Religião

Disputationes Theologicae - parte 3
IBP

 
Apresentamos aos leitores do site Montfort a tradução do artigo do Padre Claude Barthe sobre os debatedores do Vaticano nas tratativas com a FSSPX a respeito das correções dos textos do Concílio Vaticano II, em que cabe evidentemente ao Papa a decisão final sobre os pontos do Concílio julgados não harmônicos com a doutrina católica, pontos esses que causaram a grave crise atual da Igreja.
 
Salientamos que publicamos esse artigo, como aliás outros, a título informativo, não significando que concordemos com tudo o que nele está expresso. Aliás o autor – Padre Barthe — faz questão de frisar que assume pessoalmente e particularmente a responsabilidade pelo que afirma.
 

 
 
DISPUTATIONES THEOLOGICAE
 
Segunda Feira 7 de Setembro de 2009
 
Discussões Roma / FSSPX – Um ponto de vista teológico -
 
Podemos interrogar-nos sobre a eficácia real das "disputae theologicae" e sobre os limites efetivos do debate sobre o Concílio Vaticano II, que parece comportar, ainda hoje, um certo número de tabus insuperáveis. Mas não se pode negar que a personalidade de um Papa "universitário” tenha engajado a discussão teológica numa perspectiva de pesquisa da Verdade menos submissa aos preconceitos que anos atrás. É preciso notar todavia que, em contrapartida, um pessimismo crônico de uma certa faixa do mundo tradicional parece querer fechar os olhos ante a abertura intelectual que se anuncia no horizonte.
 
O Abbé Barthe, já conhecido de nossos leitores por sua intervenção sobre o Magistério ordinário infalível, delimita aqui o quadro de uma tal abertura entre os teólogos do Vaticano, que permite perceber reais perspectivas de aprofundamento sobre os problemas teológicos maiores. Em particular, ele evidencia a disponibilidade da Santa Sé de ouvirr as objeções relativas a certas passagens do Concílio Vaticano II, qualquer que seja a origem dessas objeções: teólogos da escola romana ou mesmo membros da Fraternidade São Pio X. À busca da Verdade não se impõem limites a priori.
No conjunto, o quadro desenhado por essa nova abertura é o de um clima de pesquisa encorajador, que parece ter abandonado o estéril espírito de dialética hegeliano que pretende deixar cada um em "sua" verdade, para abordar a discussão  no espírito de uma verdadeira "disputatio theologica"  chegando à única verdade que as duas partes devem abraçar: o objetivo é, no limite do possível, chegar a uma real solução dos problemas. A Verdade não pertence a uns ou a outros, a Verdade deve ser de todos e para todos.
 
A perspectiva visada aqui pelo Abbé Barthe se revela de um interesse particular, na medida em que traça os contornos reais do debate, e põe em evidência, hoje, o único modo de encará-lo.
 
 
 
 
 
 
As discussões entre a Santa-Sé e a FSSPX:
 
o Concílio sob o risco da interpretação de Mons. Gherardini
 
pelo Abbé Claude BARTHE
 
 
 
O ponto de partida de meu atual artigo – cujas reflexões, bem entendido, só comprometem a mim– é minha leitura no último número de La Nef (Setembro de 2009, p. 21), de uma entrevista do P. Manelli, superior dos Franciscanos da Imaculada, com Christophe Geffroy e Jacques de Guillebon. O P. Manelli declara: «Ele [o Papa] procura evitar rupturas, notadamente na recepção do Concílio Vaticano II – é a famosa “hermenêutica da reforma na continuidade". Todavia podem existir descontinuidades, em pontos precisos, no Concílio. Isso nada teria de escandaloso, porque o Concílio se  quis "pastoral", pode haver nele “erros”, que o Papa pode corrigir, como Mons. Gherardini demonstrou, num estudo que publicamos, e que será logo traduzido para o francês».
 
Tais declarações, novas, não em seu fundo, mas na clara segurança com que são agora formuladas, são, com efeito, como cristalizadas pela «linha hermenêutica» que representa Mons. Brunero Gherardini [1], à que Disputatriones theologicae deu amplo eco [2]. Ela reativa, renovando-a substancialmente, a posição da minoria – minoria da qual não se pode esquecer a importância do papel que teve na elaboração de textos de transição, ou dito de modo mais polêmico de ambiguïdade – a saber em resumo: um certo número de pontos do Vaticano II são suscetíveis, não só de precisões, mas também, eventualmente, de futuras correções.
 
Dito de outro modo, Mons. Nicola Bux, voz muito ouvida na Congregação para a Doutrina da Fé, declarava à agência Fides em 29 de Janeiro de 2009: «Constatou-se que não havia diferenças doutrinárias substanciais, e que o Concílio Vaticano II, cujos Decretos foram assinados por Sua Excia. Mons. Marcel Lefebvre, não podia ser separado da inteira Tradição da Igreja. Num espírito de compreensão, é preciso em seguida tolerar e corrigir os erros marginais. As divergências antigas ou mais recentes, graças à ação do Espírito Santo, serão resolvidos graças à purificação dos corações, à  capacidade de perdão, e à vontade de superá-los definitivamente ».
 
Nesse contexto de liberdade teológica e de fervura de sadias disputas, das quais este site quer participar, as futuras conversações  doutrinárias evocadas implicitamente por Nicola Bux, que logo vão ser  abertas entre teólogos representando a Congregação da Doutrina da Fé e teólogos representando a Fraternidade São-Pio-X, deveriam logicamente fazer avançar as coisas. Em todo caso, é o que se pode pensar, tendo em conta a qualidade dos três teólogos, todos os três consultores da Congregação da Doutrina da Fé, que deveriam participar dessas discussões, do lado da Santa-Sé (na medida em que as informações concernentes a essas nomeações sejam bem exatas e sendo evidente que a «equipe» assim constituída pode ser modificada, reduzida ou aumentada), sob a batuta de Mons. Guido Pozzo, novo secretário da Comissão Ecclesia Dei.
 
        Qual o grau de autoridade dos pontos que criam dificuldades no Vaticano II ?
 
        De Mons. Pozzo, que ensinou de modo bem clássico na Universidade do Latrão, Le Figaro de 8 de Julho citava estas palavras: «O ponto fraco da Igreja é sua identidade católica frequentemente pouco clara», acrescentando:«Não é renunciando à sua própria identidade que a Igreja se colocará em melhores condições para dialogar com o mundo, é extamente o oposto», para, enfim, concluir: «Precisamos sair dessa ilusão otimista, quase irênica, que caracterizou o pós Concílio». Ele é, entre outros, um especialista do que se chamam as «notas teológicas» (valor normativo que se podem atribuir aos textos doutrinários), de modo que as discussões não poderão evitar de tratar da normatividade das asserções discutidas, de seu valor contextual, da eventual ausência de toda obrigação de fé que elas comportam[3]. 
 
O P. Charles Morerod, novo Secretário da Comissão teológica internacional, que deveria participar dessas discussões, é um dominicano suíço que fez sua tese sobre Lutero e Cajetano. Ele é decano da Faculdade de Filosofia da Universidade São-Tomás de Aquino, o Angelicum de Roma, redator da edição francesa da revista Nova e Vetera. A pedido da Congregação da Doutrina da Fé, ele trabalhou muito na questão do anglicanismo. Ele é próximo do Cardeal Cottier, goza da total confiança do Secretário de Estado, antes Secretário do Santo-Ofício e do próprio Papa.
 
Em sua importante bibliografia pode-se citar: Tradição e Unidade dos Cristãos, O dogma como condição de possibilidade do Ecumenismo [4];Ecumenismo e Filosofia, Questões Filosóficas para Renovar o Diálogo [5].
 
É já notoriamente conhecido que o P. Morerod participou de conversações doutrinárias com membros da FSSPX, que poder-se-iam qualificar de preliminares. Numa reunião pública realizada no quadro do Grec (Grupo de Encontros entre católicos), em São-Philippe-do-Roule, em Paris, em 26 de Fevereiro de 2008, quando ele  debateu com o abbé Grégoire Célier, da FSSPX, sobre o tema: «Revisar e/ou interpretar certas passagens do Vaticano II ?», os dois oradores tendo chegado a uma convergência muito interessante. O P. Morerod explicava que lhe parecia:
 1°/ que a possibilidade de uma recepção do Vaticano II «que se fundamentasse muito fortemente sobre o estado do Magistério anterior» poderia perfeitamente se dar na Igreja, parecia-lhe, sob a condição de  que essa interpretação não fosse um repúdio do Vaticano II;
2°/ e que podia ser admitida a não-confissão de certos pontos do Vaticano II, com «uma certa exigência de respeito» do ensinamento «oficial» do Vaticano II.
 
        Precisões interpretativas com gosto de inacabado
 
        O P. Karl Josef Becker, jesuíta que também deveria participar dessas discussões, nasceu em 1928, teólogo muito estimado por Bento XVI, foi professor convidado da Faculdade de Teologia da Universidade gregoriana (ele ensinou principalmente Teologia Sacramental, e escreveu sobre a justificação, a eclesiologia). Ele publicou um artigo aparecido no Osservatore Romano do 5 Dezembro de 2006 [6], no  qual todo o mundo viu uma aplicação do discurso do Papa de Dezembro de 2005, e que lembrarei mais adiante. Ele aí defendia que o subsistit in do n. 8 da Lumen gentium (a Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica) não quer dizer senão que o tradicional: é (a Igreja de Cristo é pura e simplesmente a Igreja Católica). E mesmo, conforme a releitura muito voluntarista do P. Becker, o subsistit in seria destinado a reforçar o é, de onde resultaria, considerava ele, visando a parte do ecumenismo conciliar que é o mais difícil de fazer concordar com a Doutrina tradicional, que a eclesialidade parcial das Igrejas separadas é muito duvidosa[7].
 
        Fernando Ocáriz, o terceiro teólogo que deveria igualmente fazer parte da equipe Pozzo, para participar nesses debates teológicos, nascido em 1944, vigário geral do Opus Dei, ensinou na Universidade Pontifícia da  Santa-Cruz, é o autor de obras muito numerosas.
 
Sua designação seguramen se deve a seu interesse pela questão da interpretação homogênea da declaração sobre a liberdade religiosa, Dignitatis humanae, a propósito do ponto mais sensível – a aparente substituição da Doutrina da tolerância pela da liberdade em matéria de "direito público da Igreja" [8] – sobre a qual ele mesmo escreveu [9], ou sobre a qual ele dirigiu teses estudantis. Aliás, pode-se sem grande risco afirmar que ele está muito ligado à formulação, que se poderia qualificar de transacional da liberdade religiosa no Catecismo da Igreja católica [10].
        Quanto ao Padre Charles Morerod, levou-se em conta a parte importante que ele teve nos trabalhos da Comissão Católica Internacional Romano-Anglicana (ARCIC) e demonstroo em Ecumenismo e Filosofia -- Questões Filosóficas para renovar o diálogo [11] que um diálogo ecumênico sério deveria integrar-se com esclarecimentos sobre os pressupostos filosóficos das posições teológicas dos cristãos separados, pressupostos que podem explicar largamente sua incompreensão dos dogmas da Igreja. 
Mas é principalmente seu livro Tradição e Unidade dos Cristãos -- O dogma como condição de possibilidade do ecumenismo [12] que merece uma particular atenção pelo tema que nos interessa. Essa obra representa um considerável esforço de interpretação tradicional do ecumenismo levado a um grau muito elevado de acuidade e de agilidade, pois que não visa nada menos que a mostrar como o dogma católico, em geral, e o da infalibilidade pontifícia, em particular, são… os motores mais eficazes do ecumenismo. Demonstração paradoxal (paradoxal, na medida em que se considera comumente, para se alegar com isso ou para o lamentar, que o ecumenismo procura atenuar as arestas dogmáticas da Doutrina católica). Ora, o paradoxo se redobra quando a pia interpretatio do sábio dominicano faz uma leitura tomista de um ponto de vista frequentemente criticado no texto conciliar, a «hierarquia  das verdades».
 
Segundo ele, se se concede aos separados que, dos dois lados. houve má compreensão das respectivas posições, será preciso produzir, no final, alguma fórmula obrigatória para todos – dito doutro modo, um dogma – que manifestará que, doravante, se compreende perfeitamente e que se está univocamente de acordo, exprimindo a fé recebida dos Ap[ostolos. Concernente ao decreto conciliar sobre o ecumenismo, no n. 11 § 3 [13], ele lembra que a tradição católica, notadamente pela boca de São Tomás,  sempre afirmou que a recusa em crer qualquer artigo de fé redunda em recusar a autoridade de Deus, de quem depende a fé, e aniquila por isso mesmo o motivo de crer, e, portanto, pulverisa a fé. Entretanto, como o expõe também São Tomás, o conjunto das verdades que se devem crer se organisa conforme uma certa ordem, que náo suprime de modo algum a importância de cada artigo. O P. Morerod explica, que entendida assim, a «hierarquia das verdades» fundamentalmente não é senão  um outro método de catequese elementar para explicitar, por exemplo, a Maternidade divina a partir da Encarnação, um meio pedagógico de levar à fé católica àqueles que se afastaram dela.
 
                Um novo contexto teológico e suas virtualidades
 
        As demonstrações em forma de precisões dos PP. Becker, Ocáriz, Morerod, e de muitos outros ainda, são muito sedutoras. O problema é que exatamente elas se tornaram  necessárias porque os textos concernidos (naquilo que evoquei: o n. 8 da Lumen gentium, o n. 2 da Dignitatis humanae, o n. 11 da Unitatis redintegratio, mas existem outros pontos de dificuldade [14]) não contém essas precisões que teriam evitado todas interpretações extraviantes [15].
Mais genericamente, não é essa a grande difficuldade que levanta tal ou tal asserção do Vaticano II, a saber a de ter tido o efeito do que se poderia qualificar de um «re-embrulhamento» do dogma (para aludir à teoria do «desembrulhamneto» que representa, segundo o Cardeal Journet, a função dogmática) ?
Mas antes, é preciso notar que o fenômeno desencadeado pelo discurso dirigido em  22 de Dezembro de 2005 por um Papa teólogo, Bento XVI, à Cúria romana, sobre a boa interpretação do Vaticano II, se situa numa fase histórica de «retorno ao dogma» particularmente interessante. De resto, poder-se-ia defender que o exercício de seu cargo de Prefeito da Congregação para a Doutrina da fé, especialmente de 1985 (publicação do Entrevista sobre a fé) em 2005,  constituiu uma espécie de pré-pontificado de reinterpretação e de enquadramento dos pontos sensíveis do Vaticano II.
 
No limite, o que se diz e escreve, hoje, livremente um pouco por toda a parte, era perfeitamente conhecido: a saber que a autoridade das passagens do Vaticano II que aparecem ou que parecem, prout sonant, não se conciliar com afirmações dogmáticas anteriores, nada tinham  de dogmáticas. Da mesma forma, poder-se-ia dizer que as reinterpretaçõess em forma de precisões ortodoxas dessas passagens que se multiplicam, hoje, sob penas muito autorizadas sempre existiram. Mas é permitido notar que essas duas vias conjugadas, que adquirem hoje um caráter quase oficial, ficam até um certo ponto insatisfatórias: a primeira via (a da não-infaillibilidade dos pontos contestados), porque ela é puramente negativa, e não regra o fundo do debate; a segunda (a reinterpretação tomista desss pontos), porque ela parece relativamente artificial ou que ela é, em todo caso, evidentemente a posteriori.
 
Mas, da mesma forma que na vida espiritual a ascenção às vias místicas não pode evitar as purificações ascéticas, todo o fervilhar atual desencadeado ou ativado pelo discurso teológico libertador de 2005 tem um valor preparatório a longo termo – e sem dúvida a muito longo termo – indispensável. Ser-me-á permitido dizer que a situação magisterial presente (falo aqui sempre, e unicamente, dos pontos sensíveis do Vaticano II, e de nenhum modo dos avanços indiscutíveis desse Concílio, como o decreto Ad gentes, e, na minha opinião a constitução Dei Verbum) é bastante inédita na história dos dogmas. Não se trata, como classicamente, de heresias externas e condenações internas, mas de fluidos doutrinários internos e de rejeição (até agora) no exterior de sua contestação. Está-se em presença de uma crise que se assemelha, se se quer, a uma crise – muito tardia, é verdade – de adolescência, na qual o melhor e o pior se misturam para alcançar uma maturidade.   
 
O pior de tudo seria ficar no meio do vau– por exemplo: Unitatis redintegratio não assinala fim claramente preciso em termos dogmáticos ao ecumenismo. O melhor está na matéria nova que  emergiu -- falo sempre a  título pessoal –, e que faz com que, não desagrade aos que quereriam retornar a um statu quo ante, é impossível pretender, por exemplo, deletar o ecumenismo do ensino da Igreja. Mais exatamente, será preciso, ao fim de um trabalho teológico que certamente não cessou nunca, há 40 anos, mas ao qual um Papa teólogo permite um desenvolvimento livre e inesperado, fazer do ecumenismo um ensinamento da Igreja como tal. As dificuldades desses textos que chamo “de adolescência» (pois que de todo lado me criticaram a designação de «magistério inacabado») podem ser então compreendidos como  questionamentos.
 
Eu me explico aprofundando esse exemplo do ecumenismo. Lendo o n.3 da Unitatis redintegratio, pode-se compreender esse texto como o reconhecimento tradicional da existência de elementos da Igreja católica, tais como o batismo, a Sagrada Escritura, por vezes a ordem, no seio de comunidades separadas: «Entre os elementos ou os bens por meio dos quais a Igreja se constrói e é vivificada, vários e mesmo muitos e de grande valor, podem existir fora dos limites visíveis da Igreja Católica». Mas a Unitatis redintegratio acrescenta, o que traz uma considerável dificuldade, uma certa legitimação eclesial dessas comunidades separadas como tais: «En consequência, essas igrejas e comunidades separadas, se bem que cremos terem deficiências, não são, de modo algum, desprovidas de significação e de valor no mistério da salvação. O Espírito de Cristo, com efeito, não recusa servir-se delas como meios de salvação, cuja força deriva da plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja Católica». Os termos do texto parecem pois dizer que, enquanto separadas, essas igrejas seriam «relais» da Igreja Católica. O que estaria, se tal fosse a verdadeira interpretação, em ruptura com o ensinamento anterior. 
 
E entretanto, é forçoso convir que se – conforme à Doutrina tradicional – separados de boa fé alcançam a salvação por esses elementos católicos que se acham, de fato, em suas comunidades, não é o pertencer, em concreto, a essas comunidades separadas que pode (no mistério insondável de Deus) lhes dar esses elementos católicos salutares. Ao mesmo tempo, é verdade que este pertêncer é também o principal obstáculo objetivo a seu retorno à unidade da Igreja. É claro que o dogma do passado não integrou explicitamente esse fato de que os elementos católicos que existem nessas comunidades separadas podem ser instrumentos da graça para cristãos separados de boa fé. E, portanto, de sua eventual ligação in voto à Igreja de Pedro, nem que eles estão à espera de serem revivificados pelo retorno à Igreja Católica dos cristãos separados que se beneficiam disso. (O que não pretendo, de modo algum, justificar em poucas linhas). Como se o «questionamento» do n. 3 da Unitatis redintegratio testemunhasse dois tipos de insuficiências, uma pelo passado, que dizia pouco demais, e o outro pelo presente, que em troca diz demais.
 
                                                        Abbé Claude Barthe
 
[Tradução e destaques Montfort. Texto original em francês no site Disputationes Theologicae]

    Para citar este texto:
"Disputationes Theologicae - parte 3"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/religiao/disputationes-theologicae_p3/
Online, 21/08/2017 às 20:51:37h