Política e Sociedade

Cuba, a ilha-prisão
Marcelo Andrade


"A revolução de Fidel foi a revolução do ódio, da vingança e das vítimas."
(Papa João Paulo II)

Passados quase dez anos da queda do muro de Berlim, ainda há muitas pessoas que admiram Cuba e seu ditador, Fidel Castro. Na verdade, desde muito tempo, Cuba é um mito, não só dos comunistas e dos esquerdistas. Há vários católicos e religiosos que elogiam a ilha-prisão, o que é vergonhoso. Fala-se muito de sua baixa mortalidade infantil, de seus sistemas de saúde e de ensino, da ausência de desigualdades sociais. E, cúmulo do absurdo, dizem que Cuba é o retrato da verdadeira solidariedade cristã! Faremos aqui um breve resumo da história e da realidade atual de Cuba para mostrar que a ilha está longe de ser um "paraíso" como imaginam os seus admiradores. Baseamos nosso trabalho no "Le livre noir du communisme", e em diversos artigos de jornais e revistas: "O Estado de São Paulo", "Veja" e em especial no artigo de 28/12/98 da "Folha de São Paulo".

O objetivo maior da frente de oposição a Fulgêncio Batista (Fidel Castro fazia parte dela) era derrubá-lo do poder e fazer eleições, pois diziam querer a Democracia para Cuba. O próprio Fidel, em 1957, admitiu que não queria o poder; só queria voltar a advogar.

Fidel tomou o poder em 1959, e aí começou o terror: foram executadas 600 pessoas em 5 meses. Muitos desses assassinatos foram transformados em espetáculo ao estilo da Velha Roma. A multidão, excitada pelos revolucionários, apontava para as vítimas e gritava : "É digno de Roma Antiga!". O ditador começa também a perseguir seus antigos companheiros.

Os ex-aliados de Fidel, vendo que foram traídos, formaram uma guerrilha nas montanhas de Escambray, mas foram vencidos pelo ditador e levados para o trabalho forçado nas plantações de tabaco.

Logo depois da tomada do poder, Fidel proibiu associações e suspendeu os direitos fundamentais dos cidadãos. Fez uma "limpeza", livrando-se dos opositores (matando, exilando ou prendendo) no melhor estilo de Stalin, verdadeiros "Processos de Moscou" em Havana. Em 1961, 131 padres são expulsos da ilha. Fidel diz num discurso: "quero que a cúria falangista faça as malas".

Em 1962 as greves são proibidas. Logo depois, Fidel cria a DSE (polícia interna), conhecida pelos cubanos como "Gestapo vermelha", para repressão dos opositores do regime. Torturas e ameaças foram usadas em grande escala para amedontrar a população.

Em 1965 foram criados os campos de concentração, os "UMAP". Mais de 30.000 pessoas foram levadas a eles, entre religiosos e "perigosos para o sistema". Foram tão desumanos que geraram protestos internacionais até de comunistas.

Em 1978 foi aprovada a lei da "periculosidade pré-delitiva", que em muito lembra o período do terror da Revolução Francesa e da época nazista. De acordo com essa lei, qualquer cidadão poderia ser preso por mera suspeita se as autoridades achassem que ele era perigoso para o Estado, e com isso podia ser torturado, preso ou enviado para os campos de trabalho forçado.

Com tanta repressão, muitos habitantes fugiram com barcos precários pelo mar, os famosos "balseros", 7.000 morreram. Fidel Castro, num ato de fúria, chegou a mandar helicópteros para afundá-los.

De acordo com as contas dos exilados cubanos de Miami e do "Le livre noir du communisme", de 1959 até hoje, Fidel Castro matou mais de 15.000 pessoas e exilou quase 2.000.000 de habitantes (quase 20% da população), incluindo sua filha Alina Fernandez (ela se recusa a usar o sobrenome "Castro").

Fidel Castro roubou as propriedades privadas das pessoas e da Igreja Católica, transformando-as em domínio público. Na verdade, transformou-as em suas propriedades, porque faz o que bem entender com elas.

Feito o terror e consolidado o poder, Fidel Castro transformou a ilha num satélite da antiga URSS, com a única diferença de que ela não precisou construir muro ou ter cerca eletrificada, pois ela é cercada de tubarões.

A economia socialista nunca funcionou bem em Cuba (aliás, em nenhum lugar do mundo deu resultado), já que sempre precisou do auxílio da antiga URSS, com a qual trocava petróleo por cana-de-açúcar, realizando um dos melhores négocios do mundo.

Cuba sempre foi sustentada artificialmente pelo bloco soviético. Mas, agora que a "mesada" de Moscou acabou, o ditador foi obrigado a promover reformas capitalistas para sobreviver. Os dados sociais sempre foram "maquiados", nunca correspondendo à realidade das coisas.

Segundo dados do governo cubano (que não são muito dignos de confiança), a mortalidade infantil de Cuba é uma das menores do mundo. Entretanto, esses dados perdem a consistência quando se analisa a taxa de abortos na ilha. É comum as mulheres fazerem 4 ou 5 abortos antes de terem o primeiro filho. O Estado dá todas as condições para as mulheres praticarem o assassinato intra-uterino, já que o aborto é legalizado.

Em Cuba existem duas classes sociais: a de Fidel e seus asseclas, e a do resto da população. A primeira vive muito bem, usufruindo de todos os bens de consumo que o dólar pode comprar (Fidel Castro anda de carro Mercedes-Benz, possui mordomo e adora lagostas).

A segunda é obrigada, por exemplo, a contentar-se com: ½ Kg de carne de porco misturada com soja a cada 15 dias; ½ Kg de carne de vaca e um sabão em pedra a cada 2 meses; 1 par de sapatos a cada 6 meses.

Os salários, apenas para exemplificar: um engenheiro ganha US$ 40, um jornalista US$ 30 e uma faxineira US$ 5 (não deveriam ganhar a mesma coisa?). Para efeito de comparação, uma refeição nos restaurantes ("paladares") custa em torno de US$ 20. Taxistas, porteiros e carregadores de hotéis 5 estrelas, prostitutas (Cuba é um dos destinos preferidos do chamado "turismo sexual") são os que ganham mais, pois recebem gorjetas em dólares. A maioria das pessoas, para não passar fome, faz "bicos" ou trabalha no mercado negro.

Apesar de ser uma ilha, em Cuba a pesca não é estimulada, pois Fidel tem medo que os pescadores fujam com seus barcos.

Para os que não pertencem ao PCC (Partido Comunista Cubano) não há a mínima condição de ascensão social.

Em Cuba, nas cidades, há bairros com esgotos a céu aberto, racionamentos de água, luz e combustíveis. Boa parte vive em cortiços, onde várias famílias se amontoam em espaços exíguos. Há fome no campo, principalmente na região de Guantânamo.

Na ilha havia muitos colégios católicos. Fidel confiscou-os e transformou-os em colégios ateus. Onde era ensinado Catolicismo, hoje se ensina a retórica ultrapassada e macabra do marxismo-leninista.

O governo cubano é nitidamente anti-católico. Os habitantes ficaram privados, durante 28 anos, da festa do Natal. Não podem construir Igrejas nem fazer procissões. Até 1992 o PCC não admitia cristãos entre seus membros.

Na saúde, só os membros do PCC têm acesso aos melhores tratamentos. O resto da população convive com racionamento, ou total falta de medicamentos.

De acordo com "Human Rights Watch", Cuba possui 800 presos políticos. Basta ter mera dissidência política para ser preso; não existem as mínimas garantias processuais.

Vivia-se muito melhor na época de Fulgêncio Batista, porque a repressão não era tão violenta, o aborto era proibido, havia várias escolas católicas, liberdade de culto para os católicos, possibilidade de ascensão social e respeito às propriedades privadas. Cuba, nessa época, possuía a 3a renda "per capita" da América Latina. Com Fidel, tem a 15a .

A história de Cuba de 1959 até hoje mostra um país marcado pela repressão brutal, pelo cerceamento das liberdades religiosas, espoliação das propriedades privadas, assassinatos, massacres e um nível de vida péssimo.

É inacreditável, portanto, ver pessoas elogiando Cuba e seu tirano Fidel Castro. Infelizmente, ainda existem aqueles que gostam dos regimes socialistas que tanta desgraça causaram ao mundo.

Algum tempo atrás, o ditador cubano ganhou o inusitado "Prêmio Muamar Kadafi de direitos humanos". Só falta, agora, ele ganhar algum prêmio instituído por Sadam Hussein ou por Milosevic.

O escritor cubano exilado Cabrera Infante definiu Fidel Castro como sendo: "O Idi Amin Dada branco" (referência ao ditador africano, famoso por sua tirania e crueldades).

Acreditamos que o escritor exagerou, foi muito ríspido, pois Idi Amin poderia ter ficado ofendido...

 


    Para citar este texto:
"Cuba, a ilha-prisão"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/politica/Cuba/
Online, 23/08/2017 às 07:12:44h