Movimento pela Vida

Sangue Inocente
Francisco Oliveira Zucchi
05/06/2018
 
     Na sexta tentativa dos últimos trinta e cinco anos, a “Soberana Democracia” Irlandesa optou por tornar legal o assassinato de fetos de até doze semanas. Nota-se, espantosamente, como a humanidade continua ensandecida pelo desejo do sangue dos inocentes. 
     A Irlanda, considerada como um dos países mais conservadores da Europa, possuía leis nas quais a prática do aborto poderia resultar numa prisão de 14 anos para a filicida e para o profissional da saúde que a ajudasse no assassinato. No entanto, a aprovação da emenda constitucional no ultimo sábado, 26 de maio de 2018, encaminha a viabilização da prática abortiva durante as doze primeiras semanas de vida do embrião sem a necessidade de nenhuma justificativa.  
     Interessante notar que o resultado foi considerado pelos grandes jornais europeus sobretudo como uma derrota da Igreja Católica. Segundo o Le Monde, ‘Un symbole de la modernisation d´une société longtemps dominée par l´Eglise catholique` (Um símbolo de modernização de uma sociedade dominada há muito tempo pela Igreja Católica). Ou ainda, “that marks a dramatic defeat for the Catholic church’s one-time domination of the(Irish) Republic” (Isso  marca uma derrota dramática no domínio único da Igreja Católica na República Irlandesa), classifica o The Guardian. 
     Mas, afinal, porque essa seria especialmente uma derrota católica? A resposta é simples. Durante as últimas décadas, foram os bispos e padres católicos que fizeram a maciça campanha para que a oitava emenda fosse mantida. Graças a suas campanhas e exortações, a oitava emenda constitucional tinha sido preservada, apesar da pressão internacional e dos recorrentes plebiscitos. No entanto, desta vez os inimigos da Igreja foram vitoriosos. Utilizando-se dos escândalos de pedofilia divulgados recentemente, eles fizeram com que o clero estivesse mais preocupado em se esquivar das acusações do que em defender futuras vidas inocentes. Deste modo, a costumeira reação católica foi anestesiada pelos escândalos dados por péssimos religiosos.
     Infelizmente, verifica-se que o modo Francisco de lidar com as questões social-religiosas novamente não será efetivo, ou seja, a política de tolerância com os erros do mundo moderno mais uma vez fracassa, uma vez que o Papa não condena abertamente esses erros. Ademais, o Papa tem sua viagem marcada para o país no dia 25 de agosto, aproximadamente um mês após o ocorrido, ou seja, tarde demais!  Vale lembrar que Bento XVI, que não pregava a tolerância para os erros do mundo moderno, quando veio ao Brasil em 2007, freou qualquer tentativa de liberação do aborto, que se temia estar prestes a ocorrer na época.  
     Um país no qual aproximadamente 80% da população é considerada católica - filhos adotivos de Deus e irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo - clama pela morte de individuos tão inocentes como o próprio Cristo!  Rezemos para que Deus nos envie bons padres que sejam novamente luz para o mundo! E para que as mães irlandesas deem à luz a seus filhos, que foram feitos à imagem e semelhança de Deus...  

    Para citar este texto:
"Sangue Inocente"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/vida/aborto_irlanda/
Online, 20/06/2018 às 20:13:52h