Movimento pela Vida

Embriões humanos e embriões de tartarugas marinhas, dois pesos e duas medidas
Marcelo Fedeli

Embrião humano: “montinho de células” que pode vir a ser destruído por Lei !
 
 
Embrião de tartaruga marinha: “uma vida defendida por Lei”!
 
Todos sabemos da grande atividade das pessoas envolvidas no Projeto TAMAR (http://www.projetotamar.com.br/ ), há 24 anos voltado à defesa da vida das tartarugas marinhas desde a “sua concepção até a sua morte natural”.  Ao longo desse período, pouco a pouco, começando pela precária proteção dos ovos nas praias e culminando, hoje, num “Projeto institucionalmente ligado ao Ibama, contando com dezenas de instituições estaduais e municipais” e outras, o PROJETO TAMAR vem atingindo seu objetivo, resumido no lema: 'As tartarugas valem mais vivas que mortas' (http://www.projetotamar.com.br/t_hist.asp ).
 
Mas, segundo seus historiadores, o caminho não foi fácil, especialmente na fase inicial, quando os iniciadores do Projeto, não dispondo de recurso algum, viram-se obrigados até “a transferir as desovas para cercados protegidos nas próprias áreas de desova” pois os ovos eram eliminados “pelos habitantes dessas praias, para alimentação” (http://www.projetotamar.com.br/t_hist.asp).
 
Atualmente, a proteção dos ovos de tartaruga se encontra tanto sob o amparo da Lei Ambiental, ficando o infrator sujeito à prisão sem fiança, como sob diversos decretos que chegam até a cuidar do “sombreamento das praias de desova” e da iluminação artificial “que impede a instalação de pontos de luz em áreas de desova (Portaria IBAMA no. 11, de 30/1/95; Lei Estadual (Bahia), no. 7034, de 13/2/97) e hoje faz uma campanha para substituição, nessas áreas, das luminárias convencionais por outras, especialmente desenhadas, para que a luz não incida diretamente sobre a praia” (http://www.projetotamar.com.br/ta_ameacas.asp ). Assim,  os ovos são protegidos nas praias até contra a luz artificial que lhes pode causar algum dano. Tudo isso visando unicamente a preservação da vida dos embriões das tartarugas marinhas ainda em estágio inicial.
 
Pouco a pouco, o TAMAR, sem abandonar a defesa dos embriões nas praias, lançou-se ao mar, conseguindo hoje todo um apoio legal proibindo a pesca desses tão encantadores e misteriosos espécimes que, curiosamente, “não são animais de cérebro evoluído”  (http://www.projetotamar.com.br/ta_curi.asp).
 
Creio que, em princípio, não haja uma pessoa no mundo contrária a esse Projeto: defesa da vida das tartarugas marinhas desde a “sua concepção até a sua morte natural”. 
 
Lia tudo isso no site do Projeto TAMAR, quando, repentinamente, o Outlook me avisou do recebimento de “nova mensagem”. Tratava-se de entrevista do Dr. Dráuzio Varella com a Drª Mayana Zatz,  afamados doutores muito promovidos pela mídia, sobre outro Projeto, não de vida, mas de morte: a morte de embriões humanos, fecundados “in vitro”, decorrente da utilização de suas células estaminais para pesquisas
(cfr.http://www.drauziovarella.com.br/entrevistas/celulastronco.asp ).
 
Embora não sendo cientista, pelo contrário, totalmente leigo no assunto, comecei a ler a entrevista com real interesse, não só porque acompanho o noticiário nacional e mundial  sobre o tema, mas também pela fama e prestígio de que desfrutam os dois afamados doutores, muito bem amparados e incensados por toda a mídia, e isto de tal forma que, certa vez, num ônibus, ouvi alguém dizendo sobre uma questão de saúde qualquer: “Mas o Dráuzio já falou sobre isso na TV!.. Ponto final !.. Meu caro... Dráuzius locutus, causa finita” ! ... Eis o prestígio popular adquirido pelo Dr. Varella, em grande parte, através dos grandes meios de comunicação!
 
Por outro lado, vinha notando que, apesar do tema do uso de células de embriões ser polêmico entre os cientistas do mundo, a nossa democrática imprensa,  a mídia em geral, vem dando um enorme espaço de forma unilateral, beneficiando somente a ala favorável à utilização de tais células embrionárias, das quais não se registra pesquisa alguma positiva no mundo, nem em cobaias. E, pelo contrário, quase nada é enfatizado sobre as pesquisas com células-tronco adultas,  cujos resultados positivos já vêm sendo constatados em seres humanos por muitos cientistas do mundo, incluindo cientistas do Brasil. E, mesmo quando noticiam algo sobre resultados positivos de terapias com células-tronco adultas, encontram uma forma de enfatizar mais a necessidade do uso de células-tronco embrionárias do que o caso em si, como recentemente aconteceu em alguns noticiários da TV com o Dr. Hans Dohmann, este também favorável à pesquisa de células de embriões: as perguntas formuladas pelos jornalistas eram mais voltadas à necessidade de se aprovar as pesquisas de células-tronco embrionárias do que sobre êxito por ele atingido através do uso de células-tronco adultas.
 
Mais!... Muitos jornalistas, quando eventualmente falam ou escrevem sobre “cientistas contrários à pesquisa de células embrionárias”, e favoráveis ao incremento somente de pesquisas com células-tronco adultas, os rotulam de “ignorantes”, de “mentalidade obscura e medieval”, de “retrógrados”, de “fanáticos”, de “fundamentalistas”, sem refutar seus argumentos, sem levar em conta suas pesquisas, e sem jamais convidá-los para uma entrevista ou debate, a fim de exporem, com toda a liberdade democrática garantida pela Constituição, seu pensamento ao povo. Parece que o povo precisa ouvir um mundial e orquestrado coro... de  “uma só voz, de um só tom”!
 
E quando, talvez por lapso de um seu não bem orientado reporter, uma emissora de TV ou um jornal prepara matéria com algum cientista favorável somente ao uso de células-troco adultas, na última hora, ou não a levam ao ar, ou não a publicam. Sei de caso concreto de matéria feita por importantíssima emissora de TV brasileira, em julho último, com uma eminente professora, doutora e cientista paulistana, contrária ao uso de células embrionárias, sobre um paciente curado de grave doença ao ser tratado por meio de células-tronco adultas, que na última hora não foi ao ar, conforme fora prometido. Posteriormente, a informaram que “ordens superiores” haviam suspenso a transmissão, pois estavam esperando espaço e que tinham outras prioridades, mas que  vão passá-la” !.. Mas....quando?... Até agora, fim de novembro, nada!..E a votação está prestes a acontecer na Câmara dos Deputados Federais!
 
Bem democrático!...Bem deformador da opinião pública!.. sempre, claro, em nome da fantástica imparcialidade e do respeito à liberdade de expressão, como dizem, com semblante grave e voz postada, seus sérios e sóbrios apresentadores.
 
E essa unilateralidade, infelizmente, parece ter atingindo também certos setores do Senado, pois, até então, somente uma maioria de representantes da facção pró uso de células embrionárias fora convidada a apresentar seu douto parecer para as comissões parlamentares específicas, incluindo o Dr. Dráuzio Varella e a Drª. Mayana Zatz, dentre outros, ficando a ala oposta restrita a um único representante
(http://www2.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=39431).
 
Espero que tal situação seja revista pelos nossos ilustres representantes, claro, antes da votação final do Projeto, ora em andamento naquela Casa, e que, na sua soberania, convidem também muitos cientistas favoráveis somente ao emprego de células estaminais adultas,  para apresentarem seus argumentos científicos, e não panacéias que estão iludindo a muitos.
 
Pelo que já havia lido em estudos e artigos de importantes cientistas do exterior e do Brasil, inexplicavelmente bem silenciados e abafados pela mídia em geral, somente as pesquisas com células-tronco adultas propiciaram terapias positivas. As pesquisas com células-tronco embrionárias, pelo contrário, além de comprovadamente não apresentarem resultado positivo algum, nem mesmo em cobaias imunodeprimidas, ocasionaram nestas o aparecimento de tumores em metade das experiências realizadas (cf. artigo ”Evidence of a Pluripotent Human Embryonic Stem Cell Line Derived from a Cloned Blastocyst”, publicado na Revista Science vol. 303, de 12 de março de 2004).
 
Este também é o pensamento de cientistas do Brasil, doutores em biologia celular e molecular, comprovado através de pesquisas com células-tronco adultas, como, por exemplo, Dra. Alice Teixeira Ferreira, Dra. Lilian Piñero Eça, Dra. Eliane Azevedo, Dra. Ieda Verreschi, Dra. Cláudia Maria de Castro Batista, Dra. Maria do Carmo de Souza Rodrigues, para citar alguns nomes, cuja posição é compartilhada por muitos cientistas do exterior, como Dr. Gerd Meyer, cardiologista da Faculdade de Medicina de Hannover (Alemanha), Dr. Fernández Avilés, do Hospital Clínico de Valladolid, Dr. Frank Ulrich Montgomery, presidende da Marburger Bund, asssociação médica alemã (Colonia), Dra. Helen Watt, diretora do Linacre Center for Healthcare Ethics (Londres), Dr. Angelo Vescovi,  professor de Biologia Celular e co-diretor do Instituto de Investigação de Células Estaminais do Hospital San Rafael de Milão, e o cientista Dr John Hulston, prêmio Nobel de Medicina em 2002, que estudou o genoma do verme C.elegans, e que também não concorda com a utilização de células-tronco embrionárias! E há outros, e muitos outros!...
 
Até o Dr. José Eduardo Krieger, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, ainda que favorável à pesquisa de células embrionárias, fez a mesma afirmação. Disse ele:
 
“As células-tronco embrionárias têm potencial para se transformar em todos os outros tipos de célula do corpo, razão pela qual aparecem no alto das prioridades de pesquisa de terapias inovadoras para doença degenerativas. Mas elas só podem ser obtidas com a destruição de embriões de uma centena de células, quando são chamados de blastocistos. Por ora, no entanto, trata-se só de mais uma promessa da biomedicina - nenhum tratamento com células-tronco embrionárias está ainda disponível”.
 
Com células-tronco adultas, que podem ser obtidas do próprio paciente, já há várias aplicações em fase de avaliação experimental. Uma das mais promissoras é a recuperação do músculo do coração (miocárdio) danificado por infarto ou pela doença de Chagas” (cf FSP, artigo de Marcelo Leite,  “Para diretor de genética molecular no Instituto do Coração, falta maturidade na discussão da Lei de Biossegurança “, 21/09/2004).
 
Apesar disso, passou-se ao povo a idéia de que, uma vez aprovada a pesquisa de células-tronco embrionárias, imediatamente as mais graves doenças serão eliminadas, com um estalar de dedos... enquanto que os que são contrários àquele tipo de pesquisa, “estariam contribuindo para a morte de pessoas” (idem, FSP 21/09/2004 ).
Também ilustres juristas engrossam a corrente favorável à incrementação de pesquisas de células-tronco adultas e contrária à pesquisa de células de embriões, como o Dr. Luiz Roberto de Assumpção, Dr. Carlos Aurélio Mota de Souza, ou o conhecidíssimo Dr. Ives Gandra da Silva Martins, este, um dos poucos que a mídia não conseguiu silenciar totalmente.
E não se julgue a priori  que assim pensam por motivos religiosos. O Dr. Angelo Vescovi, por exemplo, ateu confesso, afirmou recentemente à Agência de notícias ZENIT (29/08/2004):
 
“Longe do que se pensa e se difunde, «as células estaminais embrionárias raramente surtem o efeito esperado» (...) e que a idéia «segundo a qual as células extraídas dos embriões sejam verdadeiramente a panacéia de todos os males não está fundada cientificamente».

Acentuou que as «verdadeiras células estaminais são as adultas», que «em termos especialistas se denominam “somáticas” ou “pluripotentes”» e queas embrionárias se chamam ao contráriototipotentese estão feitas para «criar, não reparar».
 
«Contrariamente a quanto difundem os meios de comunicação – alertou – as células estaminais raramente surtem o efeito esperado. Poderão inclusive revelar-se muito perigosas, criando as condições para a formação de neoplasias ou tumores».

”Concluiu: «o embrião é um ser humano; isto é inegável», e que «qualquer intento de fazer começar a vida humana em um momento posterior é arbitrário e não sustentado por argumentação científica» (agência Zenit - 29/08/2004).
 
Com tudo isso em mente, mesclado à lembrança do Projeto TAMAR na defesa dos embriões de tartarugas marinhas, comecei a ler a entrevista do Dr. Drauzio Varella com a Dra. Mayana Zatz, da qual destaco aqui somente uma afirmação desta última, deixando as demais para eventual comentário de especialistas, se estes assim julgarem necessário.
 
Disse ela ao Dr. Dráuzio Varella:
 
“Blastocisto: um montinho de células de embriões que sobram de clínicas de fertilização e vão para o lixo” .
 
De fato, a certa altura da entrevista, a Dra. Mayana Zatz, tratando das células-tronco embrionárias, cujas “pesquisas ainda em andamento indicam que até 14 dias depois da fecundação as células embrionárias seriam capazes de diferenciar-se em quase todos os tecidos humanos”, afirma que é preciso “colhê-las até a divisão em 64 células”, pois, nesta ocasião, “forma-se o blastocisto cuja capa externa vai formar as membranas embrionárias, a placenta. Já as células internas do blastocisto, que são chamadas de totipotentes, vão diferenciar-se em todos os tecidos humanos”.  Tudo isso feito com células de embriões que sobram nas clínicas de fertilização e vão para o lixo, segundo ela.
 
Mais adiante acrescenta: o blastocisto é um montinho de células menor do que a ponta de uma agulha, e que ninguém está pensando em destruir embriões, muito menos fetos”.
 
Essa afirmação é contraditória, pois, como seria possível destruir o blastocisto sem destruir o embrião, sendo o blastocisto  formado por “células embrionárias”?... Acaso, para ela, o blastocisto ainda não é  embrião humano de um novo ser, com vida própria? Ou seria uma fase “pré-embrionária do embrião, ainda sem vida, comparável ao que ela, certamente movendo as pontas dos dedos, como juntando minúsculos fragmentos, carinhosa e singelamente chama de “montinho de células”, pois, conclui que, quem dele se utiliza, embora o destruindo, não “está pensando em destruir embriões, muito menos fetos”.
 
Tal afirmação tem fundamento científico, ou se trata de mera “opinião” pessoal para tentar justificar a destruição do “blastocisto”?
 
No fundo, uma questão de princípio aqui se impõe: o tal “montinho de células de embriões” humanos, é uma vida de um novo ser, ou não?
 
Há cientistas (e muitos) que sustentam que “a vida humana começa no instante da fecundação”, e não posteriormente, o contrário, portanto, do que a Drª Zatz tenta fazer passar como verdade científica, como o já citado Dr. Angelo Vescovi, ateu confesso, afirmou: qualquer intento de fazer começar a vida humana em um momento posterior é arbitrário e não sustentado por argumentação científica.”
 
O Dr. José Eduardo Krieger, repito, favorável à pesquisa de células embrionárias, “considera uma ‘hipocrisia’ aceitável designar esses embriões como 'bolinhas de células', como fazem outros defensores da pesquisa com embriões, embora prefira 'dar nomes aos bois' (cf. Folha de S. Paulo, 21/09/2004).
 
Por outro lado, a Lei Ambiental, referida às tartarugas marinhas, considera os seus ovos, independente da fase em que se encontram, ainda que um “montinho de células”, por mais diminuto que seja, como embrião vivo de um novo ser, uma nova tartaruga marinha, cuja vida é defendida e cuja destruição, ainda que para a alimentação (portanto, para a saúde) está sujeita a severas penas.
Para a Drª Mayana Zatz, porém, o montinho de células dos embriões humanos não é um novo ser, podendo, assim, ser destruído... e ainda o deve sob a proteção da Lei.
Sorte das tartarugas marinhas a Drª Mayana Zatz não ter dado entrevista, nem ter comparecido diante das comissões parlamentares quando estas analisavam aquela Lei Ambiental, antes da sua votação!... Caso contrário, quantos “montinhos de células” de tartarugas marinhas, ao invés de hoje continuarem vivas, nadando alegres e livremente “pelo mar imenso”, teriam terminado, não no “lixo”, mas em apetitosos omeletes!...
Outra hipótese seria a Drª Zatz considerar os “montinhos de células das tartarugas marinhas” como seres vivos, diferentemente dos “montinhos de células humanas” e que a defesa daqueles seria necessária para “não extinguir a espécie”.  Se assim fosse, confirmar-se-ia a concepção de que aquele “montinho de células embrionárias” é uma vida, e sua destruição corresponderia à destruição do novo ser. Ou será que o “montinho de células humanas”, para ela, não seria um ser com vida?... Acaso, todos nós, incluindo a Drª Mayana Zatz, não fomos um dia também um “blastocisto”, ou seja “um montinho de células” que, por felicidade, não fomos destruídos e nem jogados ao lixo pelos abertos e avançados cientistas de então?
Quanto a esta complementação do seu “argumento” (“que vão para o lixo”), recomendaria à Drª Mayana Zatz a considerar a sugestão apresentada pela Drª Cláudia Maria de Castro Batista, sua colega e cientista, como solução incomparavelmente mais nobre para estes embriões “in vitro”.
 
Além do mais, a prevalecer o princípio da Drª Zatz, todos nós poderemos ser considerados “objetos de pesquisa”, pois, todos nós, um dia, vamos para o lixo dos cemitérios. É só uma questão de tempo!... E que se fará, então, com aqueles que se encontram mais próximos desse lixo, como os pobres doentes terminais atingidos, por exemplo, pelo câncer ou pela AIDS?... Para estes, talvez, a solução proposta pelos atuais cientistas de mentalidade aberta e avançada, embora inspirada no exemplo nazista do século passado, será na mesma direção tomada por aquele nefando regime: a eutanásia!...(outro humaníssimo projeto atualmente sendo imposto em muitos países e que, infelizmente, logo, logo, chegará ao nosso caro Brasil!... Também isto é questão de tempo!).
 
Nessa linha de pensamento, me perguntei: será que o Congresso Nacional, que tanto defendeu a vida dos “montinhos de células” das tartarugas marinhas, colocando-a até sob a proteção do rígido e vasto manto da Lei Ambiental, irá agora considerar “os montinhos de células” de embriões humanos passíveis de serem destruídos e sob o amparo da Lei? ... Usarão os nossos parlamentares de dois pesos e de duas medidas, em prejuízo dos futuros brasileirinhos, frutos dos atuais “montinhos de células embrionárias” ?
 
Aguardemos a resposta dos nossos ilustres representantes.
 
Marcelo Fedeli            
Novembro de 2004
 
PS: de passagem, saliento, daquela entrevista, uma infeliz colocação do Dr. Dráuzio Varella à Drª Mayana Zatz, ao qualificar de “ignorância” a posição de cientistas e de juristas contrária à utilização de células embrionárias, mas a favor do uso de células estaminais adultas, conforme comprovado não só em inúmeras pesquisas, mas já concretamente aplicada a pacientes, com resultados positivos.
 
Assim perguntou o Dr. Varella (e sem objeção ou reparo algum apresentado pela Drª. Zatz):
 
“Drauzio Além da ignorância, o que move as forças contra esse tipo de trabalho? São interesses políticos, religiosos ou de que outro tipo?”

Mayana Zatz – Nessa votação que houve na Câmara dos Deputados, parece que a oposição foi feita por grupos religiosos motivados pela idéia de que mexer no embrião é destruir uma vida” (http://www.drauziovarella.com.br/entrevistas/celulastronco7.asp )
 
Que locutores de TV usem o termo “ignorância” para qualificar a mentalidade contrária ao uso de células embrionárias, é até compreensível!... Às vezes o fazem, talvez, por ordem superior... para manter, digamos, o difícil emprego, etc... Mas, o Dr. Dráuzio certamente não precisa manter o emprego e nem recebe ordem de ninguém!...
 
Ao invés de rotular seus colegas, doutores-cientistas e ilustres juristas de “ignorantes”, por pensarem diferentemente dele, o que não é nada ético, por que o Dr. Varella não os convida para uma entrevista, ou para um debate? ...Certamente seria muito mais eficaz para bem formar o pouco informado povo, sem deformá-lo!.. Quem sabe, desse modo, poderia se concretizar o misterioso e jamais visto “debate com a sociedade civil”, tão propalado por muitos intelectuais políticos.
 
Quanto aos “motivos religiosos”, aludidos pelo Dr. Dráuzio Varella, que moveriam tais “ignorantes” cientistas e juristas, lembro que o Dr. Angelo Vescovi, por exemplo, é tão ateu quanto o próprio Dr. Dráuzio. Acaso, estaria o Dr. Vescovi também incluído no rol dos ignorantes do Dr. Varella?...
 
No entanto, ele faz questão de associar o qualificativo “ignorância”  à religião, dentre outros motivos, sem apresentar argumento algum. Dessa forma fica, para o povo, a falsa noção de que, quem é contrário ao seu modo de pensar, o é por “ignorância” religiosa, ou por outra “ignorância” qualquer igualmente não científica, típica atitude preconceituosa.
 
E pode, o Dr. Drauzio, afirmar, sem censura e sem crítica, esse seu preconceito antireligoso?

    Para citar este texto:
"Embriões humanos e embriões de tartarugas marinhas, dois pesos e duas medidas"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/vida/embrioeshumanos/
Online, 20/07/2017 às 19:50:37h