Movimento pela Vida

Defesa da vida
Dom Genival Saraiva, Bispo de Palmares

03 de outubro de 2006
Fonte: site CNBB
            Sob os auspícios da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, a CNBB promove a Semana da Vida, no período de 1 a 8 de outubro. Com o intuito de falar à sociedade a respeito da necessidade de fazer uma contínua defesa da vida, foi instituído o “Dia do nascituro”, comemorado, anualmente, no dia 8 de outubro; dada a importância dessa causa, a CNBB a assumiu como tema da Campanha da Fraternidade 2008 - “Fraternidade e Defesa da Vida”, cujo lema é “Defende, pois, a vida” (Dt 30, 19).
            Para pessoas de fé, a razão primeira da defesa da vida é de natureza religiosa. A palavra de Deus é muito clara, é suficientemente explícita, quando está em questão a vida; por isso, não faz contemporizações, não propõe alternativas porque, em quaisquer circunstâncias ou situações, deve prevalecer a defesa da vida. Assim sendo, porventura, estariam dispensadas do dever de defender a vida aquelas pessoas que não têm princípio e prática religiosa ou estão incluídas entre os que trilham os caminhos do relativismo religioso? É claro que também estas estão obrigadas a respeitar e defender a vida, uma vez que igualmente elas se regem pelas disposições da lei natural e pelos princípios da ética, como elementos norteadores da conduta humana.
Em nossos dias, na realidade, muitas pessoas passam a relativizar o valor da vida, a partir do posicionamento de segmentos da sociedade e da linha adotada por diversos setores dos meios de comunicação de massa que proclamam o direito de cada um agir de conformidade com seu ponto de vista, não obstante isso tenha como conseqüência, em casos concretos, a penalização da vida. O Jurista Ives Gandra da Silva Martins situa muito bem a inversão de valores presente na sociedade quando afirma que os defensores do aborto “sentem-se, todavia, profundamente indignados se alguém defender o direito de destruir ovos de tartarugas ou fetos de animais em extinção”.
A esse respeito, fala-se hoje de uma “Nova moral ou moral coletiva”, veiculada “pelos meios de comunicação, cheia de modismos e descobertas monumentais”; (...) “é a chamada moral autônoma, em que as pessoas agem sem compromisso”. A internet, pela sua prodigiosa versatilidade, “é um campo fértil” para a veiculação dessa “moral coletiva”; o orkut é um espaço aberto à expressão da “moral autônoma”: “basta alguém criar uma idéia que em poucos minutos esta se dissemina por milhões de internautas, pelo mundo inteiro”; assim, ao lado da socialização de experiências e valores positivos, tem se transformado num laboratório de desserviço à vida, pregando anomalias sociais, como racismo, violência, pedofilia, aborto, entre outras.
Perante essa “moral autônoma”, a posição da Igreja é considerada conservadora, ultrapassada, retrógrada, mormente, em assuntos extremamente delicados, como aborto, eutanásia e pesquisas na área da biotecnologia; a Igreja, “perita em humanidade”, na expressão do Papa Paulo VI, sabe que esses assuntos são manipuláveis e, por conseqüência, ferem a vida e põem em risco a dignidade humana, dado que há uma evidente instrumentalização, de parte de pessoas e grupos, por interesses de natureza política e financeira.
A Igreja assume uma posição de apoio, reserva ou proibição, em relação ao tratamento que se dá à vida, no campo da ciência, da pesquisa, da tecnologia e da comunicação, fundamentando-se nas verdades da revelação divina, em dados da ciência e nos critérios da ética.
A Semana da Vida é um grito em defesa da vida, do momento da concepção ao último instante da existência humana na terra.
Dom Genival Saraiva
Bispo de Palmares (PE)

    Para citar este texto:
"Defesa da vida"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/vida/defesa_vida/
Online, 24/09/2017 às 11:17:09h