Religião

O espírita José Reis Chaves nega a Redenção de Jesus Cristo
Eder Moreira
     Em seus estarrecedores vídeos heréticos, José Reis Chaves não hesita em fabricar bizarras distorções dos textos da Bíblia Sagrada. Com suas garras mediúnicas, pretende coadunar a Palavra de Deus com a desvairada doutrina do espiritismo. E para obter “êxito” nessa descarada charlatanice, manipula arbitrariamente o livro divino que impiedosamente torna-se um brinquedinho nas terríveis mãos do discípulo de Allan Kardec.     
     Da sua cátedra de relinchos, José Chaves disse uma flagrante heresia contra a verdade irrefutável da Redenção de Cristo. Para o herege kardecista, Jesus não teria morrido no Calvário pelos pecadores. Isso seria mais uma invenção da Igreja Católica (Palestra
Ressurreição e Reencarnação, 6.11.2011).
     Para novamente denotar a ignorância do adversário, demonstraremos, pela Escritura Sagrada, o que Deus realmente ensinou sobre o Martírio de Cristo no Calvário.

     São Pedro, em sua primeira Epístola, ensina que Jesus morreu para redimir a humanidade:

Sabendo que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver recebida de vossos pais, não a preço de coisas corruptíveis, de ouro ou de prata, mas pelo precioso sangue de Cristo” (I Pedro I, 18-19).

     O próprio Cristo também ensinou essa Verdade:

É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas, e que seja rejeitado pelos anciãos, e pelos príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que seja morto, e ressuscite ao terceiro dia” (S. Luvas IX, 22).

Este cálice é o Novo Testamento em meu sangue, que será derramado por vós” (São Lucas XII, 20).

     É da boca de Jesus Cristo que aprendemos que Ele Encarnou e Morreu para consumar a Redenção. Por isso, quando já estava para entregar seu Espírito, Ele declarou: “Está consumado” (S. João XIX, 30).
     
Evidentemente, a Redenção de Cristo não dispensou o homem de suas obrigações. É preciso entender o sentido objetivo e o sentido subjetivo da redenção do Verbo de Deus.
     Pelo Sacrifício da Cruz, o Filho de Deus tornou possível a salvação da humanidade. Como Cristo é Deus, logo seus méritos são infinitamente suficientes para salvar todas as almas de todos os tempos. Nesse sentido objetivo que o sangue do Cordeiro foi derramado por todos. Mas, para que a salvação do calvário seja aplicada em cada indivíduo, é preciso receber o batismo e confessar os pecados, perseverando na Lei de Deus. Esse é o sentido subjetivo da Redenção de Nosso Senhor.
     
Expliquemos didaticamente ao herege José Reis.
     Imaginemos que toda a humanidade está contaminada por um vírus mortífero. Não existe cura, e todos estão condenados à morte. Contudo, surge um cientista que descobre o remédio para o vírus terrível. Mediante a essa descoberta, dizemos que o cientista salvou a humanidade da morte. Mas, evidentemente, só serão curados aqueles que aceitarem receber em seu corpo o remédio salvador.
     
Assim acontece com a Redenção de Cristo. Ao morrer, Jesus salvou a humanidade, permitindo que cada homem, por decisão pessoal, aceite o remédio espiritual proveniente de seu sangue derramado no Calvário.
     Nesse sentido elucida a sabedoria angélica:

Por ter precedido a paixão de Cristo como causa universal da remissão dos pecados [...] é necessário que seja aplicada em cada um para remissão dos pecados. E isto é feito pelo batismo, pela penitência e pelos demais sacramentos, que derivam seu poder da paixão de Cristo” (Santo Tomás de Aquino. Suma Teológica, Parte IIIa, Q. 49, a. 1).

     Insistindo no ataque a Redenção, José Reis apela para um sofisma burlesco, dizendo que não é coerente relacionar o perdão dos pecados ao horrendo pecado do assassinato de Cristo na Cruz. Em suma, a redenção do pecado não poderia ser fruto de um ato pecaminoso dos Judeus. O raciocínio parece brilhante, se não fosse claudicante.
     É indiscutível que a morte de Jesus decorreu de um pecado gravíssimo. Porém, assim como é possível retirar algum benefício de um mal causado, sem justificá-lo, assim também foi possível, sobretudo para Deus, proporcionar o excelente benefício da salvação, apesar do crime deliberadamente cometido pelos judeus.
     
O pecado dos judeus não anulou a redenção de Cristo, como erroneamente assevera o espírita ignorante. Ao contrário, deu ocasião para que o Filho de Deus demonstrasse sua irredutível obediência a Deus e sua imensa caridade pelos pecadores. Dessa forma, tendo em vista a dignidade infinita do Cordeiro, sua paixão não só foi suficiente para pagar pela culpa de todos os homens – incluindo daqueles que o crucificaram – mas também superabundante, como nos ensina a esplêndida Suma Teologia:
 

Cristo, ao padecer por caridade e por obediência, apresentou a Deus uma oferenda maior do que a exigida como recompensa por todas as ofensas do gênero humano. Primeiro, pela grandeza da caridade com que padecia. Segundo, pela dignidade de sua própria vida, oferecida como satisfação, posto que era a vida de Deus e do homem. Terceiro, pela universalidade de sua paixão e pela grandeza da dor assumida [...] por tal motivo, a paixão de Cristo não foi só uma satisfação suficiente, mas também superabundante pelos pecados do gênero humano” (Suma Teológica, Parte IIIa, Q. 48, a. 2). 

     Por essa razão, longe de comprometer a salvação universal, os pecados dos judeus que condenaram o Cristo também estavam incluídos na absolvição redentora do Verbo de Deus: 

A caridade de Cristo, ao padecer, foi maior que a malícia daqueles que lhe crucificaram. E por isso foi possível Cristo satisfazer mais com sua paixão do que puderam ofender e matar os que lhe crucificaram, enquanto que a paixão de Cristo foi suficiente e superabundante para satisfazer pelos pecados daqueles que lhe crucificaram” (Suma Teológica Parte, Parte IIIa, Q. 48, a.2).

     A realidade nos ensina que o mal pode dar ocasião para algum benefício mais elevado. Assim, dos perversos ensinos heréticos de José Reis Chaves, tivemos ocasião para realizar o incomparável bem do triunfo da verdade católica. De um mal causado retiramos um bem muito mais excelente. Assim também Deus, que é infinitamente bom, tirou o bem da salvação eterna do mal causado pelos judeus.
     
Mas objetará o kardecista dizendo que, se o pecado contribuiu para a salvação, logo os judeus não podem ser culpados pela morte de Cristo. Ora, se um ateu, imediatamente após ter sua vida poupada em um assalto, volta-se para Deus pedindo perdão por sua incredulidade, não resulta disso a inocência dos assaltantes e a libertação deles da prisão por ausência de culpabilidade. O fato de um mal dar ocasião para um bem, não significa a justificativa do mal praticado ou que ele é a causa do bem.
     A propósito, renegando a redenção de Cristo e concomitantemente sua Divindade, José Reis Chaves sucumbe em um dilema insolúvel.
     
O bom senso nos ensina que a gravidade do pecado é proporcional a dignidade da pessoa ofendida. Considerando a dignidade infinita de Deus, ao ofendê-lo, o homem contraiu uma culpa também infinita. Ora, o homem finito não poderia ter mérito infinito, por mais valoroso que fosse seu sacrifício ou boa ação. Com efeito, somente Deus infinito poderia satisfazer pela culpa infinita do homem.
     Para os espíritas, como José Reis, que rejeitam a divindade de Cristo, não resta outra solução, senão considerar cada homem divino e infinito. Mas, sendo o homem Deus, ele não seria susceptível de pecado. Logo não haveria karma e tampouco reencarnação.
     
Eis o dilema da contraditória doutrina do espiritismo: se recusam a redenção de Cristo, contradizem a reencarnação; se aceitam a redenção, também desqualificam a mentira da reencarnação.
     Qual seja a escolha, o espiritismo será sempre um conjunto herético de mentiras e contradições.
     
Para finalizar e confirmar a retidão da compreensão católica sobre a Redenção, recorremos ao ensinamento dos padres da Igreja, começando pelo ilustre Santo Inácio de Antioquia, discípulo direto de São Pedro e São Paulo.    

Eis o texto:

De nada me valerão os confins do mundo nem os remos deste século. Maravilhoso é para mim morrer por Jesus Cristo, mais do que reinar até aos confins da terra. A Ele é que procuro, que morreu por nós; quero Aquele que ressuscitou por nossa causa” (Carta aos Romanos, V)

     Portanto, temos a declaração de um bispo do século I, que conheceu os Apóstolos e aprendeu deles a doutrina de Jesus Cristo.
     
Santo Irineu de Lyon, discípulo de São Policarpo de Esmirna, Sagrado bispo pelo Apóstolo São João, também ensinava em favor da Redenção de Nosso Senhor:

Por isso, os apóstolos, verdadeira descendência de Abraão, deixaram a barca e o pai para seguir o Verbo de Deus. Por isso, nós também, com a mesma fé de Abraão, seguiremos o mesmo Verbo carregando a cruz como Isaac carregava a lenha. Em Abraão, com efeito, o homem aprendeu e se acostumou a seguir o Verbo de Deus. Abraão seguiu na sua fé a ordem do Verbo de Deus cedendo, na submissão, o filho único e amado em sacrifício a Deus para que Deus consentisse, em favor de toda a sua posteridade, em sacrificar o seu filho único e amado para a nossa redenção” (Adversus Haeresis, Livro IV, 5,4).

     Compondo o coro em defesa da doutrina católica, ensinou São Justino Romano:

Foi este que primeiramente apareceu a Moisés e aos outros profetas em forma de fogo ou por imagem incorpórea e aquele que agora, nos tempos de vosso império, como já dissemos, nasceu homem de uma virgem, conforme o desígnio do Pai. E pela salvação dos que nele crêem, quis ser desprezado e sofrer para, com sua morte e ressurreição, vencer a própria morte” (Apologia I, 63).

     Essa é a puríssima doutrina de Cristo e dos Apóstolos. Nela não encontramos qualquer vestígio da heresia de Kardec e seus plagiadores. 
     
Apesar do mal realizado por José Reis, fizemos o caridoso bem de refutá-lo. E terminamos mais essa resposta cientes de que as invenções do kardecista não passam de imbecilidades fraudulentas. Como sempre, não possuem fundamentação histórica, científica ou teológica.
     Viva Cristo-Deus, Redentor da Humanidade pelo Martírio da Cruz!

 

In Corde Jesu et Mariae!


10/04/2018

 

    Para citar este texto:
"O espírita José Reis Chaves nega a Redenção de Jesus Cristo"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/religiao/jr_redencao/
Online, 20/06/2018 às 08:45:58h