Política e Sociedade

Carta aberta ao presidente Fernando Lugo

 
(D. Tomás Balduíno, com sua habitual parcialidade esquerdista, coloca-se do lado de Fernando Lugo, parabeniza-o, e coloca-se contra a Igreja Católica e o valente episcopado paraguaio, chamando-o implicitamente e hipócrita, omisso e moralista. É a regra moral dos esquerdistas: condenar a priori os opositores, por mais santos que sejam, e auto-salvarem a si mesmos, ainda que sejam infiéis e escandalosos).
 
 
Este texto introdutório à carta de solidariedade de Dom Tomás Balduíno, conhecido Bispo comunista defensor da Teologia da Libertação, nos foi mandado antes que se conhecessem novos casos de paternidade episcopal do Bispo Comunista Lugo, agora Presidente do Paraguai.
Por enquanto, apresentaram-se mais duas mulheres, acusando ter tido filhos do Bispo Lugo. E dizem que há outras mais, com tantos filhos mais...
Parece que Dom Balduíno vai ter que solidarizar com os sentimentos paternais de Lugo várias vezes mais.
Mais esperto foi outro Bispo Comunista, Dom Demétrio Vatentini, também ele da TL, mas que já abandonou a defesa de Lugo.
Não dava mais.
É espírito paternal demais.
 
Orlando Fedeli
 
D. Tomás Balduino, bispo emérito de Goiás e ex-presidente da Comissão Pastoral da Terra, escreveu uma carta aberto ao presidente Fernando Lugo que recebemos e publicamos.
 
Eis a carta:
 
Caro Amigo Presidente Fernando Lugo,
 
Acompanhei as notícias que levaram ao conhecimento público o seu relacionamento com uma mulher e o nascimento de um filho. A mídia brasileira repercutiu seguidamente o fato, fazendo coro, de bom grado, com os membros paraguaios do Partido Colorado, destacando-se o congressista Victor Bogado, que se arvorou em seu juiz e o apedrejou. Chegou até mim também uma parte da comunicação da Conferência episcopal do Paraguai pedindo perdão pelos pecados da Igreja católica, numa implícita referência a você.
Não posso deixar de me manifestar neste seu caso. Sou impelido a isso pela nossa velha amizade, desde os bons tempos de sua participação nos encontros em São Paulo, no grupo ecumênico e latino americano de bispos. Sou impelido sobretudo pelo que eu conheço da sua trajetória, pelo que eu venho acompanhando e refletindo sobre o grande significado de sua providencial subida à Presidência da República do Paraguai, carregado pelo povo pobre do seu País, tornando esta Nação uma das auspiciosas referências do processo de libertação do nosso Continente.
E minha manifestação, depois ter ponderado com alguns irmãos e irmãs, é em primeiro lugar para dar-lhe os parabéns, fazendo eco à declaração do meu amigo e bispo Mons. Mário Melano Medina, seu compatriota, pelo seu ato de “valentia e sinceridade” ao reconhecer a criança. Uno-me também ao bispo metodista emérito Federico Pagura ao expressar-lhe, também em carta aberta, sua solidariedade: "ante tu decisión de hacer públicas tus relaciones com tu compañera, y tu compromisso de assumir plenamente tu responsabilidad de padre". Continue assim, caro Irmão, coerente com a inspiração evangélica, ao testemunhar, com clarividência e humanidade, o inestimável valor do relacionamento entre o homem e a mulher.
Os bispos paraguaios fizeram um ato público de pedido de perdão. É salutar que a Igreja o faça sempre. É, aliás, o que a liturgia nos propõe todas as vezes que celebramos a Eucaristia. É verdade que não vi o texto completo desta declaração dos bispos, mas pelo discurso que ouvi do Sr. Arcebispo de Assunção no Te Deum, de sua posse como Presidente do Paraguai, receio que este pedido de perdão não se refira às omissões da Igreja com relação aos poderosos da política e ao sofrimento do povo durante os anos de tirania do governo paraguaio.
O risco de uma declaração apressada e ingênua da Igreja é desta declaração se somar com a onda da mídia e com o bloco de forças da elite de oposição que, ficam sempre à espreita de qualquer chance de desestabilização do seu governo, mesmo sob a capa do moralismo mais hipócrita.
Dou-lhe também os parabéns sobretudo porque o vejo disposto a continuar sua caminhada de luta com seu povo e a enfrentar as dificuldades atuais do seu governo, inclusive esta última. Por tudo isso, caro Amigo, receba a minha plena solidariedade.
O Senhor Jesus, que apareceu aos discípulos ressuscitado e chagado esteja ao seu lado, o acompanhe, o ilumine, o faça sempre forte e corajoso diante destas e de outras dificuldades que certamente advirão na sua caminhada a serviço do seu admirável Povo.
Abraço-o com fraterna amizade.
 
Goiânia, 18 de abril de 2009
 
Dom Tomás Balduino
Bispo emérito de Goiás
 

    Para citar este texto:
"Carta aberta ao presidente Fernando Lugo"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/fernando_lugo/
Online, 23/06/2017 às 19:29:32h