Religião

A TFP do B enterra a velha TFP
Orlando Fedeli


Depois de uma longa, complicada, e um tanto exótica pendenga judicial, o sr. João Scognamiglio Clá Dias e seus Arautos do Evangelho assumiram judicialmente a direção da TFP, e, com isso, se apossaram das sedes da entidade, de sua sigla, estandarte, arquivos, site, e especialmente de suas outrora polpudas caixas. Em suma, pegaram praticamente tudo. E ainda no dia 12, se noticiou que agora a TFP do B pretende se apossar de outra caixa ligada à velha TFP: a da campanha “Nossa Senhora Vinde Não Tardeis”. Afinal, banda precisa de muitas caixas.

É com uma sanha insaciável, demonstrando que se quer liquidar de modo completo com a velha TFP, que os seguidores da banda de Scognamiglio se lançam contra a entidade de Plínio C. de Oliveira.

Agora, em um documento publicado parcialmente pelo Jornal do Brasil se lê que já houve até ameaça de morte:

“Esta pendenga judicial e policial consta de um dossiê, enviado ao Núncio Apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, e ao Vaticano, tendo o JB a ele acesso. O documento é assinado pelo ex-superintendente da Diretoria Administrativa e Financeira Nacional da TFP, Plínio Xavier da Silveira, destituído pela medida judicial movida pela nova diretoria.

“O principal alvo é o líder do grupo pró-TFP liberal, João Clá Dias, também presidente da Associação Internacional Arautos do Evangelho. Num dos trechos do dossiê, Xavier da Silveira transcreve partes de uma gravação de onze minutos, de 1996. Mostra trechos em que o presidente dos Arautos do Evangelho ameaça dirigentes da TFP nos EUA, por terem proibido meninos de tomarem atitudes de veneração a João Clá Dias.

“Na fita - diz o dossiê - ele prometia virar a mesa e pôr fogo na casa, se os membros daquela TFP continuassem a criticar seus métodos de apostolado.

“Em outra transcrição, de outubro de 1996, quando começava a disputa pelo controle da TFP, o dossiê destaca outra ameaça de João Clá, desta vez contra o diretor do escritório da entidade em Washington, o advogado Mário Navarro da Costa.

“- Tenho o plano na cabeça: pego um avião, lhe deixo uma bala no peito, e irei para a cadeia. Pelo menos, faço reunião para os presos - transcreve o dossiê”. ( Apud Jornal do Brasil On Line, 23 de Maio de 2.004. O negrito é nosso)

É inacreditável que uma pessoa que se apresenta como religiosa, e chefe de um Instituto religioso de caráter Pontifício, chegue a esse ponto de ódio mortal. Até parece diálogo entre pessoas sem religião, e do mais baixo nível.

Entre os membros da nova diretoria da entidade não consta, ao que se sabe, o nome de João Scognamiglio Clá Dias, - esse mesmo que fez ameaça de assassinato de um ex-companheiro, e que foi quem moveu toda a ação contra entidade de seu ex-mestre, Plínio C. de Oliveira, mas que, prudentemente, prefere manejá-la de longe, através de  cordéis mais ou menos longos.

De qualquer modo, o que já estava praticamente morto, agora foi enterrado, podendo haver apenas uma vaga esperança de ressurreição jurídica.

Se João Scognamiglio, como ameaçou, não deu um tiro em Mário Navarro, ele o deu, de fato, na velha TFP.

Um ex-encarregado do site universitário Lepanto – que era, mas não confessava ser da TFP – noticiou numa lista da Internet que Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, antes de morrer, “profetizara” que ia se fazer um “estrondo judiciário” contra a entidade que presidia.

Aconteceu mesmo.

O falecido “imortal profeta inerrante” só não previu que quem ia fazer o estrondo judiciário que enterraria a TFP seria o seu discípulo predileto, João Scognamiglio Clá Dias, que estava sempre a seu lado.

Deve ter sido uma falha de comunicação profética...

Falha, porém, incompreensível, em quem dizia ter um inerrante “discernimento dos espíritos”, vendo até os pensamentos mais ocultos dos outros.

Se a TFP foi ingloriamente enterrada por uma disputa cheia de ódio entre os próprios discípulos de Plínio, não se pode dizer que o núcleo da obra de Plínio é que foi enterrado sem consolação.

O núcleo oculto da TFP, assim como o da TFP do B, é a seita Sempre Viva, que é o coração secreto de ambas. Esse núcleo, hoje, está dividido, e dividido por ódio mortal, mas não morto, e nem enterrado, porque uma seita secreta não é suscetível de sofrer processos judiciais, ou de ser fechada. Caso uma seita secreta fosse proibida por lei, é óbvio que ela continuaria a se reunir... secretamente. Sem contar para ninguém, de fora de seus quadros, que ela se reuniu.

Seitas secretas não costumam publicar, nos jornais, o local e horário de suas reuniões.

A Sempre Viva, então, continua viva.

Antes era por trás do estandarte do leão rampante. Agora, por trás da banda da harmonia – um tanto dialética – entre hábitos de cavaleiros medievais e costumes bem moderninhos dos que fazem a “aeróbica do Senhor”, em Missas Novas.

A velha TFP, antes de ser enterrada, publicou um derradeiro manifesto, acusando que, quem promoveu seu enterro, foi a ala socialista da CNBB, usando, para isso, a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, os Cavaleiros do Milênio, os Arautos do Evangelho, isto é, João Scognamiglio Clá Dias, que não se conformou em não ter sido nomeado Dirigente mor da TFP, à morte do imortal Plínio.

Resta saber quanto tempo a Sempre Viva conseguirá manter-se oculta por trás da banda dos Arautos. Porque todo segredo clama por ser revelado.

Se foi a Sempre Viva de João Scognamiglio quem, de fato, triunfou sobre a velha TFP, esse triunfo tenderá a fazer com que ela, a Sempre Viva, confiante, faça transparecer mais o culto secreto que ela continua a prestar a Plínio, para provar que Scognamiglio não traiu seu mestre.

Se a velha TFP tem razão, ao dizer que os Arautos foram manejados pela ala socialista da CNBB, então não durará muito o triunfo de Scognamiglio, porque os limões, depois de espremidos, são jogados fora.

E isto não é nenhuma profecia.

É uma simples previsão, sem nenhuma garantia de infalibilidade.

Como dizia o ex-profeta de Higienópolis, “Qui vivra, verra”.

Quem viver, verá.

Assim, não havia jeito de ele errar.

Será que a Sempre Viva  viverá sempre?

Ou a própria Sempre Viva está ferida de morte com a sua divisão?

Afinal, coração dividido, ainda mais por ódio mortal, morre.

Mesmo que seja um coração secreto.

No dia de Nossa Senhora Rainha, 31 de maio de 2004, aniversário da Associação Cultural Montfort, que nada tem a ver – graças a Deus – com a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, que é uma das faces visíveis da invisível Sempre Viva.


    Para citar este texto:
"A TFP do B enterra a velha TFP"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/religiao/tfpdob/
Online, 23/08/2017 às 06:56:24h