Geneticista alerta sobre células estaminais
embrionárias
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29/08/2004
O professor Angelo Vescovi intervem no «Meeting» de Rímini (Itália)
RÍMINI, 29 de agosto de 2004 (ZENIT.org).- Longe do que se pensa
e se difunde, «as células estaminais embrionárias raramente
surtem o efeito esperado», revelou na quarta-feira o professor
Angelo Luigi Vescovi --co-diretor do Instituto de Investigação de
Células Estaminais do Hospital San Rafael de Milão-- no multitudinário
«Meeting» que desde o dia 22 passado acontece na localidade italiana de
Rímini por iniciativa de Comunhão e Libertação.
Especialista internacional neste campo da ciência, o professor
de Biologia Celular afirmou que a idéia «segundo a qual as células
extraídas dos embriões sejam verdadeiramente a panacéia de todos os males
não está fundada cientificamente».
De acordo com suas explicações, «as células estaminais estão
presentes no organismo humano pelo feto desenvolvido até a morte do
indivíduo. E estão ali para trabalhar como uma grande e extraordinária
oficina de manutenção» que funciona «em todo instante do dia para
substituir as células que inclusive com o mais banal dos movimentos morrem».
Assim descreveu a existência de células estaminais disponíveis para
todo tipo de tecido, prontas para curar, se necessário, qualquer dano.
Basta pensar que cada quinze dias todos os glóbulos vermelhos da pessoa
são restabelecidos.
O professor Vescovi sublinhou que as «verdadeiras células estaminais
são as dos adultos», que «em termos especialistas se denominam
“somáticas” ou “plurioptentes”».
As embrionárias se chamam ao contrário “totipotentes” e estão
feitas para «criar, não reparar», distinguiu.
«Contrariamente a quanto difundem os meios de comunicação –
avisou – as células estaminais raramente surtem o efeito esperado.
Poderão inclusive revelar-se muito perigosas, criando as
condições para a formação de neoplasias ou tumores».
Ao fio do anterior, precisou que o «embrião é um ser humano»:
«isto é inegável», declarou à publicação «Meeting
quotidiano» (26 de agosto) do encontro de Rímini.
Neste contexto, o genetista --que se define «agnóstico,
praticamente ateu» e «taoísta», advertiu que «qualquer
intento de fazer começar a vida humana em um momento posterior é
arbitrário e não sustentado por argumentação científica».
Para o professor Vescovi, o modo de obter células estaminais embrionárias
é «dos abortos espontâneos».
«Disse “espontâneos”», afirmou. De fato, «bastarão os
44 abortos que ocorrem semanalmente só na província de Milão para a
terapia de milhares de enfermos», concluiu.