Política e Sociedade

Segunda Carta à Deputada Federal Christiane Tonietto
Alberto Zucchi
 Em razão de um e-mail, possivelmente elaborado por Antonio Donato ou ao menos por alguém próximo a ele, e que se constituiu em uma resposta à carta que enviamos para a Deputada Christiane Tonietto em julho deste ano, julgamos oportuno comentar este e-mail em uma segunda carta entregue para a Deputada no dia 27 de agosto, aproveitando o deslocamento de São Paulo para Brasília de alguns amigos da Montfort.
 
Na carta demonstramos que o referido e-mail não responde à argumentação apresentada anteriormente e reiteramos nossa solicitação para uma condenação ao Perenialismo, bem como convidamos a Excelentíssima Deputada a trabalhar pela difusão da Missa Tridentina como forma de colaborar na solução da grave crise em que a Igreja se encontra. 
 
Julgamos oportuna a divulgação dessa carta para que nossos amigos e leitores possam se aprofundar na análise e  conhecimento destes erros.
 
 
São Paulo, 27 de agosto de 2.019
 
Ex.ª  Senhora Deputada Federal
Christiane Nogueira dos Reis Tonietto.
Em mãos
              
Salve Maria!
 
Permita que mais uma vez me dirija a Vossa Excelência. Meu nome é Alberto Luiz Zucchi, sou o Presidente da Associação Cultural Montfort e, em 10 de julho próximo passado entreguei em seu gabinete uma carta na qual apresentava nossa Associação. Nesta carta manifestei minha admiração pela sua defesa da Igreja Católica, sua disposição em combater as heresias, inclusive dentro da própria Igreja, e a sua preocupação na salvação das almas.
Tendo isto por base relatei, de forma geral, uma nova heresia que está se espalhando nos meios católicos, principalmente naqueles ambientes que são tidos como mais conservadores e contrários aos erros que tiveram origem no marxismo e na Teologia da Libertação. Tal doutrina é denominada Perenialismo. Pedi a Vossa Excelência que se opusesse e condenasse também esse erro antes que ele se espalhasse ainda mais, para que não se repetisse o que ocorreu com a Teologia da Libertação.
Por se tratar de uma questão doutrinária pública, fiz a divulgação da carta através do nosso site e dos nossos canais de comunicação na internet.
Apenas um ou dois dias após a divulgação da carta recebi de várias fontes um e-mail que conteria uma resposta de Antônio Donato à minha argumentação. É claro que não há como atestar com absoluta segurança que o texto seja deste autor, uma vez que o mesmo não assina os próprios livros que publica dificilmente irá se responsabilizar por um e-mail.
Talvez Vossa Excelência se recorde das informações que dei em minha carta: Antônio Donato escreveu o livro A Educação Segundo a Filosofia Perene. Neste livro são apresentados diversos conceitos que estão em linha com o Perenialismo. Antonio Donato aparece pouco nas mídias sociais e menos ainda em conferências públicas. O que lhe valeu entre os seus próprios seguidores o apelido de São Moita.
De toda forma é certo que o e-mail foi distribuído entre pessoas simpáticas a Antônio Donato e, portanto, passado tanto tempo sem um desmentindo, é razoável supor que o texto do e-mail tenha sido pelo menos inspirado por Donato. Sendo assim, julguei oportuno comentar o e-mail, o qual se encontra reproduzido em sua íntegra ao final desta carta.
O texto se inicia com muitas imprecisões que, apesar de não serem fundamentais na questão que está sendo discutida, demonstram como a resposta foi realizada de forma atabalhoada e com muitos erros. Assim, no primeiro parágrafo a Montfort é descrita como uma fundação, o que não é verdade pois ela é uma associação, ou seja, não recebe fundos públicos nem é sustentada por uma outra entidade. Logo na sequência afirma-se que a carta foi entregue aos parlamentares católicos, o que também não é verdade, pois ela foi encaminha unicamente a Vossa Excelência e, ainda segundo o e-mail, o que solicitamos teria sido a condenação da obra Educação Segundo a Filosofia Perene, o que também é impreciso, pois nosso pedido foi e continua sendo a condenação do Perenialismo.
No segundo parágrafo, o autor recomenda que não se responda à carta, com a justificativa de que a polêmica traria alguma aparência de racionalidade. Se houvesse coerência, o e-mail resposta deveria terminar neste ponto mas, surpreendentemente, o autor  não segue o conselho que ele dá aos demais - algo bem típico dos lideres carismáticos da atualidade - e passa a responder à argumentação presente na carta. Contradição típica também de quem escreve apressadamente e sem reflexão.
Aqui cabe dizer que a ausência de uma resposta formal não significa que não houve um trabalho organizado contra a Montfort. A opção parece ter sido um ataque velado, de boca em boca, que visou isolar e desprestigiar a Montfort ao invés de discutir os temas doutrinários, como é o nosso objetivo. Apesar de se dizerem admiradores da Idade Média, essas pessoas não aceitam o combate aberto e preferem os métodos das sociedades secretas.
Antes de iniciar sua parca argumentação, o autor do e-mail, de forma bem maliciosa, afirma que os erros de nossa carta são tais que poderão “destruir muito do que realmente havia de bom para a Igreja na obra do fundador da Montfort”.
É claro que, atuando nos meios conservadores, Donato não poderia se opor ao trabalho da Montfort, não por causa da Montfort enquanto uma associação de leigos, nem pela capacidade ou virtude dos seus membros mas por causa das ideias que a Montfort defende, as quais são muito caras aos meios conservadores.
Então, maliciosamente, Donato faz elogios ao Professor Orlando Fedeli, nosso fundador, e nos critica afirmando que estaríamos destruindo a obra dele. Donato se dispensa de informar qual a obra do Professor Orlando que estaríamos destruindo.
Será que Donato se referia à gnose que o Professor tanto estudou, e combateu inclusive nos escritos de Olavo de Carvalho chegando, segundo alguns, a converter Olavo tal a amplitude da derrota intelectual que este sofreu no debate?
Talvez Donato quisesse falar sobre as denúncias que o Professor fez contra a TFP e seus péssimos frutos - o IPCO (Instituto Plinio Correa de Oliveira) e os Arautos do Evangelho - cujos escândalos mais uma vez estão vindo a público...
Ou quem sabe, ainda, Donato tenha admiração pela defesa e divulgação que o Professor fez da Missa Antiga. Nesta linha podemos ainda perguntar se a admiração de Donato pelo trabalho do Professor Orlando teria como origem os ataques aos erros do Vaticano II. Mas, como sempre, ficando na moita, Donato não diz qual o trabalho do Professor Orlando que ele tanto admira e que ele teme ver destruído.
Talvez Donato tenha se lembrado do único encontro que aconteceu entre ele e o Professor Orlando. A esposa do Professor Orlando e algumas pessoas da Montfort  frequentavam as aulas do Donato em um curso ligado à PUC. Em uma única ocasião o Professor Orlando as acompanhou. Uma única vez, e foi o suficiente para acontecer tal discussão que se tornou impossível para qualquer um próximo ao Professor continuar no curso. Será que é essa a obra a que Donato teme que não demos continuidade?
Prosseguindo no e-mail, Donato afirma que fazemos uma adaptação do lema da campanha do Presidente Bolsonaro. Novamente ele fica na moita e não afirma se agimos bem ou mal ao colocar a Igreja acima de tudo, inclusive do Brasil.
Então Donato, que considerava que o debate não deveria ser feito, faz um resumo da carta que entregamos a Vossa Excelência, para depois afirmar que a Filosofia Perene do livro que ele escreveu mas não assinou não é a doutrina dos autores por nós citados e relacionados. Mas novamente, na moita, ele não condena a Filosofia Perene desses autores.
E que pena! Que distração! Donato se esqueceu de incluir na relação que fez dos filósofos que não têm a sua doutrina, o principal deles no Brasil, o seu amigo e admirador Olavo de Carvalho. Será que a Filosofia Perene de Olavo é a mesma do Donato?
Acontece que Olavo de Carvalho não seguiu a orientação do mestre e resolveu responder, utilizando-se de um post de uma seguidora sua. A cópia do post está ao final da carta e desde já lhe peço desculpas por ter que reproduzir as baixezas deste pseudo filósofo: isso se faz necessário para que Vossa Excelência compreenda a malícia destas pessoas.
Na troca de mensagens, a seguidora relembra uma afirmação de Olavo de que o “sufismo nos vende a alto preço algo que Nosso Senhor Jesus Cristo já nos deu de graça”. Em resposta a sua seguidora Olavo reitera sua concordância com esta afirmação e a apresenta como uma prova de que ele não é perenialista.
Ora, o sufismo não nos dá a mesma coisa que Nosso Senhor nos deu de graça. O que nos dá o sufismo é exatamente o contrário do que Nosso Senhor nos dá. Só a Igreja católica pode dar a salvação que nos veio por Nosso Senhor, o sufismo nos leva exatamente para o oposto, ou seja, a perda da alma. A ideia de que o sufismo salva, só que a um preço maior do que a Igreja, está totalmente em linha com o Perenialismo. Pois o Perenialismo afirma, como já explicado na carta anterior, que em toda a religião há uma filosofia comum salvífica, que é alcançada por práticas esotéricas. Esta ideia é totalmente conforme com o que Olavo defende em seu artigo na revista Verbum, já citado na carta anterior, que julgamos oportuno transcrever novamente:
 “Há, em suma, uma religião popular, feita de ritos e normas de conduta, igual para todos os membros da comunidade, e uma religião de elite, apenas para as pessoas “qualificadas”, que por trás dos símbolos e das leis podem apreender o “sentido” última da revelação. Pela prática dos ritos de agregação que os integram na tradição religiosa e pela obediência as normas, os homens do povo obtêm a “salvação” post mortem das suas almas. Por meio de ritos de iniciação, os membros da elite obtêm já em vida, e muito acima da mera “salvação”, a realização espiritual que os arrebata do simples “estado individual” de existência para transfigurá-los na própria Realidade última, ou Deus. É bom não falar muito dessas coisas perante o público em geral, que pode escandalizar-se ante a decifração de um mistério que deve permanecer opaco para a sua própria proteção espiritual” (Olavo de Carvalho, Revista Verbum 1 p. 37).
Então, Donato concorda ou não com esta afirmação de Olavo? O mestre e o discípulo que tão bem se entendiam estariam neste ponto em desacordo? Não é o que o silêncio de Donato e as afirmações de Olavo deixam a entender!
Não restam dúvidas da concordância do pensamento de Olavo com o Perenialismo, ainda que este não seja exatamente o mesmo de Guénon. É próprio da heresia, assim como da mentira, ser múltiplo. Lutero e Calvino eram ambos protestantes e hereges, apesar de terem grandes divergências. Lendo as mensagens de Olavo, a única dúvida que resta é sobre o que está mais podre: se a sua inteligência corroída pelo orgulho ou se o seu coração enlameado pelas imoralidades que diz.
Chegamos então à parte mais interessante da resposta que não responde. Donato vai esclarecer o que ele entende por Perenialismo, em relação ao livro por ele escrito mas não assinado, mas não trata das palestras para os grupos restritos que também mencionei em minha carta. A tática de Donato deturpar o próprio texto do livro que ele escreveu no anonimato. Comparamos o texto do livro com o do e-mail em duas colunas para deixar clara a ocultação do pensamento de São Moita no e-mail que foi distribuído.
Texto do e-mail na resposta de Donato a nossa carta
Texto no livro A Educação segundo a Filosofia Perene
“A Introdução do livro afirma, já em sua primeira página, que entende-se por FILOSOFIA PERENE aquela filosofia que tem como seus representantes mais conhecidos Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino. Não se trata de hereges”
Por Filosofia Perene entendemos aquela filosofia que, embora transcenda as circunstâncias históricas em que se desenvolveu tem como seus representantes mais conhecidos Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, embora a ela pertençam, de fato, a maioria dos filósofos gregos, patrísticos e medievais, além de uma multidão de outros pensadores posteriores e mesmo contemporâneos”.
 
Na nova versão, do time dos filósofos da Filosofia Perene, Donato faz um expurgo típico dos governos totalitários de esquerda, quando não lhes interessa mais a companhia de alguém. Assim, convenientemente, ele retira “a maioria dos filósofos gregos”, cuja filosofia apresenta a realidade como sendo uma ilusão - sendo, portanto, oposta à doutrina católica - e que tem a simpatia dos gnósticos; além de eliminar “uma multidão de outros pensadores posteriores e mesmo contemporâneos”.
Porque será que Donato fez este expurgo? Quais seriam estes filósofos? Donato prefere mais uma vez permanecer na moita. Então, me parece legítimo perguntar se entre esses filósofos não estaria Bergson.
E porque pergunto especificamente sobre Bergson?
Aproveitando a lembrança de Donato sobre a colaboração da obra do Professor Orlando para o bem da Igreja, reporto aqui a crítica que ele fazia da doutrina de Plinio de Correa de Oliveira. Sei bem que Vossa Excelência é muito ocupada, mas quem sabe em suas viagens não encontre tempo para ler o livro que lhe entreguei juntamente com a minha carta, cujo título é No País das Maravilhas: a Gnose Burlesca da TFP e dos Arautos do Evangelho. O capítulo II da quarta parte trata do conhecimento segundo Bergson.
No texto a que faço referência o professor demonstra como em linha com a filosofia modernista de Blondel, que distorceu o ensinamento de São Tomás, Plinio Correa de Oliveira fazia uma super valorização do conhecimento por conaturalidade—e, ademais, mal entendido, e ainda mais mal aplicado - para menosprezar o conhecimento racional e valorizar uma outra forma de conhecimento não racional.
Segundo Bergson, o verdadeiro conhecimento não seria alçando pelo raciocínio, mas sim pela intuição. Assim neste capítulo o Professor Orlando demonstra como tal conhecimento é na realidade o conhecimento gnóstico:
“Ora, esse conhecimento intuitivo pretensamente superior ao intelectual, esse conhecimento que permitiria aceder ao absoluto de modo irracional, não conceitual, é aquilo que sempre se chamou de Gnose. Bergson é um gnóstico moderno.” (Orlando Fedeli: No País das Maravilhas, A Gnose Burlesca da TFP e dos Arautos do Evangelho, p. 371)
Seria longo tratar aqui de tudo o que o Professor comenta e, por isso, insisto que seria muito importante que Vossa Excelência lesse ao menos esta parte do livro. O pensamento do Professor Orlando nesta parte pode ser resumido no seguinte parágrafo:
“Em resumo, existem dois domínios: de um lado, o domínio da matéria espacial e rígida, subordinado à inteligência prática; de outro lado, o domínio da vida e da consciência que dura, ao qual corresponde à intuição”. (J. M. Bochenski, Henri Bergson, Tradução de Antônio Pinto de Carvalho. in A Filosofia Contemporânea Ocidental, Herder, São Paulo, 1968, in Orlando Fedeli, p. 371)”. 
Houve quem pretendesse conciliar a doutrina gnóstica de Bergson com o pensamento de São Tomás de Aquino, e esse é o caso do Frei Sebastian Tauzin, O. P., ao escrever sobre o conflito entre a intuição e a inteligência e ao dedicar em seu livro um capítulo inteiro ao conhecimento por conaturalidade. Assim, ao final do livro, Frei Tauzin não fica atrás da moita e apresenta suas intenções:
“Alguns leitores talvez terão estranhado que nos detivéssemos tanto em um filosofo de quem a Igreja pôs vários livros no index. Mas, de um lado, era preciso libertar as partículas de verdade cativas nessa prisão de um sistema evolucionista e incorporá-las numa filosofia cristã (...). E do outro lado, não podíamos deixar de reconhecer a magnífica influência que as obras de Bergson exerceram nas inteligências contemporâneas imbuídas de preconceitos cientistas, materialistas, marcando uma reação espiritual e cristã contra os erros dos inimigos da Cruz. Se essa reação se processou numa linguagem estranha e misturada paradoxalmente a teorias que não condizem com a Fé Cristã, não é motivo para negá-la.
Sobretudo porque, analisando o pensamento e a personalidade de Bergson, encontramos dois pensadores muito diferentes: o Bergson intuicionista que reage contra o materialismo, descobre as riquezas da vida, a duração verdadeira, a existência da liberdade, objetividade do conhecimento... pensa na Eternidade, admira os místicos e adora implicitamente o Cristo; e um Bergson dialético, organizando com materiais e moldes evolucionistas um sistema que não podemos admitir e cuja coesão não resiste à crítica.(...)
Tomada no seu sentido integral, a obra de Bergson, sejam quais forem as suas expressões exteriores, é um testemunho da verdade do Evangelho e do bom senso humano representado pela “filosofia perennis” (Frei Sebastien Tauzin, Bergson e São Tomaz – O conflito entre a intuição e a inteligência, pp.298-300.)
               Pois bem, Frei Tauzin, um dominicano, que se apresenta como tomista, após tratar da sua concepção modernista de filosofia acaba por incluir Bergson entre os filósofos da Filosofia Perene. Será que Donato também incluiu a Bergson na multidão de pensadores da Filosofia Perene? Que o moita apareça e se manifeste.
               Alguns dos admiradores de Donato também procuraram justificar o pensamento dele como sendo a expressão do conhecimento por conaturalidade segundo a doutrina tomista. Tal expressão não aparece no livro e nem mesmo há referência a São Tomás neste ponto. Como não temos a comunicação angélica que é privilégio de Donato, só nos resta esperar que ele mesmo se digne a explicar.
Por último, Donato em sua resposta afirma que a filosofia perene é a própria filosofia cristã. Pois então melhor teria sido chama-la de cristã, para não causar confusão, e certamente é isto que um tomista faria. A seguir, para provar que sua filosofia perene é correta, ele apresenta uma série de citações de encíclicas papais nas quais aparece o termo filosofia perene.
Ora, como já dissemos, no livro A Educação Segundo a Filosofia Perene, em nenhum momento existe qualquer referência a uma encíclica papal, nem mesmo se fala em um ensinamento do magistério. Apenas, algumas vezes, se faz referência à “tradição cristã”.  
Ademais, a leitura dos textos papais apresentados deixa claro que não há uma identificação entre as ideias apresentadas pelos Papas e as apresentadas no livro. A única coincidência é a própria expressão Filosofia Perene, mas este termo é utilizado também pelos péssimos filósofos citados em nossa carta dirigida a Vossa Excelência.
Permita-me, ainda, lhe dizer uma última palavra.
Não resta dúvida de que atravessamos uma grave crise na Igreja Católica e que a difusão de doutrinas heréticas, como o Perenialismo, é uma das causas desta crise, mas não a única.  Assim, a pergunta que se põe é como chegamos a este ponto para então sabermos o que fazer para voltarmos.
O Papa Emérito Bento XVI comenta sobre a crise na Igreja:
“Estou convencido de que a crise na Igreja, pela qual passamos hoje, é causada em grande parte pela decadência da liturgia, que às vezes é concebida de uma maneira etsi Deus non daretur [Como se Deus não existisse], isto é, que nela não importa mais se Deus existe e se Ele nos fala e nos escuta. Quando, porém, na liturgia não aparece mais a comunhão da fé, a unidade mundial da Igreja, o mistério de Cristo vivo, onde, então, ainda aparece Igreja, em sua essência espiritual? Aí a comunidade ainda celebra somente a si mesma, mas isso não vale a pena. E já que a comunidade por si só nem existe, e é sempre formada somente pela fé, sendo criada como unidade pelo Senhor, é inevitável, naquela suposição, que a Igreja se divida em partidos de todo tipo, e os grupos se oponham uns aos outros dentro de uma Igreja que se dilacera a si mesma”. (Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, Lembranças da Minha Vida, versão em português, Ed Paulinas, São Paulo, 2006, pp.128-131, in http://www.montfort.org.br:84/cardeal-ratzinger-nova-missa-foi-ruptura-com-a-liturgia-catolica-de-sempre)
O papa afirma então que a crise da Igreja está relacionada com a crise da liturgia. Ora, a crise da liturgia poderá ser vencida com a difusão da Missa Tridentina conhecida atualmente como a Missa no Rito Extraordinário, a qual foi restaurada pelo próprio Papa Bento XVI. Portanto, é fundamental que também lutemos pela restauração desta Missa Tridentina em toda a Igreja, incentivando que ela seja realizada em todas as paróquias.
Para concluir esta longa carta, quero dizer que compreendo bem que Vossa Excelência em seu cargo, e especialmente neste momento da política brasileira, tenha muitas ocupações. Por esta razão não lhe peço uma resposta direta, mesmo porque, não me interessa uma vitória pessoal que poderia se traduzir em obter a vitória em uma discussão. Entretanto, tendo em vista seu espírito combativo em defesa da Igreja, reitero meu pedido de que Vossa Excelência condene os erros do Perenialismo e, agora acrescento, que Vossa Excelência promova a divulgação da Missa Tridentina.
Como sempre, permaneço a sua disposição para qualquer esclarecimento, sobretudo porque sei que trato de temas bem amplos, para os quais é muitas vezes útil um maior detalhamento.
 
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Alberto Luiz Zucchi
Associação Cultural Montfort
 
E-MAIL DISTRIBUÍDO EM NOME DO PROF. DONATO
Assunto::
Mensagem prof. Donato
Data:
11/07/2019 14:54
 
 
 
 
Quinta feira, dia 11 de julho de 2019. 
A Fundação Montfort acaba de entregar aos parlamentares católicos 
recém eleitos no Congresso Nacional uma carta pedindo que condenem publicamente o Perenialismo e a obra A Educação segundo a Filosofia Perene como sendo uma das mais perniciosas heresias que estão se espalhando na Igreja. 

Recomendo que não se polemize nem se responda à carta. 

A argumentação da segunda metade da carta da Fundação Monfort é, para dizer o mínimo, claramente equivocada e, de tão absurda, acabará por si mesma desqualificando seus próprios autores e a obra que estão empreendendo. 

As respostas simplesmente criariam uma polêmica que traria alguma aparência de racionalidade a algo que infelizmente acabará por destruir muito do que realmente havia de bom para a Igreja na obra do fundador da Monfort. 

A carta começa com um auto elogio à própria Fundação Montfort que ocupa quase metade do texto e termina com uma adaptação do lema do presidente Bolsonaro: "DEUS ACIMA DE TODOS, A IGREJA CATÓLICA ACIMA DE TUDO". 

Segundo a carta, 

"A FILOSOFIA PERENE É UMA HERESIA CUJOS 
PRINCIPAIS PENSADORES SÃO RENÉ GUÉNON, 
ANANDA COOMARASWAMY E FRITHJOF SCHUON. 

OUTROS PENSADORES IMPORTANTES NESSA 
TRADIÇÃO INCLUEM TITUS BURCKHARDT, 
WOLFGANG SMITH, MARTIN LINGS, 
JEAN-LOUIS MICHON, MARCO PALLIS, 
HUSTON SMITH, HOSSEIN NASR E JEAN 
BORELLA. 

APESAR DE TER ADOTADO UMA ROUPAGEM 
NOVA, É UMA HERESIA ANTIGA CUJAS 
PRINCIPAIS TESES FORAM CONDENADAS NO 
CONCÍLIO VATICANO I. 

ATUALMENTE, EM UMA APRESENTAÇÃO 
DISFARÇADA DE CATOLICISMO, A DIFUSÃO 
DAS IDEIAS DO PERENIALISMO É FEITA 
ATRAVÉS DO LIVRO A EDUCAÇÃO SEGUNDO A 
FILOSOFIA PERENE. 

A TESE APRESENTADA PELO AUTOR É QUE A 
FILOSOFIA EGÍPCIA E GREGA TEM 
EXATAMENTE O MESMO FUNDAMENTO QUE A 
DOUTRINA CATÓLICA. 

A DOUTRINA É TOTALMENTE CONTRÁRIA A 
DOUTRINA CATÓLICA, E PORTANTO, TRAZ 
ENORME PREJUÍZO AS ALMAS. 

ALGUMAS DAS CONDENAÇÕES DA IGREJA ÀS 
TESES APRESENTADAS POR ESTA HERÉTICA 
FILOSOFIA SÃO: 

- CADA PESSOA É LIVRE DE ABRAÇAR E 
PROFESSAR A RELIGIÃO QUE, GUIADO PELA 
LUZ DA RAZÃO, JULGAR VERDADEIRA 
(SILABUS); 

- AS PESSOAS PODEM ENCONTRAR NO CULTO E 
QUALQUER RELIGIÃO O CAMINHO DA 
SALVAÇÃO ETERNA E ALCANÇAR A SALVAÇÃO 
ETERNA (SILABUS); 

- SE ALGUÉM DISSER QUE A FÉ DIVINA NÃO 
SE DISTINGUE DO CONHECIMENTO NATURAL 
DE DEUS E DA MORAL, E QUE, PORTANTO, 
PARA A FÉ DIVINA NÃO SE REQUER QUE A 
VERDADE REVELADA SEJA CRIDA POR CAUSA 
DA AUTORIDADE DE DEUS QUE REVELA: SEJA 
ANÁTEMA (CONCÍLIO VATICANO I). 

A NOVA HERESIA ESTÁ SE ESPALHANDO NOS 
MEIOS CATÓLICOS, PRINCIPALMENTE 
AQUELES AMBIENTES QUE SÃO TIDOS COMO 
MAIS CONSERVADORES". 

Ao contrário do que afirma a carta, a FILOSOFIA PERENE 
a que se refere o livro A EDUCAÇÃO SEGUNDO A 
FILOSOFIA PERENE não é a doutrina dos autores supra 
mencionados. 

A introdução do livro afirma, já em sua primeira página, que entende-se por FILOSOFIA PERENE aquela filosofia que tem como seus representantes mais conhecidos Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino. Não se tratam de hereges. 

Neste sentido, a FILOSOFIA PERENE é a própria 
filosofia cristã que a Igreja tem recomendado, através dos últimos séculos, que fosse ensinada nos seminários e nas escolas católicas de todo o orbe, e é exatamente desta que o mencionado livro trata. 

Além disso, conforme pode ser verificado nas seguintes citações do Magistério Papal, os mais diversos Sumos Pontífices tem justamente chamado esta filosofia com o nome de FILOSOFIA PERENE. Não se trata, portanto, de uma heresia, mas da própria filosofia professada pela Igreja Católica. 

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DOCUMENTOS DO MAGISTÉRIO DA IGREJA 

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CARTA ENCÍCLICA AOS SACERDOTES 
CATÓLICOS DO SUMO PONTÍFICE PIO XI 
SOBRE O SACERDÓCIO CATÓLICO 

51. Para que os futuros sacerdotes possam possuir a ciência que 
nossos tempos exigem, é de suma importância que, depois de uma 
sólida formação nos estudos clássicos, sejam instruídos e se 
exercitem bem na filosofia escolástica segundo o método, a doutrina e 
os princípios do Doutor Angélico. Esta FILOSOFIA 
PERENE, como a chamava nosso grande predecessor Leão XIII, 
no somente é-lhes necessária para aprofundar-se nos dogmas, como 
também os provê de armas eficazes contra os erros modernos, quaisquer 
que sejam, dispondo sua inteligência para distinguir claramente o 
verdadeiro do falso. 

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CARTA ENCÍCLICA FIRMISSIMAM 
CONSTANTIAM DO SUMO PONTÍFICE PIO XI 
SOBRE A SITUAÇÃO RELIGIOSA NO MÉXICO 

Juntamente com a prática da religião cristã, com a formação da 
índole e da consciência católica, que são elementos fundamentais 
para todos os fiéis, deveis associar uma especial e cuidadosa 
educação e preparação intelectual, apoiada na filosofia cristã, 
que é aquela que com tanta verdade foi chamada de FILOSOFIA 
PERENE. Hoje, de fato, uma sólida e adequada instrução 
religiosa parece ainda mais necessária do que em outros tempos, dada a 
contrária tendência sempre mais geral da vida moderna para as 
exterioridades, as dificuldades para com a reflexão e o recolhimento, 
e mais ainda, a tendência, mesmo na vida religiosa, em deixar-se 
guiar mais pelo sentimento do que pela razão. 

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CARTA ENCÍCLICA SERTUM LAETITIAE DO 
SUMO PONTÍFICE PIO XII PELO 150° 
ANIVERSÁRIO DA HIERARQUIA 
ECLESIÁSTICA NOS ESTADOS UNIDOS DA 
AMÉRICA 

Muito apreciamos que a mencionada encíclica Quadragesimo Anno, 
assim como aquela do Sumo Pontífice Leão XIII Rerum Novarum, 
onde se indica a solução da questão social segundo os postulados do 
Evangelho e da FILOSOFIA PERENE, foram tomados por vós 
como objeto de atenta e prolongada consideração por parte de pessoas 
de elevado engenho, que uma vontade generosa impulsiona à 
restauração social e ao fortalecimento dos vínculos de caridade entre 
os homens. 

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CARTA ENCÍCLICA HUMANI GENERIS DO SUMO 
PONTÍFICE PIO XII 

26. Por isto é muito deplorável que hoje em dia alguns desprezem 
uma filosofia que a Igreja aceitou e aprovou, e que a considerem 
antiquada por sua forma e racionalista pelo progresso filosófico. 
Pregam que esta nossa filosofia defende erroneamente a possibilidade de 
uma metafísica absolutamente verdadeira. Concedem que a filosofia 
ensinada em nossas escolas, com sua exata precisão de conceitos e com 
suas claras distinções, possa ser útil como preparação à 
Teologia Escolástica, mas sustentam que a FILOSOFIA 
PERENE é apenas a filosofia das essências imutáveis, enquanto 
que a mente moderna deve em vez disso considerar a existência em sua 
contínua evolução. 

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DISCURSO DE SUA SANTIDADE PIO XII AOS 
PARTICIPANTES DO CONGRESSO 
INTERNACIONAL DE FILOSOFIA 

Quarta feira, 20 novembro 1946 

Não pretendemos aqui expor um tratado sobre o existencialismo. Mas 
pensamos que os fatos das últimas décadas nos falam em uma linguagem 
muito eloquente sobre as questões que acabamos de abordar. A 
FILOSOFIA PERENE, possuindo em Deus a chave de seu pensamento, constitui necessariamente a união de um claro conhecimento 
e uma forte vontade que dele deriva. 

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DISCURSO DE JOÃO PAULO II AO PONTIFÍCIO 
ATENEU "ANGELICUM" 

Sábado, 17 novembro 1979 

7. Deveríamos temer que a adoção da filosofia de São Tomás 
possa comprometer a justa pluralidade das culturas e o progresso do 
pensamento humano? Este temor é manifestamente vão, porque a 
"FILOSOFIA PERENE", por força do princípio 
metodológico mencionado, segundo o qual toda a riqueza de conteúdo da 
realidade tem a sua origem no "ato de ser", possui, por assim 
dizer, por antecipação, o direito a tudo aquilo que é verdadeiro em 
relação à realidade. 
 


MENSAGENS TROCADAS ENTE OLAVO DE CARVALHO E SUA SEGUIDORA IARA FARIA
 

    Para citar este texto:
"Segunda Carta à Deputada Federal Christiane Tonietto"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/carta_christiane_tonietto_2/
Online, 19/09/2019 às 03:42:06h