Política e Sociedade

“Fatwa” contra todas as igrejas da Península Arábica

Notícia Verbonet e Observatoire de la Christianophobie

Comentários Lucia Zucchi 

Surpresos, os episcopados mais "dialogantes" estranham o pedido de destruição das igrejas por parte de um importante líder islâmico. Quanta ilusão! De fato, não há lugar para duas religiões na Península Arábica, e se os que deveriam defender e propagar a religião verdadeira não o fazem, a falsa religião fará tudo para expulsá-la. 

Líder muçulmano saudita pede destruição de todas as igrejas na Península

Meca, 20 mar (SIR) - O grão-mufti da Arábia Saudita, a mais alta autoridade clerical daquele país, exige a destruição de todas as igrejas na zona do Golfo Pérsico. O sheikh Abdul Aziz bin Abdullah elogiou a decisão do Kuwait de proibir a construção de mais igrejas no país, mas disse que a medida peca por escassa e que é necessário proceder à destruição de todas as que já existem pois não há lugar para duas religiões na Península. A medida sugerida por Abdullah não se aplicaria à Arábia Saudita porque naquele que é o berço do Islã não existe qualquer local de culto não muçulmano e qualquer manifestação de outra religião é expressamente proibida. O grão-mufti da Arábia Saudita é a mais alta figura do clero da Arábia Saudita, [responsável entre outros pela comissão que examina e emite fatwas] e foi considerado o 14º muçulmano mais influente do mundo pelo Real Centro Islâmico de Estudos Estratégicos, em 2011. Os cristãos são uma pequena minoria nos países do Golfo Pérsico, sendo sobretudo imigrantes. Noutros países árabes há comunidades significativas de cristãos, principalmente na Jordânia, Palestina, Iraque, Egito, Líbano e Síria, mas em todos eles têm aumentado o clima de perseguição religiosa nos últimos anos.

Será que alguém o está levando a sério? A imprensa no Brasil não noticiou, mas na Europa, os episcopados da Áustria e Alemanha, além do Patriarcado Ortodoxo de Moscou, protestaram contra essa fatwa, conforme notícia do diário francês La Croix, e pela Reuters-USA,  citados por Daniel Hamiche.

Em Viena, em 23 de março, durante uma “Marcha Silenciosa pelos Cristãos Perseguidos” da qual participou o Cardeal Schönborn, Arcebispo de Viena, a Conferência dos Bispos Austríacos condenou vivamente o apelo à destruição de igrejas, lançado pelo grão-mufti saudita, sheikh Abdul Aziz bin Abdullah. (...)  “Tal declaração é para nós, Bispos, inaceitável e incompreensível, pois existem diferentes iniciativas de diálogo interreligioso na Península Árabica”. Os bispos consideram que a ameaça prejudica não só os cristãos da região, mas os do mundo inteiro, pedindo “uma explicação oficial e uma afirmação clara do direito de existir das igrejas e dos cristãos nessa região”.

A agência Kathpress lembra que o Rei Abdallah participou em 2008 de um congresso pelo desenvolvimento do diálogo interreligioso e a Arábia Saudita, há poucos meses, abriu com a Áustria um centro em Viena para o mesmo fim.  Esse último projeto atraiu críticas pois na  Arábia Saudita reina a aplicação estrita da sharia (lei islâmica).

 Bem, até aí, nenhuma estranheza: os sauditas querem diálogos na Europa. Ninguém falou em dialogar na Península Árabica! 

 Em um comunicado publicado no site da Conferência Episcopal Alemã, assinado por seu presidente, o Arcebispo de Friburgo Dom Robert Zollitsch, os bispos denunciaram igualmente a situação “insuportável”, que produz “preocupação e grande inquietude”. Para eles, o grão mufti “ignora o respeito pela liberdade de religião e a coabitação pacífica das religiões”.

 


    Para citar este texto:
"“Fatwa” contra todas as igrejas da Península Arábica"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/fatwa-contra-todas-as-igrejas-da-peninsula-arabica/
Online, 18/08/2017 às 11:36:11h