Política e Sociedade

Em defesa do Padre José Augusto da Canção Nova
Padre Marcelo Tenório

 
Acabei de assistir ao vídeo da Missa rezada pelo Reverendíssimo Padre José Augusto, na Canção Nova, após ler a nota escrita pelo Sr. Wellington Silva Jardim, mais conhecido por Eto, Presidente desta “entidade”. A nota deste senhor merece muita atenção. Vale a pena reler.
 
Aqui está:
 
"A Fundação João Paulo II, mantenedora do Sistema Canção Nova de Comunicação vem a público para reafirmar que não apóia, não subsidia e não possui vínculos com partidos e candidatos.

É necessário ressaltar que não autorizamos, bem como não aprovamos manifestações isoladas de apresentadores, colaboradores e engajados.

E, em especial, sobre o episódio desta manhã, 05 de outubro, não autorizamos o pronunciamento público do sacerdote Padre José Augusto Souza Moreira sobre o Partido dos Trabalhadores, bem como a opinião do mesmo representa tão somente seu pensamento, não sendo em hipótese alguma o pensamento da instituição.

Lamentamos o ocorrido e manifestamos mais uma vez nossa obediência aos princípios democráticos, na legislação eleitoral em vigor e na crença de que o povo brasileiro saberá, com critério e sabedoria determinar o seu futuro nas urnas".
 

(o negrito é nosso)
 

(o negrito é nosso).

Em suma, a Canção Nova, na pessoa do seu presidente, tão democrático quanto o PT, tem a ousadia de desautorizar um Padre da Igreja que possui a Missão Sagrada de anunciar a Verdade do Evangelho para o qual foi ordenado.

Ora, mas com que autoridade o Sr. Eto se revestiu? Com a autoridade de Presidente de uma Entidade Católica, sustentada pelos fiéis católicos que, muitas vezes, deixam de devolver seu dízimo integral em sua Comunidade para manter esta emissora no ar? Que autoridade ele tem de autorizar ou não autorizar o conteúdo de Homilias dos Padres da Igreja a qual ele mesmo deve se submeter?

Esta é a Canção Nova! Tão “obediente aos princípios democráticos” quanto os anões à Branca de Neve “desde que não firam seus interesses”. Mas que medo tem a Canção Nova? Medo de perder! Medo de perder o império, o prestígio e as concessões adquiridas. Contra isso não há profecias nem profetas. O “xandará-lá-lá” só funciona para deixar as coisas acomodadas, incompreensíveis...

É verdade que o nosso Padre em questão poderia ter se preparado mais. Faltou objetividade, argumentação teológico-bíblica mais abalizada. É verdade que parecia mais um desabafo que uma Homilia, e, diga-se de passagem, o nosso caro Sacerdote cometeu uns certos exagerozinhos, mas que não desautorizam o centro, o todo. Falou o essencial: contra o PT, contra quem se filia ao PT, contra aquilo que o PT propicia. Bem falado, Padre!

Ao deixar o Xandará-lá-lá para lá o senhor uniu-se a tantos e tantos cristãos que também estão com medo, não de morrer, não de perder, mas de ficarem calados diante deste momento crítico para nossa Pátria.

Suas Excelências, os Bispos que se cuidem.

Já escutei corajosos pronunciamentos de tantos deles, tais como o Bispo de Guarulhos, de Belém do Pará, Lorena (aliás, é sob a sua jurisdição Diocesana que está a Canção Nova, pois a sua sede fica no território da Diocese de Lorena - e, aqui, vale perguntar se a Canção Nova cumpriu a determinação do seu Bispo Diocesano, Dom Beni, que em nota oficial ordenou que fosse lida em todas as missas, em todas as paróquias e também nas “novas comunidades” a declaração dos bispos do SUL 1, mais de 40 dioceses, que condenam a investida do Governo do PT pela aprovação do aborto ou será que a autoridade do Sr. Eto vetou as ordens do seu Bispo Diocesano? Mas seriam eles, os bispos, também desautorizados pela Canção Nova Católica, na pessoa do Sr. Eto? Será? E será que essa “desautorização” também viria junta com outra, que nos pareceu mais nota de rodapé atribuída ao Mons. Jonas Abib que só apareceu depois da sentença do Presidente Eto? É algo a se pensar...).

E para que servem os Padres na Canção Nova? Ah para estarem a serviço da “Instituição” do Sr. Eto como “maquinas de Sacramento”?
Fico imaginando... os Padres que, pela Ordenação Sacerdotal, tem a Autoridade Sagrada de exercer seu Magistério (em dependência do Bispo, claro) e se submetem ao placet de leigos... a que ponto  nós chegamos...

Mas se os Padres da Canção Nova fizerem a Homilia em línguas? Seria perfeito! Um pronunciamento contra o PT em línguas! Ou até reproduzir, em línguas e bem estranhas, o que falou Dom Luís, Dom Beni ou até o Arcebispo de Belém do Pará... Aí sim não haveria censuras, nem “obsequioso silêncio” imposto pela mais alta hierarquia “cançãonovática” que não escreveu em línguas, mas em português bem claro, claríssimo como um meio-dia em Londres...

Só quem pode falar bem claro lá, para que todos entendam é o Chalita, amigo do Pe. Fábio de Melo, que passou 4 anos falando e falando e falando naquela emissora e que, por tanto falar foi eleito deputado e hoje sai em defesa do PT, do Lula e da Dilma e chama, indiretamente os Bispos que se pronunciaram (fieis ao Magistério) de “boateiros”... Aliás, também a Srª Dilma Rousseff fala bem claro na Canção Nova e até proclama a Sagrada Escritura que ela combate na prática política...

Esta canção não é muito nova e conhecemos bem... O tom não é novo, nem tão pouco a prática... O sobrenome sim precisa ser revisto e, imediatamente!
Tenho uma outra canção que também não é nova e Deus-que-me-livre de canções novas. É uma canção antiga, mas aqui está no português, num bom português para que todos entendam o que não se consegue entender numa canção nova:

“Queremos Deus homens ingratos
Ao Pai supremo, ao redentor
Zombam da fé os insensatos
Erguem-se em vão contra o Senhor

Dá nossa fé, oh! Virgem, o brado abençoai
Queremos Deus que é nosso Rei
Queremos Deus que é nosso Pai”
 
 
Pe. Marcelo Tenório
Arquidiocese de Campo Grande - MS
22 de setembro de 2010

    Para citar este texto:
"Em defesa do Padre José Augusto da Canção Nova"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/defesa-padre/
Online, 23/06/2017 às 12:20:57h