Religião

As heresias do Diplomado Espírita Carlos Torres Pastorinho
Eder Silva
“... assim também haverá entre vós falsos doutores que
introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas”
(II Pedro, II, 1).

     Dedicaremos uma séria de publicações contra as falácias de um pretenso filósofo-teólogo, disseminador dos erros do espiritismo. Neste primeiro artigo, refutaremos a inábil distorção de Carlos Torres Pastorinho em relação ao verbo “enviar”, relacionado à missão de São João Batista.   
     O presunçoso kardecista, confiante em sua análise deficiente, pretendeu corroborar a reencarnação na Bíblia a partir de um trecho do Evangelho de São João. O raciocínio do espírita consiste precisamente na declaração de que o precursor de Cristo foi enviado por Deus. Dessa informação verdadeira, deduziu, absurdamente, uma escandalosa mentira, alegando a pré-existência do espírito de Joao Batista, antes de sua concepção no seio de santa Isabel. 
     Vejamos nas próprias palavras do herege diplomado:
 
“Nos versículos 6 a 8, encontramos uma pequena intromissão, falando a respeito de João Batista: houve um homem, chamado João, ENVIADO por Deus. A dedução lógica é evidente: se ele foi ENVIADO, É porque já existia. Com efeito, o evangelista não diz: houve um homem CRIADO por DEUS mas ENVIADO por Deus... Observe-se: bem o sentido certo das palavras. Se foi enviado, É porque existia antes de nascer, e não apenas existia, como devia ser um espírito de rara inteligência, de grande elevação moral e de muito adiantamento espiritual, com profundo conhecimento da Luz, da qual devia dar testemunho. Deus o ENVIOU para que ele dissesse aos homens aquilo que ele conhecia, que havia visto, que podia testemunhar por experiência própria e direta” (Carlos Torres Pastorinho. Sabedoria do Evangelho. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1964, p.13).

     O argumento é evidentemente esdrúxulo. Mas analisaremos, com paciência, a fenomenal dedução de Torres Pastorinho.
     Qualquer aluno de filosofia – mesmo antes de ser um diplomado – compreende facilmente que, na hierarquia ontológica, o homem é um ser composto de corpo material e espírito racional. Por conseguinte, um corpo sem alma é tão somente um cadáver em putrefação, enquanto espírito separado do corpo é unicamente uma alma espiritual. 
     Pastorinho teria razão em sua ilógica conclusão, caso o evangelista tivesse dito que João Batista tinha um “espírito” enviado por Deus. No entanto, ao dizer que era um homem enviado, impossibilitou a herética interpretação reencarnacionista.   
Deus não enviou – transportou – um homem (corpo e alma) da eternidade espiritual para o mundo temporal. Se fosse assim, o corpo de João Batista não teria sido gerado no ventre materno. Por esse motivo, entende-se que, após vir ao mundo pela concepção, Deus então, no tempo oportuno, enviou o precursor do Messias para batizar no deserto, em especial o Cordeiro Imaculado. É a lógica explicação de São João Crisóstomo:
 
“Quando disse: ‘foi enviado’, não se refere ao seu ser, mas ao ministério que trazia. E assim como Isaías foi enviado desde o mundo [...] assim São João foi enviado desde o deserto para batizar. Por isso disse: ‘O que me enviou a batizar me disse: Sobre aquele que vires, etc” (apud Santo Tomás de Aquino. Catena Áurea. Comentário ao Evangelho de São João, I, 33). 
 
     Esse “enviado” também pode ter o significado de causa. Assim, São João Batista foi enviado no sentido de que seu nascimento foi obra da providência Divina e sua existência estava nos planos do Criador. 
     De modo análogo, quando agricultores afligidos por uma terrível seca recebem uma inesperada chuva, eles comemoram dizendo: esta chuva foi enviada por Deus. Outrossim, quando o nascimento de uma criança é motivo de grande alegria, os pais entusiasmados declaram: essa criança é um presente enviado por Deus. 
     Isso não significa que a criança foi enviada do além para o mundo físico, ou que a chuva de um determinado lugar foi transportada para a região seca dos agricultores. Quer dizer apenas que Deus é a providência do acontecimento. 
     Na própria Bíblia encontramos esse sentido do verbo em questão:
 
O Senhor também se deixou mover à vista da penitência de Job, quando orava pelos seus amigos. E o Senhor deu-lhe o duplo de tudo o que ele antes possuía. E foram ter com ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos os que antes o tinham conhecido, e comeram com ele em sua casa, e moveram sobre ele a cabeça (em sinal de terna compaixão), e consolaram-no de todas as tribulações que o Senhor lhe tinha enviado; e cada um deles deu-lhe uma ovelha e umas arrecadas de oiro” (Jó XLII, 10-11).

     Evidentemente Deus não fez um translado geográfico de sofrimentos. Jó padeceu tribulações porque assim permitiu a Sabedoria Divina. 
     A concepção de movimento ou mudança de lugar, também aplicável ao termo enviado, encontramo-la, com toda lógica, na profecia de Malaquias, a respeito da segunda vinda de Santo Elias:
 
"Vou mandar-vos (enviar) o profeta Elias, antes que venha o grande e temível dia do Senhor, e ele converterá o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para os pais, de sorte que não ferirei mais de interdito a terra." (Malaquias III, 23-24).
 
     Assevera o profeta Malaquias, que Elias será enviado antes do último julgamento do Senhor. Isso se refere ao segundo advento de Cristo. Ora, a revelação de Deus nos ensina que o Santo Profeta foi arrebatado aos Céus numa carruagem de fogo, sendo, portanto, preservado do falecimento. Nesse sentido, como Elias ainda encontra-se vivo, convém dizer que sua pessoa (corpo e alma) será enviada (transportada) por Deus antes do temível Dia do Senhor. 
     Nesse texto de Malaquias temos também a refutação de que São João Batista era Elias reencarnado. Ora, segundo a mentira kardecista, só reencarna aquele que desencarna. Mas Elias não desencarnou, Logo não poderia reencarnar. 
     Dedução Lógica!
     Empenhado em sua reflexão ilógica, Pastorinho ainda pretendeu sofismar descaradamente. Para o herege diplomado, uma negação da pré-existência do espírito só seria possível se João Batista tivesse sido “criado” e não “enviado” por Deus. Ora, o único homem (corpo e alma) de fato criado pela onipotência divina foi Adão e sua esposa Eva. Os demais, descendentes do primeiro casal, foram gerados, recebendo no momento da concepção, a alma criada por Deus. Então, somente o primeiro o homem e a primeira mulher foram completamente (corpo e alma) criados pela intervenção direta do Altíssimo. 
     Dizer que João Batista foi criado por Deus seria uma absurda contradição. Sua alma foi criada no momento da fecundação e seu corpo gerado a partir do sangue de Santa Isabel. Portanto, se o corpo foi gerado, sendo apenas a alma criada, não é lógico dizer que a pessoa de João Batista foi criada por Deus.
     Deus não é ilógico como os hereges do espiritismo. 
     Pastorinho, querendo posar de sábio espírita, cometeu um crasso erro em matéria filosófica. O Diplomado mais parece um aluno principiante de ensino fundamental. 
     Uma vergonha para os catedráticos de Filosofia.
     Em breve, novas refutações às heresias de Carlos Torres Pastorinho. 
 
In Corde Jesus et Mariae
Eder Silva
 

    Para citar este texto:
"As heresias do Diplomado Espírita Carlos Torres Pastorinho"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/religiao/heresias_tp/
Online, 23/10/2018 às 09:58:23h