EVOLUCIONISMO:
DOGMA CIENTÍFICO OU TESE TEOSÓFICA?
Orlando Fedeli
Fábio Vanini, biólogo
Marina Marques Vanini, doutoranda em Biologia
Marcelo Murai, Mestre em Biologia
Luciana Kauer Murai, mestranda em Biologia
Dr. Daniel Almeida de Oliveira,
Médico
I - EVOLUCIONISMO E RELIGIÃO
1 - Evolucionsimo e relativismo
2 - Evolucionsimo: o conceito e sua origem
3 - Evolucionsimo - panteísmo e gnose
4 - Evolucionsimo e filosofia
5 - Darwinismo e marxismo
6 - Evolucionsimo e nazismo
7 - O evolucionismo atual e as filosofias dialéticas
8 - Evolucionsimo e misticismo gnóstico
II - EVOLUÇÃO E METAFÍSICA
1 - O problema da origem da vida
2 - Evolução e princípios do ser
3 - Evolucionismo e analogia do ser
4 - Evolucionismo e causa final
5 - O problema das espécies e os universais
6 - Evolucionismo e causalidade
III - EVOLUÇÃO DA TEORIA EVOLUCIONISTA
1 - Introdução
2 - O lamarcksimo
3 - O darwinismo
4 - O neo-darwinismo, ou evolucionismo sintético
5 - Escola evolucionista do "equilíbrio pontuado"
IV - O EVOLUCIONISMO É CIENTÍFICO?
1 - Fraudes, contradições, afirmações gratuitas dos evolucionistas
2 - Opiniões de cientistas contra a teoria evolucionista
3 - A origem da vida - tentativas maquinistas para produzir vida
V - FÓSSEIS
1 - Introdução
2 - Micro-organismos
3 - O aparecimento dos insetos
4 - Invertebrados e vertebrados
5 - A transição dos peixes aos anfíbios
6 - Dos anfíbios aos répteis e mamíferos
7 - O problema dos mamíferos marinhos
8 - Os dedos dos cavalos e a evolução
9 - Os roedores
10 - Seres mamíferos e seres alados
11 - A origem dos seres alados
12 - Origem das aves
13 - Dinossauros
VI - ORIGEM DO HOMEM
1 - Introdução
2 - Fraudes evolucionistas
a) O “Homem” de Java
b) O “Homem” de Piltdown
c) O “Homem” de Nebraska
d) O “Homem” de Pequim
e) A mandíbula infantil de Ehringsdorf
3 - Pretensos ancestrais do Homem
a) O Ramapithecus
b) Os Australopithecus
c) “Lucy”
d) O Crânio 1470 do Homem do lago Turkana
4 - Fósseis humanos autênticos
VII - EVOLUÇÃO E FÉ
1 - O Problema da Evolução para a Fé
2 - Eva
"Quant à la réalité de l'évolution
organique, ma croyance est inébranlable... Il n'en est pas moins vrai que
les explications classiques de la genèse des espèces sont loin de contenter
tous les esprits. Pour ma part, je les tiens toutes pour des contes de fées
à l'usage des adultes... Il faut avoir le courage de reconnaître que nous
ignorons tout de ce mécanisme"
(Jean Rostand,
Ce Que Je Crois, Grasset, Paris, 1953).
["Quanto à realidade da evolução orgânica, minha crença é
inabalável. Não deixa de ser verdade que as explicações clássicas da gênese
das espécies estão longe de contentar todos os espíritos. De minha parte
eu considero toda como contos de fadas para uso de adultos.... é preciso
ter a coragem de reconhecer que nós ignoramos tudo sobre esse mecanismo"]
(Jean Rostand, O que creio, Grasset, Paris, 1953)
(Jean Rostand foi Prêmio Nobel de Medicina e defensor do evolucionismo)
I - EVOLUCIONISMO E RELIGIÃO
1 - EVOLUCIONISMO E RELATIVISMO
O evolucionismo é um dos "dogmas" da mentalidade moderna.
Ele extrapolou o campo puramente biológico, e é aplicado
a tudo: nada mais é considerado estável, pois que se crê que tudo evolui.
Neste sentido, a crença no evolucionismo pode ser apontada como uma das
causas do relativismo triunfante em nossos dias. Não haveria nenhum valor
absoluto. Nem verdade, nem moral, nem beleza, nem religião, nem dogmas, nada
teria estabilidade, pois que tudo estaria sob a lei da evolução, esta sim,
tomada como sendo absoluta.
Portanto, o evolucionismo atual é mais do que uma teoria biológica: é um
princípio absoluto -- um dogma religioso-- de uma metafísica relativista. E
eis aí uma contradição sintomática e reveladora: o relativismo fundamenta-se
num princípio absoluto!
A amplitude atribuída ao evolucionismo é de tal porte
metafísico que -- como não podia deixar de ser --- alcança a esfera
religiosa: o próprio Deus é considerado como um eterno devir, e não como o
Ser imutável, "Aquele que é" (Ex. III, 12).
O Padre Teilhard de Chardin -- que Stephan Jay Gould
julga ter sido o principal responsável pela famosa fraude do Homem de
Piltdown (Cfr. JAY GOULD, Stephen, A Conjuração de Piltdown, in A
Galinha e seus Dentes, ed. Paz e Terra, São Paulo, 1992, pp. 201 a 226,
e, do mesmo autor, O Polegar do Panda, Martins Fontes, S. Paulo, pp.
95 a 109) -- declarou:
"A evolução é uma teoria, um sistema, ou uma hipótese?"
"É muito mais do que isso. É uma condição geral à qual se
devem dobrar todas as teorias, todas as hipóteses, todos os sistemas; uma
condição a que devem satisfação doravante para que possam ser tomadas em
consideração e para que possam ser certas". (TEILHARD de CHARDIN, O
fenômeno Humano, p. 245).
Julian Huxley, por sua vez, mostra como o dogma da
evolução se impõe como o fundamento da moderna religião relativista:
"No tipo de pensamento evolucionista, não há lugar para
seres sobrenaturais (espirituais) capazes de afetar o curso dos
acontecimentos humanos, nem há necessidade deles. A terra não foi criada.
Formou-se por evolução. O corpo humano, a mente, a alma, e tudo o que se
produziu, incluindo as leis, a moral, as religiões, os deuses, etc., é
inteiramente resultado da evolução, mediante a seleção natural". (Cfr.
HUXLEY,J. Evolution after Darwin, p. 246, apud OSSANDÒN VALDÈS, Juan
Carlos, En torno al concepto de evolución, artigo na revista
Philosophica, de Santiago do Chile, Suplemento doutrinário da revista
Jesus Christus, número 50, de Buenos Aires).
Cremos que estas afirmações de Teilhard de Chardin e de
Huxley sejam suficientes - além do exame do que ocorre hoje - para confirmar
o que dissemos acima: o evolucionismo é o dogma fundamental do relativismo
moderno.
Hoje, esse dogma é impingido por repetição contínua e por
embebimento a todos, já que toda a sociedade o respira continuamente.
No artigo do professor Ossandón Valdés, encontramos uma
citação de J.C. Mansfield na qual ele pede que:
"os estudantes secundários sejam embebidos do pensamento
da evolução de tal modo que se acostumem a tudo pensar em termos de
processo, e não em termos de situação estática".
Evidentemente é o que se tem praticado em escala mundial,
para criar nos jovens uma mentalidade relativista.
2 - EVOLUCIONISMO: O CONCEITO E SUA ORIGEM
Evoluir é termo que provem do latim evolvere que
significa desenvolver algo que estava envolvido. Evoluir é fazer desabrochar
o que já existia potencialmente em algo.
Por evolucionismo entende-se a doutrina que afirma que os
seres vivos provieram da matéria inorgânica, e que das plantas se originaram
os animais, e, por fim, dos animais teria provindo o homem. Sempre, pois, do
menos teria vindo o mais, do inferior, por desabrochamento, teria vindo o
superior.
Conforme os cientistas presentes ao Congresso de Chicago,
em 1959, a fim de comemorar o centenário da obra de Darwin, evolução teria a
seguinte conceituação:
"A evolução pode definir-se, em termos gerais, como um
processo unidirecional e irreversível que, no transcurso do tempo, gera
novidade, diversidade e níveis de organização mais elevados". (Apud
OSSANDÒN VALDÈS, art. cit. p. 7).
Essa conceituação é bem diversa daquela que tinha Darwin,
pois não faz qualquer referência à seleção natural. Voltaremos ao tema, mais
adiante.
Atualmente, são consideradas diversas definições como
“mudança de freqüência gênica”, “mudança harmônica”, “descendência
modificada”, etc. Evita-se tratar a evolução como um desenvolvimento em
forma de linha genealógica, o que daria logo uma idéia de progresso. Como os
cientistas não consideram, pelo menos academicamente, evolução como
“progresso” dos seres, utiliza-se a idéia de árvore filogenética, com ramos
que derivam de ancestrais comuns. Porém, em princípio, recai exatamente
sobre o mesmo fundamento.
Embora o termo evolução esteja, hoje, estreitamente
ligado a Darwin, não foi ele o seu inventor.
Na Antigüidade, a filosofia de Heráclito -- tipicamente
gnóstica -- já negava a existência de sujeito nas mudanças, afirmando que a
única realidade era o mudar, o vir-a-ser.
Na Stoa, Zenon e seus discípulos defendiam, eles também,
a ilusão da realidade do mundo material visível.
Todas as seitas gnósticas de todos os tempos acreditavam
que a divindade era um perpétuo fluir, e que, por isso, toda realidade era
mutável. Para os gnósticos o Deus que se apresentou a Moisés -- o Deus que
se dizia imutável -- era o demiurgo criador do mundo material e do mal. Esse
Demiurgo mau seria o defensor de falsos valores imutáveis.
Nos séculos XVII e XVIII, com o recrudescer do
gnosticismo, que se alimentou no cabalismo gnóstico de Jacob Boehme,
espalhou-se nos meios místicos e esotéricos, a idéia de evolução universal.
Para essas seitas cabalistas e gnósticas, o processo de auto-manifestação de
Deus incluiria não só o universo, mas também a História.
"Hoje, quando há uma discussão apaixonada sobre o
evolucionismo soteriológico do Padre Teilhard de Chardin, é preciso lembrar
que o termo evolução não foi inicialmente introduzido pelos sábios das
ciências naturais do século XIX em torno de Charles Darwin, mas que o termo
foi utilizado, como termo teológico e soteriológico, pelos teósofos do
século XVIII. Assim, ele foi adotado pelos filósofos do idealismo alemão
Hegel, Schelling, Baader, como termo soteriológico, para descrever o
processo teogônico, no qual Deus manifesta a si mesmo tanto no universo como
na soteriologia "a fim de que Deus seja tudo em todos" (I Cor. XV,28). Este
versículo de São Paulo que é tantas vezes citado por Teilhard de Chardin, é
o versículo favorito de Schelling, de Baader e, antes deles, de Oetinger.
Foi Baader quem publicou um escrito sobre "O Evolucionismo e o
Revolucionismo, ou sobre a evolução positiva e negativa da vida em geral e
da vida social em particular" nos Anais da Baviera, 1834, nº 28, p. 219-224
e nº. 62, p. 483-490". (BENZ, Ernst, Les sources mystiques de la
philosophie romantique allemande, Vrin, Paris, 1968, p. 58).
Curiosamente, hoje, o dogma da evolução é aceito por
quase todos sem qualquer exame mais profundo. No meio estudantil, é geral a
aceitação de que o homem tem origem simiesca, ou de um ancestral comum do
macaco e do homem. Entretanto, ninguém se pergunta que animal irá ser gerado
pelo homem no futuro. Pois se a evolução é lei geral e fundamental da
natureza, ela fará o homem evoluir para um estágio que estará para o homem,
assim como este está para o macaco.
Noutros termos, deveria surgir um super-homem.
Essa questão, por cogitar da possibilidade de existência de uma raça
superior, põe em evidência a relação do evolucionismo com o nazismo, e por
isso quase ninguém a aborda. Por que se deixa de mostrar que o evolucionismo
foi uma das raízes ideológicas do sistema assassino do nazismo?
3 - EVOLUCIONISMO - PANTEÍSMO E GNOSE
Também se evita reconhecer que a pretensa origem simiesca
do homem não responde à questão fundamental posta pela teoria da evolução:
de onde veio o universo?
A negação de que o homem foi criado por Deus traz
embutida a negação de criação do universo. Se o homem tem origem animal, de
onde veio vida, e de onde veio a matéria prima do universo?
O universo sempre existiu e sempre existirá? A matéria é
eterna? A matéria é infinita? A matéria é onipotente? A matéria é Deus?
Um evolucionismo coerente desemboca necessariamente no
panteísmo, pois que deve admitir que a matéria sempre existiu, portanto, que
ela é eterna, infinita e onipotente. O que significa dar à matéria as
qualidades próprias de Deus. Quanto ao ateísmo - inclusive o de Darwin - ele
só mascara um panteísmo subjacente. O ateu é um panteísta que não ousa
confessar que se crê o próprio Deus.
Se o evolucionismo negar a divindade da matéria
universal, necessariamente, então, deverá cair na Gnose, isto é, se não
aceitar que a matéria é divina, terá que admitir que, no interior dela,
reside, ou melhor, que nela está preso um espírito que, através da evolução,
busca libertar-se da prisão da matéria, o que é a substância do pensamento
gnóstico.
Entre o Panteísmo e a Gnose, os evolucionistas têm
oscilado, mas, em ambos os casos, o evolucionismo cai sempre num problema
religioso.
De qualquer modo, ainda que muitos evolucionistas
superficiais não se dêem conta do problema, ele existe: o evolucionismo
biológico serve apenas de biombo tático, para um sistema mais do que
metafísico, para um sistema religioso.
Desse questionamento religioso profundo escondido no bojo
das teorias evolucionistas é que provém o "fervor" de adesão às teses
evolucionistas, e, por vezes, a fúria de que são tomados os evolucionistas,
quando se questiona o dogma-tabu do darwinismo.
E esta adesão incondicional a um "dogma" indemonstrado
que explica porque a teoria da evolução é aquela que conta em sua história
com o maior número de fraudes e escândalos na história da ciência. Veremos,
mais adiante, algumas das fraudes perpetradas por cientistas famosos para
"arranjar" a prova da evolução que eles não encontraram na natureza. Ora,
bastaria conhecer que uma teoria tentou ser comprovada fraudulentamente,
para que se desconfiasse dela. Com o evolucionismo essa regra não é
aplicada. Apesar de essa teoria ter tido mais fraudes do que provas, ela
continua a ser apresentada como verdadeira, a ponto de, recentemente, o
próprio Papa João Paulo II tê-la defendido como verossímil senão como certa
(João Paulo II, discurso à Academia Pontifícia de Ciências, 1997).
Também é interessante notar como termos religiosos são
comuns nos textos dos defensores da evolução. Veja-se, por exemplo, como o
famoso evolucionista Stephan Jay Gould fala em "ortodoxia" e em "apostasia",
em "heresia", em "dogma", em "devotamento", etc. ao tratar da adesão, desvio
ou repúdio da teoria da evolução (Cfr. Stephan Jay Gould, O Polegar do
Panda, ed cit. pp. 167-168-169).
Paul Lemoine escreveu:
"A evolução é uma espécie de dogma, no qual seus
sacerdotes já não crêem mais, porém eles o mantém para o povo: é preciso ter
coragem para dizer isto a fim de que os homens da futura geração orientem
suas pesquisas de outro modo" (Encyclopédie Française, Tomo V, p. 5-82-3,
5-82-8, 1938, apud P. TROADEC, op. cit. p. 37).
Jean Rostand tem a mesma posição religiosa face à
evolução, quando afirma:
"Creio firmemente... que os mamíferos procedem dos
lagartos, e os lagartos dos peixes, porém, prefiro deixar no vago a origem
destas escandalosas metamorfoses a acrescentar à sua inverosimilhança a de
uma interpretação ilusória" (Apud Ossandón Valdés, op. cit. p. 15).
Para Rostand, o evolucionismo é mais religioso do que
científico, porque: "deliberadamente deixa sem resposta a formidável questão
da origem da vida e...só propõe soluções ilusórias ao problema, não menos
formidável, das transformações evolutivas". "Estamos ainda esperando uma
sugestão suficiente a respeito das causas das transformações das
espécies"..."Quando falamos de evolução supomos a existência de uma natureza
imaginária, dotada de poderes radicalmente diferentes de tudo o que nos é
conhecido cientificamente"(Jean Rostand, apud G. Salet, citado por Ossandón
Valdés, op. cit. p. 15).
Errol White, especialista de biologia aquática, escreveu:
“Nós ainda ignoramos o mecanismo da evolução apesar da
super confiança alardeada em alguns setores, e provavelmente nem faremos
posteriores progressos neste ponto, por meio dos clássicos métodos da
Paleontologia e da Biologia; e certamente não avançaremos no assunto
saltando para cima e para baixo e gritando: “Darwin é Deus, e eu, Fulano de
Tal, sou o seu profeta” (Cfr. Duane T. Gish, “Evolution: the Challenge of
the Fossil Record, Creation-Life Publishers, El Cajon, 7a. ed. 1992, p. 68).
Lynn Margulis, professora emérita de Biologia da
Universidade de Massassuchets considera que, a História acabará por
considerar o Neo-darwinismo como “uma pequena seita religiosa do século XX,
dentro da fé religiosa geral da biologia anglo-saxônica” (C. Mann, “Lynn
Margulis,: Science’s Unruly Earth Mother”, In Science, 1991, n. 252, pp
378-381, apud Michael Behe, “A Caixa Preta de Darwin” Jorge Zahar Editor,
Rio de Janeiro, 1996, p. 35).
Outros autores conhecidos como defensores do
evolucionismo admitem que o darwinismo não é científico, ou ainda que o
evolucionismo é mais uma fé do que uma ciência.
Assim N. Macbeth, diz textualmente "O Darwinismo não é
ciência" in American Biology Teacher Novembro de 1976, p, 496, apud Duane T.
Gish, op. cit.,p.14).
L. Harrison Matthews, geólogo evolucionista, confessa:
"O fato de que a evolução é a espinha dorsal da Biologia
e que a Biologia está então na posição particular de uma ciência
fundamentada numa teoria não comprovada, -- é ela então uma ciência ou uma
fé? Crer na evolução é então o paralelo exato do crer numa especial criação
-- ambos são conceitos cujos crentes crêem como verdade, mas que nem um nem
outros, até o presente, foi capaz de provar" (L.H. Matthews, Introdução
para a "The Origin of Species, de Charles Darwin, Dent and Sons, London,
1971,p. XI, apud Duane T. Gish, op. cit. p. 15).
O evolucionismo é então o dogma central de uma seita de
caráter gnóstico, e, como toda seita, ele é intolerante.
Richard Dawkins, cientista ardoroso defensor da evolução,
escreveu que os negadores da evolução são “ignorantes, estúpidos ou insanos
(ou maus -- mas eu preferiria não considerar essa possibilidade)” (Apud M. Behe, op cit. p. 251).
John Madox, editor da revista Nature declarou em
sua revista: “Talvez não demore muito para a prática da religião ser
considerada como anti ciência” (Apud M. Behe, op cit. p. 252) e “Daniel
Dennet compara os crentes religiosos -- 90 % da população -- a animais
selvagens, que precisam ser enjaulados e diz que devem ser impedidos (através da coerção, presume-se) de informar seus filhos sobre a verdade da
evolução, que para ele é tão evidente” (Apud Michael Behe, op. cit. p. 252).
4 -- EVOLUCIONISMO E FILOSOFIA
A ingenuidade geométrica de alguns "cientistas" chega ao
absurdo de imaginar que o evolucionismo darwiniano é um posicionamento
puramente científico, sem nenhuma relação com a história, com a filosofia ou
com a religião. Eles imaginam que o evolucionismo surgiu apenas, e tão só,
dos estudos científicos de Darwin e de seus seguidores, todos hermeticamente
isolados em seus laboratórios, profilaticamente preservados de qualquer
contágio metafísico ou teológico.
Separando, deste modo, o darwinismo de seu contexto
histórico e cultural, eles ficam impossibilitados de ter verdadeira
compreensão do problema e de seu significado histórico.
Na verdade, o evolucionismo é um capítulo inserido na
História da Filosofia e na História da Religião, no Ocidente. Ele só pode
ser verdadeiramente entendido em seu contexto cultural.
“(...) o pensamento evolucionista de Darwin não era uma
simples hipótese científica que ocorreu para combater idéias religiosas
admitidas em certas questões de fato. Era, antes, o produto e, uma parte
essencial, de uma Weltanschauung -- uma visão do mundo --
proximamente ligada à produção da revolução industrial e às revoluções
políticas, principalmente à Revolução Francesa, estes grandes acontecimentos
históricos desenrolados entre os anos 1776 e 1848”. (Howard E. Gruber, op.
cit. p. 47). Portanto, o darwinismo só pode ser entendido como parte de uma
“visão do mundo” -- de uma Weltanschauung -- e de uma
Weltanschauung revolucionária.
O próprio Darwin, em sua Autobiografia confessa que foi
ao ler uma obra de Malthus sobre população que teve a idéia da seleção
natural, através da luta pela sobrevivência, a qual faria sempre o mais
fraco ser eliminado.
Stephan Jay Gould, defensor de um evolucionismo
reformado, citando os últimos estudos de Howard E. Gruber e Silvan S.
Schweber sobre a vida de Darwin mostra como o fundador do evolucionismo
moderno não se fundamentou na biologia para estabelecer sua teoria.
"Ao ler o relato pormenorizado de Schweber dos momentos
que precederam a formulação da teoria da seleção natural por Darwin, fui
particularmente tocado pela ausência de influências decisivas a partir de
seu próprio campo, a biologia. Os precursores imediatos foram um cientista
social [Comte], um economista [Adam Smith] e um estatístico [Adolph
Quetelet]" (S. Jay Gould, O polegar do Panda, p.55).
Jay Gould diz que a obra de Schweber demonstra que "as
peças finais [da teoria da evolução de Darwin] não surgiram a partir de
novos fatos da história natural, mas das incursões intelectuais de Darwin em
campos distantes. Ao ler uma extensa revisão do "Cours de Philosophie
positive -- o trabalho mais famoso do filósofo [Sic!] e cientista
natural [Sic!] Augusto Comte -- Darwin ficou particularmente impressionado
com a insistência do autor em que uma teoria adequada deve ser profética
[Sic!] e, no mínimo, potencialmente quantitativa" ( S. Jay Gould, O polegar
do panda, p. 55)
"De fato, acredito que a teoria da seleção natural
deveria ser vista como uma analogia ampliada - se consciente ou inconsciente
da parte de Darwin, não sei -- à economia de do laissez-faire, de
Adam Smith" (Jay Gould, op. cit. p. 55).
E mais:
"A teoria da seleção natural constitui uma transferência
criativa, para a biologia, do argumento básico de Adam Smith a favor de uma
economia racional: o equilíbrio e a ordem da natureza não surgem de um
controle externo mais elevado (divino) ou da existência de leis operando
diretamente sobre o todo, mas sim a partir da luta entre indivíduos pelos
seus próprios benefícios (em termos modernos, pela transmissão de seus genes
a gerações futuras através do êxito diferencial na reprodução). (Jay Gould,
op. cit. p. 56).
Jay Gould procura minimizar a surpresa -- ou o espanto
gerado por sua afirmativa -- de que a teoria da evolução não se fundamentou,
inicialmente, em descobertas biológicas, dizendo:
"Muitas pessoas se sentem perturbadas ao ouvir um tal
argumento: não compromete a integridade da ciência o fato de algumas de suas
conclusões primárias se originarem, por analogias, da política e da cultura
contemporâneas, em vez de se basearem nos dados da própria disciplina " (Jay
Gould, op. cit. p. 56).
Tais fatos são comprometedores, sim, na medida em que o
evolucionismo tem sido sistematicamente apresentado como uma teoria
puramente científica e biológica, quando, na verdade, não é.
5 - DARWINISMO E MARXISMO
Se a teoria da evolução darwinista teve origem em
leituras filosóficas e econômicas de Darwin, seus efeitos só poderiam
agradar ao materialismo marxista.
Com efeito, "Marx foi um grande admirador de Darwin" (Jay
Gould, op. cit. p.57).
“Quando a ”Origem das Espécies” apareceu, Marx e
Engels, estes apóstolos do mundo como fluxo, saudaram-no entusiasticamente.
Em 1860, Marx escreveu para Engels: “Embora desenvolvido em cru estilo
inglês, este é o livro que contém a base de nossas percepções em História
Natural" ( Howard E. Gruber, Darwin on Man, The University Chicago
Press1981, p.71).
Marx escreveu:
"É notável como Darwin reconhece, entre animais e
plantas, sua sociedade inglesa, com as divisões de trabalho, a competição, a
abertura de novos mercados, a "invenção" e a malthusiana "luta pela
sobrevivência". É o bellum omnium contra omnes ( a guerra de todos
contra todos) de Hobbes" (Marx, apud Jay Gould, op. cit. p.56-57). E com a
eliminação do mais fraco. Portanto, justificando a lei do mais forte, para a
vida humana.
Não há dúvida então de que a doutrina evolucionista é uma
doutrina capitalista...apreciada, ontem, por Marx, hoje, pelos marxistas.
Marx quis até dedicar o segundo volume de "Das Kapital"
para Darwin, tanto ele o admirava. Foi Darwin quem pediu a Marx que não o
fizesse (Cfr. H. E. Gruber, op. cit., p. 72 e Gérard Bonnot, O que restou do
Darwinismo, entrevista com Jacques Ruffié, autor do livro Traité du Vivant,
in O Estado de São Paulo, 9 de maio de 1982).
Pierre Thuillier, em seu livro Darwin et Cie. descobre o
ideólogo escondido no cientista:
"Ele [Darwin] havia decidido antes mesmo de ter
interpretado suas famosas observações, que devia formular uma explicação
global mecanicista". "Darwin era um militante do ateísmo e do materialismo
que tomava muito cuidado em esconder suas verdadeiras motivações sob as
aparências de um procedimento científico rigoroso. "Devo evitar mostrar a
que ponto creio no materialismo, escreve ele". (Artigo A nossa origem: uma
antiga e apaixonada discussão - L'Express, in O Estado de São Paulo - Jornal
da Tarde, Caderno de Leituras, 13 de fevereiro de 1982).
Talvez tenha sido então para ocultar seu ativismo materialista e seu
ateísmo que Darwin não aceitou a homenagem de Marx com a dedicatória de O
Capital.
Gilles Lapouge tira a mesma conclusão a respeito de
Darwin e de sua obra:
"Darwin deseja fazer crer que ele é um escravo da ciência
(...) Ele dissimula que, na realidade, partiu de uma ideologia e organizou
suas observações no arquivo teórico, ideológico que tinha em mente".(...)
(...)"Devemos acrescentar o seguinte: como toda grande
ofensiva da ciência, a teoria da evolução está duplamente envolvida em
ideologia. Por um lado, o próprio Darwin confessa que a sua visão
materialista precedeu a coleta dos fatos. Por outro, porque há cem anos o
darwinismo alimenta outras teorias, outras ideologias que extraem do
darwinismo justificativas para sua filosofia ou metafísica". (G. Lapouge,
Darwin e a evolução, artigo in Cultura, Suplemento de O Estado de São Paulo,
ano II nº. 95, 4 de abril de 1982).
Richard Dawkins, cientista evolucionista intransigente,
fez uma declaração que vale como uma confissão. Disse ele que Darwin tornou
possível ao homem ser um “ateu intelectualmente realizado” (Apud M. Behe,
op. cit. p. 252).
Um outro célebre evolucionista, Richard Lewontin,
confessou: “Nós ficamos do lado da ciência, apesar do patente absurdo de
algumas de suas construções, apesar de seu fracasso para cumprir muitas de
suas extravagantes promessas em relação à saúde e à vida, apesar da
tolerância da comunidade científica em prol de teorias certamente não
comprovadas, porque nós temos um compromisso prévio, um compromisso com o
materialismo. Não é que os métodos e instituições da ciência de algum modo
compelem-nos a aceitar uma explicação material dos fenômenos do mundo, mas,
ao contrário, somos forçados por nossa prévia adesão à concepção
materialista do universo a criar um aparato de investigação e um conjunto de
conceitos que produzam explicações materialistas, não importa quão
contraditórias, quão enganosas e quão mitificadas para os não iniciados.
Além disso, para nós o materialismo é absoluto; não podemos permitir que o
'Pé Divino' entre por nossa porta." (New York Reviews of Books, 1987).
A estreita ligação de evolucionismo com o marxismo é
comprovada pelo que conta Monsenhor O'Hara, Bispo de Yuanling, na China.
Conforme o testemunho desse Prelado, quando o chamado Exército de Libertação
comunista de Mao Tsé Tung entrava numa localidade, toda a população era
constrangida a participar de um curso de propaganda e doutrinação, e, a
primeira lição não era sobre a doutrina de Karl Marx, mas sim sobre o
evolucionismo, tentando-se convencer o povo de que o homem veio do macaco.
(Apud Patrick Troadec, L'Évolucionisme, apostila francesa, p. 2).
Está claro, então, que o evolucionismo não teve origem
científica e sim ideológica e religiosa.
Por isso, o evolucionista Y. Delage declarou:
"ESTOU ABSOLUTAMENTE CONVENCIDO QUE SE É OU NÃO
TRANSFORMISTA, NÃO POR RAZÕES TIRADAS DA HISTÓRIA NATURAL, MAS EM RAZÃO DE
SUAS OPINIÕES FILOSÓFICAS" (Apud Patrick TROADEC, L'Évolucionisme, p. 2).
O evolucionismo não nasce de uma pesquisa científica
imparcial, e sim de um ateísmo anterior que pretende, mais do que provar a
evolução, negar que houve um Criador. O evolucionismo é fruto necessário do
ateísmo. É o que confessam vários de seus paladinos.
Caullery, em seu livro Le point de l'évolution, afirma,
sem rodeios:
"Sim, as espécies atuais são estáveis, mas elas nem
sempre o foram, senão seria preciso recorrer a um Criador para explicar a
aparição dos seres vivos. Ora, o criacionismo é anti-científico. Portanto, a
transformação das espécies é um fato" (Apud P. Troadec, op. cit. p.28).
6 - EVOLUCIONISMO E NAZISMO
Entretanto convém mostrar algo mais: a ligação entre o
evolucionismo de Darwin e outras criminosas teorias racistas que o adotaram,
principalmente a doutrina nazista.
É verdadeiramente chocante verificar como as evidentes
implicações racistas das teorias de Darwin não são percebidas pelos atuais
defensores do evolucionismo, e como eles recusam admitir a evidência, quando
esta lhes é mostrada. O comportamento de certos darwinistas -- negando o
óbvio - é muito semelhante ao de certos sectários quando postos face a uma
contradição deles com o próprio texto bíblico, no qual eles dizem se basear.
É atitude típica de fanatismo: negar a evidência dos fatos, ou recusar tirar
uma conclusão óbvia de um raciocínio certo.
A doutrina darwinista submetia a evolução à lei da
sobrevivência do mais apto. As espécies lutariam entre si, e as mais fracas,
ou as menos aptas, pereceriam. "A essência do darwinismo reside numa única
frase: a seleção natural é a força criativa principal da mudança evolutiva"
(Jay Gould, op. cit. p.171).
Mais adiante analisaremos mais a fundo este principio
darwinista. Por ora, queremos apenas retirar dele as evidentes implicações
racistas nele embutidas.
Se é a vitória do mais apto que garante o prosseguimento
da evolução, é claro que essa lei universal deve ser aplicada também dentro
de cada espécie. As várias raças de uma espécie também estariam submetidas à
lei da sobrevivência, e a raça mais apta deveria eliminar as mais fracas,
para que a espécie tenha mais possibilidade de se aperfeiçoar e de
sobreviver.
A teoria de Darwin pressupõe uma desigualdade das raças e
uma luta entre elas para eliminar as que seriam inferiores.
Alguém poderia alegar não haver provas de que Darwin
pensasse assim, e que ele teria repudiado o racismo. O que se discute não é
a possível reação de Darwin ante o nazismo, que aconteceria muitas décadas
após sua morte. O que procuramos fazer ver é que o evolucionismo traz, em
seu bojo, as sementes das leis racistas de Hitler.
"O próprio Darwin (...) fala de raças humanas
"inferiores" e acredita, segundo a expressão de Thuillier, na "existência de
uma hierarquia absoluta da humanidade" (L'Express, artigo A nossa origem:
uma antiga e apaixonada discussão, in Jornal da Tarde - Caderno de Programas
e Leituras, 13 de fevereiro de 1982).
Diz Gilles Lapouge:
"Na verdade, Darwin traz em si boa parte das teorias
racistas, se bem que ele tenha sido completamente avesso a qualquer espécie
de racismo" "O darwinismo, há um século, serve de justificativa teórica a
muitos pensamentos racistas e elitistas" (G. Lapouge, Darwin e a evolução,
Cultura, nº 95, O Estado de São Paulo, 4 de abril de 1982).
O próprio primo de Darwin -- Galton, que era biólogo --
propôs que a ciência assumisse o papel que a natureza desempenha na
evolução, selecionando os elementos mais dotados. Ele queria que a
sociedade, através da aplicação de métodos científicos, fizesse "com
previdência, rapidez e benevolência, aquilo que a natureza faz cega, lenta e
impiedosamente". (Apud G. Lapouge, art. cit.).
Galton já propunha - com base no darwinismo - os
criminosos métodos nazistas.
"Outro caso ilustra os venenos camuflados no seio do
darwinismo. É o de Konrad Lorenz, prêmio Nobel, e merecidamente considerado
um dos grandes etnólogos da modernidade. Ora, Lorenz, que apela
constantemente a Darwin, foi um defensor da seleção artificial e dos ideais
racistas sob Hitler. Em 1940, bem jovem ainda, ele publica um artigo
incrível que fala de seleção, de pureza racial e até mesmo de eliminação dos
seres moralmente inferiores(...) Ele pretende, justamente graças ao
darwinismo, estender ao homem as leis do reino animal, o que faria da
biologia a única verdadeira ciência do homem, uma ciência ao mesmo tempo
moral, política, etc."(G. Lapouge, art. cit. ).
Outro exemplo de darwinista racista, dado por Lapouge, é
o de MacFarlane Burnett, que ganhou um prêmio Nobel em 1960. Ele defende a
tese de que os progressos da medicina impedem a natureza de selecionar as
espécies e os elementos, permitindo a sobrevivência dos fracos. Também acusa
o espírito democrático de impedir a eliminação dos inferiores.
Lapouge cita o seguinte texto de MacFarlane Burnett:
"Podemos calcular, explica ele, que, desde a evolução dos
primatas até o final do período dos caçadores coletores, quase 90% dos
descendentes gerados morriam antes de atingir a idade da reprodução. Ao
contrário, nas sociedades ocidentais, as crianças não morrem muito mais.
Apenas 5% das crianças, uma verdadeira miséria, morrem. Esta súbita retração
da função de triagem própria da seleção natural deve levar a um acúmulo de
indivíduos que podemos chamar inferiores de acordo com as normas correntes
relativas à saúde, inteligência e agressividade ". (MacFarlane Buttler,
apud G. Lapouge, art. cit.).
MacFarlane Buttler constatando que,
"é provavelmente impossível, hoje, utilizar um meio
legal para matar visando a proteção de uma sociedade"
conclui que "O internamento perpétuo, seja numa prisão,
seja num hospital" seria o meio mais apropriado para impedir o crescimento
do número de indivíduos inferiores. (Cfr. G. Lapouge, art. cit.).
Sabe-se, também, que o eugenismo, bastante difundido no
início do século XX, dava suporte “científico” às milhares de esterilizações
em massa, na Europa e Estados Unidos, entre loucos, doentes e indigentes. Ao
todo, foram 375.000 esterilizações na alemanha nazista, e – pasmem – 30.000
nos Estados Unidos, entre 1927 e 1972 (Razón y revolución: Filosofía marxista
y ciencia moderna; A. Woods & T. Grant, fundação F. Engels, 1995). Um dos
seus maiores advogados foi o conceituado Ronald Fisher, cientista inglês de
fundamental importância para as teorias selecionistas do início do século
XX.
Até parece um pesadelo! A que conseqüências absurdas
conduz o darwinismo! Pelos frutos se conhece a árvore. Pelos absurdos
conseqüentes, se compreende o erro do princípio.
Mas por que não se divulgam amplamente essas conseqüências, que
manifestam o que estava oculto na semente plantada por Darwin?
7 - O EVOLUCIONISMO ATUAL E AS FILOSOFIAS DIALÉTICAS
A seleção natural, motor da evolução, também tem
fundamento filosófico. Jay Gould mostra que Darwin, ao aceitar os
pressupostos filosóficos em seu tempo, adotou o princípio de que "natura
non fac saltum", o que o levou a afirmar que a evolução é lenta e
passa, de etapa em etapa, até a formação de uma nova espécie. Ora, é
universalmente aceito, hoje, que isto é falso, pois no registro fóssil não
se encontram vestígios dessa evolução lenta. Quanto mais ela fosse lenta e
quanto mais tempo ela durasse, mais se encontrariam fósseis intermediários
entre duas espécies. E isso não se dá!
Por isso, Jay Gould diz que precisou recorrer a um outro
modelo filosófico para justificar a evolução repentina de uma espécie para
outra, como ele a expõe na sua hipótese de "evolução pontuada".
E a que filosofia recorreu Jay Gould? À filosofia dialética de Hegel e
Marx!
Vejamos o que diz o líder do evolucionismo de nossos
dias.
"O registro fóssil não oferecia qualquer apoio à mudança
gradual: faunas inteiras tinham sido erradicadas durante intervalos de tempo
extremamente curtos. As novas espécies apareceram no registro fóssil quase
sempre de maneira abrupta, sem elos intermediários aos antepassados nas
rochas mais velhas da mesma região" Jay Gould, O polegar do panda, p. 161; o
sublinhado é nosso).
"A extrema raridade das formas de transição no registro
fóssil permanece como "segredo do negócio" da paleontologia. As árvores
genealógicas que adornam nossos manuais têm dados apenas nas pontas e nos
nós dos seus ramos; o resto, por mais razoável que seja, é inferência, e não
evidência de fósseis. No entanto, Darwin aferrou-se tanto ao gradualismo,
que comprometeu toda a sua teoria (...) (Jay Gould, op. cit. p. 163).
"Se o gradualismo é mais um produto do pensamento
ocidental do que um fato da natureza, então deveríamos considerar filosofias
alternativas de mudança para ampliar o nosso universo de preconceitos
constrangedores. Na União Soviética, por exemplo, os cientistas são
treinados numa filosofia da mudança muito diferente -- as denominadas "leis
dialéticas", reformuladas por Engels a partir da filosofia de Hegel. As leis
dialéticas são explicitamente pontuativas; falam, por exemplo, da
"transformação da quantidade em qualidade". Isso pode parecer um pouco sem
sentido, mas sugere que a mudança ocorre em saltos largos, que se seguem a
uma lenta acumulação de tensões a que um sistema resiste até alcançar o
ponto de ruptura. Aqueçam a água e ela acabará fervendo. Oprimam os
operários cada vez mais e provocarão a revolução. Elredge e eu ficamos
fascinados ao saber que muitos paleontólogos russos defendem um modelo
semelhante ao nosso equilíbrio pontuado"(Jay Gould, op. cit.. p. 166).
São muito importantes esses textos de Jay Gould pelas
confissões que contém, além de comprovarem a facilidade com que cientistas
de alto nível podem incorrer em erros filosóficos grosseiros. Por exemplo, a
água aquecida não "evolui" para vapor d'água. Vapor de água continua sendo
substancialmente água, enquanto a evolução supõe uma mudança de espécie,
isto é, de forma substancial.
E também não é verdade que a opressão crescente produzirá
necessariamente a revolução: os operários foram tremendamente oprimidos pelo
nazismo e pelo comunismo stalinista, e não se revoltaram. Pelo contrário,
muitos continuaram apoiando Hitler e Stalin até o fim. A massa ama os
tiranos e Nero, Mao e Pol Pot foram adorados...
Como se vê, Jay Gould confessa ter adotado a dialética
marxista como instrumento útil para confirmar suas teses evolucionistas.
8 - EVOLUCIONISMO E MISTICISMO GNÓSTICO
A confissão de Jay Gould de que só se salva o
evolucionismo pela adoção de um modelo filosófico hegeliano e marxista, isto
é, adotando um pensamento dialético, lança, mais ainda, a doutrina
evolucionista na esfera da Gnose.
Com efeito, a Gnose é essencialmente dialética. Sua
primeira lei é a da igualdade dos contrários. Para a Gnose, o ser evolui
constantemente porque seria constituído de princípios contrários e iguais.
Aliás a dialética de Engels e Marx é derivada de Hegel.
Este, por sua vez, confessa que a herdou de Jacob Boehme, o qual se inspirou
na Cabala, que segundo Gerschom Scholem é a Gnose judaica (Cfr. Gerschom
Scholem, A Mística Judaica (Major Trends in Jewish Mysticism), Perspectiva,
São Paulo, 1972, p.).
Duas foram as fontes da filosofia dialética de Hegel,
ambas de caráter gnóstico: Mestre Eckhart e Jacob Boehme.
"Hegel foi adepto de Boehme desde a sua juventude, e
várias vezes o elogiou em suas obras e em suas cartas"(Ernst Benz, op. cit.
p. 20).
"Hegel descobriu a base de sua interpretação idealista da
realidade nas especulações de mestre Eckhart, nas quais seu amigo (o
teósofo) Baader o tinha iniciado"(E. Benz, op. cit. p. 14).
Conta-nos Baader: "Em Berlim, freqüentemente eu estava em
companhia de Hegel. Um dia, em 1824, eu li para ele textos de Mestre
Eckhart, do qual, até então, ele conhecia só de nome. Ele ficou tão
entusiasmado que ele deu, noutro dia, toda uma conferência sobre Mestre
Eckhart diante de mim, e que ele terminou com estas palavras:
"Da haben wir es ja, was wir wollen"
"Eis aí exatamente o que nós queremos, eis o conjunto de
nossas idéias, de nossas intenções" (E. Benz, op. cit. p.12)
"Hegel introduzido pessoalmente nas idéias de Mestre
Eckhart por seu amigo Baader, encontrou nele a constatação e a confirmação
de sua própria filosofia do espírito (...) ele achou em Mestre Eckhart a
forma antecipada e mesmo acabada da especulação metafísica nova de seu
tempo" (E. Benz, op. cit. p.12).
Mestre Eckhart e Jacob Boehme tinham uma metafísica
dialética que Hegel adotou e que o marxismo seguiu. Jay Gould nos informa
que a teoria do evolucionismo só pode ser salva pela dialética de Hegel e
Marx. Com isto ele confirma que o evolucionismo só é aceitável e possível
com uma visão dialética e gnóstica do universo.
II - EVOLUÇÃO E METAFÍSICA
1 - O PROBLEMA DA ORIGEM DA VIDA
O que é a vida e qual a sua origem são dois problemas
que, escapando do puro campo biológico, se estendem para a Metafísica e a
Teologia. Não é de espantar, pois, que as discussões sobre o Evolucionismo
resvalem sempre para o terreno religioso.
No mundo, a grande distinção é entre seres racionais e
seres puramente materiais.
Acontece, porém, que mesmo entre os seres puramente
materiais aparece a vida, e que o homem, embora dotado de alma racional,
espiritual portanto, tem também um corpo animal. Daí nascem alguns problemas
importantes. Eis alguns:
1- Que é a vida vegetal e que é a vida animal?
2 - Teriam elas origem puramente material?
3 - Haveria no vegetal e no animal um princípio vital que
não fosse estritamente material?
4 - A solução dessas questões, que problemas traria para explicar o que é
o homem?
Com a decadência da Filosofia Escolástica, no final da
Idade Média, duas tendências se tornaram marcantes:
1a. - Corrente Materialista - Tendo raízes na Filosofia
Nominalista de Ockham, o materialismo adquiriu, posteriormente, múltiplas
formas. Em todas, procurava-se dar aos problemas metafísicos uma solução de
caráter racionalista, cientificista, mecanicista e materialista. Não é à toa que Ronaldo Fisher, em seu livro The
Genetical Theory of Natural Selection, defende o filósofo nominalista
(Oxford: Clarendon Press, 1930; New York: Dover Pubns., 1958).
2a - Corrente Gnóstica - Em direta oposição ao
materialismo, desenvolveu-se uma corrente cujas origens remontam a Eckhart
e ao misticismo das seitas medievais, e que, rejeitando total ou
parcialmente a matéria, afirmam um dualismo que dá valor e realidade apenas
ao espírito. De fundo platônico e gnóstico, multiplicaram-se as seitas
secretas esotéricas, desde que se perdeu a segurança da Escolástica e a
submissão à Igreja e à primazia da Fé. Estas seitas, em geral, eram
anti-racionais, anti-científicas, mágicas, e contrárias à matéria que
consideravam prisão do espírito e produto do Deus do mal.
Com relação ao problema da origem da vida a corrente
materialista dizia que a causa da vida era totalmente material. A simples
ordenação da matéria teria o poder de gerar a vida. De modo geral, as
correntes evolucionista se filiam ao materialismo.
Em oposição a corrente espiritualista e gnóstica afirma
que a vida é a manifestação de um espírito divino imerso na matéria e que
procura se libertar. As seitas alquímicas estão neste último caso.
A posição de Teilhard de Chardin procura conciliar as
duas correntes, embora seu pensamento seja tipicamente gnóstico.
Quer a explicação mecanicista da vida adotada pela
corrente materialista, quer a concepção vitalista e espiritualista da vida,
da corrente gnóstica, se opõe à concepção católica e à Escolástica.
Por reação ao mecanicismo materialista, alguns néo-
escolásticos acabaram - por equívoco - tendendo a dar uma solução de tons
vitalistas ao problema da vida vegetal e animal.
Para São Tomás, a vida vegetal e animal corresponde à
forma substancial material da planta e do animal. A doutrina hilemorfista de
Aristóteles e São Tomás afirma que em todo ser material há uma composição de
matéria e forma substancial. Nos vegetais e animais, a matéria é ordenada
potencialmente a ter vida vegetal ou animal, que lhes é dada pela sua forma
substancial material. Assim, a vida de uma planta ou de um animal
corresponde à sua forma substancial. O morrer do animal e da planta é a
perda de sua forma animal ou vegetal, apenas isso. Na planta e no animal não
há então nenhum princípio vital extrínseco à matéria.
O problema é como se dá a constituição do ser vegetal e
do animal pela atualização da potencialidade da matéria a ter vida. Em
outras palavras, como a potência da matéria a ter vida é atualizada por sua
forma, sem a qual ela não é nem vegetal nem animal. É claro que a pura
potência não existe, e, portanto não existe a pura matéria enquanto só
potência. A matéria do vegetal e do animal é a mesma matéria mineral, isto
é, é uma matéria que tem já matéria e forma mineral.
Como então a matéria mineral passa a ser vegetal?
Para os mecanicistas, a matéria mineral, simplesmente por
sua ordenação se transforma em vegetal, isto é, torna-se matéria viva.
Para os vitalistas, o vegetal só se torna tal pela
inclusão nele, a partir do exterior, de um “espírito” ou princípio vital.
Para a filosofia escolástica, nem o mecanicismo, nem o
vitalismo correspondem à verdade. A matéria mineral se torna vegetal pela
assunção de uma nova forma. Assim como a madeira é tal por sua forma
substancial, e passa a ser cinza, mudando de forma substancial pela ação do
fogo, assim também a matéria puramente mineral se torna vegetal, e portanto
viva, por uma mudança de forma substancial.
Entretanto, resta responder uma questão crucial: o que
faz a matéria mineral mudar para a forma substancial vegetal?
Na doutrina aristotélica-tomista, nada passa de potência
para ato de per si. Todo movimento exige que o ser em potência para uma
qualidade receba essa mesma qualidade de outro ser que já a possua em ato.
Tendo a matéria mineral a potência de se tornar viva pela
assunção de uma nova forma substancial, é necessário que essa forma seja
dada - pelo menos inicialmente - por outro ser que não seja a pura matéria
mineral que, estando em potência para a vida não pode tê-la atualmente.
De fato, no Gênesis se lê que, a princípio Deus disse:
“Produza a terra erva verde e que dê semente e árvores frutíferas que dêem
fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nelas mesmas para se
reproduzirem sobre a terra" (Gen, I, 11). E ainda: “Produzam as águas répteis
animados e viventes e aves que voem sobre a terra debaixo do firmamento do
céu. Deus criou os grandes peixes e todos os animais que tem vida e
movimento, os quais foram produzidos pelas águas segundo a sua espécie, e
todas as aves, segundo a sua espécie” (Gen, I, 20-21).
No texto do Gênesis está dito que Deus usou a terra e as
águas como matéria, e sua ordem infundiu na matéria a forma vegetal ou
animal. De passagem, convém notar que o texto do Gênesis afirma que cada
planta e animal foi criado capaz de dar fruto “segundo a sua espécie”, e
que esta expressão é dez vezes repetida no primeiro capítulo do Gênesis.
Concluindo, a vida vegetal e a vida animal não são nem o
resultado de uma ordenação mecânica, nem a inserção de não se sabe bem que
espírito vital neles, mas simplesmente a forma substancial vegetal
(puramente material) da planta, e a forma substancial animal (puramente
material) do animal.
2 - EVOLUÇÃO E PRINCÍPIOS DO SER
O bom senso e a metafísica ensinam:
1. Que o ser é idêntico a si mesmo. (Princípio de
identidade). Pão é pão. Pedra é pedra.
2. Que uma coisa não pode ser e não ser, ao mesmo
tempo, sob o mesmo aspecto. (Princípio de não-contradição).
Estes dois princípios são decorrentes da própria noção do
Ser Absoluto, Deus.
Com efeito, conforme demonstram Aristóteles e São Tomás
de Aquino, repugna à perfeição do Ser absoluto a possibilidade de mudança. O
Ser perfeito não pode nem se tornar mais perfeito, nem decair de perfeição.
Deus, sendo puro Ato, sem nenhuma potência, é incapaz de qualquer mudança.
Mudar é passar de potência de uma qualidade para a
realização ou posse dessa qualidade. Deus não tem potência passiva. Logo,
Deus não pode mudar.
E é impressionante constatar que, aquilo que Aristóteles
concluiu com seu raciocínio, Deus já o dissera nas Sagradas Escrituras.
Assim, quando Moisés perguntou a Deus qual era o seu
nome, Deus lhe respondeu:
"EGO SUM QUI SUM" ["Eu sou o que sou"] (Ex. III, 14).
Deus é Aquele que não muda.
Isto foi confirmado por Deus em outras passagens:
"Ego enim Dominus et non mutor" ["Eu sou o Senhor e não
mudo"] (Mal..III, 6).
"Non est Deus quasi homo, ut mentiatur: Nec ut filius
homini, ut muetur"[ "Deus não é como o homem, capaz de mentir; nem como o
filho do homem capaz de mudar"] (Num. XXIII, 19).
Então, o Ser por excelência é imutável.
Face ao Ser absoluto, só há duas visões possíveis:
1a. -- ou se admite o que Ele é, como Ele é;
2a. -- ou se O nega, afirmando que Ele não existe
(ateísmo) e que só existe a mudança (Gnose).
Os seres criados são seres por analogia com relação ao
Ser absoluto. Todo ser criado tem qualidades em ato e qualidades que pode
vir a ter, que estão em potência.
Mudança ou movimento é a passagem de potência para uma
qualidade para a posse daquela mesma qualidade. Mudar é passar de potência
para ato, com relação a uma determinada qualidade.
Todo ser criado muda.
Se se nega que os seres contingentes mudam, então se os
iguala a Deus, caindo no panteísmo. Foi este o erro de Parmênides, ao não
distinguir os seres pelo princípio da analogia, e afirmando então que só
existe o Ser absoluto, imutável. Ao cair nesse erro, ele identificava o ser
da pedra com o ser divino, e tinha, então, que negar a evidência das
mudanças.
Heráclito caiu no erro oposto ao afirmar que só havia a
mudança sem que existisse um sujeito que mudava. Deste modo, Heráclito
negava o ser e caia na Gnose.
Os seres criados são análogos, isto é, semelhantes ao Ser
absoluto. Nos seres por analogia, algo não muda e algo muda.
Cada ser análogo é o que é, por sua forma substancial.
Também a forma substancial é capaz de mudanças: a madeira
queimada se torna cinza. Mas ela não pode ser madeira e cinza ao mesmo
tempo. Nem é capaz de mudar por si mesma. Para mudar, ela tem que receber a
qualidade para a qual está em potência, de outro ser, que tenha aquela
qualidade em ato.
Para o evolucionismo, tal não acontece.
O ser teria, em si mesmo, uma força imanente que o
levaria necessariamente a fazer desabrochar o que nele já existia em estado
latente.
O primeiro e único ser seria como uma semente da qual
desabrochou todo o universo.
Como afirma a dialética hegeliana, o ser é o que não é, e
não é o que ele é.
É a negação, per diametrum, do "Ego sum qui sum " da
Escritura.
3 - EVOLUCIONISMO E ANALOGIA DO SER
Vimos que há uma estreita relação entre o evolucionismo e
uma concepção ou monista-panteísta do ser, ou uma visão gnóstico-dialética
do universo. De qualquer modo, o evolucionismo afirma um igualitarismo
metafísico: no fundo, todas as coisas seriam transformações de um único ser,
ou material ou espiritual. Em ambas as variantes -- panteísta ou gnóstica -
se nega que o universo tenha sido criado por um Deus transcendente.
Por outro lado, a afirmação de que tudo, no fundo, é uma
só realidade, redunda numa negação da analogia do ser.
Com efeito, no universo constatamos uma hierarquia
metafísica.
Tudo o que existe é ser, mas não é ser do mesmo modo. O
conceito de ser não é nem unívoco, nem equívoco, mas análogo.
Assim, o pé de uma cadeira, o pé de um animal e o pé
humano têm algo em comum: todos sustentam algo. Entretanto, o pé da cadeira
só é "pé" na medida em sustenta a cadeira, do mesmo modo que o pé sustenta o
corpo humano. O pé da cadeira nem tem vida, nem tem as qualidades múltiplas
de um pé de verdade. O "pé" da cadeira só é "pé" por comparação, por
analogia com o pé humano.
O "pé" de um animal se parece mais com o pé humano,
porque tem vida e mais outras funções semelhantes às do pé humano. Em razão
daquilo que ele difere de um pé humano é que se lhe dá o nome de pata, e não
de pé. Pé verdadeiro, é só o do homem. Pé da cadeira e pé de animal são pés
por analogia ou semelhança com o pé humano.
Do mesmo modo, tudo o que existe é ser. Porém, as coisas
que encontramos no universo apenas têm o ser. Não são o Ser.
Ser, em sentido próprio e absoluto, é aquilo que existe
por si mesmo, que é imutável, eterno e infinito. Em sentido estrito, só Deus
é Ser. As coisas que Deus criou são semelhantes a Ele em graus diversos. Na
medida em que uma coisa possui qualidades em ato, nessa mesma medida se
parece com o Ser e é ser.
Assim as coisas puramente materiais têm a menor analogia
com o Ser absoluto, e são, pois, o menor grau de ser possível. Já os
vegetais, além de existirem, têm vida. No homem, a forma racional o torna
uma imagem de Deus, e, por isso, o ser humano é muito mais semelhante ao
Criador. Os anjos, por fim, sendo puros espíritos, se parecem mais com Deus
do que o homem. Há, pois, uma escala metafísica no universo, cada reino
transcendendo o inferior, do mesmo modo - não no mesmo grau -- que Deus
transcende o universo criado.
Para o evolucionismo, não existiria realmente uma
hierarquia metafísica, pois o que é hoje uma pedra, com o tempo e graças à
evolução tornar-se-á, ser vivo, ser racional, e - nem todos eles o dizem
explicitamente como o faz Teilhard de Chardin - finalmente se tornará Deus.
O evolucionismo supõe - e por vezes prega -- que há um
verdadeiro monismo metafísico. E é esta concepção monista e igualitária do
ser que revela seu fundo religioso. Quando o evolucionista considera que só
existe a matéria em perpétua e infinita evolução, ele se filia ao monismo
panteísta. Quando o evolucionismo considera que a realidade última das
coisas não é a matéria, mas sim um espírito aprisionado nela e que tenta se
libertar dela através da evolução, ele é uma expressão da gnose em roupagem
"científica". De qualquer modo, o evolucionismo é a expressão de uma
concepção igualitária do ser, negando a analogia do ser, assim como qualquer
transcendência.
4 - EVOLUCIONISMO E CAUSA FINAL
O evolucionismo contraria o principio de finalidade.
Todas as coisas existentes tem uma finalidade. Ora, os seres racionais tem
uma finalidade intencionalmente. Ao contrário do homem, que conhece seus
fins e os busca voluntariamente, os seres irracionais atuam cegamente. Cada
um deles busca seu fim sem conhecê-lo. Assim, uma flecha, de per si, é
incapaz de buscar o alvo. Para buscá-lo, ela precisa ser dirigida. As bolas
do jogo de bilhar só batem umas nas outras, visando o encaçapamento de uma
delas, porque alguém inteligente lhes dá direção e força. Elas precisam de
um agente intencional.
Sendo assim, não se explica a imensa ordem do mundo não
racional em busca de um fim, se não existisse um agente inteligente que
direcionou toda a ordem universal, visando um fim último.
Este argumento teleológico - que é a quinta via de São
Tomás provando a existência de Deus, foi desenvolvido por vários pensadores,
com variações de exemplos, no decorrer da História.
Se uma nave interplanetária descesse em outro planeta e
lá encontrasse uma simples flecha, todos os evolucionistas clamariam - e com
razão - que essa flecha provaria a existência de vida inteligente fora da
terra. Com razão, sim, porque seria impossível a flecha ter se constituído
sem a ação de um ser inteligente.
Ora, o que os evolucionistas estariam aplicando, nesse
caso, seria o conhecido argumento do relógio e do relojoeiro. Se existe
relógio, tem que ter existido um relojoeiro que o construiu.
Assim também, se existe ordem no universo é porque existe
um Ordenador sapientíssimo que estabeleceu essa ordem.
Michael Behe, em seu muito bom livro “A Caixa Preta de
Darwin” que já citamos, faz inúmeras aplicações desse mesmo princípio de
finalidade.
Conforme esse autor, nenhum sistema irredutível poderia
evoluir. Ele chama de sistema irredutível todo aquele que é constituído de
múltiplas partes, todas absolutamente necessárias para que o sistema alcance
seu objetivo.
Bem didaticamente ele expõe este princípio com o exemplo
bem simples de uma ratoeira, cujos componentes são todos absolutamente
necessários para que ela alcance sua finalidade. Uma ratoeira jamais poderia
evoluir, porque, faltando ou não estando plenamente realizadas as suas
partes ela seria absolutamente inútil.
Do mesmo modo, explica Michael Behe, o olho humano, uma
célula, um simples cílio celular, são sistemas irredutíveis extremamente
complexos, nos quais a falta de qualquer elemento constituinte, ou o não
desenvolvimento completo das partes constituintes, tornaria o sistema
completamente frustro e incapaz de existir, e, portanto, incapaz de atingir
o fim para o qual ele existe. Logo, conclui, Behe, a macro evolução é
impossível e jamais se deu. (Cfr. Michael Behe, A Caixa Preta de Darwin,
Zahar, Rio, 1996)
5 - O PROBLEMA DAS ESPÉCIES E OS UNIVERSAIS
Darwin deu à sua obra mais importante o título de "A
Origem das espécies". Ele pretendia explicar qual a "origem" das espécies,
isto é qual teria sido a causa eficiente do surgimento das espécies. Ele não
o fez. Porque dizer que o homem vem do macaco, por evolução, não responde,
mas apenas desloca o problema, no tempo. E o macaco, de onde veio? E o
primeiro ser?
Darwin queria negar Deus e, logicamente, só podia
transferir para a matéria bruta a eternidade, a infinitude e a omnipotência
ativa, próprias de Deus. Ele só podia substituir Deus pela matéria, caindo
no Panteísmo, caso afirmasse que a própria matéria tinha as qualidades de
Deus; ou na Gnose, caso afirmasse que na matéria estava aprisionado o
espírito divino.
Assim como Darwin não respondeu qual tinha sido, de fato,
a origem, isto é, a causa eficiente do universo, assim também ele não
definiu o que eram espécies.
A palavra "species", em latim, significa olhar, visão,
vulto, figura, e correspondia à idéia platônica de um ser.
Para Aristóteles a "species" era a forma substancial,
isto é, aquilo que torna um ser o que ele é. A espécie reúne em seu conceito
todos os seres que têm a mesma forma substancial.
No fundo, então, o termo espécie é um universal
Desde final da Idade Média, discutiu-se com ardor se o
universal existia ou não.
O gnóstico Mestre Eckhart, renovando a concepção
platônica, negava qualquer valor ao ser individual, e afirmava que só
existia o universal. Para ele, só existiria a espécie.
Ockham, por seu lado, negava qualquer existência ao
universal, defendendo que só existia o ser individual. Para Ockham, não
existiriam espécies, sendo o universal um puro nome. Daí sua doutrina ser
chamada de nominalismo.
Darwin vai repetir a tese nominalista e materialista de
Ockham ao dizer:
"O termo espécie chega, assim, a não ser mais do que uma
abstração mental inútil que implica e requer um ato de criação distinto"
(Darwin, apud Ossandón Valdés, op. cit. p. 9).
E mais:
"Considero que o termo espécie foi dado arbitrariamente,
por motivo de conveniência, para reunir em grupo, indivíduos que se
assemelham intimamente entre si". (Darwin, apud Crowson, Darwin y la
classificación, citado por Ossandón Valdés, op. cit. p.11).
Deste modo Darwin escreveu um livro -- A Origem das
Espécies -- não explicando qual a origem daquilo -- as espécies -- que,
segundo ele, não existia.
Os cientistas, hoje, chegaram a identificar mais de
1.000.000 de espécies diferentes, sendo que cerca de 850.000 são de insetos.
Entretanto, não chegaram a um acordo sobre o que são espécies. Normalmente,
elas são consideradas como "comunidades de reprodução", isto é, os membros
de uma espécie só se reproduzem com outros de sua mesma espécie.
Esta conceituação moderna é bastante falha porque, ao
levar em conta apenas a questão reprodutiva, e ao deixar de lado os aspectos
formais, torna impossível falar de espécie onde não se dá reprodução, o que
deixa sem possibilidade de classificação todo o universo unicelular, animal
e vegetal.
Há quem afirme que espécie é um conjunto dos seres que
tem a mesma origem. Mas, se a evolução fosse um fato, essa conceituação
seria falsa, porque, para os evolucionistas, todos os seres vivos teriam uma
só origem, e todos formariam então uma só espécie, o que é absurdo.
T. Dobhansky afirma que a única coisa certa é que existem
as espécies e que estas são aquelas que o senso comum sempre identificou
como tais. Dobhansky admite ainda que as espécies estão separadas entre si
por hiatos intransponíveis, ao ponto de não existirem seres intermediários
entre elas. Se houvesse seres intermediários entre as espécies, eles não
teriam possibilidade de viver (T. Dobhansky, " La idea de espécie después
de Darwin, en Barnett et alii, Un siglo después de Darwin, Buenos Aires, 1982,
p. 39, apus Ossandón Valdés, op. cit. p. 10).
O próprio Dobzhanski pôe um problema para a teoria: como
um processo contínuo, o da Evolução, pode gerar produtos descontínuos?
(Organic Diversity. In Genetics and the origin of species, 1937).
“Espécies são entidades reais na natureza”, é o que
também afirma Eliot Sober (Philosophy of Biology, 1993).
É exatamente por isso que jamais se viu surgir uma nova
espécie. As atuais são as mesmas do tempo de Aristóteles, tais quais ele as
descreveu. Elas não evoluíram.
Haldane, estudando o comprimento dos ossos, chegou à
conclusão que nos últimos 10.000 anos não houve evolução. Hudson Hoagland
assevera que:
"as partes do cérebro filogeneticamente antigas, em
oposição ao neo-córtex, mudaram muito pouco nos últimos 50.000.000 de anos
de evolução dos mamíferos"
(H. Hoagland, "Biology, brains and insight", apud
Ossandón Valdés, op. cit. p. 10).
Ossandón Valdés nos faz ver que o problema dos híbridos
põe novas dificuldades para a teoria evolucionista, porque, quando os
híbridos são férteis, seus descendentes costumam ter filhotes que retornam a
ter as características formais das espécies originais.
6 - EVOLUCIONISMO E CAUSALIDADE
O nominalismo de Ockham tinha dificuldade em admitir o
princípio de causalidade. O darwinismo, ele também nominalista, acaba tendo
graves problemas com a causalidade.
Com efeito, toda causa tem que ser anterior e maior do
que seu efeito.
Em que sentido maior?
Nenhum efeito pode ter, em si, algo que não tenha
recebido de suas causas.
Assim, uma carga explosiva de potência x não poderá
explodir com uma potência maior do que x. Se tenho força 5 em meu braço, não
poderei, sozinho, erguer um peso maior do que 5.
Suponhamos que numa geladeira existam abacaxi, banana e
cereja. Poderei fazer uma vitamina composta de abacaxi e banana.
ABC > AB.
Isto é possível e lógico. Porque, aí, a causa é maior do
que o efeito.
Suponhamos, num segundo caso que se tenha, na geladeira
abacaxi, banana e cereja. Seria possível fazer, no liqüidificador, uma
vitamina que contivesse abacaxi, banana, cereja, damasco, figo, goiaba,
laranja, mexerica, nabo, pitanga, sapoti, vagem e uva?
Evidentemente, não. Porque, aí, a causa é menor do que o
efeito.
ABC < ABCDFGLMNPSVU.
Isto é ilógico. É absurdo. É impossível que aconteça,
pois, nesse caso, o efeito seria maior do que a causa.
Ora, o evolucionismo afirma que a matéria inorgânica
causou a vida vegetal; que do vegetal proveio a vida animal, que é superior
à vida vegetal; que da vida animal veio o homem com vida racional.
Mineral < vegetal < animal < homem
Conforme o evolucionismo, o efeito é sempre maior do que
a causa. O evolucionismo se encaixa no segundo caso analisado.
O evolucionismo é ilógico, absurdo e metafisicamente
impossível.
A doutrina evolucionista contraria o princípio de
causalidade.
É claro que os evolucionistas só podem fugir desta
concepção absurda, se consideram que o primeiro ser a existir, como uma
semente, continha em si tudo o que ia ser depois desabrochado pela processo
evolutivo.
Mas, então, o evolucionismo teria que admitir que esta
primitiva semente universal era eterna, infinita e onipotente, isto é, teria
que admitir o panteísmo.
O evolucionismo é uma pretensa teoria científica que
oculta em seu bojo uma doutrina religiosa.
III - EVOLUÇÃO DA TEORIA EVOLUCIONISTA
1 - INTRODUÇÃO
As Escolas Evolucionistas
A Ciência busca o conhecimento das leis naturais. Estas
leis são universais e imutáveis. Descoberta uma lei, ela é sempre comprovada
por novas experiências. Assim, a descoberta da vacina oral contra o vírus
que causa a poliomielite por Sabin permite que sempre essa vacina impeça que
alguém seja vitimado pela doença.
Com o evolucionismo tal não se deu e não se dá. Jamais
ele foi comprovado por fatos ou por experiências. Pior: ele foi variando sua
explicação, à medida que a Ciência progredia e ia refutando os seus erros. A
única coisa que o evolucionismo comprovou é que ele é uma teoria em
constante evolução. O que não comprova nem seu caráter científico, nem a sua
veracidade.
De qualquer modo que se entenda o que é uma espécie, ao
afirmar que uma espécie deriva de outra, os evolucionistas tinham que
explicar como isso acontecia. Desde o início, houve divergências a respeito
disso entre os evolucionistas, dando origem a várias correntes ou escolas.
No decorrer de sua História, o Evolucionismo apresentou
as seguintes escolas ou correntes:
1a. -- Escola de Lamarck.
2a. -- Escola de Darwin
3a. -- Escola Néo- Darwinista ou Escola Sintética Moderna
4a. -- Escola do Equilíbrio Pontuado
2 - O LAMARCKISMO
Para Lamarck (1744-1829), os seres vivos derivariam uns
dos outros pela obediência a duas leis:
1a. Lei dos caracteres adquiridos.
2a. Lei da influência do meio e do modo de vida
Lamarck escreveu duas obras defendendo sua teoria:
“Filosofia Zoológica” e “História Natural dos Invertebrados”.
Segundo Lamarck, o ambiente em que vivem os animais e seu
modo de vida influiriam neles de modo a adaptá-los cada vez mais e melhor às
novas condições. As mudanças paulatinas adquiridas na vida de um animal
seriam transmitidas a seus descendentes. É a Lei dos caracteres adquiridos.
Na realidade, para Lamarck, as circunstâncias ambientais
serviriam apenas para desencadear forças inerentes a um organismo, para
fazê-lo mudar. Por isso, o Lamarckismo merece, de fato, o nome de
evolucionismo, pois pretende que princípios inerentes ao ser vivo são os
causadores de sua mudança.
Como prova de sua teoria, Lamarck apresentava o fato de
existirem, em seres vivos, alguns órgãos atrofiados “por falta de uso”,
enquanto outros órgãos se desenvolviam mais pelo uso exagerado deles.
Exemplo típico e famoso dado pela escola Lamarckista como
excesso de uso é o do pescoço da girafa. Conforme Lamarck, a girafa, não
encontrando alimento suficiente na superfície do solo, começou a procurá-lo
no alto das árvores. Para isto, ela foi sendo obrigada a esticar cada vez
mais o seu pescoço. Deste modo, seus filhotes começaram a nascer com um
pescoço cada vez maior. A pobre da girafa, se tivesse desenvolvido seu
enorme pescoço para mais facilmente se alimentar dos mais ternos e altos
brotos das árvores, quanto mais crescia o seu pescoço, mais difícil lhe
ficava tomar água. Girafal dilema lhe teria sido escolher entre esticar o
pescoço para comer, ou encolhê-lo, para mais facilmente beber.
Já Cuvier, ao fazer o elogio fúnebre de Lamarck, ao pé de
sua sepultura, enterrou junto com ele a sua teoria, ao assinalar que, se é o
exercício contínuo de um órgão o que provoca seu desenvolvimento, como
poderia ter ele surgido, se não podia exercitar-se antes de existir? E, se
quando está semi-desenvolvido é inapto para exercer funções, para que
serviria o novo órgão? Ele seria, nessa fase, mais prejudicial do que útil.
Stephen Jay Gould, por sua vez, nos conta que os
avestruzes, ainda dentro dos seus ovos, já apresentam calosidades típicas
dos avestruzes adultos, e essas calosidades não surgiram pelo uso (S. Jay
Gould, O Polegar do Panda, p. 70)..
E a galinha d’água, que vive há tanto tempo -- senão desde
sempre -- nos alagadiços, não desenvolveu uma membrana palmiforme em suas
patas. Não se transformou em palmípede, embora isso lhe teria sido muito
útil.
É falso, portanto, que a necessidade cria o órgão ou o
transforma.
A descoberta do ácido desoxiribonuclêico e da corrente do
DNA provou que todos os caracteres são herdados por via genética. Ademais já
se sabia que inúmeros caracteres adquiridos durante a vida jamais são
herdados. Assim, desde que o mundo é mundo, as mulheres, para gerar, perdem
a virgindade, e nem por isso suas filhas deixam de nascer em estado
virginal.
Completamente refutado pela Ciência e pela Lógica, a
herança dos caracteres adquiridos do Lamarckismo continua a ser citada em
certos livros e em certas cátedras, e até, veladamente, por cotados autores.
Por exemplo, conforme os transformistas, o osso articular
e o osso quadrado do maxilar dos répteis teria se transformado no martelo e
na bigorna do ouvido dos mamíferos.
Ora essa mudança é absurda e impossível pois, durante a
evolução de uma situação para outra, o réptil não poderia comer, já que o
maxilar não ficaria preso firmemente em nada. E antes de terminar a
transformação, o animal seria surdo.
Ainda sobre a adaptação do animal ao meio, há uma caso
bem curioso e que fica bem difícil para a teoria evolucionista explicar: o
da água dilatar-se, quando congela.
Normalmente, todo corpo aquecido se dilata, e, resfriado,
se contrai.
Ora, com a água ocorre algo muito curioso. Quando a água
é resfriada, até 4º ela se contrai. Continuando a ser resfriada, entre 4º e
0º ela volta a se dilatar.
Em conseqüência deste fato, quando a água de um lago se
congela, dá-se uma dilatação de seu volume, e isto é que permite a flutuação
do gelo na água. Entretanto, as camadas mais profundas do lago não conseguem
congelar-se, porque ficam sem espaço para dilatação. Por isso, num lago
congelado, as camadas mais profundas permanecem sempre a 4º de temperatura e
jamais se congelam, o que permite à vida lacustre sobreviver.
Nesse caso, então, não foram os animais e vegetais que se adaptaram ao
ambiente. Foi o ambiente que se "adaptou" aos seres vivos, para que eles
pudessem sobreviver!
Ora, isto só pode ser explicado por uma Sabedoria
superior que ordenou todo o universo e não pelo evolucionismo. A menos que
se admita que a matéria é inteligente e a água compreendia que não podia se
congelar, senão mataria todos os peixes.
3 - O DARWINISMO
Para Darwin, a evolução se teria dado pela seleção
natural, através da luta pela existência.
Ao contrário do que afirmava Lamarck, para Darwin, a
causa da transformação de uma espécie em outra seria inteiramente extrínseca
ao seu organismo. A luta pela sobrevivência é que seria o verdadeiro motor
da evolução, permitindo que continuassem a existir apenas as mais aptas.
Malthus, Adam Smith e a seleção artificial do gado praticada pelos criadores
ingleses é que inspiraram Darwin.
Darwin considerava simplista a explicação de Lamarck, mas
ele realmente nunca aprofundou o tema.
"S. A. Barnett o reconhece expressamente em seu volume de
homenagem a Darwin: "O próprio Darwin jamais formulou (sua teoria da seleção
natural) de um modo logicamente válido" (Ossandón Valdés, op. cit. p. 12).
O que Darwin dizia da seleção natural era uma mera
tautologia: a seleção natural só faz sobreviver o mais apto, porque
só o mais apto pode sobreviver.
Para Darwin, as espécies sofreriam variações acidentais
pequenas que, paulatinamente iam se acumulando, e seriam transmitidas de
geração em geração,
Toda seleção importa na adoção de um critério, e todo
critério supõe uma mente inteligente que o escolhe e impõe.
A natureza, de per si, não causa uma seleção natural.
Haja vista que muitas espécies desapareceram por simples acidentes naturais.
Assim, por ocasião das grandes orogenias, muitas espécies desapareceram com
a submersão de inteiros continentes e outras desapareceram por elevação dos
fundos oceânicos. Hoje, se imagina que a súbita extinção dos dinossauros foi
devida a algum fenômeno cataclísmico, e não por seleção paulatina.
Por outro lado, se houvesse seleção do mais apto apenas,
com o tempo, haveria uma diminuição do número de espécies, e por fim,
restaria só uma, o que não acontece.
Se os homens provém dos macacos por sobrevivência dos
mais aptos, como então continuaram a existir macacos? Sendo menos aptos,
todos os que não se transformaram em homens deveriam ter desaparecido.
Há macacos ainda, e o evolucionismo, apesar de todas as
suas evoluções teoréticas, continua afirmando, ainda hoje, o que desde
Darwin não se comprovou.
Aliás, hoje se sabe que as espécies só sobrevivem num
ecossistema equilibrado, e que o desaparecimento de uma espécie tende a
fazer desaparecer outra espécie que vivia dela.
Além disso, deveria acontecer também uma seleção dentro
da espécie, permitindo a sobrevivência apenas da raça mais apta. Com o
transcorrer da evolução então, acabaria existindo uma só espécie e uma só
raça, o que é um absurdo.
Decougis, em sua obra Le vieillissement des êtres vivants
[O envelhecimento dos seres vivos] afirma:
"A Paleontologia nos mostra que as espécies fósseis
extintas são, o mais das vezes, espécies gigantes ou, por vezes, anãs, mas
preservando sempre traços de degenerescência acromegálica muito acentuados" (Apud Patrick Troadec, op. cit. p. 24).
Galton descobriu que os caracteres selecionados pelos
criadores retornam a seu estado primitivo logo que cessa a seleção.
Hugo de Vries concluiu que a seleção só era possível por
saltos e não por mudanças lentas e paulatinas como dizia Darwin. E concluiu
De Vries que "a seleção não conduz à origem de novas espécies" (Apud
Ossandón Valdés, op. cit. p. 13).
O mesmo Ossandón Valdés afirma, em seu estudo, que
"interessantes experiências têm demonstrado que a seleção [artificial] tem
limites que é impossível ultrapassar, por mais esforços que faça o
selecionador. Simplesmente os animais preferem morrer do que continuar a
mudar". (Ossandón Valdés, op. cit. p. 12).
Os conhecidos biólogos Kimura e Ohno criticaram muito a
evolução com base na seleção natural. Esse dois cientistas insistem que há
um conservadorismo das espécies, e, como De Vries e Jay Gould, afirmam que a
evolução se faria por saltos.
Se houvesse evolução lenta que transformasse uma espécie
em outra, deveriam existir fósseis intermediários entre as espécies. Ora,
tais fósseis nunca foram encontrados. Veremos mais adiante, ao estudarmos os
fósseis, que jamais foram encontrados os elos perdidos entre duas espécies.
O próprio Darwin se espantava com a estabilidade das
espécies que as torna tão bem definidas:
"Por que as espécies são tão bem definidas? Onde estão
então as gradações infinitas que minha teoria exige? "
Darwin teve a sinceridade de escrever isto. Os
professores secundários atuais -- e mesmo muitos universitários -- garantem
a seus alunos e ao mundo, que tais intermediários foram encontrados. Juram
que sim
Se a evolução -- como a defendia Darwin -- fosse
verdadeira, dever-se-iam encontrar, ainda hoje, espécies em fase de
evolução. Tal não ocorre.
Os darwinistas saem-se desta dificuldade dizendo:
1 - a evolução exige longo período de tempo para se
realizar;
2 - as condições ambientais atuais, diferentes do
passado, não permitem a evolução, hoje.
O que se tem constatado na pesquisa paleontológica é
exatamente o oposto do que esperava Darwin e do que diziam seus seguidores
iniciais. Não só não foram encontrados fósseis intermediários entre duas
espécies, como se acharam espécies que durante os longos períodos em que
viveram jamais evoluíram. Os chamados “fósseis vivos” estão nesse caso.
Chamam-se “fósseis vivos” determinados seres dos quais só
se haviam encontrado exemplares fósseis, e dos quais, posteriormente, se
acharam exemplares vivos e exatamente iguais aos exemplares fósseis de
milhões de anos atrás.
Exemplo clássico de fóssil vivo é o celecanto, peixe de
que se conhecia apenas o exemplar fossilizado há 300.000.000 de anos.
Recentemente, descobriram-se inúmeros celecantos vivos exatamente idênticos
aos fósseis. O celecanto atravessara 300.000.000 de anos sem evoluir, embora
tenha enfrentado as condições ambientais nas quais se pretendia ter sido
possível a evolução.
Há muitos outros casos de animais que atravessaram
praticamente toda a história geológica da terra e não evoluíram. A barata
está nesse caso. A barata antiga era tão asquerosa quanto a de nossos dias.
Quanto à alegação de que a evolução exige longos períodos
de tempo para se realizar, ela vai contra o darwinismo. Se isso fosse
verdade, quanto mais tempo uma espécie levasse para se transformar noutra,
maior número de exemplares intermediários deveriam ter sido encontrados.
Nada disto se achou fossilizado na coluna geológica.
Para explicar o súbito e surpreendente aparecimento de
novas espécies nas camadas geológicas, os evolucionistas recorreram a idéia
de evolução acelerada. Nas épocas cataclísmicas, nas quais haveria grande
possibilidade de uma espécie desaparecer, por um instinto desconhecido e
inexplicável, a espécie, para sobreviver, evoluiria rapidamente para outra
forma ou espécie diferente, capaz de sobreviver no novo ambiente que iria se
formar. Isto era atribuir à espécie ameaçada não só capacidade de mudar,
como, mais ainda, capacidade de prever o cataclismo e quais seriam as
condições futuras. Realmente quiromântico!
Esta tentativa de explicação ridícula, cai facilmente por
terra, porque, se ela fosse verdadeira, deveriam existir inúmeros exemplares
de fósseis intermediários entre duas espécies, sucedendo-se em curto espaço
de tempo. Ora, isto jamais foi constatado.
Encurralados, os evolucionistas saltaram para outro galho
explicativo: a onto-mutação.
Por onto-mutação entendiam que, numa época de perigo, um
casal de uma espécie geraria diretamente um exemplar de outra espécie. A
tentativa de explicação era tão absurda e tão ridícula que a lógica, o bom
senso, assim como as novas descobertas científicas - a do DNA - fizeram-na
cair rapidamente no esquecimento.
4 -- O NEO-DARWINISMO, OU EVOLUCIONISMO SINTÉTICO
O chamado Neo-Darwinismo foi iniciado por Hugo de Vries (1848-1935). Sua tese era que, em determinada raça pura apareceriam mutantes
que transmitiriam a seus descendentes seus novos caracteres, surgindo assim
novas espécies.
Considerando as descobertas da genética, ficou impossível
sustentar a teoria da herança dos caracteres adquiridos. Tudo o que aparece
numa espécie está já determinado em sua informação genética.
Ocorre, porém, que podem se dar mutações genéticas
espontâneas cujas causas não nos são ainda muito claras. Logo, os
evolucionistas recorreram à hipótese de que mutações acidentais se
acumulando poderiam ter causado a evolução.
Isto também é impossível.
As mutações são raras. Sua taxa corresponde a 1 por
100.000. A probabilidade de apenas duas mutações atingindo dois caracteres
distintos está na proporção de 1 para 10.000.000.000. Uma possibilidade para
10 bilhões! Tais mutações não podem ser dirigidas e, além disso, as
mutações são em geral nocivas. Uma taxa de 12 mutações, normalmente, é letal
para um organismo.
A baixa taxa de mutação espontânea é decorrente da alta
eficácia do sistema de reparos do DNA de que os organismos são dotados. Tais
mecanismos de reparo são uma prova de que as mutações são indesejáveis para
a espécie, que visa a se manter estável, além de demonstrar uma ordem
bastante grande, até mesmo em nível molecular.
Quando o DNA se apresenta danificado por uma mutação,
ocorre uma ativação de um elaborado sistema de reparos, composto por uma
série de enzimas e mecanismos. Tal sistema está presente desde uma simples
bactéria Gram Negativa, como a Escherichia coli, até em mamíferos
superiores e no homem. Nessa bactéria citada, há pelo menos cinco mecanismos
diferentes de reparação do DNA mutado: o reparo dependente de luz ou
fotorreativação, reparo por excisão, reparo de mau pareamento, reparo
pós-replicação e sistema de reparo livre de erro (Cf. Simmons. Fundamentos
da Genética. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001, pp. 332-336).
Nos homens, à exceção da fotorreativação (a maioria das
células humanas não estão expostas à luz), todos esses mecanismos foram
comprovados e houve outros mecanismos próprios da espécie (Cf. Simmons,
2001; Lewontin. Genética Moderna. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001,
pg. 192-197; Bottino. Genética. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991, pg.
216-219).
As mutações não letais constatadas afetam apenas pontos
acessórios ou então produzem degenerações, além de, na maior parte das
vezes, causarem esterilidade no indivíduo mutado, o que impede a transmissão
do caráter mutado.
Apesar disto tudo, e apenas para argumentar, se as
mutações tivessem sido as causadoras da evolução de uma espécie para outra,
isto teria ocorrido:
a) ou por acaso;
b) ou por erro genético;
c) ou por tentativa, buscando um progresso vital;
d) ou por cálculo inteligente.
Se a evolução tivesse ocorrido simplesmente por acaso,
seria inexplicável e absurdo que os milhões de acasos necessários para
evoluir da primeira molécula até o homem tivessem produzido uma seqüência
tão perfeita e tão sabiamente ordenada para melhor. É contra a inteligência
afirmar que milhões de acasos tivessem como resultado uma ordem e uma
seqüência tão excelentes.
Também é inadmissível imaginar que milhões de erros
genéticos tivessem produzido efeitos cada vez mais complexos, e, ao mesmo
tempo, mas cada vez mais ordenados, ainda mais se tivermos em mente o
sistema do DNA.
Se a evolução tivesse sido produzida por tentativas de
encontrar melhores soluções para adaptações a novos ambientes, a Matemática
demonstrou que nem haveria tempo, nem material no universo para possibilitar
a realização da evolução por tentativas.
Émile Borel calculou matematicamente o que chamou de
limite de impossibilidade quanto à possibilidade de um acontecimento. Assim,
ele demonstrou que o limite de impossibilidade cósmica é da ordem de 10
elevado à potência - 200. Isto dá uma possibilidade para seguido de 200
zeros. Desse modo, “acontecimentos notáveis de probabilidade suficientemente
fraca, não se produzem”. E esse matemático, na conclusão de seu trabalho
diz:
“Um acontecimento muito pouco provável não pode se
realizar”.
Aplicando essas conclusões de Borel ao campo da Biologia,
Georges Salet calculou que para as mutações produzirem um órgão apenas
minúsculo, a idade da Terra teria que ser multiplicada por um número
indicado por 1 seguido de várias centenas ou milhões de zeros. Isto é, o
tempo necessário para que a evolução tivesse se dado por mutações seria
superior à idade do universo!.
Para uma simples bactéria produzir, por mutações ao
acaso, um metazoário, o limite de impossibilidade seria de longe
ultrapassado. Isto é, a bactéria não pode ter produzido o metazoário por
mutações ao acaso.
Restaria uma evolução dirigida por cálculo inteligente.
Neste caso, ou se admite que a própria matéria bruta é inteligente, e se cai
na Gnose, como ocorreu com a doutrina do Padre Teilhard de Chardin, ou se
admite uma Inteligência transcendente à matéria, isto é Deus.
Mas, se se tem que admitir que Deus guiou a evolução,
todo o evolucionismo materialista cai por terra. E mais. Se se aceita que
Deus existe e que Ele guia a evolução, a discussão deixa de ser biológica,
para se tornar teológica. Neste caso, não se poderia negar a criação tal
qual ela foi revelada nas Sagradas Escrituras.
É claro que o evolucionismo derrotado e em fuga, vai se
agarrar ao evolucionismo moderado, isto é aquele que admite a evolução
biológica dos primatas, depois de que Deus teria infundido uma alma racional
em um macaco, para criar o primeiro homem, Adão.
Este evolucionismo mitigado ou religioso é talvez, e em
certo sentido, ainda mais absurdo e contraditório que o evolucionismo
materialista. Mas, como sua refutação exige argumentos de outra natureza que
a biológica, trataremos disso, mais tarde.
Atualmente, até mesmo cientistas evolucionistas
reconhecem que é impossível atribuir às mutações a causa da evolução.
O cientista ateu e evolucionista Jean Rostand afirmou:
“As mutações, que se quer tornar responsáveis pela
evolução do mundo vivo, são privações orgânicas, são deficiências, perdas de
pigmento ou desdobramentos de órgãos. Elas nada trazem de novo, de original
no plano orgânico e funcional, nada que seja o fundamento ou o começo de um
novo órgão. Não, eu não posso pensar que o olho, o ouvido e o cérebro se
tenham formado desse modo.” ( J. Rostand, apud P. Troadec, op. cit. p.15).
5 -- ESCOLA EVOLUCIONISTA DO “EQUILÍBRIO PONTUADO”
Constatada a inexistência de fósseis intermediários,
Stephen Jay Gould, Nils Elredge e Steven Stanley propuseram a teoria do
"equilíbrio pontuado".
Darwin afirmara que a evolução se dera num processo
extremamente lento e que exigia a existência de elos intermediários. Era a
teoria que recebeu o nome de “gradualismo filético”. Vimos que, tendo em
vista as falhas da escola darwiniana, os evolucionistas criaram a teoria do
“evolucionismo sintético”. O estudo mais apurado das mutações genéticas
comprovou que também o evolucionismo sintético era errado.
Por isso tudo, e levando em conta que a total ausência de
elos intermediários entre as várias espécies, no registro fóssil, os
cientistas supra citados, por ocasião do centenário de Darwin, em 1960,
apresentaram uma nova teoria evolucionista: a do “equilíbrio pontuado”.
Tal teoria parte da constatação de que não existem, no
registro fóssil, provas de uma evolução lenta de uma espécie para outra.
Verifica-se que as novas espécies surgem abruptamente já perfeitamente
formadas e assim permanecem por longos períodos de tempo, na escala dos
milhões de anos.. A essa estabilidade das espécies Gold, Elredge e Stanley
chamam de “fase de equilíbrio”. É isto que se constata nos fósseis. Então,
por uma razão que não se conhece, um pequeno número de exemplares de uma
espécie se isola da sua espécie, e, também por razões desconhecidas,
rapidamente evolui para uma nova espécie. A evolução teria sido tão rápida
que não teria deixado provas fósseis de sua ocorrência. A este período,
relativamente curto, de evolução acelerada, eles chamam de “período
pontuado”.
A nova teoria evolucionista do “equilíbrio pontuado” é
assim inteiramente gratuita: eal não explica porque um grupo se isola, nem
diz porque ele evolui, nem porque evolui rapidamente. Deste modo, enquanto o
evolucionismo clássico, durante um século, procurou os elos perdidos da
evolução, porque somente sua existência comprovaria realmente a teoria
evolucionista, agora, a teoria do “equilíbrio pontuado” dá como prova da
veracidade da evolução das espécies exatamente a inexistência dos fósseis
intermediários entre uma espécie e outra.
Desta forma, o evolucionismo seria certo, porque se
encontrariam os elos perdidos. Era só uma questão de tempo e de pesquisa.
Agora, o evolucionismo tem que ser aceito, porque os elos perdidos nunca
existiram. Mas, o dogma da evolução tem que ser aceito, porque é um dogma.
Verifica-se pois que, na história da teoria da evolução,
a única coisa que realmente evolui é a própria teoria. Como os macacos, ela
pula de galho em galho...
IV - O EVOLUCIONISMO É CIENTÍFICO?
1 - FRAUDES, CONTRADIÇÕES, AFIRMAÇÕES GRATUITAS DOS
EVOLUCIONISTAS
Quando alguém tenta provar algo por meios fraudulentos,
isto se constitui numa confissão de que se reconhece que não se tem provas
reais daquilo que se quer provar.
Ora, no decorrer de sua história, o Evolucionismo
recorreu muitas vezes a falsificações fraudulentas, para convencer a
comunidade científica e o público que o homem proveio de um animal inferior
e que, portanto, não teria sido criado por Deus. Nunca houve, na História da
Ciência, uma teoria que ficou eivada, em sua história, de tantas fraudes
quanto o Evolucionismo. Apesar disto, ele continua a ser apresentado como
verdadeiro.
Trataremos das fraudes mais famosas praticadas por
cientistas famosos, quando analisarmos os fósseis humanos.
As contradições também são muito comuns.
Atualmente, por exemplo, os paleontólogos e os biólogos
evolucionistas não entram de acordo a respeito da idade do Homem.
Os paleontólogos atribuem aos fósseis hominídeos ou
humanos idades fabulosas que chegam a 3 milhões de anos. Os biólogos são bem
mais modestos em suas cifras.
Em 1987, biólogos moleculares americanos, comparando o
material genético do lado materno de populações de vários continentes,
chegaram à conclusão que todos os homens descendem de uma única mãe. Então
teria existido realmente uma “mãe de todos os viventes” humanos, expressão
que é designada na Escritura pelo nome de Eva.
Mais importante é a idade que esses biólogos calcularam
para o aparecimento dessa mãe única: aproximadamente 200.000 anos.
Esse número provocou enormes protestos dos paleontólogos,
pois que ele afirmava implicitamente que todos os fósseis antiquíssimos que
tem sido apresentados como antepassados do homem, ou mesmo como homens
primitivos, ficavam desqualificados.
Em que Ciência crer? Na Paleontologia ou na Biologia?
Dilema angustiante para os que crêem cegamente nas provas da Ciência.
Levando em conta tantas variações, fraudes, contradições
e absurdos anti-científicos da História da teoria evolucionista, não é de
espantar que Marcel de Corte tenha dito dela:
“O Evolucionismo toca os sinos para o funeral da
inteligência. A inteligência está em perigo de morte”
2 - OPINIÕES DE CIENTISTAS CONTRA A TEORIA EVOLUCIONISTA
Desde o aparecimento da teoria darwinista, ela suscitou
objeções que a ciência tem confirmado.
Em 1871, St George Mivart levantou argumentos que
continuam de pé contra o evolucionismo darwinista:
“O que caberia alegar (contra o darwinismo), poderia ser
resumido da seguinte forma: que a “seleção natural” é incapaz de explicar os estágios
incipientes das estruturas úteis. Que não se harmoniza com a coexistência de
estruturas muito semelhantes, de origem diferente. Que há fundamentos para
pensar que diferenças específicas podem ser desenvolvidas súbita, e não
gradualmente. Que ainda é sustentável a opinião de que as espécies têm
limites definidos, embora muito diferentes, para sua variabilidade. Que
certas formas transicionais fósseis estão ausentes, quando se poderia
esperar que estivessem presentes... Que há numerosos fenômenos notáveis em
formas orgânicas sobre os quais a “seleção natural“ pouco tem a dizer” (Apud
M. Behe, op. cit. p. 39).
E vários destes argumentos ainda não foram respondidos,
e, após um século de pesquisas e de propaganda maciça eles continuam de pé.
Nos últimos tempos, muitos cientistas têm se pronunciado
contra a teoria evolucionista, e especialmente contra o Darwinismo. Michael
Behe dá muitas citações de cientistas famosos que se mostraram desiludidos
com o Darwinismo. Eis algumas dessas citações:
Richard Goldschimidt, famosos geneticista, já na década
de 1940 -- portanto bem antes da descoberta do DNA e do desenvolvimento da
Bioquímica -- se mostrava desencantado com a teoria evolucionista
darwiniana, chegando então a propor a teoria do chamado “monstro
esperançoso”: um réptil, por exemplo, poderia ter um ovo do qual teria
nascido uma ave. (Cfr, M. Behe, op. cit. p. 35).
O famoso paleontólogo Nils Elredge - fundador com Jay
Gould da teoria evolucionista do “equilíbrio pontuado” -- declarou:
“Não é de espantar, que os paleontólogos tenham ignorado
a evolução por tanto tempo. Aparentemente, ela jamais ocorre. A coleta
cuidadosa de material na face de penhascos mostra oscilações em ziguezague,
pequenas, e uma acumulação muito rara de leves mudanças -- no decorrer de
milhões de anos, a uma taxa lenta demais para explicar toda a mudança
prodigiosa que ocorreu na história evolutiva. Quando vemos o aparecimento de
novidades evolutivas, isso ocorre em geral com um estrondo e, não raro, sem
nenhuma prova sólida de que os fósseis não evoluíram também em outros
lugares! A evolução não pode estar ocorrendo sempre em outros lugares. Ainda
assim, foi dessa maneira que o registro fóssil pareceu a mitos desesperados
paleontólogos que queriam aprender alguma coisa sobre a evolução “. (M. Behe, op. cit., p. 36).
Dois biólogos ingleses Mae-Wan Ho e Peter Saunders
afirmam:
“Passou-se aproximadamente meio século desde a formulação
da síntese neo darwiniana. Grande volume de pesquisa foi realizado dentro do
paradigma que ela define. Ainda assim, os sucessos da teoria se limitam às
minúcias da evolução, tal como a mudança adaptativa da coloração de
mariposas, ao mesmo tempo que pouquíssimo tem a dizer sobre as questões que
mais nos interessam, como, para começar, de que maneira surgiram as
mariposas” (Apud M. Behe, op. cit. p. 37).
O geneticista John McDonald mostra um enigma inexplicável
pelo darwinismo:
“Os resultados dos últimos vinte anos de pesquisa sobre a
base genética da adaptação levaram-nos a um grande paradoxo darwiniano.
Aqueles [genes] que são obviamente variáveis em populações naturais não
parecem constituir a base de muitas das grandes mudanças adaptativas,
enquanto que aqueles [ genes ] que parecem constituir, de fato, o fundamento
de muitas, senão da maioria, das grandes mudanças adaptativas, aparentemente
não são variáveis em populações naturais “.
Noutras palavras, os genes que variam, não causam
mudanças;
os genes que não variam, causariam adaptações.
Exatamente o oposto que o darwinismo exige!
Jerry Coyne, do Departamento de Ecologia e Evolução da
Universidade de Chicago sentencia:
“Concluímos -- inesperadamente -- que há poucas provas
que sustentem a teoria neo darwiniana: seus alicerces são fracos, assim como
as evidências experimentais que a apoiam” (Apud M. Behe, op. cit. p. 37).
Outro geneticista, John Endler, Da Universidade da Califórnia, afirmou:
“Embora se saiba muita coisa sobre mutação, ela ainda é,
na maior parte, uma "caixa preta” no que diz respeito à evolução. Funções
bioquímicas novas parecem ser raras na evolução, e a base de sua origem é
virtualmente desconhecida” (apud M. Behe, op. cit. p. 38).
Também os mais recentes estudos matemáticos têm se
mostrado contrários à teoria evolucionista. Hubert Yockey, teórico da
informação, diz que a “informação necessária para iniciar a vida não poderia
ter surgido por acaso, e sugere que a vida seja considerada um dado, como a
matéria e a energia” (M. Behe, op. cit. p. 38).
Num simpósio de matemáticos e biólogos realizado em 1966
no Wistar Institute de Filadélfia, os matemáticos mostraram que o tempo para
que houvesse as mutações necessárias para a formação de um olho era
absolutamente insuficiente para que isto se tivesse dado, e concluíram:
“Há uma grande lacuna na teoria neo darwiniana da
evolução, e acreditamos que ela é de tal natureza que não possa ser
conciliada com a concepção corrente da Biologia” (Apud M. Behe, op cit. p.
38).
Mesmo quem não nega frontalmente o darwinismo, o coloca
em dúvida.
Martin Kauffman, do Santa Fe Institute, escreveu:
“Darwin e a evolução nos dominam, quaisquer que sejam as
queixas dos cientistas criacionistas. Mas será correta essa tese? Melhor
ainda, será adequada? Acredito que não. Não é que Darwin tenha errado, mas sim, compreendido
apenas parte da verdade”. (Apud M. Behe, op. cit. p. 38).
É bem difícil entender como Darwin elaborou uma teoria
não “correta”, nem “adequada”, e, ao mesmo tempo, que não fosse “errada”.
Veja-se nessa declaração o temor de contrariar o evolucionismo, esse ídolo
do mundo moderno.
Klaus Dose, ilustre cientista especializado no problema
da origem da vida, concluiu:
“Mais de trinta anos de experimentação sobre a origem da
vida nos campos da evolução química e molecular levaram a uma percepção mais
clara da enormidade do problema de seu aparecimento na Terra, em vez de à
sua solução. Atualmente, todas as discussões sobre os principais
experimentos e teorias nesse campo terminam em um impasse ou numa confissão
de ignorância" ( Apud M. Behe, op. cit. p. 172).
Michael Behe:
“A afirmação da existência da evolução molecular
darwiniana é simplesmente bazófia”
Dai, o próprio Michael Behe, ao final de seu livro,
concluir que:
“A evolução molecular não se baseia em autoridade
científica. Não há publicação na literatura científica -- revistas de
prestígio, revistas especializadas ou livros -- que descreva como a evolução
molecular de qualquer sistema bioquímico real, complexo, ocorreu ou poderia
ter ocorrido. Há afirmações de que tal evolução ocorreu, mas nenhuma delas
com base em experimentos ou cálculos pertinentes. Uma vez que ninguém
conhece evolução molecular por experiência direta, e também por não haver
autoridade sobre a qual fundamentar alegações de conhecimento, podemos dizer
com convicção que -- tal como a alegação de que nosso time vencerá o
campeonato este ano -- a afirmação da existência da evolução molecular
darwiniana é simplesmente bazófia.” (M. Behe, op. cit. P. 189).
Foi exatamente após tantos cientistas de renome se
declararem cépticos ou contrários à teoria darwinista que João Paulo II
afirmou que a evolução deixou de ser uma hipótese para ser uma teoria
cientificamente comprovada.
“Hoje, quase meio século após a Encíclica [Humani
Generis, de Pio XII] novo conhecimento levou ao reconhecimento na teoria da
evolução de que ela é mais do que uma hipótese. É, na verdade, notável que
esta teoria tem sido progressivamente aceita pelos pesquisadores, seguindo
uma série de descobertas em vários campos do conhecimento. A convergência,
nem pensada, nem fabricada, desses resultados de trabalho conduzidos
independentemente, é, em si mesma, um argumento significativo em favor dessa
teoria”.
(João Paulo II, Mensagem à Pontifícia Academia de
Ciências, 22 / X / 1996).
Curiosamente, no mesmo ano em que Michael Behe publicou
seu livro mostrando que geneticistas, bioquímicos, matemáticos,
paleontólogos, biólogos, duvidam ou negam o evolucionismo darwinista em nome
da Ciência, concluindo que “a evolução molecular darwiniana é uma bazófia”,
O Papa João Paulo II declara que as pesquisas científicas mais recentes
permitem afirmar que o evolucionismo deixou de ser hipótese para ser teoria
cientificamente comprovada...
3 - A ORIGEM DA VIDA - TENTATIVAS MAQUINISTAS PARA PRODUZIR VIDA
Como vimos, não é possível discutir a doutrina
evolucionista sem focalizar o problema da origem da vida. Para os
evolucionistas, a vida não é um fato que transcenda o puro reino mineral.
Defendendo o mais radical igualitarismo metafísico e o "maquinismo", os
evolucionistas tem que buscar o surgimento da vida em meras combinações
químicas.
Desde os anos 50, a Bioquímica fez enormes progressos. O
microscópico eletrônico permitiu grandes avanços no conhecimento do
funcionamento e da estrutura celular. Darwin desconhecia completamente o por
quê se davam modificações numa espécie, e apesar desse desconhecimento
aventou a hipótese da mudança de espécie para outra espécie. Foi só com as
sofisticadas técnicas descobertas neste século que se tornou possível
examinar o nível básico da vida, e, esse exame desqualificou as pretensas
explicações darwinianas.
"Embora a ciência tenha feito enormes progressos na
compreensão de como funciona a química da vida, a sofisticação e a
complexidade dos sistemas biológicos no nível molecular paralisaram suas
tentativas de explicar as origens dos mesmos. Não houve virtualmente
tentativa alguma da ciência de explicar a origem de sistemas biomoleculares
específicos, complexos, e muito menos qualquer progresso nesse sentido
Muitos cientistas afirmaram corajosamente que já tem explicações, ou que as
terão mais cedo ou mais tarde, mas nenhum apoio para essas alegações pode
ser encontrado na literatura científica. Mais importante ainda, há razões
irresistíveis -- baseadas na própria estrutura dos sistemas -- para se
pensar que uma explicação darwiniana dos mecanismos da vida será para sempre
enganosa" (Michael Behe, op. cit. p. 8).
Na década de 50, na Universidade de Chicago, Stanley L.
Miller, jovem de 23 anos, teria conseguido reproduzir em laboratório, as
condições existentes na Terra, na época em que teria surgido a vida. Ele
colocou num aparelho metano, amônia, hidrogênio e água. A seguir, produziu
uma descarga elétrica e calor. Depois de alguns dias, Miller encontrou, em
seu aparelho, uma substância avermelhada. Submetendo-a à análise, ele
constatou que eram amino-ácidos, isto é, o composto orgânico necessário para
formar proteínas, o elemento básico para a vida.
Stanley L. Miller publicou, então, um pequeno artigo de
duas páginas, na revista Science, narrando sua experiência.
A repercussão do artigo foi enorme. Dizia-se que ficara
comprovado que a vida provinha de puras reações químicas. Miller teria
achado a "receita" da origem da vida e de sua "sopa primordial".
Até hoje, nos arraiais suburbanos da ciência e da
cultura, continua a ser citada a famosa "sopa primordial" de Stanley Miller,
embora há tempos já, ela tenha sido retirada do cardápio científico
evolucionista mais desenvolvido. O próprio Stanley Miller -- que se tornara
professor de Química, na Universidade da Califórnia, em San Diego, declarou:
"O problema da origem da vida se revelou muito mais
difícil do que eu, e muitas outras pessoas, julgávamos" (John Horgan, artigo
In the begining..., revista Scientific American, fevereiro de 1991,p.
101).
Em 1953, James D. Watson e Francis H. C. Crick decifraram
a estrutura do ácido deoxiribonuclêico (DNA) que fornece as informações para
as células "construírem" e organizarem as proteínas
A descoberta de Watson e Crick trouxe problemas para a
"sopa primordial" da vida como fora sugerida por Stanley Miller.
Crick e Watson mostraram que as proteínas são formadas de
acordo com as instruções codificadas no DNA. Acontece porém que o DNA é
incapaz de fazer isto -- inclusive de fazer mais DNA -- sem a ajuda de
proteínas catalíticas, ou enzimas. Em suma, proteínas não podem formar
proteínas sem DNA, mas nem o DNA se forma sem proteínas. Cai-se então no
problema da galinha e do ovo. Sem ovo, não nascem galinhas, mas sem galinha
não se tem ovos. Sem proteína, não há DNA, mas sem DNA, não se formam
proteínas. Impasse.
Nos anos 80, Thomas R. Cech da Universidade do Colorado,
e Sidney Altman da Yale University, tentaram solucionar o problema sugerindo
que o RNA teria sido a primeira molécula auto-reprodutora. Só não se tinha
ainda mostrado como ela poderia fazer isso sem a ajuda de enzimas. Cech e
Altman descobriram então que certos tipos de RNA podiam atuar como suas
auto-enzimas Isto lhes valeu o prêmio Nobel de 1989. O RNA servia de gerador
e catalisador, ao mesmo tempo.
Novas experiências pareceram comprovar que o RNA estava
na origem e na explicação da vida.
Entretanto o entusiasmo evolucionista e ateu teve pouca
duração. Outros problemas surgiram.
Como se formou o primeiro RNA? Se ele é uma substância
dificilmente produzida em laboratório, com condições ideais, muito mais
dificilmente ele seria produzido na natureza.
Como o fósforo -- relativamente raro na natureza como substância -- se
tornou um ingrediente tão crucial no RNA e no DNA?
Mais ainda. Sintetizado o RNA ele só é capaz de fazer
cópias de si mesmo com uma grande ajuda do cientista. No dizer de um
cientista, "o RNA é uma molécula inepta, especialmente se comparada com
proteínas" (John Horgan, art cit. p. 103).
Atualmente, os pesquisadores consideram que "uma simples
bactéria é tão terrivelmente complicada que, do ponto de vista de um químico
é quase impossível imaginar como ela aconteceu" (Harold P. Klein, da Santa
Clara University, apud J. Hoargan, art. cit. p. 104).
Por outro lado, é preciso levar em conta com muito
cuidado quais teriam sido as condições existentes na Terra, quando a vida
teria surgido. ë uma ilusão imaginar que as condições então existentes eram
mais ou menos as atuais.
J. William Schopf, da Universidade da Califórnia, em Los
Angeles, calculou que os primeiros sinais de vida - provavelmente na forma
de algas - teriam surgido há cerca de 3.500.000.000 de anos. Segundo Manfred
Schidlowski do Instituto Max Planck de Química de Mainz, haveria evidências
de existência de organismos capazes de realizar fotossíntese há
3.800.000.000 de anos. Entretanto, Roger Buck, um paleontólogo australiano
julga que os dados que apontam a existência de vida há 3,5 ou 3,8 bilhões de
anos são duvidosos, e ele os chama de "dúbio-fósseis". Para Roger Buck que
os primeiros fósseis evidenciando clara estrutura celular datam de 3,1 ou
3,2 bilhões de anos.
David J. Stevenson, do Instituto de Tecnologia da
Califórnia, e Norman H. Sleep, de Stanford, trabalhando independentemente um
do outro, demonstraram que o bombardeio de meteoritos sofrido pela Terra em
seus primórdios foi tão intenso e terrível que, o calor produzido pelos
impactos poderia vaporizar oceanos e levantariam imensa nuvens de poeira, de
tal modo que toda vida incipiente teria sido destruída, especialmente a vida
que dependesse de fotossíntese. Calcularam eles que apenas por volta de 3,8
bilhões de anos atrás é que teria sido possível surgir vida.
Mais ainda. Parece que a composição da atmosfera
terrestre nessa época "não teria favorecido a síntese de compostos
orgânicos, tanto quanto se havia pensado" (J. Hoargan, art cit. p. 105).
Reconstituições laboratoriais computadorizadas da
atmosfera de então, realizadas por James C. G. Walter da Universidade de
Michigan, em Ann Arbor, sugerem que as radiações ultra-violetas provenientes
do Sol, e que hoje são bloqueadas pela camada de ozônio, teriam destruído as
moléculas baseadas em hidrogênio, e o hidrogênio livre teria escapado para o
espaço. A atmosfera desse tempo teria como maiores componentes dióxido de
carbono e nitrogênio, expelidos pelos vulcões. Tal atmosfera não teria sido
favorecido a síntese de amino-ácidos e outros precurssores da vida.
As dificuldades para explicar a origem da vida, de um
ponto de vista puramente naturalista, são tamanhas que alguns começaram a
levantar hipóteses sobre a proveniência de sementes de vida de fontes
extra-terrestres. Ora, isto empurraria o problema para outros mundos, -
seria uma nova ciência "do outro mundo" -- mas não explicaria como a vida
teria surgido por lá. Ademais, a migração para a terra de elementos vivos
trazidos por meteoritos não leva em conta que, o calor produzido pelo
impacto seria suficiente para destruir toda semente de vida que por acaso
existisse neles. Mais ainda, muitos cientistas contestam essa hipótese
afirmando que jamais se encontraram micróbios no espaço, e que o ambiente
espacial é adverso à vida.
Orgel e Crick, nos últimos anos, lançaram a "idéia" --
como uma espécie de brincadeira, vistas as dificuldades e o cipoal em que se
meteu a ciência para explicar a origem da vida -- que a vida chegou a terra
por meio de espaçonaves provenientes de outro planeta.
"Como Crick escreveu uma vez: "A origem da vida aparece
quase como um milagre, tantas são as condições que eram necessárias para que
ela se desse" (J. Hoargan, art. cit. p. 109).
Milagre... Os cientistas modernos o admitem, desde que
feito pela natureza e não por Deus.
Tais são as dificuldades encontradas pela ciência para
explicar a origem da vida, e tão grande tem sido os fracassos do
cientificismo racionalista nesse campo que Klaus Dose expressou todo o
pessimismo reinante com as seguintes palavras:
"Mais de trinta anos de experimentação sobre a origem da
vida nos campos da evolução química e molecular levaram a uma percepção mais
clara da enormidade do problema de seu aparecimento na Terra, em vez de à
sua solução. Atualmente, todas as discussões sobre os principais
experimentos e teorias nesse campo terminam em um impasse ou numa confissão
de ignorância" ( Apud M. Behe, op. cit. p. 172).
"Nunca houve conferência, livro ou artigo sobre detalhes
da evolução de sistemas bioquímicos complexos" (...) "Uma vez que acabamos
de ver que a literatura bioquímica não contém trabalhos ou livros que
expliquem, em detalhe, como poderiam ter surgido sistemas complexos, por
que, apesar disso, o darwinismo é aceito por muitos bioquímicos? Uma parte
importante da resposta é que eles foram ensinados, como parte de formação
bioquímica, que o darwinismo é verdade" (M. Behe, op. cit. p. 183).
"A Bioquímica, na verdade, revelou um mundo molecular que
resiste bravamente à explicação pela mesma teoria por tanto tempo aplicada
no nível do organismo completo. Nenhum dos dois pontos de partida de Darwin
-- a origem da vida e a origem da visão -- foi explicado por sua teoria.
Darwin nunca imaginou a complexidade estranhamente profunda que existe até
nos níveis mais básicos da vida "( M. Behe, op. cit. p. 177).
Quando os maiores cientistas naturalistas confessam estar nesse impasse,
de onde vem a certeza de tantos professores, no Brasil, de que a Ciência já
explicou a origem da vida?
O Professor Dr. Klaus Dose, um dos maiores nomes no
problema sobre a origem da vida afirma: “No presente momento todas as
discussões nas principais teorias e experimentos no campo ou terminam
empatadas ou numa confissão de ignorância (art. The Origin of life: More
Questions Than Answers. Interdisciplinary Science Review, 1988). Neste
artigo, o Dr. Dose mostra a insustentabilidade das teorias desde o neo
vitalismo até as mais recentes.
Como nota Michael Behe, "privadamente, muitos cientistas
admitem que a ciência não tem explicação para o início da vida"( M. Behe,
op. cit. p. 176). Mas, em público, temem dizer o que pensam... Por que?.
Mais do que nunca fica evidenciado que muitos defendem, hoje, o
evolucionismo mais por "Fé" na evolução do que por comprovações científicas.
A evolução é um dogma de uma fé panteísta ou gnóstica. É
um dogma religioso e não uma verdade científica.
V - FÓSSEIS
1 - INTRODUÇÃO
Para estudar as formas primitivas de vida surgidas no
decorrer da história terrestre, os cientistas recorrem aos fósseis. Nas
rochas sedimentares podem ser encontrados restos, ou até indícios, de
animais e de vegetais petrificados: são os fósseis. É claro que a
fossilização de um vegetal ou de um animal exige condições especiais.
Normalmente os seres orgânicos se decompõem, mas, submetidos a certas
condições, eles podem petrificar-se. Os casos de fossilização são
relativamente raros, e, encontrar exemplares fósseis é bastante difícil.
Normalmente, quanto mais profundamente uma camada de
sedimentos se situa na crosta terrestre, mais antigos são os fósseis que
nele se acham. Mas pode haver exceções a esta correspondência entre
profundidade da rocha e antigüidade, quando se dá uma dobra geológica que
produza uma inversão de posição das camadas geológicas.
A datação quer dos fósseis, quer das camadas geológicas
envolve processos muito complexos e seu resultado é de precisão um tanto
relativa. Evidentemente, quanto mais antiga a camada ou o fóssil, mais
imprecisa é a sua datação. Conhecendo-se a idade provável de uma determinada
camada geológica, pode-se presumir que, normalmente, os fósseis nela
encontrados têm a sua idade.
Evidentemente, nos primeiros tempos geológicos, a Terra
não oferecia condições ambientais propícias à existência de vida. Só após
alguns bilhões de anos, foi possível existirem as condições ambientais
necessárias para que seres vivos pudessem existir. Estima-se que a Terra tem
cerca de 4,5 bilhões de anos e que a vida só teria surgido entre 5 e 3,5
milhões de anos atrás, o que é um tempo relativamente curto.
O tempo geológico é dividido, para fins de estudo, em
eras e períodos.
A Geologia e a Paleontologia apresentam o seguinte quadro
das eras geológicas.
| ERAS |
PERÍODOS |
DATAÇÃO AVALIADA |
|
ARQUEOZÓICA
|
|
Entre 1,8 e 1 milhão de anos atrás |
|
PROTEROZÓICA
|
|
Entre 1 bilhão e 600 milhões |
PALEOZÓICO
(Primário) |
CAMBRIANO |
Entre 600 e 200 milhões |
|
ORDOVICIANO |
|
SILURIANO |
|
DEVONIANO |
|
CARBONÍFERO |
MISSISSIPIANO |
|
PENNSYLVANIANO |
|
PERMIANO
|
MESOZÓICO
(Secundário) |
TRIÁSSICO |
Enntre 200 e 70 milhões |
|
JURÁSSICO |
|
CRETÁCEO |
CENOZÓICO
(Terciário) |
PALEOCENO
|
Entre 70 e 60 milhões |
|
EOCENO
|
Entre 60 e 35 milhões |
|
OLIGOCENO
|
Entre 35 e 25 milhões |
|
MIOCENO
|
Entre 25 e 5 milhões |
|
PLIOCENO
|
Entre 5 e 1,8 milhão
|
|
QUATERNÁRIO |
PLEISTOCENO
|
Entre 1,8 milhão e 10 mil |
|
HOLOCENO
|
10 mil anos atrás |
2 - MICRO-ORGANISMOS
Os manuais escolares -- todos eles evolucionistas
primários -- costumam apresentar o aparecimento dos seres vivos numa
seqüência que insinua a verossimilhança da evolução. Assim, dizem eles que
os primeiros seres vivos de que se tem notícia são seres unicelulares,
depois, teriam surgido os metazoários, os animais de corpo mole, os animais
de carapaça, os insetos, os vertebrados, os anfíbios, os répteis, as aves,
os mamíferos, e, por fim, o homem. Porquê a evolução teria parado no homem,
eles não explicam.
Esta seqüência causa a impressão de que as várias
espécies vieram umas das outras, como se tivesse existido um único filão
genético. Entretanto, a realidade é bem mais complexa.
Quando se estudam os registros fósseis, o que se encontra
é uma grande multiplicidade filo-genética. Cada espécie surge de modo
repentino, sem nunca apresentar antecedentes genéticos, e, muitas vezes,
desaparece também bruscamente pluralidade de seqüências filo-genéticas
indica então que os seres vivos não provém uns dos outros. Cada espécie
surge de modo abrupto - sem antepassados conhecidos -- vive durante um
período relativamente extenso sem nunca mudar em sua forma essencial, e
desaparece repentinamente, sem ligação genética com as espécies posteriores
a ela.
Este fato é o grande tropeço para a teoria evolucionista.
Se o aparecimento de novas espécies vivas é um mistério
para a ciência, o desaparecimento de algumas delas pode ser explicado por
fenômenos cataclísmicos -- como as orogenias -- que poderiam ter aniquilado
os seres vivos de uma região ou continente.
Como vimos, calcula-se que seres vivos poderiam ter
começado a existir, na Terra, há 3,5 bilhões de anos. Admite-se que os
primeiros seres vivos foram micro-organismos unicelulares. Como estes seres
unicelulares apareceram e como eles teriam evoluído para seres mais
complexos continua sendo um mistério.
Os metazoários, que são os primeiros seres vivos
multi-celulares e complexos, surgem de modo repentino, e sem antecedentes
claros, nos registros fósseis.
Paleontólogos canadenses descobriram os fósseis mais
antigos registrados até o presente. São fósseis de seres de cerca de 2
metros, bastante complexos para os achados até agora (Narbonne, Guy M.,
James G. Gehling, Geology, vol. 31, n.1, de 2001, Life after
snowball: The oldest complex Ediacaran fossils). Isso é uma evidência de que
o registro fóssil até o presente não mostra nem de longe uma escala
crescente de complexidade. Como a Teoria da Evolução permite todas as
hipóteses, supõe-se agora que a vida tenha uma origem complexa.
Antes dessa recente descoberta canadense, os registros
dos primeiros indícios de vida, que datam do
período Pré-Cambriano, são raros. Em 1947, o geólogo australiano R.C. Spring encontrou em Ediacara Hills, no sul da Austrália, depósitos
sedimentares marinhos com ricos exemplares fósseis Pré-Cambrianos.
Novas pesquisas, no local, enriqueceram ainda mais o tesouro fóssil
encontrado. Atualmente, classificaram-se cerca de 600 espécies diferentes
provenientes de Edicara, datando do Pré-Cambriano. Lá foram achados animais
marinhos de corpo mole (Jellyfishes), corais moles, pedaços de vermes com
cabeças solidamente escudadas, “penas -- marinhas”.Todos estes seres de
corpo mole pertenciam, de modo geral, ao filo dos celenterados. (Cfr. Martin
F. Glaessner, “Pre-Cambryan Animals”, artigo na revista Science).
Há um fato muito impressionante nos fósseis de Edicara:
ficou comprovado que os fósseis celenterados de Edicara não são celenterados
e echinodermos do mesmo tipo que os do Cambriano. Pelo contrário, são tão
diferentes deles que não há possibilidade de terem sido seus ancestrais.
Repentinamente, nas camadas geológicas do Cambriano,
aparece um tão grande número de fósseis de tão variados tipos -- inclusive
com vertebrados -- que se fala da “explosão de vida do Cambriano”. Se a
teoria darwiniana fosse verdadeira, dever-se-iam encontrar fósseis
predecessores desta “explosão de vida cambriana”. Nada existe antes que
possa explicar o surgimento de tão grande número de espécies tão diversas e
tão complexas. E as espécies encontradas e que sobreviveram durante largos
períodos geológicos nunca evidenciaram sinais de evolução.
Até mesmo cientistas insuspeitos de serem
anti-evolucionistas confessam que o aparecimento explosivo de novas espécies
no Cambriano, sem nenhum antepassado comprovado, “ maior mistério da
história da vida” (George Gaylord Simpson, apud D. T. Gish, op. cit. p. 56).
O próprio Elredge - um dos fundadores a teoria evolucionista do “equilíbrio
pontuado” --reconhece que a fauna de Edicara e a “explosão cambriana”
constituem um grande desafio para a Ciência. Entenda-se, para a o
evolucionismo.
Elredge tenta solucionar este mistério dizendo que não se
acharam fósseis antecessores da vida cambriana, porque os seres do
Pré-Cambriano eram de corpo mole, o que teria impedido a formação de
fósseis. Ora, se fosse assim, não se teria podido conhecer a existência dos
animais de corpo mole de eras geológicas passadas.
Gish se espanta com esta desculpa esfarrapada de Elredge,
lembrando que, se foram achados indícios de seres microscópico e de
unicelulares, com maior razão podem ser encontrados sinais de vida de
animais de corpo mole do Pré-Cambriano, como aliás o foram, em Edicara,
Entretanto, não foram achados, até hoje, os fósseis intermediários entre os
seres do Pré-Cambriano e os do Cambriano. Neste ponto também o evolucionismo
darwinista ou moderno carece de comprovação.
3 - O APARECIMENTO DOS INSETOS
O aparecimento dos insetos é tão repentino quanto o dos
vertebrados: não há espécies anteriores das quais eles teriam evoluÍdo. Os
primeiros exemplares de insetos fossilizados aparecem nas rochas do período
Devoniano, mas é no Carbonífero (especialmente no sub-período Pensilvaniano)
que eles aparecem em tão grande quantidade que essa época é chamada a Idade
dos Insetos. Existem fósseis de libélulas desse tempo de 5 a 7 cm de
comprimento. As baratas que surgiram no Carbonífero tinham já o mesmo
aspecto desagradável que têm hoje, conforme Duane Gish faz questão de
lembrar citando Betty Fisher do Museu Americano de História natural(P. 61).
A barata tem produzido o mesmo nojo desde há 200.000.000 de anos. Ela não
evoluiu em todo esse enorme espaço de tempo.
Os evolucionistas pretendem que os insetos voadores
provieram de insetos incapazes de voar. Entretanto, até hoje, jamais se
encontrou o espécimen intermediário entre os insetos não- alados e os
alados. Só se encontram fósseis de insetos ou alados ou não alados. O
semi-alado não existe.
Um caso recente, de publicação na revista Nature, divulgado a
partir de um estudo realizado pelo biólogo Michael Whiting, entre outros
cientistas, mostrou que, “evolutivamente”, os insetos popularmente chamados
de “bicho-pau” teriam perdido e recuperado as asas pelo menos por quatro
vezes, em 50 milhões de anos (Whiting, M. F., Bradler, S., Maxwell, T.;
Nature, jan/2003 ). Ora, acreditar nisso é considerar que esses animais
teriam tido uma “sorte” imensa.
4 - INVERTEBRADOS E VERTEBRADOS
É também uma afirmação sem base na realidade a de que os
animais vertebrados evoluíram a partir dos invertebrados. Não há nenhuma
base fóssil para a tese evolucionista neste reino da natureza. Conforme
Ommanney há um intervalo de 100.000.000 de anos entre os primeiros peixes
vertebrados e os mais recentes invertebrados.
Os primeiros seres semelhantes a peixes vertebrados -- os
Agnata -- apareceram na era Paleozóica, durante o período Siluriano, isto é,
há cerca de 600.000.000 de anos atrás. Nenhum antepassado fossil pode ser
apresentado com antepassado direto desses espécimens vertebrados. Os Agnata
aparecem - como todos os outros seres vivos - de modo abrupto, e não como
efeito de uma longa evolução.
No passado, alguns evolucionistas pretenderam que os
peixes com estrutura cartilaginosa teriam dado origem aos peixes com
estrutura óssea. Assim, se disse que os Chondrichthyes teriam sido os
ancestrais intermediários entre os peixes com estrutura óssea e os
cartilaginosos.Mas, segundo Romer, autor da obra “Paleontologia
Vertebrada”, a pesquisa leva à conclusão oposta à pretendida pelos
evolucionistas: os tubarões teriam involuído de uma estrutura óssea maior
para outra menor. O mesmo Romer afirma que o aparecimento dos peixes de
estrutura vertebrada no registro fóssil é dramaticamente brusca, sem
ancestrais aparentes. Ele diz: “O ancestral comum dos vários grupos peixes
de estrutura óssea é desconhecido" (apud Duane T. Gish, op cit p.68).
Todd, discutindo a origem dos peixes vertebrados observa
que:
“Todas as três subdivisões dos peixes vertebrados
aparecem aproximadamente ao mesmo tempo, no registro fóssil. Eles eram já
morfologicamente largamente divergentes do ponto de vista morfológico, e
estavam pesadamente couraçados. Como se originaram? O que lhes permitiu
divergir tão largamente? Como todos eles conseguiram ter pesada couraça? E
por que não há traço de espécies anteriores intermediárias?” (Todd, apud
D. T. Gish, op. cit. p. 69).
Excelentes e embaraçosas perguntas para os defensores da teoria
evolucionista!
Duane Gish, em seu excelente livro em que estamos nos
baseando, cita outro especialista em vida aquática, Errol White, que, apesar
de evolucionista afirma:
“Mas qualquer sejam as idéias que as autoridades tenham
no assunto, os peixes pulmonares, como todos os grupos maiores que conheço,
têm sua origem firmemente baseada em nada... “. (Errol White, apud
Duane T. Gish, op. cit. p. 68).
Portanto, também para os peixes, a teoria evolucionista
não foi provada. Ela se funda em Nada.
Quanto maior é a autoridade de um cientista em
determinada ciência biológica, mais ênfase ele põe ao confessar a falta de
fundamento da teoria evolucionista.
Quanto mais se desce no nível de autoridade, mais ênfase
e convicção -- para não usar o termo fanatismo -- se acha na defesa da
teoria evolucionista.
5 - A TRANSIÇÃO DOS PEIXES AOS ANFÍBIOS
Vimos, até agora, que o Evolucionismo, a cada passo do
estudo dos fósseis, só tem encontrado problemas. Mas, a eles, não tem dado
solução. É o que lhe aconteceu, também, ao pesquisar a passagem dos
invertebrados para os vertebrados. Embora se tenham sugerido as mais
variadas soluções para demonstrar que os vertebrados vieram dos
invertebrados, nenhuma acabou sendo comprovada. Supôs-se que esta transição
se tenha dado através de animais “cordados”, isto é, de animais que
tivessem uma espécie de “notocorda”. Entretanto, jamais tal fato foi
comprovado por meio de fósseis.
Também a passagem dos peixes para os anfíbios encontrou a
mesma impossibilidade. Embora esta passagem tivesse requerido um largo
espaço de tempo, até hoje, não se achou o liame entre essas duas espécies de
animais.
Alguns autores tem defendido a hipótese de que o peixe
crossopterygiano teria originado o anfíbio do gênero ichthyostega. Entre
esses dois gêneros, há um enorme intervalo de tempo que teria permitido o
aparecimento de inúmeras formas transicionais. Elas, porém, não existem. Nem
no Ichthyostega há vestígios de barbatanas de seus supostos antepassados,
nem nos Crossopterigianos há formas incipientes dos futuros membros dos
anfíbios ichthyostegas. Em nenhum peixe se acham elementos ligando as
barbatanas à estrutura vertebral. Quando aparecem pequenos ossículos
estruturais das barbatanas, eles são sempre muito pequenos, apenas ligados
aos tecidos do peixe, e nunca tem uma ligação óssea com a espinha dorsal do
peixe, formando uma estrutura firme que lhe possibilitasse o caminhar.
Pelo contrário, nos anfíbios, a estrutura óssea que liga
os membros à coluna vertebral é sempre muito forte e bem desenvolvida. Não
foi jamais encontrado um fóssil com estrutura óssea intermediária entre o
peixe e o anfíbio.
Conforme o evolucionista Rommer, teriam sido as secas --
comuns no período Devoniano -- que obrigaram os peixes a desenvolver pulmões
ao mesmo tempo que continuavam a ter guelras, para poderem viver fora da
água. Teria sido destes animais intermediários que teriam vindo os anfíbio
atuais. Acontece que nas camadas devonianas não se encontram fósseis que
confirmem essa hipótese de Rommer.
Os evolucionistas afirmam que a transição do peixe para o
anfíbio teria ocorrido há 70 milhões de anos atrás. Ora, em 1939, foi
pescado, no litoral da África, um peixe um Latimeria que é um peixe
crossoptergiano. Ele era exatamente igual ao peixe de 70 milhões de anos
atrás. Em todo esse tempo, em vez de evoluir para se tornar anfíbio,
continuou um Latiméria, contrariando as teorias que desejavam que ele
tivesse evoluído
6 - DOS ANFÍBIOS AOS RÉPTEIS E MAMÍFEROS
Tanto a transformação de um invertebrado em vertebrado,
quanto a mudança de um peixe para um anfíbio, ou a evolução de um réptil
para uma ave requerem uma verdadeira revolução estrutural e morfológica no
animal. É evidente que tal revolução -- se ela existiu -- teria que ter
deixado inúmeras comprovações fósseis.
Os répteis se distinguem dos anfíbios especialmente pelo
ovo amniático“amniote ovo”. Os mamíferos se distinguem dos répteis por sua
anatomia e fisiologia, seu modo de reprodução, sangue quente e não frio,
posse de diafragma que lhe permite respiração diversa, capacidade de sugar
dos filhotes e o ter pelos.
A sucessão anfíbios-répteis-mamíferos apresenta problemas
cronológicos insolúveis para os evolucionistas, porque os ancestrais dos
mamíferos existiram antes do que os próprios répteis.
Com efeito, os evolucionistas asseveram que os
predecessores dos répteis foram os Seymuria e Dialectes que existiram no
início do período Permiano. Eles admitem também que os antecessores dos
mamíferos já existiam no período Carbonífero ( sub-período Pensylvaniano).
Deste modo, os antecessores dos mamíferos teriam existido antes do que os
répteis, dos quais teriam que vir os mamíferos. A sucessão pretendida da
evolução não se encaixa na sucessão cronológica dos fósseis.
Por outro lado, alguns evolucionistas admitem que não
foram descobertos os intermediários das 32 ordens de mamíferos.
George Gaylord Simpson afirma:
“Isto é verdade para as trinta e duas ordens de mamíferos... Os primeiros e mais antigos membros de cada ordem já têm os caracteres
básicos da sua ordem, e em nenhum caso é conhecida uma seqüência contínua
aproximativa de uma ordem para outra. Em muitos casos a ruptura é tão aguda
e o intervalo é tão largo que a origem da ordem é especulativa e muito
disputada” (G. G. Simpson, Tempo and Mode in Evolution, Columbia
Univ. Press p. 105, apud Duane T. Gish, op. cit. p.78).
7 - O PROBLEMA DOS MAMÍFEROS MARINHOS
Nas escolas brasileiras, muito se tem falado da origem
terrestre das baleias e de outros mamíferos marinhos. Estes seres aparecem
-- como todos os demais -- de modo repentino nos registros fósseis. Não há
intermediários fósseis entre as baleias e demais mamíferos marinhos e seus
supostos progenitores terrestres. É o que assegura E. C. Olson.(The
Evolution of Life, apud Gish, op. cit. p. 78). O que é confirmado por A.
S. Romer quando diz a respeito das baleias e golfinhos: “Nós desconhecemos
seus antecedentes terrestres e não podemos estar seguros de seu lugar de
origem” (A. S. Romer, Vertebrate Paleontology, apud Gish, op. cit. p.79).
Também E. H. Colbert, (Evolution of Vertebrates)
afirma a respeito da origem das baleias: “Estes mamíferos tem que ter tido
uma origem antiga porque não existem formas intermediárias entre as baleias
e os animais placentáceos do período Cretáceo, no registro fóssil. Como os
morcegos, as baleias (...) aparecem repentinamente no começo do período
Terciário, completamente adaptadas por profundas modificações da estrutura
básica mamífera para um modo de vida altamente especializado. Na verdade, as
baleias são ainda mais isoladas do que os morcegos com relação aos demais
mamíferos. As baleias permanecem absolutamente isoladas.” (Apud D. T. Gish,
op. cit. pp. 80).
8 - OS DEDOS DOS CAVALOS E A EVOLUÇÃO
Os evolucionistas, se não têm procurado pedir aos cavalos
que lhes dêem uma mão, a fim de provar a evolução, têm, pelo menos, lhes
pedido alguns dedos.
Com efeito, quase todo o mundo ouviu falar da famosa
evolução do cavalo primitivo -- que teria quatro dedos -- para o cavalo
intermediário com três dedos, até se chegar ao cavalo atual, cujo casco é,
na realidade, a unha de um dedo muito desenvolvido.
Ainda que tivesse sido assim, a transformação de uma
forma acidental -- a mudança de quatro para três, e para um dedo -- não
significaria que o cavalo teria evoluído, pois em todos os casos o sujeito
permaneceu o mesmo: o cavalo. Se tivesse havido evolução, teriam que se
admitir três sujeitos distintos, o que não acontece.
Todavia, quando se estuda mais seriamente a questão,
verifica-se que a historia fóssil é bem diversa da que é apresentada
costumeiramente nos livros estudantis.
É o que nos dizem J. B. Birdsell: e G.G. Simpson. (Cfr.
D.T. Gish op. cit. p. 82).
Duane T. Gish demonstra que a seqüência dos antepassados
do cavalo moderno, pelo menos no que tange aos fósseis sul-americanos
contraria a tese da evolução do cavalo tal qual ela costuma ser apresentada.
Assim, os fósseis encontrados na América do Sul mostram
que de fato houve seres do gênero equídeo, com quatro, três e um dedo.
Entretanto, a seqüência histórica não é essa. O fóssil mais antigo, desse
gênero, na América do Sul, é o Diadiaphorus ( com três dedos) e o
thoatherium (com um só dedo) eram contemporâneos já no período Mioceno.
Acontece, porém, que Macrauchenia ( de quatro dedos) só vai surgir muito
mais tarde, no Plioceno, quando o Thoatherium ( de um dedo só) já estava
extinto. É a seqüência inversa da apresentada nos livros que é a verdadeira! (Cfr. Gish, op. cit. pp. 83 e 84).
Poder-se-ia, ainda assim, argumentar que, de qualquer
modo, houve uma seqüência evolutiva, se bem que diversa da apresentada nos
manuais, e que a seqüência dos fósseis da América do Norte, apresentada
pelos manuais, é verdadeira: o Hyracotherium (Eohippus) tinha quatro dedos;
o Merychippus tinha três dedos; o Equus modernizem um só dedo.
O problema é que cientistas insuspeitos contestam que o
Eohippus fosse realmente cavalo. H. Nilsson afirma que o Eohippus não se
assemelha ao cavalo! Para Nilsson o Eohippus, tanto morfologicamente quanto
com relação ao habitat, se assemelha mais ao gênero Hyrax (H. Nilson,
Synthetische Artbuilding, apud D. T. Gish, op. cit. p. 85).
Com isto concorda também C. A. Kerkut (Implications of
Evolution):
“Em primeiro lugar, não está claro que o Hyracotherium (o
Eohippus) seja o ancestral do cavalo. Por isso Simpson (1945) afirma,
‘Matthew mostrou e insistiu que o Hyracotherium (incluindo o Eohippus) é tão
primitivo que não é muito mais definitivamente equídeo do que tapirídeo,
rinocerontideo, etc. mas ele é costumeiramente colocado na raiz do grupo
equídeo" ( Apud D. T. Gish. op. cit. p. 86). E Kerkut conclui que “De algum
modo, parece que o modelo da evolução do cavalo pode ser mesmo tão caótico
quanto aquele que Osborn propôs para a evolução dos Proboscídeos...” Apud
Gish p. 86). Nada provado, portanto.
9 - OS ROEDORES
Os mamíferos roedores, sendo os mamíferos mais
prolíficos, o que tem maior número de espécies e vivendo em habitats bem
diversos, poderiam fornecer mais provavelmente, maior número de provas da
evolução. Também com relação a eles se repete o “ritornello”: Não se tem
conhecimento de formas transicionais que tivessem dado origem aos roedores.
Romer diz deles: “A origem dos roedores é obscura (...)
formas transicionais [relacionadas a eles] não são conhecidas” (Apud Gish
op. cit. p. 87).
10 - SERES MAMÍFEROS E SERES ALADOS
Embora os evolucionistas garantam que os répteis teriam
dado origem aos mamíferos, a transição de um grupo para o outro continua
sendo um mistério. E um mistério de “cair o queixo”, já que uma das questões
não explicadas é a respeito do modo de junção do queixo com o crânio nos
répteis e nos mamíferos.
Nos répteis, o maxilar inferior é formado por seis ossos
em cada lado da cabeça, enquanto que, nos mamíferos, o maxilar inferior é
constituído por um osso único. Além disso, nos répteis, a mandíbula se junta
ao crânio por meio do “osso quadrado”, que não existe nos mamíferos. Os
répteis têm um só osso no ouvido, enquanto os mamíferos têm três ossos no
ouvido: o estribo, o martelo e a bigorna. Existem, evidentemente, ainda
outras diferenças entre répteis e mamíferos, mas tenhamos estas
especialmente em vista.
Os répteis apareceram, junto com os mamíferos-semelhantes
aos répteis, no período Carbonífero. Os mamíferos propriamente ditos
surgiram, mais tarde, no Triássico, período em que desapareceram os
mamíferos-semelhantes a répteis.
Convém observar, de passagem, que a existência de seres
com características morfológicas comuns a dois gêneros ou espécies
diferentes não significa, de si, que ela seja intermediária entre esses dois
gêneros ou espécies. Assim, o ornitorinco (duck-bill platypus) tem
características de mamífero, de ave e de réptil. À primeira vista, ele
poderia ser tido como um animal intermediário, como um antecessor dos
mamíferos que tivesse conservado ainda características de ave e de réptil.
Nada mais falso, porque, ele é posterior ao surgimento dos mamíferos. Ele
existe apenas a 150 milhões de anos, enquanto os mamíferos, sendo do
Triássico têm, pelo menos, 200 milhões de anos.
Geralmente se diz que os intermediários entre os répteis
e os mamíferos teriam sido animais como o Morganucodon e o
Kuehneotherium. Estes eram dois pequenos seres que datam do Triássico.
Deles foram achados apenas fragmentos de ossos que não permitem conhecer
como, de fato, era a junção de suas mandíbulas a seus respectivos crânios.
Tudo o que deles se diz é mera suposição. Tanto o Morganucodon quanto o
Kuehneotherio têm mandíbula típica de réptil com seis ossos em cada lado da
mandíbula. Ambos também apresentam a junta da mandíbula com o crânio com
osso quadrado, típico dos répteis.
Conforme afirmam os evolucionistas, estes dois animais
teriam mandíbula que se unia ao crânio de um modo intermediário entre os
répteis e os mamíferos, enquanto que seu ouvido teria também uma estrutura
óssea intermédia. O que não explicam os evolucionistas é -- se tivesse sido
assim -- como esses pobres animais conseguiam comer na fase de transição, e
como sobreviveram, tendo então se tornado, pelo menos temporariamente,
surdos.
Todos os fósseis de répteis até hoje encontrados, todos,
têm apenas um único osso no ouvido. Jamais foi achado um ser intermediário
entre réptil e mamífero que possuísse dois ossos no ouvido.
Um outro grande mistério para os evolucionistas é o
“desaparecimento” dos mamíferos por um longo período de 120.000.000 de anos,
período esse dominado pelos chamados dinossauros, pelos grandes répteis
marinhos e pelos répteis voadores. Este “desaparecimento” dos mamíferos no
período Triássico permanece inexplicado. Durante 120 milhões de anos os
fósseis de mamíferos praticamente desaparecem, para, de repente,
reaparecerem em número enorme, com as suas 32 diferentes ordens plenamente
constituídas e estáveis. Evidentemente, eles não podem ter surgido no
Triássico, depois, terem se extinguido, e finalmente reaparecido. Devem ter
tido uma forte diminuição numérica de seus membros, motivada por razão que
desconhecemos, para depois, cessada essa razão, se multiplicarem novamente
em grande número. Possivelmente esse relativo desaparecimento dos mamíferos
no Triássico se deveu à existência dos grandes sáurios predadores. Quando
estes desapareceram -- por razão tão misteriosa quanto a do
“desaparecimento” dos mamíferos, estes últimos tornaram a se multiplicar.
Tratando deste fato diz G. G. Simpson:
“O mais intrigante evento na história da vida na Terra é
a mudança do Mesozóico, a idade dos répteis, para a idade dos mamíferos”
(Apud D. T. Gish, op. cit. p. 95).
11 - A ORIGEM DOS SERES ALADOS
O aparecimento de seres alados nos vários gêneros de
animais - insetos, répteis, aves e mamíferos (morcegos) -- se existisse a
evolução, exigiria uma verdadeira revolução estrutural nos seres não alados.
Para que um ser não-alado passasse a ser capaz de voar não lhe bastaria,
simplesmente, desenvolver asas. Ele teria que mudar seus ossos de pesados e
cheios, para leves e ocos. Deveria desenvolver um sistema muscular
inteiramente diverso, e revolucionar seu sistema nervoso.
Enquanto essas mudança estivessem ocorrendo, ele
caminharia mal e ainda não voaria. É isto que os evolucionistas entendem
como adaptação ao ambiente e como sobrevivência do mais apto. É evidente que
este ser intermediário entre não alado e alado seria presa fácil dos seus
predadores, pois nem andaria, nem voaria perfeitamente: seria um aleijado
facilmente destrutível. Eis o mais apto a sobreviver: um aleijado e
impotente.
É claro que também aqui os evolucionistas não dispõem de
nenhum fóssil de ser intermediário entre não alados e alados em qualquer
gênero de animal.
E. C. Olson - que é evolucionista - afirma:
“No que se refere ao vôo, por mais longe que se vá no
passado, há alguns verdadeiros grandes intervalos no registro fóssil “
E quanto aos insetos, diz o mesmo Olson:
“Não há quase nada para dar qualquer informação acerca da
história da origem do vôo no que se refere aos insetos”.
Quanto aos répteis voadores, diz Olson:
‘Verdadeiro vôo é registrado, entre os répteis, pelos
pterossáurios no período Jurássico. Embora o mais primitivo destes animais
fosse menos especializado para voar do que os posteriores, não há
absolutamente nenhum sinal de estágios intermediários”.
Sobre os mamíferos alados, afirma Olson:
“A primeira evidência de vôo nos mamíferos existe em
morcegos plenamente desenvolvidos, no Eoceno” (Citações de Olson apud Gish,
op. cit. pp. 103 e 104).
O caso dos répteis alados é particularmente
impressionante.
Gish, no bem argumentado livro que temos seguido e
citado, mostra as diferenças estruturais enormes existentes entre o
Saltoposuchus - tecodonte réptil que Romer considera ser o antepassado
dos dinossauros, das aves e dos répteis alados -- e o Rhamphorrhyncus,
pteossaurio alado cujo enorme quarto dedo, sustentava a membrana que lhe
permitia voar.
O Pteranodon -- um animal do grupo dos
pteossaurios -- tinha um dedo de mais de 15 metros de comprimento, e um
imenso bico desprovido de dentes.
Entre o pterossáurio de dedo imenso e o tecodonte, não
existe nenhum intermediário com dedo de três, quatro, seis, dez metros. Não
há intermediário entre os dois.
Por sua vez, os morcegos são tidos como tendo evoluído de
um mamífero insetívoro não-alado. No morcego, quatro de seus cinco dedos são
extremamente compridos para que possam suportar as suas membranas-asas. Se
os evolucionistas estivessem corretos em sua hipótese, o mamífero insetívoro
que deu origem ao morcego teve que desenvolver -- por erros genéticos
casuais recorde-se -- não só os seus dedos imensos, mas também suas
membranas, e, mais ainda -- e não pouco -- seu sistema de sonar que lhe
permite voar nas trevas. Desta evolução deveriam existir inúmeros fósseis
comprovantes. Como sempre, não há nenhum fóssil intermediário entre o
insetívoro e o morcego. E Gish dá a foto do fóssil mais antigo de morcego já
encontrado. É um fóssil de 50 milhões de anos. E é igualzinho a um morcego
atual. Também os morcegos não evoluíram. Quem sabe por que lhes faltou a luz
do Darwinismo...
12 - ORIGEM DAS AVES
É neste capítulo que os evolucionistas apresentam seu
grande trunfo: a Archaeopteryx. É um espécimen do qual foram
encontrados cinco exemplares fósseis e uma pena, datando do período
Jurássico, tendo, portanto, cerca de 150 milhões de anos. A Archaeoptéryx
era considerada ave mais antiga de que se tem conhecimento.
Realmente, a Archaeoptérix é um animal bem estranho:
parece ave, bico e dentes, e, se não tivesse penas, pareceria um réptil.
Entretanto, suas penas são diferentes das penas das aves atualmente
conhecidas, pois o pedúnculo das penas corre simetricamente pelo eixo delas,
o que não lhe permitiria um vôo perfeito. As aves, para voarem bem, precisam
ter penas divididas assimetricamente pelo seus pedúnculos. A aerodinâmica do
vôo correto exige isto. Este aspecto estranho -- meio de ave, meio de réptil
-- fez da Archaeoptéryx o exemplar clássico da pretensão de evolução
gradual, hoje repelida pelos evolucionistas do “equilíbrio graduado” de Jay
Gould e Elredge. O fato de existir um animal com características de espécies
diferentes não significa, necessariamente, ser ele um antecessor
intermediário entre duas espécies diferentes. Caso contrário dever-se-ia
admitir que o ornitorinco é antepassado de mamíferos e dos patos.
Já Romer havia afirmado que a Archaeoptéryx não podia ser considerada
como a antecessora original dos pássaros. Mas, posteriormente a esta
afirmação dele, James Jensen descobriu restos de pássaros modernos em rochas
do primitivo Jurássico!
Esta descoberta derrubava a Archaeoptérix como prova da
evolução. Se havia pássaros modernos no Jurássico -- contemporâneos da
Archaeoptéryx -- então ela não foi o elo intermediário dos pássaros! O que
encerra a exibição deste pretenso triunfo darwinista.
Mas a busca por um sensacional elo perdido entre répteis e aves
prossegue, e o desespero de se obter uma prova da evolução é tal que levou a
mais uma fraude.
Recentemente, o paleontólogo Tim Rowe a desvendou. Um fóssil encontrado
na China, divulgado como reportagem de capa da revista National Geographic,
foi desmentido pelo paleontólogo americano Rowe. No artigo “ Forensic
palaeontology: The Archaeoraptor forgery” (Nature, 410, 29/mar/2001), o
autor demonstrou a fraude grosseira de um fóssil que supostamente seria um
elo perdido entre aves e répteis, numa montagem de um esqueleto com partes
de quatro dinossauros e de uma ave. Foi o fim do Archaeoraptor.
13 - DINOSSAUROS
Muito se tem escrito a respeito dos dinossauros,
especialmente sobre seu misterioso e inexplicado repentino desaparecimento.
Estes animais enormes -- o Brontosauro pesava cerca de 80 toneladas --
constituem um problema a mais para o evolucionismo, não por seu
desaparecimento, mas pelo seu surgimento. Se a evolução é verdadeira, de
onde e de que animal vieram esses gigantescos sáurios? Como não se tem nenhum
traço de sua origem? E os traços de seus antepassados deviam der bem
respeitáveis! Nada. Eles entram na história da vida sem antecedentes e sem
sucessores. Deles também se busca em vão o elo perdido. Na verdade, perdidos
estão os defensores da evolução.
VI - ORIGEM DO HOMEM
1 - INTRODUÇÃO
A grande questão, subjacente a todo evolucionismo, é a da
origem do homem: foi o homem criado por Deus? A afirmação darwinista de que
o homem teria evoluído do macaco era, na verdade, uma negação mais ou menos
velada do criacionismo, embora a tese evolucionista não explicasse de onde
teria vindo a matéria. Para o vulgo, porém, ficava implícita a vitória do
ateísmo e do materialismo, caso o darwinismo fosse verdadeiro. E ainda hoje
é assim. Normalmente, se ensina o evolucionismo, para, nas entre linhas -- e
muitas vezes nas linhas -- atacar a religião como anti-racional e
anti-científica, e lançar os seus ensinamentos para a esfera da lenda ou do
mito.
Desde o aparecimento da tese de Darwin, o que se procurou
constantemente -- e sem êxito -- foi encontrar o elo perdido entre o macaco
e o homem, entre o irracional e o racional. A busca frenética -- e tantas
vezes fraudulenta -- de fósseis intermediários entre várias espécies animais
visava apenas estabelecer uma premissa maior, necessária para montar o
silogismo, cuja conclusão fosse: “logo, o homem descende do animal...E a
Escritura mentiu”.
Inicialmente, Darwin e seus seguidores buscaram o elo
entre o macaco e o homem. Quando ficou patente que esse elo não existiu,
mudaram a sua argumentação: o homem e o macaco teriam tido um ancestral
comum muito antigo.
Para o materialismo, a diferença entre o homem e o animal
não é essencial. O homem seria um animal apenas mais perfeito, mas ele não
se distinguiria do animal por ter uma alma espiritual. A inteligência humana
seria o efeito de reações químicas e elétricas no cérebro humano. Sendo
assim, os animais também teriam uma “inteligência” incipiente. Instintos e
racionalidade não teriam distinção substancial.
Para Marx, o que diferencia o homem do animal não é a
racionalidade, fruto da alma espiritual do homem. O que distingue o homem do
animal é o trabalho. Engels definiu o homem como “o animal que trabalha”, o
que é uma tolice, pois formiga e castor trabalham, e não são humanos. Para o
marxismo, teria sido o trabalho que teria feito surgir, no homem, a
linguagem, e, desta, a racionalidade. Portanto, no princípio estaria o
trabalho e não o Verbo. No princípio, estaria o berro, a interjeição e não a
palavra. No princípio não estaria a Sabedoria, e sim a matéria.
Para o materialismo, os animais antepassados do homem e
do macaco -- os primatas -- teriam deixado de viver nas árvores e passado a
ter vida no solo. Pouco a pouco, teriam abandonado o andar apoiado nos
quatro membros e passado a caminhar eretos. Isto dera-lhes a possibilidade
de usar as mãos. A seguir, teriam começado a usar paus e pedras como armas,
e, depois, como instrumentos. Daí as denominações de “Homo Faber” e de “Homo
Habilis”, dos quais teria nascido o que eles chamam de “Homo Sapiens”.
Na realidade, o que distingue o homem do animal é a alma
espiritual e racional. Por isso, o homem é sempre “Sapiens”, embora muitas
vezes ele não tenha sabedoria...
A árvore genealógica do homem, segundo os evolucionistas
atuais seria a seguinte:

As datações desses pretensos antepassados do homem só
muito elásticas, variando de autor para autor, com diferenças, por vezes,
gigantescas. Para os evolucionistas, a variação de algumas centenas de
milhões de anos não impressiona muito...
Veja-se, por exemplo, que a datação do ancestral comum do
homem e dos macacos varia de 4 a 3,5 milhões de anos. Parece pouco, se se
olham apenas os algarismos. É uma diferença imensa de meio milhão de anos,
isto é, de 500.000 anos!
Conforme o esquema geralmente apresentado, o parente mais
próximo do homem seria o chimpanzé, porque teriam códigos genéticos com
números muito aproximados.
Outros há, como Schwartz, que levando em conta certos
aspectos morfológicos, consideram que o homem é mais próximo do orangotango
do que do chimpanzé. Esta aproximação do homem com os macacóides procura
salientar apenas semelhanças morfológicas entre eles, deixando à sombra o
que os distingue realmente, que é a racionalidade conseqüente da existência
de alma espiritual no homem. Salientam-se aspectos acidentais semelhantes,
não se levando em conta, porém, que uma pequena diferença nos cromossomos
significa uma enorme diferença específica, ou que uma semelhança acidental
nada significa diante de uma diferença essencial. Reduzir a diferença humana
com relação ao animal apenas ao número de cromossomos significa afirmar que
a única diferença entre o homem e o animal é material. Ora, a principal diferença do
homem para o animal é espiritual e não material.
No afã de provar que a evolução era uma verdade, alguns
cientistas evolucionistas não titubearam em recorrer à mentira e à fraude.
Nunca houve, na História da Ciência tantas fraudes escandalosas quanto se
registraram na polêmica evolucionista. O Batibius Haeckeli, o Homem de
Piltdown, o Homem de Java, o Homem de Pequim, a mandíbula infantil de
Ehringsdorf, foram algumas das fraudes mais famosas utilizadas para provar
que o homem não foi criado por Deus, mas teve origem puramente animal.
Analisaremos inicialmente as fraudes evolucionistas no
campo dos fósseis humanos, para, depois, examinarmos os fósseis apresentados
como antepassados do homem, nos dias de hoje.
2 - FRAUDES EVOLUCIONISTAS
a) O “Homem” de Java
O primeiro fóssil humano fraudulento apresentado como
prova da evolução, e até hoje tido como autêntico por muitos autores, foi o
famoso Homem de Java, também, chamado de Pithecanthropos Erectus
(macaco-homem ereto).
Ele foi descoberto, em 1891, pelo holandês Eugène Dubois,
em Java. Dubois agregou-se ao exército holandês, e inicialmente foi servir
em Sumatra, onde iniciou também suas pesquisas paleontólogas. Nada
encontrando em Sumatra que tivesse maior importância científica, ele se
transferiu para Java, onde disse ter achado inicialmente uma calota craniana
macacóide. No ano seguinte, e a 15 metros de distância do primeiro achado,
Dubois disse ter encontrado um fêmur humano. mais tarde ainda, ele achou
três dentes, dos quais descreveu dois, que eram de macaco. O terceiro dente
ele manteve durante longo tempo oculto, e nada disse sobre ele.
A calota craniana achada por Dubois tinha paredes finas e
quase não tinha testa, indicando um ângulo facial muito agudo, típico de
macacos. As arcadas supra-orbitais eram muito salientes, o que era outra
característica macacóide. O cientista holandês calculou que a capacidade
craniana deste fóssil teria sido de 900 centímetros cúbicos, bem menor,
pois, que a do homem atual, que tem cerca de 1.500 cm cúbicos.
Juntando essa calota craniana macacóide, o fêmur humano e
dois dentes de macaco que encontrara, Dubois montou um esqueleto,
completando com massa o que faltava. Nasceu assim o Homem de Java, que ele
chamou de Pithecanthropos Erectus. Pithé (macaco), por causa da calota
craniana macacóide e pelos dois dentes de macaco. Anthropus (homem), por
causa do fêmur humano. Este fóssil foi então apresentado como sendo o elo
intermediário entre o macaco e o homem, que os evolucionistas há tanto tempo
desejavam encontrar para comprovar a sua hipótese, tornando-a tese
científica demonstrada; um ser com características de macaco e de homem, ao
mesmo tempo.
É claro que este procedimento de Dubois era
anti-científico, porque não é legítimo juntar fósseis encontrados separados.
Nada garantia que o fêmur humano, encontrado a 15 metros de distância da
calota craniana macacóide tivessem pertencido ao mesmo ser. Se escavarmos
num local e encontrarmos um crânio de onça, e, 15 metros mais longe,
acharmos um bico de arara, não poderemos concluir que outrora as onças
tinham bico de arara.
Dubois descobriu ainda, perto de Wadjak, em Java, e na
mesma camada geológica em que achara os fósseis anteriores -- portanto tendo
supostamente a mesma idade -- dois crânios humanos com capacidade entre 1550
e 1650 centímetros cúbicos. Entretanto, Dubois guardou-se bem de revelar
esta descoberta. Por mais de 30 anos ele a ocultou, porque ela demonstrava a
falsidade de seu Pithecanthropos Erectus, que até hoje continua “vivo” e com
“boa saúde” nos manuais escolares evolucionistas.
Foi só em 1922, quando uma descoberta parecida feita em
Wadjak ia ser anunciada, é que Dubois repentinamente se apressou em revelar
ter encontrado em Wadjak os dois crânios humanos. Em 1895, ele exibiu apenas
a sua montagem do Pithecanthropos Erectus - um fóssil Frankstein -- no
Congresso Internacional de Zoologia de Londres.
Apesar da atroada de triunfo dos evolucionistas -- que
são bem hábeis em organizar torcidas e falsas unanimidades --a aceitação do
Pithecanthropos não foi universal. Desde o princípio, houve estranheza e
alguns cientistas se mostraram cépticos com relação a esse fóssil montado.
Estranho-se principalmente que se tivesse juntado a calota craniana
macacóide com um fêmur humano encontrado a 15 metros de distância uma do
outro.
Interrogou-se Dubois a respeito do terceiro dente que ele
- incompreensivelmente mantinha oculto. Afinal, Dubois teve que revelar que
esse terceiro dente era humano. Na mesma boca, o Pithecanthropos teria tido
dentes de macaco e de homem. Era uma conjunção estranha para um ser em
evolução que deveria ter dentes semi-macacóides e semi-humanos, e não dentes
de macaco e de homem, ao mesmo tempo... Era muita confusão para uma boca só.
A revelação de 1922 feita por Dubois de que, na mesma
camada geológica de seus primeiros achados, encontrara também dois crânios
humanos, provava que já existiam seres humanos no tempo em que vivera o dono
da calota macacóide do “Pithecanthropos Erectus. logo este último não era
antepassado do homem. O próprio Dubois acabou confessando, pouco antes de
falecer, que a calota craniana que encontrara em Java era a de um gibão
gigante. Assim, o Homem de Java faleceu antes que seu descobridor e
mondador.
Von Koenigswald, famoso paleontólogo alemão, estudando os
dentes encontrados por Dubois, chegou à conclusão que eram dois molares de
orangotango, e que o terceiro dente - um pré-molar -- era humano! Apesar
disto, esses dentes continuam unidos com massa à famosa calota macacóide do
Homem de Java, e continuam dando fraudulentas mordidas evolucionistas e
materialistas no criacionismo.
O mesmo Von Koenigswald, pesquisando em Java, no local
denominado Sapiran, nos anos que precederam a segunda guerra mundial
(1936-1939), encontrou novos fósseis semelhantes aos que haviam sido achados
por Dubois, e os chamou de Pithecanthropos II, III, e IV.
Marcelin Boule -- uma das mais altas autoridades em
morfologia fóssil e adepto do evolucionismo -- classificou os fósseis de
Sapiran como sendo do mesmo tipo que o Pithecanthropos de Dubois: eram
símios (Cfr. Gish, op. cit. p. 182).
Boule e Vallois mostraram que, nos fósseis achados por
Von Koenigswald, o pré-molar e os molares estavam colocados em linha reta,
dando ao palato a forma de U, tipicamente simiesca, enquanto que, no homem,
o palato apresenta um formato semelhante ao de uma ferradura.
Assim, o famoso Pithecanthropus era realmente um Pithé.
isto é, era realmente um macaco, mas não era anthropus, isto é, não era
homem.
Apesar das omissões maliciosas e fraudulentas de Dubois,
apesar de suas confissões desmoralizantes, o fóssil que ele montou é mantido
ainda hoje Erectus pela “teimosia” pouco sincera e nada científica do
Evolucionismo. Também na História da Evolução fica comprovada a verdade
recomendada por Voltaire a seus discípulos, para combater a Igreja: “Menti,
menti sempre. Alguma coisa ficará...”
b) O “Homem” de Piltdown
A segunda grande fraude praticada pelos evolucionistas
para fazer passar como verdade que o homem teve origem animal foi o famoso
Homem de Piltdown (Eanthropos Dawsoni), encontrado por Charles Dawson, na
primeira década do século XX.
Em 1908, um operário encontrou, em Piltdown, fragmentos
de um crânio humano fossilizado, e contou sua descoberta ao médico Charles
Dawson, que era também paleontólogo por amadorismo.
Foi nesse ano também que o futuro célebre jesuíta, Pierre
Teilhard de Chardin - então simples seminarista -- foi encaminhado ao
seminário de Ore Place, Hastings, perto de Piltdown. Teilhard estudara no
seminário jesuíta de Lyon, onde conhecera e fora influenciado pelo
pensamento do Padre Rousselot, cujas afinidades doutrinárias com o
Modernismo o levaram a ser condenado em 1920. Nesse mesmo seminário de Lyon,
Teilhard conheceu e se tornou amigo do Padre Auguste Valensin, discípulo de
Maurice Blondel. Também o Padre Valensin esteve implicado no Modernismo.
Teilhard chamava o Padre Valensin de “Pai espiritual”, e dizia que fora ele
quem o ensinara a pensar. Foi Valensin quem levou Teilhard a corresponder-se
com Blondel, um dos líderes do Modernismo, embora jamais tivesse sido
condenado pela Igreja.
O Modernismo é uma heresia que tem exatamente o
evolucionismo metafísico como fundamento de todo o seu sistema herético.
Teilhard de Chardin foi o teólogo -- se se o pode chamar sua Gnose de
Teologia -- que fez a ligação entre o Modernismo gnóstico e o evolucionismo
Darwinista.
Chegando à Inglaterra, Teilhard conheceu logo Dawson.
Consta que eles foram apresentados em 31 de maio de 1909, tornando-se
imediatamente amigos pessoais e colaboradores nas pesquisas paleontológicas
de campo. Juntos fizeram escavações em Piltdown. Exatamente foi durante uma
escavação que faziam juntos, certo dia, em Piltdown, que Dawson teria achado
a famosa mandíbula macacóide do “Homem de Piltdown”. (Cfr. Stephen Jay
Gould, “Piltdown Revisitado”, in “O polegar do Panda”, p. 96). Essa
mandíbula cuja descoberta foi atribuída a Dawson, havia dois dentes molares
macacóides, mas cujo desgaste era tipicamente humano, e como jamais se
desgastam os dentes de macaco. E Teilhard escavava já com Dawson...
Nessa mandíbula, muito bem conservada, faltava exatamente
o côndilo, isto é, a protuberância óssea pela qual a mandíbula se encaixa no
crânio. É pelo encaixe perfeito realizado através do côndilo com o crânio
que se comprova que um maxilar pertence, de fato, a determinado crânio.
Mas... “como se fosse de propósito, faltava o côndilo”, iria escrever, anos
depois, o Padre Teilhard de Chardin...(Cfr. S. Jay Gould,” A conjuração de
Piltdown, in “A Galinha e seus dentes”, p. 218).
“Como se fosse de propósito”... à mandíbula -- encontrada
por Dawson, quando escavava junto com Teilhard -- faltava o côndilo...
Dawson juntou então os fragmentos encontrados do crânio
humano e o maxilar macacóide, para montar assim -- Afinal!!! -- a prova de
que o homem descendia do macaco, fazendo -- Afinal!!! -- a demonstração
científica de que a teoria de Darwin era verdadeira.
Teilhard teria ainda descoberto, em Piltdown, alguns
fósseis de mamíferos ( um osso de rinoceronte e um dente de elefante) que
ajudariam a comprovar a datação dos fósseis encontrados.
Dawson levou então todo o material encontrado para Smith
Woodward, Conservador do Departamento de Geologia do Museu Britânico (
História natural). Em 1912, Woodward e Dawson apresentaram os fósseis, na
Sociedade Geológica de Londres.
No ano seguinte -- 1913 -- Teilhard de Chardin, de novo
escavando juntamente com Dawson em Piltdown, encontrou um dente canino
inferior. Era um dente simiesco, porém, como os molares do maxilar achado
anteriormente, esse canino também apresentava um desgaste típico de dente
humano.
Em 1914, começou a primeira guerra mundial, e Teilhard
foi convocado para servir no exército francês. Durante os quatro anos que
durou a guerra, ele atuou como padioleiro, no fronte.
Enquanto isso, Dawson escavava em outro local (Piltdown
2) que tinha as mesmas características geológicas de Piltdown 1, onde haviam
sido achados os primeiros fósseis. No local 2 de Piltdown, Dawson encontrou
dois outros fragmentos de crânio humano esparsos, e um dente simiesco,
também gasto, à maneira humana.
Os novos achados eram tão providencialmente
complementares dos primeiros fósseis encontrados em Piltdown que H.
Fairfield Osborn, o principal paleontólogo americano daquele tempo,
declarou:
“Se há uma Providência pairando sobre os assuntos do
homem pré-histórico, ela certamente manifestou-se nesse caso, porque os três
segmentos do segundo Homem de Piltdown encontrados por Dawson são exatamente
aqueles que teríamos selecionado para confirmar a comparação com o tipo
original” (S. Jay Gould, “Piltdown Revisitado” in “ O Polegar do Panda”, p.
97).
Mas que coincidência feliz!...Realmente, muita sorte a
de quem faz escavações com um Padre, especialmente se é o Padre Teilhard de
Chardin!...
Desde a descoberta dos fósseis até a década de 50, o
Homem de Piltdown foi trombeteado nas cátedras universitárias, nas
conferências de intelectuais famosos, na mídia, e até nos púlpitos, como
sendo A prova de que Darwin tinha razão: o homem era de fato filho de macaco
e não filho de Deus.
Em 1949, Kenneth P. Oakley aplicou o teste de fluoração
-- usado para a datação de fósseis -- às várias peças achadas em Piltdown. E
oh surpresa! As peças tinham um teor de fluor muito baixo, o que indicava
que haviam estado pouco tempo na terra.
Quatro anos depois -- em 1953 -- o mesmo Oakley, tendo a
cooperação de J. Weiner e de W. E. Le Gros Clark, comprovou que o crânio de
Piltdown e a mandíbula a ele atribuída tinham idades diferentes. A mandíbula
era a de um orangotango e era muito mais velha que o crânio que era de um
homem moderno.
Era uma descoberta de cair o queixo!
Examinando-se os fósseis mais atentamente, viu-se
claramente que eles haviam sido “trabalhados”... Tanto o crânio quanto a
mandíbula haviam sido tingidos. Os dentes, por sua vez, haviam sido limados
e raspados para darem a impressão do desgaste típico dos dentes humanos. Por
fim, comprovou-se que os fósseis de mamíferos (o osso de rinoceronte e o
dente de elefante) encontrados pelo Padre Teilhard em Piltdown, haviam sido
trazidos de outros locais.
Tudo não era senão uma imensa fraude!
A perfeição e os cuidados para enganar indicavam que o
falsificador era um especialista e não um simples amador, como Dawson...
A culpa pela fraude foi lançada toda ela sobre Dawson,
poupando-se o Padre Teilhard de Chardin. Padre não poderia ser falsificador.
Recentemente, porém, Stephen Jay Gould, deixando o
“clericalismo” de lado, ousou levantar para si mesmo a pergunta se o Padre
Teilhard era inocente nessa fraude gigantesca. Fez longas pesquisas que
deram origem a um ensaio intitulado “A Conjuração de Piltdown”, editado em
seu livro “A Galinha e seus Dentes” (pp. 201 a 220). Da pesquisa e do
ensaio, o Padre Teilhard sai como inteiramente culpado. Jay Gould conclui
que foi Teilhard o principal responsável pela fraude. Principal, mas não o
único, pois se houve “conjuração”, necessariamente ela implica em vários
culpados.
Descoberta e revelada a fraude, ainda em 1953, Oakley
escreveu ao Padre Teilhard de Chardin perguntando-lhe a respeito de seu
trabalho com Dawson, em Piltdown.
Teilhard respondeu recusando admitir que Dawson e Smith
Woodward pudessem estar implicados na fraude. (Quem então seria o culpado?)
Na mesma carta, porém, pouco depois de escusar Dawson e
Woodward, Teilhard cometeu um erro fatal que revelou quem era o verdadeiro
culpado pela fraude. Na carta a Oakley, Teilhard diz que, em 1913 Dawson o
levara ao local 2 de Piltdown onde haviam sido achados o molar isolado e
restos do crânio. Ora, Dawson só teria feito essa descoberta em 1915, e não
em 1913. Teilhard jamais poderia ter sido levado por Dawson ao local em
1913, pois então aquelas descobertas não tinham sido ainda feitas. Elas o
foram em 1915. E neste ano de 1915 Teilhard não teria ido a Piltdown, pois
desde 1914 servia no fronte francês, onde ficaria até 1918, no final da
primeira guerra mundial. Teilhard mentira.
Jay Gould, tendo feito a constatação de que o Padre
Teilhard mentira, foi pesquisar toda a sua correspondência -- primeiro
editada, depois nos manuscritos originais -- procurando tudo o que ele
escreveu sobre a descoberta de Piltdown.
Nova surpresa!
Jay Gould constatou que na própria edição das obras de Teilhard haviam
sido eliminados todos os trechos sobre o Homem de Piltdown que existiam nos
manuscritos originais. Havia sido feita uma censura meticulosa dos
originais, para que nas obras editadas nada aparecesse que pudesse implicar
o Padre Teilhard na fraude!
Stephen Jay Gould é americano e imaginou que o motivo que
levou Teilhard a montar a fraude de Piltdown teria sido apenas o de se
divertir com Dawson. Teria sido, inicialmente, apenas uma brincadeira do
Padre com Dawson. Este, porém, muito ingenuamente acreditou de fato que
fizera uma grande descoberta e fez Woodward aceitá-la. Quando os dois
publicaram a descoberta do Homem de Piltdown, teria ficado muito difícil
para Teilhard desfazer a “brincadeira”... O retorno ficou impossível e o
mundo científico aceitou a fraude.
O que parece, na verdade, brincadeira é essa hipótese de
Jay Gould. Basta conhecer um tanto que seja a doutrina modernista, defendida
por Teilhard, basta conhecer, um tanto que seja, os métodos e trapaças
modernistas, para compreender que a fraude teve causa bem mais séria do que
uma simples brincadeira.
Desvendada a fraude, era de esperar que se deixasse de
citar imediatamente o Homem de Piltdown como prova da evolução do macaco
para o homem. Assim não foi, e, durante muito tempo ainda, foi possível
encontrar manuais que ensinava, aos estudantes que o Homem de Piltdown
provava que o homem vinha do macaco e que Darwin tinha razão.
c) O “Homem” de Nebraska
Este é um fóssil pouco conhecido no Brasil, mas que
teve, a seu tempo, repercussão nos Estados Unidos, onde foi encontrado. Em
Nebraska, em 1922, foi descoberto um dente. Examinado por Henry Fairfield
Osborn e outros, ele foi declarado como sendo de um ser que combinaria as
notas características do chimpanzé, do Pithecanthropos e do homem. Era uma
mistura extraordinária. Chamaram a este suposto cock-tail paleontológico de
“Hesperopitheus Haroldcookii”, ou mais simplesmente, “Nebraska Man”.
Ele teve vida e fama científica muito curta. Cinco anos
depois da descoberta, melhores análises tendo sido realizadas, ficou provado
que o “Nebraska Man” não era de modo algum um ser intermediário entre o
macaco e o homem. Era simplesmente um fóssil de uma espécie de porco! (Cfr.
D. T. Gish, op. cit. pp. 187-188).
d) O “Homem” de Pequim
Um quarto fóssil, que até hoje é considerado autêntico,
embora tenha uma história quase tão misteriosa e rocambolesca quanto o Homem
de Piltdown -- inclusive também com a presença da suspeitíssima figura do
jesuíta Teilhard de Chardin -- é o “Sinanthropus Pekinensis” ou Homem de
Pequim.
Sua história bem complicada começa em 1921, quando dois
molares foram encontrados, provenientes de Chou-Kou-Tien, uma aldeia perto
de Pequim. Seis anos depois - 1927 - um terceiro molar foi dado ao Dr.
Davidson Black. Foram estes três dentes que permitiram começar a falar-se do
Homem de Pequim. As escavações no local ficaram entregues à direção do
paleontólogo chinês Dr. W. C. Pei, que, em 1928, encontrou no mesmo local
fragmentos de crânios e de maxilares inferiores. Black fez dessas peças uma
descrição que as dizia mais semelhantes a fósseis de macacos do que de seres
humanos.
A partir de 1929, o Padre Teilhard de Chardin -- o mesmo
que é acusado de forjar a fraude de Piltdown -- passou a participar das
pesquisas em Chou-Kou-Tien, na qualidade de conselheiro geológico...
Coincidentemente, foi em 1929 também, que o Dr. Pei
revelou a descoberta de um crânio bem conservado e semelhante ao do Homem de
Java. Junto com os fósseis citados foram encontrados também muitos fósseis
de diversos tipos de animal.
Três outros crânios foram achados em 1936, quando as
pesquisas, desde 1934, ano da morte do Dr. Black, estavam a cargo do
cientista americano, mas de origem alemã, Franz Weidenreich. Um desses três
crânios foi examinado pelo famoso especialista em fósseis Marcellin Boule,
no próprio local do achado, que o disse muito semelhante ao Pithecanthropos
de Java. Boule escreveu: “Na totalidade, a estrutura do Sinanthropus é ainda
muito parecida com a de um macaco” (Cfr. D.T. Gish, op. cit. p. 192).
Quanto à capacidade craniana desses fósseis, calculou-se
que estavam entre 900 e 1200 centímetros cúbicos, isto é, entre a capacidade
craniana do macaco e do homem atual. Também os maxilares inferiores, assim
como os dentes, foram descritos como sendo parecidos com os de macacos,
embora a arcada dental superior fosse em forma de ferradura mais do que em
U, como é típica dos macacos.
As características dos fósseis de Pequim, sendo muito
próximas das do Pithecanthropus de Java, Boule e Vallois deram-lhe o nome de
Pithecanthropus Pekinensis, portanto, muito mais parecido com macaco do que
com ser humano. Neste sentido, Boule e Vallois criticaram o Dr. Black por
ter denominado o fóssil de Chou-Kou-Tien de Sinanthropus, isto é, Homem da
China, quando tinha por base, nesse tempo, apenas dentes, quando seria
necessário nomeá-lo apenas quando se tivesse o crânio.
Dos fósseis originais, o Dr. Weidenreich fez tirar um
modelo de massa.
Ao começar a guerra chino-japonesa, os ossos teriam sido
mandados para os Estado Unidos, e... despareceram. Deles tem-se apenas os
modelos de massa feito por Weidenreich, os quais não são fiáveis, pois nem
foram tiradas fotos dos fósseis que desapareceram.
O que aumenta ainda mais a suspeita a respeito desses
modelos de massa é que, as primeiras descrições feitas deles por Black, e,
depois, por Boule e Vallois, diziam que eles se pareciam mais com macacos do
que com homens, enquanto que o aspecto dos modelos é inteiramente humano. Os
modelos de massa não parecem ter reproduzido fielmente os fósseis originais,
mas sim a concepção, as idéias, e o desejo de Weidenreich.
Onde foram parar os fósseis originais? Como
desapareceram? Mistério...
A Ciência e o mundo tem hoje que acreditar na fidelidade
dos modelos de Weidenreich sem ter os originais para comparação. O
Sinanthropus passou a exigir um ato de fé!...
Não só o desaparecimento dos fósseis era um mistério, mas a divergência
entre as descrições deles e a aparência atual dos modelos de massa levantam
suspeitas muito justificadas. Além disto tudo, havia uma porção de problemas
colaterais não resolvidos. Por exemplo, por que só se encontraram crânios, e
nenhum osso longo, como os fêmures?
Com efeito, os crânios encontrados em Chou-Kou-Tien --
Todos! E eram quase quarenta! -- tinham um furo no occipital, indicando
que haviam sofrido morte violenta. Ora, nas mesmas camadas geológicas,
haviam sido achados instrumentos e armas de pedra, assim como sinais de
fogueiras (Cfr. H. Brodrick, El hombre pré-histórico, Fondo de Cultura
Economica, 1955, apud Atanásio Aubertin, Evolução da espécies, apriorismo e
confissões gnósticas, artigo, 1962). Evidentemente, eram provas de que já
existiam então homens.
Todos os que estudaram o caso - até mesmo Weidenreich -
consideram que os fósseis de Pequim são de seres que haviam sido caçados.
Com muita propriedade perguntaram Boule e Vallois:
“Como explicar a quase completa ausência de ossos longos e
esta espécie de seleção de partes ósseas, todas pertencendo ao crânio, e nas
quais predominavam os maxilares inferiores? Weidenreich acreditava que estas
partes selecionadas não chegaram à caverna [onde foram achadas] por meios
naturais, mas que deviam ter sido levadas para lá por caçadores que atacavam
principalmente indivíduos jovens, e escolhiam, de preferência, como espólios
ou troféus, cabeças ou partes delas. Em si, esta explicação é plausível. Mas
o problema é quem era então o caçador?” (Cfr. D. T. Gish, op. cit. p. 195).
Para Weidenreich, o caçador teria sido o próprio
Sinanthropus! Ele teria sido, ao mesmo tempo, a caça e o caçador! Boule e
Vallois, de modo mais plausível, afirmaram:
“O caçador era um verdadeiro homem” (Cfr. Gish op. cit.
p. 196)
O problema ficaria resolvido se existissem nas mesmas
camadas fósseis humanos verdadeiros. Ora, depois de muitas tergiversações, o
Padre Teilhard confessou que, de fato, nas mesmas camadas em que foi achado
o Sinanthropus, foram encontrados também fósseis humanos. Logo, o
Sinanthropus não foi um antepassado do Homem, já que já havia homens seus
contemporâneos.
O Padre Patrick O’Connell que estava na China no tempo da
descoberta dos fósseis de Chou-Kou-Tien, em seu livro Science of Today
and the Problems of Genesis, afirmou acreditar que o Dr. Pei destruiu
fósseis originais antes que o governo chinês retornasse a Pequim, a fim de
ocultar que os modelos feitos por Weidenreich não eram cópias fiéis dos
fósseis. O’Connell salientou que muito pouco destaque se tem dado ao fato de
que os fósseis de 10 homens modernos haviam sido achados no mesmo sítio de
Chou-Kou-Tien, e que estes homens estavam relacionadas com os instrumentos
de pedra numerosos encontrados nesse local. Conforme O‘Connell, o
Sinanthropus é uma fraude.
e) A mandíbula infantil de Ehringsdorf
Este fóssil foi descoberto em 1916, em camadas do
Paleolítico médio, e era da raça de Neanderthal. Era, portanto, um fóssil
humano. O que nele causou muito interesse foi o fato de que, embora sendo
humano apresentava uma característica dentária macacóide. Nesse fóssil
neanderthalense, o dente molar era de raiz, enquanto o segundo pré-molar
ainda era de leite. Ora, isto só acontece com a dentição dos macacos, e
desde 1939 se provara que a dentição dos neanderthalenses era igual à
dentição humana.
Os cientistas americanos K. Koski e S. M. Garnno
demonstraram que esse molar era postiço. Haviam arrancado um molar de leite
do fóssil de Ehringsdorf, e incrustado em seu lugar um molar de raiz.
Mais tarde, o paleontólogo francês Pierre Legoux, em
comunicado à Academia de Ciências de Paris, demonstrou que toda a mandíbula
era fraudulenta, tendo sido montada e apresentando flagrantes contradições
entre suas partes. (Cfr.Pierre Legoux,Comptes rendus de lÁcadémie de
Sciences, tomo 252, p. 1821, ano de 1961, apud Atanásio Aubertin, art.
cit.).
3 -- PRETENSOS ANCESTRAIS DO HOMEM
Como vimos, ao ficar comprovado que o homem não descendia
do macaco - como pretendera Darwin -- os evolucionistas adotaram a tese de
que macacos e homens tiveram um antepassado comum. Embora não se
considerando mais filhos de macacos, eles passaram a ter-se como primos
deles...
Desse ancestral comum aos macacos e aos homens teria
provindo, a cerca de 10 a 17 milhões de anos atrás, o Ramapithecus. Deste,
teriam derivado os famosos Australopithecus, que tanto prestígio tem gozado
nos Campus universitários, e que tanto tem freqüentado revistas e jornais.
Estes rivais em prestígio jornalístico dos maiores cantores do Rock, teria
vivido entre 4 e um milhão de anos atrás. Destes Australopithecus, teriam
nascido -- entre 1,5 milhão e 300.000 anos atrás -- quer o falsificado por
montagem Homem de Java, quer o postalmente escamoteado Sinanthropus. Estes
falsos filhos dos Australopithecus são conhecidos como sendo do tipo Homo
Erectus, apesar de nada sustentá-los de pé. O que evidentemente lança
suspeitas também sobre seus supostos “pais”. As fraudes sobre os filhos
foram tantas e tão graves, que a prudência leva ter dúvida a respeito de
toda a sua evolucionística família. Por fim, dos fraudulentos filhos do Homo
Erectus teria nascido o que se chama hoje de Homo Sapiens, estranha
designação que significa apenas Homem, animal racional, e que tão pouco
Sapiens se tem revelado, particularmente quando se torna materialista.
Exemplos de Homo Sapiens teriam sido o Homem de
Neanderthal e o de Cro-Magnon, que teriam principiado a existir a 100.000
anos atrás.
Estudemos, agora, esta tão falsificada família, para
averiguar o que nela pode haver de autêntico, e comecemos pelo bisavô
Ramapithecus.
a) O Ramapithecus
Os primeiros fragmentos fósseis do Ramapithecus foram
encontrados em 1915. Em 1932, na Índia, novos elementos deste ser foram
achados, mas foi somente em 1960 que a nova ““estrela” do Evolucionismo foi
lançada com todo estardalhaço da propaganda que saudou a nova prova de que
Darwin acertara. Foram principalmente os paleontólogos David Pilbeam e Elwyn
Simons que o apresentaram como sendo o antepassado do Homem.
Com que base afirmavam isto? Com muito pouca base, pois
dispunham tão somente de alguns dentes do Ramapithecus, e nada mais.
Com tão pouco fundamento, a vida de astro da evolução do
bisavô Ramapithecus foi muito curta. Quando ele tinha apenas 12 anos de fama
universitária, já lhe atiraram um primeiro dardo que o atingiu em cheio. O
Dr. Robert Eckhardt, da Universidade de Pensilvânia, num artigo publicado em
1972 se perguntava se o Ramapithecus poderia ser tido como um ancestral do
homem, e respondia:
“Se se considera o fator de variabilidade genética, a
resposta é não” (Cfr. D.T. Gish, op. cit. p. 141).
Eckhardt fez muitas medições dos dentes do Ramapithecus e
do Dryopithecus, pois fora nestas medições que se fundara Pilbeam para
afirmar que o Ramapithecus era antepassado do Homem. Ora, segundo as
medições feitas por Eckhardt, havia mais variações entre chimpanzés vivos do
que entre o Ramapithecus e o Dryopithecus. Eckhardt concluiu então que o
Ramapithecus era um macaco, quer quanto a seu aspecto morfológico, como
quanto a seu comportamento. Mais tarde, esta conclusão de Eckhardt foi
confirmada por outros cientistas que comprovaram que a arcada dentária do
Ramapithecus era igual a dos macacos, pois não tinha a forma de ferradura,
típica do palato humano. Alan Walker e Richard Leakey estabeleceram em
definitivo que o Ramapithecus nada tem a ver com a origem do homem.
O próprio “padrinho” do Ramapithecus - David Pilbeam -
afirmou que era um abuso concluir que o Ramapithecus andava ereto, apenas
pelo exame dos seus dentes. Apesar disto, Pilbeam insiste que seu
Ramapithecus é um hominídeo. Leakey e Walker, porém, consideram-no um mero
orangotango, e tão parecido com este animal que eles chegaram a declarar: É
herético dizê-lo, pode ser que os orangotangos são fósseis-vivos [do
Ramapithecus ]. Entretanto, contradizendo as suas próprias conclusões,
Walker escreveu depois que o Ramapithecus era “ancestral do orangotango, do
chimpanzé, do gorila e do homem” (cfr. D.T. Gish, op. cit. p. 143).
Após tantas contradições, o Ramapithecus abandonou a
passarela da fama, onde fez curta carreira.
b) Os Australopithecus
Estes continuam em plena glória, sob o foco dos holofotes
da mídia e dos intelectuais materialistas.
O primeiro deles foi achado em 1924 por Raymond Dart, que
o denominou Australopithecus Africanus. Seu descobridor o apresentava como
sendo parecido com os macacos na forma do crânio, mas também semelhante ao
homem por algumas particularidades do crânio e dos dentes.
Em 1936, foi achado um crânio de Australopithecus
Africanus adulto, em Sterkfontein, no Transvaal. Dois anos depois, em
Kromdraai, Robert Broom achou um fóssil que foi classificado como
Australopithecus Robustus, por causa de seu aspecto mais rústico, grosseiro
e forte, seus dentes grandes e grossos.
Novas e importantes descobertas de fósseis africanos
foram realizadas por Louis Leakey e por sua esposa Mary, na década de 1950 a
1960, na garganta de Olduvai, na Tanzânia. Os fósseis por eles encontrados
eram semelhantes aos que haviam sido descobertos por Broom.
Pelo que encontraram os Leakey, chegaram à conclusão que
os fósseis de Olduvai teriam cerca de 2 milhões de anos. Curiosamente, na
mesma camada geológica em que Louis Leakey encontrou os seus fósseis, havia
também instrumentos armas de pedra. Um dos filhos de Leakey, Jonathan, achou
um crânio fóssil semelhante ao Australopithecus, porém com capacidade
craniana bem maior -- cerca de 700 cc. -- o que levou os Leakey a
considerá-lo, inicialmente, como um intermediário entre o Australopithecus e
o homem. Louis Leakey chamou-o então de Homo Habilis por causa dos
instrumentos de pedra achados na mesma camada geológica.
Mais tarde, porém, o próprio Leakey classificou este
fóssil como um Australopiteco, por isto seu nome científico atual é
Australopithecus Bosei.
Destes Australopitecos, distinguiram-se duas espécies
diversas: uma, mais forte, e outra, relativamente mais delicada. São o
Australopithecus Robustus e o Australopithecus Africanus, ambos com pequena
capacidade craniana (cerca de 500 c.c.), o que os aproxima dos gorilas. Os
cientistas evolucionistas, em geral, chegaram à conclusão que estes seres
andavam comumente de pé.
Não houve, entretanto unanimidade. O célebre anatomista inglês Solly Lord
Zuckerman estudou por mais de 15 anos estes fósseis, comparando-os com os
ossos de macacos e de homens, e chegou à conclusão que o Australopithecus é
macaco!
Charles Oxnard, outro cientista da Southern California
University, tendo estudado o Australopiteco concluiu que, embora a maioria
dos estudiosos tivesse considerado que o Australopiteco caminhava de pé, e
por isso era tido como antepassado do homem, seus estudos dos ossos deste
ser o levavam a dizer que ele nem caminhava de pé, nem parecia ser
relacionado com o homem, e nem mesmo com os chimpanzés e com os gorilas.
Rak e Clarke demonstraram também que o osso-bigorna do
Australopiteco é mais diferente do osso bigorna do homem, do que o é, o dos
macacos atuais. Os macacos atuais são então, neste ponto, mais semelhantes
ao homem do que o Australopiteco, e ninguém ousa afirmar - hoje - que o
homem vem do macaco. Pois não vem também do Australopithecus.
c) “Lucy”
Particularmente famoso se tornou o fóssil descoberto, em
Hadar, na Etiópia, por Donald Johanson e Maurice Taieb, em 1973, e que
inicialmente Donald Johanson e Taieb consideraram como sendo de um macaco. O
osso que haviam achado era o da junta do joelho. Depois, tendo encontrado
outros fósseis, consideraram que esta junta de joelho era semelhante à
humana. Daí terem concluído que os fósseis de Hadar teriam pertencido a um
ser intermediário entre o macaco e o homem.
Quanto à idade do fóssil, atribuíram-lhe 3.000.000 de
anos, o que era um recorde para fósseis humanos. Este seria então o mais
velho fóssil humano jamais encontrado.
Tendo examinado a famosa junta do joelho de Hadar, Mary
Leakey, Richard Leakey e C. Owen Lovejoy afirmaram que esta junta era a de
um joelho humano.
Em novas pesquisas no mesmo local, em 1974,
descobriram-se novos fósseis, a respeito dos quais Donald Johanson declarou:
“ Todas as teorias anteriores sobre a origem da linhagem que leva ao homem
moderno, agora, tem que ser totalmente revistas. Nós devemos jogar fora
muitas teorias e considerar a possibilidade de que a origem do homem se deu
a mais de 4 milhões de anos atrás" (Cfr. D.T. Gish, op. cit. p. 152).
No mês seguinte (novembro de 1974), Johanson achou um
fóssil de um osso do braço de um hominídeo, e, depois, encontrou partes de
um crânio, e outros ossos, formando, no total, cerca de 40% de um
esqueleto. Era o esqueleto fossilizado de um ser feminino que Johanson
denominou de “Lucy”, por que, na hora da descoberta, ouvia a canção dos
Beatles Lucy in the Sky with Diamonds (cujas iniciais eram as do ácido
lisérgico, LSD).
O crânio que haviam encontrado parecia ser o de um
macaco, e sua capacidade era de cerca de 380 a 450 c.c.
Johanson se apressou a proclamar que “Lucy” era um
hominídeo de 3,5 milhões de anos, que andava de pé, tal qual os homens
atuais, embora tivesse crânio macacóide.
Em 1975, novos fósseis foram encontrados em Hadar.
Pertencia eles a 13 indivíduos, sendo 9 adultos e 4 seres ainda jovens.
Johanson logo chamou-os de “A Primeira Família”.
No ano seguinte (1976), Donald Johanson e Maurice Taieb
publicaram um trabalho no qual diziam que o material achado pertencia ao
gênero Homo, e que “Lucy” tinha aspectos semelhantes ao Austalopitheco.
Gish mostra que o ter dado um nome de mulher a seu
fóssil, o usar expressões como “A Primeira Família”, “crianças”, e ainda
outros termos referentes a seres humanos induzia as pessoa a crer que, de
fato, “Lucy” era o famosos elo perdido entre o macaco e o homem.
Entretanto, logo surgiram as contestações. Tim White,
cientista que Johanson associara a suas pesquisas, divergiu dele, e afinal o
convenceu de que os fósseis de Hadar eram simples Australopithecos. Desde
então mudou-se a sua denominação para “Australopithecus Afarensis”.
Montou-se então o seguinte quadro geral:

Esta pretensa árvore genealógica do homem colocava um
sério problema.
Pelos longos anos de estudo feitos por Lord Zuckermann e
por Oxnard a respeito dos Australopithecus Africanus e Robustus, ficara
comprovado que eles não andavam com os dois pés, ao modo humano. Ora, se
isto era certo, como então um antepassado deles - Lucy - já andava de pé há
milhões de anos antes? Algo estava errado.
Outros cientistas, tendo estudado melhor os fósseis de
Hadar, concluíram que eram meros Australopithecus Africanus, contra a
pretensão de Donald Johanson.
Jack T. Stern e Ronald Susman, anatomistas da
Universidade de Nova York, concluíram por seus estudos dos fósseis de Hadar
que eles eram seres que trepavam em árvores, levando vida quase que
exclusivamente arbórea, embora ocasionalmente pudessem andar de pé, no chão.
Isto derrubava as pretensões de Donald Johanson de apresentar a sua “Lucy”
como ser hominídeo.
Stern e Susman mostraram que “Lucy” e a “Primeira
Família” tinham inúmeras características macacóides, entre as quais:
a) mãos longas e curvas, parecidas com as dos chimpanzés,
e apropriadas para agarrar galhos;
b) pés longos, encurvados e muito musculosos, próprios de
seres que trepam em árvores;
c) a cavidade glenóide era também típica de trepadores em
árvores;
d) a lâmina ilíaca era mais parecida com a do chimpanzé
do que à do homem;
e) a cabeça do fêmur era mais parecida com a do chimpanzé
do que com a do homem;
f) o mesmo se dava com a fíbula;
g) a famosa junta do joelho, que Donald Johanson
classificara como muito semelhante à humana ou diretamente humana, foi
considerada como macacóide e própria para locomoção arbórea.
De tudo isto Stern e Susman concluíram que os fósseis de
Hadar -- inclusive “Lucy” -- eram Australopithecus, e que sua bipedalidade
ocasional era semelhante à dos chimpanzés e macacos-aranha.
Por sua vez, Paul Turtle, um antropólogo de Chicago,
concordou com Stern e Susman na tese de que “Lucy” devia ter tido vida
arbórea.
d) O Crânio 1470 do Homem do lago Turkana
Richard Leakey, um dos filhos do casal Louis e Mary
Leakey, tornou-se famoso pelas descobertas feitas por sua equipe junto às
margens do Lago Turkana( ex Lago Rodolfo), na África Oriental.
Richard Leakey, embora tendo aproveitado os ensinamentos
e experiência de seus progenitores, não teve formação universitária regular,
o que o obriga a recorrer a especialistas para analisar e classificar suas
descobertas fósseis.
Em 1968, Richard Leakey descobriu três maxilares fósseis
de Hominídeos, junto ao Lago Turkana. No ano seguinte, ele encontrou um
crânio de Australopitheco Bosei, semelhante ao chamado Homem de Olduvai,
encontrado em 1959.
Em 1972, um dos homens da equipe de Richard Leakey --
Bernard Ngeneo - achou restos fraturados de um crânio que foi denominado
posteriormente de Crânio 1470, número tirado da classificação do fóssil no
Museu Nacional do Kenya. Os fragmentos encontrados foram ajuntados e
solidificados, formando o crânio de um ser que classificaram como hominídeo.
Richard Leakey atribuiu a esse crânio 1470 uma idade tão
grande que pode, então afirmar: “Ou jogamos fora este crânio, ou jogamos
fora nossas teoria sobre o homem primitivo”.
Em particular, a descoberta de Richard Leakey mais do que
punha em cheque o fóssil de Donald Johanson: eliminava-o como ancestral do
homem, pois, se o Crânio 1470 era a de um antepassado do homem, então, o
fóssil conhecido como Lucy não poderia mais ser considerado como tal. Os
evolucionistas tinham que escolher entre um ou outro. Os dois não poderiam
ser antepassados do homem.
Ocorre que também Donald Johanson considerava que, depois
da descoberta de “Lucy”, nenhuma teoria sobre a origem do homem poderia
ignorá-la.
O Crânio 1470 era surpreendentemente avançado para a
enorme idade que atribuíam - entre 3 e 4 milhões de anos. Ele não
apresentava os ossos superciliares salientes, e o topo dele era elevado. Sua
capacidade craniana era de cerca de 800 c/c., e seu aspecto era ainda mais
moderno do que o do Homo Erectus, isto é, ele tinha uma aparência mais
próxima do homem atual do que o Homem de Java e a do Homem de Pequim.
Assim o descreveu Leakey: “No seu conjunto, a forma da
caixa craniana lembra notavelmente a do homem moderno, faltando-lhe as
pesadas e salientes arcadas orbitais, que são características do Homo
Erectus de depósitos recentes na África e na Ásia" (Walter Sullivan, art.
Crânio aumenta a história, in O Estado de São Paulo).
A descoberta de Richard Leakey jogava no lixo, todos os
fósseis idolatrados pelos evolucionistas. E ele fazia questão de
apresentá-lo como o mais autêntico e comprovado antepassado do homem.
“Embora o crânio seja diferente do da nossa espécie Homo
Sapiens,é diferente também de todas as outras formas conhecidas do homem
primitivo, não se encaixando, pois, em qualquer das teorias existentes sobre
a evolução do homem”, afirmou R. Leakey. (Cfr. Walter Sullivan artigo Crânio
aumenta a História, in O Estado de São Paulo, ).
Em 1981, surgiu uma primeira divergência. Enquanto
Richard Leakey insistia que o Crânio 1470 era o de um Homo Habilis, um de
seus cientistas adjuntos, Alan Walker afirmava que ele era um Australopiteco.
Apesar disto Leakey insistia. Em uma conferência em San
Diego, na Califórnia ele afirmou: “O Crânio 1470 invalida todos as teorias
correntes sobre a origem do homem, mas nada existe para ser colocado no
lugar delas” (Cfr. D.T. Gish, op. cit. p. 166).
Outras dúvidas surgidas dizem respeito à datação do
Crânio 1470: embora encontrado numa camada antiga, ele estava tão pouco
fossilizado que tiveram que empregar substancias especiais para
solidificá-lo, e até um pingo que caísse sobre ele era capaz de furá-lo. Se
era tão antigo, ele deveria ter um grau muito maior de petrificação. O
próprio R. Leakey, assim como Alan Walker, haviam afirmado isto. Entretanto,
em 1973, Leakey disse que todos os fósseis achados no Lago Turkana era
pesadamente mineralizados. por que a contradição?
Em debate com Donald Johanson, R. Leakey fez um grande x
sobre a árvore genealógica do homem proposta por Donald Johanson em que
“Lucy” era a figura principal, e quando este lhe perguntou o que colocava em
seu lugar, Leakey escreveu um grande ponto de interrogação. Sobre esta
grande divergência, James Lewin, um articulista da famosa revista científica
“Nature”, escreveu seu famoso livro “The bones of contention” (“Os ossos da
discórdia”), deixando claras as divergências entre os antropólogos
evolucionistas em nossos dias. Tal foi o escândalo causado pelo livro de
Lewin, que um dos comentadores do livro escreveu que “ao contrário do muitos
apregoam, a ‘objetividade’ científica é um mito" (Folha de São Paulo, 1989)
Tendo em vista os dados contraditórios entre o
Australopitheco “Lucy” e o Crânio 1470, Stephen Jay Gould afirmou:
“Que restou de nossa escada, se há três linhagenes
coexistentes de Hominídeos (A. Africanus, o robusto
Australopicineos, e o H. Habilis), nenhum deles derivando claramente
do outro? Mais ainda, nenhum dos três desenvolvendo nenhuma força
evolucionária durante sua existência na terra: nenhum deles se tronando mais
cerebral ou mais ereto à medida que se aproximavam dos dias atuais." (S. Jay
Gould apud D.T. Gish, op. cit. p. 171)..
Por essas razões Stephen Jay Gould passou a acreditar que
não houve uma linhagem direta, uma ““escada que levasse do animal ao homem
diretamente, mas que a evolução se teria dado mais como um arbusto que se
ramifica em várias direções do que como uma linhagem direta.
É um modo de manter o dogma da evolução de pé -- como um
arbusto -- já que a escala evolucionista desabou.
4 - FÓSSEIS HUMANOS AUTÊNTICOS
Enquanto se faz questão de acentuar características dos
Australopithecus para que se pense que eles são verdadeiros ancestrais do
homem, procura-se fazer crer que os fósseis que são realmente humanos tinham
traços quase animais. O chamado “Homem de Neanderthal está exatamente nesse
caso. Procurou-se pintá-lo de tal modo parecido com um macaco, que alguém
disse, com finura, que esse tenha sido um dos homens mais caluniados da
História.
O primeiro fóssil desse tipo foi descoberto em 1854, no
vale do rio Neander, perto de Dusseldorf. Em 1908, outro fóssil semelhante
foi achado em Saintes, na região de Corrèze, na França. Depois, inúmeros
outros exemplares foram encontrados através da Europa e Ásia, demonstrando
que o chamado Homem de Neanderthal habitou vastas regiões do mundo. Essa
raça teria vivido desde uns 200.000 a 35.000 anos atrás.
O fóssil clássico de Neanderthal tinha como
característica mais marcante a grande saliência super-orbitária. Além disto,
sua testa era pequena, com ângulo facial acentuado, mandíbula proeminente.
Seus ossos indicam que ele tinha uma constituição física mais corpulenta que
o homem atual
Embora seu rosto tivesse traços grosseiros, que as
reconstituições acentuaram ainda mais para aproximá-las do simiesco --
evidentemente para que se tendesse a aceitar a tese evolucionista -- o Homem
de Neanderthal tinha uma capacidade craniana maior do que a do homem atual!
Sabe-se bem que importância deram os evolucionistas à capacidade craniana
como elemento comprovador da humanização. Mas, no caso do Homem de
Neanderthal, raramente se encontra um livro que destaque o fato de que ele
tinha maior volume e capacidade craniana cerca de 10% maior do que a do
homem de nossos dias.
Quanto à sua exagerada saliência supra-orbital, sabe-se,
hoje, que isto era causado por acromegalia degenerativa, provocada por
alimentação inadeqüada.
Marcelin Boulle generalizou a idéia de que o Homem de
Neanderthal andava com a perna um tanto dobrada, e o corpo um tanto
inclinado, como os gorilas. Entretanto, muitos crânios neanderthalenses
encontrados apresentam o foramen magnum idêntico ao dos crânios modernos,
provando que a pretensa posição curvada que lha foi atribuída é imaginária.
Daniel Cohen afirma que o aspecto estúpido e a
brutalidade comumente atribuída ao Homem de Neanderthal “são antes
conjeturas que refletem a formação e os preconceitos do artista” que o
reconstituiu. E acrescenta:
“Não há prova nenhuma de que ele fosse estúpido. Na
realidade é um tanto desconcertante observar que o tamanho médio do
comportamento cerebral do Homem de Neanderthal é um pouco maior do que o do
homem moderno -- 1600 c.c. -- comparado com os 1.450 c.c. deste último
“(Daniel Cohen, Estudo do Homem de Neanderthal, in O Estado de São Paulo, 19
/ I / 1969).
François Bordes diz deste fóssil que agora focalizamos:
“Reconstituições os apresentam como um pouco melhores do
que os grandes macacos, e suas ferramentas são descritas como grosseiras
(...) A verdade é, entretanto, inteiramente diferente” (F. Bordes, Mousterian cultures in France, artigo na revista Science, vol. 134, p. 803,
1961).
O naturalista N. Mercier, analisando as descobertas
arqueológicas feitas em St,. Cesaire (França), em 1979, chegou à conclusão
de que o Homem de Neanderthal coexistiu com o Homem de Cro-Magnon. Isto
comprova então que o Homem de Neanderthal não foi predecessor do Homem de
Cro-magnon. Além disso, ambos foram fabricantes de instrumentos e
ferramentas toscas, embora as do Homem de Cro-Magnon sejam mais perfeitas.
Ora, em St. Cesaire foram achados fósseis neanderthalenses junto com
instrumentos feitos pelo Homem de Cro-Magnon!
Em 1989, a revista Nature publicou um artigo de autoria
de cientistas franceses e israelenses anunciando a descoberta de um
esqueleto neanderthalense, que possuía o osso hióide, que é absolutamente
fundamental para a fala. Isto comprovava que o Homem de Neanderthal era
anatomicamente capaz de falar.
O Dr. Baruch Arensburg da Universidade de Tel Aviv
afirmou que os esqueletos encontrados numa caverna em Kebara, em Israel,
tinha 60.000 anos. O osso hióide deste fóssil é idêntico em formato,
tamanho, e posição ao do homem moderno, e, portanto, o Homem de Neanderthal
podia falar tanto como o chamado Homo Sapiens.(Cfr. O Estado de São Paulo,
28 / IV / 1989).
Outra descoberta feita nas grutas de Shrinadar, na
Pérsia, entre 1950 e 1980 pelo Dr. Ralph Solecki, da Universidade de
Colúmbia, indica que o Homem de Neandrethal praticava já um culto aos
mortos. Solecki encontrou em Shrinadar sete esqueletos neanderthalenses
recobertos de pó, que examinado, revelou possuir uma grande porcentagem de
pólen de flores. Ora, isto indicava que o Homem de Neanderthal compreendia o
símbolo da flor, e, se colocava flores sobre seus mortos, era porque
acreditava que alguma coisa deles continuava a existir mesmo após a morte e
putrefação dos cadáveres. Portanto, acreditavam que havia algo imortal no
homem, e que, de algum modo, haveria um vida após a morte.
A respeito disso, diz Daniel Cohen:
“A descoberta das flores mortuárias de Shrinadar veio
reforçar um argumento há muito tempo exposto por uma minoria combativa de
antropólogos e paleontólogos - que o Homem de Neanderthal é um antepassado
direto e perfeitamente digno do homem, e não uma espécie de produto final de
uma evolução simiesca”.
VII - EVOLUÇÃO E FÉ
1 - O Problema da Evolução para a Fé
Na História da Igreja, sempre que aparece uma heresia,
surge, em seguida, uma corrente que passa a defender uma posição intermédia
entre a ortodoxia e a heresia condenada. E, normalmente, é mais perigosa a
“semi”-heresia do que a heresia primeira rotundamente proposta.
Evidentemente, não existe uma “semi”- heresia. Ou uma tese é ortodoxa ou é
herética. Mas a Igreja, sabiamente sempre distinguiu, na heresia e no erro,
matizes mais ou menos graves. É com a “semi”-heresia, com as afirmações
veladas e torcicolosas, com as teses suspeitas e com sabor de heresia que os
hereges buscam, sempre e astuciosamente, infiltrar suas doutrinas mais
heterodoxas.
Por outro lado, assim como há pessoas mais comedidas e
tendentes ao equilíbrio, outras há que, fingindo combater exageros e
posições extremas, na verdade, estão sempre buscando acordos com o erro e
com o mal. Estas últimas são os mais perigosos veículos do erro, pois sua
aparente moderação lhes dá um crédito que lhes facilita a introdução de
erros velados. A heresia oculta ou velada é sempre a mais perigosa.
Com a aparição da tese herética de Darwin -- e herética
porque negadora de que há um só Deus "criador de todas as coisas visíveis e
invisíveis” -- logo surgiram católicos que procuraram defender uma
conciliação entre o evolucionismo darwinista e o catolicismo.
Evidentemente, é preciso distinguir entre aqueles que
procuravam estudar a questão, buscando escoimar o que talvez pudesse haver
de verdade científica no que diziam os evolucionistas e a doutrina católica.
Estes merecem louvor, enquanto procurando salvar a verdade, tinham em mira a
condenação clara e total da heresia.
Contudo, outros houve que, a pretexto de salvar a
verdade, buscavam e buscam, de fato, uma aprovação da tese errônea. É este
“evolucionismo cristão” -- o evolucionismo mitigado -- que pretendemos
criticar.
A heresia que deu acolhida aberta ao evolucionismo
aplicado até mesmo à metafísica e à Teologia foi o Modernismo, a heresia
mais sutil e camaleôntica como jamais houve outra. O Modernismo defendeu a
tese de que a própria Divindade evoluía, e, assim sendo, todo ser evoluía
também. Em conseqüência, a verdade seria constantemente mutável e jamais
poderia se afirmar algo como estável. Por isso, os próprios dogmas da Igreja evolueriam, no tempo. Tudo seria então relativo e instável. Credo, Moral,
Estética, verdade, bem e beleza, tudo seria mutável. E sobre este
relativismo metafísico que se construiu a Babel do século XX, com sua
incerteza doutrinária, seu relativismo moral, sus anti-arte, e mesmo - após
o Vaticano II -- sua Nova Igreja evolutiva, humanista e instável.
Na base de todos estes erros do Século de Auschwitz e do
Gulag está o evolucionismo darwinista.
Relembremos então que:
1) Darwin lançou a sua teoria da Evolução das espécies
como tese comprobatória do materialismo e do ateísmo. Foi por isso que ele
recebeu a admiração e o apoio de Karl Marx.
2) Além disto é absolutamente necessário frisar que o
evolucionismo é fruto de uma concepção metafísica de cunho gnóstico, pois
que a tese de que todo ser evolui está na essência da Gnose, e exige uma
metafísica dialética inconciliável com o catolicismo.
3) A heresia Modernista - condenada por São Pio X na
encíclica Pascendi -- era gnóstica e, como tal, tinha que defender uma
metafísica evolucionista que ela aplicava quer à própria Divindade, quer ao
seres criados.
4) Condenado o Modernismo, ele não desapareceu. Pelo contrário está hoje
triunfante, quer nos ambientes teológicos, quer nos boletins paroquiais,
desde o simples sacristão até nos documentos episcopais, desde as simples
beatas que repetem o que diz o vigário como se fosse palavra infalível, até
nos documentos do Vaticano II, concílio pastoral, portanto falível.
Vimos, nos capítulos anteriores deste trabalho, que o
evolucionismo jamais foi comprovado cientificamente. Nos meios científicos
mais idôneos, ele sofreu, e sofre ainda mais hoje, após as descobertas
bioquímicas, contestações contundentes. Paradoxalmente, nos meios religiosos
seu prestígio cresceu. Entre os cientistas, o evolucionismo é tido como tese
não comprovada e até como bazófia. Desgraçadamente, nas fileiras do clero,
ele é tido por muitos eclesiásticos quase como um dogma. Certos padres temem
mais atacar a evolução do que a existência do inferno.
Um século depois da morte de Darwin, suas teorias
continuam no estágio de hipótese. E de uma hipótese sobre a qual caiu a
desonra de várias ações fraudulentas. Mas, se o evolucionismo materialista
padece de tantas hipotecas e fraudes, o evolucionismo mitigado fez carreira.
E carreira eclesiástica.
Embasbacados ante o progresso científico, extasiados ante
os avanços da técnica, e na ânsia de conciliar a Igreja com o mundo moderno
- tese condenada pelo Syllabus de Pio IX -- muitos católicos procuraram
harmonizar Darwin e Moisés, o evolucionismo e o criacionismo. Inventou-se o
evolucionismo mitigado, um darwinismo “cristão”.
Para o evolucionismo mitigado, a tese central do
darwinismo seria certa: a evolução, de fato, existiria e estaria já
comprovada. Entretanto, eles procuram batizar o Darwinismo, afirmando que
Deus teria já criado o mundo sob a lei da evolução. Em determinado momento
da evolução, Deus teria tomado um animal e lhe teria infundido uma alma
imortal. Deste modo, Darwin poderia receber o “Nihil Obstat” e o
“Imprimatur” episcopal e, mesmo, pontifício.
O principal “evolucionista cristão” foi o Padre jesuíta
Pierre Teilhard de Chardin, famoso por sua participação nas fraudes do Homem
de Piltdown e do Sinanthropus Erectus, como também por seu sistema gnóstico
- panteísta - cristão, inteiramente afim à heresia modernista..
Outro importante defensor do evolucionismo mitigado foi o
famigerado Cardeal Augustin Bea, ele também jesuíta, confessor de Pio XII,
de quem foi muito amigo, e, depois, um dos principais responsáveis pelos
erros ecumênicos do Vaticano II, especialmente nos documentos sobre
ecumenismo e sobre os judeus. Teria sido o Cardeal Bea o inspirador da
encíclica “Divino Aflante Spiritu”, de Pio XII, que entreabriu suave
silenciosamente as portas da Igreja para erros muito graves. Teria sido ele
também o inspirador de Pio XII na redação da encíclica “Humani Generis”,
particularmente na parte que trata da evolução.
Na “Humani Generis” Pio XII faz restrições às teses
evolucionistas, especialmente quanto às conseqüências que decorreriam da
aceitação da origem simiesca do homem.
Com efeito, se o homem veio do macaco -- ou de qualquer
outro animal que fosse -- seria lógico admitir que vários macacos teriam
evoluído até o estágio humano. Deste modo, os homens não descenderiam de um
só casal. Teriam existido vários casais originais das várias raças humanas.
Não teria existido o monogenismo, e sim um poligenismo.
Em conseqüência, a tese do pecado original de Adão e que
foi herdado por todos os homens ficaria comprometida. E, com o poligenismo e
a negação do pecado original, eram comprometidas a redenção por Cristo, o
Batismo, a Igreja e toda a revelação. Por isso, Pio XII, na Humani Generis,
afirmou que o poligenismo de modo algum poderia ser aceito.
Pio XII, inicialmente nessa encíclica, tomou posição
firme contra o evolucionismo ao dizer:
“Há efetivamente, alguns que, admitindo sem prudência e
discrição o sistema que chamam da evolução, que ainda não está provado de
modo indiscutível no próprio campo das ciências naturais, pretendem
estendê-lo à origem de todas as coisas, e audaciosamente sustentam a opinião
monística e panteísta de um universo sujeito à contínua evolução; opinião
que os fautores do comunismo aceitam com fruição, para defender e propagar
mais eficazmente seu materialismo dialético, arrancando das almas toda noção
teística.
“Os delírios de semelhante evolução pelos quais se
repudia tudo o que é absoluto, firme e imutável, abriram caminho para a nova
filosofia aberrante que, em concorrência com o “idealismo”, “imanentismo” e
“pragmatismo”, recebeu o nome de “existencialismo”, como quer que,
desdenhadas as essências das coisas, só se preocupa com a existência de cada
um singularmente.”
Pio XII lembra, depois que, muitos católicos pediam que a
Igreja levasse o mais possível em conta as novas descobertas da Ciência. O
Papa diz então que, quando se tratar de verdadeiras descobertas
científicas, certamente a Igreja deve levá-las em conta. Mas, quando se
trata de meras hipóteses ainda não comprovadas, deve-se agir com bastante
prudência.
“... o magistério da Igreja não proíbe que, conforme o
estado atual das ciências humanas e da sagrada Teologia, se trate nas
investigações e disputas dos entendidos em um e outro campo, da doutrina do
“evolucionismo” enquanto busca a origem do corpo humano em uma matéria viva
preexistente - pois as almas nos manda a fé católica sustentar que são
criadas imediatamente por Deus -- ; porém, de maneira que com a devida
gravidade, moderação e temperança, se sopesem e examinem as razões de uma e
outra opinião, isto é, dos que admitem e dos que negam a evolução, e desde
que todos estejam dispostos a obedecer ao juízo da Igreja, a quem Cristo
encomendou o encargo de interpretar autenticamente as Sagradas Escrituras e
defender os dogmas da Fé”.
Estas palavras de prudência foram ditas para um mundo
impregnado de princípios e de mentalidade evolucionista e relativista. Foi
como se alguém permitisse a discussão, num clube em que houvesse muitos
alcoólatras, dos possíveis benefícios do vinho, já que diz a Escritura “O
vinho alegra o coração do justo “.
A posição assumida pela Humani Generis, embora tendo
condenado o poligenismo, abriu a porta para uma quiçá possível comprovação
do evolucionismo pela Ciência, e daí sua aceitação pela doutrina católica.
Pio XII constatava que, já em seu tempo, muitos
pensadores católicos haviam ultrapassado os limites prudenciais de uma
simples discussão sobre a hipótese evolucionista, tratando do problema, como
se ele fosse já tese cientificamente comprovada. O Papa lamentava essa
atitude imprudente, mas lembrava a estes que o poligenismo não era
admissível.
“Mas, quando se trata de outra hipótese, a do chamado
poligenismo, os filhos da Igreja não gozam da mesma liberdade. Porque os
fiéis não podem abraçar a sentença dos que afirmam que depois de Adão
existiram na terra verdadeiros homens que não procederam daquele como do
primeiro pai de todos por geração natural, ou que Adão significa uma espécie
de multidão de primeiros pais” (Pio XII, Humani Generis, Denziger 2328).
São, pois, duas as teses consideradas inadmissíveis por Pio XII:
1) que depois de Adão nem todos os homens descenderam
dele, por geração natural;
2) que o nome de Adão designa uma multidão de pais, e não
apenas uma só pessoa humana.
O texto, porém, é bastante sutil.
Deve-se admitir que DEPOIS de Adão todos os homens
descendem dele.
E ANTES de Adão?
O texto de Pio XII deixa aberta a possibilidade de que
tivessem existido homens antes de Adão!!!
E esta possibilidade permitiria conciliar o evolucionismo
com o catolicismo. E foi por esta brecha que os evolucionistas e modernistas
se precipitaram, para invadir a fortaleza católica. E a invasão foi de tal
porte, e de tal importância que João Paulo II, no discurso que já citamos à
Academia Pontifícia de Ciências em outubro de 1996 admite que o
evolucionismo deixou de ser hipótese para ser tese cientificamente
demonstrada, quando para a Ciência mais “up to date” o evolucionismo
darwiniano é “BAZÓFIA”.
O próprio Cardeal Bea -- de tão triste memória -- afirmou que o
evolucionismo enfrenta obstáculos intransponíveis para conciliar-se com os
dados da Escritura. Ainda quanto à origem do corpo de Adão, diz o Cardeal
Bea, seria possível haver uma tentativa de harmonização entre evolucionismo
e catolicismo. O problema é Eva!
Porque a Sagrada Escritura afirma que Eva foi tirada de
Adão, e para o evolucionismo, ela também teria que ter tido origem de um
animal preexistente. Impossível harmonizar Escritura e evolução.
A Sagrada Escritura diz ”Não!” ao evolucionismo!
Vejamos então agora, sinteticamente, o que se pode
argumentar contra o evolucionismo mitigado.
Evidentemente, todos os argumentos de caráter metafísico
que enfileiramos contra o evolucionismo valem também contra o evolucionismo
em sua forma mitigada, modernisticamente cristã. E, em primeiro lugar, o
princípio de que do menos não pode provir o mais.
Os evolucionistas mitigados admitem que Deus teria criado
a matéria sob a lei da evolução, e que, da matéria bruta até a célula, e da
célula até o animal, teria existido, de fato, evolução do menos para o mais.
Afirmam ainda que, em certo momento da evolução, Deus teria infundido uma
alma racional em um animal já existente.
Ora, se Deus teria criado toda a natureza sob a lei da
evolução, para que precisaria Ele ter intervindo para criar a alma humana?
Não seria a alma racional, ela também, fruto dessa evolução?
E, para estes evolucionistas, o que diz a Escritura não
seria obstáculo à sua teoria, porque, se se pode discutir, como diz Pio XII,
a origem simiesca do homem, apesar dos dados da Escritura, por estes dados
deveriam ser aceitos quando se trata da alma humana?
Deus criou o universo à sua imagem e semelhança. Todas as
coisas visíveis foram feitas para refletirem as qualidades invisíveis de
Deus. É o que ensina São Paulo na Epístola aos Romanos: “Porque as
qualidades invisíveis de Deus, depois da criação, tornaram-se visíveis,
sendo compreendidas através das coisas criadas" (Rom. I,20).
Ora, Deus é imutável, e sua imutabilidade tem que ser
refletida por alguma coisa nas coisas mutáveis criadas. E uma das coisas
pelas quais se reflete a imutabilitade de Deus nas coisas mutáveis é a
imutabilidade das formas e das espécies. Deus fez as coisas acidentalmente
mutáveis, com essências ou naturezas imutáveis. (Cfr. Collin, Manual de
Filosofia Tomista, Gilli, Barcelona, 1950, n. 65, I vol, p. 107).
O evolucionismo mitigado, admitindo a evolução apenas da
matéria, não escapa das condenações feitas pela Igreja contra o Relativismo
e o Modernismo. Pois, se há evolução contínua da matéria, então é impossível
formar-se idéia estável do que seja qualquer coisa. Não se poderia ter idéia
do que cada coisa é. Não existiria então verdade, adequação da idéia do
sujeito conhecedor ao objeto conhecido, porque tanto o objeto quanto o
sujeito observador estariam em contínua mudança. Não existiria a verdade. O
evolucionismo - mitigado ou bruto - leva ao relativismo heraclitano,
destruindo toda a Criteriologia católica, com desastrosas e heterodoxas
conseqüências teológicas.
É porque o evolucionismo conduz logicamente ao
materialismo e ao relativismo que os marxistas o apóiam totalmente. O
evolucionismo mitigado abre então as portas para a introdução do relativismo
e do socialismo entre os católicos. Aliás, foi o que se registrou em toda a
conturbada História do século XX
No decreto Lamentabili, o Papa São Pio X condenou as
seguintes teses como expressões da heresia e da mentalidade Modernista:
“LVIII: A verdade não é menos imutável do que o homem,
pois que evolui com ele, nele e por ele”.
“LXIV: O progresso das Ciências exige que se reformem os
conceitos da doutrina cristã sobre Deus, a Criação, a Revelação, a Pessoa do
Verbo Encarnado e a Redenção”.
(Note-se que São Pio X condena a idéia modernista da
revisão do conceito católico sobre a criação, que os Modernistas desejavam
conciliar com a “Ciência” evolucionista).
Convém recordar ainda que a doutrina da imutabilidade das
essências criadas se acha respaldada pelo próprio texto sagrado, já que no
Gênesis se repete por dez vezes que Deus criou as coisas “segundo a sua
espécie’, ao dizer que cada planta e cada animal tinha frutos e filhotes
“segundo a sua espécie” isto é, de acordo com o seu DNA.
Por outro lado, é preciso levar em grande conta que, na Sagrada Escritura
o verbo “Bara” -- criou -- só é utilizado quando o seu sujeito é Deus, e que
esse verbo significa sempre o fazer de Deus. Bara
significa sempre que Deus fez algo que transcende a ordem natural, ou que
fez algo novo. (Cfr. Num. XVI, 30 e Jer. XXXI, 22).
No capítulo I do Gênesis, o verbo “Bara” é empregado para
dizer que Deus fez algo novo, que fez algo do nada, isto é, que Deus criou.
Então, quando se lê, nesse capítulo I do Gênesis, que Deus diz: “Façamos --
(Bara) -- o homem à nossa imagem e semelhança" (Gen. I, 26), deve-se entender
que Ele criou o homem.
Note-se ainda que não está dito: “Façamos a alma do
homem”, e sim “Façamos o homem”. Ora, o homem não é apenas a alma. É também
o corpo. Deve-se então entender que Deus criou o homem - corpo e alma.
Evidentemente, deve-se lembrar que o texto sagrado diz
expressamente que Deus fez o corpo do homem do limo da terra, isto é, que o
corpo do homem não foi criado do nada, mas que o Criador utilizou uma
matéria criada precedentemente. E o evolucionismo mitigado pretende então
que por “limo da terra” pode-se entender um animal já existente.
Esta interpretação é bastante forçada, pois se tivesse
Deus usado o corpo de um animal já existente para fazer dele o corpo do
homem, o normal seria ter dito isso mesmo. Para que e por que chamar o
macaco de limo da terra? Afirmar que “limo da terra” deve ser entendido
como macaco ou primata, é apenas um “wishfull thinking" do evolucionismo
mitigado, sem qualquer base lógica ou exegética.
Ademais, a alma humana devia ser infundida num corpo
material que lhe fosse proporcionado. O corpo está para a alma, assim como a
matéria está para a forma substancial. Infundir uma alma humana num corpo de
um primata seria tão incoerente como por um programa sofisticadíssimo de
computador no primitivo modelo AT. O programa não funcionaria, pois o
“hardware" não seria proporcionado a um mais sofisticado “software”. O
cérebro e o sistema nervoso de nenhum animal é suficiente para permitir o
“funcionamento” da alma humana. Logo, Deus não utilizou o corpo de nenhum
animal para infundir nela a alma humana racional.
O corpo serve a alma captando, através dos sentidos
materiais, as informações necessárias para que a potência intelectiva da
alma abstraia o conhecimento racional. Além disto, a alma usa o corpo para
exprimir idéias e sentimentos. Ora, todo órgão usado para exercer uma função
tem que ser proporcionado a ela, a fim de que a função possa ser
convenientemente exercida por ele. Nenhum corpo animal é proporcionado e
capaz de ser usado pela alma racional humana. logo, Deus não infundiu alma
humana num animal já existente, para criar o homem. Ele fez da terra um
corpo especialmente apto para receber a alma racional. (Cfr. São Tomás, Suma
Teológica, I, q 76, a. 5).
Por isso também é que São Paulo ensinou: “Nem toda carne
é a mesma carne, mas uma é certamente a carne dos homens, e outra a dos
animais; uma a das aves, e outra a dos peixes" (I Cor. XV, 39).
Se a carne dos homens não é a mesma do que a dos animais,
isto significa que o corpo dos homens não é o mesmo que o dos animais, e
que, portanto, Deus não infundiu a alma humana num animal já existente, para
criar o homem.
“É doutrina teologicamente comum, sancionada por um
decreto da Comissão Bíblica, que o relato do Gênesis ensina a formação
imediata do corpo de Adão, e, sobretudo, o de Eva, o que descarta a produção
do corpo humano por via de evolução”.
(E. Collin, Manual de Filosofia Tomista, Luis Gillii
editor, Barcelona, 1950, vol I, n. 145, p. 208).
Aliás, se Deus tivesse utilizado um ser já vivo, e em
cujo corpo teria infundido uma racional, é evidente que o homem e este
animal teriam o mesmo código genético, e então seria possível um cruzamento
entre eles. Ora, o macaco não tem código genético idêntico ao do homem. São
duas espécies diferentes, e, por isso mesmo, é impossível um cruzamento
entre eles.
Outra dificuldade com que se depara o evolucionismo
mitigado é que o relato bíblico diz:
“O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra e
inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma vivente" (Gen. II, 7).
Tenha-se atenção que o texto diz claramente que Deus
inspirou no rosto do homem “Um sopro de vida, e o homem tornou-se alma
vivente”. Logo, o corpo plasmado de barro não tinha vida. Não era, pois, o
corpo de um animal já existente. A menos que se queira dizer que Deus
utilizou o corpo de um macaco ou primata já morto, o que seria bem ilógico
-- pois teria que se admitir a evolução de um corpo animal morto para um
corpo vivo e mais perfeito que o do animal -- e pouco digno.
Se Deus inspirou vida ao corpo que plasmara, esse corpo
era inanimado e não morto. Por isso a Escritura diz que Deus fez o homem do
limo da terra, isto é, de uma matéria inorgânica e não morta.
E se fosse legítimo dar à expressão “limo da terra” tal amplitude que
poderia ser entendida como “animal já existente”, que se deveria entender,
-- e que restaria da Fé --aplicando-se a mesma amplitude ao anjo da
anunciação, ou ao sentido de ressurreição?
Chegar-se-ia lógica e hereticamente onde chegaram Loisy e
Hans Kung. Este último afirmando que a ressurreição de Cristo foi a maior
fraude da História.
Se Deus tivesse agido como interpretam os evolucionistas
mitigados, toda a narração da Escritura sobre a moldagem do corpo de Adão
por Deus seria inútil e enganadora.
O nome de Adão e a palavra hebraica que significa terra -
adamá -- são evidentemente relacionados. Se Deus tivesse feito o homem de um
animal já existente, o uso do termo adamá teria sido ilógico. Adão proveio
então da terra e não de um animal já existente.
Como vimos, o evolucionismo mitigado desemboca
logicamente no poligenismo. Vimos também que Pio XII condenou o poligenismo,
como contrário à Fé, na encíclica Humani Generis.
“Ora, não se vê, de modo algum, como estas afirmações
[dos que admitem o poligenismo] se possam conciliar com o que as fontes da
revelação e os atos do Magistério da Igreja nos ensinam acerca do pecado
original, que provém de um pecado verdadeiramente cometido individualmente
por Adão, e que, transmitido a todos por geração, é inerente a cada um como
próprio" (Cfr. Rom. V, 12-19; Concílio de Trento, Can. 1-4, Pio XII, Humani
Generis, n. 36).
Por outro lado, se o poligenismo fosse verdadeiro, não só
o dogma do pecado original ficava destruído como demonstrou Pio XII, -- e
com ele toda a doutrina católica sobre a Redenção e o Redentor -- como
também não se poderia afirmar que os homens são todos irmãos. O que negaria
o “dogma” da fraternidade universal maçônica, assim como todo o
sentimentalismo humanitária. Este é um argumento apenas “ad haereticos”, mas
que vêm a pêlo.
Muitos se impressionam por certas semelhanças acidentais
entre o macaco e o homem. Ora, há outros animais que tem outras semelhanças
acidentais com o ser humano. Por exemplo, o papagaio “fala”; o golfinho é
capaz de aprendizado extraordinário; o elefante tem uma memória muito
grande.
Estas semelhanças, assim com outras semelhanças que lembram virtudes ou
vícios humanos mostram apenas que Deus fez os animais representando
simbolicamente virtudes ou pecados dos homens, para que o homem,
considerando a atuação animal, agisse melhor racionalmente. Por isso diz a
Sagrada Escritura: “Repara na forma de certos animais, porque até a sua
forma não indica neles nada de bom, porque a benção de Deus se retirou deles
depois do pecado" (Sab. XV, 19).
Ora, a figura do macaco é uma caricatura grotesca do
homem pecador, do homem animalizado e tornado ridículo por seus pecados.
Esta é a relação de semelhança entre os dois, e não a que existe entre causa
e efeito. Dizer que o macaco é parecido com o homem, e que, por isso, deve
ser seu antepassado, é confundir a caricatura de alguém com a sua causa
eficiente segunda.
O homem foi criado por Deus como rei de toda a criação:
“Dominai sobre os peixes do mar e as aves do céu, e sobre todos os animais
que se movem sobre a terra" (Gen. I, 28) ordenou Deus ao homem.
Ora, o termo ”dominai” indica que Deus deu ao homem um
senhorio sobre os animais, senhorio que implica uma transcendência sobre
eles, inclusive o macaco.
Tendo o homem sido feito do limo da terra e de alma
espiritual racional, ele é um resumo de toda a criação, coisa que não seria
tão clara se Deus tivesse utilizado um corpo de animal para dele fazer o
corpo do homem. Se tivesse sido assim, o homem tenderia a desprezar os seres
inferiores ao mundo animal.
Quando Cristo se encarnou, Ele dignificou toda a criação,
porque no homem se sintetizava todo o universo criado, desde a matéria bruta
até o espírito.
2 - Eva
A doutrina do evolucionismo mitigado traz graves
conseqüências com relação à origem de Eva e suas relações com a posição da
Igreja face a Cristo.
A primeira pergunta aos que defendem o evolucionismo
mitigado é: “E Eva? Como surgiu a mulher? Teria sido ela também feita de
um animal já existente? Não proveio então Eva do homem? E como fica então
a doutrina do pecado original? Pois se Eva não veio de Adão, nem todos os
seres humanos provem dele.
O texto da Escritura que narra a formação do corpo de
Adão é lido pelos evolucionistas mitigados como sendo um relato puramente
simbólico. Eles tem muito mais respeito humano quanto ao relato da criação
de Eva. Como defender ante uma assembléia de universitários ateus que Eva
foi feita de uma matéria tirada do flanco de Adão? E logo o respeito
cientificamente humano os leva a ridicularizar o relato bíblico, perguntando
se o homem tem uma costela a menos do que a mulher.
Não. O ser humano -- tanto o homem quanto a mulher - têm
doze costelas, assim como Cristo teve doze apóstolos, o ano doze meses, e o
dia doze horas. E um dos apóstolos traiu Cristo, assim como Eva traiu Adão,
levando-o a pecar.
A Sagrada Escritura conta que Adão pôs nome conveniente a
todos os animais ( Cfr. Gen. II, 20). Na Escritura, dar nome significa
exprimir sua essência, e, ao mesmo tempo, exprimir domínio sobre o nomeado,
porque só o senhor de algo pode nomeá-lo.
Adão deu nome aos animais, depois que Deus disse que não
era bom que o homem estivesse só: “Não é bom que o homem esteja só;
façamos-lhe um adjutório semelhante a ele" (Gen. II, 18).
E por que não era bom que o homem estivesse só?
Em primeiro lugar, porque o homem é um ser social ao qual
Deus deu linguagem capaz de exprimir seus pensamentos. Se o homem vivesse
só, a linguagem seria mais do que um dom inútil, mas prejudicial, porque ter
pensamentos e não poder exprimi-los, ou ser inútil exprimi-los seria mais um
peso do que uma vantagem.
Além disso, Deus fez o homem sexuado, para poder gerar. E
assim como fizera os animais macho e fêmea, assim também deveria fazer um
ser humano feminino, a fim de que fosse possível a geração. Por isso disse
Deus que faria para o homem um “adjutório semelhante a ele”, e comenta São
Tomás, que este adjutório só poderia ser para a geração, pois que, se fosse
para trabalho, teria feito outro homem que lhe seria mais útil do que a
mulher, mais fraca fisicamente.
Diz o texto sagrado que fez Deus passar diante de Adão todos os animais,
e acrescenta: “ mas não se achava para Adão um adjutório semelhante a ele" (Gen.II, 20). Foi então que Adão nomeou todos os animais e
não viu entre eles nenhum que lhe fosse semelhante. Nem o macaco, embora de
código genético aparentemente tão próximo.
E quando Deus fez Eva de uma costela de Adão este, ao
vê-la exclamou:
“Eis aqui, agora o osso de meus ossos e a carne de minha
carne" ( Gen. II, 23)
Por que “agora”? Porque, desta vez, Adão via que Eva lhe
era semelhante, embora não tivesse o exame de seu código genético. Eva era
carne de sua carne, osso de sues ossos, isto é, tinha a sua mesma natureza,
o seu mesmo código genético.
E “ela era chamada Virago, porque do varão foi
tomada" (gen. II, 23).
O texto do Gênesis é então bem explícito: Eva foi tomada
de Adão. Foi feita de sua matéria, e não de um ser animal anterior e
predecessor do homem. E Pio XII repete esta mesma lição: “O auxílio dado por
Deus ao primeiro homem procede do homem e é carne de sua carne, formada como
companheira, que do homem recebe o seu nome, porque foi tomada do homem" (Pio XII, Alocução à Pontifícia Academia de Ciências, 30 / XI / 1941, Acta
Apostolicae Sedis, XXXIII, 506, apud D. Estevão Bettencourt, OSB, Ciência e
Fé, Rio de Janeiro, 1958, p. 105).
O próprio e insuspeito Cardeal Bea -- de triste,
ecumênica e pouco ortodoxa memória -- ex Reitor do Pontifício Instituto
Bíblico, escreveu “ Não se vê outra solução possível sob o ponto de vista
exegético e teológico senão afirmar que Eva foi formada de uma parte do
corpo de Adão por especial intervenção de Deus, e isto a fim de que fossem
imaculados mediante tal proceder, algumas verdades religiosas fundamentais e
de suma importância” (Agustin Bea, Questioni Bibliche, II, 52, apud D.
Estevão Bettencourt, op. cit. p. 104).
A teoria da evolução contraria diretamente o texto da
Sagrada Escritura. E não se trata de ter um sentido apenas literal da
Bíblia, ou de lhe dar o que os racionalistas chamam de “interpretação
fundamentalista”.
Vejamos, então, se o sentido analógico do Gênesis é
favorável à evolução.
Ao tratar do significado do matrimônio cristão e do
sentido da união conjugal, São Paulo nos ensina: “Este mistério [sacramento]
é grande, mas eu o digo em relação a Cristo e à Igreja" (São Paulo, Ef. V,
32)
Por que São Paulo diz isto?
A descrição da formação do corpo de Eva a partir de uma
matéria retirada do flanco de Adão sempre foi tida como uma imagem profética
não só do que ocorreria com Cristo no Calvário, como também da relação de
Cristo com a Igreja.
Assim:
|
Adão foi o primeiro homem, no tempo. |
— |
Cristo é o primeiro dos homens em valor. |
|
Deus deu a Adão um profundo sono, imagem da morte. |
— |
Cristo morreu na cruz. |
|
Enquanto Adão dormia, Deus abriu o seu flanco. |
— |
Depois que Cristo morreu na cruz, o centurião abriu-lhe o flanco com a lança. |
|
Do lado de Adão Deus retirou uma matéria. |
— |
Da chaga do peito de Cristo saíram sangue e água. |
|
Da matéria retirada de Adão Deus fez o corpo de Eva. |
— |
Do lado de Cristo nasceu a Igreja, divina e humana. Divina por sua cabeça -- Cristo,
representado pelo sangue. Humana por seus
membros -- os homens-- representados pela água. |
|
Eva foi a única esposa de Adão.
|
— |
A Igreja é a única esposa de Cristo. O que -- diga-se de passagem, mas bem a propósito -
-- condena o ecumenismo. |
|
Adão e Eva se unem e têm os filhos da carne. |
— |
Cristo e a Igreja se unem para ter os filhos de Deus. Deus poderia salvar os
homens falando-lhes, pela graça, diretamente ao
coração. Não o fez e não o quer fazer. Ele quer
salvar os homens por meio de outros homens enquanto
membros da Igreja. |
|
Adão só teve uma única esposa.
|
— |
Cristo só tem e só pode ter uma única Igreja, uma única
esposa, um único corpo místico, da
qual é impossível separá-lo.
Por isso também Adão não pode se separar de Eva. O divórcio é ilegítimo. |
Caso o relato da Sagrada Escritura sobre a formação do
corpo de Eva não fosse histórico, toda a doutrina da Igreja como Corpo
Místico de Cristo ruiria por terra, com graves conseqüências para a Fé, para
o sacramento do matrimônio, assim como para o celibato sacerdotal. Aliás é
interessante constatar que a substituição da doutrina da Igreja como Corpo
Místico de Cristo pela doutrina da Igreja como Povo de Deus no Vaticano II,
ao abrir as portas para o ecumenismo, abriu também enorme brecha para uma
maior facilidade nos processos de nulidade matrimonial -- que hoje eqüivalem
quase à aceitação prática do divórcio -- tanto quanto para o abandono do
celibato sacerdotal.
Há mais de um século, se tem procurado adaptar o texto
revelado a fábulas e delírios pretensamente científicos. Michael Behe dirá a bazófias,
que é como ele chama a teoria darwinista.
Hoje, é a própria Ciência que desmente essas bazófias,
fábulas e delírios.
São Paulo, Setembro de 2.003
Orlando Fedeli
Fábio Vanini, biólogo
Marina Marques Vanini, doutoranda em Biologia
Marcelo Murai, Mestre em Biologia
Luciana Kauer Murai, mestranda em Biologia
Dr. Daniel Almeida de Oliveira,
Médico
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