Movimento pela Vida

Guerra de morte na Academia Pro Vida

Notícia publicada por Unisinos

Comentário de Lucia Zucchi

Cancelado, pelo Vaticano, o Congresso Internacional sobre Pesquisa Responsável com Células-Tronco.

Excelente notícia esse cancelamento! Mas uma parte do mal que tinha sido programado já foi feito...

 A última assembléia anual da Pontifícia Academia Pro Vida, há algumas semanas atrás, tinha sido um festival de cientistas defensores da "fertilização assistida", em suas modalidades mais radicais, para grande indignação da maior parte de cientistas católicos que compõe a Academia. A reunião não terminou em pancadas, como uma guerra de torcidas, mas os cientistas vaiaram e bateram na mesa em protesto. Imaginem a cena! A cientista que dirigia a sessão, olímpica, observou que a platéia não estava de acordo, mas ela "se recusava a entrar em um debate teórico, filosófico ou religioso"...

Estranho! Mas quem será que tinha posto lá essa mulher? E tudo isso depois do discurso de abertura da Assembléia, pronunciado por Bento XVI, em que ele lembra que toda discussão sobre esse assunto deve obrigatoriamente levar em conta a moral.

 Desta vez, os "irresponsáveis" pelo evento anterior estavam para repetir a dose. Pois tinham convidado, para um Congresso Internacional sobre Pesquisa Responsável com Células-Tronco, uma maioria de cientistas manipuladores embrionários, pedindo-lhes - hipocritamente! - que não tratassem de "suas" células-tronco embrionárias, mas apenas das células-tronco adultas "alheias".

Será que eles imaginavam que isso ia dar certo? Ou eles planejaram gerar uma raiva nos cientistas pela censura, que transbordaria para a imprensa em protestos contra o "obscurantismo do atual Pontífice e seu modelo de Igreja pré conciliar"? O que eu sei sobre política eclesiástica me diz que padres inocentes e trapalhões não chegam a curas de igrejas da periferia...

 Há, na verdade, uma disputa feroz dentro da Cúria Romana, pro ou contra o ensinamento moral sobre defesa da vida, emanado dos Papas e da Congregação para a Defesa da Fé - que tem sido excelente! Ao ganharmos esta batalha atual, ficamos sabendo que já houve duas anteriores em que a doutrina católica foi espezinhada. Em silêncio e para satisfação de quem os organizou! Senão vejamos: "Os dois congressos anteriores também incluíram cientistas que trabalhavam com essas células, sem gerar muita polêmica".

Possivelmente todos se lembrarão da remoção do sinistro Dom Rino Fisichella - infelizmente uma "remoção por promoção" - da direção da Pontifícia Academia Pro Vida. Dom Fisichella havia censurado em termos duros, através do Osservatore Romano, a Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo do Recife, que tentava impedir o aborto dos gêmeos de uma menina de nove anos, que fora abusada por seu padrasto. O aborto foi feito e o mundo católico ficou com a noção de que o Presidente da Academia tinha sido atendido... Para os membros da Academia, destacados cientistas leigos católicos de todo o mundo, empenhados na defesa da vida, foi uma enorme decepção. Alguns deles chegaram, através de muitos percalços, a entregar uma petição ao Papa, para que removesse esse público defensor do aborto - só em alguns casos! - justamente da Academia Pro Vida. A vitória veio com a criação de um posto mais prestigioso e muito mais vago para Dom Fisichella: o Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, no qual ele ainda aguarda, e continuará aguardando, com a misericórdia de Deus, sua nomeação como Cardeal.

Ficou em seu lugar, na Academia Pro Vida, seu antigo chanceler, D. Ignacio Carrasco de Paula, membro do Opus Dei. Se não é ele o responsável pelos atuais desmandos, ele está assinando sem ler as medidas preparadas por algum misterioso secretário, ou um "diretor de estudos".

 De todo modo, parece que a remoção do tumor não extirpou todo o câncer anticatólico... Um triste Carrasco para os que defendem a doutrina católica.

Abaixo a notícia tirada da prestigiada revista científica Nature, publicada em português pela Unisinos.

 

 Vaticano cancela congresso sobre células-tronco

 Pesquisadores de células-tronco embrionárias questionam o súbito cancelamento do encontro anual. A reportagem é de Ewen Callaway, publicada no sítio da revista Nature, 26-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto. O Vaticano cancelou abruptamente um controverso congresso sobre células-tronco que estava programado para contar com a participação do papa em abril. O Terceiro Congresso Internacional sobre Pesquisa Responsável com Células-Tronco, agendado para os dias 25 a 28 de abril, iria se concentrar sobre aplicações clínicas de células-tronco adultas e reprogramadas. Mas um grande número de conferencistas convidados, incluindo Alan Trounson, presidente do Instituto de Medicina Regenerativa da Califórnia, de San Francisco, e o conferencista principal, George Daley, cientista de células-tronco do Hospital Infantil de Boston, em Massachusetts, estão envolvidos em pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, o que a Igreja Católica considera antiético. Os dois congressos anteriores também incluíram cientistas que trabalhavam com essas células, sem gerar muita polêmica. O Pe. Scott Borgman, secretário da Pontifícia Academia para a Vida da Igreja Católica, um dos organizadores da conferência, disse que fatores logísticos, organizacionais e financeiros forçaram o cancelamento, que foi anunciado no dia 23 de março. A Academia aborda questões bioéticas e teológicas que são relevantes para os ensinamentos da Igreja. A Catholic News Agency, agência de notícias independente com sede em Englewood, Colorado, citou um membro anônimo da Academia que chamou o cancelamento de "um alívio enorme para muitos membros da Pontifícia Academia para a Vida, que sentiam que a presença em seu programa de tantos conferencistas, incluindo o conferencista principal, comprometido com a pesquisa com células-tronco embrionárias, era uma traição à missão da Academia e um escândalo público". "Acho que a única interpretação é que estamos sendo censurados. É muito decepcionante que eles não estejam dispostos a ouvir a verdade", afirmou Trounson. Ele esperava fornecer uma "perspectiva equilibrada" sobre as possíveis aplicações clínicas das células-tronco, tanto adultas quanto embrionárias. Enquanto isso, alguns cientistas europeus, que haviam convocado um boicote por acreditarem que o congresso difamaria injustamente a pesquisa com células-tronco embrionárias, saudou o seu cancelamento. Daley diz que assumiu o seu convite como uma indicação de que o congresso estaria aberto à discussão de todos os aspectos da pesquisa com células-tronco. "Há muitas áreas de acordo fundamental sobre a pesquisa com células-tronco, tais como a necessidade de provar a segurança e a eficácia dos medicamentos de células-tronco por meio testes clínicos legítimos antes de que se permita o seu marketing direto junto aos pacientes", acrescenta. Borgman afirma que a Academia pediu que seus oradores limitassem suas discussões às células-tronco adultas. No entanto, Daley diz que ele foi convidado não a tornar as células-tronco embrionárias no foco de sua palestra, mas planejava discuti-las em termos de contexto histórico. Christine Mummery, cientista de células-tronco do Leiden University Medical Center, da Holanda, chamou o cancelamento de uma "boa notícia". Ela e diversos outros cientistas europeus declinaram os convites para o congresso e incentivaram seus colegas dos Estados Unidos a seguirem o exemplo. "O título [Congresso sobre Pesquisa Responsável com Células-Tronco] foi o que me incomodou, e eu pensei que essa definitivamente não seria uma discussão aberta. Seria toda sobre os defensores das células-tronco adultas, e as pessoas que trabalham com células-tronco embrionárias seriam os bandidos", diz. Daley diz que, embora ele e outros participantes receberam pedidos para boicotar o congresso, "o nosso sentimento coletivo foi que era melhor se envolver na discussão ao invés de evitá-la". O Mons. Jacques Suaudeau, diretor de estudos da Pontifícia Academia para a Vida, chamou o cancelamento de um "triste acontecimento", em um e-mail enviado à Nature, e disse que os participantes logo receberiam uma explicação oficial. "Eu não posso falar até que a carta de explicação seja entregue. Tudo o que posso dizer é que, até a última sexta-feira, o congresso estava bem encaminhado, e nós pensávamos que o programa, da forma como estava, era digno". O congresso deveria ser concluído com uma audiência de duas horas com o Papa Bento XVI.

 

 


    Para citar este texto:
"Guerra de morte na Academia Pro Vida"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/vida/guerra-de-morte-na-academia-pro-vida/
Online, 15/12/2017 às 10:03:30h