Política e Sociedade

Sobre as surpreendentes manifestações: Não há nada de oculto que não venha a ser revelado
Alberto Zucchi
 

Se eu desse crédito ao noticiário de hoje dos mais diversos meios de comunicação, acreditaria  que sou o único paulistano e, quem sabe, o único brasileiro a ser contra as manifestações.  Não que isto me incomode, pois a multidão gritou Barrabás. Seria manifestar essa oposição uma imprudência de minha parte, uma vez que até a poderosa Rede Globo se curvou aos manifestantes, justificando em editorial suas imagens e escondendo seus repórteres? A nossa liberdade de expressão termina quando começa a dos manifestantes. E será que alguém se incomoda com aquilo que pensamos ou escrevemos? Não nos esqueçamos de que até a Unisinos, representante dos dinossauros da Teologia da Libertação, acompanha e cita nosso site. Ou pior ainda, seria uma injustiça própria do “espírito crítico”  da Montfort? Já posso ouvir os críticos de nosso “espírito crítico” afirmando que somente pessoas ultrapassadas, com uma mentalidade muito reacionária, podem se colocar contra uma revolta pela alta tarifa dos ônibus, pelas deploráveis condições de vida a que os brasileiros são submetidos, em razão da corrupção dos partidos políticos, ou ainda dos absurdos gastos com a Copa. Como sempre, nos é colocado um falso dilema, uma vez que ser contrário às manifestações não significa ser conivente com os erros por elas apontados. Neste site, por exemplo, sempre lembramos que os católicos estão impedidos de votar nos partidos socialistas, que hoje ocupam a grande maioria dos cargos públicos, sob pena de excomunhão. Em privado, uma vez que este não é um assunto de nosso site, sempre critiquei os absurdos gastos da Copa, e também por isto fui considerado reacionário e intransigente. Entretanto, nada garante que estes realmente sejam os objetivos destas manifestações.  Alguns temas tão ou mais importantes do que os levantados na manifestação e que afligem o povo brasileiro foram esquecidos. Por exemplo, a redução da maioridade penal, tão combatida pelas esquerdas. E porque afirmo que os objetivos não estão claros? Porque as lideranças deste movimento não são conhecidas. Como ensina São Tomás de Aquino, o que dá forma a uma instituição é a autoridade. Sem autoridade não há, portanto, um movimento. Logo, se há movimento há autoridade, ainda que oculta. E por que essa autoridade se ocultaria? Certamente não por humildade! É então, mais do que razoável, supor que se ocultam para esconder seus reais objetivos. Uma professora de Direito da USP, conhecedora dos corredores da Faculdade e vizinha da irmandade franciscana, ou seja, nada suspeita, afirmou: “Eu, por amar todos os meus alunos, os que concordam e os que não concordam comigo, estou bastante preocupada com essas forças ocultas, que manipulam nossos jovens marxistas de twitter.” (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/exclusivo-relato-de-uma-uspiana-muito-estranha-ou-o-territorio-livre-se-encontra-com-o-construtivismo-na-terra-do-nunca/) Mas por mais que se procure ocultar, um vislumbre das reais lideranças sempre acaba por aparecer. Vejamos se isto já ocorreu. Tudo começou com uma baderna na Avenida Paulista, condenada pela população, pelos políticos e pela imprensa. O problema era somente a tarifa do ônibus. De um momento para o outro tudo mudou. A partir das manifestações da última quinta-feira, houve unanimidade de que a polícia agiu com excesso de violência. Uma repórter teve um hematoma no olho, alguns transeuntes ficaram assustados porque a polícia atacou pessoas que não estavam ligadas à manifestação,  e muitas pessoas foram detidas. A partir de então houve uma reviravolta. A manifestação passou a ser considerada pacífica e com motivos que uniriam toda a população. A baderna foi atribuída a alguns infiltrados, devendo se compreender que não é possível controlar tanta gente. Começou-se a falar em “dia histórico”.  O número de participantes das manifestações não parava de crescer mesmo após o seu encerramento. Os próprios governantes criticados se manifestavam a favor da manifestação, como se o problema não fosse com eles. O ex-presidente Lula comunicou que era necessário atender às reivindicações, como se não fosse ele o responsável pela eleição de seu pupilo Hadad. A presidente Dilma elogiou o movimento pelo fortalecimento da Democracia, esquecendo-se da invasão da Câmara dos Deputados. O governador do Rio Grande Sul, Tarso Genro, afirmou que a manifestação devia ser apoiada e, por isto, a Assembleia Legislativa de Porto Alegre foi transformada na casa da sogra. O Governo de São Paulo mudou de tática. Os lideres do movimento foram convidados para uma reunião na Secretaria da Segurança Pública para negociação. O governo então ajoelhado pediu o mínimo possível: que não houvesse pessoas mascaradas, que o trajeto fosse previamente definido e que a Avenida Paulista não fosse interditada devido ao grande número de hospitais na região. Decidida e sem qualquer temor, a líder Mayara Vivian recusou tudo.  Para ela, negociar é impor aquilo que o movimento deseja. A única alternativa para a manifestação não ocorrer seria a imediata redução das passagens.  O Governador se apressou em afirmar que o encontro tinha sido muito bom, e que a polícia não agiria. Só faltou convocar o funcionalismo público para participar das manifestações. O tal MPL possui em seus quadros jornalistas e professores da USP, mas Mayara Vivian foi escolhida como negociadora. Ela se recusou a dar uma entrevista coletiva. Prestou apenas algumas informações. O movimento não tem lideres, há um revezamento de funções. Ela não sabia quantas tatuagens possuía no corpo. Ela é garçonete durante o dia e à noite organiza manifestações das quais participam milhares de pessoas. No nosso tempo tem gente que acredita em duendes e horoscopo. Não é difícil também achar quem acredite nas informações de Mayara. É possível um movimento tão determinado, demonstrando grande experiência em agitações de rua e com tal amplitude no Brasil ser organizado desta forma? Soube através do rádio que a reunião na Secretaria de Segurança pública havia começado. A repórter informou a presença do MPL e de representantes da Igreja Católica. Fiquei surpreso. O representante da Igreja Católica em São Paulo é Dom Odilo. Estaria ele na reunião? Algum tempo depois procurei na Internet. Não se falava da Igreja Católica, mas de movimentos sociais: Resistência Urbana, Pastoral dos Povos da Rua, Educafro. Uma rápida pesquisa na internet pode indicar talvez, os líderes ocultos desta manifestação. A “Resistência Urbana” é um movimento comunista. É claro que eles não se afirmam como tal. Há um manifesto na página do movimento na Internet. Vejamos alguns trechos: “É preciso organizá-los [os trabalhadores] para a luta, é preciso trazê-los a construção de uma sociedade diferente, onde todos possam viver com dignidade. A RESISTÊNCIA URBANA – Frente Nacional de Movimentos pretende ser um instrumento para contribuir na construção desta nova sociedade, socialista. A busca do socialismo é, portanto, nossa perspectiva mais fundamental”. O objetivo, portanto, é construção de uma nova sociedade, socialista. E qual o método para atingir este fim? “E que nosso desafio é estimular e desenvolver lutas que não estejam limitadas a uma única demanda específica dos trabalhadores – seja ela a moradia, infraestrutura, trabalho ou qualquer outra. Buscamos articular e unificar todo um conjunto de demandas do povo pobre das periferias urbanas, a partir do princípio da unidade de classe”. É a luta buscando unir uma série de demandas sem nada de muito específico. Não há o que negociar. É necessário se impor à sociedade. Não se fala de eleições. E ao final do manifesto lê-se: “Fazer do povo submisso um povo insurgente, fundir os muitos córregos numa torrente”. Ao menos nas aparências informadas pela imprensa, parece que eles começam a atingir seus objetivos. Apesar da forte decisão em relação aos princípios, este tipo de associação parece bem com os comunistas da FFLCH: muita conversa e pouca ação. Como então explicar as experientes ações do movimento? O segundo grupo que participou da reunião é a Pastoral do Povo de Rua. A informação jornalística não foi precisa. Trata-se do Vicariato do Povo de Rua. Um Vicariato difere de uma pastoral porque oficialmente representa o Bispo. É um vigário do Bispo. Quem dirige o vicariato é o Padre Júlio Lancelotti. Desde o processo que Padre Júlio moveu por chantagem, no qual o acusado revidou afirmando que Padre Júlio o molestava, não se ouvia mais falar do Padre Júlio. Todo processo ocorreu em segredo de justiça. O fato é que o acusado foi absolvido. Algumas notícias de sites simpáticos a padre Júlio afirmam que houve um novo processo devido a uma nova chantagem. Mas também isto não está claro nem foi divulgado. Mas, depois de tanto tempo, o Padre Júlio volta a marcar presença. Na última entrevista que vi de padre Júlio, lembro-me que ele se declarou funcionário da “Fundação Casa”, a antiga FEBEM. Ele manifestava total aversão por qualquer punição aos infratores menores de idade. A origem dos crimes estava na injustiça social. Os infratores são inocentes e as verdadeiras vitimas de um sistema social injusto. Assim, padre Júlio cuida de gente que sabe e não tem medo de enfrentar a polícia... muito diferente dos comunistas da FFLCH. Gente que é capaz de fazer depredações, e consegue por medo na população. Mas ainda falta um elemento. Como o movimento se espalhou por todo o Brasil? O último grupo estava na reunião é o EDUCAFRO. Trata-se de um movimento que declara trabalhar para obter bolsas de estudo em universidades para pessoas de cor negra que não tenham recursos. Se fosse assim seria ótimo. Quem se apresenta como fundador e diretor do movimento é Frei David Santos. Ele é franciscano,  os franciscanos são defensores da Teologia da Libertação e estão espalhados pelo Brasil inteiro. Alguns anos atrás, os frades do Convento do Largo de São Francisco, em São Paulo, decidiram não mais distribuir alimentos no Natal porque se tratava de uma prática assistencialista: era necessário mudar o modelo econômico da sociedade. Qualquer um que examinar o site do EDUCAFRO fica surpreso com a quantidade de faculdades com que ele mantém convênio. No mesmo site da EDUCAFRO há um interessante vídeo onde Frei David conta a sua história e do seu movimento. Afirma ele que começou realizando missas afro. Mas, após o “saudoso Paulo VI”, houve muita resistência por parte dos bispos. Assim, para não se desgastar tanto, ele resolveu mudar e passou a conseguir as bolsas de estudos.  Ele não explica a relação entre uma coisa e outra. No fim da apresentação, o entrevistador pergunta se após duas etapas iniciais, a missa afro e as bolsas de estudo, não deveria haver mais duas etapas: bolsas de estudo no exterior e a tomada do poder? Frei David respondeu afirmativamente. O objetivo final, portanto, é a tomado do poder. Para tanto, Frei David montou uma estrutura de fazer inveja a qualquer instituição ou partido político. A EDUCAFRO tem filiais em muitas capitais brasileiras, com destaque para Rio de Janeiro e Belo Horizonte, concidentemente as cidades onde ocorrem os protestos mais significativos. Conseguiu muito dinheiro para suas atividades. A EDUCAFRO é financiada nada mais nada menos do que pela “Natura”, “Banco Santander”, “Vale” e “Petrobras”. O vídeo, em certo momento, mostra Frei David sendo recebido pela alta diretoria do Santander. Temos ai o suporte necessário para uma organização em todo o país. O que mais surpreende é que, se procurarmos qualquer ligação entre os participantes da  reunião da Secretaria de Segurança Pública, não encontraremos nada. É como se eles tivessem ido até lá sem nunca se terem conhecido. Seria possível? Ou seria um plano extremamente bem arquitetado? Estarei eu exagerando? De fato não acredito em duendes nem em horóscopo. Acredito no Evangelho e em Nosso Senhor Jesus Cristo, e por isto tenho certeza de que “Não há nada de oculto que não venha a ser revelado”. Rezo, entretanto, para que a revelação não ocorra tarde demais...  

    Para citar este texto:
"Sobre as surpreendentes manifestações: Não há nada de oculto que não venha a ser revelado"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/sobre-as-surpreendentes-manifestacoes-nao-ha-nada-de-oculto-que-nao-venha-a-ser-revelado/
Online, 18/10/2017 às 11:01:41h