Política e Sociedade

Quem sabia da compra do dossier pelo PT?
M. Garden

     Qualquer pessoa que tenha um mínimo de conhecimento sobre o funcionamento da administração de uma organização, seja ela uma empresa, uma entidade beneficente, uma ONG, ou mesmo um partido político, sabe que as tarefas de rotina, e aquelas que envolvem baixo risco, ou seja, tarefas que se repetem cotidianamente, nas quais, erros de execução não acarretam conseqüências significativas, são realizadas por pessoas de nível hierárquico mais baixo, dentro da organização. 

     Por outro lado, quanto mais uma atividade sai da rotina, e quanto maior o risco que envolve uma tarefa, maior será o grau hierárquico de seu responsável dentro da organização. Assim, por exemplo, a distribuição de folhetos de propaganda é executada por simples funcionários, enquanto que uma decisão sobre um grande investimento, cabe aos seus mais altos dirigentes. O mais elevado responsável de uma organização normalmente é o seu Presidente. 

     Para assegurar que operações de risco não sejam realizadas sem a devida autorização, as organizações desenvolvem sistemas de controle, que garantam que cada um somente execute aquilo que é autorizado ao seu nível hierárquico. Por esta razão, o acesso aos recursos das organizações, sobretudo o acesso ao dinheiro e contas bancárias, é bastante restrito e controlado. Obviamente, organizações que não têm este tipo de controle têm pouco tempo de sobrevivência. 

     Cabe notar que, uma vez tomada à decisão pela cúpula da organização, e sendo esta uma decisão que envolve riscos, a tarefa é entregue pela direção, para execução, a funcionários de escalão inferiores, especialistas no trabalho a ser desenvolvido, e também a pessoas de confiança, de modo que, a cúpula possa ficar segura de que suas decisões serão cumpridas da forma desejada. 
 
    Para identificarmos se uma operação é de risco, esta pode ser caracterizada pelo volume de recursos envolvidos, ou ainda, pelos problemas que ela pode acarretar aos objetivos da empresa. Por exemplo, se uma organização fosse solicitada a emprestar uma alta quantidade de recursos, a resposta a esta demanda seria dada pela alta cúpula da empresa, pois além de envolver valores significativos, o não pagamento poderia comprometer a continuidade das atividades da organização. Assim, a organização faria uma detalhada análise da situação financeira daquele que está solicitando o empréstimo, e esta análise seria desenvolvida por especialistas e pessoas de confiança da direção. 
 
    No famoso caso da venda do dossiê dos sanguessugas, uma organização, um partido político, o PT pretendia comprá-lo e utilizá-lo contra seus adversários políticos. Os valores envolvidos sem dúvida eram significativos - aproximadamente dois milhões de reais -, e o risco seria altíssimo, se a operação fracassasse, como aliás, se constatou pela divulgação da mídia. Não parece crível imaginar que a mais alta cúpula do partido desconhecesse essa operação. 
 
    Também não é crível que a execução da tarefa, não fosse entregue a pessoas de absoluta confiança da cúpula do PT, o que torna inexplicável, como a Polícia teve conhecimento da operação, encontrando os seus executores no momento exato em que seria impossível a eles negarem o ocorrido. Assim, se a polícia os tivesse localizado com o dinheiro, mas sem o dossiê, eles poderiam inventar qualquer origem para os recursos, sem relacioná-los com a campanha eleitoral. Ou se eles estivessem com o dossiê, mas sem o dinheiro, poderiam afirmar que receberam o dossiê de terceiros, e que o estavam analisando. Somente a conjunção do dinheiro com o dossiê comprometeria a campanha do PT, e foi exatamente isto que aconteceu. 
 
    Desta forma é inevitável perguntar se alguém de confiança não merece tanto a confiança no PT?. Existira na cúpula do PT uma divisão tão profunda? Será que isto explicaria a absurda frase do candidato Lula no último domingo em Sorocaba afirmando que "a gente poderia pegar a história e iríamos perceber que, numa mesa de 12, um traiu Jesus Cristo"? E mais ainda, porque uma hipótese tão possível não é vinculada em nenhum órgão de imprensa?

     A lógica então manda pelo menos levantar uma hipótese: haveria um alto espião no PT que está entregando as informações mais comprometedoras na hora exata em que operações ilegais são executadas?

    Para citar este texto:
"Quem sabia da compra do dossier pelo PT?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/pt_dossie/
Online, 23/05/2017 às 09:27:35h