Política e Sociedade

Quem está planejando nossa próxima guerra?
Patrick Buchanan, WorldNetDaily

Publicado: Janeiro 9, 2007

Como George Bush reflete sobre o seu legado, uma questão urgente deve estar incomodando-lhe todos os dias.
Deixarei o cargo como o homem que lançou guerras que fracassaram contra o Iraque e o Afeganistão e que custaram milhares de mortes para os EUA sem resultado algum? Ou poderei entrar para a História como o homem de estado Churchiliano que usou o poder dos EUA para salvar a América e Israel da ameaça mortal das armas atômicas nas mãos dos mullahs iranianos?

Que legado Bush irá preferir? Ou Cheney?

Enquanto os americanos aguardam uma declaração de Bush anunciando um “aumento súbito” de 20.000 a 30.000 soldados americanos no Iraque, nós podemos estar deixando de perceber o que é mais importante. O Partido da Guerra está voltando sua atenção do Iraque para o Irã.

E nem é uma análise simplista da personalidade de George Bush que leva a concluir isso.

Teerã esta agora está na segunda semana dentro de um limite de 60 dias para responder a uma resolução do Conselho de Segurança da ONU
que manda que pare de enriquecer urânio. Apesar das sanções serem moderadas, a resolução passou por unanimidade e dão a Bush a cobertura da ONU que ele usou para declarar guerra ao Iraque. Se o Irã desafiar a ONU, Bush irá exigir mais sanções. E lá vamos nós de novo.

Além disso, uma segunda leva de grupo de combate americano está indo para o Golfo. O mais interessante é que o novo comandante CentCom, substituindo ao Gen. John Abizaid, não é nenhum soldado, mas o almirante William J. Fallon, comandante chefe das forças dos EUA no pacífico. O que Fallon não sabe sobre como manter a segurança nas ruas, ele sabe sobre atingir alvos no ar e manter rotas marítimas livres em tempo de guerra.

Bush pode estar enviando sinais, mas os israelenses estão se preparando para a guerra. O London Sunday Times informa que os pilotos israelenses estão fazendo vôos de 2.000 milhas até Gibraltar para treinar com bombas nucleares para destruir bunkers para atacar a usina de água pesada iraniana de Arak, a unidade de tratamento de hexafluoreto de urânio em Isfaha e a centrifuga de Natanz.

Israel nega veementemente a noticia. Mas no dia 30 de dezembro, o general aposentado Oded Tira, que liderou todas as unidades de artilharia israelenses, veio à imprensa com este recado:

Como um ataque aéreo Americano é essencial para nossa existência, devemos ajudar (a Bush) pavimentar o caminho fazendo um lobby junto ao partido Democrata (que tem se comportado tolamente) e junto aos editores de jornais americanos. Precisamos fazer isso de forma a tornar a questão iraniana fundamental e sem relação com a falha do Iraque.

“Bush não tem a força política para atacar o Irã,” escreve Tira. Assim, Israel e seu braço de lobby nos EUA “devem se voltar para Hillary Clinton e outros candidatos a presidente em potencial do partido Democrata para que eles publicamente apóiem a ação imediata de Bush contra o Irã.”

Os americanos devem agir,” conclui Tira. “Se eles não o fizerem, o faremos nós mesmos... (e) devemos imediatamente iniciar os preparativos para uma resposta Iraniana a um ataque.”

De acordo com o editor da UPI, Arnaud De Borchgrave, a linha de Tira segue a mensagem de Dia de Ano Novo do chefão do Likud, “Bibi” Netanyahu, o ex primeiro ministro.

Netanyahu disse que Israel “deve imediatamente lançar um frente intensiva de relações públicas internacional, primeira e principalmente nos EUA. Tendo por meta encorajar ao Presidente Bush a insistir na prerrogativa específica que ele não permitirá que o Irã se arme com bombas nucleares. Devemos deixar claro para o governo (americano), para o Congresso e para o público americano que um Irã com poder nuclear é uma ameaça aos EUA e a todo mundo, e não somente a Israel.

A guerra de Israel, diz Bibi, deve ser vendida como a guerra dos Estados Unidos.

Estamos assim avisados.
A campanha de propaganda, usando agentes israelenses e os seus auxiliares e simpatizantes neo-conservadores, que nos impuseram a guerra contra o Iraque, estão se preparando para nos impor a guerra contra o Irã.

Estamos para ser convencidos que o Irã, que não tem força aérea ou marinha digna de menção, com uma economia que não chega a 2 por cento da nossa, que não começou uma única guerra desde a sua revolução, a 27 anos atrás, estão a ponto de dar aos terroristas, para usarem contra nós, uma bomba nuclear que pode estar a 10 anos de estarem aptos a construir.

Será que o congresso será enganado novamente e dará a Bush um cheque em branco para a guerra? Ou irá esse novo congresso reunir coragem para tirar das mãos de Bush a opção da guerra, decidindo por si mesmo, pela nação, quando, e se, a América deve ir à guerra contra o Irã?

Cada candidato a presidente deve ser questionado: O presidente Bush tem a autoridade de atacar ao Irã sem autorização especifica do congresso para isso? E você irá apoiá-lo dando-lhe essa autoridade?

São necessários hoje homens e mulheres de coragem em ambos partidos que introduzam uma resolução do congresso que declare, “Na ausência de um ataque Iraniano direto às forças ou pessoal dos EUA, ou uma ameaça iminente de tal ataque, o Presidente Bush não tem autoridade para lançar um ataque pré - emptivo ou uma guerra preventiva contra o Irã.”

Se vamos à guerra, façamos isso de forma constitucional, de vez, e não deixemos isso somente para George W. Bush e Irmão Cheney.
(tradução e destaques nossos)

    Para citar este texto:
"Quem está planejando nossa próxima guerra?"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/proxima_guerra/
Online, 24/11/2017 às 20:20:48h