O Papa

As fontes murmurantes de Roma
Orlando Fedeli

São bem conhecidas as fontes murmurantes de Roma. Nas vielas e praças pitorescas da Cidade Eterna, a cidade dos Papas, se encontram muito freqüentemente fontes de água clara e potável, provindas das montanhas circunvizinhas. Famosas são as fontes da Pizza di Spagna, da Piazza Navona, da Fontana di Trevi - a mais famosa e a mais barroca - as duas fontes da Piazza de San Pietro, e tantas outras.
Mas não é dessas fontes que pretendo falar. Essas, o mundo inteiro conhece.
Refiro-me a outras fontes.
Nos silenciosos corredores do Vaticano, lá também, há fontes. E elas também são murmurantes.
Murmuram discretamente...
Para ouvi-las, é preciso ter discrição e ter também, como diz Nosso Senhor nos Evangelhos, ouvidos para entender.
Pois me têm chegado alguns desses murmúrios.
E eles indicam que no horizonte já aponta uma nova aurora.
Uma aurora gloriosa.
Mas como diz Horace, para triunfar com glória é preciso enfrentar e vencer perigos.
 
À vaincre sans péril, on triophe sans gloire”.
 
Na manhã gloriosa que já se anuncia, à distância, ouvem-se retumbantes e ameaçadores trovões que anunciam tempestade.
Grossa...
Bento XVI vai agir.
A Aurora gloriosa trará também tempestade.
Eis então o que certas fontes murmurantes fizeram ouvir.
O Papa está prestes a lançar documentos bem importantes - alguns já anunciados - para confirmar o que ele já mandara no Motu Proprio Summorum Pontificum, decreto ao qual os Bispos fizeram ouvidos moucos, quando não o desobedeceram afrontosamente.
As novas ordens de Bento XVI - diz-se - serão retumbantes.
Elas serão publicadas de forma inter dicasterial, isto é, serão lançadas por vários Dicastérios romanos, ao mesmo tempo.
Consta que o Papa determinará que em todas as paróquias terá que se celebrar, todo domingo, pelo menos uma Missa de sempre.
Que em todos os seminários terá que se ensinar latim e canto gregoriano.
Que todo seminarista terá que aprender a celebrar Missa de sempre.
Claro que isso vai desencadear o ódio modernista.
Mas o que mais irritará os modernistas, já em franca resistência às determinações de Bento XVI, serão as medidas corretoras da nova liturgia de Paulo VI.
...E só se corrige o que não está certo.
O Jornalista Ignazio Ingrao, noticiou, há pouco, e diz que de fonte certa, -- Ah! As fontes romanas! Como elas murmuram! - que o Papa mandou a Congregação do Culto Divino, cujo Secretário é  Monsenhor Ranjith, realizar um estudo para fazer mudanças corretoras da Nova Missa de Paulo VI.
Só anunciar isso deve fazer ferver o sangue dos modernistas.
Imagine-se! Eles que não queriam saber de permitir a Missa de sempre, serem obrigados a rezar a Missa Nova de modo menos antropocêntrico!
Não lhes dizia eu que os trovões anunciam tempestade?
Pois a fonte certa de Ignazio Ingrao anuncia que por esse estudo, se determinará que as palavras da Consagração da Missa sejam ditas em latim! Em LATIM!!!
Adeus as trapacinhas modernistas tradutoras e traidoras do “pro multis”...
Mais ainda: todas as fórmulas dos Sacramentos (Batismo, Crisma e Confissão) terão que ser ditas em latim.
O Crucifixo terá que ser posto no centro do altar (Adeus o maligníssimo “““sacramento”““ do microfone, muitas vezes tratado com mais respeito do que as hóstias consagradas!).
E isso coloca outro problema: o padre deverá ficar voltado para o crucifixo?
Mas então, o crucifixo ficará de costas para o “POVO”?
Ou Padre e fiéis terão que ficar olhando o crucifixo?
Isso indica que o celebrante deverá ficar de costas para o povo.
Isso seria o fim das Missas-show.
Mais ainda, isso seria o fim da Missa antropocêntrica, democratizante e protestantizante de Paulo VI.
A tempestade vai ser grossa...
Um tufão se aproxima de Roma.
E a comunhão terá que ser dada na boca e estando o fiel de joelhos. Mesmo em Anápolis, em Ribeirão Preto, em Limeira e até em São José do Rio Preto terá que ser assim. Porque as águas das fontes de São Pedro chegam até os confins do mundo.
A tempestade vai ser grossa.
Um tsunami eclesiástico ronda no horizonte.
Mais. O Papa teria determinado que se reestude a questão das concelebrações, nas quais será posto, desde já, um freio.
Que bom!!!
Consta que o Papa, e mesmo seus secretários pessoais mais chegados, privadamente, já rezam a Missa de sempre. Consta mais ainda que o Papa deseja que, em Roma, todos os Cardeais rezem a Missa tridentina. Mais ainda, que Bento XVI teria dito que a Missa promulgada por São Pio V, era a Missa rezada por toda a Cúria romana daquele tempo, e  que, também agora deveria ser assim: a cúria terá que rezar a Missa de sempre.
Mas tudo isso vai contra a Missa do Concílio Vaticano II. Tudo isso vai contra o Vaticano II, clamarão os Bispos e padres modernistas, moderninhos e modernizantes.
Pois consta que, pelo Vaticano, se diz, pelos corredores, que agora é palavra corrente que o Vaticano II não foi senão um Concílio pastoral e que nada dele foi dogmático e infalível...
Logo... a tempestade vai ser grossa.
Consta ainda que...
Não. Não consta. É certo que o Papa Bento XVI fazendo isso, revela uma coragem extraordinária. Ele está prestes a enfrentar a maior tempestade que já caiu sobre a cúpula de São Pedro. Mas ele sabe bem que essa cúpula é inabalável. Cristo prometeu que a Igreja não pereceria.
Saindo esses decretos - já correntes nas fontes murmurantes do Vaticano --, como se poderá negar que não está se dando um retorno ao que a Igreja era antes do Concílio Vaticano II?
 
 
Em Roma, tradicionalmente, há não só fontes murmurantes.
Há também lobos uivantes.
 
Existem em Roma duas raças de lobos que se opõem à ação providencial de Bento XVI.
Uma é a dos lobos modernistas que, vindos do corredor esquerdo, uivam de ódio ao verem ameaçadas as conquistas que obtiveram no Vaticano II.
Outra raça, que só aparentemente se opõe aos lobos modernistas, é a alcatéia proveniente dos corredores da direita. São os lobos sedevacantistas que uivam contra Bento XVI, lançando-lhe em rosto os erros que defendeu no passado, e que, por isso, o declaram herege, e sentenciam que ele não é Papa.
Ambas as alcatéias, a modernista e a sedevacantista, buscam o mesmo objetivo: impedir o pleno retorno da barca de Pedro às duas colunas do sonho de Dom Bosco.
Sedevacantistas e modernistas se aliam contra o Papa.
E pelos corredores do Vaticano, constatando-se esse retorno, se murmura um nome símbolo, um nome muito odiado, muito temido e muito glorioso: “Lefebvre”!
 
Rezemos pelo Papa Bento XVI.
Permaneçamos sempre com o Papa.
 
São Paulo, 6 de Julho de 2008.
Orlando Fedeli
 

 

BENTO  XVI REFORÇA SEU APOIO À MISSA DE SEMPRE E MUDA A MISSA NOVA DE PAULO VI
 
 A CONGREGAÇÃO DO CULTO DIVINO É INCUMBIDA  DE FAZER  ESTUDO PARA MUDAR A NOVA LITURGIA
 
O RITO DA MISSA  [SITE Rorate:  Segue notícia publicada na revista Panorama. Mais abaixo uma tradução para o inglês, feita pelo blog Rorate Caeli:
 
1 - BENTO XVI TORNA A MUDAR A MISSA - CONFIADO À CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO O ESTUDO DA NOVA LITURGIA
 
O rito da missa poderá mudar. Segundo algumas indiscreções, Bento XVI teria incumbido a Congregação para o Cultp Divino estudare algumas modify cações na liturgia. Em particular o Papa teria a intenção de reimplantar o latim na formula da Consagração eucarística na messa em «língua vulgar», isto é, aquela celebrada nas várias línguas nacionais. A mesma coisa poderia ser feita nas fórmulas do Batismo, do Crisma, da Confissão e dos outros sacramentos. Além disso, a doação da paz entre os fiéis durante a Missa, que hoje acontece antes da distribuição da Eucaristia, poderia ser antecipada (come no rito ambrosiano) para o momento do ofertório, a fim de não perturbar o recolhimento que precede a comunhão.
 
Essas seria modificações que se acrescentariam às mudanças na liturgia e nos paramentos sagrados que o Papa, junto com seu cerimoniário, Monsenhor Guido Marini, realizou nesses meses, para recuperar antigas tradições: a restauração do crucifixo no centro do altar, a distribuição da comunhão aos fiéis na boca e de jelhos, a recuperação do báculo pastoral de Pio IX (a férula), a modificação do estilo do pálio (a faixa de lã branca com cruzes vermelhas  utilizada pelo Papa), a restauração do trono papal usado no Consistário, e a celebração da Missa de costas para os fiéis, como aconteceu em Janeiro na Capela Sixtina. (Ignazio Ingrao)
 
http://dagospia. excite.it/ articolo_ index_41774. html
 
http://rorate- caeli.blogspot. com/

    Para citar este texto:
"As fontes murmurantes de Roma"
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/bra/veritas/papa/fontes_roma/
Online, 24/05/2017 às 08:39:37h