Política e Sociedade

Carta enviada a Geraldo Alckmin: a questão do aborto
Montfort


São Paulo, Agosto de 2006

 
 
Excelentíssimo e Digníssimo Sr. Governador
Dr. Geraldo Alckmin
 
 
A Associação Cultural MONTFORT, entidade civil, cujos membros e simpatizantes procuram obedecer e praticar doutrina social da IGREJA CATÓLICA, vem respeitosamente a sua presença com o intuito de apelar a V.Excia. para que reveja seus posicionamentos com relação à pratica do aborto, o que possibilitará o apoio do eleitorado católico à sua candidatura. Julgamos que alertando V.Excia para este ponto estamos cooperando não só para livrar nossa Pátria da catástrofe de um novo período petista, – pleno de gravíssimas ameaças – mas ajudando-o a alcançar a vitória no próximo pleito eleitoral.
 
A MONTFORT, que através de seu site, recebe mensalmente mais de 200.000 visitas e centenas de cartas por semana, seguindo os ensinamentos da Igreja e a orientação do Papa Bento XVI, tem desenvolvido uma campanha contra os projetos que permitem a liberalização do aborto, bem como contra quaisquer outras praticas que atentem contra a vida, desde a sua concepção. Recentemente, a MONTFORT promoveu um abaixo assinado contra o aborto, em diversas paróquias espalhadas por todo o Brasil, coletando, em um único dia, aproximadamente 50.000 assinaturas.
 
O apelo para que sua posição a respeito do aborto seja revista tem origem no noticiário divulgado pela imprensa, dando conta de que V.Excia manifestou sua concordância com a atual legislação no que se refere à pratica do aborto, ou seja, a permissão do aborto nos casos de estupro ou perigo de vida para a mãe, e pior, o desejo da ampliação dessa permissão para os casos de anencefalia. (Folha de São Paulo 18/12/2005 e Revista Veja, edição 1.948, 22 de março de 2006 "A aposta tucana").
 
Inicialmente, cabe notar, com o devido respeito, que a posição de V.Excia. é extremamente contraditória, pois se o aborto destrói uma vida e, portanto, é um crime, não pode ser aceito em hipótese alguma. E caso não fosse crime, por que restringir sua prática somente a alguns casos excepcionais?
 
 Como toda contradição, mais cedo ou mais tarde, ela acaba por ser notada, e se apresenta ao eleitorado como uma fraqueza e uma insegurança.
 

Sem duvida, V.Excia deve sentir a pressão da mídia no sentido de não proferir uma condenação clara e total do aborto. Muitos devem tê-lo informado de que a mídia o condenaria como radical se tal fizesse. Ora, nas questões que envolvem moral ­– como o roubo ou o assassinato – ou se tem uma posição radical contra o crime, ou se é conivente com ele.

 
Ademais, a condenação completa do aborto obrigaria seu principal adversário a definir-se também explicitamente em relação a esse tema, colocando-o em posição claramente contrária à da maioria da população, o que traria inevitavelmente o apoio à sua candidatura da quase totalidade do eleitorado das instituições e dos prelados católicos, e também, de grande parte da população brasileira, que, em grande maioria (aproximadamente 85%), é contrária ao aborto.
 
Agindo V.Excia. dessa forma, o foco da eleição poderia ser mudado do campo econômico para o campo moral, onde seu adversário não tem condições de competir com ninguém. Trata-se, portanto, de uma tática equivocada e infrutífera a de manter uma posição moderada perante a mídia e a opinião pública no que se refere à condenação do aborto.
 
Por outro lado, sem que V.Excia. modifique sua posição a respeito do aborto, os católicos não poderão apoiar sua candidatura, pois como ensinou o Cardeal Alfonso López Trujillo, Presidente do Conselho Pontifício para a Família, “um político não pode separar seu compromisso social de sua vida moral, e quem se diz católico deveria ser coerente com o que crê em sua vida pública e privada”. Nesta mesma ocasião, o Cardeal López Trujillo pediu coerência dos católicos que devem ver o que é que propõem os políticos em seus programas, condenando assim, votar em candidatos que defendem o aborto. (Cidade do Vaticano – zenit.org – 3 de outubro 2.005).
   
Entretanto, muito mais grave do que uma tática equivocada, a defesa do aborto acarreta, para os católicos, como V.Excia. é, graças a Deus, a pena da excomunhão, pois conforme previsto no Código de Direto Canônico Can 1398 e Can 1319 parágrafo 2º, são excomungados todos aqueles que intervém no processo abortivo, quer com cooperação material, quer com cooperação moral eficaz, quer por cumplicidade. Assim, quando os que representam o Estado aprovam uma lei permitindo esse ato ilícito, obviamente, essa aprovação se reveste de uma força maior do que a da mera cooperação moral eficaz para esse mesmo ato. Portanto, os políticos que apóiam de qualquer forma uma lei favorecedora do aborto incidem na pena canônica da excomunhão latae sententiae, isto é, sem necessidade de promulgação. Foi no que incorreu o atual Presidente da Republica ao aprovar a Lei de Biosegurança. Curiosamente, foi depois desse fato que começou a ser conhecida toda a corrupção moral do governo petista. 

Desta forma, apoiando o aborto, V.Excia. não somente estará perdendo o apoio dos homens, mas também o apoio de Deus.

Não dar significado a este fato é dar a vitória a seus inimigos, pois que força moral terá V.Excia para condenar os bem conhecidos atos ilícitos de seus adversários? Pois, se a lei de Deus quanto à vida não deve ser levada em consideração em uma eleição, igualmente sua Lei pode ser ignorada em matéria de corrupção financeira. E, neste caso, prevalecerá a “moral” do partido que prega que os fins justificam os meios.
 
Por último, Sr. Governador, é importante recordar que o exercício da Presidência da República, por mais prestigioso que seja, é passageiro, e não pode ser obtido a qualquer custo. Assim, se V.Excia. não condenar o aborto, terá agido – infelizmente – como cúmplice desse crime, para o qual, como bem ensinou o Papa Pio XI, Deus será o juiz e vingador do sangue inocente. Entretanto, caso V.Excia, como católico que é, se posicione total e claramente contra essa prática criminosa, terá defendido não apenas a lei de Deus, mas salvará a vida de muitos inocentes, o que lhe trará honra por toda a vida, nesta terra, e, mais ainda, durante toda a eternidade.
 
Por tudo isto é que reafirmamos nosso apelo para que V.Excia. publicamente condene toda e qualquer forma de aborto, e proteja o embrião desde a sua concepção.
 
Deus inspire e guarde V.Excia.

Associação Cultural MONTFORT

    Para citar este texto:
"Carta enviada a Geraldo Alckmin: a questão do aborto"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/geraldo_alckmin/
Online, 23/03/2017 às 15:20:47h