radicais não podiam tolerar. E finalmente, houve a questão da Quibla de
Jerusalém ter sido abandonada por Maomé. Daí a ruptura dos judeus com o
maometismo".
Nesse tempo, os seguidores
de Maomé lhe prestavam um culto, com práticas que se repetirão em muitas
seitas messiânicas, seja do fim da Idade Média, seja do século XX:
Diz uma testemunha árabe
coraixita, que visitou o acampamento maometano, por ocasião dessa tentativa
de Maomé de ir visitar Meca e rezar junto à Caaba:
"Eu nunca vi algum rei entre
os seus homens como vi Mohamad entre os seus companheiros; os seus
companheiros gostam dele e honram-no tanto que cuidadosamente apanham
todo o seu cabelo que cai no chão, quando faz a ablução não deixam um único
pingo da água com que ele faz a ablução, cair no chão; quase que lutam para
aproveitarem essa água e esfregam-na no corpo. Quando ele fala, há um
silêncio total e ninguém troca os olhares com ele" (Aminuddin Mohamad,
op. cit., p. 287).
Urwah Bin Massud As-Sacafi,
líder dos árabes de Taif, testemunha esse verdadeiro culto a Maomé, dizendo
que nunca vira alguém fazer isso para um rei.
Pois isso mesmo foi feito
para o pseudo Messias Tanchelm, na Idade Média, como também para outros, no
século XX.
Se Urwah Bin Massud
As-Sacafi não viu isso ser feito para mais ninguém, eu vi... Meninos eu vi.
Dessa vez, Maomé não
conseguiu entrar em Meca, mas foi feito um acordo em Hudaibiya, entre ele e
os coraixitas, pelo qual, no ano seguinte, Maomé com os seus seguidores,
poderia peregrinar a Meca, sob certas condições.
VI - Vitória de Maomé sobre os judeus de
Khaibar
Este fato se deu no ano de
629, ou sétimo ano da Hégira.
Após a separação de alguns
grupos judeus do maometismo, porque não aceitavam que o Messias fosse árabe,
e nem que ele reconhecesse Cristo como profeta, esses grupos judeus
retiram-se para Khaibar, organizando, lá, várias fortalezas.
"Os judeus de Banu Nadhir e
Banu Coraiza - [que haviam seguido a Maomé, no princípio de sua pregação,
aceitando-o como o Profeta esperado, isto é, como o Messias de Israel] --
quando foram expulsos de Madina, também foram radicar-se em Khaibar; os
corações desses judeus estavam cheios de ódio e inimizade para com os
muçulmanos. Conjuntamente começaram a planejar conspirações contra os
muçulmanos e arrastaram nisso outras tribos árabes hostis a Mohamad (o
leitor recorda que foi com grande esforço desses judeus, que mobilizaram
todas as tribos contra Mohamad, tendo depois ocorrido a batalha da
Trincheira, que fez tremer Madina)" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 306).
"(...) o novo líder dos
judeus, chamado Ussair Bin Razzan, convocou todas as tribos judaicas e
proferiu um discurso" [conclamando-as à luta] (Aminuddin Mohamad, op. cit.,
p. 306).
"A comunidade judaica que
vivia em Khaibar era a mais forte, mais rica e muito melhor equipada em
armamento de guerra do que qualquer povo da Arábia. Esses judeus tinham a
noção de que aquele era o seu último destacamento contra Mohamad; se eles
perdessem seriam talvez tratados como foram os judeus de Banu Coraiza"
(Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 309).
Conforme o relato que
estamos seguindo, Maomé tinha consigo 1.600 homens, dos quais apenas cem
eram cavaleiros, enquanto os judeus tinham mais de 20.000 combatentes. (Cfr.
Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 308-310)
Em meio aos combates, foi
capturada uma judia, Sufiya Bin Huyay Bin Akhtab, filha do chefe de Banu
Nadhir, e que era casada com Khana Bin Rabi Bin Ubai Al Hokaik, que se casou
então com Maomé e recebeu, depois, o título de "Mãe dos crentes" (Cfr.
Aminuddin Mohamad, op. cit., pp., 313- 314).
"Os muçulmanos tomaram todos
os despojos capturados, mas todas as cópias do "Torah" foram devolvidas aos
judeus. Esta conduta foi totalmente diferente da que os romanos tiveram para
com os judeus, quando conquistaram Jerusalém, queimando e pisando todas as
Escrituras sagradas dos judeus que apanharam no templo.
"E também diferente da
atitude dos cristãos, quando estes perseguiram os judeus na Península
Ibérica, onde queimaram todas as cópias do Torah. Com essa comparação,
perguntamos: Quem é mais tolerante?" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p 315).
Ora, isso é completamente
falso, pois a Igreja sempre admitiu o Antigo Testamento como verdadeiro. O
que, muitas vezes se queimou, foram exemplares do Talmud, e não do Antigo
Testamento que a Igreja Católica reconhece como parte integrante da
revelação divina.
Após a vitória, Maomé não
exterminou essas tribos judias, mas as perdoou, e as deixou cuidando de seus
campos, apenas cobrando delas um tributo anual sobre suas colheitas.
A obra escrita por Aminuddin
Mohamad afirma, várias vezes, que o Islam defende a igualdade de todos os
homens, e condena o racismo. Porém, com relação aos judeus, essa condenação
do racismo não é tão clara, pois nessa obra que estamos resumindo se lê:
"Depois da conquista de
Khaibar, o Profeta, juntamente com os muçulmanos permaneceu ali por mais
alguns dias. Ele já tinha dado a segurança total aos judeus; no entanto os
judeus são um povo com mau instinto e inconfiável" (Aminuddin Mohamad, op.
cit. p 315).
E, como prova disso, se narra uma nova tentativa dos
judeus de assassinar Maomé.
No livro de Aminuddin
Mohamad, se lê, então, que “Até aquela data, os muçulmanos enfrentaram
agressões de todos os lados e, por isso, estavam mais concentrados na
defesa, não podendo dispensar muito tempo na aprendizagem do islamismo em
pormenor. Mesmo assim, através dos esforços do Profeta, o analfabetismo, que
era muito vulgar na Arábia, já estava erradicado entre os muçulmanos”.
“Já todos sabiam ler,
escrever, e agora eram os mesmos filhos dos nômades, bárbaros, bêbados, etc.
que se tornaram, numa ação, teólogos, professores, historiadores,
estadistas, administradores, generais, e piedosos" (Aminuddin Mohamad, op.
cit. p 318).
Do número dos alfabetizados,
porém, deve se excluir o próprio Maomé, que continuou analfabeto até a
morte.
Maomé instituiu a ordem das
orações e as proibições quanto à comida, proibições muito semelhantes às
judaicas.
"Agora que estavam
instituídas as orações diárias em congregação, o jejum, a caridade, a
proibição das bebidas alcoólicas, vieram a seguir mais reformas sociais,
assim como diz Aicha, esposa do Profeta: "As reformas foram graduais
consoante o tempo". Nesse caso veio a proibição de comer todos os animais
que utilizam as suas patas dianteiras ou garras para se alimentarem e veio
também a proibição dos animais e aves carnívoros, proibição de carne de
burro e mula, proibição de casamento "Mutá" (era o casamento temporário
praticado na época da ignorância -- antes do Islam -- e no início) e veio
também a proibição de relações sexuais com a esposa antes de ter a certeza
de que o útero está livre, por isso deve-se esperar um mês e se estiver
grávida esperar até ela dar a luz. Veio também (neste ano) proibição de
venda de ouro e prata em moldes desiguais". (Aminuddin
Mohamad, op. cit. p 319).
VII - A conquista de Meca
No ano 630, o oitavo da
Hégira, Maomé partiu com 10.000 homens para Meca, visando conquistá-la.
A vitória se deu quase sem
nenhuma luta, tendo havido apenas uma resistência mínima.
Conta Aminuddin Mohamad que
Maomé dividiu suas tropas para entrarem na cidade por várias direções
diferentes, recomendando que se evitasse derramamento de sangue, só
respondendo com armas, caso houvesse ataque mortal.
"Quando as quatro divisões
estavam prestes a marchar, o Profeta ouviu Sáad Bin Ubadah a dizer: "Hoje é
o dia da batalha, dia de grande guerra, dia em que todas as proibições
serão abolidas". Ao ouvir estas palavras o Profeta disse: "Não! Sáad
errou, hoje é o dia em que Deus engrandecerá a Caaba", e depois afastou Sáad
Bin Ubadah do posto de chefe e colocou em seu lugar o filho Kais. O Profeta
tentou esta medida porque, depois de ouvir isso, se deixasse continuar Sáad
Bi Ubadah no seu posto, decerto que esse comandante violaria a ordem do
Profeta de não derramar sangue no recinto de Macca" (Aminuddin Mohamad, op.
cit. , p. 339. Sublinhado e negrito são nossos.).
O que Sáad proclamou, que
aquele dia da vitória de Maomé, seria o "dia em que todas as
proibições seriam abolidas", era exatamente o que proclamava a
Cabala judaica, e os judeus, em geral, crêem que o dia do triunfo do Messias
esperado, seria o "dia em que todas as
proibições serão abolidas".
As palavras de Sáad Bin
Ubadah estavam pejadas de messianismo judaico. Ora, esse Sáad Bin Ubadah
fora apresentado já por Aminuddin Mohamad como sendo um judeu, chefe da
tribo judaica dos Khazrij (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 261).
Portanto, Sáad Bin Ubadah
era um dos judeus que aceitara Maomé como o último profeta esperado pelos
judeus: o Messias de Israel.
Curioso é que Maomé se
apressou a desmentir o anomismo messiânico de Sáad Bin Ubadah e o destituiu
de seu comando, mas substituindo-o pelo filho de Sáad Bin Ubadah -- que era
também judeu, é claro.
Maomé, assim agindo,
recusava o anomismo messiânico judaico - o que vai ser provavelmente também
uma das causa da ruptura dos judeus com Maomé -- mas sem querer romper
totalmente os laços que tinha com os judeus, pois que deu o comando ao
próprio filho de Sáad Bin Ubadah.
Tal expectativa anomista --
abolição de todas as proibições - no reino messiânico, recusada por Maomé na
tomada de Meca, vai se perpetuar no islamismo shiita. Os Shiitas
duodecimanos acreditam que, com o advento do Imam escondido, Imam Mahdi, as
proibições da lei serão abolidas (Cfr. Henry Corbin, En Islam Iranien,
Gallimard, Paris, 1971, 4 vol.; e Christian Jambet, La Grande
Réssurection d' Alamut, Verdier, Dijon, 1990).
A conquista de Meca é
apresentada por Aminuddin Mohamad como sendo a realização de um texto do
Deuteronômio de Moisés.
"O Profeta já estava a
preparar a sua entrada na cidade e assim a profecia da Bíblia vinha a ser
cumprida:
"2- Disse pois o Senhor veio
do Sinai e lhes subiu de Seir, resplandeceu desde o monte Paran (ou Faran,
antigo nome de Meca) e veio com dez milhares de Santos à sua direita,
havia para eles o fogo da lei . Deuteronômio 33, 2." (Aminuddin Mohamad, op.
cit., p. 340. O negrito é nosso).
Ora, o verdadeiro texto do
Deuteronômio é um tanto diferente desse que foi citado. No texto verdadeiro
não aparece o número dez. E o final também é diferente, pois diz: "Na
sua direita uma lei de fogo" (Deut. XXXIII, 2).
Depois da conquista de Meca,
Maomé teria destruído todos os ídolos e pinturas da Caaba, acabando coma
idolatria entre os árabes.
"Depois do discurso
proferido e do perdão concedido aos inimigos, o Profeta entrou na Caaba e
viu as suas paredes cheias de pinturas de anjos e profetas. Havia estátuas
de Abraão e Ismail, representados com flechas de adivinhação na mão, e
também a estátua de Jesus" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 343).
Maomé após a Conquista de Meca -
Atribulações conjugais
Os Ansar, que haviam
recebido Maomé em Madina, temiam que, após ter conquistado a sua cidade
natal, ele não mais retornasse a Madina.
Maomé os convenceu logo do
contrário, prometendo-lhes viver sempre lá, com eles.
A conquista de Meca e a
adesão dos coraixitas ao Islam facilitaram sobremaneira a que todas as
demais tribos árabes aderissem à doutrina de Maomé.
Conta-se que foi por esse
tempo que uma esposa copta de Maomé, chamada Maria, teria tido dele um filho
que foi chamado de Ibrahim, mas que viveu apenas dezessete meses.
Relata, então, Aminuddin
Mohamad, alguns dissabores conjugais de Maomé. Limitar-nos-emos a copiar o
que diz o livro do Centro de Divulgação do Islam para a América Latina:
"O Profeta passou toda a sua
vida longe do luxo e com o mínimo de alimentação e às vezes até com fome Em
toda a sua vida nunca teve duas refeições seguidas e completas. Mas por
outro lado as suas esposas não eram inspiradas. Elas estavam sujeitas aos
mesmos sentimentos que outras mulheres têm normalmente; por isso as esposas
do Profeta eram mais delicadas, pois ainda apreciavam as belezas e o luxo.
Apesar do convívio com o Mensageiro de Deus torná-las distintas, o instinto
humano normal não ficou eliminado, porque elas pertenciam a famílias
distintas nobres e criadas no luxo. Por exemplo, Umm Habiba era filha do
chefe dos coraixitas (Abu Sufiyan); Jaweiryah era filha do grande chefe de
Khaibar [era, portanto, judia]; Aicha era filha de Abu Bakr; e Hafsa era
filha de Omar. Por isso, agora que o Profeta tinha gasto mais dinheiro e
tempo com a sua esposa Maria depois de ela dar à luz um rapaz, elas não
queriam ser privadas desse privilégio, especialmente agora que o país
islâmico já se tinha tornado rico em abundância de despojo. Elas achavam que
uma percentagem mínima disso já serviria para lhes proporcionar um sossego e
relevo relativo na vida. Além disso, à base do instinto humano, existia
entre elas a rivalidade e cada uma desejava sobressair mais que as outras no
amor ao Profeta" (Aminuddin Mohamad, op. cit., pp. 363-364).
Isso deu aso a um incidente
entre as demais esposas de Maomé contra Maria, por ela lhe ter dado um certo
mel.
Especialmente Aicha e Hafsa
pressionavam Maomé.
"O que Aicha e Hafsa estavam
a pressionar era um assunto particular delas, mas, além disso, havia outro
assunto que causou conflito entre o Profeta e suas esposas, originado
destas, pressões sobre ele. Exigiam a extensão e o aumento das provisões e
mais dinheiro para as despesas da casa" (Aminuddin Mohamad, op. cit. p. 365)
"Como o Profeta não podia
aceitar o pedido delas, ficou tão comovido com essas exigências que decidiu
não se encontrar mais com elas durante um mês. Coincidiu que nesse período o
Profeta caiu do cavalo e feriu-se na perna; então se isolou no piso de cima
da sua casa, colocando o seu empregado chamado "Rabah" [Sic!] na porta e
recusou falar com qualquer pessoa a respeito delas" (Aminuddin Mohamad, op.
cit., p. 365).
Mas que interessante...
Então, o empregado pessoal
de Maomé se chamava "Rabah"...
E "Rabah" entre aspas...
E por que as aspas?
Rabah é um nome tipicamente
judeu.
Havia, pois, judeus que
permaneceram fiéis a Maomé, e o aceitavam ainda como o Messias de Israel,
isto é, como "o último Profeta"!
Maomé teve então um escrivão
judeu, para tomar nota de suas revelações, redigi-las, e para encarregar-se
de sua correspondência em hebraico, evidentemente não com japoneses, mas com
os "gênios" ou rabinos de Israel, aos quais ele deveria consultar quando
tivesse dúvidas sobre o livro, como lhe foi recomendado pela Surata Iunes
(Surata X, 94).
Teve ainda uma esposa judia,
Sufiya Bin Huyay Bin Akhtab, filha do chefe de Banu Nadhir.
E agora ficamos sabendo que
até o seu empregado de quarto se chamava "Rabah".
Voltemos à cópia do livro
tão interessante de Aminuddin Mohamad.
"As pessoas, ao verem o
Profeta sozinho, julgaram que ele havia se divorciado de todas as suas
esposas, o que não era verdade. O Profeta não podia perder o seu tempo
naquelas disputas familiares (...) O profeta, com este período de separação,
quis dar tempo às suas esposas para repensarem nas suas exigências e para o
ciúme abrandar, mas em todos os lados de Madina já corria o boato de que o
Profeta se divorciara das suas mulheres. Os muçulmanos ficaram preocupados
com essa situação" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 365).
"Omar Ibn Al-Khattab - [o
futuro Califa] -- dizia:
"Antes do Islamismo nós não
tínhamos qualquer consideração pelas nossas mulheres, só quando Deus
revelou a respeito delas e o direito delas é que começamos a ter
consideração por elas. Certo dia, repreendi a minha mulher sobre um
assunto, e então ela em troca respondeu-me, exaltando-se; eu, estranhando,
perguntei-lhe: "Estás-me a responder exaltando?". Ela respondeu: “estou
admirada contigo, ó filho de Khattab! Tu não gostas de ser respondido
enquanto a tua própria filha (Hafsa) critica e responde a seu marido (o
Profeta Mohamad) e o faz tão fortemente que o profeta fica aflito e
incomodado o dia todo".
"Ao ouvir isso, eu levei o
meu manto e fui diretamente ter com minha filha Hafsa, esposa do profeta, e
perguntei-lhe: Ó minha filha! É verdade que tu argumentas com o Profeta e o
criticas tão fortemente que ele fica aflito e incomodado durante o dia
todo?"
Hafsa confessou, dizendo:
"Sim! Eu e as outras suas esposas costumamos criticá-lo". Então eu lhe
disse: "Receio para ti a vingança de Deus e a ira do seu Mensageiro, ó minha
filha! Não te deixes enganar por aquela mulher que se tornou muito vaidosa
por causa de sua beleza e do amor de Mohamad para com ela. "A seguir saí e
fui ter com Ummi Salma, e perguntei-lhe a mesma coisa. Ummi Salma respondeu:
"Ó filho de Khattab, tu és mesmo admirável! Queres interferir em tudo, até
nos assuntos particulares entre o Profeta e suas esposas".
Eu fiquei envergonhado, saí
dali e fui-me embora".
(Aminuddin
Mohamad, op. cit., pp. 365-366).
No dia seguinte, tendo em
vista o aumento dos rumores sobre o divórcio de Maomé, Omar insistiu em ser
recebido por ele, que afinal concordou, e lhe desmentiu o boato. Depois
disso, ambos desceram juntos para o andar térreo e foi aí que teriam sido
revelados os versículos seguintes do Corão:
"Ó Profeta, dize às tuas
esposas, se é a vida deste mundo que quereis, com seus adornos, vinde,
dar-vos-ei vossa provisão e conceder-vos-ei uma livre e generosa libertação.
Mas se for Deus e seu Mensageiro e a última morada que quereis, Deus
preparou para as virtuosas de entre vós, uma recompensa magnífica" (Corão,
Surata 33, 28) (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 365).
[Ora, Aminuddin Mohamad não
cita perfeitamente o Corão nesse passo, pois a Surata XXXIII, 28, diz,
segundo a tradução do Corão de Samir el Hayek:
"28- Ó profeta, dize a tuas
esposas: se ambicionardes a vida terrena e suas ostentações, vinde!
Dar-vos-ei vosso dote de liberdade e me divorciarei de vós decorosamente.
"29- Outrossim, se
preferirdes a Deus, a seu Apóstolo e à morada eterna, certamente Deus
destinará para as caritativas dentre vós, uma magnífica recompensa" (
Corão, Surata 33, 29-29. O negrito é nosso para salientar o trecho do
Corão que Aminuddin Mohamad não citou).
"À luz dessa revelação, Deus
ordenou ao Profeta para dar opção às suas esposas e por à frente delas este
mundo e o outro. Todavia, todas elas arrependeram-se reconhecendo o seu
erro, recuperaram o bom senso e escolheram ao Profeta e o outro mundo. Com
esta revelação pôs-se termo, de boa forma, ao assunto, e o Profeta continuou
a conviver com elas normalmente, recuperando a paz necessária para conseguir
cumprir a sua missão.
"Era um assunto puramente
particular entre o Profeta e suas esposas" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p.
367).
Compreendemos que esse é um
assunto puramente particular, e que nele nada há que seja mito.
Maomé nomeia Abu Bakr para
representá-lo no Haj
Maomé, no ano nove da Hégira
nomeou Abu Bakr para representá-lo no Haj. (A grande peregrinação à Meca).
"Abu Bakr seguiu para Macca,
levando vinte e cinco camelos para sacrifício, vinte dos quais da parte do
Profeta e cinco de sua parte" (Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 380).
De onde se vê que, então, os
maometanos faziam sacrifícios de animais, tais como os faziam os judeus, no
Templo, antes de sua destruição.
O próprio Maomé só realizou
o Haj pessoalmente acompanhado por 114.000 peregrinos, pouco antes de
morrer, no ano dez da Hégira.
Ele foi a Meca levando 100
camelos para serem sacrificados (Cfr. Aminuddin Mohamad, op. cit., p. 398).
Maomé morreu no ano 632.
Imediatamente houve
divergência sobre a sucessão de Maomé. Da discussão saiu eleito Abu Bakr,
como Califa do Islam e representante substituto de Maomé (Cfr. Aminuddin
Mohamad, op. cit., p. 423).
VIII - Conclusão
Relembramos que só
escrevemos este trabalho, em resposta ao artigo agressivo e blasfemo de um
muçulmano, atacando a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ao afirmar que
ela não passa de um mito. O autor, injuriosamente, compara Cristo com
Adonis, Osiris e outros seres mitológicos, e declara explicitamente que quer
destruir o “Mito" do Redentor Jesus Cristo.
Limitamo-nos, como resposta,
quase que só a dar citações de um livro do Centro de Divulgação do Islam
para a América Latina, obra de autoria de Aminuddin Mohamad.
Esse volume insuspeito nos
dá informações preciosas sobre o que aconteceu, de fato, na Arábia do século
VII, quando do início da pregação de Maomé.
Aminuddin Mohamad, em seu
livro, mostra que houve uma profunda influência, e mesmo aliança, de judeus
com Maomé, pelo menos no princípio do Islam. Demonstra Aminuddin Mohamad que
houve grupos judeus que esperavam, então, o advento do "ultimo Profeta" de
Israel, isto é, do Messias judaico.
Inicialmente, "Gênios"
judeus examinaram Maomé, e reconheceram nele os sinais de que ele era esse
"ultimo Profeta", isto é, o Messias que iria instaurar o Reino Messiânico.
Por recomendação desses "gênios" de Israel-- possivelmente rabinos judeus --
as tribos judaicas que viviam em torno de Yaçrib, aliaram-se a Maomé, e lhe
deram apoio decisivo.
Os judeus da Arábia cercaram
e envolveram Maomé, instruíram-no, influenciaram profundamente a sua
doutrina, que reconhecia explicitamente o Antigo Testamento como O
Livro de Deus por excelência, deram-lhe apoio religioso, político e
militar, contribuindo largamente para a sua vitória. (Em outro trabalho, que
redigiremos em breve, veremos a influência judaica no texto do Corão árabe).
Entretanto, logo houve uma
crise entre os rabinos judeus e Maomé, embora alguns deles apoiassem Maomé
até o fim. Possivelmente, o fato de que Maomé era árabe causou seu repúdio,
como Messias, por parte de rabinos mais ortodoxos, que não aceitavam um
Messias que não fosse judeu.
Uma segunda razão desse
repúdio teria sido a posição de Maomé sobre Jesus Cristo. Para Maomé, Jesus
era um Profeta e não o Filho de Deus, a Sabedoria de Deus encarnada. Ora, os
rabinos mais radicais nem isso podiam tolerar: Cristo nem como simples
profeta poderia ser considerado.
Finalmente, uma terceira
razão que levou à ruptura do acordo entre Maomé e os judeus da Arábia teria
sido o fato de que Maomé optou pela Caaba de Meca como ponto de orientação
(Quibla) das orações do Islam, quando antes ele só rezava em direção a
Jerusalém. Maomé teria recusado a opinião dos rabinos de que só Jerusalém
deveria ser a cidade dos profetas. A adoção de Meca como Quibla em vez de
Jerusalém era sinal inequívoco de que Maomé queria libertar-se dos rabinos,
que o haviam instruído e apoiado em sua pregação, para arabizar a nova
religião, acabando com o sonho messiânico judaico, inicialmente acalentado.
Poderia alguém estranhar tão
grave erro de julgamento por parte de alguns rabinos ao aceitarem um Messias
árabe para Israel.
Entretanto, esse não é caso
único na História do Judaísmo. O caso de Sabbatai Tzevi, no século XVII, foi
o mais escandaloso já ocorrido no messianismo judaico.
Também no caso de Sabbatai
Tzevi, o rabinato se dividiu desigualmente. A grande maioria dos rabinos
aceitou Sabbatai como o Messias prometido. Poucos rabinos o condenaram,
desde o princípio. Multidões de judeus do mundo inteiro tudo abandonaram
para se dirigirem à Palestina, a fim de acompanhar a marcha triunfal do
Messias Sabbatai até Constantinopla, onde ele converteria o Sultão turco, e,
com o seu apoio militar, invadiria a Itália, e destruiria o papado e o
cristianismo.
Na hora H, diante do Sultão,
Sabbatai renegou o judaísmo e se fez muçulmano (Cfr. Gershom Scholem,
Sabbatai Sevi, The Mystical Messiah, Princeton University Press, 1975).
Com Maomé, o caso foi
parecido: um pseudo Messias aceito e cultivado, inicialmente, por rabinos
fanáticos, vindo, depois, o abandono, e, enfim, a decepção.
O Califa Otman se
encarregou, depois, de apagar o que podia, dos traços de influência judaica
no islamismo.
Foi Otman o responsável pela
redação atual do Corão, ordenando os seus capítulos pelo tamanho deles!!!
Como dissemos, pensamos
examinar, noutro trabalho, o texto do Corão.
No Corão constataremos que
se proclama, em inúmeras passagens, que o verdadeiro Corão foi dado a
Moisés, e não a Maomé. Veremos que, no Corão atual dos árabes, se confessa
que Maomé só veio confirmar o que fora revelado a Moisés e aos profetas
judeus.
Constataremos, que, no Corão
árabe, há uma enorme quantidade de citações do Antigo Testamento, do Talmud,
da Mischnah, dos comentários rabínicos (os Midrashes), livros judaicos que
Maomé, sendo analfabeto, não podia ter conhecido tão detalhadamente.
De tudo isso se conclui que
o título de "O Último Profeta" atribuído a Maomé, tem o sentido de Messias
de Israel, ou seja, de "o último Profeta de Israel", função que Maomé
exerceu bem pouco tempo.
No principio, o Islam esteve
envolvido profundamente com o Judaísmo, daí o seu anti trinitarismo radical.
Esse envolvimento foi dramaticamente rompido, depois de breve aliança. Ambos
os grupos se julgaram, e se disseram, traídos. Israel se considerou enganado
e traído pelo profeta que acalentara. Maomé e os árabes se sentiram traídos
pelos judeus, que haviam assinado um acordo com eles. Não estaria, nesse
drama e cisão iniciais, uma das causas da oposição atual ente Israel e o
Islam?
É certo que, pelo menos,
essa mútua acusação de traição não contribuiu para apaziguar a antiga
rivalidade entre Isaac e Ismael.
Por tudo isso se vê
claramente que, historicamente, mito, de fato, é considerar Maomé o "último
Profeta"... dos árabes.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli
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