Religião

DOM BOSCO
Padre José Zucchi

Transcrevemos para os nossos leitores o artigo da Revista “O Bom Pastor”, editada pelo Instituto do Bom Pastor da América Latina – IBP, de autoria do pe. José Zucchi e que analisa de forma rápida alguns aspectos da vida de Dom Bosco, especialmente alguns fatos do fim da sua vida e seu incansável trabalho apostólico.

 

DOM BOSCO

Padre José Zucchi

     As grandes cidades, em geral, por sua natureza, tornam as pessoas anônimas. Paris não é exceção a essa regra. Já há muito a cidade tem dimensões consideráveis e, apesar de ter sido visitada por inúmeros grandes personagens, estes, no mais das vezes, passaram desapercebidos diante da maior parte dos parisienses.  Não foi assim, entretanto com Dom Bosco no ano de 1883. Os grandes jornais da época noticiaram a sua vinda e fizeram a cobertura de sua estadia, mesmo em um tempo de anticlericalismo rompante, e uma quantidade de pessoas incontável, dos ilustres aos simples do povo, disputaram até fisicamente lugares em suas missas públicas, sermões e audiências privadas. A tal ponto se desejava vê-lo, que ele chegou a ser impedido uma vez de entrar em seu próprio gabinete, por uma multidão que se encontrava à porta do mesmo e que, não o conhecendo pessoalmente, temia que ele fosse um padre intruso que buscava evitar a fila de espera.

     Poucos anos depois o mesmo sucesso, talvez com uma intensidade ainda maior, ocorria em Barcelona: curas milagrosas, conversões e grandes obras caritativas eram frutos comuns das curtas entrevistas que Dom Bosco podia conceder e dos sermões que ele fazia com a sua voz já quase apagada pela idade.

     Apesar desse “sucesso” único que Dom Bosco obteve no fim da vida, de fato, aos olhos desse mundo, ele não tinha nascido para ser ilustre. Ele nasceu em uma família de camponeses do interior do Piemonte, em uma época em que as ideias liberais já começavam a suscitar as guerras que culminariam na unificação italiana e posteriormente nas guerras mundiais. Não era raro também que a fome se fizesse presente naquelas regiões. O menino Bosco teve ainda a tristeza de perder seu pai prematuramente, quando contava ainda somente dois anos de idade.

     Sua aptidão para o estudo foi bastante prematura, bem como sua vocação ao sacerdócio, que Deus lhe revelou em um “sonho” aos cinco anos. Nem por isso o seu caminho até o sacerdócio foi fácil. A oposição do irmão mais velho e o consequente atraso no início dos estudos, bem como a falta de recursos da família para pagar a pensão exigida no seminário, só puderam ser superadas por uma imensa dedicação e abnegação da parte de sua mãe Marguerita, disposta a tudo para fazer a vontade de Deus, e a dedicação total do menino João aos estudos aos quais ele se propunha.

     Impulsionado pelo grande senso do dever de estado e busca pela santidade, o seminarista Bosco será o primeiro em todos os seus anos de estudo. Assim plantará, durante esse período, sementes abundantes de vida intelectual e espiritual, que florescerão e darão fruto a seu tempo, especialmente quando, já fundador de sua congregação, não lhe restava mais tempo para estudar a fim de dar base a tudo aquilo que ele precisava produzir, e nem lhe restava mais muito tempo para dedicar à oração e a seu progresso espiritual.

     Os primeiros anos de padre o direcionaram, pouco a pouco, para aquilo que se tornaria em breve o centro de sua vida sacerdotal: a educação da juventude. Começando um dia por um jovem analfabeto, que tinha sido expulso de uma sacristia e cuja idade avançada dificultava a entrada em uma classe normal de catequese, logo Dom Bosco se vê cercado de jovens que ele reúne aos domingos nos chamados oratórios festivos e que são a cada semana mais numerosos. A impossibilidade de encontrar um lugar adequado para essas reuniões colocará por diversas vezes à prova a paciência e a confiança de Dom Bosco na Divina Providência. Mas sua fé será premiada e, uma vez encontrado o lugar fixo, auxiliado em suas decisões por revelações que o acompanharam ao longo de toda a vida, o crescimento de sua obra será algo inédito.

     Não faltaram dificuldade e oposições tanto das autoridades civis como eclesiásticas. Entretanto, em alguns anos os oratórios de domingo se transformaram na Congregação Salesiana, dedicada integralmente à educação dos jovens. Pouco depois, seria fundada também a Congregação das Irmãs de Maria Auxiliadora, inspiradas e dirigidas por Dom Bosco e que seria o ramo feminino dos salesianos, dedicada à educação das jovens. Com Dom Bosco ainda vivo, os salesianos e salesianas já terão se expandido por vários países, inclusive o Brasil, e terão fundados inúmeros colégios e igrejas, das quais o Santuário da Maria Auxiliadora em Turim é o melhor modelo.

     Será principalmente para conseguir sustentar tantas obras que, já velho e com as forças esgotadas, Dom Bosco fará as grandes viagens apostólicas das quais falamos no começo. Sua grande arma foi sempre a devoção confiante à Maria Auxiliadora e a devoção à Eucaristia. Nossa boa Mãe o recompensava com inúmeros milagres e conversões, a tal ponto que sua fama de santidade, enquanto ele ainda vivia, já tinha se espalhado pelo mundo todo e sua morte foi noticiada e sentida em todos os grandes jornais católicos da época.

     Dom Lemoyne, autor do livro “Dom Bosco” editado há poucos anos pela primeira vez em português, foi cronista oficial dos salesianos e conheceu de perto por vários anos Dom Bosco e seus primeiros companheiros. A riqueza e a vivacidade do seu testemunho e o seu estilo agradável e, sobretudo, a beleza dessa vida entregue desde o princípio ao cumprimento da vontade de Deus, tornam esse livro um verdadeiro tesouro hagiográfico, longo (1200 páginas divididas em dois volumes), mas que vale muitíssimo a pena ser lido.

     “Um padre é sempre um padre, e como tal ele deve manifestar-se em todas as suas palavras. Ora, ser padre significa, obrigatória e continuadamente, ter em vista o grande interesse de Deus, isto é, a salvação das almas. Um sacerdote jamais deve permitir que alguém se aproxime dele e vá embora sem ter ouvido uma palavra que manifeste o desejo da salvação eterna de sua alma!”

(Dom Bosco)

Fonte: http://ibpamericalatina.org/pt-br/noticias/item/357-revista-o-bom-pastor-n-01

 


    Para citar este texto:
"DOM BOSCO"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/religiao/dombosco062020/
Online, 27/09/2020 às 04:16:15h