O Papa

Rezemos pelo Papa. Rezemos pela FSSPX. Rezemos pela Igreja
Orlando Fedeli


 

Anteontem, foi noticiado que a Santa Sé mandou à FFSPX a esperada proposta de reintegração plena dos discípulos de Dom Lefebvre à Santa Igreja.
A noticia foi dada com amargor por certa mídia, pessimista  e inimiga da doutrina de sempre, e que procura convencer o público de que um acordo entre os lefrevistas e a Santa Sé jamais se dará. Outros  procuram sabotar  esse acordo, pois percebem que a proposta de Bento XVI é um ato de reação contra o tsunami modernista produzido pela erupção do Vaticano II e da Nova Missa de Paulo VI.
Por isso, as primeiras notícias apresentavam a proposta de Bento XVI à FSSPX quase como um ultimatum: até 28 de Junho, sábado,  a FSSPX deveria se pronunciar se aceitaria ou não duas condições assim apresentadas: aceitar o Vaticano II e aceitar a Missa nova.
Só assim.
Ora, para o Instituto do Bom Pastor não foi assim. Não foi feita proposta nem tão seca e nem tão amarga. Pelo contrário, foi docemente surpreendente.
Ofereceu-se ao Padre Laguérie, para aceitar a fundação do IBP de acordo com Roma, o direito de celebrar exclusivamente a Missa de sempre, assim como o direito de fazer crítica construtiva ao Vaticano II.
Por que então tal ultimatum tão seco para a FSSPX?
Por que uma exigência de rendição sem condições?
Por que um “inconditional surrender”?
 
Claro que, se fosse realmente assim, a FSSPX rejeitaria imediatamente tal ultimatum.
Ora, o noticiário logo disse o contrário. A FSSPX imediatamente anunciou uma reunião extraordinária de seus dirigentes para dar uma reposta ao Papa, até sábado.
Foi noticiado que Dom Fellay, superior da FSSPX,  confirmou a reunião do Conselho Superior da FSSPX, que durará ate dia 28, sábado próximo, para resolver o que responder à proposta da Santa Sé.
Numa entrevista, Dom Fellay informou que a Santa Sé ia decretar a anulação da excomunhão de Dom Lefebvre, de Dom Mayer e dos Bispos por eles sagrados, em 1988, assim como a concessão de uma Prelatura Pessoal à FSSPX, nos moldes concedidos ao Opus Dei.
Isso é bem diferente do que o anunciado amargo e seco “ultimatum”.
Muito possivelmente a Santa Sé exigiu que a FSSPX reconhecesse o Vaticano II como “um concílio legitimamente convocado a aprovado pela Igreja", e a Missa Nova como “válida” - o que a FSSPX sempre aceitou - mas com o direito de fazer uma “crítica séria e construtiva” aos pontos doutrinários do Vaticano II, que têm despertado perplexidade, assim como aos pontos negativos da Nova Missa.
Aliás,  é bem sintomático que, num documento redigido pelo Abbé Celier, se tenha dito o seguinte, a título de exemplo para um possível acordo entre Roma e a FSSPX:
 
“Entretanto, como já sublinhamos, esse golpe de timão não consiste em pedir que o concílio Vaticano II seja pura e simplesmente anulado.Não consiste em exigir de Roma um documento solene de arrrependimento quanto ao ultimo meio século. Não consiste em voltar materialmente a 1958, ao estado da Igreja na morte de Pio XII. Ademais ,ele pode se dar de vãrios modos, em várias etapas, tomando todos os cuidados  legitimamente necessários”.
“Por exemplo, essa mudança de rota em direção à tradição poderia se concretizar, em um primeiro tempo, pelo fato de que a Sé Apostólica autorize estatutariamente a Fraternidade São Pio X a permanecer fiel de modo exclusivo à doutrina tradicional, tal qual foi expressa claramente pelo Magistério anterior ao Concílio Vaticano II (permissão que lhe seria dada à semelhança do que foi autorizado para a Igreja rutena, quando do acordo de Brest-Litovsk em 1595, sob o pontificado de Clemente VIII), e declare possível e lícito para a Fraternidade São Pio X, na Igreja, uma crítica séria e construtiva dos pontos decididamente novos que contem o Vaticano II, e que, a esse título suscitam interrogações legítimas”.
 
Estávamos escrevendo este artigo, quando nos chegou mais uma notícia de Roma, dada pelo vaticanista Andrea Tornielli.                  
Segundo ele, o documento do Vaticano enviado à FSSPX, -- --documento, que ele diz possuir--, a Santa Sé teria exigido da FSSPX a adesão a cinco pontos que seriam:
 
Condições resultantes do encontro do Cardeal Dario Castrillón Hoyos e o Bispo Dom Fellay em 4 de Junho de de 2008. 
  1. Empenho em dar uma resposta proporcionada à generosidade do Papa;
  2. Empenho de evitar todo pronunciamento público que não respeite a pessoa do Santo Padre e que possa ser negativo à caridade ecclesial;
  3. Empenho em evitar a pretensão de um magistério superior ao do Santo Padre e de não apresentar a Fraternidade em contraposição à Igreja; 
  4. Empenho em demonstrar a vontade de agir honestamente na plena caridade eclesial e no respeito da autoridade do Vigário de Cristo;
  5. Empenho em  respeitar a data - fixada no fim do mês de Junho - para responder positivamente. Esta será uma condição pedida e necessária como preparação imediata à adesão para ter a plena comunhão.
            Não há dúvida de que são condições extremamente generosas. Nada de amargo ou seco. Mas condições de um pai misericordioso, recebendo um filho que retorna.
Claro que essas são condições absolutamente corrretas, aceitáveis e necessárias, impostas pelo Papa, em troca de algo que ele generosamente ofereceu e parece já ter concedido: a anulação das excomunhões de Dom Marcel Lefevre, de Dom Mayer e dos Bispos da FSSPX, assim como a oferta de a FSSPX se constituir em Prelatura Pessoal.
 
Como se vê nada de imposições inaceitáveis, mas uma oferta genesosíssima do Papa que, em troca, pede apenas o que é estrictamente obrigatório a qualquer católico submetido ao poder do Vigário de Cristo.
Vê-se por aí, que o Papa visou principalmente calar os sede vacantistas da FSSPX ou as manifestações desbocadas de certas pessoas que não guardam o devido respeito ao Santo Padre.
Isso explica os documentos do Padre Celier e do Abbé de Cacqueray contra os sede vacantistas, e que comentamos recentemente.
Tínhamos, pois, razão em ver nesses documentos uma preparação para o acordo ardentemente desejável da FSSPX com Bento XVI, que possibilitará um grande avanço na causa da ortodoxia e do retorno ao que a Igreja sempre foi.
 
Hoje , dia 25 de Junho, chegou-nos a seguinte declaração do porta voz da Santa Sé (http://qien.free.fr/+++/+++20080625_croix.lombardi.htm)
 
Declaração do  Padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa-Sé, a respeito da “mão estendida” aos lefebvristas
A Santa Sé, que reconhece  a "mão estendida” aos integristas, considera que o reconhecimento do Vaticano II e da liturgia renovada "não são recolocadas em questão”, numa declaração a Isabelle de Gaulmyn, enviada especial permanente de "La Croix" em Roma, quarta feira 25 de Junho.
 
« O reconhecimento do Concílio Vaticano II como verdadeiro concílio ecumênico da Igreja e o reconhecimento da validade da Missa celebrada conforme a liturgia renovada depois do concílio não são recolocadas em questão. Os cinco pontos citados por Tornielli, como ademais aparece em seu próprio conteúdo, tratam das condições mínimas para que se possa haver uma relação caracterizada pelo respeito e a disponibilidade para com o Santo Padre, e por um espírito eclesial construtivo. Eles são, pois, de uma outra natureza, e  é por isso que eles não fazem referência ao concílio, e à  liturgia, e não porque esses dois assuntos não seriam mais fundamentais.
“É evidente que o Papa deseja estender a mão a fim de que seja possível um retorno à comunhão, mas para que esses passos necessários possam realizar-se, é preciso que esse oferecimento - essa “mão estendida”  - seja recebida  com uma atitude e um espírito de caridade e de comunhão. É a isso que os cinco pontos citados convidam. »
                                                                                                                  
 
          Como prevíramos a Santa Sé exige que a FSSPX reconheça que:
1. Que o Vaticano II foi um Concílio da Igreja Católica.
                      E isso é óbvio
            2. Que a FSSPX reconheça que a Nova Missa é válida
                   Coisa que a FSSPX sempre reconheceu
 
O problema é se a FSSPX fica obrigada, ou não, a aceitar tudo  que foi dito no Vaticano II, ou se terá o direito de fazer uma “crítica séria e construtiva ao Concílio e à Missa nova”
            Até sábado esse enigma permanecerá.
            Queira Deus que tudo se resolva para a vitória da Igreja contra os erros modernistas do Vaticano II.
 
Que o retorno da nau da Igreja às colunas da Hóstia e da Virgem Maria, profetizado por Dom Bosco parece bem traçado. Resta que seja executado até o fim perfeito.
A exigência de que a FSSPX responda até o fim de Junho, na festa de São Pedro, parece ter sido bem aceita por Dom Fellay que já está em reunião com seus principais assessores para responder ao Papa, até sábado.
 
Caso se faça realmente esse acordo, ele permitirá a FSSPX retornar plenamente ao seio da Igreja, fato que teria conseqüências imensas na Igreja.
A anulação da excomunhão de Dom Lefebvre e de Dom Mayer, significaria, implicitamente, que é legítimo condenar e combater os erros do Vaticano II, exatamente como esses dois heróis da Fé fizeram durante muitos anos. E que é legítimo apontar, como eles fizeram, erros e desvios na missa de Paulo VI.
Logo, significaria que a Santa Sé reconhece que o Vaticano II não foi infalível, e que ele é passível de críticas.
O retorno da FSSPX à plena comunhão da Igreja daria uma força enorme ao movimento de resistência ao Vaticano II, assim como um imenso impulso à Missa de sempre. Significaria a clara mudança de direção que Bento XVI está imprimindo à Igreja, contrariando o que se fez desde o Vaticano II.
Por tudo isso, e para que tudo assim se resolva, rezemos pelo Papa Bento XVI, rezemos pela FFSPX, rezemos pela vitória da Santa Igreja sobre os erros modernistas que ameaçam arruiná-la.
Rezemos para que o demônio não consiga perturbar esse acordo prestes a ser assinado.
Que Nossa Senhora alcance de Deus a graça dessa imensa vitória.
E se nossas esperanças não se realizarem já agora, a luta continuará.
Até a vitória, que certamente um dia virá.
Deus amanhece devagar.
Um dia de grande luz vai nascer.
Tomara que seja sábado próximo, na vigilia de São Pedro.
 
 
São Paulo, na festa de São João, 24 de Junho de 2008.
 
Orlando Fedeli
 
 

 
ANEXO
      
       Eis as  cinco condições da carta a Dom Fellay
 
Vim a ter em mãos o documento com as cinco condições postas a Monsenhor Fellay, tendo em vista o retorno da FSSPX à plena comunhão com Roma.
            Ao contrário do que diziam as  indícios iniciais, não  se fala de aceitação do Concílio ou da nova Missa: são condições gerais prévias.
            De fato, a Santa Sé, mostrando uma grande generosidade, pede que não se ataque a pessoa do Papa. Monsenhor Fellay  pediu a Bento XVI a revogação  da excomunhão, o pedido de respeitar a autoridade do Papa sem pretender mais serem depositários de um magistério “superior” ao do Pontífice reinante me parece uma condição de bom senso!  
 Eis o texto da carta que tem a assinatura do Cardael presidente da Ecclesia Dei:
 
     Condições resultantes do encontro do Cardeal Dario Castrillón Hoyos e o Bispo Dom Fellay em 4 de Junho de de 2008
  1. Empenho em dar uma resposta proporcionada à generosidade do Papa. 
  2. Empenho de evitar todo pronunciamento público que não respeite a pessoa do Santo Padre e que possa ser negativo à caridade ecclesial; 
  3. Empenho em evitar a pretensão de um magistério superior ao do Santo Padre e de não apresentar a Fraternidade em contraposição à Igreja; 
  4. Empenho em demonstrar a vontade de agir honestamente na plena caridade eclesial e no respeito da R17;autoridade do Vigário de Cristo. 
  5. Empenho em  respeitar a data - fixada no fim dol mês d Junho - para responder positivamente. Esta será uma condição pedida e necessária como preparação imediata à R17;adesão para ter a plena comunhão.
 

 


    Para citar este texto:
"Rezemos pelo Papa. Rezemos pela FSSPX. Rezemos pela Igreja"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/papa/papa_fsspx/
Online, 21/10/2017 às 04:53:12h