Política e Sociedade

Ali Lulá e os 40 milhões
Orlando Fedeli

Depois dos depoimentos silenciosos do ex-Secretário do PT-Ética, o camarada Silvinho Pereira, e do ex-tesoureiro do PT-Mensalão, o companheiro Delúbio Soares, ficou patente o segredo que todo mundo já sabia: o Lula Lá sabia de tudo.
           
Silêncios, por vezes, valem uma proclamação.
 
A Mídia pode tentar esconder a verdade por meio de seus silêncios e omissões controladas e controladoras; os políticos podem fingir que não estão vendo o Tiranossaurus-Rex passeando pelas salas envidraçadas do Palácio do Planalto, que não adianta: o Planalto tem vidraças transparentes.
 
Não há blindagem que oculte o que todo mundo já viu.
 
Até cego já viu. Até os motoristas fanáticos da ex CMTC  - até os inocentes da ética que acreditaram na capacidade da Marta fazer uma plástica na Prefeitura  – não podem negar: é claro que Lula Lá sabia de tudo. É claro que tudo foi feito por ordem do Zé Dirceu, que os delubios executaram, e que o Lula Lá tudo aprovou.
 
Em nome da ética e da transparência.
 
Mas que Lula sabia de tudo, sabia.
 
E permitiu que se cortasse na carne... mas do Brasil.
 
Doesse a quem doesse.
 
Todo Brasil sabe que Lula é o grande responsável –  na medida em que ele é responsável -- por tudo o que fizeram e o que ele chamou de “os melhores quadros do PT”.  (Imaginem-se os piores!).
 
Porque foi Lula quem – pelo menos oficialmente - escolheu esses quadros. Isto é, essa matilha. Ou quadrilha.
 
Foi Lula que os colocou “Lá”.
 
Com a bênção compreensiva e ungida da CNBB, encantada com um metalúrgico na Presidência da República.
 
Foi Lula que permitiu que Zé Dirceu controlasse a Caverna de Ali Babá
 
Foi o deu, por Lula lá.
 

 
Lá, Lula, de improviso disse, -- e calculadamente fez, -- muita bobagem.
 
Ele o reconheceu, pois confessou metade da verdade.
 
Só metade
 
"Quando a gente fala de improviso, a gente pode cometer um erro e falar uma palavra imprevista. Mas, em se tratando de bobagem, é melhor a gente falar do que a gente fazer", declarou Lula a 1.200 jovens carentes, na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
 
Todavia, nem isso é verdade no caso dele, porque Lula, além de dizer muita bobagem improvisada, fez também a grande bobagem de nomear essa gente da quadrilha da ética – os melhores, os mais hábeis do seu partido -- para o controle da caverna do Planalto, e da lâmpada do Aladino.
 
Pior. Concedeu-lhes o “Abre-te Sésamo” das autarquias e estatais. Foi aquela chuva de dólares e de saques.
 
Ficou transparente. Descobriram. E agora Delúbio?
 
Delúbio se sacrificou pelo partido. Assumiu pateticamente toda a culpa. Pelo bem da Causa proletária.
 
Na futura República Bolchevista do Brasil, -- com que o resto do PT não deixa de sonhar -- vão lhe fazer uma estátua de bronze em meio de um jardim, onde pipoqueiros venderão pipocas, e espertalhões comerão laranjas.
 
Ou então seu nome vai virar praça:
 
Praça Delúbio Sinceridade.
 
Porque ele heroicamente aceitou toda a culpa, que era de todos, só para ele. É a única propriedade privada que esse bolchevista diz querer reivindicar só para si.
 
Heroicamente.
 
No massacre que ele sofreu na CPI  dos Correios, ele inabalavelmente se recusou a nomear qualquer dos pombos do correio do mensalão.
 
Sua atitude era tão claramente a de um culpado, que até membros do PT se revoltaram contra ele. Afinal, essa era a transparência determinada pelo Lula lá? Era isso que significava a fórmula lulesca: “apurar tudo, doa a quem doer, mesmo que for preciso cortar na carne”?
 
Mas é só dar uma picadinha, que o Lula ordena suspender o curativo, e abafar a apuração. Tapar a transparência. Nada de CPI. Vamos trabalhar. E bastava falar em CPI, que o PT Mensalão esperneava como diabo em exorcismo, para evitar que a maracutaia fosse apurada.
 
Será que quando Lula lá diz que “é preciso cortar na carne”, ele fica pensando nas picanhas da Granja do Torto?
 
As picanhas do Fome Zero.
 
Frei Bettooo? Onde estás que não respondes? Por que te calas? Por que te escondes?
 

 
Ficou evidente para todo Brasil, que Delúbio, na CPI, estava se sacrificando para salvar alguém.
 
Ninguém acreditou que, um incapaz como aquele boi-de-piranha, decidia sobre dezenas de milhões sem consultar ninguém no partido.
 
Ninguém acreditou no que dizia Delúbio.
 
Um  homem com aquela cara – com aquele sorriso de capivara, como escreveu um famoso jornalista - um homem com aquela fala, é incapaz de conseguir crédito para comprar um par de tamancos.
 
Ninguém acreditou como um Delúbio daqueles não foi expulso pelo PT. A “cúpula” tinha medo de expulsá-lo, porque sabia que ele devia ser protegido se não...Se não...Senão, caía a Cúpula.
 
Ninguém acreditou na historinha que o tesouro da caverna fora distribuído para pagar dívidas de campanha eleitoral. E dois deputados, na CPI, escancararam, em discursos extremamente claros e lógicos, que muita gente que não foi candidata sacou dinheiro da caverna; que o mensalão existiu mesmo.
 
Portanto o crime não era eleitoral.
 
E quem seria então que precisava ser salvo pelo Delúbio?
 
Certamente não era o Zé Dirceu, que já estava afogado, coberto pelas sombras de Santo André, pela cachoeira das loterias e dos bingos, pelos saques do correio.
 
Muito menos se sacrificou Delúbio, para salvar o veraz e ético Genoíno, atrapalhado em reveladoras roupas íntimas cheias de dólares.
 
Nem era o místico barbichado Gushiken, esotericamente metido em favorecimentos indiretos, que se queria salvar.
 
Então, quem o Delúbio queria salvar, com seu sacrifício estóico monitorado por  advogados sagazes?
 
Só existe uma resposta para essa pergunta: 
 
Delúbio quis salvar – por ordem do PT, que não o expulsou – o poderoso chefão de todos os quadros,-- “Il Capo di tutti i capi” -- que se instalaram no Planalto brasileiro, a flor da Cúpula: Lula Lá.
 
Quem estão querendo salvar a todo custo é o Lula, para mantê-lo lá.
 
Políticos e advogados, sacerdotes e jornalistas, teólogos e sindicalistas, marxistas e trotsquistas, todos procuram blindar o Lula Lá.
 
Faz- se um trabalho urgente de metalurgia para blindar Lula Lá.
 
Soldas. Arrebites. Parafusos. Tudo se usa para blindar Lula, Lá.
 
Lula, que já parecia um autômato antes de ser blindado, agora já parece um tanque de guerra na faixa de Gaza, tão blindado está.
 
Porém, a  blindagem esbarra com duas grandes dificuldades: dizer o quê, e fazer o quê, para blindar o Lula Lá?
 
1a Dizer o quê?
 
Dizer que ele foi um mero cúmplice dessa quadrilha que assaltou o Brasil em nome da ética, é contra a dignidade do cargo presidencial.
Imagine: admitir que um presidente do Brasil é cúmplice do Delúbio!
Não dá!...
Por outro lado, afirmar, com convicção, que Lula era o cérebro da quadrilha, é impossível.
O Lula Lá, cérebro?
Não da!
 
2a Que fazer?
 
É a segunda dificuldade: que fazer para blindar a boca do Lula Lá?
Impedi-lo de improvisar é tarefa que nem Hércules conseguiria empreender.
Lula é orador nato.
Nasceu de boca aberta.
Por exemplo, na entrevista que deu em Paris, Lula se superou, quando reconheceu que o PT tinha e trabalhava com Caixa 2, para ganhar eleições. Disse que todo partido faz isso e sempre fez isso.
Com foi então que ele venceu as eleições presidenciais?
Foram eleições valeriadas?
 

 
O ex Presidente da Câmara dos Deputados, o transparente petista João Paulo, depois de ser surpreendido com a mão no mensalão, quase renunciou.
 
Depois, andou falando coisas que podem ajudar a resolver o caso...
 
João Paulo disse que considera irreversível a crise para si e para o governo. Chegou a fazer previsões ruins para o presidente da República -- em quem acredita que o escândalo acabará respingando em "questão de dias".
 
E  disse com mais transparência ainda:
 
 "Marcos Valério tem ainda muitas cartas na mão", afirmou ontem João Paulo. Nos bastidores, o ex-presidente da Câmara tem declarado que não demorará para ruir a versão de que ninguém no Palácio do Planalto, no PT e nos partidos governistas sabia detalhes da atuação do empresário Marcos Valério."
 
Hoje, noticia-se que o Big Jeff ameaça, de novo, contar tudo.
 
E quando ele conta tudo -- pela metade --, metade do Brasil rola para o abismo.
 
Mas, se ele contar duas vezes tudo pela metade, não vai sobrar ninguém no Congresso, porque metade mais metade dá um Congresso inteiro.
 
E diz que desta vez não vai poupar nem o Lula Lá. 
 
A picanha vai chiar...Chiii...
 
Quando a picanha esquentava, na brasa, lá na Granja do Lula, ela chiava, fazendo chiii... enquanto a gordurinha ia pingando no fogo...Agora, a coisa está quente, e a gordurinha do Valério está pingando no fogo...
 
Aos milhões.
 
Disse eu, que eram 40?
 
Pois a conta já passou de longe os 40.
 
40 eram os ladrões na caverna antiga. Isso é coisa ultrapassada, que, no Brasil, a História supera a lenda.
 

 
Discursando na CPI,  deputado Alberto Goldman, um homem muito bem informado, foi explícito: a crise vai chegar ao Lula, porque é evidente que o Lula sabia de tudo, e aprovou tudo. "
 
E da boca de Goldman saiu a palavra fatal:
 
Im-pea ch ment.
 
Hoje, ela ecoa em vários pontos e cantos do Brasil, e da imprensa.
 
Ran- tan- tan-tan! 
 
A Quinta Sinfonia bate á  porta da História.
 
Ran- tan- tan –tan!
 
É o impeachment batendo à porta do Planalto em Brasília.
 
"Diga que não estou”, berra o Lula Lá de dentro, para a Marisa.
“Logo agora que estou ganhando no vídeo game, que o Fabinho vendeu pra Telemar!“
“Depois, nóis resove esse probrema”.
 

 
Mas, a História não acredita.
Insiste.
Ran-tan-tan-tan!
 

 
Só se conseguirem impedir o impeachment à força de blindagem, o Lula ficará lá. 
Mas, blindado.
Enlatado.
Ran-tan-tan-tan!
 
São Paulo, 25 de julho de 2005
Orlando Fedeli

    Para citar este texto:
"Ali Lulá e os 40 milhões"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/ali_lula/
Online, 11/12/2017 às 12:58:57h