O Papa

Manifesto de apoio e fidelidade ao Papa Bento XVI
Orlando Fedeli

Nesta hora triste, em que sacerdotes brasileiros, arrolados sob a sigla ENP (Encontro Nacional de Presbíteros), reunidos em Itaici, na presença de sua Eminência o Cardeal Dom Cláudio Hummes, dirigente máximo da Sagrada Congregação para o Clero, assim como de altos dirigentes da CNBB, ousaram escrever e publicar uma carta atrevida à Santa Sé, pedindo, na prática, a abolição do sagrado celibato, assim como a aprovação mascarada do divórcio e do adultério;
Nesta hora de trevas, em que sacerdotes de Cristo Rei ousam pedir ao Papa a renúncia dos direitos papais, aspirando democratizar a Igreja, através da eleição dos Bispos pelos sacerdotes;
Nesta hora de apostasia universal e de rebelião contra o magistério papal, assim como contra o poder dado por Cristo Deus a São Pedro e a seus sucessores, os Papas; 
Nesta hora trágica da História da Igreja Católica, quando sacerdotes publicamente propugnam a anulação do nono mandamento da lei de Deus;
 
Nós, católicos apostólicos romanos, que queremos permanecer sempre fiéis à Cátedra de São Pedro, cônscios de nossos deveres e direitos sagrados, porque público foi o escândalo dado pelo ENP, de público queremos:
 
1 -  Reafirmar nossa absoluta fidelidade ao Santo Padre Bento XVI, gloriosa e valentemente reinante, obedecendo e acatando suas diretivas, especialmente o que disse o Papa em seu discurso aos Bispos do Brasil, na Catedral de São Paulo;
 
2 - Proclamar nossa ardente veneração do sagrado celibato sacerdotal, glória e honra do clero católico, que faz dos padres imitadores do Sumo Sacerdote Jesus Cristo, celibato que eles, na solenidade de sua ordenação sacerdotal, prometeram respeitar fidelissimamente, mas que agora desgraçadamente repudiam;
 
3 -  Reafirmar nosso absoluto acatamento à Moral católica consubstanciada nos Dez Mandamentos da Lei de Deus, mandamentos que ninguém pode revogar. Por isso, reafirmamos solenemente nossa defesa da indissolubilidade do vínculo conjugal, ensinado e ordenado pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, assim como a condenação do divórcio, do adultério e do amasiamento;
 
4 -  Repudiar e condenar a cegueira marxista da chamada Teologia da Libertação, várias vezes censurada pela Santa Sé, e desgraçadamente assumida pelos Padres participantes do encontro do ENP, em Itaici;
 
5 -  Repudiar a substituição do culto dos verdadeiros santos da Igreja Católica pela exaltação ideológica de agitadores a serviço do comunismo;
 
6 -  Relembrar que é falsa a declaração desses sacerdotes do ENP de que não há caminho, pois que Nosso Senhor Jesus Cristo declarou: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (São João, XIV, 6).
 
7 - Apontar a contradição desses padres infiéis, que, marxistizados, negam que exista Caminho, mas que pretendem que se siga “o caminho traçado no Concílio Vaticano II e nas Conferências de Medellín e Puebla”. Pobres sacerdotes iludidos e cegos do ENP que, em lugar dos ensinamentos de Cristo e do Papa, tomam como orientação, “sonhos e experiências” de uma ideologia herética.
 
Rezando pelos que se transviam, negando O Caminho, estreito e único, e propagando as falsas vias largas da perdição, na Fé e na Moral, como leigos católicos, temos a alegria e a honra de proclamar nossa fidelidade e apoio incondicionais ao Papa Bento XVI.
 
Na festa da Cátedra de São Pedro,
 
São Paulo, 22 de Fevereiro de 2008. 
Orlando Fedeli
Presidente da Associação Cultural Montfort
 
 


Padres sugerem o fim do celibato

Brasileiros levarão ao papa documento sobre alternativas para a vida religiosa e tolerância com segundo casamento

José Maria Mayrink, INDAIATUBA

O documento final do 12º Encontro Nacional de Presbíteros, encerrado ontem no Mosteiro de Itaici, município de Indaiatuba (SP), propõe ao Vaticano a busca de alternativas para o celibato sacerdotal - o que significaria a ordenação de homens casados e a readmissão de padres que deixaram suas funções para se casar.

Aprovado por 430 delegados que representavam os 18.685 padres das 269 dioceses brasileiras, onde trabalham em 9.222 paróquias, o pedido será enviado à Sagrada Congregação para o Clero, em Roma, atualmente presidida pelo cardeal d. Cláudio Hummes, ex-arcebispo de São Paulo.

Os padres pedirão também à Santa Sé “orientações mais seguras e definidas sobre o acompanhamento pastoral de casais de segunda união”, os católicos que se divorciaram e tornaram a se casar. Unidos pelo casamento civil, esses fiéis podem participar da vida da Igreja, mas não podem se confessar nem comungar.

As duas reivindicações contrariam normas em vigor na Igreja que, conforme d. Cláudio afirmou no plenário do Encontro de Itaici, a Igreja não tem a intenção de alterar. Os padres não sugerem a abolição total do celibato, que continuaria sendo uma opção, por exemplo, nas ordens e congregações religiosas, mas que haja outras “formas de ministério ordenado”.

A Igreja restabeleceu o diaconato permanente, que é exercido por homens casados. Os diáconos podem pregar nos templos e administrar sacramentos, embora não todos. Batizam, dão a unção dos enfermos e fazem casamentos, mas não celebram a missa nem ouvem confissões, privilégios exclusivos dos sacerdotes.

Outra reivindicação ousada do documento aprovado pelo Encontro de Presbíteros refere-se à nomeação de bispos. Proposta a ser encaminhada à Congregação para os Bispos pedirá uma revisão das nomeações “dentro de um espírito mais transparente, democrático e participativo junto dos presbitérios, dioceses e regionais da CNBB” (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

A escolha dos bispos, que são nomeados pelo papa, é feita sob sigilo pelo núncio apostólico, representante diplomático da Santa Sé. Ele envia a Roma uma lista tríplice, depois de consultar os titulares de dioceses da região em que o escolhido vai servir. Os padres querem ser ouvidos nesse processo.


Dentro do espírito da 5ª Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, que se reuniu no ano passado em Aparecida para discutir o tema Discípulos e Missionários de Jesus Cristo, os padres chegaram à conclusão, em Itaici, de que precisam sair das paróquias para ir ao encontro dos fiéis, a começar pelos católicos que abandonaram a prática religiosa. As paróquias, dizem os padres, devem renovar sua estrutura para ser menos burocráticas.

SANTOS BRASILEIROS

O documento reivindica ainda que a Congregação para a Causa dos Santos encaminhe “os processos de beatificação e de canonização de padres e bispos brasileiros que seriam de grande estímulo para a vida e o ministério presbiteral”. Entre outros candidatos a santo, o texto cita Padre Cícero Romão Batista, d. Hélder Câmara e d. Luciano Mendes de Almeida.

O novo presidente da Comissão Nacional dos Presbíteros, padre Francisco (Chico) dos Santos, eleito em Itaci para um mandato de quatro anos, sugere uma redistribuição de padres entre as dioceses para atender as comunidades onde eles estão faltando. Ordenado há 32 anos, padre Chico é pároco em Muzambinho, no sul de Minas.

(destaques nossos) 

Fonte: O Estado de São Paulo 

    Para citar este texto:
"Manifesto de apoio e fidelidade ao Papa Bento XVI"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/papa/manifesto_bxvi/
Online, 24/05/2017 às 16:27:30h