O Papa

O Papa deixa de lado qualquer tentativa de autocomplacência
Luis Fernando Pérez Bustamante

 
Faz  já  muitos  anos que descobri um fato que se repetiu ao longo da história. O papado está inscrito na própria essência da Igreja, de tal maneira que a presença de um Papa “mau” pode sacudir seus fundamentos, que não obstante resistem firmes pelo cuidado do Senhor, enquanto que a chegada de um Papa “bom” implica sempre um derrame de graças que beneficia não só à Igreja do momento como também as gerações futuras.
 
Hoje, nossos olhos contemplam um Papa bom, um sucessor de Pedro que não tem o menor problema em chamar as coisas por seu nome, que não parece estar preocupado pelo que vão dizer os outros. A mal chamada “diplomacia vaticana” - me abstenho de escrever o qualificativo que ela merece - está em cacos. Bento XVI não dá a mais mínima trégua ao pecado na Igreja. Não busca discursos autocomplacentes, presentes em alguns setores eclesiais, que olham mais os ataques que a Igreja recebe de fora, do que os que nascem do pecado de muitos de seus membros.
 
Quando boa parte dos católicos nos dedicamos a assinalar os meios que buscam o descrédito da Igreja devido aos escândalos, o Papa vai e nos diz que a maior perseguição vem precisamente de dentro e não de fora da Igreja. É como se nos dissesse: “Vede o que mal nasce entre nós em vez de queixarmo-nos do que nos vem do exterior”. A batalha principal da Igreja neste tempo não é contra o mundo, mas sim contra os que desde dentro da Igreja não entendem que é preciso  arrancar de cuajo o pecado e os escândalos. A purificação e a penitência são o caminho. Noutras palavras, Reforma ou Apostasía.
 
Creio sinceramente que se equivocariam aqueles que vissem nas palavras do Papa um aviso apenas contra os pecados de tipo “sexual". Ainda que sejam os mais chamativos, devido a que as vítimas são crianças e adolescentes, não são os únicos presentes nas últimas décadas. De fato, esse tipo de pecado são os mais fáceis de tratar, via tolerância zero. Porém, há um pecado que, na minha opinião, é infinitamente mais perigoso para o futuro da própia Igreja. É o do afastamento da verdade por parte de grande parte dos batizados, seculares, religiosos, sacerdotes e inclusive alguns Bispos. Que um sacerdote abuse sexualmente de um menino se vê como algo espantoso. E com razão. Que outro sacerdote, ou um catequista, abuse espiritualmente desse mesmo menino, ensinando-lhe desde sua mais tenra infância a heresia e o erro, não se vê como algo espantoso. Porém isso também o é. De fato, como cristãos sabemos que se há de temer mais ao que destrói a alma do que a quem destrói o corpo.
 
Portanto, está na hora de que uma vez que a Igreja, com o Papa à cabeça, marcou  o caminho a seguir com os escândalos dos abusos sexuais, se ponha mãos à obra e também se marquem as linhas para por fim ao abuso daqueles que,  dentro da Igreja, oferecem o veneno do erro meregulhado no perfume da verdade.
 
Fonte: Cor ad Cor Loquitur

    Para citar este texto:
"O Papa deixa de lado qualquer tentativa de autocomplacência"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/papa/papa-complacencia/
Online, 22/07/2017 às 23:58:59h