O Papa

A Herança do Pontificado de João Paulo II: Divisão
Orlando Fedeli

A longa enfermidade, a lenta agonia e a morte sofrida de João Paulo II lhe trouxeram uma simpatia universal, que não foi compartilhada apenas por alguns Bispos ligados à Teologia da Libertação. Dom Arns e o Cardeal Daneels pediram a renúncia do Papa, em meio às dores que o atormentavam. E Dom Morelli criticou o modo como o Papa o demitiu, ao completar 75 anos.

No mais, houve unanimidade.

Todas as pessoas — até o “Baal” Jabor escrevendo seus oráculos – sentiram-se unidas aos sofrimentos, às dores e ao heroísmo do Papa Wojtyla, no enfrentar doença e morte.


Além disso, muitos católicos, que compreenderam sua luta extrema contra o que ele chamou de Ideologia do Mal, admiraram sua constância na luta contra os introdutores do aborto, da eutanásia, do uso de embriões humanos como cobaias, na sua luta contra o divórcio e o casamento gay.


Em seu último livro, publicado pouco antes de morrer, João Paulo II afirmou que o Parlamento Europeu -- e a ONU – herdou a Ideologia do Mal, a eugenia e a eutanásia, outrora propugnadas pelos nazistas e comunistas.

Isso não impediu que, na hora de seu falecimento, uma imensa multidão acorresse a Roma para ver o corpo do falecido Papa, eque, em todo o mundo uma multidão ainda maior demonstrasse estar profundamente comovida com o seu falecimento.


Passada, porém, a primeira emoção, logo se constataram algumas verdades.

Houve observadores mais perspicazes que não deixaram de perceber a superficialidade emocional dessas multidões que, manipuladas pela mídia, aplaudiam a pessoa de João Paulo II, mas não admitiam, nem de longe, seus ensinamentos e decretos.


No Financial Times, a jornalista Sara Silver escreveu:

"O papa atraía as massas, que eram mais movidas pela emoção do que pela vontade de ouvir as mensagens dele", diz Raquel Pastor, especialista em assuntos de Igreja e Estado no Centro Nacional para a Comunicação Social”.



Quantos teólogos e padres que nunca ligaram para os decretos do Papa Wojtyla e escancaradamente os desprezavam, acorreram aos microfones e holofotes da mídia para tecer loas ao Papa que morria.

Sepultado o Papa João Paulo II numa enorme “apoteose” televisada na qual muito se empenhou a mídia, hoje, dia 11 de Abril, as manchetes dos jornais já parecem ter esquecido do falecido Papa.

Assim é o nosso tempo: fugaz e fugidio, interessando-se apenas pelo que é do momento.

Única coisa que sobrou — mas enorme — foi uma notícia dizendo que Cardeais quereriam proclamar imediatamente santo o Papa Wojtyla. Como se fosse possível equiparar popularidade e santidade. Como se fosse conveniente, aproveitando o sucesso de mídia de João Paulo II – um “Pope Star” -- ver nisso um sinal de uma santidade canonizável.



PALPITANTE BRASIL


Agora, a preocupação já é apenas com o próximo Conclave.

E os brasileiros, com sua mania esportivamente competitiva, começam logo a apostar num candidato ou noutro. Reduz-se a questão a uma competição de palpites. Logo mais, será possível que se lance o “bolão” do Conclave, com apostas similares às da Mega Sena.


No Brasil, é difícil encontrar um artigo sério na imprensa sobre o Papa João Paulo II, ou sobre o Conclave.

Recentemente, ouvi um "barbeiro" que retoca notícias atribuir a Rerum Novarum a Pio XI, e ouvi outra “erudita” jornalista, apresentando São Francisco, antes de sua conversão, como um namorador, e, depois de convertido, “vivendo no mato”, e “desafiando a Igreja”.

Valha-nos Deus!

Que cultura e que erudição!

Como proteger o público de tanta bobagem proclamada como se fosse verdade histórica comprovada?

Não é à toa que o livro Código Da Vinci seja um sucesso de vendas.

Como diz a Sagrada Escritura, “Stultorum numerus infinitus est(O número dos tolos é infinito).

Mais do queem qualquer outro lugar, a massa, aqui, “marionetizada” pela nossa “erudita” mídia, e movida apenas por sentimentos e não por princípios, acredita em qualquer manchete emocional. Ouve até o ateu “Baal” Jabor dar palpites teológicos e confessar que, assim comoele renegou ser torcedor do América para se tornar torcedor do Flamengo, assim também, de antipático a João Paulo II, ele passou a simpatizar com ele.

Realmente profundo!


A mania palpiteira nacional contaminou até dois Cardeais nacionais que iam a Roma votar no Conclave, e que, por isso mesmo, pelo menos, deveriam ser mais circunspetos.

E a falta de circunspeção delesenvolveu até nosso Presidente da República, que sempre tem dificuldade com a circunspeção.

Nem o Papa havia sido enterrado, dois Cardeais brasileiros divergiram sobre a eleição do Papa, sobre o palpite vaticanista de Lula, e sobre a ortodoxia de nosso Presidente da República.


Como todo “vaticanista de padaria” está dando palpite sobre a eleição papal, Lula também se sentiu no direito de repetir o quelhe disseram ser noticiado pela imprensa: que estava na hora de haver um Papa Latino Americano. Quem sabe até brasileiro!

Imaginou ?

Um Papa latino-americano!!!

Talvez brasileiro !

Ó pátria amada, idolatrada salve, salve.

Campeão! Campeão!! Campeão!!!


E jornais falaram seriamente de Dom Hummes como “papabile”.

E lá foi Lula, sempre precipitado, a sugerir aos Cardeais a eleição de seu antigo protetor nas greves metalúrgicas do ABC, o atual Cardeal de São Paulo, Dom Cláudio Hummes.

Isso parece não ter agradado ao Cardeal do Rio, Dom Scheid, -- no Rio, ele é Bangu; em São Paulo, Coringão -- que interrogado pela imprensa ao chegar a Roma, fez declarações óbvias e bombásticas, chegando até a pronunciar palavras pouco respeitosas para com a autoridade presidencial.

Declaração óbvia: a de que Lula não tem nada que ver com o Espírito Santo (Lula retrucaria que, de fato, ele é de Pernambuco, não do Espírito Santo) e que não tinha que dar palpite sobre o Conclave, já que “Lula não é católico, mas caótico”.

O Cardeal de São Paulo, por sua vez, mostrou-se atingido com isso, --parece que se queimou -- e fez declarações defendendo a ortodoxia de Lula:

Lula é católico a seu modo”`. Disse ainda que “até lhe dava a comunhão, quando ele ia à missa”.

Desse modo, graças a esse entrevero cardinalício inesperado, os Cardeais conclavistas acabaram sabendo que o papabile Dom Hummes considera que é possível cada um ser católico “a seu modo”. O que é uma forma de livre exame luterano do credo e da moral.

Queimou-se Dom Hummes. Queimou-se Dom Scheid com essa demonstração pública de picuinhas e ciúmes.

E queimou-se Lula, já tão queimado quanto a picanha que ele esquece nas brasas – uma de suas atividades presidenciais mais importantes -- nos famosos churrascos da Granja do Torto.

Lula, então, não deixou por menos.

Soltou o verbo.

Quis provar que Dom Hummes tinha razão, e que ele era de fato, católico “a seu modo”.

Um modo muito fidelista e abortista de ser “católico”.

Declarou que não sabia bem o que era ser bom católico, que fora coroinha — Que surpresa! -- mas que ele era um homem sem pecados, porque era mais importante ser humano do que ser católico.

Ao que bem observou um jornalista, que se Lula estivesse presente, quando Cristo desafiou os judeus que não tivessem pecado a que atirassem a primeira pedra na mulher adúltera, Lula teria dado logo uma tijolada nela.


Um perigo estar perto de gente que se julga sem pecado!...


Logo depois, o Cardeal Eugênio Salles entrou no bate boca, desmentindo Lula, e dando um quinau em Dom Hummes, ao dizer: "Ele [Lula] não é um cristão-modelo".

E quanto a Lula não ter pecados afirmou simplesmente o Cardeal Salles: "Isso não é verdade".


Que nível!


Palpitante...



A Herança do Pontificado de João Paulo II: Divisão


Na Europa, graças a Deus, ainda é possível encontrar artigos mais elevados e mais objetivos do que os de nossos jornalistas. Não são artigos-palpite que mais parecem feitos por “vaticanistas de padaria”, como bem os chamou um conhecido meu e de sabedoria salomônica.


Em primeiro lugar, esses observadores mais sérios constataram, em meio ao entusiasmo geral que não os ofuscou, que o falecido Papa deixou os homens divididos sobre o que ele foi realmente.

Os católicos mais ortodoxos simpatizaram com o João Paulo II defensor da moral, do celibato dos padres, da condenação do aborto e do homossexualismo, enquanto sempre viram com perplexidade seu ecumenismo.

Outros,entretanto, simpatizavam com o ecumenismo de João Paulo II, ou com seu posicionamento político, não aceitando sua luta em defesa da moral católica, julgando-o “conservador demais“.


Entre os artigos mais informados e lúcidos, creio que deve ser citado o de Sandro Magister, artigo do qual publicamos a íntegra neste site Montfort.

Sandro Magister mostra em seu artigo aquilo que no Brasil ninguém jamais publicou: que João Paulo II era muito criticado na cúpula da Igreja por algumas de suas atitudes mais aplaudidas pela mídia anti-teológica e anti-católica.


Entre as atitudes mais criticadas pelos Cardeais da Cúria – que normalmente não perdem a circunspeção -- estavam o famoso encontro ecumênico de Assis, os insistentes pedidos de perdão do Papa Wojtyla, o excessivo número de beatificações e canonizações, feitas numa rapidez de produção em série.

Não havia, então, unanimismo no Vaticano durante o reinado do Papa João Paulo II.

E fazendo uma apreciação mais profunda dos acontecimentos atuais na Igreja e no mundo, numa visão de conjunto da História impossível de ser encontrada na mídia tupiniquim, Sandro Magister comparou a situação trágica da Igreja hoje, com a situação da Igreja no início do segundo milênio, quando São Gregório VII fez triunfar a sua reforma do clero, impondo a autoridade papal sobre a Igreja, sobre o clero rebelde e casamenteiro, assim como sobre toda a Cristandade, incluindo o Imperador Henrique IV.

Hoje, se pretenderia fazer uma reforma semelhante à gregoriana.

...Inclusive com a defesa do celibato eclesiástico...

...Assunto candente...


Sandro Magister mostra como nos discursos feitos pelo Ratzinger e pelo Cardeal Ruini, pouco antes da morte do Papa, eles que eram dois dos mais importantes auxiliares de João Paulo II, não hesitaram em criticar veladamente — porque para bom entendedor meia palavra basta — as viagens de João Paulo II, os pedidos de perdão que ele fez contrariando a toda a Cúria, e as canonizações a toque de caixa, dispensando até mesmo o advogado do diabo.

Fazer essas críticas na hora em quea morte de um Papa de tanto prestígio humano era reverenciada por multidões, demonstrava a coragem desses Cardeais de assumir posições, e sua determinação de influir no Conclave que se anuncia dramático. E a tal ponto Ratzinger adquiriu prestígio e autoridade que o herege Hans Kung já o acusou de querer dominar o Conclave, e, ao mesmo tempoe contraditoriamente, o acusou de querer canonizar João Paulo II precipitadamente.


Sem dúvida o próximo Conclave será dramático.

Talvez o mais dramático que já houve na História, pela importância das questões debatidas e pela grandeza da crise atual.

Duas correntes se enfrentam no Colégio cardinalício: os favoráveis à “letra do Vaticano II”, liderados pelos Cardeais Ratzinger e Ruini, contra os defensores do “espírito do Vaticano II”, capitaneados pelos Cardeais modernistas Kasper, Lehman, Daneels e Martini.

A nossa CNBB é muito influenciada, ou pior, é dominada por esse Modernismo extremado do “espírito do Vaticano II”. Veja-se o que acaba de escrever uma teóloga, Dona Maria Clara Lucchetti Bingemer, num artigo difundido pelo Boletim de Notícias CNNB - Regional SUL 1. :


Os caminhos e sonhos da Igreja sem João Paulo II




“Finalmente, há toda a área da moral pessoal - a sexualidade, a concepção e contracepção, o matrimônio e as segundas uniões, os direitos reprodutivos - onde de novo a Igreja deve reabrir velhas questões e sem transigir em seus princípios radicados no Evangelho, abrir caminhos para ajudar as pessoas a viver e ser felizes, não lhes colocando sobre os ombros peso impossível de carregar. Eis uma área onde o novo Papa será chamado a mover-se com habilidade e inspiração. Restam ainda as questões mais intra-eclesiais, como as do celibato clerical, a ordenação de homens casados, o lugar da mulher e do leigo dentro do corpo eclesial, os novos ministérios. Dentro de uma concepção de Igreja povo de Deus, não mais dividida rigidamente pela contraposição clero X laicato, mas mutuamente fecundada pela interação comunidade - ministérios, é de se esperar que o novo Papa busque e encontre novos caminhos que sustente e robusteça a cidadania eclesial para os tempos que vêm neste século XXI”.


O que essa “teóloga” espera do novo papa é o repúdio de toda a moral católica, isto é, uma apostasia. Claro, “sem transigir em seus princípios”. Esse texto de dona Bingemer mostra a que horrores os novos teólogos querem levar a religião para ajudar as pessoas a viver e ser felizes, não lhes colocando sobre os ombros peso impossível de carregar”.

Para essa teóloga afelicidade está no pecado. O que ela quer é que o novo Papa conceda a permissão para pecar..Para sermos “felizes”.

É uma verdadeira apostasia da moral católica que o Boletim de Notícias CNNB - Regional SUL 1. propõe. Sem transigir com os princípios”.

Claro!

Claríssimo!

É evidente que essa proposta de repúdio da moral católica, prepara um cisma. Não é possível convivência numa mesma Igreja entre quem propõe isso e quem defende o que a Igreja sempre ensinou e mandou. São duas leis opostas que não podem coexistir numa mesma instituição. Duas leis morais opostas que supõem duas Fés opostas.

E essa é apenas uma das divisões da Igreja, hoje.

Porque, contrariamente ao aplauso geral, a realidade mostra que João Paulo II, apesar de seu enorme valor humano, deixou uma herança de divisão. Ele que foi o papa do ecumenismo, nem conseguiu converter hereges ao Catolicismo, e nem deixar os próprios católicos unidos.


Os teólogos, hoje, promovem uma revolução contra o Papa e contra os Bispos, apresentando-se, quais rabinos do século XXI, como os lídimos intérpretes e mestres da verdade e da lei. Verdade que normalmente eles negam existir objetivamente, elei que eles pretendem ser relativa e evolutiva.


Os tradicionalistas, por sua vez, se dividem em cismáticos sede vacantistas, cismáticos com tribunais papais, aderentes ao Vaticano II à luz da Tradição, e etc.

Na direita e na esquerda eclesiástica, ninguém se entende.


Por sua vez, os movimentos eclesiásticos pós conciliares combatem as antigas Ordens e Congregações que pretendem substituir. Estas se defendem contra a usurpação feita por esses movimentos novos, que se apresentam como igrejolas na Igreja.

O Opus Dei combate os jesuítas, que lhes devolvem a raiva e a rixa. Os Neo Catecumenais de Kiko disputam espaço com os Focolari. Os Legionários de Cristo rivalizam com os Arautos de Cristo em busca de freguesia e de donativos. Os da Comunhão e Libertação combatem os modernistas radicais em nome da “Presença”. Os racionalistas marxistas da Teologia da Libertação chamam os carismáticos da RCC de irracionalistas alienados, que por sua vez consideram os teólogos da libertação de teólogos da escravidão stalinista.


E tanto os da TL como os da RCC, nesse caso, ambos têm razão.


Na babel atual, alguns dizem que falam a língua dos anjos, e outros a língua de Marx, de Stalin e de Fidel.

A divisão é geral.

Geral, e muito radical.

Tanto que há quem anuncie cisma à vista.

E alguns até ameaçam fazer o cisma já foi noticiado que alguns Cardeais teriam declarado que se Ratzinger for eleito, eles se separariam de Roma.

Será?


Mas já houve precedentes, no final da Idade Média... E tanto Ratzinger quanto João Paulo II falaram em cisma silencioso, por causa da desobediência geral aos decretos papais sobre o Sacramento da Confissão, como sobre os abusos contra a Eucaristia.



O CONCLAVE


Evidentemente, as considerações que faremos são meramente opinativas, -- “Anch´io sono brasiliano” [“Eu também sou brasileiro”... Contaminado e inacertante] --- quanto às candidaturas e suas possibilidades de êxito. Nada é mais misterioso e imprevisível do que um Conclave. Tanto mais que nele pode entrar diretamente a ação de Deus convertendo um Cardeal de idéias más num Papa valoroso ou santo.

Há precedentes.

*****

O Conclave que se está abrindo deverá eleger o sucessor do Papa Wojtyla, um colosso humano.

O que será tarefa árdua.

Como notou Sandro Magister, todos os Cardeais sabem que João Paulo II é “irrepetível”.

Não há outro Wojtyla.

Principalmente polonês.


Claro que mesmo que o eleito não seja um homem brilhante como o Papa que acaba de morrer, pelo menos deverá ter alguma qualidade semelhante às dele.

Que seja um homem enérgico, poliglota, inteligente, simpático. Mesmo que não tenha todas essas qualidades, tem que ter pelo menos uma delas, para não ser um fiasco desde o primeiro dia. Um Cardeal apagado, que não saiba falar, sem graça, com ar de guarda chuva molhado e fechado, largado num canto, não dá.

O que elimina já alguns “papabili” dá imprensa especialmente sul-americana.

O longo pontificado de João Paulo II faz tender a eleger um Cardeal já com certa idade, porque não é conveniente haver dois pontificados muito longos, seguidamente. Supõe-se então que os candidatos mais prováveis devam ter entre, digamos, uns... 74 a 78 anos. Um Cardeal muito velho, que supõe um novo Conclave logo mais, está descartado. Um Cardeal com menos de 74 anos poderia significar um pontificado de uns 10 anos. O que não seria bom. E os Cardeais mais novos aceitam esse critério, que lhes proporciona uma segunda chamada daqui a uns 5 anos...


É claro que certos Cardeais não tem possibilidade alguma de eleição. São meros eleitores de maior ou menor peso. Por exemplo, os Cardeais norte-americanos sofrem de um pesado “handicap”: a eleição de um deles seria vista como o triunfo do dólar, de Bush, do capitalismo internacional, do espírito Yankee. Então, adeus à tiara para os Cardeais dos Estados Unidos, ou dos que viveram lá muito tempo, como o Cardeal Ivan Dias, da Índia.


O Cardeal Lustiger, de origem judia, e os Cardeais de origem árabe, estão eliminados, porque a eleição de um deles tiraria da Igreja a possibilidade de fazer qualquer mediação internacional nos problemas candentes do Oriente Próximo.


Um Cardeal Ucraniano impediria qualquer contato ecumênico com os russos cismáticos de Moscou. E outro Papa polonês está descartado, porque não seria conveniente fazer bis nessa questão, e também pela pouca simpatia deixada pela ação dos poloneses levados por João Paulo II a Roma. A simpatia polonesa ficou todinha com Wojtyla.O Arcebispo Stanislaw Dziwisz ficou tão difícil de ser compreendido quanto seu nome sem vogais de ser pronunciado. Já está fora do Vaticano...


Cardeais Jesuítas, não são normalmente queridos pela Companhia de Jesus. E todos os não Jesuítas, pelo menos uma vez, concordam, nesse ponto, com a Companhia. Em compensação, a rixa dos Jesuítas contra o Opus Dei — muito influente no Vaticano e na Polônia – tornará quase impossível a eleição de um Cardeal do Opus (há uns dois, sem contar os possíveis membros escondidos do Opus, que sempre se escondem, ou amigos escondidos do Opus). Os há alguns. Meio escondidos. Discretos...

Dificilmente se aceitariam Cardeais muito ligados aos Focolari, ao Neo Catecumenato, aos Legionários de Cristo, e etc, porque esses movimentos muito protegidos pelo Papa João Paulo II, criaram enormes problemas com os vários episcopados e com as Ordens Religiosas.


Falou-se da vez da África, isto é do Cardeal Arinze, o único Cardeal africano com alguma repercussão. Ele mesmo declarou que não é a vez da África e ele mesmo descartou o seu nome.


Isso faz supor que o Cardeal eleito será ou europeu — Mas não polonês! — ou latino-americano. Não sendo europeu, será latino americano. O que põe em destaque o Cardeal Hoyos ou o Cardeal Lopes Trujillo, ambos colombianos.


Castrillón Hoyos é um homem de muita energia, capaz de tomar fortemente o timão da Igreja na tormenta que se anuncia pavorosa. O Cardeal Lopes Trujillo foi quem ajudou o Papa João Paulo II a combater a Teologia da Libertação e a fazer triunfar Puebla sobre a Medellín de Paulo VI.


As duas alas mais importantes do Colégio cardinalício são a dos Cardeais seguidores do chamado “espírito do Concílio” – modernistas radicais — e a ala dos que defendem a “letra do Concílio”.

Os que dizem seguir o “espírito do Vaticano II” pretendem levar às últimas conseqüências aquilo que esse Concílio insinuou. Diplomaticamente.

Seu grande líder era o Cardeal Martini, de Milão. Ele teve que se demitir aos 75 anos, mas, o pior para ele foi terem descoberto que ele também está com o mal de Parkinson, doença quedebilitou João Paulo II até morte. Portanto o Cardeal Martini está fora de cogitações, embora se pense em homenageá-lo, votando nele, pelo menos no primeiro escrutínio. O que servirá para a esquerda vermelha cardinalícia verificar suas possibilidades eleitorais, contando os votos que realmente tem.

O Substituto natural de Martini como líder do Modernismo radical é o Cardeal alemão Walter Kasper, aquele que escreveu livros negando a ressurreição e os milagres de Cristo, e que pretenderia ser seu Vigário.

Sua idade, inferior a 74 anos, e seus erros escandalosos tornam bem difícil sua eleição.

O Cardeal Daneels, de Bruxelas, não esconde seus desejos eleitorais. Porém, o fato de ele, ao que consta, ter sido condenado num processo civil na Bélgica por acobertamento de um padre acusado de pedofilia liquida suas pretensões.

O único da esquerda com possibilidades eleitorais — o único papabile -- da esquerda seria o cardeal Tettamanzi de Milão. Ele foi ordenado e sagrado por Paulo VI, o que indica sua tendência, e se mostra um esquerdista moderado.

O fato deJoão Paulo II o ter transferido da Sé de Genova para ade Milão, a mais importante da Igreja, parecia ser uma preparação para sua candidatura e eleição. Mas ele fez uma declaração bastante desastrada pouco depois de assumir a Sé de Santo Ambrósio: defendeu a comunidade de bens espirituais e materiais.

Essa surpreendente defesa do comunismo assustou a imprensa italiana que o criticou muito.


A Direita cardinalícia parece estar tendo nítida vantagem neste pré conclave. Seu líder principal é o Cardeal Joseph Ratzinger, tão odiado pela esquerda que já fizeram correr o boato ameaçador de que, se Ratzinger for eleito papa, muitos Cardeais e Bispos de esquerda se separariam de Roma não o aceitando como Papa.

Ratzinger, como Cardeal Decano, isto é, o Cardeal mais antigo, está tendo um papel de grande liderança desde a morte do Papa Wojtyla, aparecendo até maisdo que o Cardeal Somalo, que é o Camerlengo, oficialmente encarregado de preparar e dirigir o Conclave. Na Semana Santa em que o Papa agonizou e faleceu, e nos Novemdiales depois do sepultamento do Papa, Ratzinger tem dominado de tal modo a cena, que jornais o tratam como o principal papabile, e lhe atribuem já cerca de 40 a 50 votos no Conclave.


Mas quem entra mais papabile em Conclave, costuma sair apenas Cardinale...


Se isso for verdade, se Ratzinger tem de fato o voto de 40 a 50 Cardeais – o que não é impossível visto que foi ele quem indicou ao Papa grande número de Cardeais entres seus ex discípulos – como 38 votos já perfazem um terço dos votos do Conclave, então Ratzinger impediria seguramente a eleição de um Cardeal da esquerda. Só será eleito quem o Cardeal Ratzinger permitir.

Mas é preciso saber se isso é verdade.

Sendo verdade, um Conclave curto indicaria a eleição do próprio Ratzinger ou de alguém de sua ala. E se for verdade mesmo que ele controla de 40 a 50 votos no Conclave, se o Conclave for longo, haveria grande possibilidade de ser eleito alguém da ala Ratzinger, por maioria simples, superior a 50% dos votos. Portanto, se Ratzinger, de início, já tem 50 votos assegurados, seria praticamente certa a vitória daqueles que querem frear as mudanças conciliares e retornar, pelo menos em parte, à situação anterior ao Vaticano II.

Ora, isso provocaria uma muito séria resistência dos modernistas do “espírito do Concílio” que pretendem radicalizar ainda mais as mudanças que ele trouxe tão desastradamente.


Haveria então cisma?


Há quem o tema.


As profecias de Dom Bosco sobre a “Batalha no Mar” e sobre a “Procissão que sai do Vaticano e retorna”, (Cfr. Site Montfort) assim como a visão do Terceiro Segredo de Fátima – QUE AINDA NÃO ACONTECEU, MAS QUE, NÃO SE SABE QUANDO, VAI ACONTECER - mostram um Papa que é fuziladojunto com Cardeais, Bispos e povo.

E isto supõe uma crise gigantesca e sangrenta.

Haverá então um Cisma?

Há quem o tema.


Se vencerem os Cardeais do “espírito do Vaticano II”, então eles farão uma tal revolução na Igreja — como já o indica o artigo da teóloga Bingemer favorecida pela CNBB – que a cisão seria consumada da mesma forma.

Não é possível conciliação. Parece-nos. Ambos os lados foram tão longe que somente um milagre de Deus poderá impedir uma divisão crítica como nunca houve na Igreja.

Que Deus guarde a Igreja.

Mas Nosso Senhor lhe prometeu a vitória.

Isto é absolutamente certo.

Rezemos pela Igreja.

Rezemos por sua vitória!

Rezemos pelo futuro Papa, quem quer que ele seja.



De Eligendo Pontifice


Esse é o nome que se dá ao discurso inaugural do Conclave, no qual um eclesiástico escolhido por voto dos Cardeais faz a apresentação do quadro geral dos problemas do Mundo e da Igreja no momento da eleição, e traça o perfil do candidato ideal ao papado, o Cardeal mais apto a executar a solução considerada melhor pela maioria do Colégio cardinalício.

Para este Conclave já foram escolhidos dois oradores para apresentar o perfil do Papa ideal para a situação concreta atual do Mundo e da Igreja: o Padre Cantalamessa, pregador papal, conhecido líder e propugnador do movimento carismático, e o Cardeal Spidlik, theco, quefoi ordenado na Holanda em 1949.

O primeiro é um partidário de movimentos místicos irracionalistas que pretendem falar a língua dos anjos.

O segundo, tendo sido formado em seminário holandês na década de 40, é de temer que sejaum modernista racionalista. Digo que é de temer, pois não conheço a sua formação. Sabe-se, porém, da má fama dos seminários holandeses no pós guerra...

Se for assim, nomearam-se dois oradores de alas contrárias. O que, de novo, reflete a divisão dos Cardeais e do clero atual.


Qual a situação do Mundo e da Igreja que será pintada por esses dois oradores?

Qualquer seja a orientação deles, não é difícil prever do que eles tratarão, pois essas são questões objetivas.


Principiemos pela situação do Mundo.


Um problema existente - e agudo – quando da eleição do Papa Wojtyla, praticamente desapareceu: foi a guerra fria entre URSS e Estados Unidos.

A queda do Muro de Berlim e o desmoronamento do Império soviético aliviaram o Mundo do perigo iminente de uma guerra mundial, possivelmente nuclear. Agora, o principal problema político mundial é a guerra do Oriente Médio, entre judeus e árabes, com o conseqüente terrorismo islâmico. Isto terá repercussão política no Conclave apenas fazendo descartar o Cardeal Lustiger e Cardeais de origem árabe da possibilidade de serem eleitos ao Sumo Pontificado. Haverá ainda alguma conseqüência para o ecumenismo com o Islam, mas de muito menos importância.

Um segundo problema mundial – e este levantado especialmente pelos adeptos da Teologia da Libertação – seria a questão do Norte desenvolvido e rico, e o Sul, pobre e endividado.

Ligada a essa questão se trataria ainda da globalização. E, aí, a questão toca fundo na Igreja.

João Paulo II, pouco antes de morrer publicou o livro Memória e Identidade, no qual acusou explicitamente o Parlamento Europeu – órgão da União Européia, germe da futura República Universal – de ter herdado a Ideologia do Mal, preconizada pelo Nazismo e pelo Comunismo. João Paulo II acusou o Parlamento Europeu de estar promovendo em todo o mundo, o aborto, a eutanásia, o uso de células embrionárias, o casamento homossexual, o divórcio, o combate ao celibato eclesiástico, enfim uma moral pagã completamente contrária não só à Moral católica, mas a toda religião. Dessa ideologia do mal vimos um eco, pelo menos parcial, no artigo da teóloga Bingemer publicado por órgão da paradoxalmente inefável e palradora CNBB.

Na verdade, o Parlamento Europeu, promovendo a Ideologia do Mal, está promovendo a Religião do Homem.

Ora, Paulo VI em seu discurso de encerramento do Vaticano IIafirmou que nesse Concílio a Igreja promoveuo culto do Homem, e que colocou a Igrejaa serviço do Homem.

Chegou agora a hora de escolher: ou o culto do Homem, com sua moral antropocêntrica e pagã, ou a religião católica que cultua e serve apenasa Deus. Essa é uma das escolhas colocadas – e divergentes – pelas duas alas, a do espírito e a da letra do Vaticano II.

A quem deve a Igreja servir:a Deus ou ao Homem?

O futuro Papa terá que fazer essa escolha.


*****


Quanto ao quadro da situação atual da Igreja, problemas não faltam a pintar nele.

E muitos.

E bem graves.

Claro que o medo e a dificuldade de escolhaimpelirão a muitos a indicar soluções intermédias, de compromisso.

Tentar-se-á empurrar os dilemas cruciais para mais adiante?

O problema é se será possível empurrar os problemas para mais adiante, como tem sido feito há décadas, porque quando se chega à beira do abismo, empurrar os problemas para mais adiante é cair no abismo.


A nosso ver — que quase não tem nenhuma importância, e nenhuma garantia de estar certo, pois é claro que podemos estar completamente enganados — não dá para ir mais adiante sem solucionar a questão chave: a Igreja deve servir o Mundo ou convertê-lo?

Deve a Igreja ensinar o Mundo, ou abrir-se ao pensamento moderno que é um pensamento gnóstico? Deve a Igreja apascentar as ovelhas ou, seguindo a pastoralidade do Vaticano II, ser pastoreada pelo Mundo Moderno?


João XXIII quis abrir as janelas da Igreja para oMundo. Queria novos ares na Igreja pouco ventilada segundo ele. O Vaticano II então o atendeu e aceitou o “pensamento moderno”. Aceitou aderir á modernidade. O que fora condenado pelo Syllabus.

Abriu as janelas da Igreja, Isto é, suas comportas e muralhas. Entrou um furacão pelo santuário adentro, trazendo a fumaça de Satanás no templo de Deus, como notou Paulo VI.

E, em meio á fumaça que saiu do poço do abismo por aquele que tinha as chaves para fechá-lo, mas o abriu, o Príncipe deste Mundo entrou pelas janelas imprudentemente abertas.

E a confusão triunfou a tal ponto que Dom Morelli saiu pelas janelas a desfilar com escola de samba no carnaval carioca, enquanto outros saíram desfilando no cordão das heresias.


Pode-se continuar nessa linha do Vaticano II, que só trouxe apostasias, desastres e escândalos?

Ou deve-se voltar atrás?

Voltar a Roma.

Trazer a procissão da Igreja de volta para Roma, de onde nunca deveria ter saído?

Deve o novo Papa trazer a nave da Igreja de volta às duas colunas de que fala Dom Bosco, a coluna da Hóstia, isto é a da Missa de sempre, e a coluna de Nossa Senhora?

Claro que sim! Esse é o dever. Isso é o desejável. Isso é o imperioso.

Será feito?

Um dia será feito.

Será logo esse dia?

Só Deus o sabe.

Um dia...Um dia virá!


Evidentemente estas considerações podem estar equivocadas.

Mas há um problema concreto que o Conclave deverá debater: o Ano Eucarístico convocado por João Paulo II deverá prosseguir ou não?

Deverá ser mantida a linha de combate aos abusos na Missa ou não?

O problema da Missa é candente. Nele estão envolvidos muitos outros problemas teológicos, morais, canônicos, pastorais e políticos.

A linha seguida por João Paulo II e pela Cúria, nos derradeiros anos do pontificado que acaba de se encerrar, foi a de uma abertura cada vez maior para a Missa de São Pio V.

João Paulo II na encíclica Ecclesia de Eucharistia e no Decreto Redemptionis Sacramentum combateu os abusos sacrílegos que se fazem em todo o mundo, nas Missas. Ele nem foi escutado. Aqueles mesmo que agora o pranteiam, elogiam, e querem canonizá-lo às pressas, enquanto ele estava vivo o desobedeciam escancaradamente.

Prantos oportunistas...

Desobediências renitentes...

Contraditórias hipocrisias.

Agora, há que decidir: vai se prosseguir na luta contra os abusos na Missa ? Vai-se liberar a Missa que a igreja rezou durante 2.000 anos, e que foi na prática proscrita ?

O Sínodo e o Ano Eucarístico vão ter seguimento?


Toda essa questão litúrgica — que está no âmago da crise atual da Igreja – envolve o nó da Fraternidade Sacerdotal São Pio X [Lefevrista], ela também, hoje, em grave crise.


As negociações com os lefevristas devem prosseguir? O novo Papa deve recebê-los na Igreja, embora se saiba que eles combatem o Vaticano II e não aceitam a Nova Missa de Paulo VI?

Deve-se procurar um termo médio, permitindo a Missa de Paulo VI em latim, e com o altar voltado para Deus e não para povo?

Não seria isso a condenação da Missa Nova à morte lenta, mas morte certa?

Porque a Missa Nova, dita em latim, de costas para o povo,sem cuíca e sem pandeiro, sem rock profanador, estaria morta

Noutras palavras, a Missa é dita para Deus ou para o Povo? Para Deus ou para o Homem?

São duas concepções de religião opostas entre as quais é preciso escolher.


Outro problema grave: o ecumenismo – Graças a Deus!!! - está atolado num lodaçal. Depois de 40 anos de diálogo interminável na nova Torre de Babel construída pelo Vaticano II, não se conseguiu nenhuma unidade, porque em diálogo babélico ninguém se entende. Nem falando a língua dos anjos. Que dirá falando a língua do erro. Daí, nenhuma conversão. Conseguiram-se apenas muitas apostasias.


O próprio Cardeal Kasper, o paladino da união ecumênica com todas as formas de heresia, o Gerente Geral da Torre de Babel do Vaticano II, pouco antes da morte de João Paulo II, criticou o relativismo doutrinário de certos ecumenistas.

Discurso eleitoral feito para angariar votos?

Reconhecimento do óbvio?

O óbvio tem sempre muita força. E o movimento ecumênico tropeça e definha. A Torre de Babel ecumênica que pretendia alcançar o céu junto com os hereges, apresenta rachas e desmorona por todos os lados, Deus seja louvado.

E o problema do ecumenismo e da unidade da Igreja coloca uma questão mais profunda: o que é a Igreja?

Os próprios teólogos do “espírito do Vaticano II” confessam: hoje, não se sabe mais o que é a Igreja (Cfr. Padre Paulo Sérgio Lopes Gonçalves e Irmã Vera Ivanise Bombonatto et alii, Vaticano II, Análise e Prospectivas, Paulinas, São Paulo, 2.004).

A esse ponto se chegou: o novo Papa terá que ensinar, de novo, e com firmeza infalível, o que é a Igreja Católica Apostólica Romana, pois quem não sabe o que é não defende o que tem.


Porém, o mais assanhado problema atual é o da moral.

Teólogos de todas as partes gritam contra o celibato. Pedem a liberação do divórcio. Exigem o casamento gay.


Hoje, os padres querem se casar.

Os casados querem se divorciar.

Os noivos querem se juntar.

Os gays querem se casar.

Na paróquia, e com véu de noiva.

Todos querem os sacramentos profanar

E a lei de Deus violentar.


Em nome de um “cristianismo adulto”, trazido pelo Vaticano II.


A radicalidade com que se exige essa nova moral pagã é frenética. E é apressada.

É para já!

Teólogos hereges e rebelados publicam manifestos em espanhol. E a mídia, a serviço da Ideologia do Mal, os traduz e propaga em todas as línguas.

E o aborto?

As “católicas” pelo direito de decidir o assassinato e o infanticídio, alojadas em edifícios eclesiásticos ao lado de escritórios da CNBB, gritam que querem o direito de matar seus bebês antes que eles nasçam.


E o grito dessas abortistas ecoa entre as paredes da Capela Sixtina. Para escândalo até das sibilas impudicas e pagãs de Michelangelo.


Que responderão os Cardeais em Conclave a esse eco abortista, assassino e pagão?

Que deve fazer o novo Papa diante dessa avalanche de imoralidade pagã e apóstata?

Aprovar?...

Contemporizar?...

Condenar?


Aprovar a nova moral defendida pelos paladinos do “espírito do Vaticano II” seria renegar Cristo e sua Lei.

Impossível.


Contemporizar numa cumplicidade silenciosa e covarde?...

Nem esse adiamento os novos teólogos aceitam.


Condenar seria precipitar o cisma dos hereges escandalosos...


Cristo disse a Judas: “O que queres fazer, faze-o logo” (Jo. XIII, 27).


Porque é melhor estar só do que mal acompanhado.

Assim como o vírus só tem força e faz dano estando no corpo, assim o herege só tem força destrutiva enquanto está no seio da Igreja. Saindo, ele morre. Pois “importa que haja heresias..." ( I Cor. XI, 19).


Muitos outros problemas graves torturam a Igreja, hoje. Praticamente todos eles decorrem dos erros e ambigüidades do Vaticano II.

Enumeramos apenas alguns deles entre os mais importantes. Há outros, e não menos graves, como por exemplo a escandalosa situação doutrinária e moral dos seminários em todo o mundo, da qual a erupção tsunâmica nos Estados unidos é apenas uma manifestação externa de um problema universal.


Tudo isso exigirá do novo Papa uma decisão definitiva crucial.

E como a Igreja tem a promessa de Cristo de que as portas do inferno não prevalecerão sobre ela, temos a certeza de que qualquer que seja o Papa eleito, Cristo falará por sua boca, exterminando as heresias e chamando o mal de mal.


As profecias de Dom Bosco vão realizar-se. O Terceiro Segredo de Fátima vai se realizar. Haverá um Papa que caminhará, ainda que vacilante e titubeante, para a montanha do sacrifício, para ser ele também martirizado junto com Cardeais, Bispos e povo fiel.

A Igreja renascerá logo mais gloriosa e triunfante, sem mácula e sem ruga.

Deus salve a Igreja.

É a prece ad Montfort que desde já clama com toda Fé e com toda a força de sua alma


Viva o Papa!!!


São Paulo, nas vésperas do Conclave, a16 de Abril de 2.005

Orlando Fedeli.

    Para citar este texto:
"A Herança do Pontificado de João Paulo II: Divisão"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/papa/heranca_papa/
Online, 23/03/2017 às 09:15:56h