Religião

Os Caminhos de Maria Santíssima – Quarta Parte
Ivone Fedeli
Este artigo é uma continuação de Os Caminhos de Maria Santíssima - Parte 1, Parte 2 e Parte 3   “Enfim, os predestinados guardam os caminhos da Santa Virgem, sua boa mãe, ou seja, eles a imitam. [...] Beati qui custodiunt vias meas, ou seja, felizes os que praticam minhas virtudes e caminham sobre as pegadas de minha vida, com o socorro da divina graça.”[1]  Com base neste trecho do Tratado da Verdadeira Devoção, de São Luís de Montfort, vimos oferecendo a nossos leitores uma série de artigos a respeito dos caminhos da Santíssima Virgem, mostrando de que modo os caminhos reais, históricos, em que o Evangelho a mostra são, analogicamente, uma espécie de itinerário espiritual,  exemplos de virtudes fundamentais que devem ser praticadas por todos os cristãos e, de modo, especial, por aqueles que têm pela Mãe de Deus uma especial devoção.
Depois de ter analisado a caridade para com o próximo, no caminho para a casa de Santa Elisabeth, a conformidade com a Divina Providência, no caminho para Belém, o espírito de submissão aos mandamentos, na apresentação do Menino Jesus no Templo e na purificação de Maria Santíssima, vamos hoje acompanhar a Sagrada Família em sua fuga para o Egito – comemorada pelos carmelitas em 17 de fevereiro –, sofrendo exemplarmente a perseguição, para a qual se devem preparar todos os que se decidem a servir a Deus: “Todos os que procuram viver piedosamente segundo Jesus Cristo padecem perseguição”[2].  

  Embora os fatos referentes à infância de Nosso Senhor Jesus Cristo estejam relatados principalmente no Evangelho de São Lucas, que “depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio”[3], faz deles um relato cuidadoso, o episódio da fuga para o Egito é relatado no Evangelho de São Mateus[4], e nele apenas. Depois que os magos se retiraram, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo. José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe, e retirou-se para o Egito. E ficou lá até a morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Do Egito chamei meu filho”. Sem querer aventar hipóteses quanto à razão da omissão de São Lucas, que muitos afirmam ter utilizado uma fonte escrita comum com São Mateus[5], é fácil compreender sua inserção neste último. Com efeito, escrevendo São Mateus para um público judeu e, portanto, não apenas conhecedor das profecias, a que este evangelista recorre largamente, mas também pertencente a uma cultura em que a figura paterna recebia um particular relevo, devido à importância das genealogias conectadas à vinda do Messias, é mais do que explicável que São Mateus relate este evento que tem, sob tal ponto de vista, duas características importantes: em primeiro lugar, a proeminência de São José, chefe da Sagrada Família, nos fatos. De acordo com Landucci: “São Mateus recolhe nesse breve trecho [tudo o que se refere ao período da vida oculta de Nosso Senhor][6] tudo o que quer transmitir-nos em torno ao nascimento do Divino Salvador. Ele, ao contrário de São Lucas, apresenta-nos, digamos assim, em primeiro plano a figura de São José, herdeiro de Davi, pai, segundo a lei, de Jesus, chefe da sagrada Família e descreve, ao invés da anunciação de Maria Santíssima, aquela que se pode dizer a anunciação do virginal esposo.”[7] Todos sabiam que o Messias esperado devia ser descendente de Davi, e, assim, a descendência do Rei Profeta, explicitada na genealogia direta desde Davi até são José[8] era essencial para manifestar o caráter messiânico de Jesus, tarefa a que se dedicou de modo especial São Mateus, que, segundo São Tomás de Aquino “ pode dizer-se que [...] se representa pelo leão, porque pôs em relevo a estirpe real de Jesus Cristo”[9], embora a interpretação mais comum, fixada pela tradição da Igreja, atribua a São Mateus a figura do homem, justamente porque seu evangelho se inicia com a geração humana de Nosso Senhor Jesus Cristo, concluindo-a com São José e indicando de modo claríssimo e delicado a concepção virginal de Maria Santíssima: “E Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo”.[10] Santo Ambrósio também analisa o problema do uso da genealogia de São José no evangelho de São Mateus, bem como no de São Lucas, aliás: Por que vem apresentada a genealogia de José em lugar da de Maria, já que Maria gerou a Cristo por obra do Espírito Santo e José parece estranho (videatur alienus) a essa concepção do Senhor? Podemos supor que o determinasse o uso (consuetudo) das Escrituras, que busca sempre a origem do homem (viri)... é buscada, de fato, a pessoa do homem, que também no senado e nas outras assembleias (curiis) da cidade garante a dignidade da descendência (generis dignitatem). Como se tivesse sido indecoroso (deforme) então se, deixada a origem do homem (viri), fosse buscada a origem da mulher (feminae), fazendo parecer que não tivesse um pai aquele que devia ser anunciado aos povos de todo o mundo.[11]             Em segundo lugar, quanto ao próprio conteúdo do relato, o evangelho de São Mateus, como já dissemos, escrito por um israelita para outros israelitas, em hebraico, segundo Papias[12] e também segundo os mais modernos estudos de crítica interna[13], tinha como principal objetivo evidenciar o cumprimento em Nosso Senhor Jesus Cristo das antigas profecias referentes ao Messias, citando-as sempre em paralelo com o fato narrado, como quando fala da concepção virginal, anunciada por Isaias[14] ou  do lugar do nascimento do Messias[15] Ora, uma dessas profecias é a de Oseias que diz: “Quando Israel era menino eu amei-o e chamei do Egito o meu filho”[16]. Assim, nada mais natural do que São Mateus, para provar o cumprimento também dessa profecia, aplicar-se a relatar o episódio omitido pelos demais evangelistas. São João Crisóstomo, citado por São Tomás de Aquino, pergunta: “Por que o Egito? Porque o Senhor, cuja cólera tem fim, lembrou-se de todos os males com que tinha afligido o Egito e, querendo dar a esse povo um sinal inequívoco de seu perdão, envia para lá como remédio seu Filho, que devia curar as dez pragas de outros tempos; para que fosse custódio de seu Filho Único aquele [povo] que tinha sido perseguidor de seu povo escolhido; para fazer fieis servidores de Jesus aqueles que tinham sido tiranos dominadores de seu povo e fazê-los, dessa maneira, dignos não já das mortíferas águas do Mar Vermelho, mas sim das fontes vivificantes do batismo.”[17] Do ponto de vista de nosso estudo, porém, o caminho do Egito, no qual vemos entrar Maria Santíssima e São José, por causa de Nosso Senhor Jesus Cristo, é o caminho da perseguição, o caminho da incompatibilidade entre o serviço de Deus e o aplauso do mundo. São José e Maria Santíssima, ambos estão envolvidos no ódio que envolve o Menino. É para salvar a vida dEle que ambos têm que abandonar, rapidamente e sem hesitações, todas as demais coisas que – legitimamente, embora – amam sobre a terra: bens, pátria, família, trabalho. E é nesse sentido que este novo caminho de Maria Santíssima é, assim como o das montanhas da Judeia, o de Belém e o do Templo, modelo para o itinerário espiritual de todos os cristãos. Porque o ódio – e com ele a tentativa de destruição – é um aspecto fundamental com que terá de[L1]  defrontar-se todo aquele que procura seguir a Nosso Senhor e manter em sua alma, pela graça, a vida dEle. E assim como Nossa Senhora e São José abandonaram todo o resto para salvar a vida de Jesus, muitas vezes é necessário ao católico abandonar todas as coisas, todos os amores, mesmo os mais legítimos, para conservar em sua alma a vida divina, a vida da graça, a vida de Cristo em nós. Cristo foi perseguido até a morte e ninguém pode ser verdadeiro cristão e não sofrer perseguição, não ser odiado. O próprio Jesus o disse a seus apóstolos: Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós [...]. Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.[18] Nosso Senhor foi profundamente odiado em toda a sua vida e o ódio de seus inimigos de tal modo os cegava que não hesitaram em matá-lo através da condenação mais injusta; contra Nosso Senhor, tudo servia; nenhum meio era baixo demais, ignóbil demais, injusto demais. Mas a injustiça e gratuidade do ódio, embora sempre presentes, aparecem com uma peculiar agudeza neste episódio da fuga para o Egito. Fariseus e Doutores da Lei tinham por Nosso Senhor um ódio cego e injusto durante a vida pública de Nosso Senhor, mas podiam alegar o pretexto de ter Ele lhes lançado em face verdades muito duras. Podiam, além disso, cobrir sua corrupção e dureza de coração com a desculpa do zelo pela Lei e pelas tradições judaicas. Nada disso ocorre nesta primeira perseguição de Herodes. Aqui o ódio não tem desculpas nem véus. Nosso Senhor era odiado simplesmente por existir e ser o que era, o Messias prometido, o Verbo de Deus feito carne. O ódio de Herodes é o primeiro grito individual do brado coletivo que ecoará mais tarde junto ao Pretório: “Não temos outro rei senão César!”[19] Comenta o Padre Faber[20], ao tratar das dores de Nossa Senhora, que este evento é particularmente pungente, não apenas por esse aspecto, mas ainda porque esse ódio sem desculpa vem daqueles que são seus próximos, vindo do chefe do povo eleito. Foi Herodes quem deu a ordem de morte contra Jesus, mas foi “toda a cidade de Jerusalém” que ficou alarmada, juntamente com ele[21].  Foi “toda a cidade de Jerusalém” que se manteve indiferente, negligente e fria, mesmo diante da extraordinária narrativa dos Magos e da confirmação de que isso devia ocorrer em Belém, confirmação feita pelos sumos sacerdotes e escribas do povo que Herodes reuniu “para perguntar-lhes onde Cristo deveria nascer” . Onde devia encontrar o maior amor, em seu povo escolhido, que, em teoria o aguardava com ansiedade, Jesus encontrará apenas indiferença, frieza e ódio. Nosso Senhor é perseguido por seu povo e encontra refúgio entre os inimigos, entre os egípcios, os oponentes por antonomásia do povo eleito. Considera ainda o Oratoriano [L2] que neste episódio a Sagrada Família, e particularmente Jesus, estava, pela primeira vez, exposta à ferocidade dos homens, a mais cruel e implacável. Ele lembra que o próprio Davi, “cujo coração era segundo o coração de Deus”[22], quando teve que escolher entre ser castigado diretamente por Deus ou através do homens, escolhe a primeira alternativa, dizendo: “De toda a parte me vejo em grandes angústias, mas para mim é melhor cair nas mãos do Senhor, porque é de muita misericórdia do que nas mãos dos homens”[23]. A Sagrada Família não teve tal escolha. E a crueldade dos homens perseguirá Nosso Senhor até a morte, em sua própria pessoa ou nos membros do seu corpo místico, de que os Santos Inocentes, mortos no lugar de Jesus são as primícias. Assim, é com fatos análogos que devem contar os católicos. Muitas vezes, serão seus próximos seus maiores inimigos no que se refere à vida da graça. É entre aqueles que dizem e de quem se esperaria que lhes tivessem o maior amor que eles encontrarão a maior frieza e o maior ódio. Porque a grande, a mais essencial das divisões da sociedade não se faz nem pelas riquezas, nem pelo poder, nem pelo conhecimento. Todas essas divisões existem, mas são, de fato, superficiais. A grande divisão se faz pela adesão ou não a Deus e ao seu Cristo. Aspecto fundamental e, contudo, facilmente negligenciado por uma mentalidade falsamente católica que procura conciliar a Igreja com o mundo e a doutrina de Cristo com a doutrina de seus inimigos, erro contra o qual já São Paulo advertia os coríntios, prevenindo-os de que, embora vivendo no mundo, não podiam partilhar integralmente o modo de vida dos mundanos nem pretender viver entre os mundanos como um deles: Não vos conjugueis com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; E eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso. [24] É dessa incompatibilidade visceral entre o espírito de Cristo e o espírito do mundo que nasce a perseguição. E isso é tão essencial ao cristianismo, que os Padres da Igreja não deixam, unanimemente, de tratar do tema. São João Crisóstomo, comentando o Evangelho de São João que citamos acima[25], procura analisar as razões que levaram Nosso Senhor a dizer tais palavras aos discípulos, e afirma que elas não pretendem repreendê-los, mas animá-los, fazendo-os compreender que é por Jesus que sofrem, pois [...] como é sempre doloroso sofrer perseguição e ultrajes, Ele lhes prova que, longe de queixar-se, eles devem animar-se. “Se o mundo vos odeia, diz Ele, sabei que primeiro ele odiou a mim”, quer dizer, eu sei que o ódio é difícil de suportar, mas sofram-no por causa de mim.[26] Santo Agostinho expressa, de outro modo, a mesma ideia, ressaltando que a perseguição vem de nossa participação no corpo místico de Cristo: Por que, com efeito, os membros estariam acima de sua cabeça? Vós recusais fazer parte do corpo se não quereis sofrer o ódio do mundo com vosso chefe; ora, devemos sofrer pacientemente esse ódio para o cumprimento do preceito do amor, pois o mundo deve necessariamente [L3] odiar-nos ao ver que não queremos nada do que ele quer, como diz o Salvador: “Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que é dele”.[27] Assim, pois, dada a incompatibilidade de Cristo com o mundo, a perseguição[L4]  – a perseguição gratuita e inexorável – é inevitável e, ao mesmo tempo, extremamente honrosa e proveitosa para todo o cristão. Voltando, pois, ao caminho de Maria Santíssima, e de toda a Sagrada Família, diante da perseguição gratuita que lhes faz o mundo, que lições, de caráter geral, poderíamos tirar para nosso proveito espiritual, para procurar, como ensina São Luís de Montfort, andar nos mesmo caminhos que Nossa Senhora, imitando-a, na medida de nossa pequenez? Notemos que, em primeiro lugar, a Sagrada Família ouve com fé e prontidão de ação a voz do anjo que os adverte. É bem verdade que os anjos não têm o hábito de aparecer visivelmente para o comum dos fieis para adverti-los do que devem fazer nas perseguições e perigos. Mas aqui poderíamos fazer uma analogia com o que diz Abrãao ao rico epulão na parábola do pobre Lázaro: “Têm Moisés e os Profetas. Que os ouçam”[28]. Também nós, cristãos, temos, além de Moisés e dos Profetas, ainda mais preciosas, as palavras do Anjo do Grande Conselho[29], o próprio Verbo de Deus, que nos adverte que o seu reino “não é deste mundo”[30] e também que até “os cabelos” de nossas “cabeças estão contados[L5] ”[31]. Sendo assim, é preciso, para imitar a Virgem Santíssima, olhar, em primeiro lugar, para a perseguição com olhos sobrenaturais, confiando nas palavras do Anjo, com uma visão de fé, que vê as coisas sub species aeternitatis, ou seja, considerando-as do ponto de vista da vida eterna. O segundo passo, porém, é tomar todas as medidas práticas – simbolizadas no burro que sempre acompanha a Sagrada Família na iconografia da cena da fuga – para salvar a vida do Menino. Sim, porque o objetivo da perseguição é, da parte de Deus, que por isso a permite, o nosso fortalecimento, como afirma São Paulo: Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.[32] Porém, também o demônio tem uma intenção – diametralmente oposta à de Deus – quando promove a perseguição: a morte do Menino. Ou seja, fazer-nos perder a graça de Deus, seja pelo desespero, pelo ódio, pelo medo, pelo respeito humano ou por qualquer outra má paixão que nos venha a dominar. A ação do demônio ou de seus servos, que perseguem os filhos de Deus só existe porque é permitida por Deus para o bem e o progresso daqueles a quem ama. A intenção do demônio, porém, não é querida nem aprovada por Deus, como explica São Tomás em seu comentário do Livro de Jó: Notemos que o Senhor não diz: Que fazes? Onde estás? Mas: de onde vens? Pois os próprios eventos que os demônios provocam, provém por vezes da vontade divina que através deles pune os maus ou exercita os bons; mas a intenção dos demônios é sempre má e estranha a Deus. E, pois, ele se informa junto a Satã de onde ele vem, pois a intenção do demônio, de onde procede toda a sua ação é estranha a Deus.[33] Portanto, se Deus nos prova para aumentar em nós a graça, o diabo nos persegue – diretamente ou por via de outros – para nos roubar a graça. “Ronda continuamente, buscando a quem devorar”.[34] Assim, como fizeram Nossa Senhora e São José, diante da perseguição é preciso estar disposto a perder tudo – casa, trabalho, família, amigos – para não perder a graça divina. Porque, por fim, os católicos devem imitar a Sagrada Família aceitando viver numa espécie de exílio, como quem “está” num lugar a que não pertence. Como a Santa Família quando estava no Egito. “Estais no mundo, mas não sois do mundo”[35]. E, não sendo do mundo, não podem ter os costumes dos mundanos, assim como Jesus, Maria e José não adotaram os costumes dos egípcios. E isso, segundo São Luís de Montfort, em todos os detalhes da vida: É preciso não aderir às modas exteriores dos mundanos, seja nas roupas, seja nos móveis (sic!), seja nas casas, seja nas refeições e nos outros usos e ações da vida. Nolite conformare huic saeculo[36]. Essa prática é mais necessária do que se pensa.[37] Assim, agindo como Maria Santíssima e a Sagrada Família em sua fuga, ouvindo as palavras do Anjo, preparando bem nosso burrinhos, aceitando o exílio, tudo para salvar e fazer crescer em nós a vida da graça, compreenderemos profundamente as palavras de Nosso Senhor: Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. [38]

            São Paulo, 16 de fevereiro de 2013.

Ivone Fedeli



[1] MONTFORT, S. Luís Grignion de. Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria. no. 200.
[2] 2Tm 3, 12.
[3] Lc 1, 2.
[4] É de notar que, apesar de não fazer referência, como São Lucas, a uma anterior investigação, não faltavam a São Mateus informantes sobre a vida de Nosso Senhor anterior a seu encontro com Mateus, uma vez que este último viveu longamente em companhia de São Tiago, “primo irmão do Senhor” e de São Simão e São Judas Tadeu, filhos de Cleofas e sobrinhos de São José. Cfr. LANDUCCI, op. cit. p. 106, nota 1.
[5] Cf. SABOURIN, Leopold. Il Vengelo di Luca. Roma : Pontificia Università Gregoriana ; Casale Monferato : Piemme, 1989, p. 18.
[6] Mt, 1 e 2.
[7] LANDUCCI, op. cit. p. 106.
[8] Cfr. Mt 1, 1.
[9] TOMÁS DE AQUINO, Santo. Catena Aurea. Buenos Aires: Cursos de Cultura Católica, 1948. V. I, p. 3.
[10] Mt 1, 16.
[11] AMBRÓSIO DE MILÃO, Santo. Expositio Evangelii 3, 2; PL 15, 1589 apud STRAMARE, Tarcisio. San Giuseppe daí Padri dela Chiesa agli scrittori ecclesiastici fino a San Bernanrdo. Nápolis: EDI, 2009. p. 51.
[12] Cfr. MATOS SOARES, Bíblia Sagrada. São Paulo: Edições Paulinas, 1985. p. 1177
[13] Cfr. THIEDE, Carsten Peter. A testemunha ocular de Jesus. São Paulo: Imago, 1996.
[14] Mt 1, 22-23.
[15] Mt 2, 6.
[16] Os 11, 1.
[17] TOMÁS DE AQUINO, Santo. Op. cit. p. 61.
[18] Jo 15, 19-21.
[19] Jo 19, 15.
[20] Cfr. FABER, F. W. The foot of the cross – The sorrows of Mary. Rockford: Tan Books and Publishers Inc., 1979. p. 119
[21] Cfr. Mt 2, 3.
[22] ISm 13, 14.
[23] ICr 21, 13
[24] 2Cr 6, 14-18.
[25] Jo 15, 17-21.
[26] CRISÓSTOMO, S. João. Homilia 77 sobre Evangelho de São João. Apud TOMÁS DE AQUINO, Santo. Op. cit. p. 61.
[27] AGOSTINHO DE HIPONA, Santo.  Idem, ibidem.
[28] Lc 16, 19-21.
[29] Cfr. Is 9, 5
[30] Jo 18, 36.
[31] Cfr. Lc, 12, 7.
[32] Ro 5, 3-5
[33] TOMÁS DE AQUINO, Santo. Commentaire sur Job. 1, 6-12.
[34] Cfr. 1Pe 5, 8.
[36] Rm 12, 2.
[37] MONTFORT, S. Luís Grignion. O Amor da Sabedoria Eterna. [198]
[38] Mt 5, 10-12.

    Para citar este texto:
"Os Caminhos de Maria Santíssima – Quarta Parte"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/religiao/os-caminhos-de-maria-santissima-quarta-parte/
Online, 29/03/2017 às 10:18:06h