Política e Sociedade

Todo o poder ao PT ou Como nasce um tirano
Orlando Fedeli

     As pesquisas de opinião pública têm apontado um crescimento de votos ao candidato Lula, na mesma proporção em que crescem os escândalos desse Presidente que não sabe de nada e que não faz nada, a não ser proteger os violadores da lei.
     A desfaçatez do governo petista, o cinismo com que seus membros negam ter cometido qualquer crime, mesmo quando pegos em pleno flagrante, é de estarrecer.
     O país assiste à maior onda de crimes oficiais de toda sua História. E o país, realmente consciente e responsável, fica paralisado de horror, vendo que, apesar dos crimes, a maioria da população insiste em dar apoio a quem deveria ser cassado por violar a lei do modo o mais descarado.
     A noção de Direito e de Honra parecem ter desaparecido. A "Ética" as comeu.
     Uma possível vitória de Lula – e com larga margem de votos — significaria que a maioria do país já não admite que seja necessário respeitar a Moral e a Lei positiva para que o convívio social permaneça viável.
     Uma vitória de Lula por grande maioria equivaleria a uma declaração de que, para o Brasil de hoje, pouco importa roubar, violar direitos, desrespeitar a Justiça, cinicamente "estuprar" a Constituição e mentir despudoradamente. Desde que se receba uma bolsa-voto em troca de voto nas urnas.
     À maioria “conscientizada” pela propaganda em sacristias e “lubrificada“ pelas bolsas governamentais de todo tipo, pouco se lhe dá a Justiça, a Moral, o Direito e a Lei. Recebendo a Bolsa-Voto, a maioria conscientemente vota pela bolsa.
     É o restabelecimento, com métodos modernizados, da compra de votos dos “coronéis” da República Velha, comprovando que a república das maiorias — Nova ou Encarquilhada, Velha ou Jovem, a República “Café com Leite” do PRP, ou a República PERRAPADA e Jagunça — por ser filha do relativismo do número, é sempre a mesma: corrupta e corruptora. Mas sempre coberta com a impoluta túnica da "Ética”!
     Pois na república do relativismo, sempre se “exerce a cidadania”, votando conscientemente naqueles que se riem de toda consciência.
     Já na “República” de Platão – refiro-me ao Diálogo República do filósofo ateniense -- se mostra que esse regime, em sua forma relativista, populacheira e libertária, permite a compra e venda de tudo. Até dos votos dos Deputados por meio de “mensalões”, e do voto dos eleitores por meio de “bolsas-voto”.
     Pois não se está numa “sociedade de mercado”?
     No capitalismo liberal, a economia não é separada da Moral?
     Porque então exigir que a Política esteja ligada necessariamente à Moral?
     Não ensinou o Ministro da Cultura – um tal de Gil --, que isso de moral nada tem que ver com a política?
     Eis a nova “cultura”. Com violão a tiracolo...
     No regime democrático liberal, é a maioria que determina o certo e o errado, o justo e o injusto, o bem e o mal, o que é moral e o que é imoral. É a maioria dita “conscientizada” que determina a legitimidade do aborto ou a de um Auschwitz.
     Na Democracia liberal, com a tirania caprichosa da maioria, se dá o triunfo do relativismo.
     A maioria – essa mentira organizada – proclama com seus votos o valor absoluto do relativo. Ou a relativização de todo valor absoluto.
     A maioria “conscientizada” pela propaganda e lubrificada pelos mais variados tipos de “bolsas-voto” torna o eterno, temporário, e faz do capricho um absoluto. Faz da lei um papel escrito aprovado por maioria ocasional e oportunista. Da maioria nasce, então, a tirania absolutista do relativo.
     Como dizia Platão, é do governo democrático, regido por maioria, que nascerá o tirano.
     Sua Majestade o Número, eis a fonte do absoluto relativo. A fonte da Tirania.
     A Quantidade determina a morte do Valor, na guilhotina afiada da Maioria.
     A maioria do povo brasileiro, reelegendo Lula, conscientemente, estará lhe dando um poder absoluto. Sim, porque, então, não existirá mais Moral nem Direito, nem Justiça e nem Lei. Valerá a absolvição geral dada pela maioria e abençoada pelos Bispos comunistas da CNBB: Dom Tomás Balduíno, Dom Demétrio Valentim, Dom Mauro Morelli, junto com o monge beneditino-umbandista Marcelo Barros... Et caterva.
     A maioria do povo brasileiro, reelegendo o Lula do PT, estará declarando, no fundo, que ele pode fazer, de novo, o que fez, deixou fazer, deixou invadir, deixou pegar, fez abafar, durante seus quatro anos de descalabro governamental.
     Sem saber de nada, é claro.
     A maioria do povo brasileiro, reelegendo Lula por grande maioria, estará lhe conferindo, no fundo e na verdade, o poder de passar por cima da Constituição. De concentrar em suas mãos todos os poderes. Por meio de mensalões, nomeações, verbas lícitas ou ilícitas, malas de dinheiro, ou por meio de “sombras” acobertadoras de lixo e de sangue.

     Quem matou Celso Daniel?

     A reeleição de Lula por larga maioria estará fazendo dele o Grande Irmão tupiniquim..
     Estará nascendo, então, no Brasil, um novo Lênin.
     Um Lênin metalúrgico e ajagunçado, sem a capacidade do tirano bolchevista, mas com sua mesma mentalidade comunistóide.
     A maioria, reelegendo Lula, estará fazendo, muito possivelmente, o enterro da Democracia nas mãos de um demagogo apedeuta com sede de se eternizar no poder, pela aprovação da maioria.
     Não será a primeira vez que a maioria, entre a Justiça e Barrabás, conscientemente gritará: “Barrabás!” “Liberdade para Barrabás!”
     A maioria, esse ídolo democrático, que, como marionete, outrora era movido por fios mais ou menos invisíveis, hoje, nas repúblicas mais modernizadas, é teleguiada. Mas, no Brasil, nem isso...
     Se pelo menos, em nosso país, a maioria fosse eletronicamente teleguiada, a vergonha seria menor.
     Mas hoje, em nossa pátria desgraçadamente caída nas mãos eticamente limpas do petismo, o ídolo Maioria – como bonequinho à corda, daqueles, sem nenhum valor, made in China –  é movido visivelmente a dólares e reais.
     Pois não somos, hoje, sob o PT, republicanamente transparentes? Só não vê quem não quer ver.
     A maioria reelegendo Lula estará então preparando o funeral do regime de Direito, cantando o prelúdio da ditadura do petismo.
     Eis o perigo: “Todo poder aos sovietes do PT!”
     Eis a ameaça: “Todo poder às Ongs do PT!”
     E se, por acaso, se provarem os crimes do dossiê, de modo que acarretem a perda de Lula na Justiça Eleitoral?
     Não pode! Isso é golpe! Contra o PT não vale a Justiça!  É querer ganhar no “tapetão”, bradará o PT.
     Porque todo ato de justiça contra os representantes do Povo – se eles são petistas -- é injustiça por definição.
     Caso Lula for ameaçado de derrota eleitoral ou judiciária, é de se prever que os bolchevistas do PT não largarão o “osso”...
     “Osso”? 
     Osso, nada!
     Eles não quererão largar jamais a picanha do poder.
     Com todas as suas gordurinhas anexas...
     De que os comparsas de Lula são gulosos, de uma gula insaciável.
     Alguns temem uma tentação possível, se Lula alcançar a reeleição com grande maioria: governar sozinho.
     O que garantirá que, sendo eleito, Lula, não tente assumir todos os poderes por 'vontade do povo', pondo fim à Democracia?.
     Não disse ele que, por vezes, sente despertar nele um demônio que o incita a fechar o Congresso e a governar sozinho?
     Seria o fim do regime democrático.
     E haveria perigo de termos um “bolívar” de quatro dedos, proclamando a URSAL - União das Repúblicas Socialistas da América Latina.
     Que “glória” criminosa!
 
     Mas se Lula não for reeleito, ou se ele for cassado pela comprovação de algum dos crimes arrolados no prontuário policial do PT, então Zé Dirceu chamará a “militância” para as ruas...como já começou a fazer essa semana em seu blog.
     
     E será que o PCC e o MST não fazem parte da militância que sairá às ruas?
     E as FARC? E os fuzis do Chávez?
     Sairão às ruas “brasileñas”?
 
     E seria possível que, ganhando Lula e fazendo a sua bolchevista URSAL, realizadora dos sonhos da pastoral da Terra e os Bispos abortistas socialistas da CNBB, seria possível que a oposição - aquela que Lula chama com desprezo de “a elite paulista” — ficaria sossegadamente em casa, em vez de “sair às ruas?”.
     Será que ficaria tudo por isso mesmo?
     Será que não há risco de a oposição também “sair às ruas?
     Veja... o que nos pode acontecer...
     De um jeito ou de outro, é bem possível que situação ou oposição saiam às ruas. Porque quando desaparece a força do Direito e dos Princípios, resta apenas a “saída às ruas”...
           
*****
 
     Será que estou pessimista demais?
     O tempo -- chuvoso, cinzento e frio -- não me estará a fazer ver tudo cinzento, borrascoso e ...politicamente quente demais?
     Tomara que seja apenas pessimismo de velho. E de um velho que costuma errar suas “previsões”.
       
     Valha-nos Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil!
     
São Paulo, 19 de Outubro de 2.006.
Orlando Fedeli
 
 

    Para citar este texto:
"Todo o poder ao PT ou Como nasce um tirano"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/poder_pt/
Online, 11/12/2017 às 12:57:56h